07 julho 2003

Paulinho num pulinho


O Altas Horas desse sábado era em homenagem à teledramaturgia. Lá foi o João Bosco, tocar suas músicas que foram temas de novela. Muito bom, como sempre.

Depois, entrou o – sempre tímido e encantador – Paulinho da Viola, que sentou no banquinho, tocou “Pecado Capital”, arranhou mais um refrão ou outro, e foi embora num pulinho. Só porque não tinha mais temas de novela para tocar.

Ah, francamente! Que desperdício de Paulinho...


Coldplay

Tinha um CD do Coldplay, presente não sei de quem, rolando de um lado a outro pelo nosso bagunçado carro. Nunca tive lá muita curiosidade de ouvir, mas confesso que me sentia um pouco envergonhada por não conhecer o tal Coldplay, tão citado, tão badalado no mundinho “não sou pop, sou cult”, ou “não sorria, você está sendo filmado”.

Quando o trânsito engarrafou na São Clemente (cada dia pior!), coloquei o disco para ouvir. Definitivamente, não tenho mais paciência para essas bandas em que o vocalista canta como se estivesse à beira do suicídio - alguns estão mesmo, e outros até foram bem sucedidos na iniciativa; ou mal sucedidos, depende do ponto de vista.

Gente, que choradeira é aquela?

Antes de entrar no túnel Zuzu Angel – depois de já ter passado todas as faixas adiante, à espera de um milagre que não veio -, coloquei a Alanis para gritar no meu ouvido. Pelo menos ela canta acordada!



Depois das coletâneas, apenas refrões


Vai chegar o dia, e não demora, em que as grandes gravadoras vão sugerir (com a sutileza que lhes convém) que os grandes artistas gravem, não coletâneas de sucessos, mas coletâneas de refrões de sucessos.

Tempo é dinheiro, e ambos andam cada vez mais escassos. Hoje em dia, música ideal de trabalho não passa de dois minutos (Renato Russo estaria em maus lençóis), ou o pessoal da rádio já manda a tesoura, e não quer nem saber quem é o pai da criança.

Ouvi dizer que um novo cantor bem sucedido, carioca, chamado Alex Cohen, iria aparecer ontem no Faustão. Cansei de ver o nome dele nos jornais e nos outdoors da cidade, mas nunca tinha ouvido o trabalho. Liguei no Faustão.

Contratado pela Som Livre, Alex está lançando o seu primeiro CD. E vai lançar o segundo, em breve, com o título “As Mais Pedidas da Noite” (ou algo assim). O repertório será montado com base numa “pesquisa”: depois de tocar “10 anos na noite” - como gritava Fausto Silva de dois em dois minutos -, o cantor selecionou as canções que mais dão IBOPE nos bailes da vida, e vai mandar bala.

Ontem, no domingão, Alex Cohen, talvez sem querer, dava uma palhinha do que eu, a profeta do apocalipse, modestamente prevejo para o mercado fonográfico brasileiro: cantava, das canções mais-mais-mais (pedidas, manjadas, repetidas), apenas os refrões.
Entre aplausos acalorados da platéia e gritos de “lindo! Gostoso!”, o cantor se esbaforia numa ginástica comovente, entre um instrumento e outro, mais microfone, a entoar os pedacinhos mais conhecidos dos mais conhecidos hits.

Imagine uma galinha viva, saltitante. Agora, imagine um nuggets de frango, seco e frito.
A galinha é a nossa amada música.
O nuggets é que o estão querendo fazer com ela.

04 julho 2003

Mãe.com X Mãe.sem


Minha mãe está sem computador. E eu fico aqui, esperando e-mails, como uma boba. Já me acostumei a ser uma e-filha, desde o tempo em que minha mãe tornou-se também uma e-mãe. Agora, isso.

Morar longe da família é uma merda, sim. Mas, filha que tem relação cem por cento com a mãe, é pior ainda. Eu poderia dizer que me vi livre do policiamento dela, aos 20 anos, quando saí de casa. Mas não havia policiamento algum.

Poderia dizer que me vi livre dos sermões, mas também não havia falatório, não havia chatice, não havia controle excessivo. Fui uma adolescente (quase) rebelde sem causa, e agora fico louquinha da vida, aqui, querendo saber como é que está o cabelo dela, se tem comido as frutas que meu pai compra, se tem rido bem alto, se está soltando os ombros, relaxando, meditando, dançando, levando a vida como ela merece.

Está certo, confesso que o que mais me tira o sono é a questão do cabelo. Questão de visualização. Como é que a gente vai deitar e rezar por alguém sem saber como está o cabelo da pessoa?

02 julho 2003

Buenas, moças e rapazes!

Acabo de ver aqui - 14 mil visitas, fico grata a vocês. Como vai todo mundo? Eu vou bem, mas um pouco (muito!) sem tempo para grandes posts aqui.
Assim que der, volto com novos textos.
Só passei para dar um oizinho mesmo.
Beijos.

29 junho 2003

Eu gostaria imenso de que meus acentos e demais sinais gráficos não aparecessem como pontos de interrogação aqui.

27 junho 2003

As coisas estão assim:

Bons pensamentos, boas memórias (para frente e para trás), boas vibrações. Otimismo incurável, vislumbre de paixão, deslumbre de vida.
Consistência muita, coerência razoável (o nome já diz), concordância restrita, discrepância plena – graças a Deus, amém.
O novo no ar, o povo por vir, o ovo pra ver.

Quem vier jogar (o jogo): xeque.

Quem vier borrar (o ovo): pinto.

22 junho 2003

Saudades

Violão de náilon
Música que “vem” prontinha
Buffet de sorvete
Um dia realmente frio (mas só um!)
Meu Gol verde (IFO 7070)
Jogar basquete ou vôlei ou futebol e voltar pingando pra casa
Barão da Torre, 445/apto 1001 – Ipanema, RJ
Manara Bar – São Leopoldo, RS
Bar do Joe – Garibaldi, RS
SESC Interlagos – São Paulo, SP
Verão em Magistério, RS
Quarto com carpete
Banheiro grande
Maradona (nosso finado cão)
Churrasco do pai com maionese da mãe (bodas gastronômicas)
Carioca da Gema – RJ
Faculdade (os corredores e o bar do Alemão, claro)
Humberto Gessinger Trio em Cruz Alta, RS
Ano Novo em Copacabana (1989-90)
Praia do Rosa, SC
Festival de Música do Colégio São Luiz (14/9/91, onde tudo começou)
Bate-papos no FREETEL (início da internet, quem lembra?)
Gincana no Colégio Sinodal – São Leopoldo, RS
Viajar com o Coral da Tia Ângela – interior do RS
T-u-d-o em Fredeburg, Alemanha (1988)
Morar nos “Blocos” – São Leopoldo, RS
Surfar muito mal e não ter vergonha disso
Estúdio Hit – Centro, RJ (2000/2001)
Festa-surpresa de 15 anos – garagem de casa, família e amigos
Ensaios na garagem – São Leopoldo, de 1991 até o dia em que construímos um estúdio na sala de visitas

Direto do Túnel do Tempo.
Buenas!

Meu fim de semana foi meio caído. Dormi muito, arrumei a casa, li um bocado. Bom, pelo menos ler - e assistir a (mais) um DVD do Friends – é coisa boa.

Minhas leituras estão cada vez mais confusas. Na “cabeceira”, que às vezes se confunde com a minha própria cama, tenho: Lolita (o livro), revista Época, Fisiologia da Alma (Ramatis, dando uma revisada), Rubem Braga (contos, relendo e aprendendo), Adélia Prado (sempre, sempre!) e Estação Carandiru - sempre chego até a página 100, depois me interesso por alguma outra coisa e não termino. Isso já faz anos.

Fora um “artigo” que encontrei outro dia, em papel azul, desta que vos fala, quando ainda tinha NOVE anos de idade. Acreditem, eu (já) andava em crise existencial. É mole?

Fora isso, um tempinho mais ou menos, um domingo sonolento, um irmão atirado no sofá e uma cunhada com TPM.

E é isso.

21 junho 2003

Banho demorado
Toalhas recém saídas da gaveta
Incenso de Rosa Branca
Enya
Pensamento demorado
Idéias recém saídas da cabeça
Essência de Rosa Branca
Plena
Sábado, pracinha, crianças
Pássaros, mocinhas, balanços
Cabelos, unhas, pele, dentes
Farelos, uvas, leite quente
Varanda e chimarrão.

Começou mais um inverno de mentirinha no Rio de (quase sempre) Janeiro.

19 junho 2003

E-mail que recebi hoje:

Super Pênis!

Com o MANUAL mais cobiçado da internet no momento, você aumenta o tamanho de seu pênis de 2 a 5 cm em 2 meses com exercícios absolutamente naturais. Aumenta também a sua potência, controle e volume da ejaculação, dentre outros benefícios. Programa completo com figuras ilustrativas explicando detalhadamente todos os exercícios. Fotos comparativas no site de pessoas que experimentaram essa técnica.

Eu mereço, né?

15 junho 2003

Vício da vez: DVD do Friends

É mais forte do que eu.



Ele não é um fofo???

13 junho 2003

Perdeu uma boa oportunidade...

...de ficar quieto. Ed Motta, em entrevista ao Sem Censura (TVE), disse que não gosta “desse negócio de fazer shows”. Prefere mil vezes o estúdio, porque, segundo entende, os shows são obrigações que o músico tem de, aos fins de semana, mostrar que sabe fazer aquilo que está gravado no CD.

Eu diria que não é bem isso, mas... caum, caum.


Jussara

Jussara, que faz faxina aqui em casa e na casa de uma amiga, é a fina flor da delicadeza. Fim do ano passado, minha amiga a deixou sozinha no apartamento, afinal, já era mesmo de confiança. Jussara deixou a chave com o porteiro, e o seguinte bilhete:

Dona Larissa,
o microondas deu um estouro e parou de funcionar. Fui abrir um pacote de macarrão mas deixei cair tudo no chão e, sem querer, pisei em cima. Acho que a senhora não vai querer mais, mas guardei no saquinho que está ali em cima da pia. Quebrei dois copos. E levei um guarda-chuva emprestado.
Muito obrigada pela confiança, e um feliz Natal.
Jussara.


Lembrei-me do episódio porque, hoje, Jussara veio fazer as dela aqui em casa. Sei que vocês não vão acreditar, mas é verdade: quando vi, a massa de lasanha (crua, daquelas de pacotinho) estava esparramada pelo chão da cozinha, e Jussara a pedir ajuda celestial – “aaaai, minha Virgem Maria, que foi que eu fiz agora...”.

Está tudo bem, Jussara, não faz mal. Sim, pode pôr fora, depois a gente compra outra. Não, Jussara, não vou descontar do seu cachê, digo, do seu salário, não se preocupe, imagina...

É que Jussara é tão artista, que me confundo entre cachê e salário. Nem me importaria de pagar cachê, desde que ela mudasse o repertório de vez em quando – e, em vez de massa, fosse pisar... sei lá, no arroz!


Santo Antônio

Hoje é dia de Santo Antônio. Pedi a ele um namorado bonito, inteligente, sensível, sexy, espirituoso, carinhoso, compreensivo, otimista, charmoso, sincero, leal e simples, porém sofisticado.

Sabe o que ele me respondeu?

Os dados não conferem. A santa das causas impossíveis é a Rita. Torne a ligar no próximo dia 22 de maio. A sua ligação é muito importante para nós.

11 junho 2003

apelo (Duda, Xandy, amigos do RS)

Queridos,
estou precisando saber o sobrenome do Luciano, aquele que gravou uma gaita na minha milonga. Alguém lembra?
O Volnei sabe - se alguém cruzar com ele (no bom sentido, claro), por favor pergunte e me avise... estou tratando da ficha técnica do disco, e me falta esse dado.
Obrigada, e beijos, estou com saudades.
!buenas!

Como vão vocês? Peço desculpas pelos transtornos dos últimos dias. Na verdade, eu sabia que o problema se devia ao fato do Blogger estar passando por mudanças; mas, pelo que me informaram, as coisas tinham voltado ao normal antes do fim de semana. Como o meu blog não voltava, e não voltava, e não voltava... bom, eu tive uma séria crise de abstinência (coisa que não desejo a ninguém), comecei a tremer, babar e andar em círculos, balbuciando palavras ininteligíveis, até que meu irmão me levou ao médico.

Na ante-sala, esperei que todos estivessem distraídos e dei um golpe de caratê na secretária, que caiu estrebuchada no chão, causando certo pânico em dois ou três senhores que estavam ali, lendo a Caras, e decidiram acudir a moribunda. Meu irmão tentava me acalmar, mas eu já estava mesmo conseguindo o que queria: tomei o lugar da secretária, digitei www.bibidapieve.blogspot.com e, pronto, tudo estava resolvido em segundos. Meu querido blog aparecia, intacto, ao meu alcance virtual. Foi um santo remédio.

Isso foi às duas e meia da madrugada de segunda-feira, como podem conferir no Shout Out.

Depois que deixei aquele recadinho a vocês, apenas tive o trabalho de implorar à secretária que não me denunciasse por agressão, e pude voltar para casa, completamente curada. Não do vício, é claro.

Afora esses percalços, estive muito bem nos últimos dias. Aliás, tenho estado muito bem, obrigada.


vídeo

Dica de comédia-romântica-açucarada-e-despretenciosa, com a Jennifer Aniston (Rachel, do Friends): Picture Perfect “Paixão de Ocasião”, em português. Filmezinho fofo, bem “mulherzinha”. Gostei.


cunhada

Lembram-se daquela propaganda do chocolate, onde a criança aparecia dizendo ao pai “compre Batom... compre Batom...”?
Minha cunhada – aquela, que sai com cada uma... – se apaixonou por uma bota lindíssima que viu na vitrine, e escolheu de presente do dia dos namorados. A partir de então, hipnotizava meu irmão: “Compre botão... compre botão...”.
Levou.


love is in the air

Sempre que eu ando pela Marquês de Abrantes, da praia de Botafogo até o Catete, só consigo topar com:

1. Mães arrastando crianças que arrastam mochilas, a passos de cágado, na minha frente;
2. Homens, das piores espécies, que não sabem apreciar um par de seios em silêncio;
3. Velhotes azedos, bebendo cachaça em padarias sujinhas, contando mentiras cotidianas e tirando meleca do nariz;
4. Senhoras mal humoradas fazendo a feira;
5. Britadeiras infernais, de 20 em 20 metros, a ensurdecer os passantes;
6. Sujeitos com pastinhas, apressados, pisando duro, com cara que quem está indo, mas não vê a hora de voltar.

Eis que, ontem, por um desses milagres do acaso ou do destino, mal pude acreditar quando dei de cara com o homem da minha vida: moreno, alto, trinta e poucos, óculos escuros, calça jeans desbotada e levemente desfiada na bainha não feita, cabelo por cortar, barba por fazer, sorriso por abrir, palavras por dizer. Enfim, um Deus semipronto (que graça teria um pronto?), do tipo que basta começar a conhecer para não querer mais parar de desvendar.

Mas eu vinha na contramão da rua e da razão. Apaixonei-me por uns segundos, até que nos cruzamos na calçada, e foi o fim da minha história de amor. Meu príncipe sumiu em direção ao centro da cidade; aquilo era praticamente um divórcio. Segui, descendo a Marquês das britadeiras, rumo aos velhotes e suas cachaças, aos quais deixei a embriaguez - mas, com toda certeza, surrupiei-lhes a ressaca.

Vejam como são as coisas. Deve ser a proximidade do dia dos namorados. Love is in the air. Logo eu, que nunca fui dessas coisas.

Prefiro pensar que ainda não virei uma mulher romântica. E que não vi nada naquele homem, além do fato de ser um bom comprador de botas em potencial.

08 junho 2003

mão única

Carolzinha acaba de me dizer, pelo ICQ, que consegue acessar meu blog tranqüilamente.
Minha mãe me diz, por telefone, que não consegue ver nada há dias. O mesmo ocorre comigo.

Será que é de família?

07 junho 2003

Começando a ficar sem paciência com o Blogger.

Saco, saco, saco!!!
Não consigo acessar meu blog há dois dias; e vocês, provavelmente, também não. A situação me confere o título, ainda que temporário, de pessoa desprovida das faculdades mentais - uma vez que discurso, inutilmente, com meus próprios botões virtuais, em busca de uma sensação que não existe, ou seja, a de dialogar com as caraminholas (ou seria CONTRA as caraminholas?) de vocês, conforme costume.

Aboletada em minha cadeira de praia - sim, eu uso uma cadeira de praia para escrever diante do micro -, o tempo insosso lá fora, ainda sofrendo com a indigestão de uma sopa de cebola que teimei em preparar para o almoço, embora soubesse que não ia dar em boa cousa (o nome já diz: sopa de cebola!), penso que deveria arrumar atividade menos solitária, infrutífera, intransigente e até mesquinha do que dividir sujeitos e objetos nada diretos com leitores impedidos de visualizar meu cafajeste diário virtual. Por obra do destino, do acaso, de conspirações do universo (como diriam os místicos) ou de preguiça mesmo (como afirmaria minha amada mãe), careço de idéia melhor, de modo que sigo, acomodada e até feliz na improdutividade típica de um sábado de junho carioca.

Ou, por outra: depois daquela sopa de cebola, o que vier é lucro.

06 junho 2003

Teste.
Raios,
o que há com meu Blog?

03 junho 2003



Se ele me pedisse em casamento:

(Resposta interna, imediata)
Falassério!! Onde é que eu assino???

(Resposta externa, depois de um minuto e um suspiro indeciso)
Tá bom, vai...

Agora, sério: Filme: The Unsaid - No limite do silêncio

Concordo com a crítica da Fabiane Secches.

02 junho 2003

Passei aqui para deixar um bom dia a todos, e ver se meu blog destranca. Desde ontem, tem andado meio mal das pernas; não sei o que há.
Segunda-feira agitada.
Hoje vai rolar ensaio lá na Tijuca. Alguém quer pedir uma música?
Beijos.

01 junho 2003

as abelhudas



Companheira fiel e impecável na hora de pagar um bom mico, minha cunhada Erica topou no ato: lá fomos nós, as abelhudas, ao show-matinê do Kid Abelha no ATL Hall. Um luxo só. O ATL estava, como diriam eles próprios, “bombado” de adolescentes e pré-adolescentes acompanhados de seus pais, tios, avós... uma banda super família, enfim.

Paula Toller segue cada vez mais linda, e, por mais que seja acusada de ter uma voz enjoadinha, quem entende um pouco do babado saca que é difícil encontrar tamanha segurança e precisão vocal numa só cantora pop. Não é para menos; ela tem formação lírica – pouca gente sabe disso -, estudou para valer, e não está de brincadeira. Criticar o timbre é fácil, ainda mais quando se trata de uma mulher apenas muito bonita, que não picotou os cabelos, não se encheu de piercings, não grita e não cospe no chão...

O resto é um belo show acústico, desses da moda, com um cenário lindíssimo, infestado de hits assobiáveis que exercem, com brilhantismo, a única função a que se propõem: ser pop.
teste.

31 maio 2003

Ana Lógica


Para quem me escreve e deixa recadinho perguntando se eu tenho uma banda e como é o som, eu respondo (e aproveito para fazer meu comercial): sim, eu tenho uma banda. Chama-se Ana Lógica.

Somos um trio – Lori Guimarães na bateia, Adal Da Pieve (meu irmão) na guitarra, e esta que vos escreve no baixo e vocais. Somos todos gaúchos, mas moramos no Rio de Janeiro desde 98. Viemos juntos, justamente para continuar o trabalho da banda, que começou há onze anos.

Em 2001, gravamos nosso primeiro disco, produzido pelo (experiente e excelente) Mayrton Bahia, que produziu discos de Legião Urbana, Adriana Calcanhoto, Elis Regina, João Gilberto, Engenheiros do Hawaii, etc e etc e etc... São onze composições minhas, e uma regravação do Caetano Veloso – Reconvexo, quem tem mais de 20 anos deve lembrar dessa música na voz da Bethânia: “meu som te cega, careta, quem é você?”.

O CD ainda não foi lançado, porque ainda não acertamos com nenhuma gravadora, mas acredito que, deste ano, não passe. Farei aqui o devido estardalhaço, podem deixar comigo.

O estilo da banda é uma coisa que adoram me perguntar, mas nunca consigo responder direito. Eu digo que é rock-pop-com-pitadas-de-nem-tão-pop-assim.

No disco, usamos alguns músicos de apoio nos arranjos – metais e teclados, além da sanfona do Luciano, um amigo gaúcho que, gentilmente, emprestou seu talento à faixa “Desvairadamente Feliz”, que é uma milonga. (Milonga, para quem não sabe, é um ritmo tipicamente gaúcho, com origem na Argentina).

Um beijo para ti, Luciano, que certamente não me lê aqui.

A minha voz é uma coisa que todos classificam como “diferente”, e eu rezo todas as noites para isso significar alguma coisa boa. No início, quando não havia a Cássia Eller e a Ana Carolina, diziam que eu parecia um homem cantando em algumas canções mais graves. Hoje em dia, dizem que eu pareço a Cássia Eller ou a Ana Carolina. Mas a verdade é que elas têm um registro vocal muito mais grave que o meu. Eu também sou contralto, mas não vou tããão grave, e flerto com uns agudinhos que, às vezes, lembram Paula Toller ou Marisa Monte, vamos dizer assim. E, quando eu canto em tons médios, lembra o timbre do Nando Reis.

Às vezes eu grito um pouco, mas não chega a parecer que estou tendo um ataque epilético. Talvez eu grite porque não tenho como fazer jogo corporal, porque minhas costas estão segurando um contrabaixo pesado, e minhas mãos estão ocupadas nas cordas dele. Assim, o único instrumento que posso usar para interpretar a canção é, de fato, a goela. E não gosto de cantar sem o baixo, porque parece que eu fico sem roupa.

As pessoas também me perguntam se não é muito difícil cantar e tocar baixo ao mesmo tempo. Eu respondo que é como dirigir: no início dá impressão de que vai ser impossível coordenar todos os movimentos, mas rapidinho acostuma.

Bom, acho que já falei demais sobre o som.

A boa notícia é que, em breve, teremos o site da Ana Lógica, onde vocês poderão conferir fotos, biografias, agenda, release, e ainda ouvir trechos de músicas em MP3.

30 maio 2003

Alugo seu filho por uma noite

Não, não sou pedófila!! Só quero ir ao show (matinê) do Kid Abelha, domingo, às 19h, no ATL Hall. Censura livre.
Pago o ingresso do seu filho, busco e levo, e ainda compro uma água durante o show – que sou contra dar refrigerante a criança.
Vai querer?

Sei lá, estou precisando ouvir músicas doces.

29 maio 2003

Rio, 18 graus


Dias “frios” no Rio de Janeiro. A cidade fica com um ar melancólico que eu, particularmente, aprecio mais do que aquela gosma quente que se forma sobre tudo e todos no verão, sol derretendo a moleira, senhorinhas gordas suando e disputando espaço à sombra das marquises, com suas sacolas cheias de frutas, desodorantes vencidos, a fala arrastada, o olhar perdido, os assuntos de sempre - que o filho, que a vizinha, que o marido...

No inverno, não. No inverno, o Rio é menos escaldante, menos seboso, menos atormentado. As senhoras vestem um agasalho e vão, no máximo, até a varanda tomar um chazinho com biscoitos. O marido fica achando que o agasalho é exagero, e ela nem revela, mas gosta mesmo é porque esconde um pneuzinho ou outro, aí o biscoitinho desce com menos culpa – algumas pensam “menas culpa”, e até dizem.

É tempo de muito vento na praia e ressacas no mar. Que coisa boa caminhar no calçadão sem o ininterrupto anúncio da goela do vendedor de biscoito Globo! E os engarrafamentos de fim de semana?

À noite, as boates recebem moças mais bem vestidas e maquiadas. A Lapa recebe os mesmos boêmios, que bebem a mesma caipirinha, que ouvem o mesmo chorinho, que batucam nas mesmas caixinhas de fósforo, mas é tão diferente: na volta para casa, o ar fresco da madrugada deixa tudo mais poético. Rola até um chapéu.

Os cariocas podem odiar esta época do ano, mas é quando a beleza estonteante do cartão postal está fazendo as unhas e colocando rolinhos no cabelo... Para que o sol volte a brilhar no próximo verão.

No inverno, o Rio de Janeiro continua lindo.

27 maio 2003

Família Eletrônica


E-mail da mamãe:

Oi, lindinha,
estou fazendo um esforço, soprando, soprando, pra ver se consigo enviar,
junto com a msg, um pouco do frio daqui. Verdade que ainda não está MUITO
frio, mas já dá para sentir o gostinho.



E-mail do papai:

Agora sou eu quem está passando este e-mail. Eu, quer dizer: o pai. Estou com saudades de vocês, pois tu e o mano só falam com a mãe no telefone. Aqui está tudo bom. Além disso,
tenho cuidado da mãe de vocês o melhor que eu posso, e quando posso e ela deixa. Faço almoço todos os dias e compro as coisas para o café da noite.Vou com ela passear em POA e na Serra, etc etc etc...
Um beijo grande grande grande em vocês, e sejam felizes e bonitos
sempre sempre.Tchau.



E-mail do irmão:

Vírus "Microsoft" implanta programa-espião
Segunda-feira, 19 de maio de 2003 - 16h08
SÃO PAULO - O cavalo-de-tróia Palyh@mm, também conhecido como "Microsoft", se propaga por e-mail e conexões de redes locais e instala um programa-espião no PC invadido. Os fabricantes de antivírus o classificam como ameaça de nível médio.
O Palyh chega num e-mail cujo remente é um endereço falso da Microsoft: "support@microsoft.com" - daí o apelido. O assunto e o nome do arquivo anexo variam. Se executado o anexo, um arquivo PIF, o programa varre o computador em busca de endereços de e-mail e usa um motor SMTP próprio para enviar mensagens a todos os endereços encontrados. Além de se propagar por máquinas ligadas em rede, o vírus se auto-renova entrando em contato com um servidor web. Com esse recurso, é possível que ele também possa roubar dados do sistema, já que deixa um porta aberta para a internet.
Carlos Machado, da INF

25 maio 2003

programinha solitário e antigo de sábado à noite

1 - Quase famosos
2 - Pecado original

24 maio 2003

Ricardo diz que estou enigmática. Acho que estou mesmo, até pra mim. Cada sonho...
Essa noite, sonhei que estava de mãos dadas com um ator da Globo, gaúcho, mais que quarentão. Não é o Werner, é outro.

Aniversário do meu irmão foi assim, agradável, em família – ou “em banda”, o que é mais apropriado se dizer, mas já virou tudo a mesma coisa. Encomendei salgadinhos na Rose, aqui do Recreio, e uma torta de chocolate trufada. E fiz uma coisa que eu chamo de canapé... Os meninos se esbaldaram.

Aliás, meu irmão apagou uma velinha de 19, comprada pela namorada. Como o amor é generooooooso...

Não vou revelar a idade dele. Mas, quando ele tinha 19, eu tinha 15/16, namorava um cabeludo de 20, dirigia um Buggy amarelo-ovo para lá e para cá, toda prosa, e tocava guitarra numa banda de rock.

No meu aniversário, fui apresentar meu namorado a meu pai. Aqueles momentos difíceis, mais para o moço cabeludo do que para mim. Ambos olhamos para minha melhor amiga, e dissemos: “tu vem junto!”

Ela já conhecia meu pai há um tempo, seria mais fácil quebrar o gelo com alguém por perto.

Fomos, a três. Chegada a hora, anunciei: “Pai, este é o fulano!”

E meu pai, olhando para ele e para ela ao mesmo tempo: “Ãhn? Qual delas? Esta, ou esta?”

O cabeludo avermelhou, e minha amiga gargalhava compulsivamente. E eu, embora não estivesse na dúvida, também não soube o que dizer.

Que situação mais injusta, eu fico pensando. Porque o fulano, por mais que quisesse, jamais poderia se dirigir ao pai da moça nestes termos:

- O senhor me desculpe, mas o único veado aqui é o senhor.

Pobres aprendizes de genro, já começam a engolir os sapos desde muito cedo. Trata-se de uma vingança que se prolifera ao passar das gerações; o genro, um dia, se tornará sogro. E a maldição segue, implacável.
Mas, como eu dizia, foi nossa época de (amarelo) ovo. Já quebramos a casca e a cara, já cantamos de galo, já galinhamos o suficiente.

Agora estamos tão convictos de nossa “adultice”, que enchemos a casa de balões coloridos e fizemos uma festinha toda decorada de... Homem-Aranha.

Com direito a painel na parede e chapeuzinho, claro. Senão, que graça?

22 maio 2003

eu mereço...

Não percam esta: o nome eleito para a prenda é Bibiana
o difícil

O difícil é quando você está muito bem, mas não sabe explicar o porquê. As pessoas perguntam, o dinheiro, o trabalho, o sexo, as novidades, e você não sabe. As pessoas querem muito saber dos motivos. Gostam tanto de fuçar razões!

Certa feita, fiz uma música que dizia assim:

“Eu não tenho escolha
não tenho palavras
não faço sequer sentido
mas eu não quero motivos
não quero prova
só quero e estar contigo”.

E eu nunca estive com ele.

E assim é a vida. Mas eu avisei, avisei que não havia sentido.

As razões da vida são leis que não “pegaram”. Mas sempre tem um guarda chato apitando na esquina.

20 maio 2003

uma coisa é certa

Uma coisa é certa: me aguardem...

18 maio 2003

Bibi Da "Pievi"

Fui saber hoje que tem um pedacinho de mim no Submarino. Só R$ 9,90!

Trocaram o Pieve por "Pievi", mas tudo bem, o livro não é meu mesmo...

17 maio 2003

Vocês não têm me visitado com a regularidade desejada, mas nem vou reclamar. Estou mesmo aquém do que meus amigos virtuais consideram uma moça boa de blog. Tudo bem, tudo bem. Não vou reclamar, já disse. Só um choramingo básico, tipo charme, que é para eu não perder o hábito.

(Fungada)

O que fizeram com aquele moço, o Marcos Pasquim, foi realmente algo assim meio estranho. Primeiro, deixaram o cabelo dele crescer, sujando um pouco aquela cara de bom moço; o que conta pontos a favor, claro.

Conseguida a façanha de transformá-lo em um homem interessante, decidiram fazer ainda “melhor”: o papel dele se destina a esbofetear as pessoas na rua, sem muito critério, a fim de (creio eu) tornar as cenas “de ação” mais atraentes. Blargh! Tudo em vão.

Quando vi o Marcos Pasquim de cabelo crescidinho, barba mal feita e óculos na cara, parei ali mesmo, interessada. Mas, quando ele começou a descer o pau na metade do elenco masculino da novela, minha esperança foi por água abaixo. Quanto mau gosto.

Não que eu espere grandes textos de uma novela, sobre tudo das 7h. Mas, pelo menos, as cenas de pancadaria gratuita, no maior estilo decadente-Van-Damme-de-ser, poderiam ficar de lado nesse horário tão juvenil.

Claro que estou equivocada e iludida; que o Jô Soares vai dizer que a televisão não influencia o comportamento das pessoas, que “todo mundo” (?) gosta de cenas violentas, etc. Já sei, já sei, tudo fica por isso mesmo.

A violência, afinal, é uma mazela social muito antiga, que é fruto da má distribuição de renda neste país, da falta de recursos nas camadas mais pobres da população, da falta de educação, blá, blá, blá. E, quanto aos mauricinhos malhados da Zona Sul, que tomam bomba nas academias e vão para as boates encher de porrada o primeiro que olhar para as curvas das suas namoradas, a isso se dá uma explicação psicológica muito elaborada, típica das nossas cabeças geniais do século XXI, que pode ser reduzida, em última análise, a uma só frase:

- É falta de Prozac.

13 maio 2003

Vamos lá, eu não estou legal.

Mas não é aquele “não estou legal” fechado, denso, sujeito a trovoadas. É apenas um – dá licença de eu não estar legal? Obrigada.

Nada vai explodir; eu não vou pensar que a vida não vale a pena, nem vou me atirar pela janela, nada disso. Talvez coma um chocolate, ou dois, ou três, e depois fique com a herança do mau humor, pequena e amarelada, bem na ponta do meu nariz.

Minto! A única explosão será esta, e talvez ela seja a pior de todas: a explosão do espelho.

Sonhei que alguém me perguntava: “vem cá, quanto tempo faz que você não chora, hein?”.

Não sei, não lembro. Não é meio pecaminoso chorar num mundo onde os livros mais vendidos trazem receitas “tiro-e-queda” para ser feliz? Que motivo há, afinal, para que o sujeito não se sinta completo, se, hoje em dia, é até possível trocar o refrigerante por um suco na sua Mac Oferta?

Outro dia eu passei numa banca, lá no Catete, e comprei a revista Nova, que eu não lia há anos, acho que desde a adolescência. Pois eu deveria ser contratada para trabalhar como ombudsman dessas revistas femininas. Taí, vou escrever para esse pessoal.

Faz um tempinho, também, que eu não consigo rezar direito. Sim, porque eu costumava rezar, mas ando meio dispersa até nisso. Deus que me perdoe, mas é a pura verdade.

Viram? Nem um texto eu consigo terminar com clareza, acabo misturando os assuntos.

É como se terminasse uma oração assim:

O pão nosso de cada dia nos dai hoje, perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido, mexendo o tempo todo em fogo brando, acrescentando sal a gosto, até que a morte nos separe, amém.

Rende quatro porções.

***

Dizem que o Garotinho anda declarando que, durante seu governo, investiu muito em educação. Prova é que, antes, as balas eram perdidas. Agora, estão ingressando na universidade.

11 maio 2003

MAMÃE !!!

Mãezinha, tua filhota te ama muitíssimo, e está com saudades. Parabéns pelo dia de hoje, e por seres assim tão poderosa e linda e querida e vitaminada e sarada e inteligente e cheirosa e carinhosa e linda outra vez.
No ano passado eu estava aí para te incomodar com minhas brincadeirinhas, meus beijinhos e minha imitação do Tubarão (tan-tan-tan-tan-tan-tan, lembra?). Infelizmente, neste ano o Tubarão está, literalmente, aqui no Rio, mas te manda zilhões de carinhos via Embratel.
BEIJO, MÃE !

08 maio 2003

Bobagenzinha muito legal

Clique aqui, depois vá em "Astrologia Reversa" e faça o teste.

Consiste em responder algumas questões sobre a sua personalidade, e depois ver se o seu signo corresponde mesmo ao jeito como você é. É muito engraçado.

No meu caso, deu que provavelmente eu sou do signo de Peixes. E que eu jamais seria de Leão.
Sobre o meu verdadeiro signo (que eu saiba), Sagitário, eles advertem:
"Não é verdade. Consulte seus pais sobre sua verdadeira data de nascimento."

Depois, quando eu digo que a culpa é de mamãe...
Recadinhos Básicos:

- Duda, querido, não tenha pressa...
- Xandy, amei te ver aqui.
- Ricardo, obrigada pelos ELOGIOS! Posso te ligar quando eu ficar deprimida, para você me lembrar deles?? (risos)
- (ma)Luka, eu estou ótima, graças a Deus. E a senhorita? Treinando para aquele futebol que marcamos, mas nunca jogamos?
- Paula: vamos trocar figurinhas de esquisitinhos um dia?
- Carolzinha, sua atrevida! Sem comentários!! Saudade de falar contigo, guria.


Sortuda da Semana:

Camila Pitanga.
Hohoho
Aqui no Rio, à noite, tem feito um friozinho de gelar a ponta do nariz. Fico ali na varanda, de moletom, sentindo o cheiro do amaciante nas roupas limpas, olhando a lua pela metade e as Três Marias, naquela fofoca celestial interminável.

Meu sonho de consumo é um laptop; ainda acho que o melhor lugar para escrever é na cama.

Estou apaixonada por uma melodia do Paulinho da Viola (pareço velha falando “uma melodia”, mas é isso mesmo que quero dizer), chama-se “Para ver as meninas”. Sabe quando passa um dia, e outro, e outro, e aquilo fica cantando nas entrelinhas da consciência? Pois é.

Às vezes eu pego o violão e toco, e me decepciono com a minha incompetência. Tem gente que considera os próprios limites um desafio; eu tenho vergonha de dizer isso, mas sofro de uma preguiça homérica e devastadora. Até pecado. Fazer o quê?

Há tanta coisa para se entreter na vida, que dispersa. Eu admiro aqueles virginianos obcecados e perfeccionistas, e admiro os geminianos práticos e geniais, e os arianos que vão abrindo o caminho com a cabeça, feito as cabras mesmo. Queria ter essa determinação toda, mas me falta a persistência. Acho que olho muito para os lados.

Sabe aquela história de viajar de trem e ficar olhando para os lados, né? Quando você desce, acaba ficando tonto, e cai. Se conseguir manter o olhar à frente durante o trajeto, quando descer, vai sair andando naturalmente, sem problemas.

Eu sei que vocês gostam mais quando eu escrevo coisas engraçadas.

Então eu vou contar uma coisa. Ontem, gravei toda uma música no computador (só a voz), e depois ouvi uma vez e gostei. Coisa rara. Antes de salvar “a melodia”, chutei a extensão que liga o estabilizador à tomada.

Tá bom, isso não é muito engraçado. Se tivesse faltado luz, pelo menos eu poderia xingar a mãe de outrem. Mas, chutar o próprio estabilizador?

Um terapeuta diria que isso é sintomático, e questionaria (eles nunca perguntam: “questionam”), afinal, que estabilidade é essa que você está desejando quebrar?

Não sei, eu diria. Mas ele diria: no fundo, no fundo, você sabe.

Talvez eu esteja mesmo querendo cortar algumas correntes.


p.s.: Por que há pessoas que insistem em mandar e-mails enormes que eu nunca pedi? Que falta de netiqueta!

05 maio 2003

“Big Man”, refrigerante e fritas


Tem uma reportagem na Marie Claire deste mês que se destina a revelar que nós, mulheres solteiras, não estamos sempre à procura de reverter esta situação. Que há muitas mulheres inteligentes, bonitas, bem sucedidas e até muitas sensíveis que preferem dedicar suas vidas a si próprias; ou seja, foi-se o tempo do medo de “ficar para titia”.

Até aí, tudo bem. O que me chamou a atenção foi perceber, através de alguns depoimentos, que estamos tratando os homens (nossos amigos, namorados, amantes e até maridos em potencial) com um capricho digno de comercial de fast-food:

- Posso trocar minha batata frita por uma salada?

Uma entrevistada garante que se relaciona bem com o sexo masculino: ela tem um amigo para ir ao cinema, outro para acompanhá-la nas compras, outro para longas conversas filosóficas, outro para dividir uma garrafa de vinho e outro, ainda, para transar de vez em quando. “Mas cada um no seu setor” -, completa.

Cá entre nós: será que não estamos exagerando um pouco? Desse jeito, não há ser humano que seja capaz de “preencher todos os requisitos”. Nós não aceitamos o “número um” ou o “número dois”, com tudo que tem direito, como veio de fábrica. Queremos um pacote personalizado, um homem à nossa altura, encaixotado e quentinho, pronto para o consumo.

Queremos amá-lo como ele é, desde que seja perfeito.

- Posso trocar o refrigerante por um suco?

- Pooode -, responde aquela voz acolhedora, simpática e deliciosamente fora da realidade. Sim, porque o “Big Man” com fritas e refrigerante (ou suco, ou água, conforme o gosto da freguesa) é tão humano quanto o Frankstein.

O título da reportagem já diz: “Mulher solteira não procura. Mas quer achar”. No fundo, bem no fundo, todas nós carregamos uma pontinha inconfessável de inveja daquele casal lindo que empurra o carrinho do bebê pela faixa de pedestres, justamente quando estamos apressadas, querendo que o sinal abra logo para chegarmos em casa. E o que nos espera hoje? Talvez um amigo-fritas, ou um amante-Coca-Light.

Está certo que ninguém precisa engolir sapo e arrotar príncipe, mas vamos pegar leve, e admitir que estamos morrendo de medo de perder o “status” de mulher moderna e independente, caso dê o azar de alguém nos flagrar indo buscar a cervejinha na geladeira enquanto ele assiste à final do campeonato no sofá.

Pior que isso: estamos é perdendo o talento para as relações humanas. Resolvemos entender das máquinas, das estatísticas e dos gráficos, e estamos anestesiadas pela exatidão de um universo que é tão fascinante quanto desumano.

Do jeito que a coisa vai, qualquer dia vamos injetar no travesseiro um “aroma artificial sabor homem”. E dormiremos tranqüilas, na segurança da solidão disfarçada de opção.

03 maio 2003

Eu criei este blog para exercitar a escrita, principalmente. E também para me exibir um pouco! - diria meu ego sagitariano, com a mão na cintura, batendo o pezinho e me olhando com cara de “arrá, te entreguei!”.

É vero.

Mas minha mãe, que mora em outro estado, diz que percebe o meu estado – não o geográfico, mas o de espírito – por essas mal traçadas linhas virtuais. Coisa que põe por água abaixo toda a minha pretensão literária, aliás.

Mas, não tem nada. Certa feita, eu devia ter uns doze ou treze, ao responder àqueles enfadonhos interrogatórios a que somos submetidas na adolescência, sobre “como vão os namorados?”, afirmei:

- Não tenho namorado, mãe, porque sou feia. E meninas feias não têm namorado. (O beiço de “Bibi, A Feia” ia daqui ao Arpoador).

Pensando que ela, como boa mãe, fosse enumerar minhas qualidades estéticas, redundando se fosse preciso, enfatizando talvez a minha pele de pêssego e o meu cabelo impecável (que até eu mesma achava bem interessante), caí do cavalo. O argumento veio em forma de um questionamento que me fez – e me faz – gastar horas aboletada num divã:

- Não tem namorado porque é feia? Então me responda: com quem os meninos feios namoram???

Silenciei, reflexiva e decepcionada. “Comigo, claro”, pensei. Para as meninas bonitas, homens bonitos. Para as meninas feias, homens feios.

Exagerei um pouco quando inventei de namorar um guitarrista cabeludo que não era lááá um exemplo de beleza convencional, ou, por outra, usando uma expressão da moda – “fugia dos padrões”. Minha mãe se assustou com a minha escolha, mas não pôde esboçar um “ai”, já que o conselho, afinal, fora dela. E sempre fui muito de seguir as coisas ao pé da letra.

Ocorre que acabei pegando gosto por homens que “fogem dos padrões” (alguns se revelam verdadeiros maratonistas na contramão dos padrões vigentes, se é que me entendem, e é a esses que mais me prendo), justo por culpa de mamãe. Depois que comecei a fazer análise, tenho sentido confortante sensação de alívio, uma vez que 99% dos meus atos falhos, meus problemas e minhas eventuais cafajestices são, no fim das contas, culpa de mamãe.

Mamãe, que sempre foi minha referência feminina, seguiu sua própria lógica da estética, e casou-se com o bonitão do meu pai - um metro e oitenta e poucos, moreno, charmoso, etc. Ela, que sempre foi linda, abocanhou o vivente, filho de dona Manoela, com quem divide os lençóis até hoje.

Minha mãe já foi até Miss, contei a vocês?

Mas eu, por conta de uma crise de adolescência, fui condenada a flertar com tribufus, até que a morte nos separe.

Culpa de mamãe.

28 abril 2003

Bom dia !!!

Só passei para deixar um ótimo dia a todos vocês, bom início de semana e fim de mês.
E um link interessante (abaixo) sobre o nosso secretário de segurança. Vejam:

“Com toda certeza Garotinho está mirando na sua candidatura à Presidência em 2006. Ele estava querendo ser secretário de Segurança desde antes da eleição da Rosinha”, afirma o cientista político Luiz Antônio Machado, do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj). “É a última bala do revólver”, sentencia.

leia mais

Beijos!

27 abril 2003

O Segundo Caderno


Aqui em casa, temos o seguinte código de ética: quando chega o jornal, o primeiro que o pegar deve, cuidadosamente, separar o Segundo Caderno e posicioná-lo no seu devido lugar -o banheiro.

O Segundo Caderno é somente lido no instante em que a pessoa estiver, digamos, acertando as contas com suas particularidades fisiológicas. Uma leitura leve, despretensiosa, perfeitamente cabível num momento de relaxamento, quando não se deve tomar sustos com a nova subida da gasolina, mais um tiroteio na Linha Amarela, ou ordens do tráfico. Nada disso. A fim de zelar pela regularidade e pelo bem-estar do intestino, elegemos as notícias culturais e os quadrinhos para esse período íntimo e introspectivo.

O Segundo Caderno já está tão arraigado no nosso cotidiano domiciliar, que se tornou parte das leis da família. É expressamente proibido, por exemplo, ler o Segundo Caderno no sofá ou à mesa. Quem o fizer estará sendo antiético e até mesmo anti-higiênico, uma vez que a prática dos exercícios fisiológicos está intimamente ligada à leitura desse pedaço do jornal.

Caso a pessoa queira “ler o Segundo Caderno” (entre aspas) mais de uma vez no dia, fica valendo a Lei da Substituição, ou seja: ela pode lançar mão do Caderno Barra (quintas e domingos), Revista da TV (domingos), Rio Show (sextas), Prosa & Verso (sábados), ou ainda Revista Megazine (terças).

Por absoluta falta de condição literária, portanto, fica sendo considerado grave delito o ato de evacuar duas vezes às segundas e quartas.

(Para melhor cumprimento dessa lei, também pensamos no cardápio: domingos e terças, nada de frituras ou muitos temperos).

Para se ter uma idéia do quanto é levado a sério o código do Segundo Caderno, outro dia uma amiga me telefonou, e minha cunhada atendeu. Absolutamente constrangida, falando baixinho, avisou:

- Olha... a Bibi está lendo o Segundo Caderno... hehe... eu peço para ela te ligar daqui a pouco, tá?

Minha amiga não entendeu o que poderia haver de tão sério naquela leitura, que não podia ser interrompida.

E não pode mesmo. O Segundo Caderno é coisa muito séria.
Ainda o cartão de crédito

Certa feita, clonaram o cartão do meu pai. E ele descobriu a tramóia num hipermercado, após encher o carrinho de compras, ao ser barrado no caixa.

Isso foi em Belo Horizonte, em 99.

O nome do hipermercado? Extra!

- Filha, li no teu blog a história do cartão de crédito. Lembra quando clonaram o meu? Pois é, foi justamente no Extra! Sabe o que estou achando? Que eles barraram o teu cartão porque já conhecem o histórico da família... hihihi!

Coincidência pouca é bobagem.
Alou!

O Carioca da Gema estava, como sempre, “supimpa”. Teresa Cristina e sua banda sabem o que estão fazendo. O bar estava lotadão, como sempre, mas dava para dançar. Com um pouco de paciência e boa vontade.

Minha cunhada dizia: “Tem que se impor! Tem que se impor!”.

Nos (im)pusemos na fila do gargarejo. Noite 10.

25 abril 2003

Quem vai saracotear ao som da Teresa Cristina, hoje, no Carioca da Gema?

Eeeeeeeu !!!

Saudade da Lapa. Você não vem?
Meu cartão de crédito estava bloqueado porque atrasei uns dias o pagamento. Paga a fatura, esperei uns dias, e liguei para a central de atendimento às 8h da manhã de ontem:

- Eu gostaria de saber se o meu cartão já está desbloqueado.

- Sim, senhora. Está pronto para as compras.

Fui a elas.

Meio-dia, estou com o carrinho do supermercado cheio, e empaco no caixa.

- Não estão aceitando o seu cartão, moça.

Fui ao balcão, de onde tentaram de novo. Nada.

Ligaram para a central, lá do supermercado, e me colocaram no telefone com uma atendente. Ela me explicou que o meu cartão estava bloqueado para compras, por conta do atraso.

Ainda calma, esclareci que tinham me dado uma informação diferente, e só por isso eu saí de casa para fazer as compras do mês.

Ela não podia fazer nada. E me passou para outra moça, que me ouviu e argumentou a mesma coisa, depois me passou para outra moça, que fez o mesmo, e depois outra, e outra... enfim, moças intermináveis, mas sempre com musiquinha no meio.

Nisso, já havia uma dúzia de gente ao meu redor - atendentes, ajudantes, clientes esperando para ouvir moças e musiquinhas, e ainda curiosos querendo saber como a caloteira aqui iria se virar, e pensando - "bem feito, pegaram!".

Para a Juliana, a última das moças, solicitei o cancelamento do meu cartão de crédito. Já que não se podia fazer nada para reparar um erro que foi deles, eu desejava cortar qualquer vínculo com a empresa.

- Mas a senhora é cliente há tantos anos...

- Por isso mesmo, Juliana, eu achei que merecesse respeito.

Foi tudo em vão.

Resultado: a Juliana quis negociar. Acabei não cancelando o cartão, mas ganhando o resto das anuidades de 2003 grátis, por conta do mal entendido.

Mas o mico que eu paguei devolvendo as compras depois de tudo, como eles próprios dizem, não tem preço.

Vou à justiça. Me aguardem.
O empresário Roberto Medina, que agora vai fazer o Rock in Rio em Lisboa (??), disse, em entrevista para o jornal O Globo, que ainda nem pensou nos artistas que irão tocar no festival:

- Isso não é importante -, esclareceu.

Depois, ainda completou o pensamento. Afirmou que, se tivesse colocado uma vaca no palco do RiR III, em vez de shows de rock, as pessoas teriam ido do mesmo jeito. Que o negócio é a mídia.

Uma vaca.

Meu irmão, naquele estilo zen-irritado que ele tem:

- Ué, se a mãe dele não ficar constrangida com o público, acho até uma boa idéia...
O ingresso para a peça Intimidade Indecente, com Irene Ravache e Marcos Caruso, custa R$ 40,00.
Bota indecente nisso!
Jô Soares entrevistando o RPM. Paulo Ricardo dizendo que, quando a banda acabou, ficaram todos com um sentimento de arrependimento - que ficara uma coisa mal resolvida, etc.

Detalhe: quando ele virou cantor romântico, dava entrevistas dizendo que tinha "se encontrado" com aquele estilo, que jamais pensava em voltar a fazer rock, que o fim do RPM tinha ficado super bem resolvido. A praia dele era outra, enfim.

Perdi o respeito.

E, outra: realmente, ele deveria ter continuado cantando aquelas baladas românticas, porque o que se apresenta hoje como RPM é uma caricatura desgastada pelo tempo, uma reles releitura desbotada daquilo que já foi uma banda de rock original.
Quatro quarentões, visivelmente constrangidos, tentando seguir uma linha que se perdeu no tempo - e, não adianta, não volta mais.

Algo como uma crise de meia-idade no mundinho pop.

Poderiam (e poderíamos) ter dormido sem essa.
Com essa do Garotinho, fiquei até desplugada, desconexa, desnorteada.
Rosinha, não. Rosinha só deslavada.

23 abril 2003

Buenas, macacada!

Faz uma linda manhã de outono carioca. Hoje é dia de São Jorge, salve Jorge, estou animada e ninguém tasca. Apesar de um mosquito ter me tirado o sono à noite, a zumbir melodias enfadonhas nos meus ouvidos enquanto eu tentava puxar o ronco sagrado que me é de direito - mas não tem nada, não tem nada, nenhum inseto desafinado vai me tirar o prazer de viver, sobretudo a esta altura do campeonato, quando o verão bate as botas tão lindamente no Rio de Janeiro, levando consigo temperaturas indecentes, aglomerações quase obscenas nas praias, e turistas azarados que só vêm engordar os índices de assalto nesta cidade maravilhosa, e depois ainda saem falando mal.

Deixem-nos, a sós, com nossas belezas naturais, nossas mazelas criminais, e que tais - e retornem a suas pacatas residências européias, de rotinas triviais, de motivos florais, e quintais.

Estamos muito bem, à beira-mar mesmo, ou nem tanto, afundando um barquinho ou outro, enfrentando um trânsito de balas perdidas, enfim: vivendo e aprendendo a jogar.

Agora vou ao mundo, e que São Jorge nos proteja das maledicências e dos urubus à toa.

Hohoho.

20 abril 2003

recreio dos bandeirantes - rj



Este é o lugar onde eu moro.
Convidei meus pais para morarem aqui comigo, mas eles resistem.
Pode??

19 abril 2003

Coelhos & Telégrafos

Feliz Páscoa!

Hoje chegou um Sedex. Meu pai mandou, lá do RS:

- 3 caixas de chocolate de Gramado (sem os quais não há Páscoa de verdade),
- 1 exemplar da revista Rua Grande (da minha cidade),
- vários creminhos (eu) e pós-barba (meu irmão) da Avon,
- 1 porta-retratos com uma foto que ele tirou de mim quando veio nos visitar (o ó!),
- 1 porta-retratos com uma foto do meu irmão com a minha cunhada, que ele tirou... (idem),
- 1 recorte de jornal sobre uma gravadora que “abriu” na minha cidade, São Leopoldo. Chama-se “SL4 Music”, se não me engano.
- 1 CD que eu havia pedido, do Renato Borghetti (ao vivo, na Áustria. Maravilhoso).

Tudo isso – e mais alguma coisa que eu devo ter esquecido – veio dentro de uma caixa de espremedor de frutas Arno. Bem embaladinho, cheio de fitas adesivas, com meu nome bem em cima. E uns jornais amassadinhos, preenchendo o espaço vazio. Para não quebrar nada.

Pode dizer: ele é muito fofo!

Faz cinco anos que eu moro no Rio de Janeiro. Não fiquei uma Páscoa sequer sem receber esses doces carinhos via SEDEX.

16 abril 2003

“DOURE AS BATATAS” – da culinária enigmática


Gosto muito de ler. Leio revistas e livros de vários estilos, e leitura nenhuma me assusta – à exceção da culinária.

Acho o texto culinário, além de enigmático, um pouco mal intencionado. Por mais que tente, não consigo deixar de pensar que, “do outro lado”, alguém deve estar rindo de mim – enquanto tento fazer ingredientes, tigelas, eletrodomésticos e ordens expressas do tipo “DOURE AS BATATAS” entrarem num consenso antes que minha cozinha vire um crematório à milanesa.

Outro dia, no jornal, havia mais uma dessas enganações do tipo “trago a pessoa amada em três dias”. Dizia lá, bem no topo da página, em letras enormes: “receitas fáceis e rápidas para recém-divorciados”. Tá bom.

Dei uma espiadinha, quase querendo cair no conto deles. A primeira receita era de um frango empanado, muito fotogênico, aliás, mas cuja parte técnica era – como de praxe – uma embolação de termos vagos amarrados a verbos de significado duvidoso. Para fechar com chave de ouro: “sal a gosto”.

Vamos combinar uma coisa: se eu procuro uma receita, é porque não tenho a mínima idéia de como se faz aquilo. Portanto, não me venham com “sal a gosto”, que a única coisa para a qual o meu gosto tem talento é pedir uma pizza. Afora isso, por favor, medidas muito bem especificadas.

Outro problema do texto culinário é a falta de gentileza com quem, definitivamente, não entende do riscado. Eles costumam partir de pressupostos equivocados – como, por exemplo, que você “já sabe” fazer tal coisa, ou que determinado procedimento “é óbvio”; então, não precisa ser explicado.

Ledo engano. E, aqui, volto ao exemplo das batatas. “DOURE AS BATATAS”. Como assim?

Sem vergonha nenhuma, admito que não tenho a mínima idéia de como se deve dourar batatas. E, quando não se conhece a solução para um problema, a vastidão do universo passa ser considerada válida. Daí o desastre.

Posso tentar jogar as batatas numa frigideira com água e sal, bem como posso metê-las no microondas, ou ainda no forno a gás, com orégano, ou azeite, ou mostarda (para dar uma “corzinha”, vai saber?). Se nada disso funcionar, também posso levá-las até a praia e passar Cenoura e Bronze no corpinho delas.

Portanto, “DOURE AS BATATAS” é vago, muito vago. É como dizer “gire a chave, engate a primeira e acelere” – quando o sujeito não sabe nem para que servem aqueles pedais.

Pobres dos recém-divorciados que, como eu, pensaram que poderiam se ver livre das prateleiras dos congelados. Garanto que até tentaram empanar o tal frango fotogênico - que prometia mundos e fundos, mas, na verdade, não passava de mais uma conspiração covarde contra o consumidor.

Tenho para mim que aquelas “receitas fáceis e rápidas...” eram, na verdade, anúncio pago pelas redes de pizzaria com tele-entrega. Esses, sim, lucraram.

Má idéia, não é.

14 abril 2003



O nome desse cara é Fher Olvera, ele é vocalista do Maná - banda mexicana que muito aprecio há anos, e que agora vem tendo um destaque enorme no Brasil. Recém ganharam o Grammy de melhor disco de rock latino, e estão com música em novela; vocês devem ter ouvido falar.
Recomendo.

12 abril 2003

Hoje faz um sábado cinzento, e venta um pouco. Está tudo tão gostoso, que eu fui à padaria só para comprar um sonho, e comi sentada na varanda – olhando para a praça vazia. Sonho de doce-de-leite (doce deleite?).

À medida que vai escurecendo, as ruas vão se esvaziando ainda mais, e a impressão que dá é a de que todos estão em suas casas, bebendo cappuccino com as famílias, tranqüilos. Conversando sobre coisas amenas, entre pausadas constatações de um vazio que só pode ser percebido assim, em dias nebulosos.

Não fosse o meu vizinho.

O vizinho está cantando, ou melhor, está teimando em cantar num videokê ameaçador que apareceu de uma hora para outra. Alguma coisa me diz que esse aparelho ainda vai me tirar o sono. Ele canta “my way”, e de novo, e de novo, numa insistente performance que poderia ser chamada de ensaio – se, evidentemente, houvesse algum progresso no decorrer da prática. Coisa que não há.

Agora mudou para aquela música tema do “Ghost”. Pode?

Tudo bem, o meu vizinho raramente incomoda. Está sempre muito, mas muito calmo mesmo, uma vez que é fiel adepto de uma vertente pouco ortodoxa da fitoterapia. Cada vez que ele acende a fitoterapia dele, eu sinto daqui o odor. Horas depois, fatalmente um entregador de pizza toca a campainha ali na frente, e de novo, e de novo. Meu vizinho não abre a porta. E de novo, e de novo.

Vou até o corredor, e questiono o entregador, que já está conformado com a demora: é assim mesmo. Ele sempre pede pizza, mas raramente lembra que pediu.

São os efeitos colaterais da fitoterapia. Dizem, dizem.

10 abril 2003

no meio do caminho, havia uma pá


Ontem, depois de varrer a casa, resolvi deixar a vassoura e a pá do lixo (que é de lata) encostadas na parede que fica em frente ao banheiro. Mais de uma vez, fui ao banheiro e tive que cuidar para não enfiar o pé na pá. Pensei: se alguém chega aqui, distraído...

Alguém, é claro, só poderia ser o meu irmão.

Então, um novo pensamento surgiu. Meu irmão sempre acorda às 7h da manhã. O meu relógio desperta sempre às 8h, mas gosto de ter um tempinho na cama antes de levantar. Se eu deixo a pá aqui, é bem capaz do meu irmão me acordar (via pá) às 7h. Assim, terei uma hora para ficar me espreguiçando na cama, antes de me levantar. Rindo baixinho, claro.

Deixei a pá ali, encostadinha na parede. Quando ele chegou, à noite, deve ter visto, mas desviou – depois de um dia agitado, é mais fácil prever pás no meio do caminho. Ele não disse nada. Foi dormir.

Hoje, exatamente às 7h, não deu outra: BLÉIM!!!
A pá foi implacável.

Que maldade. Hihi.

05 abril 2003

Valeu, Carolzinha!

Retomando:

Roberto Bataglin


Marcelo Anthony

04 abril 2003

QUE SEM GRAÇA!!!

Eu quis linkar as duas fotos abaixo mencionadas, mas não deu certo. Tem que clicar para conferir o bofe.
Esclarecendo: o primeiro é Roberto Bataglin, e o segundo é Marcelo Anthony (sugiro que cliquem mesmo!).
PAISAGEM

src="http://dirce.globo.com/Globo/photo_Show/0,7329,54924,00.GIF">

Semana passada eu voltava da praia, quando dei de cara com a figura acima estampada, montada numa bicicleta, pedalando bem na calçada do meu prédio. Com o filhote na garupa.
Quase caí no meio-fio. Pensei que aqueles olhos fossem dois holofotes. Ceguei.


src="http://www.terra.com.br/exclusivo/img/news20030330006.jpg">

Dias depois, dormi no ônibus, e acordei num engarrafamento na Delfim Moreira, no Leblon. Olhei para o lado, e dei de cara com "o próprio" (acima), de bermudão verde-água (aquele, vocês podem conferir na novela). Sem camisa. Gravando.

Dormi de novo, e sonhei com os anjos.
A GABRIELA QUE VEIO A PASSEIO


Uma menina linda, chamada Gabriela, trabalhava de manicure num salão de beleza de São Leopoldo, minha cidade. Fui lá algumas vezes, e a Gabriela pintou minhas unhas. Mas eu saía sempre pensando: “essa menina tinha que ser modelo, e não ficar aqui fazendo mãos”...

Não deu outra. Gabriela ganhou, de aniversário de quinze anos, uma viagem para o Rio de Janeiro. Veio para a casa de uns parentes, ia ficar só uns dias. A passeio.

A passeio, foi conhecer o BarraShopping. A passeio, foi descoberta por um caça-talentos de uma agência de modelos - que a abordou num corredor, e convidou-a para fazer uns testes.

Passou nos testes, e acabou-se o passeio. Ou, melhor: Gabriela agora está “passeando” nas passarelas, morando aqui na cidade maravilhosa, feliz e esperançosa da vida. Nunca imaginou.

Não é uma história bonitinha? Pois é, verdade verdadeira.



TERRA DE VAGAS MAGRAS

Já eu, que não tenho os olhos azuis e o semblante angelical de Gabriela, posso até fazer uma vala nos corredores do BarraShopping, que não vai ter jeito: ninguém vai me querer para desfile.

Conformada com minhas qualidades estéticas bem comunzinhas, e até meio satisfeita com elas, estou procurando é um emprego de gente normal, pela primeira vez na vida. Sim, porque trabalho com música há 12 anos, mas já vi que isso não conta muito; tenho certa dificuldade de me cadastrar nos formulários das empresas, que, normalmente, classificam minhas experiências com uma só palavra: “Outros”.

Eu sou da turma dos “outros”, portanto. Não tenho nome de empresa anterior para citar, não tenho quem me indique, quem me reconheça, quem me recomende, nada. O pessoal que recebe meu currículo deve pensar que eu não tenho sequer função.

Pensando bem, eu tenho, sim, uma função: outros.

Quanto será que eles pagam para o pessoal do cargo “outros”? É o que tem me tirado o sono, uma vez que o telefone não toca, não recebo e-mail, carta, convite para entrevista, dinâmica de grupo, etc.

Confesso, tímida, que nunca fiz uma dinâmica de grupo. Contam as minhas amigas que costuma ser uma coisa bobinha, mas eu, como nunca tive a experiência, acho chiquérrimo. Estou louca para fazer uma dinâmica de grupo, não vejo a hora.

Minha máxima noção de dinâmica de grupo, até hoje, foi fazer um sinal para o guitarrista na hora do solo, ou, na falta de outro membro disponível, levantar a perna esquerda para indicar ao baterista o final da canção. Eles me retribuem, com caretas, como convém a todo músico que se preze. Maravilhoso.

Mas isso é outra coisa que não conta.

Portanto, estou aceitando sugestões. Quero um emprego que conte, mesmo que seja no setor “outros”.

Afinal, nesta terra de vagas magras, quem tem um “outros” é rei.

03 abril 2003

EQUADOR NA BUNDA


Estive um tempo fora do micro, porque minha macro-mamãe e meu espevitado pai vieram me visitar aqui no Rio. Estava tudo muito bom, exceto o raio do raio de sol que me pelou a bunda um dia desses. Desacostumada à vida praiana, ainda que more a dez minutos da orla, resolvi mesmo assim acompanhar mamãe - bronzeada e muito mais disposta que eu - num escaldante programa à beira-mar.

Tostávamos, as duas, enquanto a fofoca rolava solta. Mãe e filha que se vêem duas vezes por ano, quando se reúnem, sobre a alta do dólar é que não vão falar.

Horas depois, senti que alguma coisa não ia muito bem comigo, sobretudo na região dos glúteos. Ou, por outra: minha bunda virou um tomate seco.

Claro que não saí dando pinotes de dor, mas que o estrago foi feio, lá isso foi. Mamãe cor-de-jambo, imune às queimaduras, só fazia rir. E dizia que não era nada, filhota, isso passa, isso passa.

Passei foi uma temporada de bruços, lendo tudo que podia, inclusive os desenhos dos lençóis e das fronhas. Na falta do que fazer, confesso que dormi um bocado – coisa que faço muito bem, modestamente, já disse a vocês, sou ótima de cama.

Esclareço aos mais politicamente corretos que, sim, eu usei protetor solar. Fator 8. Em todo o corpo, como manda o figurino. Acontece que a bunda, concluo, por se formar redondamente a partir da lombar, e se localizar, portanto, um pouco acima do nível do mar, deve captar os raios solares de modo mais intenso, fazendo assim com que a fina e delicada tez que a reveste acabe por sofrer as queimaduras mais graves.

Além disso, as praias aqui do Rio não são como as do Sul. Aqui, estamos mais próximos à linha do Equador. Portanto, fui dormir Equador na bunda.

Não sei se fui clara.

E-qua-dor-na-bun-da.

23 março 2003

NÃO PERCAM PAULA SCHÜTZE

O texto a seguir eu encontrei no (imperdível, necessário e vitaminado) blog da Paula

Pelos comentários que ela recebeu no blog, notei que muita gente “captou”, mas muita gente não sacou, de fato, o que ela quis dizer com essa gracinha de texto.

A Paula tem 25 anos, como eu. No entanto, dificilmente a gente encontra na internet algum escrito que realmente soe como “era isso que eu queria dizer, mas nunca consegui!”. Isso é raríssimo.

A Paula escreve sobre relacionamentos muitíssimo melhor do que eu, e tem uma sensibilidade misturada ao humor fino que acaba comovendo, ao mesmo tempo em que dá um “tapa na cara” sutil – embora claríssimo!
É por isso que eu deixo vocês com ela hoje, e me calo em absoluto consentimento. Inclusive quanto aos brócolis!
Divirtam-se.

***

E isso passa na televisão

(Paula Schütze)

Ei. Alguém assistiu “Globo Repórter” hoje? É o tipo de programa que só se assiste quando o assunto é realmente interessante- a menos que você seja um ativista do Greenpeace e queira saber tudo sobre lontras, dromedários, animais marinhos e vida silvestre.

O assunto em questão? Loucuras de amor. Histórias cinematográficas demais, como a da paraibana que casou pelo celular com um cara de Foz do Iguaçu. Nada daquilo me pareceu familiar, embora eu desejasse lá no fundinho que alguém fizesse por mim uma loucura, mesmo que fosse mais plausível, palpável. Como as flores que eu costumava receber nos tempos de cursinho, CD´s personalizados na época da faculdade. Cartões. E-mails. Fotos. Hoje eu considero tudo isso loucura. Ninguém mais faz; achei que fosse comigo. Mas eu também parei de fazer coisas pras pessoas há algum tempo.

Tá todo mundo muito sozinho, todo mundo se lamentando, todo mundo trabalhando o dia todo, querendo chegar em casa e encontrar uma pequena surpresa. Ou ser acordado 5 minutos após pegar no sono por uma ligação breve, mas importante: “liguei pra te dar boa noite”. Assim, todas as noites seriam inevitavelmente boas.

É, tá todo mundo sozinho. Eu estou sozinha, tenho dúzias de amigas e amigos sozinhos. Tem gente anunciando no jornal, em blogs, no rádio que seja: não quero mais ficar sozinho. Mas, de fato, fico perplexa quando descubro, todo dia, que na verdade só queremos mesmo... continuar sozinhos.

Não existe mais paciência, petulância, insistência, conquista. É oito ou oitenta, você tem que me amar agora ou eu vou me cansar de você em dois tempos e dizer que a nossa história já não é mais a mesma. Tchau.

Eu quero um compromisso, como se amanhã fosse bater à porta da minha casa o cara perfeito, do tipo que “me compra brócolis”, me liga no final do dia, e - ainda por cima!!!- suporta minhas variações de humor. Admito, eu não tenho feito grandes esforços pra encontrar as pessoas certas, ou pra entender as erradas.

Ninguém tem feito. Ninguém faz nem ao menos sua própria parte. E isso poderia ser uma colocação das mais piegas, do tipo: vejam só, este mundo está perdido, estamos todos fadados à solidão. Morreremos- novamente- sozinhos numa cama quentinha, como a velhota do Titanic. Mas até aquela uva passa tinha uma história de amor pra contar.

Todos querem contar histórias de amor, arranjar alguém que sossegue essa coisa que fica ululando dentro do peito. Mas para o momento, sempre parece mais interessante viver uma vida louca, desregrada, pontuada por histórias de sexo, drogas e rock´n roll. Dizer que passou o final de semana embaixo das cobertas é final de carreira quando, na verdade, poderia ser só o começo.

Tudo porque alguém – quem? – resolveu convencionar que relacionamentos perfeitos acontecem entre pessoas perfeitas e nos levam, invariavelmente, a uma imensa e inestourável bolha de sabão que nos isola do mundo. Se você namorar alguém, vai ter que viver só pra isso, esquecer dos amigos, das festas e dos momentos em que gosta de ficar sozinho no quarto olhando pro teto.

Quem inventou isso, hein, quem?

Quem foi que disse que a mulher da sua vida nunca tem sono, nunca fica bêbada, quer fazer sexo no quarto encontro e- além de tudo- fala aberta e tranqüilamente sobre tudo o que sente?

Quem foi que disse que o homem da minha vida obrigatoriamente tem cabelos desgrenhados, gosto musical apurado, me faz rir e sabe cozinhar?

Eu acho que deve ser por isso, por essa insistência atrás de uma perfeição (que não existe), e, principalmente, pelo nosso hábito de sair julgando e condenando todo mundo que pisa na bola assim ou assado, que estamos, definitivamente, fadados a morrer numa cama quentinha, acometidos pelo mal do século: vazio. Sem história alguma pra contar.

trilha sonora: Goo Goo Dolls- Black balloons

22 março 2003

Buenas, macacada! Cá estou de volta, medicada, recuperada, equilibrada, equalizada, normalizada, mixada e masterizada. Perdoem meu vocabulário fonográfico; é que me sinto, uma vez recauchutada, mais próxima aos prazeres (musicais) da vida.

Por outro lado – o de cima? -, chove que Deus manda aqui na cidade maravilhosa. Falta muito pouco para que a pracinha aqui em frente se transforme num modesto parque aquático, coisa que me daria muito gosto, aliás, pois há tempo venho medindo o tamanho daqueles balanços com minha utilíssima capacidade de abstração espacial, e, não raro, chego à mesma enfadonha – porém honesta - conclusão de sempre: ou diminuo a bunda, ou alguém aumenta o balanço. Caso contrário, minha possibilidade de lazer se mantém zerada.

E não é justo, pois pago os impostos.

***

Por falar em bunda, vocês devem ter ouvido falar naquela que, de fato, inaugurou uma cena de “reality show” no manjado Big Brother Brasil. Não souberam?

Pois uma cantora cearense, farta dessas frustrações típicas de todo músico brasileiro (ensaiar e não apresentar, compor e não gravar, gravar e não lançar, fumar e não tragar, etc), achou um meio de “protesto”: durante a exibição do BBB, ao vivo, ela tirou o vestido e correu peladona em direção ao Pedro Bial. Minto, só de tapa-sexo – segundo nos informava O Globo no dia seguinte.

Uma coisa boa: finalmente, apareceu uma cena de realidade no show de realidade da Globo.

Uma coisa duvidosa: acho que essa moça deve estar vivendo noutro tempo. Tudo bem que queira protestar, mas, tirar a roupa? O que há de “punk” nisso, hoje em dia?? Revolucionário, sim, seria se ela fosse agarrar o Bial, sei lá, com uma batina até as canelas. Ou, melhor ainda: que fosse agarrar uma mulher!!

Para um ato rebelde, tirar a roupa me soa tão “nos conformes”... não vale.

***

Mudando de assunto, minha cunhada hoje fez uma lasanha de frango. Di-vi-na. Detalhe: no lugar do presunto que constava na receita original, usou peito de peru defumado. Só porque eu não como carne vermelha.

Calei a boca. Nunca mais falo da fantasia “de Zein” dela.
Hehe.

20 março 2003

NOTÍCIAS

Desculpem! Segunda-feira eu peguei uma chuvarada na rua, passei muito tempo com roupa e tênis molhados, entrando e saindo de lugares com ar condicionado, suando e passando frio... pronto! Uma gripe danada me derrubou, e não saí da cama até hoje de manhã.

Estou melhorando, já sem febre, mas ainda não tenho muita disposição para ficar aqui em frente a essas letrinhas... sorry! Volto em breve, assim que der.

Beijos e saudades.

13 março 2003

JOGUEI FORA

Esmaltes secos, brincos sem par, pomada para tendinite vencida, revistas velhas, Guia do Músico 2001 (sindicato), embalagens vazias, pedrinhas que guardei como lembrança de algo que já esqueci (truque falhou), chaves de cadeados que não tenho, recortes de jornal de cursos que nunca fiz e restaurantes que nunca freqüentei, anéis de gosto duvidoso, cacarecos de cabelo com defeito (os cacarecos, não o cabelo), versos mal feitos (meus, claro), listas de compras que já comprei, já usei e já gastei, guardanapos de avião com frases cujo significado expirou, notas fiscais amareladas, cartões de visita não visitados, grampos enferrujados, objetos decorativos inclassificáveis e muita, muita poeira.

Amanhã vou para a gaveta de roupas íntimas. Mas prometo não entrar em detalhes.


SONHAR COM O CAVALO

Noite dessas eu sonhei que tinha um cavalo. Fiquei pensando.
Sonhar com o cavalo. (...)
Seria porque cansei de sonhar com o príncipe?


OLHA O PASSARINHO

Hoje eu vi um passarinho que era o passarinho mais lindo do mundo. E não era verde.
Era um bichinho pequeno, talvez pouco maior que um beija-flor - não que eu entenda de pássaros, mas imagino. Branco e preto, design perfeito, bico delicado, asinhas apressadas, vôo preciso, pouso certeiro. Uma poesia de ave, eu diria. Com métrica e tudo.

Eu vinha andando pela rua, entretida com cálculos mentais de vencimentos, juros e dívidas, quando aquela preciosidade cruzou meu caminho. E estacionou sua beleza incalculável numa folha comprida que se deitava pela calçada.

“Olha o passarinho” – pensei, mudando de assunto com meus botões financeiros. “Olha o passarinho”, repeti a eles.

Minha testa finalmente soltou um pouquinho a ruga do meio, mas nem durou muito. Logo aquele versinho alado alçou vôo rumo a outra endividada qualquer, decerto para lhe dar o mesmo recado que deu a mim.
Que a beleza existe para quem está disposto a dispensar, por uns segundos, os seus próprios botões e umbigos.

11 março 2003

NOVIDADE

Ontem eu ouvi na Rádio Globo: uma pesquisa americana revelou que crianças e jovens que costumam assistir a programas de tevê com cenas de violência explícita têm maiores chances de se tornarem adultos agressivos.
Não brinca!


AZEITONA DA EMPADINHA

Por falar em violência, a advogada do Fernandinho Beira-Mar quer bater um papo com o nosso Secretário de Segurança, Josias Quintal. Diz que o detento não está satisfeito com aquelas condições (?) em que se encontra, tampouco com o estado (geográfico) onde está encarcerado.
Ela ainda disse que o pobrezinho anda muito magrinho. Claro, não está acostumado à comida que servem a presos; aqui no Rio, ele mandava buscar no restaurante. Lá, não tem essas mordomias, ora, que absurdo.
Eu fico pensando no que mais deveria vir dentro daquela marmita... ou, por outra: imaginem o tamanho da azeitona da empadinha do Beira-Mar!


EM VÃO

Ontem, primeira segunda-feira após o carnaval, o RJ TV exibia uma reportagem sobre esse “início informal do ano”. O repórter foi às ruas entrevistar as pessoas, que, na maioria, mostravam-se indispostas ao reinício da labuta.
O mais engraçado foi um cidadão que revelou, diante da câmera, com cara de malandro carioca:
- Estou dando uma fugidinha do serviço, né, que ninguém é de ferro...

O repórter:
- Ah, é? Passeando, em pleno expediente?

E o fujão, olhando para os lados:
- Ssssshhhh... fala baixo!!!



LEBLON GLACIAL

Um termômetro marcava, ontem, na Delfim Moreira, 29 graus. Negativos.
Depois, a doida sou eu.


CUNHADA I

Ela chegou na academia, e o professor perguntou qual era o seu objetivo. Longe de bordões como “definir a musculatura” ou “criar gominhos na barriga”, sentenciou:

- Quero ficar com a bunda lááá na nuca.

Ontem ela ia saindo e eu dei uma olhadinha. De fato, subindo.


CUNHADA II

No carnaval, passou uma semana anunciando que ia de Jade.
Trancou-se no quarto para se produzir, pensei: isso vai demorar uma eternidade.
Deu nem cinco minutos, saiu. A Jade dela era modesta. Eu diria que, além das roupas íntimas, havia meia-dúzia de fiapinhos dourados.

Avisei que aquilo não era fantasia de Jade; era de Zein.
Zein nada.
Hihi.

10 março 2003

MUNDO PEQUENO

Fiquei boba.
Werner Schünemann, no Faustão, recebendo homenagens de antigos amigos, parentes, aquela coisa. De repente, aparece o Tio Lauri!
Tio Lauri era uma das figuras folclóricas do Colégio Sinodal, onde estudamos – meus tios, meu irmão, eu, e... Werner Schünemann!
O galã não era do meu tempo, claro. Mas o Tio Lauri pegou o tempo dele, tanto que estava lá, diante da câmera, tecendo comentários sobre a época em que o nosso Bento Gonçalves era aluno interno. Interno! Imaginou?
E eu só cheguei ao colégio vários anos depois.
Sempre atrasada...


GUSTAVO DOS MEUS SONHOS

Essa é boa. Sonhei que eu tinha um cavalo, o Gustavo. Juro.
Meu irmão sugeria que eu fosse de ônibus, mas eu insistia que Gustavo e eu daríamos conta de atravessar a ponte Rio – Niterói, numa boa.
E fui de Gustavo, mesmo. Mas, antes, passei num shopping para almoçar. No estacionamento, quis deixar Gustavo na mão de um manobrista, que me olhou torto:
- Mas o que é isso?
- Não é “isso”, é o Gustavo. Pode manobrar, que ele é “relax”.
- Eu não vou manobrar um cavalo!
- E por que não? Ele é um meio de transporte como outro qualquer!
- Ah, mas não é mesmo! Eu não sei dirigir isso! E não sou pago pra manobrar cavalo, minha filha!
- Então eu vou entrar com o Gustavo. E vou dizer que foi o manobrista que mandou.

Nisso, eu ia empurrando as rédeas na barriga do manobrista, e ele recuava. Gustavo, impaciente, acho que já sonhava com um milk shake do Bob’s, quando o moço finalmente se decidiu:

- Olha, o máximo que eu posso fazer é arrastar esse bicho daqui e amarrá-lo num poste.

Eu fiquei ofendida:

- O Gustavo não se arrasta, que o Gustavo não é minhoca, é um cavalo. O Gustavo anda. E me dá o Gustavo aqui, que eu já perdi a fome com essa sua má vontade.

E fomos para Niterói. Gustavo e eu.


NOVELA DAS OITO

1. Está tudo muito bem, mas... o Expedito não vai abrir a boca??

2. Li no Globo que aquele colégio é um clube que fica aqui no Recreio. Que luxo.

3. Está bem, o padre é charmoso, mas não acho lá isso tudo.

4. Sabe o Fred, que vai ser aluno e ter um caso com a Helena Ranaldi? Pô, hein? Tudo bem, a professora se interessar pelo aluno muito mais moço... mas, com aquela carinha de bebê Johnson? Valha-me Deus, que coisa mais pedófila!

5. José Mayer só tem interpretado homens mal humorados. Se ele for assim de verdade, serei obrigada a dispensá-lo. Não queria, mas...

6. Rodrigo Santoro é mesmo um escândalo. Mas ainda não é o Capitão Rodrigo.


ORLA QUE COISA MAIS LINDA, MAIS CHEIA DE GRAÇA

Vou deixar de conversinhas, que já são 7h, está na hora de eu me arrumar para dar uma banda de busão até o Catete. Quem não tem Gustavo...

Vamos contornando a orla – Barra, São Conrado, Leblon, Ipanema, Copacabana, Botafogo. Daqui até lá, vou agradecendo a Deus pela companhia e por morar dentro de um cartão postal.

Beijos, mãe. Estou bem.

08 março 2003

O QUE HÁ NO MEIO?


Nunca vou me esquecer da minha avó dizendo que não ficava bem, para uma mocinha, sentar-se de pernas abertas. Mesmo que eu estivesse usando calça ou bermuda, como quase sempre, ainda assim era “feio” me espalhar na poltrona daquele jeito; uma perna lá, outra cá.

Mas, por quê? Porque é feio, e pronto.

Para uma criança de seis anos, feio significa – literalmente – feio. Então eu comecei a procurar, afinal, o que havia de tão feio ali no meio. O problema estava ali, entre as pernas, era evidente. Entre as pernas das moças.

O meio era o buraco do xixi, coisa que todo mundo tinha, exceto os meninos. Sim, porque o buraco dos meninos era muito outro, percebia-se.

Coisa que me fez pensar foi, justamente, por que motivo os meninos podiam se sentar do modo como bem entendessem, se o “meio” deles era muito maior que o nosso. Não deveria ser o contrário, então?

Não. O nosso meio era mais feio, estava decidido. E se endireite nesse sofá.

Fomos crescendo, assim, escondendo os meios. Contudo, os meios deles estiveram sempre muito à vista, sem problemas. Andavam, livres, balançando os meios. Coçando!

E foi de tanto escondermos os meios, imagino, que resolvemos revolucionar de vez aquela política injusta: fomos para a televisão e balançamos também nossos meios, nossos seios, nossos tudo. E ninguém reclamou, ninguém achou nada de feio. Muito estranho.

Minha avó não está mais aqui para conferir, mas as mulheres da minha idade, e até mais novas, e até muito mais velhas, estão por aí, digamos, um pouco desacomodadas na poltrona. E ganham bem para isso!

Muito bem, estamos quites. Homens e mulheres têm o mesmo direito de expor seus próprios meios, está ótimo, maravilha. O problema não é mais esse.

A confusão, agora, alastrou-se para as extremidades - pobres mazelas da constituição humana, hoje tão esquecidas e discriminadas. A supervalorização dos meios, sobretudo os femininos, desencadeou uma baixa nos valores menos balançáveis. Em outras palavras, a vida anda difícil para aquelas que não têm meios tão perfeitos, ou, por outra, que não desejam se sentar lá muito relaxadas nas poltronas.

É direito de cada uma, convenhamos, dar o destino que melhor lhe convier a seus atributos, estejam eles localizados onde estiverem. E ninguém tem nada a ver com isso. Mas, seria ótimo se houvesse um certo equilíbrio na distribuição das peças.

Nossos meios estão mui bem representados, fazendo-nos dar de cara, queiramos ou não, com vários latifúndios glúteos espalhados pelas ruas, dia e noite. Muito me orgulha que as mulheres tenham, enfim, conseguido liberá-los. As extremidades, contudo, carecem de representação. Acho que embolamos o meio de campo.

Por exemplo: outro dia, um repórter entrevistava uma moça de meios bem dotados e perfeitos, quando disparou a pergunta:

- E agora, você vai fazer o quê? Pretende lançar um CD?

Eis o equívoco. Alguém deveria dizer àquele jornalista que, não, os meios não compõem, tampouco cantam. Aquela belíssima moça jamais esboçara idéia alguma de se tornar uma artista da música – até porque, diferente do que muitos imaginam, ninguém se torna artista do dia para a noite. Por mais que tenha “meios” para isso.

Enquanto ninguém vier a público esclarecer que as extremidades femininas continuam atuantes e trabalhadoras como nunca - apesar dos meios, muitas vezes, fingirem-se de extremos para ganhar em dobro -, a distorção dos valores persistirá. E teremos superexposição dos meios, enquanto os extremos seguirão marginalizados.

A situação é grave, mas reversível. Acredito que melhores tempos estejam a caminho.

Assim, não precisaremos chegar ao cúmulo de pedir que nossas netas sentem-se com as pernas cruzadas sobre a cabeça, a fim de esconder o intelecto – afinal, não fica bem para uma mocinha...



P.s.: Parabéns pelo dia da mulher.

06 março 2003

COISINHAS CAPILARES


Eu preciso de um boné para proteger os cabelos do sol. Mas nunca compro um boné, afinal, boné a gente sempre ganha por aí.
E cadê que eu ganho um boné?

Outra coisa urgente é escolher, afinal, qual vai ser a próxima cor das minhas madeixas. Mesmo sabendo que aquele xampu tonalizante dura só uns quinze dias, não consigo me decidir por nenhuma cor. Ando com mania de não definir as coisas por medo de elas se tornarem definitivas demais.

Tudo bem que nunca fui lá muito boa do juízo.
Mas, mesmo sabendo que sai COM ÁGUA? Está demais.

Tenho um “preto ébano” aqui em casa, que eu comprei na farmácia, mas nunca tive coragem de usar. Minha mãe me põe medo: “não vai ficar preto demais, hein?”, depois disfarça: “ah, tudo bem, experimenta... sai em quinze dias, mesmo!”.

Desde que ela me veio com essa, por telefone, antes ainda do Natal passado, fiquei com a pulga do ébano atrás da orelha. E não tingi.

Está bem, confesso que o meu maior problema nem é com o cabelo em si; é com a porta do banheiro. Jogo a cabeça para frente, para espalhar a tinta na parte de trás do cabelo. Depois, jogo a cabeleira para trás.

A porta do meu banheiro, antes branca, está cheia de riscos coloridos – que vão do “vermelho intenso” ao “terra”.

Meu irmão entra e pergunta:
- O que é isso na porta do banheiro??

Como eu sempre coloco a culpa – de tudo que acontece de ruim nesta casa - naqueles toquinhos de barba que ele cisma em polvilhar pela pia branca, respondo:
- Isso aí é da tua barba, oras!!!

- Tá maluca? Como é que a minha barba iria fazer esta meleca na porta do banheiro?

- Ah, isso eu não sei... Mas, se ela faz o que faz com a pia, criatividade é que não lhe falta.

Ele chegou a franzir a testa, mas acho que não colou...

05 março 2003

Bom dia, gente, são 7h da manhã de quarta-feira de cinzas. Como podem perceber, não caí na gandaia neste carnaval – do contrário, acordaria só no meio da tarde, e não a esta hora de dona-de-casa que vai lavar as calçadas enquanto o sol ainda não está forte.

Não, também não vou lavar as calçadas, até porque não as tenho.

Desculpem-me, mas hoje estou com uma preguiça homérica; não vou “cronicar” – sem sob encomenda, nem sob inspiração. Sorry.

Vou fazer um momento “Meu Querido Diário”.

Pois bem. Estou decidindo se vou à padaria comprar um pãozinho francês, que acordei com desejo. Cappuccino com pão francês e margarina é tudo, ainda mais numa quarta de cinzas sem ressaca.

Vai fazer mais um dia lindo e quente aqui no Rio de Janeiro. Através da janelona (porta?) de vidro que dá para a minha varanda, vejo daqui um rapaz, com a sua pastinha, todo de preto. Vai sofrer, coitado. Uma menina passa caminhando com seu boxer pela pracinha aqui em frente. Um galo canta. Essas coisas.

Aliás, o apartamento seria bem menor sem essa janelona de vidro.

Estive pensando em ir ao cinema nesse feriado que passou, mas eu passei o feriado pensando, de modo que não houve tempo para ir ao cinema. Estive pensando, também, em pensar menos.

Mas aí eu iria gastar muito com cinema, e não estou em condições.

O último filme a que assisti foi Cidade de Deus, e não gostei. Desculpem-me se ofendo. Sei que todo mundo gostou desse filme, mas eu achei péssimo. Muito tiro e sofrimento para pouco argumento e significado. Sim, chega a dar para rir de vez em quando. O que considerei um desaforo à parte.

Não vejo muito mérito nesses filmes que têm a pretensão de “mostrar a cruel realidade”. Por mais que eu tenha boa vontade, ainda me cheira a mercantilismo de urubu. Fazer arte da miséria alheia, e ganhar prêmios.

Outra coisa: o sofrimento REAL daquela criança que, obviamente, acreditava mesmo estar sendo ameaçada de levar bala, o choro, o desespero, o pânico nos olhos dela... tudo isso não me lembra, nem de longe, o significado que atribuo à palavra ARTE. Mas, cada um...

Sim, mas isso nada tem a ver com o Meu Querido Diário!

Voltando ao tópico. O garrafão de água (20 litros) acabou, precisamos comprar mais.

Outra coisa que acabou foi a minha paciência com esse diário aguado.
Fui!

03 março 2003

Da série Textos sob Encomenda...

Tema 1 – “Como não ficar minhocando”
Determinado por – Denise
Autora – Bíbi Da Pieve


MINHOQUICE TEM CURA

Minhocar consiste em pensar excessivamente sobre um problema qualquer, criando hipóteses, elaborando soluções, prevendo desfechos, fantasiando catástrofes - sem, efetivamente, chegar a lugar algum.

Isto posto, pode-se concluir que, afinal, todos nós minhocamos. É verdade. Contudo, a diferença entre o minhoqueiro esporádico e o minhoqueiro crônico é claríssima: o primeiro reflete sobre problemas. O segundo CRIA problemas a partir de qualquer coisa que lhe apareça à mente. Vamos nos ater ao primeiro grupo, portanto.

Se você tem uma boa criatividade, gosta de exercitá-la, não se incomoda em perder meia horinha aqui e ali somente imaginando coisas, é chegado a um draminha... calma, você ainda pode ser uma pessoa normal. A minhoquice só é detectada quando a pessoa passa a reger sua vida (ou parte dela) a partir de conceitos oriundos de uma lógica completamente “torta”, equivocada.

Em outras palavras, a minhoquice desregula a bússola, e o sujeito acaba tonto, absorto num mar de conclusões que nem sabe mais de onde tirou. Perigo.

O pior minhoqueiro é aquele que acha que sabe o que os outros estão pensando. Infelizmente, o tipo é mais comum do que se imagina.

Ele é tão bom em diálogos interiores, que você está dispensado de contribuir na conversa. Silenciosamente, a partir de um simples suspiro seu, ele pode concluir que você não está satisfeita com o casamento, que ele se esforça para ser um bom marido, mas não adianta, você não dá valor, imagina, ele até te trouxe para tomar chope em plena terça-feira, está certo, o chope está meio quente, mas que culpa ele tem, se ele xinga o garçom você reclama igual, nada está bom, assim não dá, acho que chegamos a uma situação limite, alguém aqui vai ter que tomar uma decisão... Depois de minhocar tudo isso, ele verbaliza só a última frase:

- Está tudo acabado entre nós!!! – e joga a aliança dentro do chope morno.

Contrariar um minhoqueiro assim é até possível, mas dá um trabalho do cão. Até convencê-lo de que você suspirou porque viu que a farmácia estava fechando justo quando você lembrou que precisava de absorvente... Há quem afirme ser mais rápido e fácil arrumar outro marido.

Portanto, se você é um minhoqueiro de cabeça cheia, o melhor a fazer é buscar tratamento. Sim, a minhoquice tem cura, e aqui veremos algumas dicas para resolver esse problema.

O primeiro passo é ocupar seus ricos miolos com algo que não permita que seu pensamento “ande em círculos”. Pratique o linear, o racional. Ora, vá jogar xadrez!

Segundo passo: confesse cada minhoquice sua a um parente ou amigo íntimo, e ACREDITE quando ele disser que determinada conclusão não tem o menor cabimento. Um mero observador costuma detectar com sucesso quando há minhoquice naquele angu.

Terceiro passo: deixe AGORA de desenvolver qualquer pensamento com base no que você “intui” que outra pessoa esteja pensando. Cheque a hipótese; perguntar não ofende, e evita divórcios desnecessários.

Quarto passo: esqueça o “se”. Se eu fizesse, se eu comprasse, se eu deixasse... pensando, morreu um burro. Enfie na sua cachola que há um universo infinito de possibilidades; é mais fácil você derreter a sua cabeça do que esgotar todas as hipóteses da vida, ainda que em teoria.

Quinto passo: não traga situações do futuro para o seu presente. Antecipá-lo é, literalmente, envelhecer antes do tempo. E dá rugas.

Sexto e último passo: finalmente, quando aquela amiga lhe vier convidar para uma apetitosa sessão de minhoquice a duas, decline educadamente. Diga-lhe que não transa mais esse tipo de coisa, que passou a fase da farra cerebral. Agora você anda de cabeça limpa, e vive um dia de cada vez.

Ela vai estranhar, insistir, e talvez até chamá-la de careta. Não ceda. Seja forte. Diga não à minhoquice, compre essa idéia.

Se preciso, faça uma camiseta: “MINHOQUICE: TÔ FORA!”

E use sempre camisinha, para evitar a minhoquice do dia seguinte...

01 março 2003

VOCÊS NÃO ESTÃO DANDO CONTA DE MIM

Estou a mil! Ando escrevendo mais rápido que a capacidade que vocês têm de me ler, hohoho... como diria minha mãe, “te mete!”.
Manhã de sábado de carnaval ensolarada no Rio de Janeiro, eu bebo cappuccino dietético quente para ajudar no clima. É verão nos meus gorgomilos. (Gostaram de “gorgomilos”?).

Não sei o que fazer de almoço, por isso acho que vou comer peixe na churrascaria. Lá tem peixe, sim. Ou comerei dois ovos mexidos, mesmo. Mãe, favor fingir que não leu isso, ok?

Uma coisa confortável de se morar longe dos pais é poder comer ovos mexidos ou um pacote de Cebolitos no almoço, sem ter que ouvir o nome completo uma oitava acima do que seria suportável aos ouvidos.

Meu pai, por exemplo, foi capaz de passar três anos me atormentando a vida porque eu não comia carne – leu em algum caderno de saúde do jornal dominical que me faltaria vitamina B12, e não parava de insistir em que, cedo ou tarde, eu estaria anêmica.

Cansada de tanta ameaça, fui ao médico e pedi: “Quero fazer todos os exames possíveis e imagináveis para saber se estou anêmica, ou melhor, para mostrar a meu pai que não estou. É que não como carne”.

Enfrentei a picada, e passei no vestibular do sangue. Voltei ao médico, que examinou os resultados e ainda me disse: “parabéns, você tem uma dieta invejável, e está tudo bem por aqui. Um dia eu chego lá!”.

Mostrei os exames ao meu pai, e contei do médico. Ele retrucou – “esse médico não presta. Deve faltar B12 em algum canto aí, ele é que não procurou direito”.

Está certo. Se um pai diz que está faltando B12, é porque está faltando B12.

Voltei para casa, certa de que jamais convenceria aquele jovem senhor ariano de que minha saúde andava bem, apesar de eu não comer carne.

Menos de um ano depois, meu papai descobriu-se diabético, e adotou hábitos alimentares mais saudáveis – segundo ele mesmo anuncia, orgulhoso.

- Parei de comer carne vermelha -, ele me afirma, na maior cara-de-pau.

- O QUÊ??? Mas e a B12???

- Ora, a B12 está presente também noutros alimentos, não só na carne!

E começou a me “explicar”, detalhadamente, como eu deveria fazer para não ficar anêmica sem comer carne vermelha.

É pena que ele ainda não tenha descoberto os benefícios do Cebolitos.
COMO tem sido confortável sair pela cidade, agora que nossa governadora cor-de-rosinha tratou de despachar o único bandido do Rio de Janeiro para o interior de São Paulo. Sabe, sinto-me tão segura!

Na MADRUGADA de hoje, por exemplo, vários homens metralharam um ônibus da 1001 que se dirigia à cidade de São Paulo. Eu mesma já tomei esse ônibus algumas vezes; a viagem sempre foi muito confortável, com lanchinho e tudo. Só não havia balas.
Será que, hoje em dia, a passagem está mais cara por conta do chumbo?

Neste CARNAVAL, vou ficar por aqui mesmo, alimentando minh’alma com algum livro velho e tomando porres de leite gelado com Nescafé (sim, eu gosto disso, e daí?).

Quando muito, darei uma voltinha na praia, para não dizer que não falei das ondas. E só.

Não irei ao sambódromo, não saracotearei ao som dos tamborins n’algum bloco carnavalesco, desses que arrastam multidões suadas e embriagadas pelas avenidas da cidade, nem tampouco me renderei à modesta marchinha que, por certo, reinará absoluta nos quiosques do Recreio dos Bandeirantes. Não.

Provavelmente, o máximo da minha folia será uma corridinha no calçadão - providência muito bem cabida em dias de fuga, no caso, fuga das próprias marchinhas, dos quiosques e de banhistas exaltados e desafinados gritando mamãe eu quero, mamãe eu quero, mamãe eu quero, sabe-se lá com quais intenções.

A meteorologia promete tempo bom, e eu prometo não atrapalhar a festa de ninguém, desde que não venham mexer comigo, que não estou boa. Tenho pensado em voltar a praticar artes marciais, atividade esta que me acompanhou pela infância e adolescência, e da qual tenho sinceras saudades há muito.

Não que a minha adolescência seja uma coisa assim tão remota, bem entendido fique.

Caso é que, munida de meus impulsos marcianos, digo, marciais, ainda mais em tempos de violência urbana tão intensa, confesso que ando mesmo investindo contra meu próprio travesseiro, no intuito de me preparar para eventual combate, nunca se sabe. Penduro o penoso pelo pescoço, digo, por uma ponta, ato ao mais alto local das grades de minha janela, de modo que o inimigo fica ameaçadoramente parado diante de mim, encostado na parede, mais ou menos à altura da minha cabeça.

A partir daí, começo a esmurrar o canalha, digo, o meu travesseiro, e não paro enquanto o infeliz não pedir água. Está certo, ele não pede água. Mas é como se fosse.

Meu treino não tem sido muito intenso, posto que recém estou no início. Coisa de duas horinhas, e me dou por satisfeita. Tende a melhorar.

Portanto, estou avisando. Meu plano é não boicotar a folia de ninguém. Vou dar uma corridinha na praia. Na minha.

Contudo, o primeiro safado que vier com “QUE SAÚÚÚDE!” vai ficar sem a sua.


p.s.: Denise, decida logo o tema, que assim eu tenho o que fazer no carnaval!