19 dezembro 2001

Mas nós devemos estar todos muito bem de vida, mesmo, neste país. Sim, porque ninguém mais quer encarar o batente. Estão percebendo?
O Rio de Janeiro, pelo menos, está engarrafado até as bordas. Faz um calor do cão, e o clima é de festa geral, ampla e irrestrita.
"Me liga depois do carnaval" - é a frase mais constante.
Onde é que está a fortuna dessa gente, que eu não vejo? Deus, ainda nem chegou o Papai Noel!!!
Estou indignada, me perdoem a acidez. Nada funciona, tudo é fila, e a gente aqui, latindo para economizar cachorro.
Vou parar por aqui, que vocês já devem estar sentindo que meu espírito está mais suíno do que natalino. Fui. (Trabalhar).

17 dezembro 2001

Estou virada numa marqueteira virtual. Vamos lá.
Pessoal do Rio, essa semana (de terça 18 a sexta 21) tem uma temporada de Ana Lógica no Far Up - COBAL do Humaitá. R. Voluntários da Pátria, 448
- loja 10, sobrado. Tel: 2537-2421.


H o r á r i o s:
Terça, dia 18 : 21:30 h
Quarta, dia 19 : 21:30 h
Quinta, dia 20 : 22:30 h
Sexta, dia 21 : 23:30 h

Apareçam!

16 dezembro 2001

Também, não precisava chover tanto.
(Eterna insatisfeita)

Ontem, no Alternativa Saúde - da Patrícia Travassos -, uma moça chamada Marta Viana, terapeuta metafísica, falava a respeito de TPL: Transmutação dos Padrões de Limitação.
Gente, que coisa interessante.
Segundo ela, o nosso campo energético se forma desde o momento da concepção até os sete anos de idade. O sistema neurológico, idem.
A criança, até os sete anos, é pura absorção. Tudo o que os pais (ou pessoas mais próximas) vivem durante esse período é "puxado" para dentro da criança, e aquilo vai se tornar um bolo energético que acompanhará até o final dos seus dias.
Transmutação dos padrões de limitação, pelo que pude entender, é uma terapia que visa a auxiliar as pessoas a saírem desse vício involuntário que é causado pela repetição eterna dos mesmos padrões de comportamento. Exemplo: o sujeito escolhe sempre as mesmas situações na vida, e se depara sempre com as mesmas dificuldades, sem entender por quê.
A resposta pode estar lá na formação do campo energético, e a solução pode ser a tomada de consciência e a limpeza da aura (as duas coisas estão ligadíssimas).
Tudo isso é interessante, mas não consigo deixar de pensar, acima de tudo, no seguinte: quantas pessoas, no mundo, têm noção da responsabilidade que é criar um filho, muito além de fraldas e convênios com médicos e farmacêuticos?

15 dezembro 2001

O ceú se vestiu de cinza, está fresquinho no Rio de Janeiro. Até venta. Deus ouviu as minhas pressas.
Demorasse muito, acho que eu fugiria para os pampas - como se lá estivesse menos abafado. Não importa. A memória é que refresca.
Ia passar o Natal no sul; não vou mais.
Vai fazer quatro anos que a gente mora aqui.
Quando a gente se afasta, as lembranças começam a aparecer, em série, nos sonhos, em frente ao espelho, nas esquinas, nos cheiros. Lembrei tanta coisa que nem tinha mais importância, achei que não teria cabeça para guardar tanto. Tive.
As novidades vão respingando, dia após dia, mas as antigüidades brotam do subsolo inconsciente, de um jeito quase anti-ético.
Gotas de presente, já notou? Momentos.
Parece que o passado sempre é mais sólido. Brotos de memória.
Besteira, na verdade. Tudo é tão nada sólido... passado, presente e futuro são apenas estados diferentes das mesmas partículas - é só ar.
Vai ver que é por isso, então. Venta no Rio de Janeiro: o arzinho anti-ético resolve balançar os meus cabelos sagitarianos justo nesta época do ano.
E a minha filosofia vive de brisa.
Eu que me vire.

Não resisti. Saudade.

14 dezembro 2001

Acordei com o cara martelando ali em cima. Obras no apartamento. E o sujeito é tão rímtico com a tortura, que eu sonhava com um metrônomo gigante me obrigando a tocar baixo no andamento da canção. Ai, que neura, não posso lembrar.

(Será que esse sonho tem a ver com Saturno - o planeta do tempo -, ou só com o martelo mesmo? Jung explica.)

A esta hora da tarde, o rapaz já está meio descompassado. Deve ter almoçado, vai que tomou até um chopinho, taí, perdeu o tempo. Músico que toma umas e outras, não raro, atravessa tudo.

Tínhamos um baterista, nos tempos jurássicos da banda, que ia atrás das palmas do público. Estivesse o público animado, andava a bateria atrás, a mil por hora, e deixava a banda toda suando para acompanhar. Música de quatro minutos, por exemplo, terminava em dois. E o repertório era curto, de modo que começávamos a repetir tudo, certa feita, quando a coisa apertava.

Vê como são as coisas; sempre se aprende. Foi com ele que aprendi a segurar o ar lá dentro, muito ar, muito tempo. Técnica vocal, que nada. Arrume um baterista desse tipo meio afoito e influenciável, que você aprende rapidinho (literalmente) a cantar uma música inteira respirando só duas vezes: no início e no fim.

E não precisa se preocupar com troca de figurino, porque começa-se a cantar de uma cor (a natural), e termina-se (invariavelmente) azul. Ou roxo, no caso das canções mais extensas.

Acho que o vizinho daquele baterista não fazia obras no apartamento.

13 dezembro 2001

Decidido: o nome do meu cágado é Vi. Ontem ele me veio com essa:
- My name is Vi. Vi Torugo.
***
E o pessoal que faltou ao show da Ana Lógica, na terça, não tem nada a declarar? Só sei que me diverti. No próximo, levo o Vi e coloco em cima do meu amp de baixo. Para ir se acostumando à Vi-bração do instrumento...
***
Ainda não aprendi a inserir um link aqui nesta coisa. Ando muito lenta com essas situações práticas. São as Vi-companhias, desconfio.
***
Que nada. "Tô me guardando pra quando o carnaval chegar" (Chico - o Buarque, claro.)
***
Transmissão virtual de pensamento. Recém reclamei da não-manifestação dos ausentes no show de terça, chegou aqui um e-mail de um ausente arrependido. Fizeste falta. Aliás, fizeste pênalti.

10 dezembro 2001

Estou faceira com as visitas ao meu BiBlog - obrigada a vocês!

Aproveito a deixa, e os convido para o show da minha banda (Ana Lógica), amanhã, terça-feira, no Far Up - Cobal do Humaitá, Rio de Janeiro. R. Voluntários da Pátria, 448 - loja 10, sobrado. Tel: 2537-2421.
O show começa às 21:30, cedinho mesmo.

Convém reservar uma mesinha, tá?

Não deixem de falar com esta baixista/vocalista que aqui escreve.

Para o pessoal que sempre me pergunta sobre o site: a Ana Lógica ainda não tem site, mas já tem a equipe que eu pedi a Deus. Estamos aguardando o projeto gráfico do CD, essas coisas são assim mesmo. Creio que, em breve, abriremos as portas virtuais, e serão todos muito bem-vindos.

Diquinha de hoje: www.carlosmaltz.com

09 dezembro 2001

Não sei se foi a Enya, na vitrola, ou aquele mamãozinho bem maduro e doce que eu achei na volta da praia. Ou será que foi o clima, mesmo?

O fato é que há alguma coisinha muito boa pairando sobre as nossas cabeças. Passamos o ano todo trabalhando; passou voando. Agora eu me pus a curtir um pouquinho, com mais responsabilidade, dar um solavanco nas idéias e tomar consciência da dinâmica do universo.

Nada como um bom dezembro no Rio de Janeiro, com o sol queimando a cuca e derretendo os conceitos criados até novembro.

Como é que pode, o mamão deixar de ser verde? - por exemplo. Se tem fruta amadurecendo, também tem cabelo mudando de cor, e também tem unha crescendo, isso deve ser algum sinal muito expressivo da natureza. Do tipo: pega a tua pranchinha, e te deixa levar.

Mania que a gente tem, às vezes, de querer ancorar em qualquer ponto do tempo ou do espaço, fincar os pés, e achar que é durão. Daqui não saio, daqui ninguém me tira. Confundir estabilidade com mesmice: sou assim, e pronto. (Para não ter o trabalho de mudar?)

"O tempo é infinito; a cronologia é que é limitada".

Cronologia é querer contar com quantas chegadas do Papai Noel se faz uma canoa, ops!, uma vida. Tempo é o marzão imenso, infinito. Não existe um número certo de Papai Noel; aliás, a contagem do bom velhinho só faz dar peso à canoa, e é assim que muita gente acaba afundando.

Imagine um Papai Noel, louco de faceiro, surfando em cima de uma prancha enorme, numa onda do Hawaii. Observar o tempo sem se prender à cronologia. Perceber o amadurecimento do mamão, e utilizar isso a favor: vou comer exatamente quando estiver mais doce.

Sem fazer força nenhuma, dá para sacar a hora mais doce de tudo na vida.

O CIO DA TERRA - Milton Nascimento e Chico Buarque
Debulhar o trigo
Recolher cada bago de trigo
Forjar no trigo o milagre do pão
E se fartar de pão
Decepar a cana
Recolher a garapa da cana
Roubar da cana a doçura do mel
Se lambuzar de mel
Afagar a terra
Conhecer os desejos da terra
Cio da terra, propícia estação
De fecundar o chão.

05 dezembro 2001

O Luis Saguar sugeriu Torugo.
Torugo, Luis?
E não é que é um interessante nome de cágado budista com dupla personalidade? Gostei da sugestão!
Alguém dá mais?

04 dezembro 2001

Vamos dar nomes aos cágados.

Ganhei um cágado de pelúcia - presente de aniversário -, e o bicho ainda não tem nome. Mas o pior é que a Melissa, que me deu o cágado, diz que quem tem nadadeira e olho puxado é tartaruga, muito tartaruga - e não cágado.

Tentei convencer o animalzinho, mas está difícil. Ele diz que é um cágado, ele acha que é um cágado, e pronto, e ainda argumenta que o olho puxado é questão de origens orientais. Cágado budista, ainda por cima.

Alguém tem sugestão de nome para o meu cágado? Se tiver, por favor me mande por e-mail - bdapieve@centroin.com.br

Não posso continuar dormindo com um cágado anônimo.

02 dezembro 2001

Com todo respeito à cutícula


Bíbi Da Pieve


Sabe a cutícula? Eu fico pensando.

Depois dizem que eu penso demais, mas a cutícula da gente é coisa de se
pensar, não é? O nome já diz: cu-tí-cu-la. Veja bem!

Toda proparoxítona tem um quezinho de não-me-toque: prótese. Apêndice.
Mesóclise. Átila (nome próprio, então, chega a ser metido a besta, mesmo).

Úrsula Ávila. Já imaginou o tamanho da perua? E a cutícula dela, então?

Eu acho uma falta de respeito, fora de brincadeira, a pessoa querer mexer
na cutícula alheia. Cutícula é coisa muito pessoal. Não bastasse, ainda
inventaram uma ferramenta de nome insultante: alicate de cutícula. Absurdo.

Alicate, no meu tempo, era para cortar arame, fazer cerca. Vê lá se a mão
do rapaz que lidava com o alicate iria ter tempo de criar intimidades com
cutículas e demais proparoxítonas pedantes?

A cutícula é algo só da gente; não tem de haver uma segunda opinião. As
pessoas estão se perdendo um pouco nos termos, e até nas vias de fato. Não
se pode nem querer privacidade entre a própria unha e a carne, que o
sujeito já é considerado grosso, anti-social.

Onde raios está escrito que eu devo permitir que me cutuquem a cutícula
com um alicate que eu nunca vi mais gordo? Para seu governo, o último
alicate que me invadiu os dedos arrancou sangue, e não estou de brincadeira.

Assim é que a situação vai degringolando. O povo vai permitindo. Depois do
alicate de cutícula, aparece um martelo de sobrancelha, como quem não quer
nada. Quando vê, pregam a sua língua no céu da boca, e não adianta nem
abrir o berreiro - que é tétano na certa.

No afã de evitar uma corrosão generalizada é que eu imploro: cuidem muito
bem das suas cutículas, e tirem o olho da proparoxítona do vizinho.

Úrsula Ávila, por exemplo, se não fosse para ser tão pomposa, teria
nascido Berê, Cacá, ou outra oxítona qualquer. Cutícula, da mesma forma -
se não fosse coisa séria, teria vindo ao mundo com outro nome. Talvez cocô.

No mais, cada qual que se entenda com suas próprias tônicas, acentuando o
que achar que deve, e se identificando com a sílaba que lhe sorrir mais
simpática.

De minha parte - com todo respeito às cutículas dos dedos e às Úrsulas da
vida -, sou muito mais o bom e acessível cocô da Berê.

Eu estava me referindo a www.renatoborghetti.com.br
Ainda não estou me entendendo suficientemente com esta máquina...
É uma sacanagem, mas vá lá:
Tudo muito bonito, mas é a terceira vez que eu me levanto da cadeira num pulo, empolgada, e não consigo sequer concluir o giro da prenda. Fala sério, a introdução da página é bem intencionada, mas passa muito rápido, pô!!!
Quem é o webmaster do gadelhudo?
...
Mas visitem, visitem.
Este é um Blog de varaliedades não vestíveis.
Varaliedades são variedades penduráveis no varal (vide figura acima).
O que difere varaliedade de roupa molhada é que a roupa, quando seca, é vestível.
Varaliedade, não. Quando seca, é feito folha de árvore: cai.
Penduro aqui todas as varaliedades que julgo blogáveis, dizíveis, tragáveis (ou nem tanto assim).
Uma vez que cai no chão, tudo é confundido com esterco mesmo - o que muito me agrada, porque é sinal de renovação. Na natureza, tudo se transforma.
Minhas varaliedades não vestíveis são, como toda cousa deste mundo, totalmente merdáveis.
E viva as leis da natureza, meu rei.

01 dezembro 2001

Valeu, Me!!!!!
Agora só falta me ensinar a colocar figura (foto) aqui... tou tentando há tempos, mas não consigo. Sabes?
Gente, vam'colaborar.
Aceito dicas de sites, com flash e musiquinha. Agora estou podendo.
Está um dia cinzento e delicioso no Rio de Janeiro. Chega de derreter os gaúchos, né, Pai do céu?
(Té parece)
Não estou para muita conversa, minha irritabilidade está batendo lá no teto, e não é nem TPM.
Gente, vam'colaborar - já disse.
Ontem ouvi aquele disco do Renato Russo cantando em italiano, que transforma irritação em choradeira, e depois entrei no carro, a luz da (falta de) gasolina acendeu, a choradeira se transformou em preocupação, saí na rua, a preocupação se tranformou em medo, parei no sinal, o medo virou pânico, gritei, o coiso ficou verde, acelerei, o grito sentiu o vento batendo na minha testa e se transformou em música. Inevitável.
Cantei até chegar em casa. Em italiano - equilíbrio distante. Idioma desconhecido. Mico. Mas o carro é meu, a goela é minha, tá olhando o quê?
Se eu botei gasolina?
Me dá o dinheiro, que eu ponho.
Tá olhando o quê, ainda, cara-pálida?
Esperando eu concluir o texto?
Tó, conclusão:
eu acho que a irritação é mera questão de falta de combustível, a bem da verdade. E o Renato Russo é um furo no tanque - só faz pingar mais ainda.
Desperdício?
Desperdício é andar por aí sempre com o tanque cheio. Cadê graça? E cadê ar???
Muito preenchimento sufoca. Tem de haver uns buracos. Lágrima e gasolina, é tudo combustível. Tem de vazar.
Precisando de uma traça, Renato Russo é o que há.
Fui.