14 novembro 2002

Nem conto a vocês: acabou a TPM.

Estou feliz como pinto no lixo. Vem chegando o verão, como já dizia a Marina Lima, nos bons tempos em que eu era só uma criança que se achava adulta – e não o contrário, como agora.

Vou contar uns causos. Aprendi a ler e a escrever com meu irmão (e guru). Um dia, minha mãe pediu a ele que não esclarecesse minhas dúvidas ortográficas tão prontamente; que eu deveria aprender a pensar, descobrir se casa era com “s” ou com “z” por via de meu próprio raciocínio.

- Mano, casa é com “s” ou com “z”? – perguntei, certa feita.

- Você acha que é com “s” ou com “z”? – ele questionou.

- Não sei, Mano! Me responde!

- Não posso responder.

- Pode, sim, responde!

- Está bem, é simples: se você quer que seja com “s”, então será. Se quiser que seja com “z”, assim será também. Você tem de escrever como pensa que deve ser!!

Fiz uma cara de surpresa-abobalhada-meio-desconfiada que ele não deve ter entendido por anos; até que, já adolescente, confessei que aquele momento fora, para mim, verdadeira iniciação espiritual.

Lembro-me, como se fosse ontem, de ter pensado: “Uauu!! Se o Mano diz que ‘casa’ se escreve como EU quiser, então quer dizer que tudo que EU quiser se tornará realidade!! Logo, EU SOU DEUS!!!”

Sim, porque minha avó dizia, sempre que podia, que Deus era todo-poderoso: o único ser a quem o universo ouvia e respondia sempre com obediência.

A partir daquela revelação precoce, eu saía pela casa, com um sorrisinho de canto, decretando normas secretas e dando ordens explícitas aos anjos – sempre com muito cuidado, é claro, para que ninguém percebesse meus superpoderes divinos. Poderiam se sentir diminuídos perante a minha magnitude, ou mesmo temer futuros castigos (minha avó também dizia que Deus castigava, mas eu ainda sequer havia estudado esse capítulo, o de como castigar).

Não. Não era isso que eu queria. Queria só respeito e amor dos próximos a mim-Deus. (Pelo que eu entendia, os “próximos” eram todos aqueles que não eram Deus; ou, por outra: todos os outros - que não Eu. Por isso se chamavam “próximos”, porque eram os próximos a partir de mim – Deus.)

Não sei se me fiz entender.

E assim fui seguindo, certa de que faria milagres com um pé nas costas, e ajudaria a quem necessitado estivesse, contanto que me prestassem a obediência devida e, volta e meia, acendessem uma vela em Meu nome.

Caí do cavalo quando o meu primeiro pretendente – era eu quem o pretendia! -, uns vinte e cinco anos mais velho que eu, casado e com três filhas, não fez menção alguma de me atender quando, confiante, ordenei: APAIXONA-TE OU MORRERÁS!!!

Nem uma coisa, nem outra.

Como Deus, eu era um fracasso. Caí na maior fossa, vivia arrasada pelos cantos, mal dormia, mal comia, mal falava. Não rezava. (Rezar a quem?)

Aí foi que eu caí na real, resolvendo: de duas, uma. Ou eu não dou Deus, ou o Bicho Homem é que é o Diabo.

Claro que fiquei com a segunda opção.

;oP
Oi.
Meu cabelo acordou esquisito, minhas olheiras se elevaram à décima potência, minha pele está oleosa demais nuns lugares e seca demais noutros, minha orelha amanheceu inflamada por causa do diacho do segundo brinco, levantei meio manca da perna esquerda, os dentes amarelaram, o tempo está úmido, o ar está pegajoso, o assobio do vento está fora do tom, as árvores estão balançando sem o devido gingado, os carros passam mais nervosos do que nunca, parecem atrasados, as pessoas estão todas com cara feia, e cara feia pra mim é fome, por falar em fome, o nhoque apodreceu, o frango assado acabou, a tele-entrega de pizza demora muito, falta água potável em casa, tenho sede e pressa e fome e fúria, me arrasto pela casa, pesada e lerda, penso coisas desconexas, falo sozinha, xingo minha falta de sanidade mental, tento me espreguiçar, dou com a mão na quina do armário, grito, corro ao banheiro, abro a torneira, o telefone toca, corro, atendo, não, não quero assinar revista nenhuma, e não interessa o motivo, desligo na cara da moça, ligo a TV, assalto, acidente, traficante, desligo rápido, vou até a sacada, olho para baixo, miro uma moça com uma barriga imensa, quase parindo, e um vestidinho florido, parece feliz, a desgraçada, é claro: QUEM NÃO FICARIA FELIZ DEPOIS DE NOVE MESES SEM TPM ?????

11 novembro 2002

Buenas !!

Espero que estejam todos na boa. O show de sábado foi, digamos, cansativo. Aquela coisa de bar, tocamos das 9:30 às 3h da manhã, com alguns intervalos para esfriar os dedos e as cordas. Bar lotado, animado, e tal.

Mas o ponto alto da noite ficou por conta da minha cunhada Erica, aniversariante do dia, que levou uma penca de amigos para lá, e acabou “pagando o maior mico” – segundo ela. Mentira. Esteve ótima, dançando frevo.

Explico: Erica foi chamada, de última hora, na semana passada, para dançar frevo num hotel chiquérrimo aqui do Rio... adivinha para quem? Para os gringos, claro!

(Vocês já sentiram que todo mundo entrou pelo cano com essa dos gringos, né? Hehe, o que a gente não faz pelo leitinho das crianças.)

O evento era de responsabilidade da A L Eventos & Multimídia, empresa da qual meu irmão é sócio-fundador-produtor, etc. Na hora do frevo, eis que a moça contratada deu problema, e não havia outra disponível a pagar um mic..., digo, dançar frevo para os gringos, com sombrinha colorida, roupinha, maquiagem, e um bofe bailarino do lado. Mó micão, enfim, sejamos francos.

Quem foi solicitada? Ela mesma. A morena mais bela do Rio de Janeiro (não sou eu nem meu irmão quem diz, não, os gringos saíram no lucro e aprovaram!!), Erica. Tal fosse uma bailarina profissional, foi ensaiar uns passos com o bofe – que, aliás, é dono de uma academia de dança em Copacabana. E o bofe aprovou o gingado da morena. Quem não aprovaria?

Deram-se as mãos, e foram ao saguão abafar. Dizem que Erica terminou a noite com a boca que era um cabide, de tanto sorrir para as câmeras dos gringos, e com o polegar dolorido, de tanto beliscar os gringos mais animados que se aproveitavam do momento “flash” para conferir mais de perto o doce balanço da morenaça.

Fama adquirida, fama sofrida.

Nós, que não somos bobos nem nada, fizemos o esforço de aprender a tocar aquele frevo mais conhecido de todos, e paramos o show no momento mais animado para homenagear a aniversariante, convidando-a para fazer uma apresentação aos amigos.

A morena tropicana, alheia àquela sacanagem toda, viu-se tímida pela primeira vez – creio eu – em sua agitada vida. Um amigo sacou a sombrinha colorida (que conseguimos emprestada com o próprio bofe do frevo) e lhe ofereceu, num gesto tão convincente que a pobrezinha não teve alternativa: quando viu, já estava empunhando o instrumento da dança, em pé, com aquele povo todo em coro: DANÇA! DANÇA!

Eu, num impulso de cunhada-típica-venenosa, fazia um discurso inflamado ao microfone, exaltando as qualidades da bailarina, e oferecendo seus serviços aos possíveis contratantes. E o povo: DANÇA! DANÇA! – que sombrinha no dos outros é refresco, claro.

O frevo rolava solto, e, lá pelas tantas, Erica deve ter pensado que ficaria mais feio fixar raízes no chão que, enfim, saciar a sede dos afoitos. Foi então que se despiu de vergonha, e encarou a frente do palco, onde saltitava, exuberante, arrancando fervorosos aplausos de todos os freqüentadores do bar. Era a glória. (A minha, pelo menos).

O resto do show foi até chocho, se comparado à apresentação que transformou a Ana Lógica em trio-elétrico por alguns minutos, aliás, coisa que era um sonho antigo. Sobretudo, eu evitava o olhar ameaçador daquela que bailara, morrendo de medo de descer daquele palco e ter meu estômago perfurado por um salto dourado.

Tudo está sob controle, pelo menos até agora, muito embora eu ainda ande um tanto cabreira, sentindo que paira uma atmosfera esquisita pelos corredores da minha própria casa. Não sei, não, é capaz de eu amanhecer, qualquer dia, com uma sombrinha entalada na garganta (na melhor das hipóteses).

Notem que esta publicação é praticamente uma carta-denúncia, ou a crônica da morte anunciada. Se eu sofrer algum mal, vocês já sabem.

(E, se ela fugir, procurem no Recife. Onde mais ganharia a vida??)

09 novembro 2002

Oi, queridos, só passei aqui para deixar o convite: hoje, sábado, tem Ana Lógica no Downtown (Espírito do Chopp), a partir das 21h. O pessoal do Rio poderia bem fazer uma forcinha e aparecer por lá para prestigiar esta relapsa blogueira que vos escreve, não é?

Prometo que não irão se arrepender... pois o chopp realmente é muito bom. Hehe.
Beijos.

04 novembro 2002

É o tal negócio.

A gente começa a dar intimidade, fazer política de boa vizinhança virtual, e dá nisso. Pequenos movimentos organizados vão se formando, aqui e ali, como quem não quer nada. Eu, que não sou boba, desconfio.

Não é de hoje que venho notando que essas exigências de novos textos no blog têm passado de brincadeirinhas à toa, implicâncias carinhosas, mimo cibernético. Nada disso. Basta perceber que, outro dia, o nosso mural de recados – que já virou a casa da mãe Joana, diga-se passagem – simplesmente bateu o recorde: onze mensagens. Tudo por conta das organizações desse tal de MST (Movimento dos Sem Texto).

Daqui a pouco, estou até vendo, vão querer ditar os tópicos: escreva sobre isso! Escreva sobre aquilo! Eu vi o fulano na TV dizendo tal coisa, escreva sobre ele! Escreva sobre o seu pânico de pés descalços! Escreva sobre a onda que se ergueu no mar! Afinal, que fim levou a feira, o vestido, o Capitão Rodrigo, a pelada na praia e o carnaval?

Aqui pra vocês!

Eu que mando nessa bodega virtual, ou não me chamo Bíbi Da Pieve, com acento no primeiro “i”.

E, por falar em bodega, minha cunhada Erica (assim, sem acento mesmo, culpa da dona Maria, mãe dela, que tem por hábito sumir cinco dias sem dar notícias, e depois voltar, na maior cara deslavada, ainda convidar pra comer peixe na casa dela e tudo... me perdi nos parênteses, sempre faço isso).

E, por falar em bodega, minha cunhada Erica mandou que eu escrevesse aqui sobre o meu jogo de bilhar – citado por ela no mural de recados, dia desses. Está bem, eu explico.

Antes que a pequena comunidade aqui formada vá pensando que sou freqüentadora assídua de botequins no maior estilo “pé-sujo”, que fico enchendo a cara até as 4h da manhã e jogando bilhar com o Mario do Boné, o Zé Pascoal e o Bola Oito, esclareço: não é nada disso. Aninha, acalme-se. Ainda não cheguei a esse ponto.

O referido “jogo de bilhar” nada mais é do que um código de família. Nós usamos, cá entre paredes, a expressão “jogar bilhar” para o ato de trabalhar com música – o que mais faço, como todos sabem.

Mas o que tem a ver? – irão questionar.

Simples, minha gente. O jogo de bilhar consiste em encaçapar sete bolinhas. Como todos sabem, a música é representada graficamente por bolinhas (as notinhas no pentagrama, já viram?, lembram-se do caderno de música? – pois então).

Curiosamente, são sete as bolinhas do bilhar, exatamente como: DÓ, RÉ, MI, FÁ, SOL, LÁ e SI.

Eis a explicação para a minha mania de “jogar bilhar” – ou seja, fazer música, pois estou atarefada até os cabelos com essa história de tocar para 200 gringos amanhã, e depois tocar cinco horas a fio, num bar, sábado à noite.

Satisfeitos?

É por isso que tenho escrito pouco. Não que eu deva explicações (droga!, viram só?, vocês acabam me confundindo!!!), mas, só para constar mesmo.

Tchau, vou “jogar bilhar”...

02 novembro 2002

Eles vão te pegar!


Não sei se já notaram, mas o tempo do fulano "ficar" com a fulana já é coisa do passado. Atualmente, os fulanos “pegam” as fulanas, e - o que é ainda mais animador! - as fulanas também pegam os fulanos.

É um tal de pegue-se quem puder, e o critério há muito também não aparece como protagonista da trama. É só um mero detalhe. O importante é pegar.

“Pegar” refere-se ao ato de beijar alguém na boca, sem compromisso, e depois experimentar algum tipo de relação sexual com a pessoa. Também "sem compromisso" - como diria o vendedor de cangas na beira da praia, na tentativa de lhe vender uma peça. E a intimidade entre os “pegantes” também regula com a que você tem com o vendedor de cangas.

Por relação sexual, hoje em dia, entende-se uma vasta gama de possibilidades. Já não se mostra eficaz o termo "ir para a cama", porque o local da “pegação” é o de menos.

Também não se pode fazer nenhuma alusão à posição horizontal, outrora a principal evidência de sexo entre duas pessoas, porque as criaturas andam se pegando em diversas posições, das estapafúrdias às inimaginárias, da criatividade ao verdadeiro contorcionismo. O motivo do “pegar diferente” está estampado, geralmente, nas revistas femininas, onde a sacanagem (com perdão do termo) aparece revestida de pomposas explicações psicológicas - "investir na relação" e "sair da rotina" são dois dos principais disfarces para a pegação, digamos, não ortodoxa.

Tampouco o pegar fica limitado à quantidade de indivíduos envolvidos no ato. Percebo que a multiplicidade sexual, se é que existe o termo, está cada vez mais presente entre os seres. Eu diria "casais", mas eis que também esse termo já soa obsoleto, pela conotação de gênero - um masculino e um feminino - que, tenho observado, cheira a poeira do século passado.

Uma vez extrapolados os limites de gênero, número e grau, há dois modos pelos quais podemos interpretar a nova atitude sexual dos seres humanos. O primeiro é otimista e romântico, além de quase religioso (do termo religare, lembram?): talvez estejamos passando por uma fase de descoberta universal, e, muito em breve, o amor não conhecerá fronteira de espécie alguma. Amaremos ao próximo, e ao seguinte, e ao seguinte, e ao seguinte - um passinho à frente, por favor. Olha que já estamos quase lá.

O outro modo de interpretação, não tão romântico – mas tão divertido quanto – sugere que essa pegação desenfreada entre os homens (exclua o gênero, claro) se trata mesmo de uma imensa PEGARIA – substantivo que surge da junção entre os termos “pegação” e algum outro que comece com “p” e termine em “utaria”.

De qualquer maneira, vale o alerta: se ficar, o bicho pega. E, se correr, o bicho come – o que dá no mesmo. Salvo pormenores da terminologia sexual e/ou anatômica, tanto faz se você é homem, mulher, moça, velha ou coisa que o valha: fatalmente, você tem algo que interessa a quem pega. E eles vão te pegar.

Caso queira se abster da “pegaria” vigente, um único conselho: cuide bem do seu. E depois não diga que eu não avisei.


29 outubro 2002

Os cientistas descobriram, com quase 100% de certeza (vai saber o que é isso), que existe, no centro da Via Láctea – galáxia da qual nosso rico planeta faz parte -, um imenso buraco negro que funciona como um redemoinho, sugando os corpos sólidos para dentro de si.

Ou seja, a Via Láctea tem um ralo. E já puxaram a tampa.

Mas a Terra não corre risco de entrar pelo cano, segundo eles, porque estamos muito afastados do buraco. Devemos suspirar aliviados, portanto.

Eu fico a pensar, inevitavelmente, no paralelo que pode se traçado entre a galáxia – ou seja o que for – e as nossas próprias entranhas. Somos poeira cósmica, está correto, mas alguma função aqui nós devemos ter.

Estamos longe demais do ralo da pia gigante, mas temos nossas próprias piazinhas, e nossos redemoinhos também não são de se jogar fora. Com todo respeito à Via Láctea, a vida terrestre já dá trabalho suficiente, de modo que não vou me preocupar com o encanamento da galáxia. Já seria demais.

O meu problema, por enquanto, é achar o tom correto para a canção. E isso pode ser muito complicado, tão complicado quanto me equilibrar na dança cósmica dos planetas, cuidando para não resvalar.

Se eu não fosse tão careta e covarde, ouviria o vento dos meus ralos internos assobiando, e seguiria aquele tom, ainda que não soasse exatamente como eu gostaria. O tom da intuição, à sombra da razão, que sempre canta os mesmos versos... mas eu finjo que não escuto.

E você não vá tirando o seu da reta, porque – tenho certeza – é igualzinho a mim. Ou quase.

Ah, mas a esperança equilibrista... é a última que entra pelo cano.

Será que estamos girando para algum sentido, ou só estamos correndo em volta do rabo? Eu voto no sentido, mas, volta e meia, volta o rabo e me derruba no chão. Complicado. (Ninguém disse que seria fácil. Simples, eles me dizem a toda hora. Mas, fácil... não).

Quando eu me sinto girando ralo abaixo - é quando estou encucada com dívidas, dando voltas em torno das mesmas dúvidas, achando que me falta talento, que envelheço e me desoriento cada vez mais e mais. É quando me pego fazendo contas nas pontas dos dedos, mesquinharia de sentimentos, quando me esqueço de abraçar meu irmão, por exemplo, e durmo pensando que estou só (mentira, estamos todos girando juntos).

Eu me sinto ralo adentro quando penso em medir emoções, catalogar os endereços dos beijos que me dão, com medo de dobrar a próxima esquina sem uma segurança, sem uma garantia qualquer, sem um papel, sem nada, sem nada. E, cada vez em que grudo as etiquetas nos vidros, eu me esqueço do verdadeiro sabor que eles tinham. A burocracia evapora o conteúdo.

Quando eu me sinto girando para o alto – é quando me desapego, eu me despeço dos medos, não quero saber das minhas convicções. É quando dou a mão ao simples, ao óbvio, quando me permito o ócio, e me entrego ao coração. Sem culpa, sem mania de perfeição.

Eu giro para dentro do ralo quando passo horas discursando sobre qualquer coisa, e me dói o peito enquanto tento ser verdadeira, mas não consigo.
Eu giro para fora do ralo quando, em vez de discursar, percebo que todo texto do mundo cabe todo dentro de um gesto.

E a Via Láctea vem parar bem no meio das minhas duas mãos.

27 outubro 2002

VOTOS DE UM BOM DOMINGO DE BONS VOTOS


Estou só escrevendo para aqueles choramingões que reclamam que visitam meu Blog três a quatro vezes por dia, no afã de encontrar novidades, e se decepcionam ao verem posts "antigos" - ante-ontem, para vocês, já é antigo.

A biblogueira aqui faz outras coisas da vida, caso não saibam, e não pode vir dar o ar de sua graça de cinco em cinco minutos, ok? Vocês bem que poderiam se organizar, fazer tipo academia: visitarei o BiBlog três vezes por semana, assim que acordar, e pronto.

O BiBlog não deixa a bunda durinha, mas diverte um pouco mais, e também é cultura. Estamos aqui cuidando da nossa saúde, afinal, quem ainda não leu sobre os benefícios do riso?

Estamos combinados, então? (Garanto que não...)

Deixo votos de bom domingo, e não se esqueçam de levar o título.

Beijinhos d'eu.

26 outubro 2002

Bons dias!

O pessoal do Rio já vai aprontando a caravana, que estaremos tocando no Espírito do Chpp – shopping Downtown -, no dia 9 de novembro, sábado. A “parada” (como se referem os cariocas a QUALQUER coisa, seja viva ou morta, real ou imaginária, etc) começa por volta das 9h da noite, e extrapola todos os limites do bom senso e da solidariedade com quem usa um contrabaixo pesado pendurado no pescoço, esticando-se até as 3h da manhã. Creiam vocês ou não, assim está determinado, e assim faremos.

Não contem comigo para nada no dia 10 de novembro, portanto. Estarei, com toda certeza, aboletada nos meus aposentos, imaginando uma luz violeta entrando pelo meu chakra frontal (ou terceiro olho), incenso aceso, inspirando e expirando lentamente, e só abrindo a boca para entoar canção de uma nota só, aquela que diz assim: “OOOOooooommmmmmmmm...”

E, por falar em saudade, onde anda você?

Antes disso, no dia 4, farei um violão-e-voz chiquérrimo, num evento para 200 gringos, onde cantarei baladas melosas e alguma coisa de bossa, o que me permitir o conhecimento harmônico e, sobretudo, os dedos. Entre uma canção e outra, encherei a boca para dizer: “Welcome to Rio” – e está feita a saudação da noite, que não esperem mais nada do meu inglês tupiniquim, porque já faz anos que não estudo, e prefiro silenciar a deixar escapar um mico qualquer.

E prefiro que não me aplaudam, porque o meu “THANK YOU” já está mais para TÊM-KIU, de tão enferrujada a minha prática no idioma.

Pois é, amanhã é o dia “D”, e eu vou justificar o voto, ou seja, a ausência dele. Há quase cinco anos morando nesta cidade, vergonhosamente ainda não regularizei minha situação de eleitora, de modo que apenas me abstenho e ainda assino embaixo, na cara dura mesmo.

A gente nunca sabe quando algo é definitivo. Deve ser porque nada o é. Minha vontade é casar e ter o Breno (filho) aqui no Rio de Janeiro mesmo, mas não sei se o Capitão Rodrigo (marido) vai amarrar o cavalo num poste carioca, ou se vai preferir se ausentar da minha vida nesta encarnação, e me aparecer, na próxima, irreconhecível – talvez gay, inclusive. A gente nunca sabe.

Até agora, garanto a vocês que os capitães (bela palavra!) da minha vida não têm sido, nem lá muito capitães, nem tampouco Rodrigos. E o cavalo branco, que é bom, nem sinal dele.

Já cruzei com belos moços, sim, mas, no decorrer da história, revelavam-se portadores de pangarés mixurucas, ou seja: eram falsos Rodrigos, evidente. E aí não me serve.

O Rodrigo tem de ser original de fábrica, do bom mesmo, com cavalo incluído, furinho no queixo, boca grande e alguma sensibilidade. Do contrário, não quero nem conversa.

Dizem as más línguas que sou uma sagitariana arrogante, metida a besta e até seletiva demais, mas eu não acho que a crítica tenha fundamento. Ocorre que, até o presente momento, nenhum Rodrigo que se preze cruzou meu caminho.

Um ou outro até cruzou, mas não me convidou para a cavalgada.

Na certa, esqueceu-se. E vai ligar mais tarde.

23 outubro 2002

ESTRADA

A estrada que somos na tempestade, a estrada que temos nas veias, a estrada que tece a arte, a estrada de Deus e do diabo a quatro - onde tudo se registra, onde tudo se alcança com sonho e alguma pegada; onde tudo aqui fica, mas também tudo lá passa.

A estrada das migalhas de pão de João e Maria - ilusão de retorno -, a estradinha de papel do primeiro caderno - ilusão de adorno. A estrada imaginária que sai da casinha e leva ao lago, convencional e bidimensional infância, sem ganância, ainda sem aquela ânsia do preto no branco racional.

A estrada giz-de-cera, aquela curva colorida certeira - o ponto de partida ideal.

A estrada que para dentro se embrenha - a estrada-entranha -, uma senha abstrata e estranha do interno de todos nós. A estrada a sós, eterna montanha-russa sem trilhos, vida, ida, vinda, ida, vinda - inferno e céu.

A estrada-trajetória do tiro, a estrada-história da guerra, a estrada-suicídio abismo: a droga.

E a estrada-folga, a pausa; à beira da certeza, a surpresa desagrada: causa errada.

A estrada se contorna, mas não se retorna. A estrada se torce, mas não se move. A estrada se passa, não se pára; não se sabe se terra, se barro, se pedra – nunca se sabe se a estrada é pronta, porque a estrada não se pensa, e não se espera nada.

A estrada é a recompensa.
AOS BIBLOGUEIROS CONVICTOS - e aos nem tanto

NÃO deixem de dar uma passadinha no belo site desenvolvido pela artista ANA PELUSO - www.officinadopensamento.com.br

Estou lá, na coluna musical.
Beijos.

22 outubro 2002

Sempre acho que vou acordar, um dia, com o barulho da chuva, virar de lado e puxar um pouco mais o edredom, sentir o cheiro do chá de erva-doce que ele vem trazendo devagar, com biscoito integral e mel e um sorriso bobo que eu sempre vejo, e sempre me encanta, mas nunca sei dizer o próximo compasso daquela sempre mesma situação que cisma em acabar diferente a cada chuva, a cada chá e a cada beijo integral com mel.

Eu me desligo das coisas como são, e me detenho às coisas como SER.

A chuva é água, mas o ser da chuva é muito mais; o ser da chuva é o barulho e é o gosto e sou eu mesma, enquanto mulher, enquanto mundo e como chuva ser.

O chá também foge da erva que é, e vem ser aqui no vapor do hálito dele, e no meu calor, e no orvalho do amanhecer chá.

Assim é que tudo perde o sentido e ganha os sentidos, assim é que o doce vem antes do mel, o barulhinho é o pai da chuva, o vaporzinho é que tem o chá – e não o contrário -, tal como o amor nos tem, não pelo poder, nem por assim dizer, mas simplesmente pelo nosso próprio SER.

20 outubro 2002

EU, SEM BOLA

Boa tarde, moçada. O Rio de Janeiro está escaldante, e dizem que, no sul, chove que Deus manda. Aqui Deus manda nas eleições, e o chifrudo manda no tráfico. Mas isto não interessa no momento, vim falar de coisas boas, estou de muito bom humor, e o Mano já está chegando com o sorvete mesmo.

Passo na praia e morro de vontade de jogar BOLA - poderia ser vôlei ou futebol -, mas me falta a companhia. Vejam como uma sagitariana com mania de auto-suficiência pode quase tudo na vida, mas, o mais importante, não pode: jogar BOLA. Ando com esta fixação. Não estranhem se me virem, dia desses, a jogar BOLA na parede, empolgada e saltitante, ainda gritando “deixa que eu chuto!!!” e xingando a mãe do juiz.

As pessoas que eu conheço não jogam BOLA, e isto me deixa assim, a me sentir só, acorrentada a um futuro meio insosso, um futuro sem BOLA e sem apito. Imaginem uma pessoa que não pode jogar BOLA. Esta sou eu.

Outra, outra da solidão. Lembram-se do show do Pepeu, sim? Pois trouxe, do bar, vários papeizinhos – guardanapos, na verdade -, que me serviam de conforto enquanto o Pepeu não aparecia para cantar que também queria beijar. (A propósito, já descrevi aqui a BOCA do Pepeu? Só de pensar, já me esqueci dessa besteira de jogar BOLA. Há tanta coisa melhor por aí, ora, bolas!).

Transcrevo, aqui, fielmente alguns dos meus rabiscos daquela noite solitária:

Guardanapo UM:

Essa gente da arte é que paga o pato
é quem sofre o impacto
e, se pisa em falso, não se cansa:
segue reto, certa de que a vida
não carece de convicção.
Com a graça de Deus,
À fé não interessa razão.


Guardanapo DOIS:

Essa gente da arte é de pouco papo
é quem sente o atrito
e, se vê o perigo, não se assusta:
segue em frente, certa de que a vida
desconhece a previsão.
Com a graça da fé,
a Deus não interessa razão.

Guardanapo TRÊS:
Uma menina com a cara e o jeito da Melissinha na produção de um show... é BÁSICO. Se não houver, boa coisa não é.

Guardanapo QUATRO:

Escrever é como dialogar com as próprias entranhas, com a vantagem de que elas não têm direito de resposta. (Ou será que têm?).
O que está entre parênteses é de autoria das entranhas, evidente.

Guardanapo CINCO:

Todo artista tem uma dívida que não será sanada nesta vida.

Guardanapo SEIS:

O perigo do verso não é o conteúdo, mas os filhos que o conteúdo jogará no mundo, irresponsavelmente.

Guardanapo SETE:

Nada há de mais romântico, no mundo, que um baixista semi-careca, vestindo preto desbotado, a dedilhar melodias inusitadas, apaixonadamente, jamais desrespeitando a HARMONIA. (AMORnia?)
Olha as entranhas, olha as entranhas...


Era isso, por hoje. Vou ao sorvete, beijocas geladas a todos e a todas que me aturam virtualmente.

18 outubro 2002

PEPEU E EU NA BARRA – eu também quero beijar!



Ninguém quis ir comigo ao show do Pepeu Gomes, ontem. Num rompante de mulher moderna e independente, tomei meu moderno banho, enfiei minha moderna roupa, peguei meu Bibimóvel e rumei para a Barra. Eu vou só.

O show estava marcado para as 21:30, num bar/restaurante chamado República Gourmet – já muito freqüentei, toquei, etc. Chego lá antes das 21h, e consigo vaga bem em frente. Mal termino de estacionar, o flanela dá um grito. Puxo o freio de mão, e pergunto: desculpe, o que disse?

- Eu só mandei a senhora não ir mais pra frente, que senão ia arrebentar a frente do carro na mureta!!! – Ele me responde, num mau-humor absurdo, ainda gritando, como quem me xinga por, talvez, querer bater meu próprio carro num muro (?).

- Ah, muito obrigada, mas não se preocupe, que eu sei o que estou fazendo.

- Mas ficou DOIS DEDOS da mureta!! – Ele rebate, mostrando a distância com os dedos.

- Eu sei, meu anjo. Problema seria se tivesse ficado dois dedos para dentro da mureta, não acha?

Ele se complicou para responder, acho que não entendeu. Entrei no bar.

Pepeu e banda só começaram depois das 23h – o que achei um desrespeito, mas tudo bem. Perdoado estava o novo baiano, que já começava cantando “eu também quero beijar”, com a boca imensa, o cabelo preso, a língua presa, e o charme solto que só.

(Aqui vai um parêntese: às moças que acham o Pepeu Gomes feio que é um raio, já vou logo admitindo que não sou exatamente conhecida pelo meu bom gosto estético, o que é uma pena, mas nada posso fazer. Acho o Pepeu mais bonito, autêntico, swingado, sexy e irreverentemente mais interessante do que o aguado e azulado Mel Gibson, por exemplo).

Atributos físicos à parte, musicalmente o garoto-cinqüentão também agrada, e muito. Também por “eu só quero você e mais nada” (falsete preciso e um pouco estridente no “e mais nada”, como lhe convém), mas, sobretudo, pelas seis cordas muito bem tocadas - com elegância e segurança de quem sabe o que está fazendo.

O que me chama atenção no instrumental bem entrosado da banda é a brasilidade muito bem casada com o “peso” quase “duro” (no sentido de forte) – aquele que é facilmente perceptível nas boas bandas de rock’n roll, por exemplo. Pepeu é roqueiro com swing, consegue ser HARD e BALANÇO ao mesmo tempo. Empolga e impressiona.

Toca choro com guitarra distorcida e faz convenções inusitadas, sempre com muito bom senso, e sem rompantes exagerados. Tudo como manda o figurino, eu diria.

O final ficou aquela coisa meio “sai do chão, galera”, apelando para a manjadinha “ora bolas, não me amole com esse papo de emprego” – particularmente, acho desnecessária e fracote das pernas, mas o povo gosta e aprova, levantando e dançando ao redor das mesas. Aplaudo também. (Quem sou eu?)

Os destaques do público foram mesmo as três filhas do Pepeu – as meninas têm um grupo de dança que canta, ou um grupo de canto que dança, não sei bem, vocês lembram? É algo como KLB, mas com as letras delas. Cada qual com a carinha da Baby, mas a cor do cabelo é o que diferencia. Todos fluorescentes, mas cada qual num tom... fluorescente.

E o pessoal do FAMA (não sei qual versão do programa, mas havia um bocado deles) também estava numa das mesas da frente.

P.S.: Ah, sim. Minha mãe, no primeiro dia em que passeava aqui pelo Barrashopping, deu de cara com o Pepeu Gomes e exclamou: NOSSA! Que cara parecido com o Pepeu Gomes!!

“Mãe, este É o Pepeu Gomes”.

“Credo, minha filha, mas como está FEIO !!!”

Logo, não tenho por quem puxar.

17 outubro 2002

APELO AOS NAVEGANTES

De todos os apelos que fá fiz, o que se segue é o mais imporante: ESQUEÇAM, pelo amor de Deus, que eu escrevi a pérola
"(...)pois que escolhi vim logo parar debaixo do braço do Redentor".

Foi erro de digitação, vamos dizer assim. O calor, enfim. Sei lá. Escolhi VIR. VIR, VIR, VIR.
Jamais escolhi VIM.
Desse jeito, não vou VIM a lugar algum. Argh.

16 outubro 2002

Alou, macacada.
Em casa, já recebi críticas rígidas em relação ao meu fraco desempenho aqui no BiBlog nos últimos dias.
Culpo o calor e a (conseqüente) falta de inspiração. Pode ser?

Não se vive mais no Rio de Janeiro; derrete-se, aqui, dia após dia. Hoje eu fui dar uma caminhadela na praia, à noite. À noite! Suava em bicas. Vento nenhum. Até o mar, acostumado que deve estar às temperaturas exageradas desta cidade, pareceu-me suspirar de calor – posto que as ondas, cá de longe, pareciam-me mesmo velhas baianas, com seus vestidos rodados de espuma branca, a balançarem, em suas redes, para um lado e outro, com a lua na cabeça e alguma preguiça justa no coração.

Eu digo justa, sim, porque “o calor vem desumano” – como cantam Djavan e Cássia -, e ninguém merece movimento algum, por estes dias, que não seja o vaivém ondulatório, ou pendular, ou qualquer outro vaivém que vocês imaginem aí em suas mentes sujas, mas depois não me venham dizer que a pervertida aqui sou eu!

Na calada da noite, só para variar um pouco, os bandidos metralham os prédios públicos e detonam bombas nos shoppings da cidade. O tal Palácio Guanabara está virado num queijo suíço, e não é de hoje que os traficas andam planejando transformar a cidade maravilhosa em Tábua de Tiro-ao-Álvaro – não tem mais onde furar.

Mas, para não dizer que não falei das flores, nossa futura governadora, Rosinha Garotinho, não poderia ter nome artístico mais apropriado aos cidadãos que temem pelo futuro disto aqui. Rosinha Garotinho: uma flor e uma criança – oh, quanta esperança.

Deve soar mesmo esperançoso à maioria da população, pois a moça está eleita, de fato, e nada mais se pode fazer. A não ser, é claro, reclamar para o bispo.

Mudando de assunto - até para não terminar tão doce quanto limão estragado -, hoje eu comi um feijãozinho caseiro que lembrou minha Vó Manoela, mãe de meu pai, já falecida. Foi com ela que aprendi a rezar, quando ainda achava que Ave Maria era, realmente, alguma parenta das galinhas, pombas e patas que minha vó criava no sítio. Eu achava uma ótima piada: “Ave Maria, cheia de graça”. E imaginava, sei lá, uma garça desajeitada, divertida e muito boazinha, que ficava voando lá pelo céu (?), a rogar por nós, agora e na hora de nossa morte, amém.

Mal sabia a Vó Manoela que eu iria precisar tanto dos cuidados da garça-mãe de Deus, pois que escolhi vim logo parar debaixo do braço do Redentor, e, quanta ironia: o cenário aqui anda quase beirando a perfeição daquilo que um dia fora imaginado pelo, desculpe-me a governadora, mas pelo chifrudo mesmo.

Já sei, já sei: era preferível que eu terminasse o texto na acidez do limão que nas guampas do diabo. Mas essas coisas a gente não escolha. (Governadoras, sim).

11 outubro 2002

DOS BICHOS


Não, senhora, meu blog não está entregue aos bichos. Apenas estive atolada de serviço nos últimos dias, de forma que não pude brindá-la com minhas frases tão assiduamente quanto desejaria. Estou perdoada?

Obrigada, senhora.

E como vai seu cabelo vermelho? Tem feito as unhas regularmente? As caminhadas, os abdominais, as redações dos meninos – tudo nos conformes?

Aqui tudo está indo muito bem, fora o calor de rachar e a violência de furar. Nossa sorte é que ainda temos a água de refrescar, a reza de proteger e a poesia de viver. Não fosse isso, minha senhora, a coisa já teria degringolado (palavrinha, aliás, que aprendi com a senhora, nos idos tempos em que ainda me Aninhava nos seus braços).

O almoço que eu fiz ontem lhe causaria sensacional orgulho. Pois não é que temperei a galinha (frango!, depois de morta, a galinha vira frango!) um dia antes, e reservei na geladeira, de modo a “pegar gosto”?

A bichinha agarrou mesmo o gosto do limão e minhas ervas desidratadas! Assei-a, e nos deliciamos com o sabor intenso de uma galinha bem-dormida! Nada como um dia após o outro, já diziam.

Fiz até uns tomates (na verdade, só cortei e temperei), e arroz integral – claro. Meu irmão comeu que se lambuzava, inclusive o tomate! Mas disso não posso falar muito, que depois ele reclama de eu estar expondo sua intimidade.

(Quatro sobre-coxas, ele comeu. Quatro!!! Quem é que dá conta de alimentar esse moço?? Juro que não conto mais nada, ok.)

Meu pai – para mudar o alvo – telefonou, dia desses, contando a novidade: depois de dois meses de espera, finalmente fora buscar a Raíssa (cachorrinha) na escola de adestramento.

Depois de matar a saudade do bichinho, pôs-se a ouvir as instruções do “professor”. O que havia ali não era mais uma reles cadela. Tratava-se, ele desconfiava, de um animal programado, quase como um moderno aparelho “desses de apertar botão”. E ele, até hoje, confessa ter dificuldades em pausar o vídeo para fazer xixi.

A confusão foi ficando grande. O “professor” da Raíssa estava discorrendo, de modo técnico, sobre as novas funções da cachorrinha. Era um verdadeiro manual de instruções. E a Raíssa não tinha controle-remoto, para piorar.

Meu pai saiu de lá completamente zonzo, com tanta informação. E começou a se arrepender no ato.

-Senta! – A Raíssa deitava.

-Levanta! – A Raíssa sentava.

-Pega, pega! – A Raíssa olhava, com cara de tacho. Estática.

E assim foram se desentendendo mutuamente, até que ele resolveu desistir, e tratá-la como se fora um mero cão. Chega desse negócio de adestramento. Cachorro inteligente é história pra boi dormir, esse bicho que se coloque no lugar dele, e pronto.

-E deu certo, pai?

-Nada!! O feitiço virou contra o feiticeiro! Agora, é ela quem manda em mim!! Impressionante! Se eu mando calar a boca, ela late ainda mais alto. Se eu mando deitar, ela pula em cima de mim. Se ela quer comida, tem que ser na hora. Tudo, tudo na horinha em que a madame quer! Já expliquei que, numa relação, cada um tem que ceder um pouco. Pensa que ela deu bola para a minha psicologia de casais? Nem aí! Continuou balançando o rabo, cínica, como se não fosse com ela. Estou cansado, sabe, filha? Não há diálogo, não há respeito. É tudo como ela quer, só a vontade dela impera nesta casa. Está virada numa cadela tirana e sem escrúpulos. Ontem mesmo, eu me peguei seguindo as ordens dela, naturalmente, como se isso fosse a coisa mais normal do mundo. O pior é que a gente acostuma e, depois, quando vê, já está obedecendo mesmo! Era só o que me faltava, mais uma para me dar ordens! JÁ NÃO CHEGA A TUA MÃE??!

07 outubro 2002

PENSA!

Sexta-feira à noite eu fui à Lapa com um amigo. Ele passou aqui em casa, e pegamos a Linha Amarela em direção ao Centro da cidade - eu moro no Recreio, é longe, aqui no Rio as distâncias são sempre grandes.

Lá pelas tantas, pouco antes de pegarmos a Av. Brasil, fomos surpreendidos por carro da polícia - que deu um cavalo-de-pau e se atravessou no meio da pista. Desceram uns 4 ou 5 PMs, cada qual com um fuzil na mão. Um deles disparou um tiro, provavelmente tentando "caçar" ou assustar um bandido que passava por ali na hora.

Meu amigo estava dirigindo, e gritou para que eu me abaixasse, enquanto ele acelerava e tentava nos tirar dali o mais rápido possível.

Cena parecida com essa (mas sem o tiro) eu presenciei, também na Linha Amarela, exatamente na noite anterior.

Fica aqui meu desabafo, acompanhado de um pedido encarecido que se estende a vocês e a quem mais quiser: PENSEM PAZ. Atentem para suas vidas em família e no trabalho, e POLICIEM os PENSAMENTOS o quanto puderem.

Não deixem seus filhos crescerem pensando que o Rambo é o máximo. NÃO incentivem a violência, sobretudo com o PENSAMENTO.

Quando a gente pensa "não posso fazer nada para resolver essa situação", está CONTRIBUNDO para que ela não se resolva. TODOS PODEMOS, e a força está, não na matéria, mas NA IMAGINAÇÃO - por mais incrível que pareça.

Não estou dizendo besteira, meu anjo. De boba, tenho só a cara e o bolso.

A ciência está cada vez mais próxima de compreender certas questões antes desprezadas por ela. INFORMEM-SE; leiam UM parágrafo sobre os princípios da física quântica, antes de considerarem que qualquer papo sobre "o pensamento cria" é balela.

Dêem uma busca, na Internet, pela palavrinha GOSWAMI (é só um mero exemplo). Trata-se de um físico que é doutor no Instituto de Ciências Abstratas em Sausalito, CA. Ele afirma, entre outras coisas, que A CONSCIÊNCIA É A CRIADORA DA REALIDADE FÍSICA.

Está tudo muito perto de nós. É FÁCIL e SIMPLES. Não é A CIDADE que anda violenta, não é o PAÍS, não é o BUSH, não é LÁ - nada é LÁ.

Somos nós - é aqui, bem aqui.

É quando eu penso em ferrar o cara que me ferrou, é quando eu tenho ÓDIO, RAIVA, AGRESSIVIDADE, RANCOR. É dessa matéria-prima que são feitas as bombas. E elas estão estourando cada vez mais perto do nosso nariz.

Nada é tão complicado assim, se eu não for CABEÇA-DURA. É CARETICE não prestar atenção nisso, é RIDÍCULO continuarmos ignorando que a responsabilidade é NOSSA.

Vejam se vocês conseguem beber um gole d'água antes de se imaginarem fazendo isso, mesmo que rapidinho, "quase" de modo mecânico. Se alguém conseguir, dou-lhe minha fortuna toda (hehe).

Não estou pedindo para rezarem a Santo Expedito, nem para fazerem um batuque aqui e ali, nem para meditarem, fazerem jejum, acreditarem em coisa alguma que não esteja com vocês dia e noite. É só PENSAMENTO, é grátis e não morde.

Não é porque está na moda, não é o pensamento dos livros de auto-ajuda. Vão estudar um negócio sério antes de julgar pelos almanaques da vida, não se contentem com a água batendo nas canelas - queiram ir mais fundo, se forem capazes, se não tiverem PREGUIÇA.

Raramente escrevo sobre isso. Vão dizer que devo acabar doida, vendendo incenso em Três Coroas. Capaz de me colocar na prateleira dos "esotéricos".

Mas agora eu escrevo, e ainda mando estudar. Fiquei TOCADA pelas cenas que vi, quero mais é que me achem maluca de pedra, não estou nem aí. O negócio tem que funcionar, não é possível que essa gente CARETA vá continuar batendo sempre nas mesmas teclas. Tacanhice com destino ao crime - passagem só de ida.

Desculpem estar sendo tão enfática; sou meio exagerada, mas só quando decido ser, quando é por boa causa.

Pensem paz, vivam bem... vão cuidar da vida, oras.

Abraços,

Bíbi Da Pieve

04 outubro 2002

YES, WE HAVE BANANAS


Instalaram uma feira aqui ao lado do nosso prédio. É assim que se diz – instalaram uma feira? Não sei. Depois da invasão dos softwares, parece que tudo é de instalar.

Fiquei com preguiça de “fazer a feira” (como os cariocas dizem); ainda não fui. Mas tenho sonhado muito com o dia em que sairei daqui com uma sacolinha no ombro, e tratarei de buscar bananas-prata e maçãs verdes na feira. O que me falta é disposição, mas, em contrapartida, tenho imaginação que dá e sobra.

Estou tratando do figurino. Não sei com que roupa eu vou. Acho que roupa de feira tem de ser meio coloridinha, primaveril, e eu não tenho nada que misture cores, nada de flores, nada, nada. Gosto de cores “burras”, como costumo dizer. Quando compro uma blusa vermelha, é exatamente aquele vermelho que você imagina quando lê escrito: VERMELHO. Bem grande, assim, ignorantão.

Esse negócio de vermelho “puxado para o...” não me convence. Verde é verde, azul é azul, e assim por diante. Minhas cores são assim; honestas, francas.

Agora, para a feira, preciso arrumar um visual de menos impacto. Acho que vou a um brechó comprar um vestidinho de tonalidade duvidosa, sei lá, com florezinhas ou mesmo rabiscos incoerentes de todas as cores desbotadas que eu achar. Um estampado desses que parecem salada mista, cortina de salada mista, algo do gênero.

Sandália. Não posso deixar de comprar uma sandália sem salto-alto, que a gente anda muito na feira. Se bem que, por aqui, temos só três ou quatro barraquinhas. Não importa. O tamanho da feira não pode determinar o traje, senão vira bagunça. Feira é feira, e pronto. Salto baixinho.

O cabelo vai todo preso para cima, até para não atrapalhar no apalpar das frutas. Há que se ter muito cuidado, numa feira, para escolher bem o produto. É básico.

O texto é fácil. Basta reclamar de tudo um pouco, começando pelo tempo, vizinha, que está há dias nessa indecisão, ora chove, ora esquenta, não é? E o preço do morango, então? Quis fazer, noite dessas, uma festinha lá em casa. Festinha particular, entende?, para o maridão, com morangos e chantilly, não sei se estou sendo clara... é, festinha de sacanagem, isso mesmo. Só que não deu, amiga, simplesmente perdi todo entusiasmo ao me deparar com o preço do morango, que já foi mais humilde. Assim, não há sacanagem que resista!

E a vizinha há de comentar que, ontem mesmo, o menino mais novo teve um febrão que foi de preocupar. Banho frio, afinal, é bom? Não sabe. Na dúvida, colocou todos os edredons da família por cima do moleque, que acordou encharcado no meio da madrugada. Mas a febre dele baixou; o problema é que o marido e os outros três, hoje, amanheceram espirrando, porque dormiram destapados. Aí ela teve a idéia de vir buscar uns limões, aproveitou que era dia de feira...

Assim, eu vou fazendo as compras, com meu vestidinho alegre e minha sandália sem graça.

Vou chegar em casa, orgulhosa, colocando as frutas numa fruteira – preciso comprar uma -, por ordem de tamanho ou de chegada ou de cor mesmo. Os legumes, devo empacotar e guardar na gaveta debaixo da geladeira.

Depois, às 11h da manhã, colocarei a couve-flor e uns rabanetes no microondas (deve ser assim que se faz), lerei as instruções na embalagem, e seguirei à risca. Assim que apitar, farei o mesmo com a rúcula, o agrião, os tomates e, sei lá, o pimentão VERMELHO (como a minha blusa).

Quando estiver tudo cozido – será que precisa de água? -, ou assado, não sei como se diz, então eu chamarei a família, colocarei a toalha xadrez por cima da mesa, e uns pratos, e uns copos.

E sairei correndo pela porta dos fundos. (Na verdade, a sandália baixa era pra facilitar a fuga).





03 outubro 2002

Sonhei, amigas, nem pareceu sonho. Lembro ainda agora, com nitidez. Eu estava me preparando para subir ao palco. Era um lugar enorme, estava lotado, tratava-se de uma grande festa – algo como Oktoberfest, eu imagino. Com barraquinhas, muita comida e chope.

Ofereceram um jantarzinho à banda. Sentei-me, e comecei a comer. Lá pelas tantas, engasguei feio, muito feio. Vieram me amparar, o que houve com ela?, mas já era tarde: algum distraído – ou bêbado mesmo – havia deixado cair, naquele strogonoff de camarão delicioso, uma das lentes dos seus óculos de grau.

Eu, de pouca sorte, havia conseguido justamente me servir da conchada que escondia aquela lente. (Detalhe: àquelas alturas, o vidro já estava partido, aos pedaços). Quando fui morder o camarão, tive a ingrata surpresa de mastigar, também, migalhas de lente. Pensando que era areia, fiquei com vergonha: não vou reclamar, prepararam o jantar com muito carinho, mas não limparam o camarão direito. Tudo bem, tudo bem, acontece.

Mastiguei a “areia” todinha, estranhando um pouco aquela consistência, e engoli. Outras garfadas, mais “areia” engolida. Até que, subitamente, apareceu na minha boca um naco maior de vidro. Pensando que poderia ser qualquer objeto estranho, menos óculos, tratei de triturar também, e engolir. Metade entrou; outra metade, cortou minha língua e meus dentes.

Comecei a tossir e a cuspir vidro diante de todos. Foi aquilo.

Quando, enfim, percebi o que havia acontecido, aí foi que as coisas pioraram: parecia que meu estômago estava sendo esquartejado por aquele vidro todo, antes “areia”, que eu tinha ingerido irresponsavelmente.

Fui ao banheiro, correndo, e olhei no espelho. Um dente da frente caiu no chão, assim que abri a boca. Outro, o vizinho daquele, ameaçava pular também. Era o início do suicídio coletivo da minha arcada dentária.

A única coisa em que eu pensava era: e agora?? Como é que vou cantar com este time desfalcado?

Nisso, entram dois homens no banheiro. Um deles é meu amigo cantor; o outro, um baixista que o acompanha.

- O que está havendo? Por que vocês entraram no banheiro feminino?? – Eu disse, assustada e tímida.

Não era o banheiro feminino. O equívoco fora meu, que, aloprada e semidesdentada, tinha invadido o sanitário deles.

Foi então que me caiu a ficha: “O que vocês vieram fazer nesta festa?”

Tinham ido me ver tocar. Mas já estavam indo embora, porque ouviram um boato lá fora – que a baixista tinha passado mal por causa de excesso de álcool, e fora carregada, muito a contra-gosto, para o Pronto-Socorro mais próximo. Glicose na veia, aquelas coisas.

- É mentira!! Eu só engoli vidro!!

- Credo! Estava tão mal assim???

Mostrei os dentes caindo, e expliquei o problema, até que se convenceram. Na minha frente, a solução: um cantor e um baixista, novinhos em folha, e cheios de dente. Substituição!

O que se sucedeu a partir de então, já não lembro bem. Só sei que os amigos foram mesmo me substituir, gentilmente, enquanto eu chorava, inconformável, dentro do ônibus da banda.

Até que chegou um ex-namorado meu, jovem cabeludo de predicados estéticos animadores, e ficamos ali, sozinhos, dentro daquele ônibus escuro, afastado de tudo e todos.

Já disse que não lembro o que aconteceu, pô!!

***
Moral da história: boi desdentado também pasta.

02 outubro 2002


ERRATA

Errei, errei!
Eu não tinha 9 anos quando da novela Top Model, mas uns 12. Quase me rejuvenesço três anos. (Mal, não faria).

Deve ser a crise dos 25 anos - que eu farei no dia 24 de novembro próximo, se Deus ajudar e a Benedita deixar. Mandem brindes!
Imagine, 25. Eu tinha certeza de que, aos 25, seria uma mulher formada, bem sucedida, linda e cheirosa, a fazer compras no shopping com o Breno (filho, já com um ano e meio) e um certo Capitão Rodrigo (maridão, claro).

Mas tudo passou tão de repente, foi até divertido, nem cansei, todavia, muito embora esteja feliz como pinto no lixo, não arrumei canudo algum, nem tampouco sucesso, lindeza, Breno ou Rodrigo. Vai-se vivendo, oras.

Esta coisa de planejar é comum aos mortais, mas carece um pouco de inteligência. Dos planos que fiz, poucos vieram me dar bom dia na vida real.

O plano bom é aquele que, ao invés de ser planejado, planeja a gente. É o pensamento que te pensa, o sentimento que te sente, a vida que te vive.

Quando eu comecei a tocar violão, tinha certeza absoluta de que a coisa mais difícil na vida era fazer um Fá maior. Aquilo não era pra mim, definitivamente. Cantava com gosto, mas cheia de pé atrás. Minha mãe dizia “te solta!”

O plano vinha me comendo pelas beiradas. Sorrateiramente, o sentimento me sentia, e o pensamento me pensava: no fundo, é exatamente nessas seis cordas que eu vou me segurar enquanto ainda não puder me soltar.

Com o tempo, fui caindo cada vez mais dentro. Dentro da caixa do violão, onde o barulho é mais intenso e a gente sente a vibração de cada nota no peito... diacho, o peito. A primeira coisa que eu vi – e me encantou – no contrabaixo foi justo o peito. O meu, que ficava tremendo ao som do grave produzido pelo instrumento.
Outro plano que eu não planejei – o baixo me pegou pelo peito, e não larguei dele até hoje.

Essas coisas que a gente não entende. Quando me perguntam “e por que o contrabaixo?”, eu me seguro para não cair no ridículo de dizer: toco baixo porque o baixo me tocou primeiro.

Paupérrimo, não? Pura verdade.

Assim que eu parar de tomar essa vacina anti-Breno, e se, então, o Breno vier chorar na minha vida, terei muito prazer em oferecer-lhe meu peito para que possa se tornar uma criança saudável – alimentada de um leite grave, cheio de oitavas abaixo, dedilhado profundamente com muito amor e alguma melodia, que ninguém é de ferro.

Um leite em fá maior, leitinho afinado de quem seguiu, sobretudo, o instinto. Na hora de compor – vida ou canção -, garanto que não há coisa melhor.
Ah, eu acho engraçado. Quer dizer que estão reivindicando atualizações no BiBlog, como se clientes fossem? Ok, eu mereço. Agradecemos a preferência. A sua ligação é muito importante para nós.

Mais de 5 mil visitas neste site, e eu continuo cada vez mais dura, tentando escrever um livro para ver se descolo algum, concentrada nos meus personagens, enlouquecendo meus pobres amigos que já não sabem se sou fruto de ficção ou realidade, sonhando viver de brisa ou vento ou poesia mesmo. E me vêm cobrar assiduidade artística.

Pois bem, caríssimas leitoras (suspeito só ter mulher me lendo, além do Duda e do Mano), cá estou, desprovida de inspiração, mas nutrida de afeto pela literatura até os dentes. Nove da manhã de quarta-feira, acabo de ler no Globo que “o tráfico planejou ação que parou o Rio”.

Chega a ser engraçado – perdoem meu humor negro e, por vezes, infame. Primeiro, que o rio costuma correr indefinidamente, já diziam os poetas antigos. Hoje em dia, eis que o rio pára.

Diziam os telejornais extremamente confiáveis da nossa cidade, ontem mesmo, que “uma onda de boatos fez o comércio parar em alguns dos bairros do Rio de Janeiro”. Imagina, falando assim, boatos. Parece coisa de gente doida, que um passou para outro, que passou para outro, e acabou se formando uma ondinha, quase uma marola, que – olha só! -, plim!, parou a cidade.

Comerciantes desvairados, à beira de um surto descabido de pânico, simplesmente acharam melhor perder fortunas, no final de um mês tenso de economia instável, porque “boatos” invadiram a cidade. Como fossem os ETzinhos do Mel Gibson, entortando plantações alopradamente. Boatos.

Hoje, o imparcial Globo afirma que foram os traficantes mesmo. Então eles existem, os traficantes?? Ora, quase me choco com tal novidade. Só falta me dizerem que eles mandam nesta cidade maravilhosa, agora. Só o que falta.

Nossa governadora, entretanto, diz que está tudo sob controle. Acredito que sim. “Tá tudo dominado”. Por quem, mesmo??

É por essas e outras, caros ouvintes – para variar a expressão -, que eu prefiro bater um papo com os ETs a enlouquecer meus poucos neurônios com essa gente de saúde duvidosa. Depois, a doida varrida sou eu.

Não consigo, contudo, deixar de me encantar por esta cidade amalucada e incoerente. De um lado, mar. Do outro, montanha. Só podia mesmo dar nisso.

Há quase cinco anos, trouxe meus trapos e hospedo meus versos por estas bandas. Daqui não saio, daqui ninguém me tira. A confusão inspira, amigos. E a confusão, em si, pira. (Sorry).

O Rio de Janeiro virou parente: só eu posso falar mal, sabe como é? Se pego alguém maldizendo a cidade, viro bicho. Meu bairro, então, é sagrado. Fale mal do Recreio e arrume uma inimiga de carne e prosa.

Ainda lembro, como se fosse ontem, a primeira vez que pisei nesta terra. Turismo em família. Viemos ao Recreio dos Bandeirantes, que pouco era além de mar e mato, e conhecemos parte do cenário da novela Top Model – a Malu Mader era meu ideal de mulherão, eu tinha nove anos e muita fantasia na cabeça. Lembra, mãe?

A “casa do Gaspar” (Nuno Leal Maia, na época em que eu nem valorizava um telhado grisalho tanto assim) era um sonho real. Eu estava em Hollywood, eu era feliz.

Tinha a “barraca do Sal(danha)”, onde o Evandro Mesquita interpretava um surfista natureba pra lá de atrapalhado que vendia sucos e lanches. Aqui, bem no Recreio. Eu estava vendo tudo aquilo, sonhando em me tornar a Malu Mader ou coisa parecida, e pedindo ao papai do céu que, assim que minhas pernas fossem grandes o suficiente, me pusesse a morar nesta cidade-cenário.

Ele me pôs.

Não me tornei a Malu, nem tampouco coisa parecida. Pensando bem, talvez coisa parecida: Malu-ca eu consegui ser.

Já é alguma coisa.

28 setembro 2002

PORRE DE NESCAU LIGHT NA NIGHT DE SÁBADO

Experimente ficar em casa, num sábado à noite, e encher a cara de Nescau. Mas vá com calma: escolha o “light”, para não acordar pesando mais no domingo. E use leite desnatado. De uma só marca – dizem que não se deve misturar bebida.

É o que estou fazendo hoje. Acabo de notar que já se foi mais de meio litro de leite, e ainda nem senti a tonturinha aquela. Bom, não? Tenho várias caixas aqui; prometo me esforçar e só ir para a cama quando estiver achocolatadamente embriagada.

Enquanto isso não acontece, bato um papo aqui com vocês.

Eu bebo é para esquecer, meu filho. Minha amiga foi viajar com o maridão para a região dos Lagos – olha que chiquérrimos! -, e eu fiquei por aqui mesmo. Meu único amigo e baterista, o Lori Guimarães, deu-me uma dispensada quando o convidei, já meio de lado, para darmos uma volta pelo centro da cidade, ou Lapa. Ele já tinha umas voltas agendadas com alguma pretendente, e as amigas sempre sobram para o Nescau quando pinta alguma pré-namorada ou casinho. Mais que justo.

Meu irmão saiu com a namorada, foram curtir a “night”.

E eu estou, novamente, sem namorado. (A propaganda é a alma do negócio, hoho).

Se morasse no Flamengo, ou na Glória, ou na Tijuca mesmo, poderia muito bem descer e entrar num boteco desses, fazer amizade com alguém. Mas, aqui, no Recreio dos Bandeirantes, o boteco mais próximo fica muito longe para se ir a pé. E meu irmão saiu com o carro.

Hoje eu fui ao cinema à tarde e, na volta, já muito mal intencionada, passei numa lojinha de conveniências e enchi uma cestinha com leite Parmalat. Bêbado é fogo, faz tudo de caso pensado mesmo. Olha o meu estado, olha o meu estado!, e ainda nem são 10h da noite.

Que filme eu vi? “Sinais”, com o Mel Gibson. É filme de ETzinho, eu me diverti.

Digamos que o Mr. Gibson, esteticamente, já não me agrada lá muito. Na verdade, nunca me agradou – não sou fã de olhos azuis, principalmente em homens. Ele estava charmoso, não mais que isso. (Sorry, Melzinho, capaz de você não dormir hoje, depois que passar aqui, como de costume, para ler meu Blog... mas a verdade precisa ser dita).

Se bem que, depois de umas doses de Nescau, acho que eu até encarava.

Mas chega de Hollywood, que esse papo já está me dando enjôo. (Ou seria o Nescau?) Agora ouço a rádio MPB FM, um desses oásis que a gente encontra no dial hoje em dia. Rola um Djavanzinho, Nana, Melodia, Chico, João Bosco, Caetano, Zeca Baleiro, e o Gil me dizendo “não chores mais”, como quem diz “larga dessa vida, deixa o Nescau pra lá... tudo, tudo, tudo vai dar pé.”

Já sei, vai aparecer um engraçadinho no SHOUT OUT para me perguntar “vem cá, tem certeza que era Nescau mesmo que você estava bebendo??”, de modo que já esclareço: sim, é Nescau Light, juro pela felicidade dos ETzinhos do Mel Gibson.

Neste momento, a lindíssima Paula Toller canta Casinha de Sapê – eis algo mais doce que o meu choco-porre desnatado -, e uns cachorros latem na rua só para quebrar o clima. Parmalat também. (Sorry, meu anjo, não resisti ao trocadilho).

Acho que já estou sentindo alterações na consciência. Quase choro com a Zizi Possi cantando “perigo é ter você perto dos olhos, mas longe do coração”. Isso é normal?? (Soluço).

Queridos, vou ficando por aqui, submersa no vício, que este pó (MARROM!) é um conforto, mas me deixa deveras sensível. Só pelo fato de eu escrever “deveras” já se tem uma noção.

Jamais escrevo “deveras” em sã consciência.

Boas noites, durmam com os anjos, que já vou indo embora. Rezando para não topar com nenhum bafômetro virtual no caminho.
Íííííííc !!!!

27 setembro 2002

AUTOPROPAGANDA & DICAS

* Fiquem de olho: em meados de outubro, reestréia o site “Oficina do Pensamento”, de conteúdo novinho em folha. Esta que vos fala será a colunista musical da oficina. Depois eu passo o endereço certinho.

** Quem puder, corra até as melhores prateleiras das melhores livrarias, e compre “Buscando o Seu Mindinho”, de Mario Prata, lançado pela Editora Objetiva. Esta que vos fala está lá, presente em crônica, na página 79. Discorro sobre a situação dos mindinhos no contrabaixo – como me convém. E o resto do livro também é muito bonzinho. Hehe.

*** Visitem o site www.carlosmaltz.com.br e adquiram o CD de Carlos Maltz (ex-baterista e fundador dos Engenheiros do Hawaii, hoje cantor e compositor), de nome “Farinha do Mesmo Saco”. Esta que vos fala (de novo) está lá, presente em baixo e voz, na faixa “O Sorriso do Escorpião”. E o resto do CD também é muito bonzinho. Hehe.


PRESENÇA DE JOSÉ MAYER

Saco!, não sei por que foram reprisar Presença de Anita logo agora. Infelizmente, tenho que assistir todo santo dia. Impossível ir para a cama sem o José Mayer, sabendo que ele anda desfilando aquele charme grisalho bem em frente ao meu sofá da sala, ao simples ligar de um botãozinho. Irresistível.

Rede Globo 1 X 0 Bíbi Da Pieve.



PEGANDO INTIMIDADE COM ELE - PARTE II


Tem gente que só reza quando está aflito. Eu, como prezo os deuses e os santos e o mais que paira noutro
mundo, converso com essas figuras todas as noites. Estou aqui, minha gente - eu digo -, não é para pedir nada. Só
vim pegar amizade, mesmo.

A pessoa vai ficando íntima aos poucos; assim é neste plano, não deve ser diferente nos outros, se é que há outros. O negócio é pegar amizade devagar, porque um dia a gente precisa de verdade e aí não fica bem chegar de supetão e pedir coisa.

Já deu vontade de pedir uma grana, um namorado gente boa (com furinho no queixo) e até um pouco mais de paz. Mas não peço. Anoto, e guardo tudo para quando estiver mais chegada.

A lista vai engordando, assumo, e pior ainda fica em tempos de crise. Mas não tem nada, que eu já estou quase chamando todo mundo lá pelo primeiro nome.

Jesus é um. Já me deu abertura, inclusive, para deixar de "senhor isso", "senhor aquilo". Jesus é você.

Dona Maria, mãe de Deus, ainda não consigo tratar sem o dona. Respeito, acho. Mas, assim que eu tiver a
idade dela, vai virar você também.

Onde quer que eu vá, levo a minha listinha. Nunca se sabe; se calhar de eu morrer antes da hora, já chego por lá preparada e peço pessoalmente, vou direto ao assunto:

- Seguinte. Passei a vida toda de conversinha com vocês, de modo que mal morri e já me sinto em casa. (Sento e cruzo as pernas.) Aqui está a minha lista de pedidos, mas preciso fazer umas observações. (Levanto, para soar enfático.) Paz, por exemplo. Esse negócio de paz era mais para disfarçar, achei que ficaria bonito, e tal. Mas não se preocupem com isso. Vamos direto ao dinheiro, que pode vir, naturalmente, na próxima encarnação. Mas, que fique claro: vai render uma eternidade de juros! Ou nasço podre de rica, ou sigo morta até vocês me descolarem a grana.

Aí eles vão me dar um protocolo, e me mandar esperar ali na sala ao lado. Não admito:

- Sala ao lado? Não vou. Fico aqui até ser atendida, tenho direito, nunca pedi nada em vida! (O dedo em riste.)

Burburinho, gente recém-morta e veteranos falecidos falando ao mesmo tempo, o pessoal do balcão indignado com a minha astúcia. Sigo:

- Me chama o Jesus. Me chama o Jesus, e vamos acabar com esse reboliço de uma vez. Ou a Maria, qualquer um.

Interfonam para Jesus, dizem que tem uma doida querendo furar a fila. Ele aparece, do nada, e me reconhece.

Pronto, calei a boca de todo mundo. Fui levada para uma sala vip – com cafezinho e broa de milho feita pela Maria -, e tirei uma foto com o cara.

- Na próxima encarnação – ele me disse -, tu levas esta foto e ficarás rica.

Não estou dizendo que é bom ir pegando amizade aos poucos? Morri cedo, mas morri bem. E ainda rolou a maior tietagem.


26 setembro 2002

O VARAL

Agora que percebo, esse varalzinho aí em cima é muito adequado, que
o texto, depois de feito, pede mesmo ar fresco. Sabia disso?

O ideal é centrifugar ao máximo, mas quem não tem máquina caça
com vento. De minha parte, prefiro as fases do tempo. Ora chove no
verbo, ora esquenta o sujeito, evapora o objeto e dá-se um jeito.

O varal é bom que é uma variedade de possibilidades. Outro dia
pendurei um verso que, depois de seco, virou canção. Passei a ferro,
ficou bem reto, fiz um refrão e ainda sobrou pro jantar. Tinha que ver
que delícia, misturado no feijão; um lá menor e um violão.

O varal é bom que a gente pendura e depois olha de longe pra ver que
jeito tem. Outras vezes, nem tem. Mas nunca se joga fora, que a
literatura não vem toda junta - a gente é que mistura, meia daqui, cueca
dali, e sai compondo, vai embora.

Meu sonho é me pendurar no varal, inteirinha, e ficar ali balançando a
arte, dia e noite.

Viveria de brisa e rima.
E acabaria rica, rica.


INSANO

Quase querido:
quase consigo,
o conflito é comigo,
não liga.
Quero mais que isso -
que torcer pela corrida
e morrer fazendo figa.
Quase te pego,
quase que chego,
quase me apresso,
quase dá tempo.
Quase te fisgo,
é quase um plano.
Quase te digo te amo,
mas aí já seria muito insano.


ELE ME AMA

O meu cabelo na cintura,
a minha pinta de madura,
a minha ardósia,
a rima óbvia,
o papo firme,
a boca fina,
a perna grossa
e a fala terna:
tudo frescura,
fachada.
Não valho o que como,
e não como quase nada.
E quanto a esse negócio de partitura -
quem pode, pode,
quem não pode, rock.
A vida não dura lá muito,
é pouco mais de um compasso,
eu acertando meio tempo já é lucro,
juro.
O mais é fase.
Cansou?, troca de clave.
Troca de tese, inverte, vê se consegue.
Faz outro cenário,
contrata um canário que não canta um ovo
e põe na Globo a vender disco,
diz que é novo.
E não reclama,
não reclama que pra tudo tem um jeito,
não vê eu?
Não vê eu?
Não faço sucesso,
nem sei se mereço.
Mas que Ele me ama,
me ama.
E o meu cabelo na cintura,
a minha pinta de madura,
a minha ardósia,
a rima óbvia,
o papo firme,
a boca fina,
a perna grossa
e a fala terna.
Tudo isso Ele ama, bem ama.

25 setembro 2002

É no silêncio da madrugada que a paixão esquece os perigos, que a razão perde os trilhos e a loucura encontra abrigo.
É quando a trilha acaba, a luz se apaga, é no melhor da festa – no silêncio da madrugada.

Nada pode haver de maior conteúdo que o céu escuro; texto aberto e infinito, sempre, sempre... Três Marias reticentes...

A monografia divina desconhece o tempo, a imensidão pretende continuar no escuro, misteriosa.
Não tem futuro, não tem frescura. Apenas requer uma leitura silenciosa.

É no silêncio da madrugada, na fresta da noite, no vão da escada. É quando o mundo escreve, de próprio punho, o rascunho do próximo dia.

Quando a gente deita, reza e dorme, enquanto ainda pode.

Até o burburinho. Até o cafezinho. Até o chorinho do filho do vizinho.

Quando o sol e o barulho invadem a arte, é que não tem outra solução:
óculos escuros e algodão.

24 setembro 2002

PROCURO

O amigo do Duda que deixou um post aqui falando sobre um jornal de Novo Hamburgo. Please, me desculpe a falta de jeito, mas, se puder, mande um e-mail para bdapieve@centroin.com.br e vamos conversar sobre a proposta, ok?

23 setembro 2002

Ah, não me levem a sério!! (De novo)

A reclamação é coisa do ofício, a rabugice é o tempero do texto. Minha ironia não seria a mesma se não houvesse a insatisfação constante, percebem? Se estivesse confortável com o mundo real, não escreveria um ovo. Qual graça?
Claro que eu amo de paixão – como todos vocês – o porco elétrico! Claro que sou amiga do Word; ele me livra das piores gafes, assim como a vocês também! No entanto, se eu não meter o dedo no focinho do porco, se não espinafrar o Word, o Windows, a uva-passa, os amplificadores Peavey e o que mais houver para ser espinafrado neste mundo, não há sentido em fazer meus escritos.
Não é rabugice aleatória, não. Há fundamento, mas pouco além disso.
Eu chutei, com minhas botas desastradas, o fio que levava meu texto ao porco. E perdi tudo. Em vez de me atirar pela janela ou fazer uma poesia melosa e cabisbaixa, espremo o limão e faço um texto ácido e auto-irônico xingando o porco.
Garanto que vocês não suportariam nem duas linhas de mim, não fosse a vitamina C.
E ainda espirrariam no meu Blog.

Eu, hein!?

Beijos, beijos e obrigada!

22 setembro 2002

PERDI TUDO OUTRA VEZ – O MUNDO É DO PORCO ELÉTRICO.


Eu queria que vocês tivessem visto a minha cara de indignada, diante do que se passou ainda agora comigo e esta encrenca da tecnologia que atende por microcomputador.

Eu tinha acabado de digitar um texto enorme quando, de repente, enfiei o pé na jaca da extensão que liga um fio a outro e desemboca na tomada. Vi uma tela negra na minha frente; o mundo pareceu sumir sob minhas botas de cano alto. Era o fim.

Perdi tudo outra vez. Desnorteada, ainda meio zonza, mordi os lábios com a força que Deus me deu, no intuito de não acordar a vizinhança, nesta cinzenta manhã de domingo, com expressões de baixo calão.

Não adiantou porra nenhuma.

Um segundo depois, minha boa intenção foi parar lá onde o diabo perdeu as botas – ou seria Judas? -, de modo que soltei o grito, com afinco:

“PUTAQUIPARIU!!!!!!!!!!!!!!!!!!”

Nove da manhã. As paredes aqui são muito finas. Metade do prédio, a metade que me cerca, fatalmente está, no momento, a indagar-se sobre quem teria sido a filha da p*** a ter tomado umas e outras e enfiado o dedo na tomada – ou coisa que o valha, porque o berro foi grande.

Outra metade, a metade que ouviu de longe, deve estar morrendo de pena da metade que despertou, não com o cantar do galo, mas com o estardalhaço de uma galinha insatisfeita, injuriada e extremamente bem dotada de predicados vocais – no sentido do grito, mesmo.

É nisso que dá. Estamos todos “conectados”, não estamos? Pois então. Enchemos a boca quando aprendemos a palavrinha mágica: conexão. Agora, estamos aqui, conectados e mal pagos.

Patético. Todo conhecimento de uma civilização cabe em dois furinhos, somente dois furinhos que muito lembram um nariz de porco. Fizemos um serviço suíno, de fato. Aprisionamos nosso próprio mundo num porco elétrico, frio e calculista, que deve estar, a essa altura, a nos fitar com aquela cara deslavada, assim dizendo: “ÓINC!! ÓINC!!”, e zombando da nossa desgraça.

O mundo agora é do porco elétrico. Nada mais há para se fazer.

Empacotamos tudinho – nossos livros, nossos discos, nossos dinheiro, nossas amizades e, se bobear, até o nosso sexo -, e demos de presente ao porco. O bicho que come e vira o cocho.

Felizes eram nossos avós, nos idos tempos em que o porco era tão frágil que, pobrezinho, acabava invariavelmente quebrado quando a coisa apertava e alguém decidia descer o martelo bem no meio dele. Vomitava umas moedinhas, e pronto: vovó ia à feira.

Hoje, que ironia, o porco retorna em grande estilo. Enfiando o nariz em nossas paredes, ele chega, de mansinho, iludindo, iluminando, conectando. E toma conta.

Eis a tradução para esta era tecnocrata de bytes desmedidos e conexões vitais: a vingança do porco.

21 setembro 2002

PENDÊNCIAS

Para Luka: um jogo de cordas para contrabaixo (o que eu uso, marca D’Addario ou GHS – com 5 cordas, importante) custa cerca de R$ 60,00. Ou 50, talvez. Depois te mando o número da agência e conta corrente, aí você poderá ter o prazer de me presentear e depois passar o resto da vida contando aos amigos: ajudei a pobre da menina do Blog! Isso deve contar pontos lá em cima, mais tarde. Hehe, ajoelhou...

Para todos: não levem tão a sério as minhas lamentações financeiras e/ou sentimentalóides. O que eu escrevo em prosa é passível de exagero, ficção e TPM – o que, no fundo, acaba sendo tudo a mesma coisa. O que eu escrevo em verso, sim, é verdadeiro.

Mas também não vão levar a verdade a sério, que isso dá rugas e enlouquece o vivente.

Falar em insanidade mental, acho-me beirando a doidice, aqui, enquanto tento escrever, e sou impedida pelo prepotente e estapafúrdio instinto de AUTOCORREÇÃO DO WORD (sim, porque não escrevo direto no Blog, que gastaria telefone. Mas não levem a sério.) E burro, ainda por cima.

O amigo WORD quer me ensinar, a todo custo, que “não se separa, com vírgula, o sujeito e o verbo”. Coisa, aliás, que aprendi antes mesmo da menarca – menarca literária, eu digo.

Agora, vejam vocês: se eu escrevo “Hehe, ajoelhou...”, ele me sublinha, com uma cobrinha vermelha antipática, “Hehe”. Para me avisar que a “palavra” não existe. Ah, que ótimo, não existe, obrigada.

E me sublinha, com uma cobra verde, “ajoelhou” – para me advertir que, dona Bíbi, não se separa, com vírgula, o sujeito e o verbo. (Outra coisa: Bíbi também NÃO existe, e ganha cobra vermelha.)

Caríssimo WORD: se “hehe” NÃO existe, como é que o senhor entende que “hehe” seja o SUJEITO de alguma cousa?? Algo há de muito errado consigo, não acha? Ou vai ver que a doida aqui sou eu.

Essas picuinhas da informática surgiram, definitivamente, para convencer a nós, seres humanos analógicos e pensantes, que estamos cada vez mais “fora da casinha”. Que somos invasores, estranhos homenzinhos querendo penetrar num mundo perfeito – o digital, é claro.

Nunca vi coisa mais careta e burra: O WORD, desculpem o termo, cagando leis gramaticais descabidas na minha tela. Muito minha!

Mudando de assunto, hoje tem o aniversário da Carlinha (também não existe, segundo o WORDono-do-mundo) num boteco em Copa, e também tem um aniversário na Lapa, e também tem a Sigilo tocando no Ballroom. Haja perna e pila.
Estive compondo um samba, mas não publico aqui porque tenho medo de que me roubem os direitos. Não vocês, é claro, mas algum outro aventureiro virtual que, acaso, simpatize com a idéia de afanar um sambinha composto por roqueira.

Essa é demais: SAMBINHA TAMBÉM NÃO EXISTE!!!
Argh!! Pior: SAMBINHA EM CAIXA ALTA EXISTE!!! Tá liberado o SAMBINHA, mas o sambinha ainda ganha cobra vermelha.
D E S I S T O !

P.s.: Ainda para LUKA: Estive pensando. Se for sobrar algum aí, por favor, traga também: um Cappuccino Diet (Palheta, de preferência), macarrão integral, ricota fresca, bifes de hambúrguer (de peru, Sadia ou Perdigão), xampu e condicionador Dove (para cabelos tingidos), leite desnatado, ovos, iogurte (Corpus com pedaços de frutas) e molho de tomate Parmalat (tradicional). E uma caixa de Skol, que ninguém é de ferro. Obrigada.

19 setembro 2002


Sofro também de falta de jeito. Queria ter o tato, o papo certo, o andar, o mover, o mostrar preciso.

Mostro pouco, e ainda assim sai meio torto.
Morro, mas não peço socorro.

É minha falta de jeito, defeito que adia meu sucesso, tanto o das notas, quanto o das bocas que beijo – cá do meu semijeito, sempre com receio do novo que surge do perfume do amor-perfeito.

Eu sofro de mim mesma; corro contra o tempo, esbarro na impossibilidade da arte, na audácia do texto, na lerdeza do “penso”. O “sinto” vem sempre antes, apressado e sem talento, trazendo o sofrimento e me lembrando da falta de jeito, essa que eu trago entre muita rima e pouco ato - é muito papo, é muito papo.

É minha falta de jeito, de me perder nas linhas, de pontuação precipitada e definição equivocada. Gramaticalmente até funciono; o que reclamo é além-texto, entende, é quando esbarro lá no infinito e alguém me acorda, no grito, pedindo um cigarro ou bebida.

Dizem que é a vida.

Sofro, garanto, mas também não é pra tanto. O que me anima é aquilo que respinga, o inesperado.

Volta e meia, dou uma mirada, mesmo de revesgueio, e – pasme! – acertei bem em cheio!

18 setembro 2002

Oi, meus fofos leitores. Hoje estou bem perua, aqui, de coque, nesta noite calorenta do inverno carioca.

A propósito, ainda estamos no inverno? Perco-me neste imbróglio de estações tropicais, perdoem a minha falha meteorológica.

Ontem um amigo me lembrou, inteligentemente, que o inverno carioca não se dá em julho ou agosto, mas sim em intervalos mais curtos, como: das 4h da manhã às 9h. Depois das 9h, seja inverno, verão, primavera ou outono, é tudo muito quente. O casaco do carioca, portanto, dura muitos invernos mais do que o do gaúcho. Faz sentido.

Meu irmão me interrompe, aqui, enquanto escrevo, para me puxar a orelha. Quer que eu pare de expor a intimidade dele nas minhas traquinagens virtuais; que ele não é personagem, que é muito homem de verdade, e nada tenho eu que ficar aqui fofocando sobre seus hábitos domésticos – como lavar a louça uma vez a cada eclipse solar, por exemplo.

Pois, muito bem, dou-lhe toda a razão. Cada pessoa decide o que é ou não publicável em sua vida. Um beijo, e durma bem.

Agora que ele já se foi deitar (vejam como estou literariamente ortodoxa, hoje), então, retorno ao texto, sempre me lembrando de não invadir privacidade de irmão algum.

Mudando de assunto, hoje ouvi uma frase-pérola, não tenho como privá-los dela. O sujeito estava com uma preguiça homérica, e me saiu com esta:

“Estou com preguiça até de ir dormir, acredita??”

Não dei bola, continuei aqui no micro escrevendo. Dali a pouco, completou:

“E de tomar banho, também. Mas o banho, pelo menos, é opcional.”

Ri um pouco, enquanto ele me explicava que o banho se tratava de um “plus”, algo como vidro elétrico ou direção hidráulica, por exemplo. Dormir, não. Dormir já vem de fábrica, é indispensável. Entendi o raciocínio.

Segui escrevendo. Mais dez minutos, o elemento levantou-se num pulo indignado, e ligou o chuveiro. Perguntei, daqui mesmo, se o banho não era opcional. Respondeu-me, contrariado:

“A porra do banho é, mas a FEDENTINA NÃO!!”

Fedentina original de fábrica, portanto. “Fedentina”, amigos, eu não ouvia desde que li Incidente em Antares, do Erico Veríssimo, há cerca de dez anos. Mas a palavra é ótima, não é?

Uma pérola. Coisa de família, coisa de família.

15 setembro 2002

Alou, macacada, cá estou de volta ao mundo dos vivos, de carne e byte. Pois vejam vocês, caros assinantes do BiBlog, como são as coisas. Estou com 4500 visitas neste site, e o saldo do banco está no vermelho. Ninguém me emprega, ninguém me chama nem para fazer locução do carro das frutas. Convite para escrever, então, nem pensar.

Ninguém sabe quem sou eu, além de vocês e poucos outros.

Nunca fui assalariada, a bem de verdade; sempre obtive meus centavos por meio de meus esforços esporádicos - fosse em tempo de frenéticas turnês pelo interior rio-grandense, fosse em tempo de vacas magras, mas sempre tirei leite das minhas pregas vocais. (Que nome horrível resolveram dar a isto, Deus do céu, esse pessoal das ciências bem que poderia ter um pouquinho mais de senso estético ao batizar pedaços do corpo alheio).

Agora, em meio à tempestada financeira, só me resta pedir ao grande patrão dos céus, como diz meu irmão - que, aliás, é outro duro -, que me dê condições de sobreviver nesta selva civil que atende por São Sebastião (ainda por cima) do Rio de Janeiro (ainda por baixo).

Essa foi terrível, mas não me contive.

Não que estejamos passando fome, mas podia rolar um alfinete ou outro de vez em quando, um supérfluo sempre cai bem, vocês sabem, até o J.C. não podia só com pão e água, tanto que adicionava um vinhozinho à dieta sempre que podia - está escrito no Livro Sagrado, não sou eu quem está dizendo.

Pois minha dieta tem sido desprovida de qualquer frescura a mais, ando comprando esmalte barato, e passo metade da semana retocando a unha, pinto o cabelo em casa mesmo, saio daqui desconfiada dos olhares, minhas cordas do contrabaixo estão vergonhosamente enferrujadas, mas toco assim mesmo, meu irmão reclama, digo que isso é coisa de guitarrista, que as cordas da guitarra são muito mais baratas, mas não convenço muito, vejam como não tenho obtido lucro nem no discurso argumentativo, vocês podem notar que meu texto está virado praticamente numa só frase, porque estou economizando até na pontuação.

Dêem graças a Deus que ainda estou usando as vírgulas.

É isso, caríssimos, escrevo por prazer, toco, canto e respiro por pura necessidade, a situação do músico no Rio de Janeiro está a degringolar-se, sua-se muito, paga-se pouco, gasta-se mais do que se pode, a culpa é inimiga da perfeição, os juros correm tal como cataratas ordinárias encharcando nosso saldo de dívidas, corta-se a vaidade, a auto-estima acende a luzinha da reserva, o celular só recebe, a Rosinha "Garotinho" vai vencer as eleições, os jovens estão enfartando cada vez mais, o trânsito só falta andar para trás, o Chacrinha não continua balançando a pança, e aqui eles têm o hábito de colocar UVA-PASSA dentro do cachorro-quente.

Ah, me desculpem - eu havia prometido não mais falar em apocalipse.

Desconsiderem, portanto, o tópico do cachorro-quente; que, para o resto, ainda há salvação.

09 setembro 2002

BARBA, CABELO E BIGODE


Eu citei aqui, outro dia, que faço depilação no bigode. Com cera.
E houve gente dizendo que "as mulheres não devem confessar esse tipo de coisa", que "perde o encanto", etc. E que o nome da coisa é "buço", ainda por cima.

O QUÊ?? CENSURA NO BiBlog???

Não, senhores!

Ok, vou explicar aos censores desavisados: pisar na jaca, vez por outra, é um ato artístico cuidadosamente planejado, ou acidentalmente muito bem colocado. Minhas linhas não são retas; elas têm calombos. E meu bigode é douradinho e fininho, TÁ? Um luxo de bigode.

Olha, que maravilha, poder compartilhar meus aborrecimentos estéticos com vocês. Não são reles pêlos, caríssimos. Tudo é texto em potencial, e a poesia mora justamente nos seus bigodinhos, caso não saibam - o bom da arte é justamente encontrá-la na inusitada cera quente, num improvável sentimento, ou num desprezível acontecimento.

A olho nu, tudo é completamente sem graça. Cabe a nós a tradução; colocar um batonzinho nos fatos não é crime nenhum.

Portanto, deixem-me em paz com minha barbinha pública (eu disse PÚBLICA, não vão me acusar de estar usando palavras de baixo calão!). Qual é a graça de sentir a dor da cera e não contar a ninguém?

Eu, portanto, ponho o meu bigode no mundo. Meu cavanhaque, idem. Minhas mazelas cutâneas são dignas de prosa e verso, e daí? Sagitariano tem mania de grandeza; é o sotaque de Júpiter - nosso planeta regente é justamente o da EXPANSÃO.

Não venham querer segurar a coisa que em mim se expande, porque eu expando e explodo, hein?! Olha que eu explodo!!

E outra: "buço", artisticamente falando, não chega nem aos pés de um bom "bigode". Leia em voz alta: BIGODE. Sinta os fonemas: BIGODE!

Eu me recuso a usar BUÇO, tendo BIGODE à disposição. Seria muita falta de senso estético; buço é um tremendo desperdício literário, e me fere a ética.

Fiquem vocês com esse tal de buço inconfessável, privadíssimo e sem sal, que eu vou de bigode, um bigode amplo e irrestrito, meu bigodinho muito público, chiquérrimo, feminino e... fashion.

Perco o encanto, mas não perco a piada. E tenho dito.

07 setembro 2002

Tá bom, vou abrir um buraco nas minhas choradeiras eleitorais e falar um pouco de outras coisinhas.
Mas eu VOLTO, hein?
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Estive comentando hoje com meu irmão que está na hora de eu fazer um TÁ, mas ele não entendeu do que se tratava, então eu suponho que vocês também não entenderiam, de modo que já explico: "fazer TÁ" é ir até aquelas moças que enfiam cera morna no seu bigode (elas dizem buço) e depois... TÁ!!! - elas puxam tudo bem rapidinho, e a dor dura o tempo de um TÁ.

Preciso fazer TÁ no queixo e no bigode. Tipo da coisa que eu não entendo, mas faço porque a minha mãe ensinou que é preciso. O pior é que, neste mundo, nem o TÁ é de graça. Pode?

O Rio de Janeiro veio abaixo com a ventania da madrugada de ontem. "Ninguém merece", como dizem os cariocas e os gaúchos que saem repetindo expressões engraçadas.

Graças a Deus, eu já tinha chegado da Lapa quando começou a folia. Vocês viram que bombas de um posto de gasolina foram literalmente ARRANCADAS com o vento?

Quem saía na rua, hoje, via destroços. Fui até a Tijuca e voltei, apavorada. Demos com uma árvore no meio da pista, tivemos que desviar para não engolir galho com cacos de vidro. Ninguém merece.

É, o fim se aproxima.

Mas não quero falar do apocalipse, porque li a Época desta semana e concluí que o apocalipse foi capitalizado até não poder mais (grande novidade). Os livros mais vendidos tratam do fim do mundo, os fiéis gastam horrores, enfim, todo mundo anda lucrando em cima do dia "D", e não sou eu que vou querer audiência no BiBlog apelando para o juízo final.

Mas, que o fim se aproxima, isso é certo.

Pelo menos a gente não vai mais precisar fazer TÁ.

06 setembro 2002

FAAALA, MACACADA!!

Confesso que estou em silêncio proposital, desde o dia 3/9, no intuito de manter a "Campanha Virtual Ana Lógica no Jô" por mais tempo no ar. Precisamos de você, cidadão consciente. Sua ligação é muito importante para nós. Ops!, seu voto.

Amigos e companheiros de todas as querências, reflitam um minutinho sobre a situação dos SEM-GRAVADORA. São anos de estrada, de persistente batalha artística. Vou contar-lhes uma história triste. Sem querer me aproveitar de sua sensibilidade, é claro. Trata-se da verdade.

Puxem um banco e vão sentando, que o depoimento é espaçoso.

Esta baixista que vos escreve, companheiros, ainda era uma fedelha de 13 anos quando começou a se enfiar no mundo da música profissionalmente. Andava tocando na noite, durante horas a fio - naquele tempo, as bandas de bar costumavam tocar até cinco horas por noite. E ganhava-se muito pouco (coisa que não mudou nada até hoje).

Os dedinhos doíam muito, as cordinhas vocais - que ainda não eram denominadas PREGAS VOCAIS, como hoje -, coitadinhas, clamavam por justiça a cada nota aguda meio desafinada. Mas a pirralha insistia, por amor à arte, e para poder faltar às aulas do dia seguinte com a desculpa de que "estava trabalhando".

Companheiros, isso já faz mais de uma década. A fedelha não largou o osso, e envelheceu com o contrabaixo pendurado no pescoço, o que lhe causou uma lesão na coluna - chamada ESCOLIOSE. Pela beleza do nome, imaginem o tamanho da encrenca no esqueleto.

Bíbi Da Pieve abandonou os pampas gaúchos, amigos eleitores, vendeu o que tinha e o que não tinha, e veio cair nesta cidade-purgatório-da-beleza-e-do-caos.

(Sim, Bíbi Da Pieve sou eu mesma; estou discursando na terceira pessoa que é para dar mais veracidade política, se é que me entendem.)

Atualmente, já com um disco gravado - e muito bem gravado, diga-se de passagem -, caminhando e cantando e seguindo a canção, aquela baixista, outrora fedelha, hoje moça feita, dedos mais resistentes, pregas vocais mais maduras, só um momentinho que eu me perdi - não posso com frases longas, vou começar tudo de novo.

Atualmente, já com um disco gravado, Bíbi Da Pieve quer conscientizar a nação de que uma banda como a Ana Lógica, experiente e eticamente correta, tem direito a subsídios básicos como saúde, alimentação, habitação, escolaridade e, sobretudo, um pulinho no SOFÁ DO JÔ.

É por isso que eu vos convoco, colegas trabalhadores: VENHAM FAZER PARTE DESTA CAMPANHA! VOTE ANA LÓGICA NO JÔ!

Meu nome é Bíbi Da Pieve, e meu número é o 28.906 (registro na Ordem dos Músicos do Brasil).

03 setembro 2002

CAMPANHA ELETRÔNICA - VOTE ANA LÓGICA NO JÔ !


Caros leitores do Biblog,


nossa produtora enviou um material muito bem elaborado para
a produção do Programa do Jô. Trata-se de um Kit-Ana-Lógica, cheio
de informações e surpresas diversas.

Estamos fazendo uma "campanha" (já que o momento é
propício) para que a nova empreitada seja bem sucedida. Uma banda
como a Ana Lógica - com 11 anos de estrada, um disco gravado, mas
ainda SEM GRAVADORA - não tem facilidade de conseguir espaço na
mídia, como sabem. Por isso, pedimos a força dos amigos, e contamos
com o apoio dos fãs-eleitores.

Sem mais para o momento: VOTE ANA LÓGICA NO JÔ!!!

Segue abaixo um roteiro explicando como se deve proceder
diante da urna eletrônica que todos vocês têm em casa. E Não se esqueçam, por favor, de repassar o nosso "e-santinho" ao MAIOR NÚMERO DE PESSOAS possível.

Ana Lógica no Programa do Jô: você pode tornar este sonho realidade.
Ana Lógica no Programa do Jô: pela música de qualidade na TV aberta. Ana Lógica no Programa do Jô: DAQUI A POUCO A GENTE VOLTA!

Muito grata,

Bíbi Da Pieve
baixista e vocalista da Ana Lógica.
----------------------------
************************
Vá em

www.globo.com/programadojo

clique em "o programa"

clique em "sugestão de pauta"

Aparecerá alguns campos para preencher. São eles:

Entrevistado - coloque aqui "Ana Lógica"

Assunto - coloque algo como música, banda de rock

Telefone para contato - coloque os telefones "(21)24987141"
"(21)24987142", "(21)96033109" ou "(21) 88133801". Qualquer um
deles ou mais de um.

e-mail - Coloque "aleventos@aleventos.com.br"


OU vá em:

www.globo.com/programadojo

clique em "e-mail"

Preencha seus dados e escreva uma mensagem para o Jô pedindo a
Ana Lógica no programa!!!
SÓ JESUS SALVA

Vocês me desculpem a demora, novamente, mas ontem foi de lascar. Escrevi um big texto aqui, e, quando fui postar no blog, houve uma queda de luz e eu perdi tudinho. Claro, não havia salvo. Só Jesus salva, né?!

Aí eu me tapei de nojo, larguei tudo e fui para a Lapa.


MAS, VOLTANDO AO QUE NÃO FOI SALVO

Eu ia explicando, ontem, à Luka - e demais interessados - que, sim, eu tenho uma banda. Chama-se ANA LÓGICA, é um trio formado por mim e mais dois moçoilos que são minhas caras-metades musicais: Lori Guimarães toca bateria, e Adalberto toca guitarra. Este último, por obra do destino, nasceu da mesma Aninha que me colocou no mundo.

Eu toco baixo e sou a vocalista da ANA LÓGICA (repetindo o nome para fixar, sei tudo de marketing, hoho...).

O estilo da banda é rock; devo dizer que não se parece com nada, infelizmente não sou boa de descrever o que é cantável e tocável, se é que me entendem. Mas posso garantir que é audível, não se assustem. Nada muito pesado, nem muito leve. Bah, acho que não ajudei muito.

Gravamos o primeiro CD no ano passado, mas ainda não o lançamos por falta de gravadora e/ou verba para lançamento independente. Há 11 músicas minhas, e uma regravação do Caetano em versão roqueira - com todo respeito, claro.

Quando houver o próximo show (já tá pintando) eu aviso aqui, e a gente vai se vendo e se ouvindo na estrada, certo? O prazer será todo meu.
Ok, 80%.

Ah, já teve gente me perguntando se eu toco baixo e canto "tudo ao mesmo tempo", então já vou explicando que é isso mesmo, amigo, e nem é tão difícil quanto parece. Decore muito bem a linha do baixo, e depois saia cantando em cima como se não fosse com você. Dá certinho, certinho.

(Eu ia fazer um trocadilho com "tocando - em - baixo e cantando em cima", mas aí seria infame demais, vou me segurar).

Só não recomendo mascar chiclete ao mesmo tempo, porque desconcentra.

E, para as moças, não recomendo salto muito alto - morro de medo de despencar no meio do palco, porque tocar, cantar e respirar ao mesmo tempo já é o suficiente para se atrapalhar; não se pode querer pular de salto altíssimo, né? Isso a gente deixa para a Daniela Mercury, que o nosso instrumento é pesado, e não deve ser legal cantar estabacada no chão com um contrabaixo atravessado no pescoço.


FALANDO EM MÚSICA

Emerson Nogueira, anota aí. Descobri ontem um CD desse cara, lançado pela Sony, só de covers internacionais em versão acústica. Violão e voz, com uma percussãozinha volta e meia.

Meniiiina, vale a pena. Coisas como "Wish you are here", "Every breath tou take", "Smoke on the water" e até "Forever young", muito bem tocadinhas, para ouvir à luz de velas, sabe como é?

R$ 17,90 - na Saraiva tem.


SOBRE O TEMPO, PARA MUDAR DE ASSUNTO

Ontem fazia 18 graus, à tarde, no Rio de Janeiro. Chovia, e tudo. A beleza desta cidade se acentua ainda mais nos dias cinzentos, enquanto o mar se revolta, entra em crise existencial, bate nas pedras e atira a espuma branca para cima.

O mar dança rock'n roll com a maior poesia nos movimentos. É pena que os cariocas não gostem dos dias chuvosos. Eu trocaria uma aglomeração na beira da praia ensolarada por uma solidão em frente ao mar roqueiro, sem dúvida alguma.

Como é que se ouve o mar com tanta gente gritando "Ô, COCA! Ô, ÁGUA! Ô, SKOL! Ô, MATE!" ???

Ah, não. Da última vez em que um moço desses gritou "Ô, MATE!" no meu ouvido, deu vontade de obedecer à ordem dele.

Fui.

30 agosto 2002

SHOUT OUT !

Gente, quantos recadinhos!! Cheguei a me confundir, agora. Vamos lá:

Luka - obrigada pela visita! Volte sempre, tá?
Roberta - fiel BiBlogueira, te agradeço a lembrança das 4 mil visitas! Estamos indo muito bem!
Alessandra - claro que eu me lembro de ti, guria! Valeu por chamar as minhas coisinhas de "dom"!
Denisinha - o ministério da saúde adverte: BIBLOG causa dependência química! Beba com moderação.
Carolzinha - doce de menina! Thanks for all, nós é que temos sorte de ter uma mãe daquelas!


EXPLICANDO

A Aninha, que coloca recadinhos aqui no meu SHOUT OUT regularmente, é aquela nos braços de quem eu me Aninhei durante meus sortudos primeiros anos de vida.
Sorte do meu pai, que ali ainda se Aninha!
Beijos para a minha mãe-menininha!! Saudade! (Não inha!)


DESCULPANDO

Hoje estou meio com pressa. Tenho sido relapsa, eu sei; vou procurar escrever mais regularmente - até para fazer jus às visitas viciadas de vocês.

Só para deixar um pensamento da minha terapeuta freud-lacaniana: às vezes, é mais importante o tom dado à palavra do que o seu próprio significado.

Não é interessante? Existem "nãos" e "nãos", por exemplo. O tom é único e intransferível. A letra é racional e linear; a melodia, no entanto, é vibração pura.

Quem ganha o jogo?

Um "não" indeciso pode ser mais positivo do que um "sim" incerto. Quem dá o tom da palavra? Quem rege a fala?

Já perceberam como as consoantes são percussivas? Percussão é ritmo, amigo, lembre-se dos tambores. TaMB, TaMB, TaMB! Tambores. Consoantes batucam.

As vogais são melódicas e grudentas, ou você acha que o IÊ-IÊ-IÊ foi obra do acaso?

"She loves you / yeah, yeah, yeah!"

Atenção às palavras. Outro dia eu continuo... hoje vou voando, vupt, fui!!

27 agosto 2002

A EDUARDA


Vou contar a vocês tudo que eu sei sobre a Eduarda.

Pouco mais de um metro e setenta, não sai na rua sem salto alto. Vira um mulherão de um e oitenta, morena-cor-de-jambo, os fios de cabelo sempre bem lisos.

- Mas eu espicho em casa - ela explica, mas só para os íntimos.

Espichar os fios, segundo ela, trata-se de um processo tão demorado quanto uma cirurgia complicada. Primeiro, lavar bem os cabelos. Depois, passar uma escova, insistentemente, enquanto segura o secador quente com a outra mão.

Isso feito, é a hora de passar a ferro - chapinha, como dizem. Eu nunca vi de perto, mas dizem que ela demora cerca de duas horas para concluir o ritual todo. Depois, mais meia hora fazendo orações a todos os santos, implorando, de joelhos, não para não ser assaltada na rua - mas para não chover.

- Se chover, enrosca tudo. Do assalto, é mais fácil eu me livrar.

Se perguntarem como, a Eduarda responde que enfia uma agulha no olho do sujeito, sem pensar duas vezes. Anda sempre com uma agulha na bolsa, sobretudo quando vai a shows em praça pública ou na beira da praia.

- Não dá, minha filha, os bofes ficam achando que a bunda da gente é corrimão! Eu furo mesmo!

Não, ela não fura o olho do sujeito na primeira passada de mão. Só na terceira, ou em caso de assalto. A primeira furada é na mão, a segunda é na barriga. A derradeira é cegueira na certa. Também, quem mandou?

A Eduarda é escorpiana, com ascendente em escorpião e a lua em áries. Isto significa, amigo, que é melhor levar uma agulhada dela do que tentar cutucá-la - com o dedo, que seja.

- Você não me conhece! Você não me conhece! - ameaça.

Quando ela diz que você não a conhece, é porque não conhece mesmo. Dizem alguns moradores da Nilópolis, na baixada fluminense, que a Eduarda aparecia, misteriosamente, numa foto semi-nua na página 13 do jornal O Globo, todo dia 13. Mas só em Nilópolis.

Isso aconteceu durante 13 meses, juram. E havia uma legenda embaixo: FUJA DA MINHA PICADA ENQUANTO É TEMPO.

Então, todos já sabiam que, no dia seguinte, haveria um registro de 13 homens nos hospitais da cidade, picados por um animal jamais identificado pelos cientistas. Dali, as vítimas iriam direto para o manicômio, onde ficavam repetindo frases desconexas e falando sobre uma mulher com corpo de moça e cabeça de escorpião. Claro, ninguém acreditava.

Hoje em dia, há versões diferentes sobre o paradeiro da Eduarda. Dizem que ela teria trocado de identidade, inclusive. Nada se pôde provar sobre os crimes do manicômio, até porque a polícia alegava não ter tempo a perder com fantasia de maluco.

Minha cunhada é amiga íntima da Eduarda, e é por isso que eu sei sobre seus hábitos e técnicas. Arrisco-me muito, no entanto, por estar aqui escrevendo sobre isso.

Em noites dos dias 13, jamais durmo.