19 julho 2004

Caetano por Marina W

 
Poramordedeus, leiam no blog da Marina as impressões sobre o show de Caetano no Municipal (sensação da semana aqui no Rio), entre as quais destaco a seguinte sacada:

"Com exceção dos aplausos demorados, a platéia do Municipal foi fria, muito fria. Os cafonas acharam que onde tem orquestra - maravilhosa, regida por Jacques Morelembaum - há de haver um respeito fúnebre. Até no bis, quando ele canta Mamãe eu Quero, talvez a música mais contagiante do Brasil, ninguém canta com ele."

E ainda diz Marina:

"Paula Lavigne dava ordens antes do show começar, vocês me entendem."
 
Entendo, Marina. E como entendo.

Frase
 
 
Essa é do João Ubaldo, tentando reproduzir uma frase atribuída a Nelson Rodrigues :
 
"Se todo mundo soubesse da fantasia sexual de todo mundo, ninguém se dava com ninguém."
 
É ou não é uma maravilha?
 
 
 
Constatação
 
 
Quando o sol bater
na janela do teu quarto
lembra e vê
que o caminho é um só.
 
Por que esperar
se podemos começar tudo de novo
agora mesmo?
 

18 julho 2004

Deus abençoe os programas de auditório!
 
 
Pois pude extrair hoje a seguinte pérola, dita por Luciano (do Zezé):
 
"Acabou de ser filmado as filmagens do nosso filme."
 
 

16 julho 2004

DVD
 
Não tenho visto muitos filmes ultimamente, mas tem dois que recomendo:
 
O júri

Se é que alguém ainda não viu. Como o nome já diz, é um filme de tribunal. Mas não é só isso. Tem um roteiro envolvente do início ao fim, um suspense interessante e boas atuações. Filmão, assistam!
 
 
O quinto passo (em inglês, Levity
 
Com Billy Bob Thurnton e Morgan Freeman. Esse não é um filme comum, e também não é um “filmão”. Mas eu gostei muito. Trata-se de uma história sensível - sem ser chata! - que fala de perdão e destino. Traz um olhar interessante sobre a condição humana; mas não espere lições de moral ou um filme pretensioso. 
  
  
Feijão cibernético 
  
Aconteceu comigo. Fui cozinhar 1 kg de feijão (para congelar). Tudo ia bem, até que resolvi provar o sal – como sempre -, e tive uma desagradável surpresa: estava salgado DEMAIS!
 
Nunca tinha colocado tanto sal numa comida antes. Era insuportável, certamente eu tinha estragado o feijão. Fiquei desesperada. Procurei batata (todo mundo sabe o truque da batata – ela “chupa” o sal da comida), mas não tinha. Joguei duas cenouras, no desespero. E vim ligar o computador. Santa internet, deve haver alguma solução.
 
Digitei no Google: “muito sal comida”. Como quem faz uma prece digital. Muito sal comida. E o feijão fervendo. E as cenouras. E o meu suador. E a minha vontade de rir, e o meu abafo do riso – em respeito a mim própria e à tragédia que se instalava na boca maior do meu fogão. Ai, Jesus.
 
“Se você colocou muito sal na comida, experimente pingar algumas gotas de limão, depois deixe ferver mais um pouco” – achei no Google!
 
Limão? É pra já! Cortei um limão e espremi, não apenas algumas gotas, mas o limão inteiro – afinal, era “muito sal comida”!
 
Confesso que já estava descrente. Meu feijão estava arruinado, era um caso perdido. Por mais que eu jogasse cenoura ou limonada, ou mesmo adoçante (confesso que não fiz, mas quase, quase!), nada resolveria. Era o fim da feijoada, eu tinha de me conformar.
 
Que nada! O Google (pra variar!) tinha razão. E o limão resolveu o caso do meu feijão salgado, como num passe de mágica.
 Quem quiser provar o meu feijão cibernético está mais que convidado.

14 julho 2004

Se é que me permite...


Às vezes eu tenho vontade de chegar perto das pessoas, com esta minha cara de “se é que me permite”, e me permitir algumas coisas - mesmo sem esperar ser permitida.
Se é que me entende, mesmo sem ser entendida.

Não digo apoiar o queixo na mão e franzir a testa - que isso eu já faço há anos -, e discutir alguma relação, ou criticar alguma atitude, sugerir melhoria de comportamento. Muito pelo contrário; cultivo uma gana silenciosa de atropelar certos padrões da sociedade e cometer uma indiscrição digna de burburinhos paralelos. Sem base, mesmo.

Abordar uma mulher que nunca vi mais gorda e me oferecer para carregar as suas sacolas. Dar um beijo na testa do motorista do ônibus. Passar a mão no cabelo de um adolescente com cara de rebelde. Cutucar um senhor barrigudo e pedir que observe como é ainda maior a barriga daquele outro.

Se é que me permite, eu adoraria perguntar tudinho sobre a sua vida, e ainda fazer observações a respeito dos seus parentes. E vou falando (se é que me entende) como se eu fosse a mais íntima das criaturas (mesmo sem você entender patavina), e dou pitacos na herança dos seus pais, no corte de cabelo da sua tia ruiva, e ainda sugiro que seu afilhado mude de colégio – assim, no meio do ano letivo.

Ninguém entenderia uma mulher desgovernada como eu, distribuindo ações descabidas a quem visse pela frente. E ninguém gostaria de ser abordado de maneira diferente daquela usual, aprovada e garantida do dia-a-dia.

Primeiro, porque não se usa gostar de nada que nos tire do prumo.

Segundo, porque as pessoas hoje se armam mais e se amam menos.
Mó legal!


Essa eu chupei do blog da Marina.

Clique aqui e se divirta! Você digita o texto que quiser, e "eles" falam o que você digitou.

Ps: tem que lembrar de ligar as caixinhas, né, meu anjo?

10 julho 2004

Faço minhas...

...as sábias palavras do Arthur Dapieve, no Globo de ontem, sobre o mais recente lamentável episódio do mundo BRock (é meu o grifo na última frase):

“Não curto Charlie Brown Jr., mas minha filha adora. Acho fraco de música e de letra, mas simpático e honesto em “Proibida pra mim” ou “Eu não uso sapato”. Diante da agressão de Chorão a Marcelo Camelo, porém, passo a achar fraco de espírito também. Típico de um país que acha que cabeça só serve para dar cabeçada. Ter atitude, no Brasil, é romper o ciclo da truculência e atar o ciclo da paz.”



A perguntar que não quer calar

O que é que Marcos Menna, o bonitinho vocalista do L S Jack, fazia numa mesa de lipo?



Nã-nã-nã-não entendo

Definitivamente, há algo de muito estranho no mundo da publicidade. Onde diabos foram parar os bons jingles? Aqueles que “grudavam” no ouvido da gente, com boas melodias, letras sintéticas (como devem ser) e apelo emocional eficaz?

Para vocês terem uma idéia, até hoje, quando vejo a marca da Brahma, lembro daquela musiquinha adaptada: “Pensou cerveja, pediu Brahma Chopp... etc” -, fora de circulação há não sei quanto tempo -, que consagrou o bordão “número 1”, Ronaldinho na copa, e tal. Depois disso, o que é que se viu/ouviu?

O bordão “refresca até pensamento” até foi uma boa sacada, mas não acho que tenha sido bem executado. Agora, essa do “na-na-na-na” devia levar um prêmio... francamente, acho que refrescaram o pensamento demais - até que ele congelou.

E aquelas campanhas lindas da Parmalat? E aquela menina que descrevia a caixinha de leite: “você corta o biquinho da vaca, e aí, vira a vaca de cabeça para baixo”! Cadê?

Sem falar nas campanhas do Bom-Brill, claro.

Agora, que pobreza é essa de “Ace todo branco fosse assim”? O sujeito cata o primeiro trocadilho infame que achar pela frente, e está feita a campanha? Então eu vou me candidatar.

Outra pérola: “Dúvida por quê? Detergente é Ype!”. Só de raiva, vou direto ao concorrente.

E o “mala das Casas Bahia”, que acabou virando mesmo celebridade? Em terra de cego...

E o cara que tem a língua “pgesa”, protagonista de uma peça publicitária cujo ápice do texto é quando ele diz: “Agagaquaga” em vez de Araraquara!!! Onde é que nós estamos?

Só posso concluir que, depois que liberaram geral as bundas e os peitos na publicidade, o povo se empolgou tanto que acabou perdendo o jeito com as palavras (faladas e cantadas, diga-se de passagem). Agora, estão tateando no escuro de uma criatividade cada vez mais impalpável.

06 julho 2004

Frente em verso


Viva a frente fria
Que chegou no fim de tarde
Invadiu nossa cidade
E me encheu de alegria

Viva a frente fria
Mal querida e mal falada
Nem um pouco ensolarada
Encoberta, recatada

Viva a nossa frente
Que eu escrevo em verso
Viva a nossa fonte
De inspiração

Viva à sua frente
Que eu refresco em rima:
Viva a sua sina
Com todo coração!


(Aqui eu quase puxei um refrão em lá maior, como num repente, mas achei que já bastava de pieguice, hoho...)
Frente em verso


Viva a frente fria
Que chegou no fim de tarde
Invadiu nossa cidade
E me encheu de alegria

Viva a frente fria
Mal querida e mal falada
Nem um pouco ensolarada
Encoberta, recatada

Viva a nossa frente
Que eu escrevo em verso
Viva a nossa fonte
De inspiração

Viva à sua frente
Que eu refresco em rima:
Viva a sua sina
Com todo coração!


(Aqui eu quase puxei um refrão em lá maior, como num repente, mas achei que já bastava de pieguice, hoho...)

05 julho 2004

Coisas que ficam


Estava fazendo uma “faxina” quando encontrei uma velha caixa de sapato; dentro dela, alguns bilhetes, cartas antigas (do tempo das cartas!), postais de gente querida. Lá no fundo, um papel timbrado do estado do RS, carimbado e tudo mais, com uns escritos que estão quase se apagando... apertei os olhos para ver se era alguma certidão importante. E era. Diz assim:

Estado do Rio Grande do Sul
Polícia Civil
Depto. de Polícia Metropolitana
Centro de Operações
Área judiciária

(Carimbo da Polícia Civil)

(Outro carimbo, escrito “VISTO: URGENTE”)

Bibi

Certamente ele quis deixar o mundo mais bonito há 17 anos. Com certeza ele exagerou na dose. Além de mais bonito, fez o mundo mais inteligente, mais carinhoso, mais amigo e principalmente muito mais alegre para se viver.

Ele não precisava, pois é justo, e acabou abrindo uma exceção e foi bondoso comigo, deixando que eu pudesse te embalar, te ouvir, te admirar e viver junto de ti.

Tudo que me ensinaste nesses 17 anos, jamais eu teria aprendido com outra pessoa. Sou grato por isso, não merecia tanto dele!

Te adoro e te admiro e sei que podes, ainda, dar ao mundo tudo que ele nunca teve.

Feliz Aniversário


(Carimbo e assinatura): Luiz Da Pieve
Delegado de Polícia

***

Fechei a caixa, e um nó se instalou na garganta de uma filha que resolveu morar longe e ainda não tem dinheiro para comprar um avião.

02 julho 2004

O Rio de Janeiro anda muito, muito chato


Assuntos fervilhantes do Rio:

- A nudez de Vera Fischer numa peça de teatro - que não me interessa;
- A ausência total de pêlos em pernas e partes de Vera Fischer que não me interessam (apesar de ela declarar que jamais se depila);
- Aliás, quero deixar bem claro – pelo sim, pêlo não (não resisti ao trocadilho!) - que nenhuma parte da Vera Fischer me interessa;
- A derrota do Flamengo, na última quarta-feira, para o Santo André;
- A soltura do empresário-e-ex-deputado-Sérgio-Naya, após 106 dias de prisão;
- O debate dos candidatos à prefeitura, na Rede Globo;
- A ameaça de mais uma guerra entre Rocinha e Vidigal;
- As “festas-temáticas-e-nostálgicas-sobre-os-anos-80” que pipocam pela cidade (misteriosamente, trazendo apenas o que a década produziu de mais bizarro e podre e vazio);
- O “veranico de inverno”, que assola a cidade, elevando as temperaturas e instigando milhares de cariocas a se aglomerarem nas praias da Região dos Lagos – infelizmente, o “evento” não é suficiente para deixar as praias da zona sul/oeste menos abarrotadas nos fins de semana (o que seria, de longe, a única vantagem);
- O Fashion Rio, ou coisa que o valha – que não me interessa;
- A primeira semana da nova novela das 8h-que-começa-às-9h – e que não me interessa, porque só assisti a um pedaço do primeiro capítulo, e achei muito chato;
- O aumento abusivo/absurdo/podre/podre de novo/e podre outra vez dos preços na telefonia fixa;
- ... e por aí vai.

Agora, fala sério: tá difícil achar alguma graça nisso tudo, né? Há que se ter qualidades circenses!

01 julho 2004

FAMA

Ouvi na propaganda do Fama a seguinte frase, dita por uma participante:
“Essa música é maravilhosa. Com certeza eu poderei, não só cantá-la, mas dar um verdadeiro show!”

É bom que eles já vêm com a modéstia embutida. Hoho.

***



Padre não julga


Minha Vó Manoela punha um vestido azul-marinho com bolinhas (na verdade, eram bolotas) brancas, com o cintinho combinando (que ela mesma devia ter feito), e me levava à missa. Eu tinha um jeito estranho que se dividia em achar graça daquilo, mas, ao mesmo tempo, sentir uma paz enorme quando entrava na igreja de mãozinha com ela.

Um dia eu disse a ela que queria me confessar, mas estava com medo. Medo de quê? – perguntou.

Estava com medo do tamanho da penitência, pronto, falei.

Vó Manoela deu risada e me garantiu que, na minha idade, ninguém cometia pecado que pudesse resultar em penitência gigante. Mas eu relutei mais alguns quarteirões; ela ia me arrastando pela mão, eu ia travando o passo e a conversa, já achei que tinha falado mais que a boca, queria esquecer esse papo de confissão, mas não achava outro assunto, e a vó insistia, que era bobagem ter medo do padre etc.

Quando ela perguntou, enfim, qual era o meu pecado horrendo, resolvi contar:

- Tenho medo de estar com a Doença de Chagas!

Eu tinha estudado, nas aulas de biologia, sobre a tal doença - provocada por um protozoário cujo nome científico agora uma busca na internet me ajuda a lembrar: Trypanosoma Cruzi! Esse bicho é transmitido por um inseto conhecido como “barbeiro”, que tem o design assemelhado ao de uma barata, só que mais mirradinho.

Bastaram algumas ilustrações nos livros didáticos, e eu achar uma barata qualquer em casa (ou mesmo uma formiga meio crescida): daí a imaginar que eu estava com a Doença de Chagas, foi um pulo. E, daí a me sentir culpada, foi um abraço.

- Como assim? Por que é que você pensa que é pecado ter medo de estar doente?

Essa resposta foi fácil. A Vó tinha me ensinado que Deus queria que a gente confiasse nele, sempre, até de olhos fechados. Dizia ela que, em tempos difíceis, não deveríamos enfraquecer; apenas rezar e confiar, que o mal iria embora. E que deveríamos temer somente a Deus.

Pronto. Se Deus achava certo que só temêssemos a Ele, seria, no mínimo, um desaforo ter medo de uma baratinha raquítica cujo cocô (literalmente) pudesse me deixar doente!

O padre certamente iria me excomungar. Eu, uma fedelha desclassificada que, em vez de ajoelhar e rezar por saúde, temia a doença possivelmente trazida por um bicho que eu achava que talvez lembrasse um pouco aquele das ilustrações dos livros.

Mas, não, ela me tranqüilizou: o padre não ia achar ruim “Até porque padre não julga.” Falou assim, rapidinho: padnãojulga.

Agora essa: padnãojulga. E eu tinha elaborado um discurso todo meticuloso, ia começar transferindo um pouco da culpa para a professora de biologia... mas, padnãojulga. Droga, ia ser sensacional. Mas, padnãojulga.

Então nem teve graça, eu fui lá e resumi – negócio é o seguinte, estou com medo de uma barata que pode ser barbeiro e pode ter me passado a Doença de Chagas. Quantas Ave-Marias dá isso?

E o padnãojulga me receitou, sei lá, meia-dúzia.

27 junho 2004

Buenas!


Nem vou falar aqui do final de Celebridade, porque o assunto já está muito batido. Pronto, esnobei.

Queria agradecer às moças que declararam, nos comments, que vêm aqui atrás de inspiração (Paula e Carol), adorei saber! Imagina, logo eu, que ando tão carente de inspiração nesses tempos bicudos. Aliás, “bicudos” é uma palavra e tanto. Inspiradas, agora? Hoho.

***

Quanto ao Bíbi-Quiz, apareceu por lá gente suspeitíssima... quem são “anônimo” e “gasparzinho”, por exemplo?

A superintendência quer muito saber.

E já imagino a Melissa pensando: “tsc tsc... a bíbi ainda não entendeu que a internet definitivamente não é um ambiente familiar...” (Ela pensa sempre com reticências).

***

Voltei de Campos num ônibus executivo da 1001, desses que deitam o banco bem deitado. Uma mulher grávida veio do meu lado. Ela na janela, eu no corredor. Grávidas precisam fazer xixi toda hora. Quando eu estava começando a esticar as pernas, ela me sorria: você me daria uma licencinha? Eu, muy generosa, dava.

Pensei em trocar de lugar com ela, mas ela se adiantou: “Hehe. Vou pegar minhas coisas e ir sentar lá atrás, fica mais fácil para ir ao banheiro toda hora. Hehe, você sabe (mostrando a barriga). Aí você pode ficar mais à vontade, hehe, pode dormir sossegada. Hehe. Hehe.”

Antes, eu nem tinha me incomodado muito. Mas dei graças a Deus quando ela resolveu pipocar dali assim que percebi o quanto ela era uma pessoa do tipo “hehe”. Desconfio muitíssimo dessas pessoas, e não me sinto nem um pouco na obrigação de dialogar mantendo esse gentileza “hehe” o tempo todo. Tipo da gentileza amarela, forçada, padrão. Hehe. Hehe. Hehe. Toda hora, hehe.

Comigo, não.

Ora, eu prezo muito meus interlocutores - e suas individualidades particulares de cada um -, e não saio dando o meu hehe para qualquer um, não.

***

Algo me diz que acordei com espírito de porco hoje.
E o primeiro que se manifestar dizendo que isso não é digno de nota vai levar e-bomba.

25 junho 2004

Queridas e queridos,

faz uns dias que não passo por aqui...
E hoje estou mesmo de passagem. Vou ali ganhar o leitinho das crianças (em Campos, RJ) e já volto, ok?

Tenham todos um ótimo final de semana, e não percam o último capítulo do Lineu! Eu também não vou perder, uma vez que o show só começa depois que subirem os créditos. :o)

Beijos, fui!

21 junho 2004

Moda-praia o ano inteiro


Tenho pavor de mostrar os pés, e também de conviver com os pés dos outros à mostra. Não devia morar neste balneário. Povo aqui vai ao banco de chinelo, na maior.

Não agarre nojo de mim; faz parte de um processo psi-(alguma-coisa-para-a-qual-eles-sempre-acham-um-nome): quando pequena, cinco ou seis anos, comecei a ter um pesadelo recorrente. Via apenas os pés de um homem, mais nada. Mas sabia que era de um homem mau, muito mau. E aquilo me dava uma aflição horrível.

Cresci rejeitando sandálias, para o desespero de minha mãe, vó Maria e minhas tias: “com esse calorão, de tênis?” – essa passou a ser a frase mais ouvida por mim.

Já crescidinha (13, 14 anos), ouvi, ao sair para uma festinha:

- Filha, a mamãe vai ter que te dizer: não se usa bota no verão. Não tens uma sandalinha?

Mané sandalinha. Eu só tinha um chinelo havaianas, que usava para tomar banho (evitava o choque no chuveiro). Fui de botas mesmo.

Só comecei a usar - e, pior: a comprar! - sandálias depois de dois anos morando no Rio de Janeiro. Aí eu não agüentei mais; muito calor mesmo, e esse negócio de orla confunde a gente. Até para se vestir.

Passei a andar mais à vontade, admito. Lembro que fui ao RS num verão desses, depois de uns quatro anos morando no Rio. Meu pai fez um churrasco e eu desci para comer de short e um mini-top (quase a parte de cima de um biquíni). Minha mãe olhou:

- Que linda! Tá usando menos roupa, finalmente, né?
- É... calorão desses...

Meio segundo depois:

- Tá certo. Mas tu não vais sair na rua assim, né?
- Por quê? Pessoal aqui vai achar ruim?

E ela, suuuuper tranqüila:

- Nada! Só vão achar que tu é puta.

Hoho.


PS: Você já fez o Bíbi-Quiz?

20 junho 2004

ANALOGIA: Com qual celebridade você se parece?


Depois de cinco fotos testadas, consta que eu sou uma generosa mistura de:


Nicole Kidman


Andie MacDowell


Judi Connelli

E você? Passa lá!




19 junho 2004

Bibômetro

Criei um Bíbi-quiz! Dez perguntas e respostas para testar os seus conhecimentos a respeito da minha pessoa.
Tá esperando o quê?

Vai lá!
As coisas do meio


Alguma coisas são poéticas. Algumas, patéticas.

E algumas outras coisas são apenas outras coisas - que não são nem belas, nem feias; nem lindas, nem escabrosas; nem divinas, nem diabólicas. Não podemos jogar a culpa em ninguém, porque não há culpa. Não podemos sequer nos culpar. São coisas do meio.

Dessas coisas eu fujo como diabo da cruz, porque elas me tiram o sono. Diante dessas coisas, que chegam pelo meio, sem fazer alarde, eu me sinto impotente – uma burra farta de pensamento, mas fraca da cabeça.

E não há como desviar. Quando o tiro é silencioso e certeiro, não há esperneio e não há ataque epilético que te livre da bala. Coisas do meio.

Aí nos damos conta de como vivemos pelos cantos, acomodados em extremos, o stress e o relax, o ódio e a paixão. Nossos cantos da vida, os becos, as quinas, confortáveis esquinas da nossa falta de intimidade com o meio. Nossa percepção se acomoda fácil nas vielas; não somos lá de muita expansão.

As coisas do meio são as melodias que não se encaixam. Nos cantos.

18 junho 2004

E Chico faz sessenta



O Rio está em polvorosa: Chico faz sessenta amanhã. Brilhante. Azul. Lindo. E Buarque, ainda por cima.

Se tenho alguma frustração na vida é morar seis anos no Rio de Janeiro e nunca ter interceptado uma caminhadela de Chico no calçadão do Leblon.

Mas dei uma interceptada no site dele e me diverti horrores com a história do Julinho da Adelaide – o personagem que ele inventou para dar uma enrolada na censura. Chico contado (e “Julinho” entrevistado) por Mario Prata, então, é o melhor dos mundos.

Abaixo, o trecho final da entrevista que Julinho concedeu ao Prata, no jornal Última Hora, em 74:

MP - O Chico tem cantado a sua música e tem dado a entender que a música é dele. Ele se refere a você como se você fosse uma figura mitológica.

JA - Não sei, rapaz. Este pessoal que tem o nome feito, pode fazer muita coisa e não adianta eu ficar aqui reclamando, entende? Como eu já disse, eu sou pragmático. Eu preciso dele e ele de mim. Então eu não vou me colocar contra ele como você está querendo. Talvez o dia que eu for mais conhecido eu faça a mesma coisa. As pessoas têm que tirar proveito do que lhe cai nas mãos, não é? O Leonel que me disse isso.

MP - Eu queria que você se definisse, já que usa tanto a expressão pragmática.

JA - Eu não sei. Pra falar a verdade, o Leonel que mandou eu dizer que eu sou pragmático. Quando perguntassem coisa mais complicada, pra dizer isto. Por exemplo: "O que você acha da Censura?" Sou pragmático. Ele falou ecumênico, também. Disse que quando me perguntassem o que eu acho de Cuba, para eu responder que sou pragmático e ecumênico. Senão eu me meteria em complicações. Mas eu não posso definir exatamente como eu sou. Eu sou pragmático, pô!

Leia toda história – e a entrevista na íntegra - aqui

17 junho 2004

Mais Cazuza


Agora falando racionalmente, li e concordei em gênero, número e grau com esta crítica:

“Acompanhando a trajetória de Cazuza desde o início da década de 80 (e sua entrada no Barão Vermelho), O Tempo Não Pára quase naufraga em sua primeira metade, quando, justamente por evitar aprofundar-se na alma de seu protagonista, acaba retratando-o como um jovem pretensioso e mimado que, fruto de um lar excessivamente liberal, dedica-se a ofender seus pais e à auto-destruição. O Cazuza visto neste segmento é antipático e detestável; um projeto unidimensional de 'artista maldito'. Além disso, o fraco roteiro, em sua errônea ambição de retratar um mito, jamais permite que o personagem simplesmente 'converse': tudo o que sai da boca do compositor é lírico - como, se em vez de 'falar', Cazuza apenas 'declamasse'.”

(Leia na íntegra)

Não, não estou detonando o filme. Gostei de ter assistido; é um filme triste e chega a emocionar em vários bons momentos – a trilha sonora do biografado ajuda, e muito, claro. O Daniel Oliveira dá um show, isso é incontestável.

Mas há muito a ser contestado, e o crítico do site Cinema em Cena, a meu ver, vai com precisão cirúrgica às, digamos, pisadas de bola que o filme dá.

A primeira coisa que me chamou atenção foi justamente a impressão de que o Cazuza devia ser um mala. Garotinho mimado, rebelde sem causa, revoltado e egocêntrico – além de pernóstico e inconseqüente. E se torna chato, muitas vezes, ao interromper o que seria o ritmo normal de uma conversa para pinçar, como que do “mundo mágico das inspirações”, frases poéticas nem sempre cabíveis no momento, soando um discurso vazio e pretensioso.

Parece que a Lucinha Araújo não acha isso – se fosse meu filho, eu não ia gostar nada de um roteiro que retratasse o cara desse jeito. Mas, como o filme é baseado no livro da própria mãe, está tudo em casa.

Outra coisa que me chamou atenção (e isso não consta na crítica acima) foi uma certa esnobada no Frejat. Além de ter poucas falas, fica parecendo, em alguns momentos, que ele era o bundão da história. Que não estivesse preparado para a genialidade do Cazuza - verdadeiro artista/poeta/astro - e, por isso, tivesse ficado comendo poeira quando o cantor decidiu sair do Barão. Pelo pouco que sei da história, acho que não foi bem assim.

Por fim, a cena em que ele descobre que está doente realmente merecia ao menos uma preparação para que o espectador entendesse que ali viria chumbo grosso. Do jeito como é colocada, no seco, o que poderia ser uma bonita comoção acaba virando uma espécie de susto de mau gosto – como quando alguém chega por trás e: “BUUUUUU!”.