01 novembro 2006

Quilos

Já estou naquela fase em que ficam dizendo “você está ótima”. Depois dessa, vem a “você está COM UMA CARA ótima”. E ainda tem a fase final, sofrível, quando comentam: “você está COM UMA ENERGIA ótima!”.

Quanto mais espiritual é a categoria do elogio, menos fisicamente interessante você está. Como diria o (re-)presidente, VEJA, O DADO CONCRETO É QUE eu já engordei além da conta. Blérgh.

Não vou entrar em números (ja-mais!), até porque os números é que já não estão entrando mais em mim. Se é que me entendem. Digamos apenas que extrapolei – um pouquinho, vá lá - o ideal sugerido pelo médico para a progressão dos quilos.

Filhos porque quilos!!


Filhos

E nem adianta pôr a culpa na Lara – como alguns, gentilmente, têm me sugerido -, porque a barriga ainda não está nenhuma Brastemp. Para cinco meses e meio de gravidez, há quem não acredite. Chovem vizinhas, primas, enteadas e até atrizes conhecidas (dos outros, não minhas) que, segundo consta, vão ter bebê na mesma época que eu, mas já ostentam barrigão de respeito. E eu nessa aqui, devagar e sempre.

“Sorte sua, que é alta e então distribui” – dizem.

A imagem até que é bacana. Fico imaginando a minha Lara bem distribuída em mim, as mãozinhas entrelaçadas na nuca, os pezinhos cruzados à frente (estilo “dê férias para os seus pés”), óculos de sol, viseira, suco de maracujá no canudinho em espiral, tranqüila da Silva, bordando miçangas coloridas para a fantasia da estréia.

Sim, porque eu não sei se vocês sabem, mas Lara deve chegar no carnaval.

27 outubro 2006

Enxoval

Sabe quando vai caindo a ficha?

Chegando a hora de começar o enxoval da Lara. Vocês não têm noção. Ou vai ver que têm; eu é que não tenho a mínima.

Baixei listas e mais listas de sites especializados. Cada qual tem uns dez itens cujo nome da coisa me sugere logo a própria coisa, ou seja, soa algo familiar. O resto é mistério. Objetos dos quais nunca ouvi falar, tampouco palpito alguma finalidade. Meu Deus, pânico. Sem contar com os falsos cognatos.

Recomendam, por exemplo, que eu compre culotes. (!!!)

É para dar risada, né? Já que a celulite e as estrias vêm de graça, não custa nada a gente abrir a mão e... Francamente.

Quando começaram com essa coisa de culote, fui atrás de um glossário. E achei. Culote (atenção para o apelido: mijão) é calça comprida de bebê. Pode ser com pé ou sem pé.

E cueiro, você sabe? É para enrolar o bebê. Ops, mas isso não era manta? Sim, e manta tem lá também. Até agora, a diferença que encontrei é que a manta é mais... bonita. Mas tem de comprar de ambos. Vááários.

Outra figura fácil da lista: pinça. Minha filha nem nasceu ainda e já devo me preocupar com o seu buço???

Calma, mamãe. É pinça de plástico, para manusear mamadeira esterilizada...

Tem fralda de boca, fralda de ombro e fralda de mão (?). Além das descartáveis, claro.

Outro que achei curioso foi um tal de porta-bebê. Assim como porta-jóias, agora temos o porta-bebê. Dá uma estranha impressão de ser um recipiente qualquer onde se guarda o filho (ora, tivemos um dia estressante no trabalho!), e deve vir com tampa ornamentada em tons pastéis com dizeres do tipo “não perturbe”, ou ainda “cuidado com o bebê”, dependendo do gênio da criaturinha.

Ficará muito belo em cima da cômoda ou da penteadeira da mamãe.

25 outubro 2006

Cachorro reflexivo

Voltava da praia e vi uma mulher caminhando com seu cachorro. Fiquei olhando para o bicho. Parecia mesmo que pensava. O preço da ração, novo namorado da dona, colesterol, cadelinhas da vizinhança, segundo turno...

Cheguei, finalmente, à conclusão do que me atrai nos cachorros: não a raça, o pêlo, o design do fucinho, nada disso. Gosto é do cão que reflete.

Ou, se não reflete, finge muitíssimo bem.


Rótulo auto-explicativo

Acreditem, comprei um produto cujo rótulo ostentava a seguinte pérola: “CONSERVAR DE MODO ADEQUADO”.

Ah, tá.

18 outubro 2006

Ultrasom – 22 semanas

- É uma menina.

Estranhamente, eu não quis acreditar. Tem certeza? Checa bem esse negócio aí, alô, alô, tá funcionando o aparelhinho que mede? Olha, o senhor desculpe, mas eu já passei por isso antes, cheguei aqui e o bebê me apareceu sentado e...

- Estou dizendo, é uma menina.

Vai por mim, doutor, essas coisas às vezes enganam, estou calejada, imagine que minha primeira experiência deu segundo turno, Deus me livre de empatar um jogo desses, esse gelzinho é de boa qualidade? Gruda bem o, como chama isso, enfim, o scanner que você passa na minha barriga, está bem grudado? Digo, aderindo? Olha, a imagem na tela não está lá essas coisas, não. Quero dizer nada. Muito chuvisco. Tem risco de haver interferência com os bebês das outras?

- A sua filha é uma me-ni-na! Está muito claro, olha lá o sexo!!

Não havia Cristo que me fizesse engolir a ficha. Eu seria mãe de uma menina. Que alegria doce; um suspiro bem ensaiava, mas não me acontecia. Continuei tentando me certificar, e apertava a mão do pai cada vez mais forte, como quem pedia que me dissesse que era isso mesmo, soprasse no meu ouvido sem que o médico estivesse olhando: psiiiu, ele está falando sério!

A verdade é que só acreditei quando olhei para ele.

Dizem que as mulheres são mais sensíveis às formas não verbais de comunicação, um franzir de testa, um jeito, acento de sobrancelha. Na tela eram pedacinhos de pés, braços, boquinha, mão, ossos e feições confusas. Na voz do médico eram palavras.

Mas o pai fez lá um ar, e foi no lá e no ar que eu enxerguei inteira a minha Lara.

16 outubro 2006

Cadê?

Hoje me disseram que eu “já perdi a cintura”. Deus queira que eu a encontre de novo, algum dia (depois do carnaval, claro).

PS: Completei cinco meses de gravidez, cruuuzes, como passa rápido!


Argentina

Se você quer fazer uma viagem maravilhosa e barata, voe para Buenos Aires. Já. Sem preconceito, né? Afinal, se os argentinos têm um monte de defeitos, quem não os “temos”?

Falando sério, os preços lá são convidativos – sobretudo comida e transporte. Os táxis são velhos e poucos têm ar condicionado, mas a corrida sai quase de graça se compararmos com os preços daqui. Tem um transporte ainda mais barato e divertido: andar a pé! A cidade é linda, vale gastar as panturrilhas e depois repor as calorias em algum café daqueles bem tradicionais, cheios de delícias amanteigadas e açucaradas. Hummm.


Como resistir a (quase) tudo

Como gravidez é coisa séria, controlei-me diante das barbaridades calóricas portenhas. Não foi fácil recusar as medialunas (espécie de croissant em forma de meia-lua, doce ou salgada, sempre um escândalo) e as empanadas (pastel de forno) tradicionais. Provei uma de cada, e só. À noite, ficava só na saladinha. Claro, vários lanches com barrinhas de cereal para segurar a onda. Graças a Deus, não como carne vermelha mesmo – seria uma tentação atrás da outra!

Todo esse esforço é porque - já percebi - ganhar peso na gravidez é muito fácil. E, dizem, perder depois é difícil demais.

Quando não se está “embaraçada”, se você quiser enfiar o pé na jaca hoje, pode perfeitamente compensar malhando três horas amanhã, ou ficando só no suquinho com salada o dia todo. Esperando um filhote, no entanto, não me arrisco nessas imprudências. Se enfiar o pé na jaca agora, engulo a jaca. E a jaca conta pontos na balança. Gravidez é ao vivo e não tem ensaio.


O bebê mexeu – e abriu para o público

Não sei se ele quis fazer uma exibição futebolística em terras argentinas, para estimular a rivalidade, mas o fato é que o bebê mexeu em plena Buenos Aires. Claro que eu já vinha sentindo antes, havia algumas semanas, mas não sabia que o evento seria aberto ao público tão cedo!

Estávamos no apartamento, descansando e batendo papo. Volta e meia falávamos nele – nosso principal assunto, disparado! -, o pai com a mão na minha barriga, mas sem nenhuma intenção de estimular resposta.

Será que é menino ou menina?

Como será a carinha dele ou dela?

Enfim, esses assuntos bobos de pai e mãe. Dali a pouco, sem esperar o som do apito, a criaturinha bate: tum!

O pai deu um pulo:

- Mexeu!!!
- Jura que dá para sentir daí?? – Levei um susto.
- Claro que dá! Olha, de novo! E de novo! Chutou! Chutou!!!

Agora sim, virou um evento interessante. Não podem mais dizer que estou inventando. Ou que é pum.

14 outubro 2006

De volta

Mil perdões. A grávida aqui esteve ausente nos últimos 10 dias por conta de viagens. Não consegui acesso à internet e tempo suficiente para postar durante, mas prometo que, assim que desfizer as malas, volto com novidades.

PS: adorando os diálogos de vocês, Tácio e Batz!
:o)

04 outubro 2006

Gravidez em camadas – da primeira metade


Ninguém comenta nada a respeito, mas a verdade é que a gente fica grávida em camadas. Por etapas, quero dizer. Fui me dar conta agorinha.

Primeiro tem aquela camada que, você sabe, é a melhor de todas. Não vou me ater aos detalhes porque fica feio; sou quase uma mãe de família. (Ocorreu-me agora: semi-mãe?).

Segundo, a fase em que não vem aquilo que deveria vir mensalmente. Sustinho. Apreensão? Torcida? Cada caso é um caso.

Enfim, o exame positivo, que é a resposta para os seus problemas – ou o início deles, ou uma mistura de tudo isso e mais uma pá de emoções diversas, a granel, a gosto da freguesa. O choro é cortesia da casa. Chora-se um bocado, cruzes.

Uma vez consumado o fato (quase disse o feto!), começa o período enjoado. No meu caso, até que foi leve. Não tinha vontade de ver ninguém, disposição zero, comida embolava todinha no estômago; num dia odiava café, noutro adorava – um samba do crioulo doido. Mas tem gente que vomita!

Próxima camada: com a náusea vencida, volta-se a ter gosto pela vida. E tudo fica muito divertido, porque vão achar que você é extremamente magra, basta dizer a senha:

- Estou grávida!

Gravidez é sinônimo de formas redondas, mas o bacana é que a cintura demora a fugir sobre as calças. Vão dizer:

- Nossa, você está ótima!
- Nãããão creiooooo!
- Mas então você engravidou on-tem!!!

E tudo isso é muito agradável enquanto dura.

Até que vem a fase atual (no meu caso); aquela em que você, de tão mal acostumada que está, custa a acreditar que as pessoas já estão acreditando que você está grávida. Ora, nem você acreditou direto ainda! Em vez da surpresa, o silêncio.

- Estou grávida!
- ...
- Grávida! Eu disse que estou grávida!!
- Ãh-hãm.

A senha antiga já não faz efeito algum. Ninguém vai dizer “UAAAU!”, “nem parece!”, “juuuuura”? É um baque, requer preparo.

Bom, só posso falar da primeira metade. Por enquanto, estou recém passando para a segunda (4 meses e meio). Ainda há dias em que não me acordo tão grávida. Noutros, gravidíssima. Varia legal.

02 outubro 2006

Deu segundo turno. Vou dormir feliz.

29 setembro 2006

Diagnóstico e tratamento

Fui à ortopedista. Dra. Célia ouviu minhas queixas, depois começou a me esticar aos pedaços.

- Dói?
- Não.
- E agora?
- Não.
- Dói assim?
- Nada...
- E assim?

Pelamordedeus, parece que eles fazem de propósito! E fazem mesmo. Não sossegam enquanto não ouvem um gemido.

- Ui... Dó-óóói.

Só então ficou satisfeita.

- Arrá. Negócio é o seguinte: isso nada tem a ver com a sua hérnia de disco. É da gravidez mesmo. Lá pela metade da gestação, seu caso, os ossos da bacia começam a se afastar, porque entendem que o bebê vai ter de... você sabe... passar... ali no meio.

- Tô sabendo.

- Então. Isso causa um (esqueci o nome) que pode ocasionar uma (tampouco me interessa), gerando (blá blá blá, será que aqui tem banheiro?), é por isso que você sente essas dores.

- Ahm. E a solucionática da problemática? Tens ou não tens?

Tinha, claro. Remédio e RPG. Lá vou eu...

27 setembro 2006

O sexo do bebê – deu segundo turno

Não foi dessa vez. Passei uma noite sem dormir (curiosa) e fui fazer, ontem, a ultra para saber o sexo do bebê. Bueno. Como tudo que vive em mim, também esta criaturinha derrama ironia pelas beiradas: me apareceu sentado(a), de ladinho, e ainda com as duas mãozinhas cobrindo o, digamos, objeto (ou a objeta!) que deveria nos ser útil.

Implicante!

Está bem, pode ser timidez. Mamãe perdoa.

A médica me esfregava o aparelho na barriga e fazia uma cara de três pontinhos. Percebi logo, desse mato não sai coelho é tão cedo. Coitada, ficou numa situação.

- Hum... Hum... É, sinto muito, mas não vou poder arriscar, não... A margem de erro é muito grande, e...

Já sei, Dra. Três Pontinhos, a margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos – o que, em termos de sexo de um bebê de 20cm, é voto para mais de metro! Ela ficou nos indecisos. Deu segundo turno.

Já disse, mamãe perdoa. Mas, assim que nascer, vamos ter uma conversinha séria sobre essa coisa feia de não comparecer aos debates! Pode, não.

22 setembro 2006

Coluna do meio

Naquela fase: quanto mais faço alongamentos achando que vou resolver o problema, mais me dói a coluna. Estou com um nódulo de tensão, na lombar, do tamanho de um ovo. Entre outros ovinhos. Dói. Hérnia de disco. Gravidez. Massagens custam os olhos da cara, e nem sei se adiantam lá isso tudo. Tô com medo de ter de voltar ao RPG (que custa os olhos dos olhos da cara, além de ser um saquinho). Já faço Pilates, religiosamente, e tenho uma postura ótima, à custa de disciplina. Não sei o que mais é preciso.

Por que é que tudo que é “o certo a fazer” custa tão caro?

Por que é que a maioria das coisas boas é “ilegal, imoral ou engorda”? Ou custa caro?

O certo era não estar sentada aqui diante do computador, esta praga moderna, mas alguém poderia me dizer onde mais posso escrever e publicar? Bah!


Vício e desvício

Parece mesmo que a gente vive a compensar os vícios. Alongamentos X horas de computador. Dieta X um pedaço de torta de chocolate vez por outra. Caminhadas X chopinho no fim de semana (que ninguém é de ferro). Etc, etc.

Poderia chamar de “vício e virtude”, mas desvício me parece mais adequado (embora não exista), porque se trata claramente de um movimento de compensação. Como na física, querendo anular fazendo força na direção oposta. Fica tudo zero a zero.

No fim, é um engodo. A gente envelhece igual, engorda igual, entorta igual, fica cheio de manias, perde a censura, enfia o pé na jaca, briga com o cônjuge, sente-se um lixo e ainda vota errado. Poderia dizer que não existe empate no jogo da vida, mas aí já seria o cúmulo do clichê (aliás, outro vício a se evitar sempre que possível).

Cristo, mas o que estou dizendo?

Meu filho, não ligue para as bobagens que a mamãe escreve. Acordei com o pé esquerdo – um dia você saberá o que isso significa, e também acordará com os ovos virad... ops!, com o pezinho errado, e mamãe saberá compreendê-lo. No fundo, no fundo, mamãe é uma otimista crônica, embora nem toda crônica da mamãe seja otimista.

São os vícios e os desvícios do ofício.

21 setembro 2006

Blindado

Deveriam fazer uma pesquisa científica para descobrir de que material é feita a pele do presidente – e, depois, utilizá-lo na blindagem de carros. Daria uma grana preta.

Nada, absolutamente nada pega nele. Incrível. Isso nem é mais uma caso político; é esotérico.


Boneco promocional

Coitadinho, teve que fazer uma cirurgia na mão e está todo entalado (com tala). Sobrou-lhe a mão direita, orgulhosa e ativa, mas visivelmente abalada com a baixa da colega.

- Faz um café pro mano?

Às vezes ele ainda fala na terceira pessoa, como quando éramos crianças, e acho tão bonitinho. Me dá confortável sensação de ser protegida – mimos de caçula são eternos, abafa o caso...

Detalhes cirúrgicos à parte, o médico mandou que ele mantivesse a mão para cima o máximo de tempo possível. Ajudar na cicatrização. Essa é a parte engraçada, porque olho para o lado e ele está aqui, no computador, arrastando o mouse com a mão boa e apontando a ruim para o alto, num aceno eterno, como um bonequinho promocional desses de posto de gasolina. Hihi.

Descolasse um bico, garanto que vendia mais que o tigre da Esso.
(É da Esso?)


Festival da cenoura ralada

Não posso ver uma promoção, comprei um saco de cenoura ralada pelo preço de... sei lá, de meio saco. Fiz mau negócio. Não posso mais ver cenoura ralada.

Meu filho, please não vire um coelho.


O primeiro vestido

Achei uma ponta de estoque de moda gestante, lá fomos nós. Coisas lindas, acredite. Minha mãe me deu de presente um vestidinho: meu primeiro vestido de grávida.

Experimentei e achei o máximo, todo soltinho, suuuuper confortável, além de preto. Contudo, saí de lá já meio ressabiada: vou mesmo poder usar isso na rua? Minha mãe diz que sim, que a gente se sente meio pelada mas é legal. (Como será que é MEIO pelada??)

O que eu mais ouço: “você vai precisar de roupas fresquinhas para o verão”. As pessoas dizem muito isso, estou quase me imaginando uma bola incandescente, suando em bicas e me arrastando, com as duas mãos em concha segurando o barrigão. Mas é verdade, porque o rebento rebenta em fevereiro, imagine o calor do Rio nos meus meses mais críticos. Então, vou me habituando desde já aos vestidos. Nunca fui muito chegada a eles – pior, nem eles a mim -, mas vamos lá.

Quando criança, rejeitei um vestido que me arrumaram e devia mesmo ser muito lindo, ou fofo, ou gracioso ou coisa assim, mas tinha um defeito que arrasava qualquer adjetivo: pinicava. Tanto que o apelidei de “vestido de estátua”, porque tinha para mim que era impossível me mexer enfiada naquele traje.

Mas como as coisas mudam. Aos 14 anos, comprei para mim mesma um vestido (está certo, empurrada por uma colega, mas paguei com o meu dinheiro!) que, esse sim, era um escândalo. Feito de retalhos de cotton (naquele tempo se dizia cotton) e vinil (naquele tempo se usava vinil, tá?), o negócio era tão grudado no meu corpo, mas tão grudado que logo na estréia me acusaram de salsicha. Tinha mesmo feito uma dieta, andava meio magrela, mas me achando.

Gostei tanto que usei umas duas ou três vezes. Para um vestido, era recorde! Está bem, confesso que ainda é.

Não há de ser nada, agora vai ser diferente, eu sinto, estou empolgadíssima. Acho que essa coisa de ser mãe implica, entre outras coisas, em vestidos.

Acho que esse negócio de ser mãe pinica (entre outras coisas, claro).

15 setembro 2006

Literalmente correndo, passando para deixar um oi. Pilates, caminhada na praia, calor de mais de 30 graus, vamos que vamos. Compras, limpeza, banco - fila enorme! (Ainda não tenho coragem de entrar no caixa preferencial, mas deveria).

Fome, muita fome. Comidinhas, frutinhas para ir enganando o estômago nos intervalos. Droga, viciei noutra barrinha de cereal (chocolate, fibras e ameixa). 90 cal. Se eu comesse só uma...

***

- Grávida???
- Siiiim!
- Quantos meses?
- Quatro.
- Nem sabia que vocês estavam tentando! Estavam?
- Que pergunta, é CLA-RO! ... ... Só que também não sabíamos.

Hoho.

***

Meu irmão:

- Quando é que nasce o coloradinho?

Uma ova. Providenciar uniforme tricolor, urgente. Unissex.
No Rio já está decidido: será Flamengo. Influência paterna, mais que justo.

***

Cariucho

Outro dia fiquei sabendo (mui ignorante, abafa): meu filho não será carioca da gema. Da gema é quando pai e mãe são cariocas.

Nosso caso, pai carioca e mãe gaúcha, será um(a) cariúcho(a). Cariúcho. Cariucho. Com ou sem acento? (Socorro, mãããee!).


TIME IS OVER. Fui.

13 setembro 2006

Como bem lembrou a Pati, estou há quase uma semana sem postar. Uma vergonha. Não me deixem mais fazer isso!

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Não que esteja sem assunto. Pelo contrário; são muitos. E também algum trabalho – ninguém é de ferro.

A futura mamãe aqui ainda não sabe o sexo do bebê. Segunda fui ao shopping da Gávea e tomei um susto: o segundo andar simplesmente foi invadido por lojas de bebês e crianças! (Claro que já estavam lá, mas eu não me ligava nesse assunto). É muito legal olhar roupinhas e sapatinhos e ficar imaginando uma criatura “made in minha barriga” desfilando por aí com aquelas estampas. Vestidinho? Bermudão? Ainda não sei. Ai, curiosidade...
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Todos querem minha barriga

Agora já está mais difícil disfarçar a gravidez. Quem não sabe, dependendo da roupa que eu esteja usando, ainda não desconfia. Mas quem sabe já percebe a protuberância do – perdão da palavra – útero. E eles vêm com tudo. Já mal me cumprimentam e logo partem ao que interessa:

- Oi-como-vai-blá-blá-blá, E A BARRIGA??? (Olhos curiosos na direção do meu – perdão da palavra - útero).

Gentilmente, abro o ventre à visitação pública. E nem cobro ingresso.

Os visitantes ficam com cara de quem observa arte abstrata; ainda não entendi direito o que vêem – se é um bebê pronto, uma criança já empacotada em fraldas, um reles embrião meio sujinho, ou, simplesmente, uma barriga. Branca.

- Aaahhmm... tomando forma!
- Olhaaaa! Crescendo, hein?
- Uaaau!
- Hummmm!

E por aí vai. Na dúvida, eu concordo com tudo. Não sei o que estão pensando, mas concordo. E sorrio muito.

- Não estou dizendo? – faço uma cara de mãe orgulhosa que exibe um boletim tudo 10.

Estou pensando em, daqui a alguns meses, organizar melhor esse negócio da visitação à minha barriga. Sabe como é, para não estressar a pobrezinha. Providenciar uma roleta, uns cones, estabelecer horários, controlar o fluxo... Claro, as pessoas mais “especiais” (parentes, etc) poderão ter um cartão VIP que dará direito à freqüência 24 horas por dia, sem restrições, free ticket, open bar...

Mas custará uma baba.

06 setembro 2006

Botando barriga

Disseram hoje, no Pilates:

“Você é o tipo da grávida que só vai botar barriga.”

Com isso, querem dizer que devo engordar mais é na barriga mesmo (algo assim). Mas que a expressão é gozada, lá isso é. Por mais que me esforce, não consigo me imaginar “botando barriga”.

E, quando consigo, a cena certamente é proibida para menores.

De mais a mais, o corpo da gente só a gente mesmo é que conhece. Cá entre nós, saibam que já ando, imaginem... Botando pernas.

E se o negócio é assim, de botar coisas, eu bem gostaria de fazer meu pedido como na pizzaria:

- Me vê uma bunda aí; meia Juliana Paes, meia Globeleza. Pra viagem, tá?

Ia botar a maior banca se pudesse botar essa superbunda. Hoho.


Do contra

História ótima que ouvi num programa de TV sobre o desenvolvimento dos bebês (só se fala nisso, é incrível!). A família andava doida para ouvir o pimpolho dizer a primeira palavra. Cada um apostava, vai dizer papai, não, vai dizer mamãe, vovó, titia, Totó, etc. Moleque, um dia, abre a boca e cala os babões:

“Água!”

Água???

Pois afogaram o pentelho na banheira, e foi bem feito. (MENTIRA! MENTIRA! Um pouquinho de humor negro, só para dar um clima...).

04 setembro 2006

Doce

Olhar o nariz da Heloísa Helena me dá uma vontade danada de comer cajuzinho.
...
Meu caso é sério?


Mulher que estamos no plural

Nós estamos temporariamente no plural, porque estou grávida.

Sendo assim, expandimos o útero e flexionamos os verbos – que, depois, voltarei ao tamanho natural singular.

Mas é bom que exageremos nos emos, imos, e sobretudo nos amos, enquanto assim ficamos.

Nossos benefícios são imediatos, porque é evidente que esperamos.

Temos permissão simbiótica para discordar da gramática, afinal, dentro de mim ovulamos, concebemos, crescemos, um dia nascemos.

Enquanto isso, tenho licença poética para estar toda prosa.

E como estamos!

31 agosto 2006

Piadinha maldosa

Bastou um brasileiro ir ao espaço, já sumiu um planeta. Dizem que a preocupação, agora, é com os anéis de Saturno...


Bem treinado

Essa não é piada. Liguei para a farmácia.

- Tem carvão vegetal?
Silêncio do outro lado. E o rapaz desembucha:
- Isso é para fazer churrasco, dona?

É, sim. Vou tacar fogo num comprimido e assar carne para o condomínio todo. Faz favor...

29 agosto 2006

Chuva torrencial

Acordei com o barulho da chuva, mas que chuva! Abri a janela do quarto e fiquei olhando para ela, com cara de pasma. As árvores se curvam, e as nuvens viajam rapidamente.

Não sei por que a pressa. É tão bonito assim.


Vai dar tudo certo

Dei bom dia à minha barriga, digo, ao meu filho ou filha: “bom dia, filhote-ota. Güenta firme aí, que a mamãe aqui está tratando das suas coisinhas. Vai dar tudo certo, viu?”.

Gosto de dizer que vai dar tudo certo. Foi a primeira “frase de mãe” que me veio à cabeça, então adotei como refrão pré-natal. Não era bem a minha praia – sempre muito desconfiada, ponho vírgula até em ditado consagrado, afinal, pode ser que sim, pode ser que não, talvez, quem sabe, quem foi que disse? Mas uma barriga crescendo, além de engordar, também nos vai inchando de alguma estranha confiança. Deve ser coisa dos hormônios, hoje em dia tudo são hormônios...

E Deus é justo: veja que até mesmo a celulite é capaz de apresentar uma contrapartida.

28 agosto 2006

Mais para baixo

Aqui em frente à janela do meu quarto (primeiro andar, lembrem-se) estão alguns rapazes, munidos de marretas, a abrir buracos no solo desde manhã cedinho até o cair da tarde.

(Uma mulher grávida sente muito sono. A tarde tem caído meio de lado ultimamente).

Mais adiante há outros buracos, e outros rapazes, e outras marretas, e muita sinalização em volta – de modo que não se enxerga nada do que há no meio, porque é muito bem cercado. Mas intui-se, pelo áudio. Uma pena que não tenham inventado cercas que isolem o barulho. Isso, sim, levaria meu voto.

Hoje cheguei em casa e perguntei ao meu sempre atento irmão:

- Isso aí é para fazer um bom esgoto?

Ele deu uma espiada e estalou o beiço, cético.

- Duvido. Deve ser apenas para empurrar as merdas mais para baixo.

Empurrar as merdas mais para baixo. Tá parecendo, Deus me perdoe, uma metáfora política do que nos aguarda em outubro – e em 2007, naturalmente.


Mais para cima

Essa minha empolgação alimentícia, superada a fase dos enjôos da gravidez, resultou em histórica disparada no ponteiro da balança rumo a caminhos pouco desejáveis, sobretudo porque ainda estou no (final do) quarto mês de gestação. A criança que me habita o ventre pesa algo em torno de 25gr., e provavelmente é ainda menor que um Playmobil, ou seja, não justifica um aumento do volume interno – vamos dizer assim – do modo como se apresentou, implacável, diante dos olhos do (ai) obstetra.

- É. Vamos controlando isto.

“Isto”, no caso, sou eu. Aliás, nós.

22 agosto 2006

Alimentos

Fomos viajar para a fazenda de uns amigos no interior de Minas. Broa de milho, pão de queijo, café com leite, silêncio e pássaros. Demos um pulinho em Tiradentes (gracinha), comi pato com molho de manga e cuscuz marroquino - não sei dizer se foi bem isso, mas a ave eu garanto.

Comi de um tudo. Até paçoca.

Com o fim dos enjôos, tenho me empolgado um pouco nas questões alimentícias. Outro dia, levantei de uma soneca à tardinha e me comportei assim: mandei ver um punhado de batata chips, cookie de café integral e uma fatia de pudim de leite. Pode?

Mas li no blog de uma (outra) grávida que ela teria comido um pudim in-tei-ro sozinha, então estou relativamente tranqüila. Por enquanto, estou fracionando os absurdos.


Bônus

Dia desses, juro que não tenho feito isso, mas cometi alguma indelicadeza da ordem das... indelicadezas, mesmo.

- Vai brigar comigo? – me arrependi no ato.
- (Bufada clássica). E eu vou brigar com mulher grávida??

Me senti na categoria Advanced Plus Exclusive Ultra Gold Premium. Mas é bom que tome logo jeito, porque essa mamata vence no próximo carnaval.