13 fevereiro 2006

Feliz Ano Eleitoral


Graças a Deus, é ano eleitoral. Não sei se você também notou, mas o país não parou – como de praxe – entre o Natal e o carnaval. Seguimos direto.

As praças estão floridas, as ruas estão quase limpas, o trânsito está fluindo. A não ser quando chove, claro (também, já seria pedir demais!). De minha parte, entrei no clima. Estou, como se diz, correndo atrás do prejuízo. Mas não fica muito bem falar em prejuízo nesses tempos de campanha (ops!) – então, abafa aí.

E vamos ao que interessa, que o resto é mera perseguição da imprensa. Me prometo crescimento econômico, melhoria na habitação, mais recursos para educação e cultura. Vou baixar umas medidas, aprovar uns orçamentos, liberar verbas.

Vou reduzir os juros; mas, primeiro, vou aumentar as juras.

Todo mundo vai ver como eu sei jurar bonito e eterno. Juro, não nego, pago quando puder. Jurar não é de graça? Então, dá licença. Não estou roubando, não estou matando. Estou só jurando, me deixa aqui no meu cantinho.

Juro que esse ano enriqueço, juro que me compro um carrão zero, juro que me meto num daqueles tubos de estética e só saio de lá com o corpão da Ivete Sangalo. Juro que leio os clássicos duas vezes, juro que viajo meio mundo, aprendo cinco línguas, escrevo para dez jornais, publico três livros, lanço um disco só de sucessos, faço uma turnê pelo país de modo a não saber mais, de manhã cedo, em que lado da cama está o abajur.

Aliás, melhor jurando: juro não me acordar – e não me acordarem - de manhã cedo!

Juro de morte minha preguiça, minhas desculpas esfarrapadas para não aparar antigas arestas – que, de velhas, já se arredondam e me confundem o tato para detectá-las. Juro de vida minha astúcia, minha persistência, minha coragem.

Juro, na maior cara-de-pau, e juro mesmo; é ano eleitoral. É bom para brincar de Mulher Maravilha, faz um bem danado para o ego. Jurar em público é divertidíssimo!

Se eu fosse você, aproveitava e jurava também. Na pior das hipóteses, o material servirá à oposição no futuro.

Que belo exercício da democracia!!!

10 fevereiro 2006

1986 – o ano em que eu não conseguia ler Zoológico


Andávamos pela rua, quando minha mãe avistou uma placa enorme: “ZOOLÓGICO”. Resolveu brincar comigo:

- Filha, o que é que diz naquela placa?
- Que placa?
- Aquela, lá na frente!
- Ah... não sei.
- Claro que sabe! O que é que está escrito lá, minha filha, bem grande? ZOO...???
- Não sei. Não tenho a menor idéia. Não enxergo!

Levou-me ao oculista (naquela época, não se dizia oftalmo). Eu lia muito bem, mas não era capaz de enxergar “zoológico” a uma distância banal.

Então, conheci dois bichos novos: hipermetropia e astigmatismo. Duas palavras que eu nunca tinha lido antes, e que me pareciam horríveis. Tem cura?

- Uma delas tem. E a outra pode diminuir muito. É só usar os óculos direitinho.
- Precisa usar na aula?
- Claro!
- Até na educação física???
- Hum... não, na educação física pode tirar.

Escolhi a armação das vidraças – na base do “menos feio”, porque bonito não achava nada -, e passei a torcer para chegar logo a aula de educação física. Até entrei para o time de basquete do colégio. Jogava mal, é verdade. Será que era porque não enxergava a cestinha?

Não importa. Mesmo no banco, não precisava usar óculos. Mais do que as cestas, isso era o que me fazia feliz.

No resto das aulas, e fora delas, usei os óculos direitinho. Suportei os apelidos (desnecessário citá-los), a piedade das professoras, os primeiros namoros postergados. Ah, tirei o atraso na adolescência!

Apelidei todo mundo, quero dizer.


20 anos depois - a confissão

Livrei-me do primeiro bicho. Agora só tenho astigmatismo, mas aponto zoológicos a quilômetros (uau!), toda orgulhosa. Trato-me com o mesmo oculista, que hoje é oftalmologista e exibe as revistas com as minhas crônicas por aí: “Tá vendo? É minha paciente há 20 anos! Enxerga tudo!!”.

“NE”
“UFVP”
“CDOHRL”

Antes de fazer 30 anos, preciso confessar, senão morro de culpa: já decorei as letrinhas dele!!!

09 fevereiro 2006

08 fevereiro 2006

Só agora

Só agora eu voltei. Estive saracoteando por aí; minha vida deu uma gostosa bagunçada, estou aprendendo a dançar conforme a (boa, sempre boa) música.

(Nada a ver com carnaval, tá?)

Veio gente ótima para perto – enfim, seguiram-me os bons! -, estou animada com as novas parcerias.


Só agora - II

Cá entre nós, parece que o nosso presidente bebeu Red Bull e ganhou, só agora, um par de asas. Virou arroz de festa. Só dá ele - inaugurando, assinando, determinando, tapando os buracos que não tapou antes...

Hoje, no JN, enquanto anunciava o novo pacote bilionário de medidas para a construção civil, Lula disse que não podia ter feito antes porque as coisas no governo “ainda não estavam arrumadas”.

E agora... estão!?

25 janeiro 2006

Dois ótimos


"Revisar era assim: o camarada traduzia como a cara dele e eu emendava como a
minha."
Mário Quintana

"Tá bem, nós todos vivemos a perigo
mas meus males são piores
Acontecem comigo."
Millôr Fernandes
Periódico


Hoje o jornal está uma pancada atrás da outra; ou seja, a gente mal se levanta da cama e já toma as devidas bordoadas da realidade. Como diz um amigo: é a vida, filha.

Não. Vamos começar de novo.

Hoje o jornal está cheio de notícias horríveis – assaltos, assassinatos, traquinagens político-eleitoreiras etc. Ou seja: está muito difícil acordar, calçar os chinelinhos, pôr o café à mesa, e não se engasgar com a implacável tradução do mundo em letrinhas miúdas.

Outra tentativa (tenham paciência comigo).

Hoje o jornal está de lascar. Complicado levantar da cama, calçar as havaianas (com bandeirinha), pôr o café, e engolir (a seco) os relatos do dia. Aliás, que dia!

Última, última.

Hoje o jornal está tenebroso. Fico olhando para ele e pensando: pena que eu não tenho um gato.

20 janeiro 2006

Banda larga


É um vício. Se estou no computador e preciso ligar para a farmácia, procuro no Google – em vez de andar até o imã de geladeira.

(Você acha que eu vou morrer cedo?)

Trata-se de uma incongruência, mas é assim mesmo. Depois eu saio desvairada e vou fazer Pilates, caminhar no calçadão com a pressa das mulheres que precisam urgentemente manter a forma (ou seja: perder 3kg).

Essa banda larga é um perigo. Vai um chá diet?


São Sebastião

Hoje é feriado aqui no Rio - dia de São Sebastião, padroeiro da cidade. Tenho muita curiosidade sobre os santos, com todo respeito. Tal como os médicos, cada qual tem sua especialidade, e a gente deve buscar auxílio conforme o (como dizer?) setor da encrenca. Tudo muito organizado.

Pois consta que São Sebastião protege contra a fome, a peste e a guerra. Acho que os cariocas – e os inquilinos – devem se agarrar com afinco nas preces, hoje e sempre, porque a coisa aqui não está nada fácil.

Além disso, não sei se vocês sabem, mas São Sebastião também é considerado padroeiro dos homossexuais. A informação abaixo é de um site gay de MG:

“Os homossexuais veneram são Sebastião como protetor desde a idade Média. Na biografia do santo, consta que era o soldado preferido do Imperador Diocleciano, considerado pelos historiadores como um dos imperadores mais homossexuais de Roma.”

???

Cabe reflexão: como seriam, então, os imperadores MENOS homossexuais?

E os “mais ou menos”?

E, ainda, os ligeiramente? Os vagamente? Os dia-sim-dia-não?
...
Agora, o mais importante: a mãe deles sabia disso?

18 janeiro 2006

Recado


Tá assim de gente que manda “recadinhos” pelo blog.
Pois agora eu também vou mandar.

Deus: QUALÉ???
Nem só de pagode...

Atenção: meu vizinho agora está ouvindo Rush (YYZ). Uau!!!


Para trás?

Acabou o ano, acabou o calendário (do rádio-táxi, meu Deus!) que nós tínhamos aqui. Meu irmão não se abalou: tirou a folhinha de dezembro, e deixou por baixo a de janeiro. De 2005.

Tudo bem que a gente não gosta de envelhecer, mas... deve haver outros meios de se chegar melhor aos fins, hehe.


Urina

Hoje deu no jornal que a nossa querida praia do Recreio está impossível, veja só, por conta do extremo calor que assola o Rio. Antes eram as chuvas.

Ou seja: quando não é uma coisa, é outra.

A água do mar, dizem, anda geladérrima! - não se agüenta um mergulho.

Por outro lado, o tal “Cuca Fresca” (chuvisco que respingaria de dentro daquelas placas ENORMES da prefeitura) está seco, seco. E o chafariz que instalaram na Praia da Macumba (!!), alegria da criançada e única opção para o banhista se banhar, segundo consta, fede.

E fede muito, e fede a urina.

Um entrevistado afirma que pegou uma micose depois de ter se “lavado” ali, e que a água é reutilizada – imagina!

Ou seja: quando não é uma coisa, é outra. Na calçada é xixi. No mar... bom, o mar está gelado. (Se a prefeitura não sabe o que faz, Deus sabe. Hoho).

10 janeiro 2006

King Kong


Fui ver King Kong. Não sou a mais indicada para criticá-lo, porque não tenho saco para filmes com muita ação, mas esse foi dos piores que já assisti. Putz, que bomba!

Roteiro fraquíssimo, personagens insossos, desenvolvimento enfadonho. Pouco humor – não passa de meia-dúzia de piadas apenas razoáveis. Inspiração zero.

Quando quer ser delicado, vira piegas. Quando quer ser bruto, aí consegue (mas me dá um macaco daquele tamanho que eu também consigo).

Dois bons atores são sub-aproveitados: o primeiro é o Adrien Brody (ex-Pianista), que ficou achatado num personagem mocinho-meloso-sem-sal. O segundo é o bom comediante Jack Black (Escola de Rock), que virou uma caricatura meio lá, meio cá; tipo um traço sublinhando texto que não existe.

E não vou elogiar mais, tá?


Continua lindo

E as chuvas cessaram. E o Rio voltou a sorrir. E o dia esteve ensolarado. E vi o Cristo da janela da minha analista. E me analisei sob seu claro abraço. E minhas neuroses se sentiram acolhidas. E me inspirei, de fato. E passei duas vezes pelo aterro do Flamengo agradecendo aos céus. E vim até a Barra apreciando a paisagem.

E ainda almoçamos com um carioca que dizia: “o Rio Grande do Sul é uma coisa fantástica!!!!”.

Assim, cheio de exclamações.

Ou seja, o Rio de Janeiro continua lindo.


Mais Kong

Desculpe voltar ao assunto, é que me lembrei de uma cena que aconteceu na poltrona.
Menino de uns 10 anos assiste ao Mico Kong com a mãe. Lá pelas tantas, um personagem diz:

“Estou exausto!”

Menino lê a legenda e pergunta:

- Mãe, ele disse que está o quê?
- Exausto, meu filho.
- E o que é isso?

A mãe explica, e eu fico pensando.

(Vem cá, um piá de 10 anos já não deveria estar exausto de saber o que significa exausto???)

06 janeiro 2006

Você sabe quem é Bruna Surfistinha?


Eu também descobri há pouco. É uma garota de programa, aliás, é uma menina de uns 22 anos, que brigou com os pais e saiu de casa – acho que aos 17. E foi ser garota de programa.

Daí ela fez um blog onde contava os programas, e teve muitos acessos (o blog... E ela também, naturalmente!), e virou, mexeu, lançou um livro.

Nesta ordem: virou, mexeu e lançou. Um livro.

Que vendeu horrores!

Nessa altura do campeonato, a garota já tinha “se aposentado”. Conta que arrumou um namorado - ou namorido, sei lá -, um homem casado que começou como seu cliente, depois se apaixonou, e... enfim, praticamente um Richard Gere. Tirou a moça dessa vida, e foram felizes para sempre.

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TÁ, E O QUÉCO?


Não sei o quéco tenho a ver com isso. Nem você, nem ninguém além dos diretamente envolvidos.

Mas o fato é que muita gente está comprando as memórias das putas tristes, do García Marquez (na lista dos mais vendidos há meses!), e também as memórias da Surfistinha alegre.

Entendo a avidez pela boa literatura, no primeiro caso. E entendo a curiosidade sobre as saliências (para ser discreta), no segundo. O resto é especulação pura, e para isso estamos aqui.

Especulo, portanto, que há uma espécie de “moda” de sexo liberal pairando no ar. Mais do que isso: é como se as meninas (e as mulheres) precisassem mostrar que também podem ser adeptas do sexo casual – não são presas às meiguices da emoção, não são mais tão apaixonáveis, e não ficam se derretendo pelos cantos ao soar de uma voz mais grave ao pé do ouvido.

Tem até uma modinha enfadonha e insistente que sugere uma espécie de lesbianismo de ocasião – uma bobagem, às vezes incentivada pela mídia “esperta” (e careta, diga-se de passagem), que tem pouco ou nada a ver com tesão; é uma questão de “atitude”. Entre muitas aspas. Meninas adolescentes beijando outras meninas na boca porque é “cool”, porque homem é tudo babaca e elas podem muito bem viver sem eles.

Baita atitude.

Acordai, bonitinhas. Não era isso que as mamães (e as vovós) queriam dizer quando queimavam sutiãs.

Culpa de quem?

De ninguém. E de todas nós. Do processo.

A minha geração, por exemplo, ouve esse papo de feminismo e acha radical, démodé. Demos de ombros, queríamos mesmo saracotear. Aliás, demos também de bunda. Pior: na boquinha da garrafa!

Claro que há quem venha de frente, e sempre vai haver, cada vez mais – advogadas, juízas, professoras, publicitárias, médicas, roqueiras, artistas porretas. Mas também há muitas moçoilas rebolando fora do eixo, e isso, me desculpem: além de não ajudar, atrapalha um bocado.

E olha que não sou contra o rebolado, não. Acho ótimo que se rebole, que se transe, que se goze, que cada qual descubra o sexo – e as formas de amar, se assim fica bonito dizer – que mais lhe dê prazer. Sacanagem, sexo bilíngüe, trilíngüe, o diabo a quatro. Ora, vá ser feliz!

Mas também sou a favor de rebolar o tutano, e isso sim merece destaque. No que estão pensando as meninas das raves? Quais putas tristes estarão lendo?

O problema, como diriam os marqueteiros, é uma questão de foco. Há muita preocupação com a celulite; pouca com os buracos do cérebro. Sexo é bom, e é para dentro. Pensar pode ser para fora.

Destinar todas as capas de revista ao êxito das bundas livres? Mas, afinal, que sucesso estamos comemorando?

Ora, vá comer feijão e estudar.

04 janeiro 2006

realidade / ficção


Uma verdade belamente escrita não dá outra: toma jeito de mentira bem contada.

Já uma verdade mal escrita não toma jeito nem quando enfiada entre aspas.

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Eu me sinto um estrangeiro
Passageiro de algum trem
Que não passa por aqui
Que não passa de ilusão

(Humberto Gessinger)

--

Fui ver o filme da Bethânia. Aproveita-se mesmo é a própria. Mais parece um “making of” caprichado do show Brasileirinho (aliás, ótimo, eu tenho em DVD). Algumas coisas comoventes de Dona Canô e Caetano, mais um Chico sub-aproveitado aqui, um Gil superaproveitado ali... nada de mais, é isso. E imagens de favelas para inglês ver.

Belas são a música e a poesia. O mais é estética, conceito, vazio. Dã.

02 janeiro 2006

Eu também vi a merda


Está todo mundo dizendo que 2005 foi uma merda, e que já foi tarde. Pois eu faço parte do humilde time de pessoas que acharam 2005 um ano supimpa (está bem, está bem, eu também vi a merda, e senti o cheiro, e registrei, e publiquei, e até pisei um pouco em cima do pedaço que me cabia!). Apesar dos mortos e feridos, no entanto, respingaram coisas boas em mim e nos que me cercam. Foi bacana demais.

Agradeço em silêncio, debaixo do edredom, e agradeço também enquanto caminho pela praia (o mar tem essa cara de quem tem algo com isso; vai ver ele nem sabe de nada, mas, na dúvida, sou francamente grata).

Volta e meia até acendo uma vela.

Como já disse, é claro que eu também vi a merda. E a fedentina chegou a me embriagar um bocado. Visitei mais médicos do que pretendia. Briguei com quem não merecia. Paguei mais impostos do que minha razão pudesse compreender. Rompi e fiz as pazes com a terapia umas dez vezes. Xinguei meus defeitos, subestimei virtudes, cantei vitórias que não cheguei a ter, fiz planos que sequer tentei realizar, outros que realizei pela metade, e outros que – putz, foi quaaaaase!

Os “quase” se acotovelam no balcão me pedindo para passar na frente dos demais projetos. (Alegam já ter a senha, ou algo assim).

Esse ano tem eleições e copa do mundo, estão dizendo que a merda pode virar - para melhor. Não sei de previsões, mas sigo muito grata e confiante, mesmo sem saber direito qual é a melhor direção para se navegar neste momento.

Assim, por partes: primeiro os remos, depois os rumos e os rimos.

01 janeiro 2006

Ano Novo


Virei o ano com a família, na praia do Recreio. Pessoas de branco pulando sete ondinhas, pescoço dolorido de procurar os fogos no céu, beijos e abraços, ops, alguém mijando no muro, garotos bêbados, moças salientes, saias coloridas, isopor, pulseiras, flores, sandálias, juras de amor, planos, promessas, enfim, resumindo, um brinde triplo para este ano:

Tim-tim (saúde)
Din-din (entrando)
Tum-tum (batendo)

FELIZ ANO NOVO!!!

28 dezembro 2005

Vinícius


Fui ver o filme sobre o Vinícius de Moraes. Bons momentos, ótimas músicas, depoimentos impagáveis (meus derramados destaques para Chico Buarque e Ferreira Gullar, dois galãs!).

Sobre os momentos-de-poesia, prefiro mil vezes a Bethânia lendo os versos – e se engasgando com o próprio nó na garganta – aos atores (no caso, Camila Morgado e Ricardo Blat) declamando e tentando, a todo custo, dar nó na garganta dos outros. Na minha, não rolou.

No mais, alguns elementos que eu não entendi por que estavam ali, e outros que não entendi por que não estavam. Mas isso sempre tem.

Acho que vale o precinho.


Filosofia de vida corporativa(sorry, não sei o autor)

“Se você está trabalhando e sorrindo, é porque já descobriu em quem colocar a culpa”.

27 dezembro 2005

Planos, planos

Ah, estou mergulhada em planos. 2006 vai ser o ano, não vai?


Contagem regressiva

Faltam 5 dias para o ano novo. Eu vou passar aqui mesmo, pelas vizinhanças.
E vocês?

24 dezembro 2005

E o peru, onde vai?


Não responda. Ninguém sabe. O peru é uma coisa fadada a encalhar na ceia, a verdade é dura: ninguém gosta de peru. Por quê? Ele é duro, ué.

Nunca vi bicho para morrer seco e duro como o peru. Mas é tradicional, Natal tem que ter peru, para... enfeitar a mesa. Ninguém come. É assim porque é assado, acabou-se.

Na minha família, todo mundo começa a discutir o cardápio do Natal uma semana antes, só porque não tem outro jeito.

- Alguma coisa a gente tem que fazer, né – alguém comenta, coçando o queixo, como quem diz que é inevitável.

- É... coisinha simples. Só para não passar em branco.

Cada um sugere uma bobagem, podia ser algo diferente esse ano, uns belisquetes, uma mesa bem colorida (a gente come é com os olhos, não é mesmo?), o importante é estarmos juntos, hoje em dia vendem tanta coisa pronta...

- E o peru?

Silêncio.

- Tem que ter peru. Senão não é Natal.

Sempre tem uma voz que pronuncia a sentença, trazendo à tona o peru que todo mundo fingia esquecer. Mas, como é Natal, não pega bem recriminar o chato que se lembrou – e nos lembrou! – do triste bicho seco.

- Poxa, gente. Senão não é Natal.

Ai, todo chato redunda. Que venha o peru, pois.

Acaba entrando como astro da noite, mas não tem saída alguma. Encalha. Os chamados “acompanhamentos” vão sendo bicados, aos poucos, pelos comensais que fazem a típica cara de “vou começar por aqui”, e terminam também por ali. O peru vai ficando.

O máximo que vi levarem foi uma perna - e o peru perneta, no final da noite, é ainda mais patético.

Secretamente, todos culpam o sem-mãe que tocou no assunto do peru. Boa oportunidade de ficar quieto. Engolisse o peru, guardasse para si! Na certa é quem mais está se entupindo de salpicão, e ainda vai roubar a rodela de abacaxi que eu vi primeiro...

Mas ninguém fala nada, porque é Natal. A ceia some e o peru persiste, intacto, vitorioso. Ano que vem ele aparece de novo, como se nem tivesse pego vento, só para confirmar que é Natal.

Tenho para mim que é sempre o mesmo bicho.

FELIZ NATAL!

21 dezembro 2005

De volta

Fui conhecer Madrid e Paris, e cheguei no Brasil hoje! estou cheia de coisas legais para contar, mas também com muito trabalho e uma pá de burocracia acumulada.

Fora o con-fuso horário no cuco (e na cuca).

Beijos tontos, volto já.

03 dezembro 2005

Viventes, acordantes e dormentes,

estou saindo de viagem e só volto no final de dezembro. Se conseguir meios, prometo vir aqui revelar os fins.

Beijos graúdos desta fujona,

Bíbi Da Pieve
Mofei no shopping

Aqui chove aos cântaros. E, quando chove, a cidade literalmente empaca.

Pois empacada fiquei eu, esperando um táxi no shopping do fim do mundo, exatamente UMA HORA. Isso que tinha pedido por telefone!

Além de mim, uma família de mulheres estabanadas e esparramadas aguardava a sorte de um carro amarelo. Que divertido.

Quando, enfim, tive o privilégio de embarcar no táxi, mais surpresinha: no meio do caminho, o pára-brisa do carro virou “do avesso” (não sei como aconteceu, mas aconteceu!), e deu uma porrada no vidro – que me deixou grudada no capô, de susto.

O motorista – cheio de “hehe” – parou num posto e arrancou o aparelho, praticamente com as unhas (“hehe, desculpe senhora”). Fomos embora com o pára-brisa metade limpo, metade molhado. E todo arranhado (“hehe, isso acontece”).

Tá bom pra você?

Se ele palitasse os dentes com aquele ferro eu não levantaria nem meia sobrancelha de surpresa. Vivendo e aprendendo.