26 maio 2008

Zero

Um dia ainda vão inventar uma esteira de academia assim tão perfeita. Com essa vista, a brisa e a luz de maio, impossível não manter a forma.

Podia até se chamar Pão de Açúcar Zero Açúcar.
Hoho.

19 maio 2008

O maluco e a TPM


Maluco passeando com cachorro me aborda no sinal de pedestres.

- É muito carro, amiga. Muito carro!

Concordo, com um discreto movimento de cabeça, para que o maluco não grude em mim. Mas maluco que é maluco cola, adere, fixa. Concorde-se com ele ou não.

- E o pior é que a gente respira essa merda toda.

- É...

- Você não sente, não?

- A poluição? Sinto.

- É merda! Merda pura. Pura merda. Sente não?

E fungava, como querendo me ensinar a sentir a merda que de certo redundava no ar (?), ou, pior, como se me acusasse de ser insensível ao cheiro óbvio da bosta!

Algumas ponderações:

1. Os malucos levam comentários nos bolsos e distribuem – feito filipetas - às mulheres com cara de quem pode vir a se interessar por seus produtos e serviços. Tipo encanador, eletricista. Um dia eu posso acordar precisando de um doido com cachorro para me lembrar que a merda existe e está por toda parte.

Pouco provável, já que temos a TPM para isso.

2. Os malucos, bem como seus cães, possuem um faro apurado para mulheres nas quais podem despejar seus comentários cretinos sobre a merda do mundo – sem sofrerem prejuízo físico ou dano moral. Ou seja, tenho cara de quem vai ouvi-los e ficar calada concordando.

Até que um deles me pegue na TPM, claro.

3. Os malucos, seus irmãos e seus cães (no caso de haver como diferenciar uns dos outros) abordam mulheres no meio da rua porque suas mães estão ocupadas demais exercendo atividades escusas.

Acho que agora acertei na mosca. E por falar nisso, estou na TPM.

11 maio 2008

Viagens Musicais

Não tem viagem que parece um filme? Imagina com a trilha sonora ao vivo.

Daniel Barenboim e a Staatskapelle Berlin em Buenos Aires. Tango, boas conversas e comidas, vinhos argentinos...

O melhor de Buenos Aires. E do resto do mundo.

08 maio 2008

Mais um leque

A travesti que esteve (ou não esteve, ou meio esteve) com o Ronaldo vai escrever um livro. Parece que vai ser sobre a história da sua vida desde que era um menino humilde em São Paulo, etc.

Frase dela no jornal: "Já peguei de tudo. Anônimos, famosos, gente que freqüenta as páginas de jornais. É um leque."

Perfeito, um leque. Só serve para fazer vento. Nosso país está coberto de leques.
Roubar, não roubar

Pois eu tinha mesmo lido numa revista (acho que Vogue) sobre esse tal faseolamina - que, segundo consta, diminui a absorção de amido no corpitcho. No início eu sempre acho estranho, parece "truque" para roubar no jogo, não me inspira.

Querendo emagrecer, o caminho é manjado: esporte e boa alimentação. (Tenho uma amiga que transformou a prática de exercícios - e novos exercícios - em mania, cada vez aparece com uma novidade e garante que é o ideal para combater o tédio que assola, por exemplo, os paraquedistas que não agüentam mais paraquedar-se. Muy bien, agora ela achou de se aprofundar, se é que assim se pode dizer, nesse tal de kitesurf da vida.)

Eu vou mais devagar, meio a cavalo mesmo, que o santo é de barro. A verdade é que não acho mais tão escalafobéticas essas substâncias - não que ouse provar delas, mas espio de longe e, um dia, quando o futuro mostrar que comer geléia no café da manhã dá no mesmo que ouvir disco em vitrola, vai que encaro um shake ou dois, uma pílula, pozinho...

Farelo já ando comendo, do integral.

Quanto aos esportes radicais o buraco é mais embaixo - e eu, do circo, prefiro continuar sendo o palhaço. E ainda assim me atrapalho com aqueles sapatos.

06 maio 2008

Fazendo teste no blog, às onze e meia da noite.
Vamos que dê certo. Vamos.

25 abril 2008

Gosto de imaginar que a gente viaja não é para conhecer lugares, mas para se conhecer em outros lugares. Que temos pedaços nossos espalhados pelo mundo - sorrisos, comoções, até novos planos, inspirações, amores e outras coisas inconfessáveis - e que vamos buscando, ao longo da vida, enquanto tivermos chance.

Não, não vamos só buscando. Vamos deixando uns pedaços também.

PEDAÇOS

Em Salzburg, nevei um bocado







03 março 2008

No meu blog de mãe

Diquinhas sobre como e onde comprar roupas de bebê baratinhas. Expo bebê e gestante e roupinhas de bebê baratas.

23 agosto 2007

Cena no Aterro do Flamengo

À beira da ciclovia, no meio de um quadrado formado por quatro árvores, uns cobertores espichados no chão. Ao lado, atrás de um dos troncos, um morador de rua penteava os cabelos com um espelhinho de mão, no maior capricho.

13 agosto 2007

Medo

Tenho um medo que me pelo de perder tudo. Pronto, confessei. Família, casa, as pernas. O ar. Capacidade de me alegrar com palavras engraçadas e doces – cupuaçu, por exemplo. Perder o chão. Pior, perder a memória e a imaginação (que é a memória para frente, ou para os lados).

Ah, tenho um medo que me pelo de perder os lados.

03 agosto 2007

Hábito

Eu ontem vinha pela rua mordendo o lábio inferior, como faço. Pensava sei lá o quê, mas mordia com força, como faço. Andei uns quarteirões. Mordia. De repente, me dei conta.

-Por acaso eu estou com alguma dor ou incômodo no corpo?

Não.

- Por acaso estou devendo dinheiro aos amigos?

Não.

- Por acaso atropelei um cachorro? Minha calça rasgou? Unha quebrada? Atrasada e despreparada para reunião importante? Peguei emprestado e não devolvi? Acordei de ressaca na cama errada? Escondendo bombom dos sobrinhos? Estacionando em vaga para deficientes? Informação errada aos velhinhos?

Não, não, não e não. Então, podes me explicar por que diabos eu mordo o lábio inferior como quem tem culpa, inquietude, ansiedade, expectativa ou apavoramento da vida?

Por hábito- esse cupim da pior espécie. Um dia você acorda e tem hérnia de disco. Mau hábito, o cupim da boa postura. Um dia você vai vestir uma calça e percebe que “inchou” dois números. Deu cupim nas refeições e você acabou se habituando.

Desmordi a boca na mesma hora.

- Diacho, por que não posso simplesmente relaxar? Por que será? Hein?

No “diacho” da frase acima eu já estava mordendo outra vez, mas agora com motivo. Encucadíssima.

12 julho 2007

Fone coletivo

Juro por Deus. Na rua, moça passa por mim ouvindo pagode (alto!) num radinho de pilha vermelho. Doida? Não, se não tivesse nos ouvidos um par de fones.

O radinho ela segurava com uma mão, e o plug dos fones (solto!) com a outra. E curtindo maior pagodão.


Perigosa quem?

Velhinha esperando para atravessar a rua. Passa uma moto voando. Ela puxa assunto comigo:

- Elas são um perigo! Perigo!

Ahãm. Estou crente que ela vai esperar o sinal abrir para os pedestres, né? Em vez disso, atravessou na frente de um táxi, que freou bruscamente e deve ter pensado:

“Elas são um perigo. Perigo!”


Receita light

Descobri um cookie light muito do bom. Comprei outro pacote, mas me enganei: não era do light. Era do normal.

Diferença: o light vem com um furo no meio. Faz sentido. Deviam adotar a “receita” para pães, bolos, chocolates e refrigerantes.


Tele-insulto

Ligo para a farmácia e peço assim: bolinhas de algodão Johnson’s. Sujeito me dá o preço, mas eu estranho e pergunto:

- É Johnsons’s?
- Não.
- Mas tem que ser Johnsons’s.
- TEM QUE SER? (Irritado).
- Sim.
- Ai, meu Deus, tem que ser Johnson’s! (Ele repete, um pouco longe do telefone mas nem tanto, fazendo uma voz de quem imita alguém chato). Xô ver aqui. Não tem em nenhuma loja.

!!!!!

14 maio 2007

Novo Blog

Faz exatamente um ano que eu engravidei. Minha filha fez três meses ontem – meu primeiro dia das mães!

Depois de nove meses alisando minha própria barriga, e mais três me surpreendendo positivamente com o que saiu dela, resolvi criar um blog comemorativo. Batizei o diário com o bordão “Leve um casaquinho!” – mais maternal é impossível.

Você, que vem sempre aqui e já está careca de me conhecer, não vai estranhar a nova casa. É minha paixão velha: a crônica. E a nova: a Lara.

Visite, divulgue, convide os amigos. Avise as moças que estão esperando bebê – que tragam suas barrigas para enfeitar a bodega!

E nunca, jamais esqueça: Leve um casaquinho!

12 maio 2007

Ringue



Vai encarar???

10 maio 2007

Supermãe, eeeu?

Fiz um teste na internet para ver que tipo de mãe eu seria/sou/serei, resultado: superprotetora.

Terapia, rápido. (Para mim agora ou para ela depois).
Sem noção

O Papa já chegou apoiando a excomunhão dos políticos mexicanos que votarem a favor da legalização do aborto. Enquanto isso, na Câmara, Clodovil xinga uma deputada dizendo que ela não serviria para ser prostituta porque é feia.

Deus que me perdoe, mas o Papa entende tanto de humanidade quanto o Clodovil conhece as putas.

07 maio 2007

Bolando as trocas

Com bebê em casa a gente dorme pouco. Dormindo pouco pela primeira vez na vida, pude comprovar o que os neurologistas dizem sobre a importância do sono para o funcionamento do cérebro.

Aqui em casa estamos bolando as trocas, ops!, trocando as bolas.

- Vamos mamar depois que ela almoçar? (Esse tipo de gafe é rotina).

Outro dia eu me esqueci de pagar o cartão de crédito no vencimento. NUNCA esqueço! Sou mão-de-vaca e não pago multa de atraso por nada. Aaaai, como chorei.

Blusa do lado do avesso. Sair de casa e esquecer a bolsa (ufa! Lembrei no elevador). O que foi mesmo que eu vim comprar na farmácia? Qual é o seio que eu dou agora?

Isso que nem podemos reclamar. Dias depois de completar dois meses ela já dormia quase a noite toda, dando intervalos de 6 horas entre a última mamada da noite e a primeira da manhã. Agora, quase com três meses, os intervalos chegam a 8 horas. Camarada!

Mesmo assim, é diferente. Usa-se mais espaço no “disco rígido” para guardar as coisas do bebê e dorme-se menos do que antes. O resultado é um atrapalhamento constante. E também uma paranóia desmedida.

Ontem, na casa da minha mãe, Lara dormia no quarto enquanto nós conversávamos na sala. Claro, portas abertas. Passou um carro na rua e deu uma buzinada estridente – pois eu dei um pulo achando que era ela chorando, e logo depois me dei conta do mico...

Para evitar esquecimentos, peguei mania de anotar tudo. Anoto os horários das mamadas, anoto quando terei que passar o leite da mamadeira para o congelador (o leite materno vence em 24h). Anoto as perguntas para o pediatra. Anoto quando ela fez cocô verde. Quando não dormiu direito (e por quê). E, naturalmente, anoto o que precisamos comprar.

E ponho tudo nos bolsos, para não correr o risco de ser pega desprevenida na rua.

Agora, adivinha se eu não saio com a calça errada!!!

05 maio 2007

No tanque

As roupas dessa menina encolhem muito rápido!

No salão

- Você tem filhos? Ainda não, né, tão novinha...
Sorrio.
- Tenho, sim! Uma menina de dois meses e meio!
- Nossa! Mas nem parece que passou por um parto!!
Sorrio.

Ganhou gorjeta de pedicure de centopéia.

No jornal

O Garotinho, a fim de criticar o atual governador, pôs no seu blog versões do jornal O Globo “editadas”. Na cara dura, puxou as notícias de violência para a primeira página e deu destaque de manchete.

Libertinagem de imprensa?

30 abril 2007

O felizmente dos infelizes

Uma moça escreve para o jornal; ela e o pai estavam num engarrafamento em frente ao shopping Downtown, na Barra da Tijuca, às 18h, quando estranharam uma cena à frente. Parecia que um sujeito estava empurrando um carro. O pai pôs farol alto em cima para ver melhor. O cara estava assaltando e veio na direção deles atirando.

“Felizmente” o pai da moça só ficou ferido, e ninguém mais se machucou.

Felizmente, também, um amigo querido teve a sorte de ser assaltado e ameaçado com uma arma por um sujeito bem vestido que lhe roubou o carro, dizendo: “Perdeu, playboy! Cai fora.” Ainda levou a bolsa com todos os pertences da namorada dele. Mas, felizmente, ninguém morreu.

Graças a Deus, todos nós escapamos (quase) intactos. Um vidro quebrado aqui, uns documentos roubados ali, uma taquicardia, uma correria, um pouco de pânico e indignação. A preocupação de nossos amigos. O suspiro aliviado dos nossos pais. Graças a Deus!

Em terra de cegos no tiroteio, quem ainda tem um olho é “felizmente”.
Filósofa

Levantei cedo e fui lá espiar. Ela estava acordada no berço, quietinha. Fiquei observando. Não mexia além das pálpebras. Piscava com calma, olhava o infinito, vez em quando um suspiro. Não vai chorar? Nada. Talvez refletisse, ponderasse, meditasse. Pelo horário já devia estar com fome e, na sua filosofia de bebê, decerto arriscava:

“Só sei que nada seio”.

Hoho.