19 maio 2006

De novo

Socorro. Gripe horrorosa me puxou pelo colarinho (melhor dizendo, pelo decote) e me levou para a cama sem direito a preliminares. Estou me sentindo verde, e devo estar mesmo - verde ou azul, de tão pálida e sem graça. Olheiras, calafrios. Comendo sem gosto e respirando em falso.


Engano

- Alô, aí é do salão de beleza?
- Dão, senhora.
- Como?
- Dão! Dão!!

Pelo aboooor de Deus, dão be faça falar ao telefone com essa gripe!!!


Vende-se lenço

Acabei de fazer um pedido na farmácia. Vitaminas e aspirinas. “E lenços de papel, aquela caixa maiorzinha...”.

Chegou. É do tamanho de uma caixa de ferramentas. Isso aqui dá para uns 30 narizes!

Vendo lenços. É um real o punhado.


Tem febre, por acaso?

Quando era criança, por mais que me gripasse, mal tinha febre. 38 era pico de audiência. Corria a família toda, ela está com 38, chama o doutor, cobre a guria, põe mais uma mantinha que o negócio é sério.

Minha mãe vinha, alisava e beijava a minha testa, um beijo geladinho – era bom negócio estar com 38 graus.

Já meu irmão, o primogênito, aquele que já nascera adulto (do meu ponto de vista – o de pirralha da casa), pois o desgraçado ostentava febrões de 40 graus vááárias vezes por ano. Era um inferno. Sofria de bronquite, de inflamações na garganta, das mais variadas alergias possíveis e imagináveis (até hoje, não pode com poeira), e ainda por cima era portador de um talento raríssimo que o fazia naturalmente premiado enquanto são, imagine enfermo: o filho da mãe era meigo.

Doente, ficava mais meigo ainda.

E era uma criança bonita, o danado. Tinha farta cabeleira negra, levemente ondulada e brilhosa como em propaganda de xampu. O rosto era lisinho e claro; os olhos, enormes e espertos, os cílios alongados, as sobrancelhas caprichadas, a boca cor-de-rosa e carnuda, carro-chefe daquela fisionomia freqüentemente elogiada. Argh.

Com febre, mantinha o semblante sereno. Era a meiguice em pessoa.

De modo que eu bem que tentava, mas não conseguia um Ibope de 40 graus por nada neste mundo. Sempre era a segunda (e última!) colocada – coisas de caçula.

Fiquei com essa incompetência febril, qualquer aspirina sossega minhas crises, vibro quando o termômetro espeta algumas linhas acima do 38, cubro-me até o pescoço e faço “brrrrrr!!!” sozinha para ver se minha mãe aparece e me beija a testa – ou, sei lá, faz alguma coisa que me cure e traga paz de espírito...

Por exemplo, põe algum defeitinho no meu irmão.

15 maio 2006

Dia das mães

Ninguém tinha tempo de sair para comprar um presentinho para ela. Que vergonha. Meu pai se prontificou.

- Eu vou. Compro um presente em nome dos filhos.

Oba! Ele compra - em nome dos filhos, dos espíritos santos, amém. E foi na quinta-feira anterior ao domingo em questão. Mas ela foi junto. (A mãe em questão).

- Não tem graça ela ir junto! – protestamos.
- Claro que tem. Xá comigo. Ponho ela sentadinha numa praça de alimentação e vou às compras. Tem erro, não. Xá comigo.

Na volta, ela me ligou:

- Acabo de chegar do shopping. Ganhei de vocês um perfume ma-ra-vi-lho-so!
- Pô, mãe! Sacanagem! Era para ser surpresa!
- Ah, minha filha, não resisti. Fui lá e escolhi junto. Perfume é tão pessoal, né? Experimentei uns cinco, e escolhi o melhor de todos.
- E qual foi o eleito?
- Sabe que eu não sei? Esqueci.

Provou tantos que esqueceu o escolhido. Mandou embrulhar para presente, e saiu da loja balançando a sacolinha do perfume cuja marca não lembrava mais.

“Só vou abrir no domingo.”

Domingo ela abriu o pacotinho e se perfumou toda. Cheguei para o almoço e comentei que o cheiro era maravilhoso. E, de fato, era.

Até agora não sei o nome do perfume que meu pai comprou em nome dos filhos, ela própria escolheu, mandou embrulhar, esperou até domingo, abriu e ganhou de surpresa.

Não é verdade que só muda o endereço. A minha é modelo exclusivo.

11 maio 2006

Classificados

MÁQUINA
Vndo máquina d scrvr faltando uma tcla.

CAMISINHA
Troco caixas de preservativos vagabundos por roupas de bebê.

PRÓTESES
Troco lindo Pitbull muito bravo por mão ortopédica e perna mecânica.
Acontece mil vezes, aconteceu agora

- Boa tarde, eu gostaria de fazer um pedido.

Dei meu telefone, ele achou lá o cadastro. Pausa.

- Desculpe, senhora. É Bibiana??
- Sim.

Reticências do outro lado.

- Desculpe... É Bibiana mesmo?
- Aham...
- Por Deus que eu achei que estivesse escrito errado! Então... O que vai querer, dona Viviane?
...

A sua cabeça... parcelada, por favor.

10 maio 2006

Permissão

“Vossa senhoria me permita, está querendo fazer a gente de besta.”
(Senador Efraim Moraes – PMBD-PB - Presidente da CPI)


Urgente

Marquei com o corretor, depois de muitas ligações em vão. Amanhã ele virá. Finalmente ele virá. Afastem as cadeiras. Preparem os canapés. Que alívio, o corretor virá.

No entanto, telefonou na véspera:

- Não poderei ir, senhora, sinto muito. É que fui chamado de última hora para ser padrinho de casamento.

???

Vossa senhoria me permita...
CPI sem fôlego


Coloquei os fones e saí para dar minha caminhada ouvindo, acreditem, Silvinho Pereira na CPI.

É estarrecedor. Essa gente é muito burra; nós estamos representados por gente muito despreparada. São burros demais, repito, burros. Escandalosamente burros. O interrogado é burro, mas os que formulam as perguntas são igualmente burros. Alguns podem até ser espertos, mas não são inteligentes. São burros, são vulgarmente burros. É triste. Burrice assim é triste demais.

Dei a minha caminhada, ida e volta, e ninguém disse coisa alguma que valesse a pena escutar.

Ou meus ouvidos não têm a menor capacidade aeróbica, ou essa CPI está completamente sem fôlego – de tanta burrice que deve ter fumado.

09 maio 2006

Chico e o sexo

Chico Buarque, no seu DVD “À Flor da Pele”, constrangido:

- É engraçado dizer isso, né... mas as moças, nos anos 60, pretendiam se casar virgens.

E depois:

- Claro, tinha sempre uma ou outra, mas era exceção: a fulana, que estuda no colégio tal, dá. Ela dá. Mas era exceção.

E conclui, sobre hoje em dia:

- Hoje é muito difícil um rapaz de 16 anos não se deitar com sua namorada de 15. 14 anos.

**

Mãe

É engraçado como, nesta época, todo mundo acha que conhece a minha mãe.
“Sua mãe vai amar!”
“É a cara dela!”
“Cuide bem de quem cuidou de você!”

E outras pérolas divididas em 10X sem juros. Hunf.

**

Mas fiquei babando por um presente: tal de “Day Spa”, na Barra da Tijuca (claro).

Minha mãe passaria um dia inteirinho recebendo banhos cheirosérrimos, massagens relaxantes e tratamentos moderníssimos num espaço desses de estética-holística-zen-chique-no-último.

Caríssimo, of course.

Já disse: nesse ano não dá, mas ano que vem vai rolar – ah, se vai! E, para não ficar uma coisa assim tão enfadonha para a pobrezinha, tchan-nan!... Eu vou junto com ela. Eu me submeto. Encaro.

Bah, sou uma filha supimpa.

**

Pilates

As professoras resolveram fazer um alongamento em grupo (geralmente é individual). Colchonetes no chão, e mandamos ver.

Estica daqui, estica dali, conta até 20 e depois volta devagar. Estou observando uma senhora de quase 70 anos que está ao meu lado. A desgraçada tem um alongamento de pôr inveja a nós outras, porque fez dança e yôga a vida inteira. Um escândalo. A mulher se estica e nem geme, como as pobres mortais. Raiva. E a professora segue:

“Troca a perna!”

Interfiro:
“Eu tinha uma perguntinha...”

“Que foi?”

“Pode trocar a perna com a Suely?”

Quá quá quá geral. Desconcentrei a turma toda, levei bronca mesmo.
Sério - quem tem peito?


Hoje eu fiquei absolutamente chocada, e vou contar por quê.

Minha afilhada tem 12 anos. Há pouco tempo ela entrou no Orkut, e eu recebi um recadinho fofo: “oi, madrinha! Vc tem MSN?”, essas coisas. Como moramos em cidades distantes, o contato é raro. Fiquei toda feliz por reencontrar aquela gracinha de menina – que, infelizmente, e para desgosto da madrinha escritora, usa uma ortografia que beira o indecifrável (axim escritu comu nem sei imitar direito!), mas isso hoje não vem ao caso.

Vamos ao que vem ao caso – sério.

Quando fui acessar o perfil dela no Orkut, havia embaixo alguns “depoimentos” (em geral, elogios que os amigos escrevem sobre a gente, e que servem para fazer uma espécie de média - terceirizada, o que só agrega valor! – com os possíveis visitantes). Num desses depoimentos, encontrei uma coisa que me chamou a atenção: a amiguinha em questão se apresenta no Orkut com uma foto onde aparece só enrolada numa toalha. A menina tem 12 anos. Olhei de perto, e era isso mesmo. Não aparece nada além de um pedaço da toalha, os ombros, o rosto infantil e o cabelo molhado.

Aquilo me deixou espantada. Como não tenho nenhuma amiga de 12 anos, não costumo visitar perfis dessa faixa etária no Orkut. Não sei dizer, portanto, se é comum as meninas tirarem esse tipo de foto e colocarem à disposição do mundo virtual.

Não sei dizer, também, o que os pais e as mães (reais) dessas meninas pensam disso. Se é que sabem que as filhas exibem seus colos nus, rostos infantis e cabelos molhados na rede.

Para mim, já era bastante desconcertante ver aquela menininha, enrolada na toalha, fazendo cara de sensual para a câmera. Cliquei nela. Curiosidade mesmo. Quis ver o sobrenome, a origem, se havia pai ou mãe no perfil, enfim, acho que eu queria mesmo era ver a assinatura do pai ou responsável. Claro que não havia nada disso. Mas havia coisa bem pior.

Na página de recados dela, tinha lá um sujeito adulto, certamente com mais de 30 anos, que dizia: “Não sei... posso ser, quem sabe, seu novo amigo...”.

Achei o tom daquele recado muito esquisito, e fui clicar no perfil do cara. Não deu outra. Na página de recados dele, várias (e ponha várias nisso!) meninas aparecem perguntando: “Desculpe, eu conheço você?”.

Para quem não é familiarizado ao Orkut talvez isso não esteja muito claro, então eu explico: o sujeito visita muitas meninas menores de idade e manda recados “puxando um papo”.

Quem cair na rede, caiu.

Voltei à página de recados da menina de toalha e fui pesquisar qual havia sido o primeiro recado dele a ela. Como teria iniciado o papo?

Não apareceu nada. No Orkut, a pessoa que envia um recado pode perfeitamente apagá-lo quando bem entender. Ele deve apagar todos.

Eu sei que vocês estão pensando em pedofilia. Mas eu não estou (não só nisso).

Estou é pensando no Dia das Mães. E no Dia dos Pais, e no Dia dos Avós. E no dia em que alguém vai ensinar à amiga da minha afilhada noções básicas de valor, comportamento e perigo - sem temer ser rejeitado pela adolescente, ser taxado de “careta” ou “corta-barato”. Alguém que não queira ser mais um amiguinho “qui escreve axim”. Porque aquela menina, que mal tem peito para segurar a toalha enrolada ao corpo, certamente está enchendo a cabeça de abobrinhas que poderão lhe custar mais caro do que ela tem discernimento e maturidade para imaginar hoje.

E, àqueles que têm discernimento e maturidade, eu pergunto: cadê peito para ensinar???

05 maio 2006

Salão de beleza

A moça grávida contava que, ontem, quase morreu de desejo por uma sopa de cenoura.

- Não adianta dizer que é mito. A vontade que a gente tem não é igual, sabe? É exagerada mesmo. Eu ficava aguando, desesperada pela sopa!

A mulher era uma simpatia, todo mundo ficou ouvindo as histórias de grávida e adorando. Dali a pouco, gemeu e reclamou de azia. A mulherada ficou sensibilizada, mas ela nem se abalou:

- Não façam essa cara de pena, não. Essa azia não é do bebê. É da carne seca com cebola que eu acabei de comer, nossa como eu comi! E depois ainda tracei um bolo de aipim com coco que estava uma delícia! Vou tomar um Luftal e logo passa. Esquenta não.

Aaahh, bom.

***

Outro assunto que imperava era a plástica.

Chegou uma mulher de uns 40 e poucos, loira, cara de inteligente (ora, óculos de séria), e com um decote que exibia um contorno meio suspeito. Primeiro achei que era preconceito meu, quis pensar noutra coisa. Mas não conseguia, aquelas duas bolotas saltando pelo colo da mulher, sabe como é, a gente quer ser delicada, mas a curiosidade.

Vou fazer o quê? Ler a Caras?

Graças a Deus ela encontrou uma amiga, e as duas começaram a falar. A amiga era gordinha (gordinha é gentileza, tá?), mal cumprimentou a outra e foi logo dizendo:

- Eu já avisei meu marido: vá se preparando! Daqui a dois ou três meses eu vou entrar de novo.

(Fiquei pensando: entrar? Onde?)

- É, minha filha, vou entrar na faca!

(Jesus...)

- Quando fiz a primeira, ele me chamava de maluca. Mas pagou, né. Tem que pagar, é o que eu digo: você também usufrui, nego! Tem que comparecer. E ele comparece mesmo, tadinho, nem estou reclamando... Agora quero colocar silicone, porque da outra vez eu não coloquei, só diminuí e subi um pouco. Tola. Está certo que não cai nada, quando eu tiro o sutiã fica tudo no lugar, não despenca e tal. Mas eu sinto falta desse seu desenho do colo, sabe? (E fazia as bolotas da outra com as mãos dela, cá em cima).

- Sei, isso aqui (cá em cima) só com silicone mesmo. Minha médica disse. Tem jeito, não.

Lá do outro lado, uma manicure pedia uma pausa à cliente.

- Preciso tomar meu Dorflex. Menina, tô à base de Dorflex, desde que fiz a manutenção.

- Que manutenção?

- Da minha cabeça. Aliás, do cabelo. Implante!

- E dói?

- Dói um absuuuurdo!

Perua de cabelo cor de telha, até agora calada, abriu a boca para censurar:

- Você é doida! Fazer implante, depois ficar com a cabeça dolorida! Tá maluca!!!

- Ué! Estavam falando até agora de plástica! Pois essa aqui é a plástica que eu posso, tá???

Ficaram todas quietinhas.

04 maio 2006

Péssima hora

Essa greve de fome do Garotinho até teria graça (o cara é gordo, e tal), mas numa hora dessas...

Francamente, não tem a menor.

03 maio 2006

FOTO é apelido!

Quando eu fui chamada para escrever uma coluna para a revista Época, um dia ela me ligou:

- Alô, aqui é a Mirian, estou ligando para marcarmos a foto.

Na primeira frase, identificamos o sotaque uma da outra. Mas continuamos marcando a data e o local da foto - que serviria para me apresentar aos leitores. Até que uma de nós (não lembro qual) disse:

- Vem cá, tu é gaúcha de onde??

Caímos na risada. É muito bom encontrar conterrâneos longe dos pampas.

Mirian Fichtner, a gaúcha em questão, já mora no Rio há pelo menos 20 anos (se bem me lembro), é uma das fotógrafas mais brilhantes do Brasil, premiada internacionalmente, talentosíssima, perspicaz, sensível e dona de uma simpatia capaz de deixar qualquer ser fotografado à vontade. Aliás, acho que ela deixa à vontade até as pedras da calçada - que vão, gentilmente, lhe servir de cenário.

Vocês podem dizer se estou exagerando – pois a Mirian acaba de lançar o seu e-book fotográfico. Quem quiser ver o escândalo (no bom sentido) que essa mulher produz, clique aqui.

Ah, e cuidado com o relâmpago!

02 maio 2006

Crash! – No Limite

Finalmente eu assisti ao vencedor do Oscar de melhor filme. “Crash – No Limite” não tem nada de mais, e é simplesmente bom demais. O melhor que eu vi nos últimos tempos.

Não sei como bateu (sem trocadilho!) em vocês, mas, para mim, o filme não fala de raças, tampouco de violência – duas questões centrais que permeiam o roteiro do início ao fim. Nada disso. Ele não está falando das coisas que grifa; está, sim, usando os grifos para falar de coisas que estão nas entrelinhas.

Crash é sobre as complexidades humanas. E esse assunto - que é tão delicado - é belamente tratado por contraste: com a violência das cenas chocantes, muitíssimo bem dirigidas, interpretadas por atores em momentos raros, com paixão, com comoção, com fúria, com intensidade, com exagero (sim!), com inverossimilhança (sim! É cinema!!), com todos os termos ditos – que, no fim das contas, servem para nos conduzir aos indizíveis.

Para não ser apenas uma desconcertante obra das entrelinhas, Crash também é bom de linhas: traz um roteiro impecável, bem amarrado, que lida com ironia e faz o que poucos têm feito ultimamente – conta histórias. Sem frescuras. Pá-pum. Recomendo.


Fuxiqueira, eeeeeeu?

Levei um baita susto ao entrar no Orkut. Dizia lá: “veja quem visualizou o seu perfil recentemente: fulano, fulano, fulano, fulano e fulano.”

??

Ou seja, o Google criou uma ferramenta que permite a identificação da fuxicagem.

Sim. Qual o nexo?

Tô fora. Não quero nem saber o nome dos fulanos que me visitam, tampouco desejo que os meus fuxicados saibam que eu andei bisbilhotando a vida deles. Eu, hein? Troço mais antiético!

Fuxico é fuxico; tem que ser pelo buraquinho da fechadura, ou deixa de ser fuxico.

Fui lá e desabilitei o (des)serviço. Pelo menos eles dão esta opção: você aperta num botão, e tudo volta a ser como antes.
...

Mentira, vai. Todo mundo quer saber quem anda visitando o seu perfil. Mas não quer ser identificado quando visita o dos outros. (No Orkut dos outros, você sabe...).

Como o serviço só permite que você flagre o visitante se também se colocar na reta, o negócio é escolher: ou mantém a privacidade (mas também não mata a curiosidade), ou sai logo da moita (e fica sabendo quem teve interesse em fuxicar na sua vida).

Óóó, dúvida relevante.

Claro que eu escolhi ficar na moita, como me convém. Sou uma curiosa confessa - mas assim, no genérico. Não me leve para o lado pessoal, que eu negarei até a morte. Hoho.

28 abril 2006

Telas

Tinha lá um caminhão com um escrito enorme:

“Telas Santo Antônio. Há 20 anos cercando com qualidade.”

Tem a ver... Santo Antônio. Casamento. Cerca.
Hoho.

(Duas coisas a que não resisto: torta de limão e piadinha infame. Sorry.)


Ai, Jesus

Tem um cara (aquele) gritando na pracinha aqui em frente. Toda sexta-feira ele estaciona o seu carrão ali e fica pregando em nome de Jesus. Neste momento, está berrando:

EU VIM TRAZER CONFORTO A VOCÊS! CON-FOR-TO!!! EU SEI QUE VOCÊS TÊM MEDO NO CORAÇÃO, É POR ISSO QUE EU VENHO TRAZER CON-FOR-TO!!!

Tá, eu não tinha medo algum. Agora estou com medo é dele.


Coletar I

A lavanderia me mandou um e-mail com promoção, e termina assim: “coletamos e entregamos de graça”. Dá pra entender, mas, sinceramente, não consigo achar adequado esse verbo coletar. E estão usando muito. Todo mundo coleta e entrega em domicílio, cada vez mais.

O problema é que esse negócio de coletar me lembra exame de laboratório. Você sabe, cocô, etc. Não consigo deixar de associar.

Por que é que não usam “buscamos”, “apanhamos”, “retiramos”? Tem que coletar?

Não consigo imaginar a lavanderia coletando o meu edredom, não há jeito. Sou capaz de levar lá, só para não ter ninguém coletando aqui na minha casa. Ora, vão coletar noutras bandas!


Coletar II

Falar nisso: por que é que ninguém vem coletar (agora sim!) esse sujeito aí da praça, hein?

Eu pago, eu pago!!

26 abril 2006

Não há vagas não há vagas não há vagas


Agora, para renovar a carteira de habilitação, temos que fazer a tal prova de atualização do DETRAN. Cadê que eu consigo marcar a tal prova?

Simplesmente não há vagas. Nunca.

Eu disse nunca!


Perua

A perua é o único ser vivente que só sabe fazer uma cara: cara de perua.

Pois a perua (a madama, não o carro) estacionou na contramão, e na contramão quis sair daquela rua estreita como seu senso de civilidade. Eu vinha de uma avenida maior, dei o sinal e virei. Perua imóvel no meio da rua. Assim permaneceu. Parei também.

Fiz uma cara de paciente.

A perua fez cara de perua, e ali ficou.

Fiz outra cara, achei graça.

A perua fez a mesma cara outra vez.

Fiz ainda uma terceira cara – agora, irritada!

Perua não alterava o semblante, tampouco fazia menção de se mexer, manobrar, corrigir, dar meia volta, pedir desculpas, só agora eu vi a placa, foi péssimo, estou atrasada, meu marido me espera, sei lá, dar uma escusa qualquer, sorrir amarelo, levantar o polegar, nada.

Em vez disso, levantou uma só sobrancelha. E fez aquela cara de perua aguda com sobrancelha circunflexa.

Não sou de fazer isso, mas levei o dedo na buzina, e não adiantou foi nada. Tive, sim senhores, de me recolher à ingrata condição de reles integrante da classe média – aquela que sempre paga o pato, pois é isto que sou: nem tão moça, nem tão velha; nem tão rica, nem tão pobre; nem tão gorda, nem tão magra; nem tão feliz, nem tão triste; nem tão lá, nem tão cá, o que é que me resta? Recuar.

Recuei e pus minha bunda a perigo (digo: a bunda do meu carro, claro), empacada no meio de uma avenida movimentada, a esperar que a perua ruim de braço desembestasse e fosse levar sua falta de talento a passear noutras bandas. Ela e sua sobrancelha - que já era quase um Y.

Saiu, com aquela mesma cara de perua, e pude seguir meu destino em paz.

Perguntinha ilustrativa: qual era a 'marca' do cachorrinho dela?

21 abril 2006

Budapeste

É daqueles livros que você não lê rindo, mas sempre mantém uma curvinha nos lábios. Porque o texto flui com ironia e graça - e 90% da graça está na ameaça de rir, né? Adoro isso. Quando você pensa que vai, enfim, despencar no alívio de uma gargalhada sonora, ele dá o inesperado: põe lirismo no final do parágrafo, puxando lindamente o tapete do leitor. Leva-se um belo tombo - que é o primeiro passo do próximo vôo, e a gente embarca sem nem conferir o assento.

Salve Chico Buarque!


Contém GLÚTEN

Você viu essa do glúten?

O que é: uma proteína presente no trigo, aveia, centeio, cevada e malte.

O que causa: o excesso de glúten pode provocar (lá vai) gases, dores articulares, dores de cabeça e aumento no volume abdominal. Segundo especialistas, a substância forma uma espécie de “cola” que acaba estagnando as funções intestinais e minando o sistema imunológico. Daí vêm alergias de pele, artrites e doenças auto-imunes. Por dificultar a absorção normal de serotonina, pode acabar causando depressão. Como costuma vir aliado ao açúcar (que “rouba” o cálcio do organismo), aumenta o risco de osteoporose, ranger dos dentes, insônia, cáries e colesterol alto.

Como evitar: parece que o perigo maior está no abuso do trigo na alimentação. A sugestão é consumirmos, em vez dele, produtos derivados do aipim, milho, fubá e arroz. Além de, é claro, frutas e saladas.

Em sites destinados aos portadores da doença celíaca (intolerância ao glúten), é possível encontrar listas de produtos livres da substância.

--

- Você viu essa onda anti-glúten? Sabia que faz tanto mal assim?
- Eu não. Vou tomar uma providência!
- Banir o glúten?
- Não. Esperar até que eles descubram que ele faz bem.

20 abril 2006

Chico

Esse Globo Online deu uma reformulada total e está muito chique. Veja lá um teaser da entrevista com o Chico Buarque, que eles fizeram para a Revista de Domingo e vai ao ar, no site, a partir de segunda-feira.


Sai da linha

Quebraram o sigilo telefônico da mansão do Lago Sul. Ui.


Dá em nada

Lá vem mais um depoimento com habeas – agora, do compadre do Lula. O sujeito pode não responder o que bem entender.

Já sabemos no que isso dá: em habeas com açúcar.

19 abril 2006

Dois de paus


Adoro caminhar na praia nessa época do ano. Sol mais ameno, cores mais vivas. Casais namorando. Poucos. E hoje eu vi dois salva-vidas, concentradíssimos.

Jogando cartas.

14 abril 2006

Papo de mãe


Minha mãe contando estórias. Patati, patatá, quando nós nos casamos, quando fomos morar em Pelotas, etc etc.

"Aí, quando vocês começaram a nascer..."

Somos só meu irmão e eu. Sente o drama: "quando vocês começaram a nascer". E ela logo se tocou, começou a rir.

"Sim! Sim! Porque era uma lou-cu-ra! Vocês nasciam, em seguida nasciam de novo, e outra vez, e iam nascendo, meu Deus, como vocês nasciam naquela época! Tinha que ver, minha filha."

Que pena, essa parte eu perdi.


Viciados em IBOPE

- Lembra, querido, aquele atum que eu comi no restaurante francês...
- Não era atum. Era salmão.
- Atum, lógico!
- Salmão! Lembro, porque eu até provei!
- Você está enganado. Salmão foi no japonês.
- Rá! Imagina se eu ia confundir francês com japonês. Me respeita!
- Sinto muito, mas era atum.
- Pensa bem...
- Não precisa. Estou vendo o atum na minha frente!
- Salmão!
- Atum! Atum! Atum!
- Salmãããããooo!

Silêncio.

- Olha. Tenho 49% de certeza que era atum.
- HA HA HA! 49% de certeza? Essa é boa! Significa que você tem 51% de dúvida! Então tem mais dúvida do que certeza! Ou seja: certeza nenhuma! HA HA!
- Não, senhor. É que, de tanto você falar em salmão, confesso que fiquei confusa. Mas continuo tendo mais certeza do atum. 49% de certeza. E somente 40% de dúvida.
- Ué! E os outros 11%???
- NÃO SOUBERAM OU NÃO QUISERAM OPINAR.

13 abril 2006

Jack Johnson

Aqui no Rio, está rolando uma gripe horrorosa que deixa todo mundo com muito sono e dor de cabeça. Maldade: estão chamando de “gripe Jack Johnson”...


Dona Micose, quem diria

- Alô, é da farmácia? Eu gostaria de pedir um esmalte, por favor. Chama-se XXX.
- Sim, senhora. São R$ 100,00.
- Hehe. Cem reais por um esmalte?
- É isso mesmo, senhora. É que é para micose.

Eeeeeu, hein? Dona Micose está com um prestígio filho da...! Quisera eu.

07 abril 2006

Beije!


Digitando rapidinho, escondida de mim mesma – não devia, tendinite na mão esquerda. Dói. Mas essa é muito boa...

Vizinho vende uma lista de coisas (deixou um papel aqui debaixo da minha porta).

Entre elas: “Vendo tapete. Pouco uso. Medidas xx X xx. Cor predominante: beije.”

Isso mesmo. Beije!

É o corretor ortográfico do Word, na certa, ajudando os não-praticantes da nossa língua escrita a praticar traquinagens literárias. Vizinho queria escrever “bege”, mas escreveu com jota. "Beje"? Não dá outra: o corretor sugere “beije”.

E ele, na dúvida, beija mesmo.
Hihi.