13 agosto 2006

De bandeja

Vi uma mulher tão grávida, mas tão grávida, que a parte de cima da barriga dela era quase uma bandeja – dava para servir o café da manhã ali, com conforto, e até um vasinho de flores caberia na borda como enfeite. Ela ia atravessando a rua, correta, pela faixa de pedestres. Fico pensando em quando eu estiver assim, “quase tendo”. Deus me ajude, estabanada como sou, a calcular minhas dimensões de modo a não sair atropelando criancinhas e/ou idosos com a minha bandeja implacável.

P.S. Não era daquelas bandejinhas de avião, não... Primeira classe!

Roupas

Fui às compras. Confesso, vai: encarar os espelhos frios dos provadores das lojas não foi exatamente uma alegria. Tudo em mim está arredondando, lenta e consistentemente. Estou naquela fase em que ainda não pareço grávida, mas já não pareço uma mulher em forma. As pessoas em volta (que sabem do meu estado) percebem, mas não sabem direito em que tom comentar. Eu também não sei em que tom ouvir. Às vezes, ouço em tom maior (com alegria); outras vezes, rola um blues em ré menor. Esses hormônios formam uma banda de baile: tocam mesmo de tudo.


Ultra

Futilidades à parte, o melhor lado segue sendo o de dentro. Gravamos o ultrasom em VHS e trouxemos o primeiro filme do nosso filho para casa. A sensação é indescritível. Tenho vontade de gritar que é um astro, uma estrela, que o rostinho é lindo, que o formato da cabeça é único, que as perninhas são de arrasar, que os olhos doces sairão aos do pai, que as orelhas são iguais às minhas, miúdas, que o pezinho, que os dedinhos, que... Está certo, por enquanto é um precário chuvisco em preto e branco boiando em partes minhas com as quais não tenho a menor intimidade, mas vá lá, nota-se que é um bebê.

Mesmo assim, já é ultrafantástico.


Paparico


Se continuarem me paparicando desse jeito nos próximos seis meses, vou virar uma criatura insuportável. Não levante, deixe que eu faça, deixe que eu pegue, quantas colheres? Quer que esquente mais um pouco? Te busco em casa, o sol está muito quente, te levo ao salão, precisa de algo do supermercado? Tem frutas em casa?

Quando saio sozinha, faço questão de carregar algumas sacolas. Só para me lembrar de não ficar tão besta.

03 agosto 2006

12 semanas

Estou no final do terceiro mês. Meu médico liberou o Pilates, ando eufórica para voltar. Entre as professoras, soube que rolou o seguinte comentário: oba, teremos uma mascote! Euzinha, no caso.


Não se manifesta

Dizem os sites especializados que, a essa altura, meu filhote (ou minha filhota) já dá saltos e cambalhotas lá dentro do útero – aventuras que, infelizmente, ainda não posso sentir. Outro dia eu me confessei preocupada:

- Estou ansiosa pela próxima ultra, ver como nosso filho está. Sei lá, rola sempre uma preocupação, afinal, ele não se manifesta...

E ele, ostentando know how:

- Você vai sentir saudades dessa época!

Hoho.


Instável

Estou começando a aprender, a duras penas, a ficar calma diante do inesperado. Para quem gosta de tudo sempre muito combinado, na ponta do lápis e sob controle, não poder prever como o corpo vai se comportar no dia seguinte – pior, nas próximas horas! - é um belo exercício de paciência.

Sabe aquela comidinha que caiu tão bem? Daqui a 40 minutos, sem avisar, parece pesar como uma laje. Já parei de procurar a azeitona da empadinha, porque o negócio é tão maluco que, às vezes, aquilo que me faz mal hoje deixa de fazer amanhã. E vice-versa. Sem motivo algum.

O negócio é relaxar e seguir as dicas do médico, o resto é loteria. Tenho sido bastante razoável, isso ajuda.


Celestial exceção

Mas, outro dia, vi numa vitrine um pedaço de bolo de laranja com calda de açúcar que tinha mais ou menos o tamanho do meu monitor. Namorido prevê o desastre e me oferece ajuda:

- Se você quiser dividir...

- Já estou dividindo!!! – Arregalei os olhos e mandei ver; derrubei o tijolo num só fôlego, sobrou nem farelo.

Pedimos a conta e fomos embora logo, eu ainda lambendo os cheiros daquele bolo que, inexplicavelmente, tinha gosto de... céu (?!). Ele, meio admirado, decerto torcia para que não me desse um treco.

Treco não me deu, mas a sensação, 20 minutos depois, era de ter tomado um porre de céu – e, claro, fui parar direto no inferno. Doía meu estômago, ardiam minhas nuvens, ai, meus sóis, céus, nunca mais! NUN-CA-MAIS!

Aliás, nunca mais eu iria comer nada. Plano modesto para quem recém devorara o firmamento. Meia horinha mais tarde, no entanto, me deu uma vontade de comer pizza de tomate seco com manjericão...

Pisei no chão, fui de pão light e frutas.

27 julho 2006

Expo Bebê & Gestante

Lá fomos nós ao Rio Centro, a fim de conferir as últimas novidades e os anunciados descontos na parafernália que envolve, cobre, diverte, balança, enfeita, limpa e seca a pirralhada. Um show.

Adorei!

Nunca vi tanta mulher grávida num só ambiente. Fiquei imaginando como serei daqui a alguns meses, com barrigão. Para não falar nos bebezinhos, de todos os tipos, cores e sabores; dos dorminhocos aos ligados em 220V; dos arrastados pelas mães aos que as arrastam, apressados, de olho na próxima fantasia de Homem Aranha. Enfim, uma feira realmente variada.

Os descontos eram, sim, convidativos. Mas não compramos nada, preferimos esperar a próxima edição – que deve ser em novembro, e aí já saberemos se o pimpolho é pimpolho ou pimpolha.


Aliás, compramos

Mamãe aqui, entretanto, saiu abraçada numa sacola de calças jeans com elásticos na cintura, preços camaradas, que não sou boba e já me previno. Claro que tive de insistir para que me atendessem na loja, e não entendia muito bem por que a discriminação, até que uma vendedora paulista não se agüentou e mandou na lata:

- Desculpe, mêêu, mas você está grávida??

Aí foram só elogios, aos quais agradeci, falsamente acanhada e quase pedindo que me pusessem também alguns na sacola – eu pago, eu pago! Afinal, sabe-se lá quando é que vão me chamar de “muito magrinha” outra vez nos próximos meses, é bom aproveitar.


Próximos capítulos

Daqui a pouco, já estou vendo, virão aqueles elogios genéricos:

“Como ela está bem!”

“Está com uma cara ótima, hein?”

E assim por diante, além de uma infinidade de perguntas sobre como “temos” passado – sempre no plural, novidade que eu, meu ego e eu mesma não teremos dificuldade alguma em absorver. Ao contrário, vamos nos divertir horrores respondendo a tudo como fazem os políticos e os jogadores de futebol: nós isso, nós aquilo, fizemos, pintamos, bordamos, etc etc.

Se eu me empolgo de verdade, sou capaz de aproveitar a licença-maternidade-poética e começar a variar também na terceira pessoa, como faz o Pelé:

“A Bíbi hoje está passando muito bem, acordou disposta, está com uma cara ótima, blá blá blá...”

O que acham?

21 julho 2006

Uma mãe portuguesa, com certeza

A internet tem dessas coisas. Estou me deliciando, desde ontem, com este blog
que descobri por completo acaso, nem lembro mais como, e nem importa.

Chama-se “Mãe Galinha”. É de uma moça portuguesa, 34 anos (acho), mãe de três meninas – a caçula tem uns cinco meses, a do meio tem dois anos e a mais velha(?), cinco. Os posts são quase todos dedicados às “miúdas”, ou à arte de ser mãe e equilibrar a rotina de mulher que trabalha fora, etc etc.

O humor dela é peculiar, cheio de ironia e ótimas tiradas – muitas vezes, devidamente creditadas às próprias filhas; pelo jeito, uma mais sapeca que a outra. Tem o charme do português de Portugal, que é um atrativo à parte, e uma doçura que, muitas vezes, chega a ser comovente.

Passei horas tentando escolher um trechinho para colar aqui para vocês, como aperitivo, mas é muito difícil!

Acabei pinçando este aqui, que é fofo e tem aquela tristeza infantil de nos fazer perder o rebolado:

A NOSSA CASA

Dia de semana; o pai em Lisboa. Em casa, apenas a mãe e as filhas. Nem sequer por lá andava a avó São. Só nós.

E diz a Inês, de mão na anca e pé ao lado:

- Já não estou a gostar desta casa!...
- Porquê? - Pergunto eu
- Estão por aqui tantas pessoas que eu já não estou a gostar.
- Mas porquê?
- Olha.... - E virou-me as costas - Porque não...

(Ai estas crises de irmã do meio...)

Leia outros.

20 julho 2006

Meia barriga / susto inteiro

É divertido, embora muito incômodo, estar grávida assim, no início. Quando estou bem, estou ótima. Quando estou mal, estou péssima. O diacho é que não sei se essa tendência aos extremos é universal – coisa de grávida mesmo - ou se é fruto da minha singular incapacidade de lidar com meias barrigas.

Está certo que, hoje em dia, a vasta literatura disponível on line ajuda a gente a sentir – sintomas! sintomas! - as mais diversas e improváveis tolices. E eu leio muito, faço questão. É muita coisa séria, mas também muita bobagem. Faço questão, tudinho.

Não sei se vou querer ficar grávida outra vez na vida, e isso me dá uma estranha sensação de querer engolir a gravidez de um só gole, para não deixar escapar nada. Sei lá se vou viver isso de novo, né? E o tempo segue.

Imaginem vocês que eu, quando recebi o resultado do hemograma que fazia parte do pré-natal, grudei os olhos e quase desmaiei quando vi lá um número altíssimo associado à rubéola. Conferi dez vezes. Eu tinha rubéola, estava tudo perdido.

Liguei para o médico, já segurando o pranto e as pernas bambas.

- Tudo bem?
- Não, doutor. Eu tenho rubéola. (A voz dramática de barriga inteira).
- Qual o tipo?
- Rubéola, ora, tipo rubéola!
- Mas é a IgG ou a IgM?
- Deixa ver... é a IgG!
- Então não tem problema. Isso só indica que você já teve rubéola um dia, ou que tomou a vacina.
...

É mesmo, eu tinha tomado a vacina.

Por Deus, que susto!!! Essas crianças ainda me deixam de cabelos brancos...

14 julho 2006

Chata

A novela está muito chata. Ontem só tinha gente se semi-despindo e longos silêncios com musiquinha de fundo. De lascar. A. P. Arósio, sempre linda, não pegou o jeito ainda - parece fazer teatro na telinha (nessa novela, eu digo, porque já a vi fazendo bons papéis na TV). Além da química zero com Edson Celulari.

Não entendi o papel da Daniele W., outra moça muito bonita, mas um pouco madura para aquelas atitudes pré-adolescentes e uma obsessão inverossímil pelo Thiago Lacerda. Quantos anos tem a personagem dela? 14, 15? 20? Difícil...

Mas o pior mesmo é o insistente apelo sensual, digamos, gastando metade do tempo com gente tomando banho ou se beijando numa espécie de preliminares das preliminares. E R. Duarte sofrendo em frente ao espelho. Aff! Arósio, dizem, vai propor sexo a três ao maridão militar. Tá bem.

Gosto mais quando eles põem cenas divertidas, porque esse mostra-e-esconde à meia luz com musiquinha hipnótica, vamos combinar, estimula só o sono da gente!

Aliás, garanto que o casal Celulari/Arósio poderia muito bem enveredar para a pura comédia, e ganharíamos todos. São bons atores que já se mostraram ótimos quando desafiados a fazer rir, simplesmente. Mas eles têm essa mania teimosa de despir os bonitos a qualquer custo, e os coitados ficam engessados em caras e bocas que garantem os postos de galã e bela mocinha, em detrimento da boa atuação.

O resultado é insosso, bonecos de cera, bah.
Balcão de padaria

- Eu queria um pedaço desse queijo Minas aqui, ó. Ele é novinho?

O rapaz me olhava, mudo. Tentei de outra forma.

- É velho?

Mudo.

- O queijo... é antigo?

Olhei fixo e fiquei esperando, parecia pegadinha. Ele me olhando, eu olhando a cara dele, e o queijo no meio de nós. Até que ele ressuscitou.

- Ó, dona, tem esse outro aqui que chegou hoje... Mas aí só posso vender o queijo inteiro.

Tudo bem que estou grávida, mas o queijo era para trigêmeos.

- É muito. Mas esse aqui, que está cortado, é de quando? Qual é a validade dele? – insisti.

- Deixa ver... É dia 21 de juio.

- Hein?

- 21 de juio.

- Junho ou julho?

- Ju-iô! (Decerto pensando: mulher surda!).

- Querido, então já está vencido, é isso?

- Não, senhora. Ainda vai vencer. Dia 21 deste mês.

Levei o queijo. Venceu-me o balconista, de lavada.

12 julho 2006

Novela das 8h

Assisti a dois capítulos da nova novela do Manoel Carlos. Ainda gosto de ver o Rio de Janeiro nas novelas dele e achar tudo bonito, engraçado... Mesmo morando aqui há oito anos, ainda não me acostumei – de fato, é lindo demais. Ponto, parágrafo.

Tem uma atriz ali, não vou citar nomes, mas é uma que sempre faz papel de neurótica. Nesta nova novela, sabem qual é o papel dela? Bingo, neurótica. Se me chamassem para fazer sempre papéis de neurótica, sei não, mas acho que eu ia ficar meio ressabiada.

Ou será neurose minha?


Mais futebol – quem agüenta?

Tem sido um pouco difícil dormir aqui, porque uma turma permanece jogando futebol até altas horas na praça que fica em frente ao meu prédio. Melhor dizendo, em frente à janela do meu quarto (detalhe: primeiro andar). Vocês acreditam que eles só param lá pelas 2h da manhã?

Fico me virando na cama e torcendo para não sair mais um gol, que aí o barulho é insuportável. E se xingam mutuamente o tempo todo, claro.

Estou com vontade de sair na rua de chinelos e dar uma cabeçada no primeiro perna-de-pau que encontrar, por Deus do céu, e que zidane!
Estou com o Zidane e não abro!

Se for mesmo verdade que o italiano xingou a irmã dele (vejam bem: irmã!), eu dou força ao movimento, digamos, meio brusco do craque Zidane. Piadinha maldosa: quando o jogador de futebol tenta agir com a cabeça, olha aí no que dá... hoho.

Pois fez até pouco. Como irmã – única e caçula - que sou, defendo o direito que os irmãos devem ter de cabecear os estúpidos agressores da maninha alheia. Falta de compostura.

E tem mais, do meu irmão também ninguém fala. Não vou de cabeça, que meu buraco é mais em cima, mas saio ofendendo a parentada toda de volta, sem dó. Quem quer medalha de prata?

“E se alguém me desafia
e bota a mãe no meio
Dou pernada a três por quatro
e nem me despenteio.”


Aos fatos (?)

Observação do presidente Lula, hoje, quando perguntado se a violência em São Paulo não poderia virar questão eleitoral:

“O dado concreto é que os fatos estão existindo. Os bandidos não estão preocupados se vai ou não vai ter eleição. Os bandidos estão aterrorizando São Paulo, e nós temos que tomar atitudes.”

Bom, se o dado concreto é que os fatos estão existindo, o que seria do dado abstrato em relação aos fatos enquanto existentes, ou mesmo inexistentes, do ponto de vista concreto, já que os dedos estão exigindo, e os dados confirmam que os credos, abstratos, de fatos secretos já estão fartos...?

De que estávamos mesmo falando?

Ô, tristeza. Alguma coisa acontece no meu (no nosso!) coração...

11 julho 2006

Agora essa: tô grávida!

É verdade verdadeira. Não se trata de mais uma gaiatice literária, não. Pegou-nos (a mim e ao namorido) de surpresa, o danadinho. Ou a danadinha.

Quando dei por mim, estava habitada por uma figurinha (desculpem o exagero nos diminutivos, mas como dizer?) do tamanho de um grão de feijão. Pode?

- Não é do tamanho de um grão de feijão, boba... 6mm é bem menor que isso! Talvez um grão de arroz.

Bueno, não importa; de mais a mais, a criança (!) já cresceu um bocado. Isso foi na sexta semana. Primeira ultra, você sabe, não dá para ver praticamente nada. Aliás, eu não sabia. Sou grávida de primeira viagem. O médico mostrou duas manchinhas brancas e disse:

- Olha lá, são as perninhas!

Espichei o pescoço e apertei os olhos. Rá, meu filhote tem perninhas! E o coração já bate a milhão. Vi num gráfico – que, aliás, me lembrou os programas de gravação/edição de áudio no computador. Loucura.

Hoje estou no início da nona semana. Eles contam em semanas, não em meses. Nada ainda de barriga, claro – embora eu já me sinta meio rechonchuda perto daquela esbelteza que havia conquistado a duras penas. Tudo que ouço é: “relaxa, depois volta!”. Espero que Deus também esteja ouvindo.


E o blog com isso?

Ok, será inviável passar os próximos sete meses sem falar no assunto. Muito! Prometo, entretanto, que não vou pintar este blog com paredes de tons pastéis, nem pipocar bolinhas coloridas enquanto vocês arrastam o mouse.

Outra coisa que não vou fazer (não me peçam, please!) é colocar fotos minhas de barrigão aqui. Tudo muito bom, tudo muito bem, mulher grávida é linda porque ostenta a delicadeza da vida e blá blá blá, mas vamos com muita calma nessa hora. Nunca dei para modelo, não irá essa condição esférica me tornar uma top nos flashes, assim, de uma hora para outra.

De resto, o blog continuará sendo o que sempre foi, apenas com mais novidades. Afinal, o pimpolho deve sacudir a minha vida (a começar pela barriga mesmo) em ritmo frenético, e não vou ser doida de deixar passar essa bagunça sem registro on line.

Me aguardem!

28 junho 2006

Clic! Baixe meu conto


Foi publicado um conto meu nesta edição do site Webwritersbrasil. Chama-se “Clic! Biquinho” - é a história de uma moça cujo namorado é ótimo, exceto por um pequeno detalhe: em todas as fotografias, o sujeito aparece fazendo um biquinho ridículo.

Prestes a se casar com o cara do biquinho, a pobre noiva está desesperada com a certeza daquele anexo desastroso em cada retrato do seu álbum de casamento. Não sabendo mais o que fazer para se livrar do biquinho, ela enveredará por caminhos inimagináveis (e cômicos, claro).

Se você quiser saber o resto da história, clique no link do site Webwritersbrasil – ao lado, na lista dos meus favoritos.
Percalços

Queridos, obrigada pelas visitas de sempre! Tenho tido uns percalços por aqui, por isso a demora em novos posts. Aos que perguntam e se interessam: o exame de sangue que eu fiz foi apenas um check up habitual, e passei no teste, estou ótima, pronta para driblar percalços e correr para o abraço.

Volto logo – mas é logo mesmo, hein?
:o)
Beijos.

16 junho 2006

Querem meu sangue

Coisinha curiosa: mosquito acaba de me picar no braço, bem ao lado do furinho que a moça fez hoje de manhã com a agulha. Maria vai com as outras, né?

Decerto pensou: oba, o petróleo é nosso! Hunf.
Sangue, bunda e adjacências

A vampira que me furou nem mostrava os dentes.

Fico nervosa nessas horas, olho pela janela, respiro fundo e nada adianta. Quando elas amarram aquele elástico no braço da gente e começam a procurar a veia, cruz credo, que sensação horrorosa. Algodão com álcool. “Olha, é descartável” – ela me mostra a seringa, e quem disse que eu quero olhar?

Se é descartável ou não, veja bem, se você diz que é eu acredito piamente. Tô em condições de questionar? Fura logo e acaba com isso, bandida!

Começou a puxar tubos e mais tubos do meu sangue, não queria mais parar. Perguntei se ia sobrar alguma coisa para mim. Ela riu, mas nem mostrou os dentes. Graças a Deus. Minha mãe observava com cara de dó.

Sim, eu levei a mãe, confesso. Sempre levo, sobretudo nestas duas ocasiões: hemograma e quando vou posar pelada. Mães ficam nervosas pela gente, é ótimo, terceirizamos o pânico e fica tudo bem. Minha mãe até bufa por mim (eu gosto muito de bufar, me acalma).

A última vez em que posei pelada eu tinha um ano e meio. Agora estou dando um pequeno intervalo, devo posar outra vez aos, sei lá, 40. Chiquérrima.

Até lá eu tenho algum tempo – se bem que passa rápido, é o que dizem -, posso malhar muito, fazer todos aqueles tratamentos em que a bunda esquenta, depois a bunda esfria, depois gela, depois amassam a bunda, depois dão choque, depois alisam, depois passam alguma coisa bem cheirosa e a gente sai de lá com uma bunda que, vou te contar, é praticamente outra bunda! Sem falar nas coxas e adjacências.

Você sabe, mulher é cheia de adjacências.

Não que adiante alguma coisa, pois os homens só olham mesmo é para a bunda.

15 junho 2006

Cortaram o meu cabelo


É sempre assim: saio de casa dizendo que “vou cortar” o cabelo e volto conjugando o verbo diferente. Cortaram. Não fui eu que fiz isso. Cortaram, cortaram!

Eu disse qua-tro-de-dos, mas ela entendeu um palmo, e meu cabelo ficou pela altura dos ombros. Está bem, um dedinho abaixo. Mesmo assim, quanta diferença... E ela ainda queria fazer escova! Claro que não deixei, tenho horror à escova - meu cabelo é fininho e fico com cara de Mortiça Addams, com tudo escorrido pela cara, parece que as olheiras saltam para fora dos olhos. E tem uma creche bem em frente ao salão, não ia ficar nem bem.

Insistiu, queria secar e espichar meus cachos, mas fui firme: não e não. Você acredita que ela até fez beicinho?

Loira oxigenada, de calça com cintura alta e apertada com um cinto fino. Sapato pontudo, blusinha justa que depois vem afofando cá em cima. Olhando assim, nem precisava empunhar uma tesoura para se prever logo o perigo. Ah, se eu tivesse juízo.

Claro que saquei a tramóia dela: queria me alisar as madeixas para que eu não percebesse como ficaram curtas! Sou boba?

- Deixa assim que eu já vou me acostumando ao novo visual – eu repetia para ela e para mim mesma, com um olho no espelho e outro na consciência, Deus do céu, o que é que eu fui inventar?

Mas assim somos nós, mulheres. Nós inventamos o tempo todo, e ainda achamos bonito dizer que inventamos. Como somos criativas, blá, blá, blá.

Tudo muito bom, tudo muito bem. Mas CADÊ O MEU CABELO, PEDRO BÓ???

14 junho 2006

O Rei

Você sabe qual é o rei que nunca morre e que é vitalício? É o reinício. (De uma música do Luiz Tatit, simplesmente adoro essa idéia).
**
Então eu estou me divertindo, porque vou tocar/cantar no sábado. Se alguém quiser assistir me avisa, que eu dou as devidas coordenadas.


O Orkut é pop

Olha que coisa inusitada. Fui levar meu violão para dar uma regulada, e o cara da loja (que também conserta instrumentos) perguntou meu nome. Quando eu disse, ele perguntou: “Ué! Não tem uma comunidade com o seu nome no Orkut?”.

Caramba! Ele reconheceu porque, ainda outro dia, um amigo dele (músico) tinha enviado um convite para entrar lá. Me disse o nome do amigo, mas eu acho que não conheço, ou devo conhecer por outro nome. Achei muito engraçado, as pessoas agora se reconhecem a partir do Orkut!

13 junho 2006

Brasil X Croácia - Copa / Cozinha

COPA
Então o jogo foi aquilo que todos nós vimos. Muitos dizem que o Kaká vai ser a verdadeira boa dessa Copa. O gol dele foi mesmo lindão.

COZINHA
Agora... Essa euforia em torno da sua beleza (do Kaká, não a sua!), well, questão de gosto; eu acho o rapaz muito do sem graça. Sabem quem eu acho mais engraçadinho? Robinho. Já viram o jeito como ele ri? Isso conta, oras.

O Kaká ri muito certinho.

COPA
O futebol, para quem não entende nada (como eu), tem uma penca de coisas engraçadas. Frases estranhas. Fulano não estava impedido porque o zagueiro beltrano de tal, número tal, lhe dava condição. Acho tão antigo, dar condição.

Sem falar no termo “enfiada de bola”. Desculpem, mas o que é isso?

De modo geral, observo que o jogador bate com o pé na bola e ela vai para algum lugar, cai nalgum canto, quica, rola, enfim – tudo isso não é enfiada de bola? Não. Enfiada de bola parece ser alguma coisa mais específica, talvez quando é feito um passe para, sei lá, um daqueles caras que ficam na frente, para mó di tentar um gol. “Enfiada de bola”, eles dizem, com aquela voz de Galvão Bueno e bem amigos da Rede Globo. Eu fico boiando, mas acho bacana e tal.

COZINHA
Durante o jogo aconteceu uma coisa muito estranha. Uma família vizinha, segundos antes do gol, gritou: GOOOOOOOLLLL!

Pensei que eram videntes. Mas aí me explicaram que eles tinham antena parabólica.

Ai, que sem graça. Ia bem lá fazer uma consultinha básica.

COPA
Um jogador disse que faltam ainda seis ‘degrais’. E então eu já acho que faltam mais!

COZINHA
A camisa da Croácia não parecia toalha de mesa de pizzaria de quinta?

COPA
Desisto, desisto mesmo de tentar adivinhar quando o jogador está impedido. Não sei como os homens saem acusando “tá impedido! tá impedido!”, e quando vê está mesmo. Me dá uma raiva, porque eu sei o que é o impedimento, mas fico emocionada com a jogada e me esqueço de olhar para o diacho do infeliz do zagueiro no momento do lançamento.

COZINHA
Aliás, hoje o bandeira demorou para sinalizar o impedimento, e alguém disse: melhor levantar (a bandeira) atrasado do que não levantar.

Bom, enfim alguém diz alguma coisa que eu já sabia!!

09 junho 2006

Genérico

Quando acordei (aliás, enquanto ainda tentava dormir), tinha um infeliz cortando a grama da pracinha aqui em frente. Não sei se vocês conhecem esses prédios feitos de paredes que parecem de papel. Aqui é assim. Você ouve até a vizinha escovando os dentes, imagine o "resto". É constrangedor.

Pois agora imagine o cortador de gramas na pracinha, sendo que o meu quarto tem janela que dá para ela. (Fim de frase desastroso, mas vocês me entendem).

Bom, aí eu me levanto e sigo a vida. Às 11:30 (agora), quando estou começando a me concentrar de verdade no trabalho, aparece aquele pastor – que chega num carrão, abre o porta-malas e liga um microfone nos alto-falantes enormes. Começa a pregar na praça; volta e meia ele “canta”. Muitas aspas.

Aliás, acho que nem pastor ele é. Deve ser um genérico...

Sendo que esse genérico incomoda incomoda muito mais.

08 junho 2006

Sobressalto


A gente pega umas manias (fazendo o favor: diga que não é só comigo). Lia sempre o jornal de trás para diante. Agora inverti. É outro jornal! Iniciar com as notícias locais e a previsão do tempo estava estreitando minha visão de mundo.

Gostaram, “visão de mundo”? Esta coisa de ler muito jornal, se não cuidar, vai deixando a gente assim, meio clichê, e o pior: sem direito à errata no dia seguinte.

Ia do regional ao geral – e, quando chegava lá, já estava meio cansada. Café acabado. Labuta esperando, a cobrança. Sofá até essa hora? Tomasse vergonha!

Dava uma olhadela rápida nos artigos e nas colunas das primeiras páginas, e me enfiava na vida de qualquer jeito.

Agora, não. Agora leio primeiro as primeiras páginas (que devem estar nesta ordem por algum motivo, oras!), depois vou averiguar se chove, se venta, quantos foram atropelados, quantas balas perdidas foram achadas, etc, etc.

Tem um probleminha. Em vez de entrar pela vida de qualquer jeito, agora entro francamente sobressaltada.

07 junho 2006

Realidade virtual


Estava navegando nesse site lindo
(dicas de Marina W
, sempre ótimas); lá você escolhe um ponto do Rio, clica e vê a imagem em 360°. Deslumbrante!

Aliás, as imagens da web (e os monitores, e as câmeras) estão cada vez melhores – dá impressão que a gente está mesmo lá. Fico pensando, daqui a pouco vai ser possível clicar, por exemplo, na praia do Leblon, depois escolher entre um chope e uma água-de-coco, basta um clique (e um cartão de crédito, claro) e eles trazem em casa, 10 minutos ou o seu dinheiro de volta, e o entregador manda um torpedo quando estiver na portaria (interfone, o quê!), e você abre o portão com um clique, ou pelo celular mesmo, e recebe o pedido, e bebe com os pés para cima jurando que está no Leblon.

Se você quiser, também pode mandar vir uns caras de sunga correndo em volta. Tá, é só uma idéia.

Se bem que isso já é possível hoje em dia... Hoho.