24 agosto 2002

TESTE

Ah, vocês passaram no meu teste. Eu estava certa: ninguém dá bola para as minhas conversas gramaticais, mas, quando escrevo bobagem, vocês estão sempre por aqui. Preferem as minhas bobagens, certo? O BiBlog agradece às visitas e aos comentários no SHOUT OUT, gosto de estar de olho em vocês - assim como vocês estão de olho em mim.

Certo. Vou comprar umas galochas VERDES - já sei que vão ficar verdes, mesmo. Não sei onde vou achar. Acho que tem no Carrefour aqui da Barra.

POR FALAR EM CARREFOUR

Falando nisso, não posso entrar no Carrefour. Não me deixem entrar lá. Chego super bem intencionada, quero só atum light e molho vermelho. Quem disse? Tem muita coisa lá!

Na última vez, saí com uma saia jeans até o joelho, meio rasgada (de propósito, amigo), super linda. Dizem que é feio comprar roupas no Carrefour, mas eu não saco nada de grife mesmo, então me acho naquelas prateleiras grandonas e cheias de descontos irresistíveis. Já viu? Tem coisa de R$ 9,90! A última blusinha que eu comprei descosturou na primeira lavada, mas ficou até fashion com aquele fio puxado. Vermelho.

CALORIAS

Minha amiga sabe tudo de calorias. Ela almoça números. Quando pergunto "o que você comeu hoje?", ela responde: "820".

Se passar de mil, é exagero. Dois mil, já vira caso ilegal. Um crime contra a boa forma. Ontem eu disse que almocei almôndegas de peru, e ela me olhou como se houvesse algo errado comigo. Pedi desculpas, sempre peço. Dei mancada?

Ela me respondeu que sim. Cada bolota daquelas tem 120 calorias, segundo minha amiga. E se dizem LIGHT. Eu como váááárias bolotas, e ela diz que isso não se faz, que é crime, que vou pesar meus pecados todinhos. Isso que eu nem contei que comi arroz integral junto. Ela não me perdoaria.

Um polenguinho light - aquele queijo mole, amigo - tem só 30 calorias. Aquilo pode. Dica da amiga: esmagar um polenguinho light numa fatia de pão light, colocar maionese light na outra fatia e um pedaço de peito de peru light entre as duas. Pode acrescentar catchup, mas só se for light.

Sim, ela achou um mercadinho que vende catchup light - eu nem sabia que existia. Fica meio longe, mas vale a pena. Ela compra todas as coisas num hipermercado, e depois corre até o mercadinho e embolsa uns tubos do condimento vermelho. E dorme sossegada.

E, para terminar: da última vez em que ela teve que tomar soro na veia, chegou em casa, ainda meio grogue, e foi pesquisar na internet as calorias do negócio. Descobriu que havia 450 calorias por tubo. Meu Deus, ela havia tomado dois tubos. Ficou puta:

- EU PODIA TER COMIDO UMA BARRA GRANDE DE CHOCOLATE !!!

E xingava o médico, de anti-ético pra baixo.

23 agosto 2002

Anota aí na tua cibercaderneta:
http://flocgel.blogspot.com/

Gente, sou manca nesse negócio de internet, de modo que não sei nem criar um link para o endereço acima. Mas visitem! Trata-se de um blog muuuuito divertido, de um grupo de meninas ótimas. Não deixem de conferir, tá? (Argh, frase manjadíssima. Acontece.)

Outra coisa. Ontem eu fui até a Lapa, e dei de cara com o Yamandu Costa tomando uma cervejinha num boteco-restaurante muito legal. Esqueci o nome, mas fica em frente ao Carioca da Gema.

Minha amiga estava com fome, queria um cachorro-quente. Mas não tinha ali. Sabe o que o garçom fez? Foi comprar o dog na esquina, e trouxe para ela:

- Não se deve deixar uma dama com vontade alguma.

Aí eu tirei o chapéu. Ganhou cliente e admiração, numa só tacada. Assim é que se faz.

Outra coisa. Eu terminei a faxina da semana ontem (atrasada), e já teve gente que deixou um farelo de não-sei-quê cair no chão. Tou vendo daqui.
Acho que fui eu, mas reclamo só para não perder o hábito.

O piso aqui é de ardósia. Sabe o que é ardósia, né? Lajota verde, amigo.
Pois eu esfrego a sacada, esfrego, esfrego, minha amiga falou que a gente lava com detergente, eu lavo, lavo, depois Optimum, força, força, pano, e tudo. No fim, dou uma espiadela na sacada do vizinho, e... adivinha??

A sacada do vizinho é sempre mais verde.

É mole? Há algo incompreensível nas minhas lajotas. Cera verde, passo também, que é para dar aquele brilho. Inclusive, estava comentando ontem, minha unha do dedo do meio do pé direito está VERDE-ARDÓSIA. Já tomei trocentos banhos, e a porcaria da cera não sai. Estou andando de botas nesse calorão, se alguém pergunta eu largo um papo de roqueira e tudo bem.

Sugestões?

Até o verão, preciso poder usar sandália - embora não seja meu calçado preferido, mas aqui no Rio a coisa pega.

Só uma observação maldosa: se a minha unha está assim, imagina a do vizinho. Hehe, tomara que ele esteja com o pé do Hulk.

Ainda não inventaram luvas de borracha para os pés, né? Seria uma boa. Eu sou tão atrapalhada com aquela cera, qualquer dia caio de bunda no chão, e vão pensar que sou um semáforo-sinal-sinaleira duplo, dizendo: SIGA - SIGA.

Credo, quanta besetira.
Fui.

22 agosto 2002

Buenas, macacada!
Tudo nos conformes?

(Não, não sou doida. É que, pelas visitas de vocês, já saquei que não estou aqui falando sozinha. Então, me permito um diálogo-de-uma-nota-só.)

PRÓCLISE

Aqui entra uma das minhas famosas observações gramaticais. Você sabe o que é PRÓCLISE?
Não, meu amigo, não se trata de uma próclise dentária. Próclise é quando o pronome é usado antes do verbo, sacou?
Exemplo: me permito.
Observe que o pronome (me) vem antes do verbo (permito).

** BiBlog também é cultura **

Ali em cima, quando eu escrevi "então, me permito um...", eu estava errada. Não se usa próclise em início de frase, nem tampouco depois de uma vírgula - a não ser que ela encerre um aposto, mas aí é coisa para outro post.

O correto seria: "então, permito-me um..." - ÊNCLISE (quando o pronome vem depois do verbo.)

Não se inicia frase com pronome. Mas, cá entre nós: que coisinha bem enfadonha.
Há uma penca de escritores que chutam a bunda de próclises, ênclises e mesóclises, e fazem uma salada do jeito que lhes dá na veneta. Com bom gosto - e responsabilidade -, é claro. Nesses casos, acho absolutamente interessante trapacear a gramática. Digo mais: acho charmoso, até.

Me permito, portanto.

Se não houver humor (bom!) na língua, estaremos perdidos. Alguns críticos da arte literária - para não falar das outras artes, digamos, mais sonoras - até parecem policiais procurando pêlo em ovo para multar a galinha. E sempre acham, naturalmente.

Não quero malhar os críticos, nem os gramáticos mais ortodoxos. Quero só colocar uma pitada de erva-mate na tapioca, ou um pouco de acarajé no chimarrão - tanto faz. Um país tão rico, tão colorido, preocupado com picuinhas, obsessões pragmáticas. Tem dó.

Com todo respeito à língua portuguesa, vamos aprender a soltar a franga, deixá-la exceder um pouco o limite de velocidade estabelecido. Sem multa!

Só tem uma coisa: tem que conhecer o certo, para depois saber fazer errado. Errar correto é sempre mais difícil.

E já dizia o Caetano (que eu regravei): "Meu som te cega, careta, quem é você??"

21 agosto 2002

EPA, EPA, EPA!

Estava andando na praia, agora há pouco, quando o moço que vende Biscoito Globo - pronúncia: bixcoito-globo - me parou com a seguinte frase:

- E a loirinha vai levar um doce ou um salgado pro namorado, noivo ou marido?

Levei um susto. Loirinha?? Fiquei olhando para ele com cara de tacho. Ele atacou:

- Está namorando, está solteira ou está casada, loirinha?

Loirinha, de novo. Rebati - "estou dura!!" -, e segui a minha caminhada. Ora, bolas.

Parei na farmácia que fica ali perto do postinho, e fui direto à prateleira dos tonalizantes. Ok, estou precisando de retoques. O último foi o Terra, número 22 da Casting, mas ali não tinha. Tinha só o Noz - um tom mais grave, digo, mais escuro. Vai esse mesmo. Tenho urgência.
Ora, bolas.

Nada contra as lindas loirinhas - sou fã do jeitinho meigo da Meg Ryan, por exemplo. Dou todo meu apoio. Mas, eu? Poxa, vocês não sabem o tempo que eu gasto em frente ao espelho, a tingir minhas madeixas da cor TERRA, empapando cada fio como se fosse o único, louca de medo de fazer mechas sem a mínima intenção.

Aí, vem o tio do bixcoito-globo, e me acusa de LOIRINHA?? Comigo, não.

Sou muito morena, morena tropicana (pelo menos de cabelo): ai, ai, iô, iô.


FUSCA PRATEADO

Hoje eu ia dirigindo pela Av. das Américas, quando avistei à frente um fusca prateado, a coisa mais lindinha do mundo. Todo limpinho, brilhando, cuidadíssimo - coisa rara e bonita de ver.

Quando olho a placa: Porto Alegre. Olha, que bacana! E uma mulher dirigindo. Conterrânea!!

Já fiquei toda faceira. Vou ultrapassar, e buzinar. Vou acenar! O fusca é perfeito!

Ainda outra surpresa: na bundinha do fusca, um adesivo com a bandeira do RS. Vou sorrir, e vou aumentar o volume do Vitor Ramil para ela ouvir! Tem jeito de gente boa, a moça...

Antes de ultrapassar, ainda olhei mais uma vez para a bunda do carro. E vi. Vi o que não poderia ter visto. O terrível, o inoportuno, o descabido: um adesivo do Internacional. Acreditem, a moça era colorada.

Nada pode ser perfeito.

O fusca nem era prateado, pensando bem; era cor-de-cinza. E feio, o coitado. Muito feio.

Ultrapassei reto, e fui-me embora.
Minha gente,
não é que pintou insônia?? Pudera, fui deitar cedo demais... como vão vocês?

Eu vou bem, obrigada.
Um tanto de saudade do Sul - e seus respectivos -, mas tudo bem. Às vezes, bate um banzo melancólico... mas isso é coisa de madrugada insensata.

Aliás, toda madrugada é insensata, desde que me conheço por coruja.

Eu sabia que tinha alguma coisa estranha no ar, mesmo antes de constatar que meu irmão havia lavado a louça que eu deixei na pia, assim que voltou do trabalho, à noite.

(Um parênteses: aqui, mais certinho seria "meu irmão havia lavado a louça que eu DEIXARA na pia...", mas eu fico meio assim de usar o pretérito mais que perfeito, pode soar formal demais. Sabe o que é isso? - Trauma de ter sido obrigada a ler Guimarães Rosa e José de Alencar com 12 anos de idade. Belo incentivo ao hábito literário. 90% da turma saía com a convicção de que ODIAVA ler.

Veja bem - continuando entre parênteses -, nada contra os grandes escritores; o problema é OBRIGAR qualquer adolescente a se concentrar numa literatura lenta e rebuscada, enquanto o coitado mal consegue se concentrar nos artigos coloridos das revistas preferidas.)

Mas, voltando à louça que eu DEIXARA na pia: a surpresa da madrugada foi encontrar tudo limpinho, como num passe de mágica. Eu não disse que toda madrugada é insensata?

Meu irmão lia para mim, quando eu era pequena, uma historinha chamada "Pedrinho vai ao médico". Era de uma coleção de livros azuis que tínhamos em casa. Havia outras histórias, mas eu insistia na do Pedrinho, e, por mais que já soubesse o final, adorava ouvir de novo, e de novo, e de novo.

Se ele mudasse alguma coisa no texto, de improviso, era só para chamar minha atenção. E eu reclamava - não é assim!! Agora o médico vai ouvir o coração do Pedrinho!

Hoje eu adoro quando ele muda alguma coisa de improviso.
Na guitarra ou na pia da cozinha.

18 agosto 2002

Buenas, tchê!!
Dia lindo e ensolarado aqui no Rio. Parece verão; está quente, mas tem uma brisa gostosa.
Estou escrevendo rapidinho, recém acordei, e daqui a pouco tenho que sair para um churrasco de aniversário. Lindo dia para churrasco.
Desejo um domingo tão gostoso quanto o meu para todos os que aqui puserem os olhos, e muitas felicidades aos possíveis aniversariantes leoninos - nunca se sabe.
Estou de bem.
Beijos da
Bíbi

17 agosto 2002

Vou divagar enquanto posso.

Vou divagando enquanto intenso; o principal é o texto, o resto é verso avulso e não importa.

Inspira o teto, inspira o tato e inspira o conto, não interessa o fato. Não estou com pressa - a valsa é vida lenta, o tiro
é morte rápida.

Vamos ficando por aqui, vamos divagar, vamos deixar sair o que não pode mais ficar.

(Vocês acham que eu sou muito complicada?)

16 agosto 2002

INDO EMBORA

Estou me despedindo do solo, do fixo e do colo. Cansei da vida aflita, vida falida, falecida vida. Eu vou sem pés, sem nós; eu e eu, a sós. Vou rumo ao infinito, sem medidas, e parto normal: sempre ganho é no grito.

Deixo para trás os significados; levo só os símbolos, e bolo outras versões. Se escapar um verso, a solução está no ar. Se o cérebro parar, vou flutuar, ar. Se o coração inventar de não bater, escrevo um compasso diferente e engulo tudo.

Bate outra vez.

Estou indo embora, olha o vento. Não quero abraçar as estrelas, quero pairar com elas no espaço. Certas vidas perecem, viram adubo.

A vida ensina sem ser didática, e a dor não conhece matemática. Não tem muito segredo, a gente ganha é no grito.

Tudo aqui é muito alto; o amor é alto, a alegria é uma gritaria. Cansei de me fingir de surda-muda. Se o negócio é brulho, não falto.

Estou indo embora, pulando fora e caindo em mim.

15 agosto 2002

O PREGO


A filha de uma amiga nossa tem doze anos e quer enfiar um prego na testa.

Segundo a menina, o nome daquilo é mesmo piercing, é bonito, está na moda, e é muito... maneiro. Que fura, fura. Mas é maneiro.

No meu tempo, injeção na testa a gente não aceitava nem de graça. Mas pensava no assunto, é claro. Hoje em dia, pelo visto, pensa-se menos; fura-se mais.

Acho até bonito um piercing na sobrancelha, se combinar com o estilo da pessoa ADULTA que quiser inseri-lo acima do seu próprio olho. Mas, com doze anos??

Eu tenho o dobro da idade dessa fedelha, e a única coisa que me enfeita é Jesus Cristo, pendurado na cruz, pendurado numa correntinha pendurada ao meu pescoço. Com todo respeito. E eu passo pela porta do Unibanco, numa boa, sem apitar.

Outra coisa: furaram as minhas orelhas muito cedo, no tempo em que eu não podia me defender, de modo que penduro uns brincos nelas sempre que tenho vontade. Ainda assim, a orelha direita é chique demais para aceitar qualquer coisa que não seja de ouro, e inflama. A outra é mais humilde.

Sim, mas eu não durmo de brinco. Não tomo banho de brinco. Nem me peso de brinco, que pode dar impressão de que engordei.

O brinco a gente manipula, tira e põe na hora que bem entender. O prego, não. O prego é praticamente um anexo metálico. À noite, periga alguém bater achando que é mosquito.

Fora que dói. Muito. Sofrimento curto, na hora de colocar, mas muito intenso. Quem já fez, confirma.

Não sou tão careta assim; aceito o prego (em adultos) numa boa. Reconheço que estamos no século XXI, as pessoas são livres, etc.

E dou graças a Deus porque, por enquanto, ainda estão pendurando só os pregos. Imagine quando começarem a pendurar os quadros.

Não devo viver para tanto.

12 agosto 2002

PRATICAR A SATISFAÇÃO CONSTANTE

Eu li a frase acima nuns dizeres do Sai Baba, se não me falha a memória. Não é bonito - satisfação constante?
No mínimo, inteligente.

Experimente passar um dia sem se irritar com nada, absolutamente. Sabe um dos princícpios do budismo, né? - a intemporalidade das coisas. Tudo passa, como uma onda no mar; já dizia o Nelson Motta.

Se nada fica, meu amigo, é meio inútil sofrer. Concorda?
Como diria meu avô: você perde a lavada da bunda. Desperdício puro.

Não é inteligente ter apego a coisa alguma, que dirá se apegar ao tempo - uma coisa tão inoportuna quanto inexistente, que a gente cisma em levar ao pé da letra. Quando a lavada da bunda termina, a ação já lhe escapou por entre os dedos - com todo o respeito. Isto significa que toda lavada de bunda é única, essencial e sagrada. E passa.

Praticar a satisfação constante deve ser, pelos meus cálculos, lavar a bunda com prazer, independentemente do tamanho da sujeira. Sem ficar pensando no antes ou no depois - apenas estar ali, presente, de coração.

É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã - porque, se você parar pra pensar, na verdade não há.

Experimentem daí, que eu experimento daqui. E durmam com Deus, queridos. Beijocas.

11 agosto 2002

Ois!

Obrigada, Nandu! Volte sempre.

Fui ouvir jazz num barzinho chamado Taberna Diferente, lá em Santa Tereza.

Ainda não entendi como é que aquela gente não bate no bonde; vocês imaginam que há um bonde transitando por lá, e os carros andam por cima dos trilhos dele. Na rua.

É um vai-vém maluco, minha gente, quase dei de cara com o bonde duas vezes. A estrada, não bastasse, é cheia de subidas (e descidas, para quem vem de cima) e curvas.

Você pede informação, e o sujeito diz: "segue os trilhos do bonde toda a vida" - e o pior é que ele não está brincando! Você toca por cima dos trilhos, mesmo, e reza. No meu caso, rezei muito. Jesus Cristo já não agüentava mais, sorte que ele está acostumado ao fiel em desespero, que tem gente que só reza nessas horas, sabe como é.

Tudo bem que o bonde é meio devagar, mas assusta igual. A mim, assusta. Não sou de andar nos trilhos dos outros, eu me sinto invasiva, sei lá, um desconforto sem igual. É como tocar com instrumento emprestado, mas sem pedir permissão. Com o agravante que o instrumento pode te atropelar de repente.

E quando vem um ônibus, então???

Você vai subindo a ladeira, em curva, e o bonde vem de atrás (o "de atrás" é licença poética, não pude evitar, ok?). Lá de cima, embaladinho, vem um busum lotado, afoito e nem-te-ligo. Pra quê. Jesus Cristo, nessa hora, quase ficou surdo, tanto que eu implorei para esperar pelo menos eu tocar no Metropolitan - gosto do nome antigo - antes de partir.

Acredito na hora certa, mas as curvas de Santa Tereza são de abalar a fé de qualquer cristão. E eu peço mesmo.

Graças e Ele, cheguei lá em cima numa boa, apesar do susto e alguns fios de cabelo a menos. Bufava.

O barzinho é rústico, daqueles com banquinhos de tronco de árvore. E tem papel higiênico no banheiro, o que já me cativa uns 60%.

Não que haja alguma relação entre o medo do bonde e o papel higiênico; foi apenas uma observação.

Ih, acho que não convenci.

09 agosto 2002

Alou, pessoas!

Desculpem tê-los abandonado nos últimos dias. Estou envolvida com o trabalho, o que é excelente e me faz bem.

A cidade maravilhosa está cada dia melhor, lindos dias de sol e aquele ventinho - dupla infalível para secar lençóis; ando lavando roupas e minha pele vai melhorando, o sabão em pó vai acabando, o preço do amaciante está pela hora da morte, e Amélia é a senhora sua mãe.

Apaixonei-me, francamente. Ela se chama "Mandy", é uma balada maravilhosa cujo compositor agora não me ocorre - perdão, mais uma vez. Estou amando, há algumas semanas. Preciso variar um pouco, sei lá, trocar de Mandy. Essa fidelidade toda não me cai muito bem, preciso e prefiro manter a minha fama de má... luca. Sempre é mais seguro variar, no sentido enlouquecedor da palavra. Se é que me entendem. Estou variando.

Noite dessas, fui parar no Carioca da Gema, um barzinho apaixonante que fica na Lapa. Não comentem por aí, mas encontrei um bonitão cheio da ginga, e dancei samba e bossa a noite inteira. Eu, dançando samba.

O som é ao vivo, trata-se de uma batucada leve e encantadora, cheia de talento e swing. Gente "da gema", mesmo, fazendo aquilo que nasceu ouvindo. É como ir a um CTG em Bagé, mais ou menos - eu fiquei pensando. Eles fazem aquilo com um pé nas costas, e você não entende nada, mas se encanta.

Lá eu não digo que sou baixista de uma banda de rock, mas eu acho que eles desconfiam que eu não sou muito "da gema", até porque não estou podendo ir à praia nem durante a noite, com medo de que me confundam com um holofote ambulante.

Chega de conversa, hoje eu vou a Santa Tereza ouvir jazz (pronúncia: JÁIXXXX). Tenho ouvido coisas. E a minha analista também.

Beijos!!

02 agosto 2002

Muita vontade de escrever bobagens para pouco tempo...
Luis, obrigada pelos elogios! Fico feliz em fazer um Blog que sirva para alguma coisa. Parece que vai dar um fim de semana chuvoso no Rio de Janeiro. Deu na previsão. Estou com uma tossezinha tão chata... Vontade de fazer um almoço aqui em casa, chamar os amigos músicos, e obrigá-los a comer o meu macarrão integral com molho de ricota, mas acho que vou acabar criando inimizades. Ô, gente que é chegada a uma picanha!! Tive a infeliz idéia de fazer as unhas e, depois, acreditem, faxinar a minha cozinha. O resultado é que estou atrasada para tomar banho, me arrumar e retocar o esmalte, para depois ir até a Lapa - só devo chegar lá amanhã. Mesmo assim, prefiro ficar aqui teclando um pouco, porque a coisa na cozinha foi meio HARD, estou esbaforida e não gosto de fazer tudo muito correndo, parece que perde a poesia.
Poesia? Quem falou em poesia?
Não, sei, captei uma coisa de poesia, eles vivem falando aos nossos ouvidos mesmo. Quem serão eles?
Não, amigo, eu não sou louca. Louco é você, que perde a poesia no primeiro desentendimento no trânsito. O trânsito já é desentendido por si só, ninguém deveria se aborrecer. Todos concordamos com o fato de entrarmos numa caixa de lata e sairmos andando por aí, todo mundo ao mesmo tempo. Marcamos horários, inclusive, que é para ninguém perder "a hora do rush".
Depois, querem reclamar. Eu não entendo o trânsito. Ah, quero ver aquele filme com o Tom Cruise, que estreou hoje, de ficção científica. Sei lá, deu curiosidade. No filme, os carros voam. Seria uma boa, mas eu vôo mesmo sem carro.
Outro dia, fui até o RS, olhando o relevo, de barriga para baixo, enquanto o vento batia no meu cabelo. Falei com uns amigos, e voltei na mesma noite. Quando a gente dorme, é que acorda. Ou você acha que eu voaria dormindo??
Tem dó.





01 agosto 2002

PARA MARISTELA KAYSER BOCK

Tu me manda um e-mail, Maris? Ou escreve aqui no SHUOT OUT o teu e-mail, que eu não tenho aqui, e dá saudade, e quero mandar coisas, mas não consigo. Beijos no Jesué e na Pri, e beijos pra ti também!

PARA TODOS

Oi, gente, hoje estou um sem inspiração e com preguição, de modo que vou postar aqui uma crônica antiga minha que eu acabei de achar. Beijos.


Quanto vale uma escova grátis?



Bíbi Da Pieve



Imagine que o seu casamento esteja meio sem graça. Precisando de um tempero - que você cisma em chamar de "investimento".

O Adelmo anda distante, e, quando resolve chegar mais perto, você não quer saber.

As afinidades evaporaram depois do primeiro ano de convivência. Faz três anos que vocês se enfiaram nesse quarto-e-sala com paredes descascando. Tudo ia muito bem, ele até fazia as suas unhas de vez em quando. Mas, hoje em dia, o clima é de cortar com a faca: mal se olham.

Antes que as paredes desabem de vez - você pensa -, é melhor eu investir no meu relacionamento.

Pronto. Parece que o mundo inteiro adivinhou suas necessidades: internet, televisão, revistas, livros e sex-shops oferecem rápidas e práticas soluções para o seu problema.

Será que isso é um sinal? - você questiona -, ou toda essa indústria já exisitia antes do Adelmo, e já torcia para que eu o encontrasse um dia, casasse com ele, e, depois de três anos, decidisse investir num relacionamento mal das pernas?

Não importa. O Adelmo vale o investimento; você saca meia-dúzia de manuais sobre casamento, uma camisola de rendinha, faz o pé e a mão no salão mais caro, e ainda sai achando que está no lucro - ganhou uma escova grátis.

Devorados os livros, decoradas as dicas práticas, entendidos os fundamentos psicológicos das diferenças entre os sexos, alisado o cabelo e lixado o pezinho - você está pronta para mudar de vida. Afinal, o Adelmo é o príncipe que todas as suas amigas pediram a Deus (lindo, alto, louro, vinte e tantos), e você prometeu a si mesma um
happy end digno de Hollywood.

Mas faltou um detalhe: um bom vinho, para brindar à lua-de-mel do investimento.

Atrasada, você passa na delicatessen mais próxima ao quarto- e-sala descascado, desce do ônibus num pulo, quebra o salto, e cai de joelhos na sarjeta. Chove muito. O cabelo empaçoca e espiga.

É quando aparece, do nada, o gaúcho Kleiton - que você não vê há uns quinze anos -, e lhe dá a mão. Você levanta, gagueja; não sabe se ri, chora, abraça, beija ou engole o salto quebrado.

E você também não sabe há quanto tempo não sente isso, mas desconfia que faça uns quinze anos - desde que o Kleiton, seu amor platônico de adolescência, resolvera ir tocar percussão no Canadá.

Agora ele deve estar com quase cinqüenta; é baixinho, careca, meio barrigudinho, mas continua com o mesmo olhar: desconcertantemente percussivo. Durma-se.

Mas como, se você não deixou passar uma linha? Se você decorou todas as dicas, comprou os melhores perfumes, usou os melhores esmaltes - como é que pode, agora, um batuqueiro sulista vir atrapalhar o seu investimento no Adelmo?

Acontece, minha cara. Esse tipo de Kleiton não escolhe suas vítimas. E a maioria dos manuais de "felicidade" não vêm com a letra "k" no índice.

Nada contra os Adelmos, os livros de auto-ajuda e as pedicures. É que - particularmente - tenho uma quedinha pelos saltos quebrados, pelos encontros inusitados, e pelas tempestades - que são intensas justamente por serem naturalmente crespas, sem investimento algum.

E sem escova grátis.

31 julho 2002

AMENIDADES


Havia um homem correndo na ciclovia da praia.

O dia estava lindo, mas agora ameaça chover. Não se pode confiar nem mais em São Pedro.

O homem corria de sunga e tênis. Só.

Quando nós somos feios demais, o problema está no olhos do outro. Quando somos estúpidos, o outro é que está muito sensível. Quando estamos na TPM, o ciclo das outras é que está errado. Se somos violão, as outras são tábua. Se somos tábua, as outras são gordas demais. Nunca é nossa culpa. Nunca.

Sabe aquelas sungas apertadinhas? E tênis. O homem corria: um, dois, um, dois.

Se você é do tipo que encontra um menino de 18 anos, bonitinho, e fica logo se perguntando se ele tem um irmão mais velho, o Biblog oferece estatísticas e dicas: existe 50% de chance de haver um irmão mais velho. Se houver, existe 50% de chance de ele não ser casado (o que já reduz as suas chances reais para 25%). Se ele não for casado, há 50% de chance do cara ir com a sua cara (chances reais: 12,5%). Se ele gostar de você, existe 50% de chance de não querer se aproximar porque, afinal, o irmão mais novo viu primeiro e está na sua (chances reais: 6,25%). Se ele não for casado, gostar de você, e não der a mínima para os sentimentos do irmão mais novo, há 50% de chance de ser um grosso, insensível, machista e egoísta (chances: 3,125%).

Trocando em miúdos: se um irmão mais velho, que você nem sabe se existe, for solteiro, gostar de você, for sensível, mas não se importar em "tirar" você dos braços do irmão mais novo... bem, isso é muito difícil. Só 3,125% de chance.

Tudo bem, se, ainda assim, você achar que vale a pena arriscar, lembre-se: há 99% de chance do seu príncipe (que não existe) ser gay. Suas chances reais quase evaporaram.

Dica do Biblog: vai por mim, que tempo é dinheiro. Achou o garotão bonito?, tasca logo um beijo. Se quiser fazer uma introdução, para não ficar muito no seco, diga assim:

- Ok, já sei que o seu irmão é veado, então vamos acabar logo com isso.

Não falha uma.

Você sabe o que leva um homem a correr de sunga e tênis? Tudo bem, não deve querer a marca da bermuda (ou short) nas pernas. Não é que eu seja de observar essas coisas, mas, quase sempre, ocorre-me uma preocupação quanto a uma possível vida reprodutiva do homem em questão.

Não podia ser uma sunga menos apertadinha?

Fico imaginando. Depois, a criança nasce com claustrofobia, e vai para o psicólogo. Que criança mais esquisita.

Sim, a criança é que é esquisita. Aquela sunga, não.

É o que eu digo. Nunca a culpa é da sunga da gente.

30 julho 2002

Boa noite, amores!

Por falar em jam session, ontem foi dia de Severyna (um bar maneiro lá em Laranjeiras), com Guto Goffi e convidados. Mas o Guto não estava, parece que está viajando. Fazia muitos meses que eu não ia lá; coisa boa matar a saudade.

Matei também a saudade da praia. Hoje estava um dia lindo, fui dar aquela caminhadinha básica.

O Miro Fagundez me ligou no fim da tarde, para me mostrar uns pedaços do disco que está gravando. Se você não conhece esse nome, não perde por esperar. É a voz mais perfeita que eu conheço, um talento exagerado, chega a transbordar. O Miro nasceu em Angra dos Reis, está radicado em Porto Alegre há quase dez anos, fazendo muito sucesso por lá. Um dia eu vou tocar contrabaixo na banda dele, só para sentir a emoção daquele vozeirão em cima do palco. Nem vou querer ouvir o baixo, vou pedir e-monitor com 100% de voz do Miro. Hehe, só dá ele. Anota aí: MIRO FAGUNDEZ.

Estou querendo ir amanhã a um lugar, mas não sei onde é. Gaúcha perdida no Rio de Janeiro dá nisso. Sei que fica perto dos arcos da Lapa, e vai rolar um som, coisa meio jazzística. (Aqui eles pronunciam "jáixxxx", hehe, que bonitinho). Alguém dá uma dica? Duvido.

Por enquanto, era isso. E beijos a vocês.

P.s.: Era tu, Duda!! Pô, ficamos sem despedida... beijos!








28 julho 2002

Oi, fofos

Que domingão bem cinzento e preguiçoso... delícia! Friozão no Rio de
Janeiro. Liguei hoje para a minha mãe, lá no RS, dizendo que aqui está
um frio de rachar, pois estou de short e moletom. Sim, manga comprida
é Rio de Janeiro quase glacial!

Por falar em glacial, mas nada a ver com o assunto: alguém me
convide para uma roda de violão, uma canja num boteco, uma jam
session, ou para gravar um jingle, ou mesmo para fazer a locução do
carro da pamonha. Tou dentro. Precisando descongelar.

Aliás, estão todos aqui dizendo que eu voltei do sul muito branca.
Inclusive quem nunca me viu antes. Sinal que devo estar ofuscante;
podem me chamar de Gasparzinha, se quiserem. Mas vou pegar a cor
do verão, mesmo que seja no meio do inverno... ah, vou!

(Já sei, já sei, cuidado com as ondas do mar... não levo o Nei Lisboa
para a praia nunca mais. Dá azar.)

Gente, sonhei com o Wando!! Nem lhes conto. Imaginem uma reunião
no pátio de uma casa úmida e escura: eu, o Wando, o Roberto Frejat, o
Renato Borghetti e mais alguns exemplares da raça musical - que não
me recordo agora.

Era um balaio de gatos. Tinha de tudo. O Wando recém lançara um
disco, o Frejat fazia planos para a carreira solo, o Borghettinho só
olhava por debaixo do chapéu, meio alheio a tudo. Eu, das mais
participativas, conversava com todo mundo, comentando sobre os mais
variados assuntos - inclusive sobre música.

Quem mais me dava trela era mesmo o Frejat, dizendo inclusive que
estava curioso para ouvir o disco da Ana Lógica, que eu acidentalmente
havia me esquecido na outra bolsa. (Desde que comprei uma segunda
bolsa, minha dor de cabeça tem sido esquecer metade das coisas na
bolsa que deixei em casa.)

Pelo que eu me lembre, o Wando cantava "você é luz", e eu, branca
desse jeito, já achei que era gozação pro meu lado. Não quis levar
desaforo para casa, mas também não quis mexer em vespeiro, de
modo que me comportei e até arrisquei um vocalzinho amigável no tão
louca me beija na boca me ama no chão.

Ossos do ofício, minha gente.


26 julho 2002

Bueeeenas!

Nove horas da manhã, dia nublado no Rio de Janeiro. Sim, cheguei, estou debaixo de alguma asa do Cristo.
Ainda não vi o mar (de dia), mas consta que ele continua lá.
Mudaram algumas coisas, desde que viajei. A minha cozinha, por exemplo - se é que ainda posso chamar assim.
Houve uma espécie de terremoto, particularmente no piso da cozinha. Dizem que, quem vinha distraído, tropeçava num quebra-molas de lajota, coisa de outro mundo mesmo. Tiveram que mandar trocar o piso todinho.

O seu Zé já arrancou todo o piso velho, e colocou um novo, até mais bonito, branquinho. Mas falta o "rejunte". Hoje, se Deus quiser, ele vem aqui concluir a obra, e as coisas podem começar a voltar para seus devidos lugares.

Meu irmão, no entanto, se afeiçoou pela geladeira no meio da sala. Diz que é prático. Daqui do computador, para se ter uma idéia, é preciso pouco mais que uma esticada de braço, e a jarra d'água vem parar na sua mão. Coisa fina.

Por outro lado, quem vier meio animado do banheiro, é capaz de dar com o dedão do pé na porta da amiga Brastemp. Melhor devolvê-la ao lugar de origem.

Há muita poeira na cozinha, e na sala também. A cada dia que passa, eu dou uma limpadinha, e o seu Zé dá uma sujadinha. Parece estar de implicância comigo.

A pracinha aqui na frente de casa, que era só um projeto quando eu saí daqui, continua sendo só um projeto. Está certo que virou um projeto com cara de projeto de praça - coisa que, antes, não parecia -, mas a obra vai muito com calma. Meia-dúzia de homens uniformizados trabalham, pacientemente, escondidos atrás de uma gigantesca placa da prefeitura - que, julgo eu, pretende ser uma espécie de monumento para a praça, só pode. A bem da verdade, não consigo enxergar daqui se eles trabalham, se comem sanduíches de ricota, se jogam cartas, ou vôlei, ou se estão pulando corda. É que a placa esconde.

Bem, ao menos o monumento já está pronto. Desde o primeiro dia. Diz assim: "ESTA É MAIS UMA OBRA DA PREFEITURA DO RIO". Se é mais uma, significa que há outras por aí. Espero que esses homens não se cansem muito, e que eu viva para sentar num banco da praça. Bem que poderiam vender água-de-coco. Mas, aí, periga demorar mais cinco anos.

O policiamento está intenso aqui para os lados da Barra da Tijuca. Desde a morte do Tim Lopes - segundo comentam -, há mais policiais na Av. das Américas do que peixes mortos na lagoa Rodrigo de Freitas. Tenho percebido.

Minha amiga e eu voltávamos, de madrugada, de um restaurante aqui perto, quando fomos abordadas por um PM. Havia uma confusão na pista, e uns fios de luz atravessados no meio dela. O esclarecedor discurso do policial foi: "Se a senhora quiser arriscar, pode passar por cima e ir adiante, não tem problema nenhum. Mas tá tudo em curto circuito, aí é a senhora que sabe. Se quiser arriscar, pode passar."

Muito confortável. É bom saber que as autoridades respeitam o nosso ponto de vista e o nosso direito de ir e vir, mesmo que isso implique no direito de virarmos torradas de unhas pintadas.

Em todo caso, demos meia-volta, e tomamos outro rumo. Acho que o PM lastimou um pouco, pois queria ter visto alguém se arriscar naqueles fios, para depois poder esclarecer com mais precisão aos outros motoristas: "Olha, é melhor não passar, porque uma senhora resolveu arriscar, e... tá vendo aquele carvão ali??"

Enfim, o Rio de Janeiro continua lindo.

Aquele abraço!











20 julho 2002

Ah, se me permitem, hoje eu estou para conversa. Vim aqui ter com vocês, de novo. (Hein? Gostaram do "ter com vocês"?). Contudo, sugiro que passem direto para o post abaixo, que desse aqui não vai sair nada de interessante. Tenho certeza.

Estou ficando velha. Saí de casa na quinta à noite, e também na sexta. Hoje, sábado à noite, não arredo o pé daqui nem por um decreto. Deus me livre do sereno, do barulho e do cheiro de fumaça. E das minhas botas de salto, claro.

Uns cinco anos atrás, a essa hora, eu já estaria cantando "com que roupa eu vou?", toda saltitante, louca para perambular por aí até o sol raiar. E ainda achava pouco. Cruzes!, quanta disposição se tem aos dezoito ou vinte anos. (Tudo bem, estou só com 24 - mas, para quem vive DA noite, cada ano vale por dez). Ou vocês acham que eu estou pintando os meus cabelos só porque gosto de variar a cor??

Sabem de uma coisa? Eu acho que descobri de onde vem a arte. Prepara, que lá vem filosofia de amador. Já disse, o post abaixo é bem mais interessante. Mas vocês insistiram...

A arte vem do amor. E brega é a senhora sua mãe. Claro que não estou falando do amor romântico - muito embora, no caso do Wando... ops!, chega de falar do Wando.

Noite dessas, sem muito o que fazer, fui me deitar e me pus a pensar no fofo do meu irmão. (Desculpe, Mano!) Pensei bem forte, que eu tenho os miolos malhados, eles agüentam bastante pensamento. Quando percebi, estava vendo coisas: via meu irmão em casa, na rua, no palco (onde eu sempre o vejo do melhor ângulo, desculpem-me...), e no aeroporto. No saguão, a me esperar. Quando saí para o saguão, com o meu carrinho de bagagens, abracei o moço e segurei o pensamento no abraço.

Pronto. Imediatamente, como num passe de mágica, começou a chuva. Palavras, frases inteiras, versos, melodias, harmonias, uma linha de contrabaixo, um soprinho de metal ao fundo, uma batucada, umas imagens coloridas, uma floresta, uma fogueira, a lua - tudo veio, subitamente, chover nas minhas idéias. Eu que me virasse com aquele caos; que decidisse quem é texto, quem é som, quem vai, quem fica, quem faz parzinho com quem, quem é joio e quem é trigo.

Todo caos pede uma nova ordem. O turbilhão de "idéias" que saltaram do abraço no saguão do aeroporto diretamente para a minha cachola é a matéria-prima caótica da arte. Haja texto, haja melodia, haja rima e haja poesia para colocar de volta, no mundo, o que já é do mundo e ninguém tasca.

É por isso que arte é transformação, qualquer que seja a via de expressão. Há muita coisa em jogo, uma canção não é só uma canção. Vocês percebem isso, ou concordam?

A senha tem quatro letras: A M O R. Pode ser amor por um irmão, um momento, uma causa, uma árvore - qualquer coisa. Mas tem de ser verdadeiro. Aí, a passagem é livre.

É claro que não estou dizendo novidade nenhuma. "Só o amor constrói". Acontece que estou, aqui, organizando um pouco da confusão em que me meti por ter nascido mulher e louca na mesma vida. Acho que, na euforia de encarnar, marquei com "X" as duas opções ao mesmo tempo. Deu no que deu.

É muita coisa, acreditem.

Ok, o post ficou até bacana. Tchau.





ANTES QUE EU ME ESQUEÇA

A banda Vide Bula - www.bandavidebula.cjb.net - sobe ao palco da São Leopoldo Fest, no Ginásio Municipal de São Leopoldo, às 20:30h de amanhã, domingo, dia 21.
Esta baixista que vos escreve vai fazer uma participação, não tocando baixo, mas dividindo um vocal com o Volnei Cavalheiro.
Conferi um ensaio, e prometo que vai ser um show DAQUELES. Apareçam!!

FALANDO NISSO...

Existe uma banda chamada Jack Brown, aqui de São Leopoldo, que toca no bar do André todas as quintas-feiras. Como eu não tenho mais nenhuma quinta-feira pela frente aqui no RS, deixo a dica para os que ficam: quase chorei de saudade ao ouvir covers bem executados de TNT, Garotos da Rua, Kleiton & Kledir - e gauchada a quatro. Show de bola.

E CHEGA DE MÚSICA!

Para mim, existem dois tipos de homem: os que vêm conversar comigo sobre música, e os que vêm conversar comigo sobre música e depois MUDAM DE ASSUNTO. Confesso que prefiro o segundo tipo. Rock'n roll é legal, mas não põe a mesa.

SHOUT OUT!

Gostaria de agradecer publicamente aos oito - até agora - SHOUT OUTS que recebi em resposta ao texto manhoso e carente do dia 18.
Vocês são uns amores, e entendem a TPM como ninguém.

A VOLTA - parte I

Ontem eu compus duas músicas, depois de quase seis meses de seca. Sorry... I'm back!

A VOLTA - parte II

Espero que o Cristo Redentor ainda esteja de braços abertos, que eu vou jogar um abraço pra ele, lá de cima, antes do pouso. E pedir algumas coisinhas...

Espero que o meu apartamento esteja em boas condições de higiene - que não haja cabelos no ralo do boxe, que não haja mais barba na pia branca do que no rosto do Lula, que a chaleira esteja brilhando, que não haja restos de comida do tempo em que eu viajei na geladeira, que a ardósia da varanda (sacada, como queiram) não tenha virado um terreno aterrado, que as almofadas estejam respeitando as suas cores originais, que não se tropece em nenhum cabo de luz ou som ou vídeo, que não se quebre o pé num amplificador pesado que esteja no meio da sala, que não haja teias de aranha e mofo no meu quarto, que meu colchão cheire muito bem, em nome do Pai, do Filho, do Espírito-Santo, amém.

Beijos!