07 maio 2009

Corra, Forrest!

Um amigo manda uma mensagem via Twitter: “te vi agorinha na rua X. Acho que você ia correr ou algo assim.”

Uma coisa é certa: quando não estou – literalmente – correndo, estou algo assim. A vida é um grande empreendimento aeróbico sem finalidades fitnesstéticas. E quem não gostaria de poder passar o bastão de vez em quando, hein?

27 abril 2009

Microblogando

Curiosa modalidade esportiva que tem garantido o tônus da indústria fonográfica: lançamento de padres.
Hoho.

22 abril 2009

Erramos. Opa, de novo!

Nessa euforia da informação gratuita, as pessoas consomem tanto material não relevante quanto seu tempo livre permitir. E tempo livre é um bicho que espicha, espicha até se transformar em já-são-cinco-horas-e-eu-ainda-não-fiz-nada-de-útil.

Por outro lado, já que a informação não importa mesmo, há quem aproveite para produzi-la sem dedicar muito tempo ao conteúdo que transmite.

O resultado eu acompanho no Twitter, por exemplo: uma renomada empresa de comunicação dispara manchetes, a todo momento, oferecendo links para reportagens variadas sobre "cultura e entretenimento". Não demora (até porque nada demora!), e eles disparam também o clássico: "Erramos! Diferentemente do que foi publicado, blá blá blá...". E de novo. E de novo.

!!!

Se alguém reclamar, periga ouvir: "é de graça, meu filho, que falta de educação reclamar!". Bah.

15 abril 2009

A "cara" do Google, se existisse nos anos 50
Adorei!



14 abril 2009


Entrar no chocolate é fácil. Difícil é achar a porta de saída...
Por isso o ovo de Páscoa é redondo. Coelhos cretinos.

12 abril 2009

Busca

Nesses ares de relevo,
um pouquinho de respirar plano.

07 abril 2009

Importância e farelos

O sujeito que pesa os legumes finge que se distrai limpando farelinhos de alface lá no outro canto, a quilômetros da balança. Fico abanando minhas cenouras daqui, nada acontece. Sacudo também as abobrinhas e os tomates, lanço mão das batatas: nada, nada. Uma senhora para atrás de mim; outra avalia o preço das cebolas e comenta, bufa e estala os beiços se dirigindo a ninguém, depois vem se unir a nós nesse exercício do nada. O moço da balança finalmente se vira e faz cara de quem está surpreso porque acaba de nascer um pé de senhorinhas enfileiradas desejando pesar legumes. E a cara de importância do cretino?

**

Bom, não há quem empacote as compras. Essa notícia a moça do caixa me dá com um gesto nada discreto: empurra as sacolinhas de plástico para onde eu alcance e continua passando os produtos, pi, pi, pi, como se me dissesse “mexa-se! estou fazendo a minha parte!”, pi, pi, pi.

A farinha de trigo está estranhamente empapada de alguma coisa. O açúcar está melado com alguma coisa. O sal está úmido de alguma coisa. Na importante sequência da minha tarefa de empacotar, descubro que a água sanitária é esse “alguma coisa”. Vaza, livremente, através da tampinha de rosca amarela que promete conter até pensamento. E a garrafa de álcool líquido – que já veio furada – é o outro “alguma coisa”. Pronto, há dois itens de limpeza profunda se alastrando pelos meus sacos de alimento numa total falta de cerimônia.

Após breve reflexão, concluo: ao diabo!, eles que se entendam!, já estou fazendo a minha parte. Pi, pi, pi.

E finjo que me distraio limpando os farelinhos do meu pensamento - que, aliás, não veio com tampa de rosca amarela.

30 março 2009

No tempo do Info Zero

Estou maluquinha com esse negócio de
As pessoas agora escrevem e-mails como se fosse
Emendam conversas pulam vírgulas dizem coisas sem nenhuma
Entrei no Twitter (atrasada)
Ai que saudade do tempo em que
Não havia essa info info info
Bastava uma sombra, meia goiaba
e um assunto espichado
que ia até o fim.

24 março 2009

Razão e felicidade

Um desses e-mails que circulam por aí dá pequenas dicas de como viver mais. Uma delas é “pensar positivamente”. “Pessoas otimistas podem viver até 12 anos mais que os pessimistas.”

Se isso é verdade, significa (ou “pode significar”) que os pessimistas morrem 12 anos antes. O que, por sua vez, “pode significar” que eles tinham toda a razão. Hoho.

O que você prefere? Ser feliz ou ter razão?

Pensemos bem. É que a razão dá um prazer danado, e ela se sustenta até na preguiça, na improdutividade e no tédio, se for preciso. Ter razão consola quando a gente nem tenta porque não ia dar certo mesmo, e adivinha?, realmente não deu. Então, a razão dá uma ninhada de filhotes cheios de ventosas que grudam e ficam repetindo: eu te disse, eu te disse, eu te disse!

Já a felicidade é escorregadia e dá um trabalho danado administrar. É bem melhor de viver, mas muito pior de "ir levando".

Se você não disser nada, a razão diz ela própria. É cheia de cem por centos, totalidades, coerências mil. A única coisa que a felicidade diz é sobre a pessoa que a experimenta - que, por mais feliz que seja, é feita de buracos e incompletudes que não sabem ligar lé com cré. Pensa que a felicidade liga?

Se você empacar, a razão buzina convictamente e joga luz alta nas suas certezas milenares. Já a felicidade passa, sorrateira e displicente, e vai morar em alguém que leve a alma para tomar sol de vez em quando.

16 março 2009

Acordo psicortográfico

Estou achando muito estranho que "paranoia" não leve mais acento. Muito estranho.
Acordo ortográfico, sei. Muito, muuuuito esquisito.

14 março 2009

Origens e Modernidades

Todas as letras do meu computador aumentaram de repente, e eu não tenho a menor ideia de como fiz isso. Eu ia dizer “a fonte” (das letras) aumentou, mas, francamente, certas expressões não conferem muito com as minhas impressões sobre elas – sou do tempo que fonte era coisa de água e não de letra. O que é que a gente tem que engolir em nome das maravilhas de modernidade.

Por mais que eu tenha blogs há 7 anos e navegue na internet desde 1995 (!), continuo me achando uma pilota de carroça, chacoalhando e abanando as moscas enquanto – me parece – o resto do mundo faz “assim” com o dedo, e é o que basta para o bicho (a máquina) responder a contento sem pestanejar. Comigo é nos cascos; não sei se me falta uma mandinga qualquer ou se é coisa pessoal mesmo.

**
No Sul, nós temos muito essa intimidade com os cavalos, por isso fiz a referência. Não digo nem o bicho físico. Mas a ideia, os termos, tudo isso que forma o imaginário equino do gaúcho e acaba orientando sua conduta pela vida afora, mesmo que vá trotar por outras bandas, como foi meu caso e de tantos conterrâneos que identifico pela bandeirinha na traseira do carro. Lá vai o(a) gaúcho(a)!, digo para mim mesma, como se de um primo se tratasse. Bah, nunca vi mais gordo.

É tão engraçado como nos sentimos unidos quando moramos longe dos “pagos”, e sobretudo quando guardamos distância segura uns dos outros – de modo a nos livrar desse tipo de piadinha irônica que acabo de fazer aqui, por exemplo, e de outras bem piores. Nós, gaúchos, temos o costume de nos espetar mutuamente quando estamos próximos, e só há um motivo para isso: é que, quando estamos distantes, não conseguimos.

Piadinhas à parte, ao contrário do que se pode imaginar, em inúmeros casos essa troca de farpas é sinal de carinho explícito. Ou não.

**

Mas, voltando às patas do teclado, levo fé no entendimento que nos unirá, cedo ou tarde, em doce harmonia, já que me empenho sincera e humildemente em construir uma relação sadia e produtiva para ambas as partes. Olha que já se vão anos, e sigo me esforçando. É verdade que não tenho recebido muito apoio. Mesmo assim, persisto. Colaboração nenhuma. Apenas atitudes mesquinhas, egoístas (aumentar e diminuir o tamanho das letras sem me consultar, confundir maiúsculas e minúsculas, para dizer o mínimo). Não há de ser nada, não me abalo. Ainda que não receba consideração, sequer piedade...

(A coisa dos cavalos é mesmo de origem gaúcha; já esse dramalhão descarado vem do meu bisavô italiano e dos que dele descendem. Nada disso culpa minha, esclarecido.)

04 março 2009

Dentro

Ai, tem dia que acordo começando tudo com ai. Ai que não é dor. Ai que não é queixa. Ai que não é manha, charme, ai de Deus ou ai de mim.

Ai que é um gesto - e bem que sacudo, mas não cai.

Fora

Bolsas, pastas, gavetas, caixas de sapato, latinhas, bolsos, prateleiras: meu deus, descubro mariolas de goiaba em toda parte!

03 março 2009

O Garçom do Google

Só agora eu me rendi ao Gmail, e vou dizer uma coisa: ou eu sou mesmo muito caipira, ou tudo isso é meio assustador.

Escrevo um e-mail para a minha mãe convidando para ir à piscina, por exemplo. Na barra vertical à direita, “Anúncios Google” me dão as seguintes cantadas: Tudo para iluminar sua piscina. Móveis em alumínio, clique. Sua piscina está aqui. Etc.

No tempo do carimbo, a correspondência da gente era – supostamente – confidencial e sagrada. Agora, toma-se um assunto em família qualquer, pesca-se meia dúzia de palavras convenientes e aquilo vira massinha de modelar para o marketing alheio.

De um lado, assustador. De outro, profundamente redundante e chato esse garçom virtual a nos oferecer sempre os mesmos pratos – ou seja, essa publicidade “inteligente” (pretensiosa, na verdade) julgando que devo me interessar por aquilo que me interessei ontem, e anteontem, e semana passada... O cão mordendo o próprio rabo?

É como se o garçom estivesse ouvindo o nosso papo, e eu dissesse “suco de laranja, patati, patatá, suco de laranja, patati, patatá, suco de laranja”. Aí ele se aproxima, com a cara mais canastra do mundo, e diz:

- Agora vou te dar uma ideia genial que vai te surpreender: que tal SUCO DE LARANJA?

Uau, quanto charme.

28 fevereiro 2009

Procurando o número

Eu voltava do supermercado. Uma mulher – de short curtíssimo e coladérrimo, quadril avantajado, top listrado em cores do arco-íris, maquiagem forte e uma flor vermelha no cabelo - anda pela calçada e olha as fachadas dos prédios, indo e voltando, conferindo um papelzinho que tem na mão.
...
Como é o pensamento da gente, não?

26 fevereiro 2009

Quinta-feira de cinzas

Pergunta ansiosa: quer dizer que agora o ano começou de verdade? Ou devemos esperar segunda?
Ai...

25 fevereiro 2009

Publicidade na internet

Sequência de três anúncios na mesma página:

1. "Quer namorar?" (Conheça pessoas, etc)

2. "Separação e Divórcio."

3. "Deus te ama."

Isso é praticamente um conto: o sujeito (a sujeita) conhece pessoas, namora, casa, briga, separa, e acaba obtendo o consolo divino. Final feliz.

Da vida real à literatura - o Google, realmente, oferece de um tudo.

23 fevereiro 2009

Gênio oriental

Outro dia eu tive uma insônia horrorosa que contraria o senso comum; em vez de pensamentos horripilantes e preocupações com direito a previsão de desgraças na família, tive uma ideia genial atrás da outra. Incríveis as minhas ideias. Começaram às duas da manhã e se empilharam pela madrugada adentro, derrubando qualquer chance de um cochilo sequer. Vi nascer o sol no dia mais genial da minha vida.

Tomei o café da manhã, ainda insone, e já meio perturbada com tanta produtividade. E a minha memória ia dando sinais de cansaço – esqueci metade das ideias geniais, mas pensei: que mal há nisso? A fartura é tanta, me viro muito bem com 30% dessa enxurrada criativa. Escrevo dois livros, um filme e uma peça de teatro, e ainda sobra para compor um refrão, vá lá, de boa linha melódica. Um refrão razoável, está bem.

Antes das 8h, contudo, eu já estava zonza e burra outra vez, com agravante: olheiras de urso panda. Faço força, mas não lembro nem meia ideia genial. Saio na rua tipo um zumbi, encho a cara de coca-cola e não me conformo com a estupidez: há um gênio em mim, mas ele dorme em pleno horário de expediente.

Deve ser um gênio oriental, vem me visitar e não liga para o fuso. Grandes coisas.

A outra possibilidade é que, na tontura da insônia, eu tenha ficado generosa comigo mesma e as minhas “ideais geniais”, vistas à luz do dia, sejam mera bobice. Sendo assim, melhor que fiquem no escuro mesmo, ou ainda vão me dar mais trabalho do que já estão dando agora.

Que a burrice nos rouba tempo, é verdade, mas a "genialidade" (entre aspas) é capaz de nos tomar dinheiro grande.

19 fevereiro 2009

Francamente

Meu Deus, acabo de receber um e-mail de seleção de elenco para um longa-metragem de ficção. Meu Deus, eles dividem as personagens/atrizes assim:

- Mulheres jovens.
- Mulheres entre 30 e 45 anos.
...
Ainda bem que é de ficção. Não quero nem pensar se fosse de verdade.
(Uma cerveja e colágeno, please...)
Dia bom

Café com marido. Filha já brincando, outro café com marido. Iniciar uma conversa objetiva e prática sobre as tarefas domésticas, que evolui por considerações - já não tão objetivas - sobre educação. Que, por sua vez, evolui por um longo papo extremamente subjetivo, gostoso e rico sobre literatura.
Olhar a pedra lá fora. Céu azul. Nós.

17 fevereiro 2009

Cala-te, Claro

Meu celular apita uma melodia que interrompe o que estou fazendo para avisar a chegada de “uma nova mensagem”. Aperto o botão “ler” e descubro que tenho 30% de desconto para o show dos bec-strit-bóis.

Quaisquer que sejam os bóis que estejam em turnê pela vizinhança, o fato é que eu não pedi essa informação, jamais demonstrei a ninguém – nem ao Google, que tudo sabe sobre todos – nenhuma ambição ou mera curiosidade em conhecer de perto os tais rapazes, nem por suas músicas, nem suas roupas, géis nos cabelos ou purpurinas, nada, nada. No mundo ideal: eles lá, eu cá. Mas não, não posso, porque o mundo “Claro Ideias” não permite que eu tenha as minhas próprias ideais, sossegada e individualmente, em silêncio.

Perguntinha tola: por que é que meu aparelho (pessoal, que comprei com o meu dinheirinho) produz um ruído jamais solicitado para me informar essa e outras inutilidades? Já imaginaram se, numa sala com 800 pessoas juntas, todos os aparelhos resolvessem avisar a todos os seus clientes sobre os descontos imperdíveis a que cada um tem direito? O que é que me dá o direito de incomodar o direito alheio de não ouvir minhas sobras eletrônicas?

Devo levar a mão à boca e me desculpar?

Eu passo os meus dias lendo, escrevendo e escutando coisas. E não posso ter um aparelho de telefone para (apenas!) falar. Até porque o sinal é péssimo, e raramente consigo fazer ou receber ligações.

PS: Alguém poderia dizer “é só você configurar...”, ao que retruco: por acaso não deveríamos ter que “configurar” a opção contrária – a de solicitar barulhos e mensagens? No meu, começaram a apitar e enviar textos sem a menor cerimônia. E são muitos!

03 fevereiro 2009

Salsa capilar e reza

Meu cabelo e eu fomos parar nas tesouras de um profissional chamado Marcelo, que leva a fama de ser o melhor do salão. Conforme me confirmou a depiladora boa gente. Se esse é mesmo o melhor do salão, suponho que dance um bolero como ninguém. Ou a depiladora é que não é boa gente.

No meu cabelo deu foi uma salsa descompassada, e cheguei em casa nas tamancas, desafinando um miado meio indignado, meio lamentoso, bem como costumo fazer sempre que alguma coisa desanda e foge ao meu alcance. Não estou exagerando. Você olha para o meu rosto e tem vontade de pedir ajuda: orientação vocacional capilar. Um cabelo indeciso, impreciso e inseguro. Diria até, volúvel.

E eu que já não tinha muita coisa reta na cabeça, agora esse baião caribenho, olha, só rezando. Só rezando. Pai.

08 janeiro 2009

Acordo ortográfico

Ninguém vai dizer, então digo eu: não estou em condições de entrar em um acordo ortográfico que tira o acento das ideias e das estreias.

Ideia sem acento não vinga; estreia sem acento não inaugura. O ditongo aberto fecha as portas nas paroxítonas e eu esperneio, gostava mais antes!, gostava bem mais antes...

É injusto com a classe artística. Não bastasse, a porta da saída continua exibindo seu sinal agudo, direcionando o povo ao final sem cerimônia.

Isso para não falar na jiboia sem acento, um perigo.

(Filha minha, repara não: ocorre que a mamãe tá veia).

31 dezembro 2008

Ano Novo

Ficam mandando essas mensagens “que Deus derrame suas bênçãos...”, etc.

Se é assim, que em 2009 nós façamos sólidas coisas boas para receber as líquidas – e espirituais, e amorosas, e gasosas, e brilhantes, e também muito sólidas – bênçãos de Deus. Amém.

22 dezembro 2008

Bronzeado falso

Sei que o bacana seria não comentar, mas, como é assunto de utilidade pública, não resisto: pela primeira vez, estou ostentando um bronzeado 100% cosmético, by Dove Summer Tone. A “loção hidratante com agentes autobronzeadores” promete pele dourada em uma semana de uso diário. No meu caso, branquela e sem disposição/tempo/coragem para dourar ao sol, realmente é um achado. Adotei.

Dei uma pesquisada básica no Google para saber o que andam dizendo sobre o produto, que já é amado e odiado. Tem gente que reclama da “meleca”, o que acho razoável para quem precisa se mexer muito depois da aplicação. Eu fico quieta, sentada diante do computador mesmo, então tudo bem.

Dizem também que pode manchar um pouco as roupas – mas eu só uso preto nessas horas, nem ligo. O cheiro, sim, incomoda um pouco. Segundo li, é o nosso corpo que, ao liberar a melanina, produz esse “odor” tão característico. A mim chateia, mas sinto (vejo) que a recompensa vale a pena.

Ainda preciso achar solução para dois problemas: as mãos e o rosto. Aconselhável é lavar as mãos depois da aplicação, para não correr o risco de amarelar as palmas. Pois bem, tem ocorrido o seguinte: as mãos ficam branquelas e as palmas, amarelas de qualquer jeito. Aí me aconselharam a passar o creme no dorso e “limpar” as palmas com um paninho, o que também não dá certo: dorso branco, palmas amarelas. Socorro.

Quanto ao rosto: no site diz que ele pode ser usado na face, mas quem tem pele oleosa e sofre com acne, como eu, jamais terá coragem! Qualquer coisa que eu passe no rosto me dá espinha, até vento. Recentemente, li uma entrevista com a Anna Hickman – adepta do bronzeado artificial – e ela diz que também não usa nenhum autobronzeador no rosto, pelo mesmo motivo. Resolve com maquiagem mesmo.

De duas, uma: ou encontro logo uma base para pele oleosa que me deixe da cor do resto do corpo, ou vai continuar parecendo que dormi no sol e esqueci o jornal em cima da cara.

Nas mãos, usarei luvas. Agora no verão, será uma delícia.

17 dezembro 2008

Da arte de reclamar em público

Jamais reclamo de coisa alguma em público. No trânsito, nas filas de banco e supermercado, nas calçadas, marquises, escadarias e corredores da rotina implacável - todos passam à minha frente, cortam meu barato e furam minha paciência sem que eu dê a mínima. Sempre fui assim. Passo por santa ou panaca, e não sou nenhuma das duas: sou avoada mesmo. E um bocado tímida.

Espere um pouco, não estou dizendo que sou aquela mala-sem-noção que trava o trânsito dos carrinhos verificando a validade da sardinha, de cócoras. Isso, não! Quando posso ser protagonista das minhas aventuras, deixe comigo, resolvo. Nos momentos em que cabe a mim checar, comparar, escolher, experimentar e até mesmo (me orgulho muito) maquiar, vestir e calçar, sou ágil e certeira. Não fico assim, na cabine da loja: é essa ou essa, ai, ai...? Nunca. Empilho meus ais e levo tudo embora, para o terrível momento do arrependimento, se for o caso. Mas não titubeio em público, nem manifesto descontentamento em frente a desconhecidos. Rabugice é coisa íntima, e só me aturam os valentes.

Entretanto, quando a pendenga não se define e não é minha a chave da saída, mergulho em Deus sabe qual subterrâneo das caraminholas e digo adeus ao mundo real. Reflito, medito, escrevo mentalmente, componho melodias lindíssimas (que depois verifico já existirem há séculos), chego a resolver dramas psíquicos dos quais anos de divã não deram conta – sobretudo os dramas dos outros, claro. E devo ter uma cara de trouxa, porque já chegaram a me questionar, no supermercado:

- Você não vai reclamar porque esse cara está passando as compras na fila dos 10 volumes, aí na sua frente? Ele tem muito mais que 10 volumes! Muito mais, olha lá!

Caríssimo senhor gentil, obrigada por avisar, mas, no dia em que eu me puser a contar os volumes dos carrinhos alheios, pode mandar me internar. Devo estar sofrendo de um terrível tédio interior e já nem me interessa andar solta às compras, comprar para quê? Deixa eu curtir meus plágios imaginários que, com certeza, sou mais feliz assim.

Acontece que há uma primeira vez para tudo, principalmente o que não devia. Estava parada na fila dos frios, tranqüila e “compondo” minhas trilhas sonoras, quando parou atrás de mim um adolescente. Devia ter uns 15 anos, bermudão, a listinha de compras amassada entre os dedos e aquela cara de quem odiou a missão de comprar queijo. Senti solidariedade, ora, já fui uma guria afoita e “ocupada” demais para auxiliar nas tarefas da família. O púbere bufava, a fila empacava, e eu concordei com a sobrancelha: saco.

Lá junto ao balcão, mais afoita que todos nós, atravessa uma perua com óculos de tartaruga e vai direto dando ordens ao atendente. Quer meio quilo disso, meio daquilo, e a búfala, e o peru fatiado bem fininho, mas sem quebrar. Olhei o garoto, que bufou novamente, agora com ironia e um pouco de raiva. Bastou. Espichei o pescoço de tal forma que ouvi um estalo, mas nem liguei. Limpei a garganta com um pigarro dramático e emendei o seguinte discurso:

- Aê! Tem filaaaaa!!!

Silêncio constrangedor. Senti um terrível pressentimento. Minha adversária me olhou tranqüilamente e explicou:

- Querida, estou aqui há séculos. Cheguei muito antes de você. Jamais faria um negócio desses, furar a fila. Está pensando que eu sou o quê?

Quando eu ia levantando a voz para – sei lá, contrariar, dizer que era um abuso, que ela estava mentindo, que eu conheço a família dela e todos são assim, que é uma pegadinha e vai cair um Papai Noel do teto! -, pois a moça que estava entre nós duas fez uma cara de “cala a boca” e completou:

- É verdade. Ela está comprando uma porção de coisas, só tinha saído um segundo para ver uma coisa enquanto o rapaz estava fatiando o presunto.

Na mesma hora, e usando o mesmo tom e o mesmo pescoço de girafa, pedi sonoras desculpas à perua inocente. E segui pedindo. E pedi outra vez. Quando dei por mim, já tinha pedido desculpas umas dez vezes e, na verdade, pedia era para mim mesma. Que vexame, eu não podia me perdoar.

Que o menino adolescente estivesse indignado porque a mulher comprava quilos e mais quilos, isso pude compreender. O que não posso conceber é que, justo na estréia da minha audácia de reivindicar meus direitos em público, eu tenha acabado desmoralizada na sarjeta da injustiça. Acusar uma inocente. Tudo culpa da minha distração de proporções dramatúrgicas. Se ela estava ali quando cheguei, juro que não vi. Se tivesse uma árvore, um gambá, um rinoceronte – teria visto?

Se a estivesse a Madonna cantando Holyday em cima do queijo bola, ainda assim talvez eu olhasse e pensasse: que melodia interessante acabo de inventar, impressão minha ou tem uma loira animadíssima dançando no queijo? Céus!

09 dezembro 2008

Sex and the City

Eu assisti ao filme "Sex and the City" no DVD. Minhas expectativas já eram baixas, mas consegui me surpreender: é péssimo! Praticamente não tem roteiro, é uma coleção de clichês e piadas de mau gosto, as personagens conseguem estar menos interessantes do que no seriado e os seus pares românticos... o que dizer deles?

O ex-charmoso Mr. Big virou um idiota com expressões de boneco de plástico; o Steve (da Miranda) perdeu a graça e se transformou num menino chorão arrependido. O marido judeu-careca-boa-gente aparece pouco, e o astro de cinema que se casou com a Samantha é mais um bonitinho burrão que nada acrescenta. Todos os atores do filme, que já não são grande coisa, ainda por cima estão mal dirigidos.

O figurino, badaladíssimo, é realmente lindo em muitos casos (a única coisa do filme que vale a pena, para quem gosta). Mas tem coisas horrendas, como o inacreditável "pássaro" que a Carrie usa na cabeça junto com o vestido de noiva. Argh! Não dá para se concentrar na cena com aquela ave figurante.

Nunca achei a série genial, mas, pelo menos, rendia algumas risadas. Já o filme, puff.

05 dezembro 2008

Volta ao passado

Ô, Deus meu. Os anos se passam. Mamãe aqui era uma guria e carregava uma guitarra nas costas, fazia shows usando camiseta do Grêmio e tênis de basquete. Era uma garota que, como eu, amava U2 e Guns'n Roses. Taí.

01 dezembro 2008

De auto-estima, groselha e laquê

Está bem, nunca fui a miss auto-estima. Tinha 9 anos e me achava esquisita, mas podia ser que melhorasse. Tinha 11, não melhorava. Tinha 12 anos, de vestido repolhudo (momento que minha mãe julga inesquecível - eu parecia uma princesa), pois não é que fiz parte de um bolo vivo do aniversário de uma amiga muito chique em Porto Alegre?

Dancei a valsa com um milico bastante educado, coisa e tal. Não tiramos nenhuma fotografia para guardar de lembrança, mas a minha memória é implacável: eu me sentia uma velha com aquela roupa e maquiagem, para não falar do cabelo empapado de laquê. Esquisita, dura e desconfiada de uma micro-bolsinha que me obrigaram a carregar e que, vá lá, combinava muito com o vestido. Mas o que eu vou poder levar aqui? Só o dinheiro (pouco) e o batom (mais um item fundamental que a minha autocrítica considerava dispensável). Aquele lilás na boca tipicamente incolor me dava a sensação de parecer que tinha recém chupado um picolé de groselha. Eu era o próprio picolé de groselha, gelado e imóvel, derretendo ao som da valsa e suando a camisa do pobre daquele milico.

Tinha ainda uma coisa com as mãos. Quando eu usava batom, muito raramente e sempre persuadida à exaustão, não sabia onde colocar as minhas mãos. Um inferno. Era como se o tom labial desnorteasse a minha figura como um todo, e o que já era sem jeito descambava de vez. Resultado: as mãos pagavam o pato. Onde enfiá-las? Que gestos eu faria? Mãos de menina, mãos de mulherzinha, mindinho, seu vizinho, pai de todos, fura-bolo...?

Quando a valsa enfim terminou, o rapaz perguntou se eu queria um refrigerante e eu emudeci de pânico. Como assim, refrigerante? Não termina aqui o nosso número? Você está ameaçando continuar me acompanhando neste baile – e, pior, sem valsa para disfarçar? Escuta aqui, você acha que só porque eu pareço um picolé de groselha eu devo me casar com o primeiro militar que me oferecer fanta uva? Respeite o meu laquê!

- Não, obrigada, não bebo.
- Você é engraçada.
- Não, obrigada.
- Você tem um ótimo senso de humor.
- Me arruma uma cadeira?
- Como assim?
- Tá vendo aquela cadeira sobrando lá? Arrasta ela aqui pra mim, por favor?
- Você está se sentindo mal? Precisa sentar?
- Não. Quero botar as mãos na cadeira. Por favor, eu disse.

O guri trouxe a cadeira – era gentil toda vida, o que indica que desperdicei uma amizade promissora -, eu o dispensei e fiquei em pé, empertigada, com as duas mãos apoiadas na guarda da cadeira e um olhar falso que pretendia convencer alguém de que eu não conseguia me decidir, oh!, entre os brigadeiros e os cajuzinhos. Ufa, tudo estava resolvido. Era rezar para ninguém me desmascarar até a hora dos meus pais irem me buscar.

Logicamente eu fantasiava que a paralisia pudesse me tornar invisível, e aproveitava para emendar também um falso dilema bocó (brigadeiro ou cajuzinho?), que era para conferir um maior potencial dramático à situação. Empacada atrás de uma cadeira, as mãos fixas – e, portanto, impedidas de fazer o gesto errado -, e empacotada na indecisão dos doces, àquelas alturas eu já era praticamente uma pintura ou mesmo uma instalação artística em forma de convidada na festa da minha amiga chique. O resto da turma comia, bebia, dançava e conversava muito.

Hoje, quase vinte anos depois, vai ver que alguém olha uma foto que sobrou num canto e se lembra da grande festança da filha caçula dos Dorfmann, até com saudades.

- Escuta... Quem era essa guria que segurava uma cadeira espremida lá no cantinho, meu Deus?

Cada um com seu hobby, meu caro. Não fosse por mim, ninguém hoje estaria sabendo da festa chique que o seu Dorfmann deu à filha em mil novecentos e groselha com laquê.

21 novembro 2008

Segunda-feira eu faço 31 e já vou avisando: a partir de então, farei trinta e uns.
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Hoje eu vi uma cena ótima na rua. Uma senhora levava no colo um poodle que vestia um colete preto e amarelo escrito: POLÍCIA.
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Aviso no site de uma editora: "não avaliamos mais originais de pessoas que não sejam intermediadas por um agente literário."

Pois eu também não avalio mais editoras que não sejam intermediadas por um agente editorial, pronto. Hoho.
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Toda vez que alguém me diz "seu cabelo ficou muito melhor assim" eu, em vez de considerar elogio, sinto que devo ter andado pagando mico e não sabia. É que ninguém interfere para criticar, então a gente não pode confiar. Raras são as pessoas que, honestamente, chegam para você e dizem: olha, seu cabelo está precisando de um novo corte, e não bastará mudar o penteado, é tesoura nele.

Até porque o último que me disse isso está até hoje com a tesoura entalada no pescoço, para aprender a não dizer besteira.

14 outubro 2008

Décimo Terceiro

É quando chega, assim, outubro – e outubro sempre chega assim, do nada. Ninguém percebe, mas a verdade é que outubro começa pelo meio. Você vê, amanhã já é dia do professor de novo e parece que a gente não aprende. Aliás, estive pensando: o que há com setembro que não prenuncia, não insinua e não adverte ninguém de coisa nenhuma?

“Ei, gente, olha eu aqui, com essa cara de setembro! Mais dia, menos dia será Natal e vocês não digam que eu não avisei, hein?”.

Que nada. Setembro só faz chover no molhado, como se ainda estivéssemos num agosto espichado, ou pior: como se o primeiro semestre sequer tivesse terminado. Com essa questão do clima retardando o edredom, ficamos nós também um pouco retardados, e o Ano Novo espeta precocemente quando o Ano Velho ainda parece bem enxutão.

Quando eu era pequena, um dia ouvi uma conversa sobre o décimo terceiro de alguém e pensei: meu Deus, será que eles escondem trinta dias em algum canto e só liberam para usuários cadastrados? Tem que ter CPF limpo? Pode enfiar o décimo terceiro logo depois da Páscoa, e aí a gente fica comendo chocolate ininterruptamente nesse mês-bônus?

Pois o meu eu vou querer justamente em outubro – antes do meu aniversário, só para ter a sensação de trapacear o envelhecimento. Hoho.

12 outubro 2008

Tira o olho!



Totalmente solidária.

09 outubro 2008

Apenas uma vez

Só ontem assisti no DVD ao filme Apenas uma vez (Once – Irlanda, 2006), que foi bastante elogiado e ganhou o Oscar de melhor canção original com Falling Slowly.

Depois de um show do The Frames em Dublin, em 2005, o diretor John Carney (que já tinha sido baixista da banda) pediu a Glen Hansard, cantor e líder do grupo, que compusesse um punhado de canções que serviriam como base para montar um roteiro. O filme acabou sendo feito a partir de 10 músicas inéditas, e o próprio cantor/compositor interpretou o protagonista.

Filmado em apenas 17 dias e com um orçamento de US$ 70 mil, o musical modernoso - que conta a história de um músico de rua e uma vendedora de flores tcheca, também cantora e instrumentista - virou um fenômeno independente muito aplaudido. Sobretudo por questões que têm mais a ver com a sua condição no mundo cinematográfico do que, propriamente, com a “obra” em particular. O surpreendente sucesso de um filme barato e despretensioso, por exemplo, chama atenção e conta pontos. A ousadia do formato, idem.

Eu acho delicado dizer que é bom, mas certamente há ótimos momentos – e não só musicais. O carisma dos dois músicos/atores é inegável e rende belas e comoventes cenas. Já o ritmo se mantém lento do início ao fim, criando possíveis dificuldades soníferas para acompanhar uma história que, por sua vez, também vai andando meio de lado.

Em suma: é meio ruinzinho, mas é ótimo.

Só avisando: passe longe quem não pode com essas canções românticas de melodias tristonhas e refrões grudentos, como Falling Slowly. Abundam!



PS: Muito, muuuuito bonitinho mesmo é assistir à cerimônia de entrega do Oscar e ao breve e fofo discurso do casal – que, segundo consta, começou a namorar durante as filmagens. Em inglês, sem legendas. Aqui.

07 outubro 2008

MODA 2008/2009
A próxima estação pede penas no topo e calças dos maridos


Andei passeando, com minhas pantufas amarelas, pelos sites de moda. Ai!

Primeiro que não entendo do assunto um ovo. Mas acho bem interessante quem entenda e saiba se vestir. Já eu ando esportiva, casual e, às vezes, clássica. Que é para não errar.

Não que tenha um senso estético péssimo; até combino algumas cores com certa habilidade (desde que elas sejam poucas e gentis comigo, e que não fiquem se misturando aos tons menos conhecidos das pessoas em geral).

Bom, mas as novidades são as seguintes – e vou usar sempre a primeira pessoa do plural no afã de me incluir nesse desejado universo fashion: usaremos adornos nos cabelos e nas cabeças. Segundo as fotos que rolam por aí, andaremos com lenços, tiaras, diademas, fitinhas, frufrus e, pelo que daqui pude identificar, inclusive uns enfeites (?) em forma de penas de pato, pombo ou mesmo ganso (vá saber!), e também uma espécie de olho de pavão (juro que vi) no topo da, no topo do, como se diz? Enfim, no topo.

Ah, outra coisa positiva é que usaremos muito o chapéu – imagino que também no topo.

Já sobre as velhas calças jeans, há uma ameaça no ar: o retorno da calça baggy, aquela coisa larga de cintura alta que era moda nos anos 80. Mas, conforme investiguei, essa tal ameaça nasceu de umas fotos do tipo “flagra!” de três ou quatro celebridades estrangeiras, acho que americanas, que andavam pela rua tranqüilamente vestindo as calças dos seus maridos-celebridade.

Pessoalmente, avaliei que o flagrante verdadeiro seria se estivessem usando as jeans do marido alheio. Mas não, foi erro de avaliação (meu, claro).

Uma vez detonado o “movimento” das celebridades-com-as-calças-dos-próprios-maridos, estabeleceu-se que, na próxima estação, deveremos nós também usar calças jeans folgadas, de cintura baixa e corte masculino, reto. Leia-se: fundilhudas. Além disso, “muito lavadas” (tradução: aspecto sujinho, desbotado). E consta que uma das moças fotografadas foi duramente criticada por usar as benditas calças com as barras dobradas, no velho estilo de caçar marrecos na lagoa.

Pensando bem, talvez, se ela usasse ma pena na cabeça...

* Pelo sim, pelo não: dicas de como usar a calça adequada ao seu tipo físico nesta reportagem do Jornal Hoje.

04 outubro 2008

A título de bundas entre parênteses

Um anúncio na revista de domingo oferecia mil maravilhas estéticas, dessas que a gente vive com vontade de fazer, mas cadê “tempo”? Sou péssima para guardar esses nomes - plastias, bio isso, bio aquilo, dermocoisas e coisodermos - que, por si só, já espetam a gente e dão choquezinhos. Mas o fato é que, lá pelas tantas, deparei com a seguinte oferta:

Não-sei-o-que dos glúteos (bumbum).

O bumbum vinha entre parênteses, depois dos glúteos. A essa altura do campeonato, existe alguém que realmente não saiba onde ficam os (seus próprios) glúteos? Pode errar um pouco na mira, está certo, já que os glúteos andam – invariavelmente, para baixo. Mas saber, sabe.

Outra coisa, você conhece o Fio Búlgaro? Pesquisei a respeito: “É um excelente tratamento para levantar o glúteo caído (triste), pois reposiciona o mesmo”.

Achei interessantíssima a abordagem psicológica do caso. O glúteo caído não está sedentário, velho, largado às traças: está triste, oras. Aliás, entre parênteses (triste), outra vez! Estou começando a achar que esse pessoal da estética costuma dizer umas verdades entre parênteses.

Só fiquei com uma dúvida, na parte “pois reposiciona o mesmo” – quem seria o mesmo, mesmo? Acho que eles quiseram enfatizar que o glúteo a ser levantado será o mesmo de quem se submeteu ao tratamento, e não outro. De suma importância. Imagine você pagar pelo tratamento e acabar consertando bumbum alheio. (Prejuízo).

Queridos, vou trabalhar antes que escreva mais trivialidades (besteiras).

26 setembro 2008

Meu vizinho de baixo

Vocês sabem, eu tive uma banda e tocava baixo elétrico. Minha banda durou uns 12 ou 13 anos (meu Deus!), e estou pagando esse tempo com juros e correção monetária auditiva: meu vizinho do apartamento de baixo, isso mesmo, tem uma banda e toca baixo.

Todo santo dia, eu tento trabalhar aqui e ele tenta repetir lá, zilhares de vezes, a mesma frase em seu baixo elétrico: dum-dum-dum, ponto e vírgula, dum-dum-dum outra vez. Ai, minhas exclamações! Quando estou a ponto de desistir, ele também desiste. E o ar que entra pela janela indica que ele está a fumar umas coisas.

Mas eu não estou a fumar nada, e assim seguimos com a nossa impressionante afinidade químico-musical que algum dia, já posso prever, nos levará a parceria nenhuma.

Para não dizer que não vejo as coisas com imparcialidade, ainda ontem, os dois diante do espelho do elevador, descobri um talento em comum: ele disciplinava uns fios de cabelo arrepiados, e eu investigava a ameaça de rugas. Ambos, convicta e inutilmente.

19 setembro 2008

Quando quis comprar botas novas no inverno passado, quando sofri com determinada infecção e quis ler a bula de algum remédio, quando pensei em melhorar a saúde com geléia real, quando imaginei um presente para minha mãe, quando senti desejo de comer bolo de quinoa, quando pretendi saber os benefícios da quinoa, quando procurei sobre a história de Cervantes.

Quanto tive preguiça de abrir a gramática para consultá-la, quando não quis me levantar para pegar um livro que estava a dois palmos de distância, quando ponderei se alguma idéia era mesmo Freud, quando...

Quando foi que imaginamos que os nossos mais variados verbos passados estariam armazenados num “histórico” de buscas do Google???

PS: E também quando procurei saber se o correto era “quinua” ou “quinoa” para escrever aqui. Aceita-se os dois.




12 agosto 2008

Delicadezas de divã

Ao que, finalmente, ela me tranqüilizou:

- Não, querida, claro que não. Nesse caso, você seria uma esquizofrênica completa. Mas posso te tranqüilizar: és apenas uma neurótica supercomum, desse tipo mais vagabundo que existe aos montes por aí.

- Desculpe. Mas vagabunda é a senhora.

- Olha aí, não tô dizendo?

Hoho.
PS: Extraído dos arquivos deste blog.

07 agosto 2008

Google explica

O Google pode ser o deus da internet - e demais quinquilharias virtuais/essenciais -, mas, definitivamente, não saca nada de psi-coisas e auto-imagem feminina.

Olha o que ele me diz logo na primeira página do gmail:

"Nenhum e-mail novo! Se você estiver procurando algo interessante para ler, consulte o Google Notícias."

Chamou de sozinha, burra e desinformada numa só tacada. E gorda, claro.

Um pote de sorvete de 2l, urgente! Com caramelo e castanhas.

04 agosto 2008

A moça que liga, sempre

A moça liga às 4h da tarde:

- Alô, bom dia! (??) O senhor R. está em casa?

Essa moça liga dia sim, dia não atrás do meu marido.

- Ele não está. Você tenta o celular?

- Ai, será que você poderia me dar o número do celular dele... de novo?

Essas moças que começam as frases com "ai", ligam dia-sim-dia-não, às 4h da tarde, dando "bom dia" e perguntando pelo marido da gente, depois pedem o celular que eu já dei umas 457 vezes...

Se eu não a conhecesse, e se não tivesse até uma solidariedade pela sua franja bem intencionada, e o andar que gagueja (tem gente que não caminha: gagueja com os pés), e a voz que lembra um refrão acelerado de carnaval fora de época, e as estampas que achatam sua silhueta, e o cinto largo que lhe corta a figura ao meio, bruscamente, como se o busto e o quadril tivessem rompido em definitivo e não quisessem nunca mais se olhar nas fuças... Talvez até pensasse na hipótese de criticá-la.

Mas a franja é o ó.

31 julho 2008

Julia and James First Dance

A propósito de assuntos de balzaca...

Inglaterra, 2007. Ele é produtor de filmes e ela, fotógrafa de casamentos. Os dois reproduziram, no seu próprio casamento, a dança final do filme Dirty Dancing (1987), e o vídeo virou sucesso no You Tube. Pudera, né?

Ai, minhas polainas!

Para suspirar.

29 julho 2008

Depois dos 29

Alguma coisa aconteceu com o meu metabolismo depois que dobrei a esquina dos 29 e entrei, cantando pneu, nos 30.

E, a propósito de pneus, há os que cantam e os que calam; esses últimos, os piores. Sorrateiros, alojam-se nos canteiros mais surpreendentes da nossa arquitetura - tão arrumadinha até pouco tempo atrás, com o asfalto, a calçada e o meio-fio muito bem organizados, e os transeuntes, com seus cães transeuntes e higiênicos, e os edifícios bem decorados, e as fachadas ornamentadas com jardins repletos de arbustos bem penteados e empapados de pomada disciplinadora...

Passei dos 29, foi como se houvesse uma debandada: o paisagista saiu mais cedo hoje, mandou dizer que não vem amanhã, a decoradora teve um compromisso inadiável e deixou uns quadros tortos (eu que me vire), o cabeleireiro deu a entender que não estava satisfeito com a gorjeta fazia uns três anos; mas por que nunca me disse nada? Ah, segundo ele, era eu que não ouvia. Antes dos 29, fala-se muito e ouve-se pouco (acusou-me o injusto, a tesouradas, enquanto organizava a maletinha e levava embora meus últimos corretivos).

Já vi que vou ter que contratar um pessoal por fora, mas não há de ser nada. Aos 30, é mais fácil tomar certas atitudes e pôr uma ordem na bagunça estabelecida. Podem sair os indecisos, já vão tarde os insatisfeitos.

Aceita um cafezinho?

Estou chamando uma turma nova que vai arrasar (ainda se usa esse termo, arrasar?). Não tem salário, não tem gorjeta: ganha o quanto produz. Não imponho horário e não me meto no ócio do colaborador. Agora é assim que chamamos: colaborador. Depois dos 29, tempo é uma coisa pessoal e intransferível. Tome conta do seu.

Não temos mesa, caneta, papel. E não quero ninguém aqui; é cada qual na sua casa, no seu laptop, recebo o resultado por transmissão de dados (compactados, de preferência). Depois dos 29 a gente economiza espaço, barulho e lavabo.

Esse tal metabolismo, com seus vícios corporativos, deixou uns buracos aparecerem meio de última hora nas planilhas. Fiquei eu com o “aspecto casca de laranja” e uma fita métrica com mania de grandeza a me cercar de números que, por mais que me demore em cálculos, não consigo compreender. Deve ser a inflação.

O rapaz de TI (Tecnologia da Informação) acaba de me informar num torpedo que é assim mesmo, citando sua mãe e sua tia como exemplos bem sucedidos de força de vontade e determinação.

Por Cristo! – e eu lá tenho idade para ser mãe de algum rapaz de TI?? Esse moleque que não aponte o seu boné aqui perto, ou não respondo por mim. Deve ter digitado “balzaquiana desesperada” em algum mecanismo de busca e me apareceu com esse consolo pior que a encomenda; um dos principais problemas desse contexto moderno é justamente a falta de contexto.

Depois dos 29, se não tiver contexto a gente nem tira as pantufas.

Já disse, não há de ser nada. Li outro dia numa capa de revista: a vida começa aos 50. Quando eu chegar lá, presumo que comece ainda mais tarde, de modo que vou ensaiando como posso - demitindo uns vícios aqui, escalando uns bons hábitos ali, ajustando a carga no tríceps, quadríceps... Um vinhozinho de vez em quando, que ninguém é de ferro.

Depois dos 29, o bom é que a gente já tem confiança para ensaiar em público – se a ocasião permitir, inclusive de pantufas.

26 julho 2008

Sweet home



O Rio poderia parar em agosto, voltar a maio e ficar repetindo esse pedacinho.

25 julho 2008

Meu mestre, o Word

Estou revisando um texto que diz: "...o Egito secreto visto pela imaginação iluminista..."

E o Word me corrige: "... O Egito secreto VESTE..."

Ufa! Se não fosse a revisão ortográfica do Word... essa foi por pouco, hein?

22 julho 2008

Invadiram a minha conta no Orkut, não sei com que finalidade. No lugar do meu nome apareceu uma palavra ilegível e, onde havia foto, puseram um bilhete assim: "tirei a foto porque o assédio era demais!".

Rá-rá.

Fiquei P* da vida e deletei a conta, claro. Perdi contato, de uma só tacada, com sei lá quantos amigos e conhecidos.

A vocês: desculpem!

Sou tão ignorante nesses assuntos que não sei se fizeram/fazem isso por algum prazer pessoal, ou se tenho inimigos ocultos na web, ou se é um robô que chupa a senha dos outros e depois, lá pela meia-noite, vai invadir a conta corrente para roubar meus dólares (pobrezinho). Não sei mesmo.

Por via das dúvidas, troquei todas as senhas da minha vida e já transferi os dólares para uma conta na Suíça. É questão de tempo, eu sei, daqui a pouco vai aparecer minha silhueta num quadradinho e os longos telefonemas (fazendo tricô com a minha mãe) no Jornal Nacional, um bafafá hiperbem-vindo que transformará de vez meu anonimato em passado perfeitamente deletável.

Não vejo a hora. Estava mesmo me sentindo muito rejeitada por nunca terem invadido minha conta no Orkut. Pega nem bem, né?

18 julho 2008

Culinária na TV
Temos mesmo que suspirar por aqueles rapazes que apresentam os programas de culinária na TV, certo? Se entendi direito, os ângulos, olhares, toques e retoques, a trilha sonora e até os palmitos e cogumelos e azeites são calculados para nos fisgar a nós, mulheres modernas e descoladas, que amamos ver um homem arrasando na cozinha. É isso? E as sobrancelhas. E aqueles cabelinhos espetados. E os gestos displicentemente calculados.

Me diz uma coisa e eu prometo não importunar mais com esse assunto: é uma espécie de punição diabólica por termos abarrotado os estádios quando tinha show dos Menudos?

Justíssimo!

16 julho 2008

Janelas

A tecnologia é mais ou menos como o exercício físico.

Se você acha que está fazendo tudo com facilidade é porque tem algo errado.
Se você acha que está com dificuldades demais é porque tem algo errado.

Se você consegue fazer tudo com facilidades e dificuldades moderadas, e pensa finalmente que está se dando bem, ô, coitado! Logo inventam alguma coisa que torna o seu processo – já confiável e corriqueiro – uma verdadeira gafe: ora, pois o certo agora é... blá blá blá, preencher com qualquer informação que deu na última revista do último congresso do último QRGEUSBAVY - ou qualquer outra sigla dessas que deixam as pessoas com cara, jeito, cor e futuro tão agradável quanto uma senha de banco. Como diria o slogan: nem parece pessoa.

Passei cerca de quatro horas apanhando do sr. Windows, e volto a confirmar por que ele leva esse nome. Porque a gente, cedo ou tarde, vai querer se atirar.

PS: Não me levem a sério, estou nos cascos. Pfff!

12 julho 2008

23 junho 2008

Cássia Eller

Que feio, faz quase um mês que não publico nada aqui!

Então que resolvi vir me desculpar com um vídeo do You Tube.

Eu não era a maior fã da Cássia Eller, embora reconhecesse nela qualidades que há muito esperávamos numa cantora brasileira, e depois que ela morreu tampouco apareceram noutra.

Hoje, buscando repertórios pela web, topei com essa interpretação dela para "Non, je ne regrette rien" (conhecida na voz de Edith Piaf). Já conhecia, mas fiquei boquiaberta outra vez.

26 maio 2008

Zero

Um dia ainda vão inventar uma esteira de academia assim tão perfeita. Com essa vista, a brisa e a luz de maio, impossível não manter a forma.

Podia até se chamar Pão de Açúcar Zero Açúcar.
Hoho.

19 maio 2008

O maluco e a TPM


Maluco passeando com cachorro me aborda no sinal de pedestres.

- É muito carro, amiga. Muito carro!

Concordo, com um discreto movimento de cabeça, para que o maluco não grude em mim. Mas maluco que é maluco cola, adere, fixa. Concorde-se com ele ou não.

- E o pior é que a gente respira essa merda toda.

- É...

- Você não sente, não?

- A poluição? Sinto.

- É merda! Merda pura. Pura merda. Sente não?

E fungava, como querendo me ensinar a sentir a merda que de certo redundava no ar (?), ou, pior, como se me acusasse de ser insensível ao cheiro óbvio da bosta!

Algumas ponderações:

1. Os malucos levam comentários nos bolsos e distribuem – feito filipetas - às mulheres com cara de quem pode vir a se interessar por seus produtos e serviços. Tipo encanador, eletricista. Um dia eu posso acordar precisando de um doido com cachorro para me lembrar que a merda existe e está por toda parte.

Pouco provável, já que temos a TPM para isso.

2. Os malucos, bem como seus cães, possuem um faro apurado para mulheres nas quais podem despejar seus comentários cretinos sobre a merda do mundo – sem sofrerem prejuízo físico ou dano moral. Ou seja, tenho cara de quem vai ouvi-los e ficar calada concordando.

Até que um deles me pegue na TPM, claro.

3. Os malucos, seus irmãos e seus cães (no caso de haver como diferenciar uns dos outros) abordam mulheres no meio da rua porque suas mães estão ocupadas demais exercendo atividades escusas.

Acho que agora acertei na mosca. E por falar nisso, estou na TPM.

11 maio 2008

Viagens Musicais

Não tem viagem que parece um filme? Imagina com a trilha sonora ao vivo.

Daniel Barenboim e a Staatskapelle Berlin em Buenos Aires. Tango, boas conversas e comidas, vinhos argentinos...

O melhor de Buenos Aires. E do resto do mundo.

08 maio 2008

Mais um leque

A travesti que esteve (ou não esteve, ou meio esteve) com o Ronaldo vai escrever um livro. Parece que vai ser sobre a história da sua vida desde que era um menino humilde em São Paulo, etc.

Frase dela no jornal: "Já peguei de tudo. Anônimos, famosos, gente que freqüenta as páginas de jornais. É um leque."

Perfeito, um leque. Só serve para fazer vento. Nosso país está coberto de leques.
Roubar, não roubar

Pois eu tinha mesmo lido numa revista (acho que Vogue) sobre esse tal faseolamina - que, segundo consta, diminui a absorção de amido no corpitcho. No início eu sempre acho estranho, parece "truque" para roubar no jogo, não me inspira.

Querendo emagrecer, o caminho é manjado: esporte e boa alimentação. (Tenho uma amiga que transformou a prática de exercícios - e novos exercícios - em mania, cada vez aparece com uma novidade e garante que é o ideal para combater o tédio que assola, por exemplo, os paraquedistas que não agüentam mais paraquedar-se. Muy bien, agora ela achou de se aprofundar, se é que assim se pode dizer, nesse tal de kitesurf da vida.)

Eu vou mais devagar, meio a cavalo mesmo, que o santo é de barro. A verdade é que não acho mais tão escalafobéticas essas substâncias - não que ouse provar delas, mas espio de longe e, um dia, quando o futuro mostrar que comer geléia no café da manhã dá no mesmo que ouvir disco em vitrola, vai que encaro um shake ou dois, uma pílula, pozinho...

Farelo já ando comendo, do integral.

Quanto aos esportes radicais o buraco é mais embaixo - e eu, do circo, prefiro continuar sendo o palhaço. E ainda assim me atrapalho com aqueles sapatos.

06 maio 2008

Fazendo teste no blog, às onze e meia da noite.
Vamos que dê certo. Vamos.

25 abril 2008

Gosto de imaginar que a gente viaja não é para conhecer lugares, mas para se conhecer em outros lugares. Que temos pedaços nossos espalhados pelo mundo - sorrisos, comoções, até novos planos, inspirações, amores e outras coisas inconfessáveis - e que vamos buscando, ao longo da vida, enquanto tivermos chance.

Não, não vamos só buscando. Vamos deixando uns pedaços também.

PEDAÇOS

Em Salzburg, nevei um bocado







03 março 2008

No meu blog de mãe

Diquinhas sobre como e onde comprar roupas de bebê baratinhas. Expo bebê e gestante e roupinhas de bebê baratas.

23 agosto 2007

Cena no Aterro do Flamengo

À beira da ciclovia, no meio de um quadrado formado por quatro árvores, uns cobertores espichados no chão. Ao lado, atrás de um dos troncos, um morador de rua penteava os cabelos com um espelhinho de mão, no maior capricho.

13 agosto 2007

Medo

Tenho um medo que me pelo de perder tudo. Pronto, confessei. Família, casa, as pernas. O ar. Capacidade de me alegrar com palavras engraçadas e doces – cupuaçu, por exemplo. Perder o chão. Pior, perder a memória e a imaginação (que é a memória para frente, ou para os lados).

Ah, tenho um medo que me pelo de perder os lados.

03 agosto 2007

Hábito

Eu ontem vinha pela rua mordendo o lábio inferior, como faço. Pensava sei lá o quê, mas mordia com força, como faço. Andei uns quarteirões. Mordia. De repente, me dei conta.

-Por acaso eu estou com alguma dor ou incômodo no corpo?

Não.

- Por acaso estou devendo dinheiro aos amigos?

Não.

- Por acaso atropelei um cachorro? Minha calça rasgou? Unha quebrada? Atrasada e despreparada para reunião importante? Peguei emprestado e não devolvi? Acordei de ressaca na cama errada? Escondendo bombom dos sobrinhos? Estacionando em vaga para deficientes? Informação errada aos velhinhos?

Não, não, não e não. Então, podes me explicar por que diabos eu mordo o lábio inferior como quem tem culpa, inquietude, ansiedade, expectativa ou apavoramento da vida?

Por hábito- esse cupim da pior espécie. Um dia você acorda e tem hérnia de disco. Mau hábito, o cupim da boa postura. Um dia você vai vestir uma calça e percebe que “inchou” dois números. Deu cupim nas refeições e você acabou se habituando.

Desmordi a boca na mesma hora.

- Diacho, por que não posso simplesmente relaxar? Por que será? Hein?

No “diacho” da frase acima eu já estava mordendo outra vez, mas agora com motivo. Encucadíssima.

12 julho 2007

Fone coletivo

Juro por Deus. Na rua, moça passa por mim ouvindo pagode (alto!) num radinho de pilha vermelho. Doida? Não, se não tivesse nos ouvidos um par de fones.

O radinho ela segurava com uma mão, e o plug dos fones (solto!) com a outra. E curtindo maior pagodão.


Perigosa quem?

Velhinha esperando para atravessar a rua. Passa uma moto voando. Ela puxa assunto comigo:

- Elas são um perigo! Perigo!

Ahãm. Estou crente que ela vai esperar o sinal abrir para os pedestres, né? Em vez disso, atravessou na frente de um táxi, que freou bruscamente e deve ter pensado:

“Elas são um perigo. Perigo!”


Receita light

Descobri um cookie light muito do bom. Comprei outro pacote, mas me enganei: não era do light. Era do normal.

Diferença: o light vem com um furo no meio. Faz sentido. Deviam adotar a “receita” para pães, bolos, chocolates e refrigerantes.


Tele-insulto

Ligo para a farmácia e peço assim: bolinhas de algodão Johnson’s. Sujeito me dá o preço, mas eu estranho e pergunto:

- É Johnsons’s?
- Não.
- Mas tem que ser Johnsons’s.
- TEM QUE SER? (Irritado).
- Sim.
- Ai, meu Deus, tem que ser Johnson’s! (Ele repete, um pouco longe do telefone mas nem tanto, fazendo uma voz de quem imita alguém chato). Xô ver aqui. Não tem em nenhuma loja.

!!!!!

14 maio 2007

Novo Blog

Faz exatamente um ano que eu engravidei. Minha filha fez três meses ontem – meu primeiro dia das mães!

Depois de nove meses alisando minha própria barriga, e mais três me surpreendendo positivamente com o que saiu dela, resolvi criar um blog comemorativo. Batizei o diário com o bordão “Leve um casaquinho!” – mais maternal é impossível.

Você, que vem sempre aqui e já está careca de me conhecer, não vai estranhar a nova casa. É minha paixão velha: a crônica. E a nova: a Lara.

Visite, divulgue, convide os amigos. Avise as moças que estão esperando bebê – que tragam suas barrigas para enfeitar a bodega!

E nunca, jamais esqueça: Leve um casaquinho!

12 maio 2007

Ringue



Vai encarar???

10 maio 2007

Supermãe, eeeu?

Fiz um teste na internet para ver que tipo de mãe eu seria/sou/serei, resultado: superprotetora.

Terapia, rápido. (Para mim agora ou para ela depois).
Sem noção

O Papa já chegou apoiando a excomunhão dos políticos mexicanos que votarem a favor da legalização do aborto. Enquanto isso, na Câmara, Clodovil xinga uma deputada dizendo que ela não serviria para ser prostituta porque é feia.

Deus que me perdoe, mas o Papa entende tanto de humanidade quanto o Clodovil conhece as putas.

07 maio 2007

Bolando as trocas

Com bebê em casa a gente dorme pouco. Dormindo pouco pela primeira vez na vida, pude comprovar o que os neurologistas dizem sobre a importância do sono para o funcionamento do cérebro.

Aqui em casa estamos bolando as trocas, ops!, trocando as bolas.

- Vamos mamar depois que ela almoçar? (Esse tipo de gafe é rotina).

Outro dia eu me esqueci de pagar o cartão de crédito no vencimento. NUNCA esqueço! Sou mão-de-vaca e não pago multa de atraso por nada. Aaaai, como chorei.

Blusa do lado do avesso. Sair de casa e esquecer a bolsa (ufa! Lembrei no elevador). O que foi mesmo que eu vim comprar na farmácia? Qual é o seio que eu dou agora?

Isso que nem podemos reclamar. Dias depois de completar dois meses ela já dormia quase a noite toda, dando intervalos de 6 horas entre a última mamada da noite e a primeira da manhã. Agora, quase com três meses, os intervalos chegam a 8 horas. Camarada!

Mesmo assim, é diferente. Usa-se mais espaço no “disco rígido” para guardar as coisas do bebê e dorme-se menos do que antes. O resultado é um atrapalhamento constante. E também uma paranóia desmedida.

Ontem, na casa da minha mãe, Lara dormia no quarto enquanto nós conversávamos na sala. Claro, portas abertas. Passou um carro na rua e deu uma buzinada estridente – pois eu dei um pulo achando que era ela chorando, e logo depois me dei conta do mico...

Para evitar esquecimentos, peguei mania de anotar tudo. Anoto os horários das mamadas, anoto quando terei que passar o leite da mamadeira para o congelador (o leite materno vence em 24h). Anoto as perguntas para o pediatra. Anoto quando ela fez cocô verde. Quando não dormiu direito (e por quê). E, naturalmente, anoto o que precisamos comprar.

E ponho tudo nos bolsos, para não correr o risco de ser pega desprevenida na rua.

Agora, adivinha se eu não saio com a calça errada!!!

05 maio 2007

No tanque

As roupas dessa menina encolhem muito rápido!

No salão

- Você tem filhos? Ainda não, né, tão novinha...
Sorrio.
- Tenho, sim! Uma menina de dois meses e meio!
- Nossa! Mas nem parece que passou por um parto!!
Sorrio.

Ganhou gorjeta de pedicure de centopéia.

No jornal

O Garotinho, a fim de criticar o atual governador, pôs no seu blog versões do jornal O Globo “editadas”. Na cara dura, puxou as notícias de violência para a primeira página e deu destaque de manchete.

Libertinagem de imprensa?

30 abril 2007

O felizmente dos infelizes

Uma moça escreve para o jornal; ela e o pai estavam num engarrafamento em frente ao shopping Downtown, na Barra da Tijuca, às 18h, quando estranharam uma cena à frente. Parecia que um sujeito estava empurrando um carro. O pai pôs farol alto em cima para ver melhor. O cara estava assaltando e veio na direção deles atirando.

“Felizmente” o pai da moça só ficou ferido, e ninguém mais se machucou.

Felizmente, também, um amigo querido teve a sorte de ser assaltado e ameaçado com uma arma por um sujeito bem vestido que lhe roubou o carro, dizendo: “Perdeu, playboy! Cai fora.” Ainda levou a bolsa com todos os pertences da namorada dele. Mas, felizmente, ninguém morreu.

Graças a Deus, todos nós escapamos (quase) intactos. Um vidro quebrado aqui, uns documentos roubados ali, uma taquicardia, uma correria, um pouco de pânico e indignação. A preocupação de nossos amigos. O suspiro aliviado dos nossos pais. Graças a Deus!

Em terra de cegos no tiroteio, quem ainda tem um olho é “felizmente”.
Filósofa

Levantei cedo e fui lá espiar. Ela estava acordada no berço, quietinha. Fiquei observando. Não mexia além das pálpebras. Piscava com calma, olhava o infinito, vez em quando um suspiro. Não vai chorar? Nada. Talvez refletisse, ponderasse, meditasse. Pelo horário já devia estar com fome e, na sua filosofia de bebê, decerto arriscava:

“Só sei que nada seio”.

Hoho.

28 abril 2007

Laramaníacos

Minha mãe:

- Eu assisto ao videozinho da Lara dez vezes por dia! É muito fofa!

É impressionante como um bebê mobiliza as atenções. As pessoas ficam completamente idiotas - no bom sentido, vai! Recebo convites para visitas cheios de segundas intenções.

-Venham nos visitar! Há tanto tempo não nos vemos...

Tradução: estamos com saudades da Lara, tragam essa menina logo!

- Aqui perto abriu um restaurante ótimo, vocês precisam se distrair... Tirar um tempinho só para o casal!

Tradução: tragam a Lara aqui e dêem o fora!

- Vou lavar as mãos.

Tradução: vou pegar a Lara no colo, saiam do caminho!

Quem está gripado manda beijos por telefone. Para ela. Quem não tem tempo deixa presentinhos na portaria. Quem mora longe pede fotos. Quem mora perto também!

Estão todos loucos, doidinhos de pedra. Perderam a noção. Precisam de tratamento. Desejo-lhes sorte.

Com amor,
Emília.
Do sítio. Do pica-pau amarelo! Ta olhando o quê? JURO QUE SOU EU!!!

27 abril 2007

Gordômetro

Aqui você pode calcular o seu IMC (Índice de Massa Corpórea) e saber a quantas anda a saúde dos seus pneus. Dica: separe cm e gr por vírgulas.

Pode ser útil, mas eu acho essa medida meio tosca. Por exemplo, vale a mesma para homens e mulheres. Não é estranho?

O outro defeito é que não leva em conta a massa muscular – como sabemos, músculo pesa mais que gordura. Como ficam os marombados?

Para fins estéticos eu também acho o que o método não funciona. No meu caso, poderia pesar 73kg (para a minha altura – 1,71), que receberia como resultado: “Parabéns! Você está em seu peso ideal. Cuidar de seu peso é cuidar de seu corpo e sua mente... Mantenha-se assim para obter vida longa e saudável!”

Hum. Acontece que com 73kg eu fico uma bolota!

Enfim, não sei por que eu estou passando esse link. Na falta do que fazer, vale muito a pena. Ou não.

26 abril 2007

Lara estréia no You Tube!



... morrendo de sono.

PS: Pai! Tem que clicar em cima da imagem e ligar as caixinhas de som!!!

25 abril 2007



Chupam gilete
Bebem xampu
Ateiam fogo
No quarteirão
Porém, que coisa
Que coisa louca
Que coisa linda
Que os filhos são!

Trecho (final) do Poema Enjoadinho – Vinícius de Morais
Zzzzzuuuuummm!

Os dias passam assim: café da manhã, amamentar, e quando vejo é meia-noite. Rápidorápidorápido.

Ela vem ganhando bochechas, não há quem não repare. Rápidorápidorápido.

Alguém esbarrou na tecla fast forward!

20 abril 2007

Três palavras





THANK YOU, CEGONHA!!!!!!!!!!!!!!!!

19 abril 2007

Sorriu

Outro dia ela sorriu de verdade.
E não era pum!
Sorriu – e, desde então, vem sorrindo diariamente.

Brincamos com o queixinho – sorri.
Apertamos as bochechinhas – sorri.
Pegamos o narizinho – sorri.
Sorrimos – sorri.

Querendo mamar, não. Fazendo cocô, nem pensar.
Morrendo de sono, jamais!

No mais,
sorri quando está em paz.
Pensamos mesmo em comprar um apartamento por lá.

17 abril 2007

Reflexão

Se não víssemos as impossibilidades, será que elas existiriam?

2 meses

Fomos levá-la ao pediatra. Está ótima – cresceu e engordou um bocado, aliás, o dobro do esperado. Do pediatra, animadíssimo:

- Noooooossa! Mas esse leite é holandês, hein??!!

Sei, quis elogiar. Mas eu me sinto assim, meio... muuu.

Leite paterno?

Existe uma coisa chamada ordenha manual do leite materno. Primeira vez que ouvi falar, ainda grávida, levei um susto. Ordenhar-me? Jura? Mas, com o passar do tempo, os filhos vão crescendo (a minha já está com dois meses e quase 5kg,ainda ontem era uma garotinha!) e a gente vai perdendo as frescuras. Dia desses tomei coragem.

A mamadeira me olhava, vazia. Eu olhava de volta, cheia de leite e dúvida. Não há de ser complicado, é só mirar bem certinho e espremer daqui, nem vai doer – eu me dizia, mas não me acreditava muito.

Não vou descrever o processo, claro, mas o fato é que não tem nada de mais. Basta dizer que funciona; demora um bocado, mas dá certo.

Congelamos o meu leite – olha que moderno! – e deixamos, dias depois, a pequena e seus pertences com a vovó. Iríamos passear, e demoraríamos. Vovó daria a mamadeira.

Jantamos fora e tudo. Melhor dizendo: jantamos fora e foi tudo. Voltei correndo a tempo de amamentar sem intermediários.

Mas o papai foi mais esperto e pegou primeiro o lugar na poltrona de amamentação. Deu-lhe a mamadeira – que ela traçou em dois tempos, sem a menor dificuldade -, fez arrotar, trocou as fraldas, embrulhou na manta e pôs para dormir.

Quando dei por mim, o gol já estava mais que consumado. Esse mundo está virado mesmo. Mamãe, outrora insubstituível, dessa vez dormiu no banco.

Lipo

Saiu uma notinha no jornal sobre a tal “lipo sem dor”. Que a Xuxa e a Deborah Secco teriam feito. Hum.

E a nós, pobres mortais, cabe que tipo de providência mesmo?

06 abril 2007

Meus arquivos

A Cláudia e a Anlene perguntam onde podem ler meus escritos mais antigos... Envergonhada, respondo: não sei onde foram parar meus arquivos!

Desde que fiz a transição do meu blog para o "Novo Blogger", eles sumiram. Por favor, blogueiros de plantão: me ajudem!

Obrigada, beijos.

05 abril 2007

Todo mundo tem problemas (só a bailarina que não tem)

Agora que sou mãe, tenho pensado muito na seguinte solução: um problema de cada vez.

Problemas entram na nossa vida todos os dias. Se a gente não puser uma certa ordem, eles mesmos tratam de organizar a fila. Como não se respeitam, não escutam e têm pavio curto, o que se dá é um festival de cotovelos problemáticos espetando-se uns aos outros na ânsia por atendimento (farinha pouca, meu pirão primeiro).

Tô fora. Meus problemas, a partir de agora, vão ter que tirar fichinha no balcão. Ser mãe é estabelecer prioridades e agir com bom senso. Se um deles se julgar de caráter urgente urgentíssimo, sinto muito. O problema é do problema.

E tem mais, não estou com tempo para choramingo de problema. O primeiro que fizer manha vai para o fim da fila! (Não se dá colo a problema; eles viciam e depois acabam com a coluna da gente). Deixa berrando.

Idosos, é claro, têm atendimento preferencial: ora, problema antigo é caso para analista, e com isso não se brinca. Problemas gestantes também podem passar na frente - se demorar muito, correm o risco de parir outro probleminha ali mesmo.

E já imaginou se forem gêmeos??

Afora as exceções mencionadas, os demais problemas vão se acostumando: enquanto estiverem morando dentro da minha casa, VAI SER DO MEU JEITO! E aqueles que fizerem birra vão ficar um mês sem solução.

Acreditem, vai doer mais em mim.

02 abril 2007

Dieta da lactante

Vim bufar on line, reclamar da vida. Imaginem que passei os nove meses da gestação controlando a alimentação para engordar o mínimo necessário – e consegui, só 8,7kg! Depois que a Lara nasceu, quando pensei que poderia voltar à vida normal, veio o pediatra com a bendita dieta da amamentação...

Não posso comer:

- leite
- derivados do leite
- CHOCOLATE
- café
- chá preto
- gordura
- fritura
- comida japonesa
- camarão
- condimentos
- adoçante dietético (só libera o stevia)
- álcool

Olhando assim, parece até fácil. Mas não é mesmo!

Primeira dificuldade: como não como carne vermelha, sempre usei os derivados do leite como boa fonte de proteína. E a vida sem queijo é um projeto insosso, ou não é?

Pizza leva queijo. Biscoitos, bolos e sorvetes levam leite. Qualquer saladinha mais incrementada, hoje em dia, tem lá um queijinho. Sanduíche sem queijo? Impossível. Massas de salgados gostosos levam manteiga.

Pior de tudo: chocolate leva... chocolate. E não é que eu não possa comer chocolate puro. Não posso comer nada que leve chocolate! Se bobear, nem “aroma de chocolate” pode...

Qualquer sobremesa (que não seja fruta em calda, mas, convenhamos) leva leite ou algum derivado. Só escapam os doces à base de ovos. E paçoca de amendoim. É para matar. Não sei como vivem as pessoas com intolerância à lactose. As opções são realmente muito poucas!

Só levando com muito bom humor. Outro dia combinamos aqui em casa, achei ótima a opção: vamos dividir um belo queijo suíço.

Sendo que ele come o queijo e eu, os furos.

31 março 2007

Céus!!!
E os caras pararam mesmo o país.
**

Aqui no Rio está um calor in-su-por-tá-vel. Para quem gosta é o bicho. Para quem não gosta, morde.

Falar nisso, vocês viram o filme do Al Gore? Vi e gostei. Mas assusta.
**

Pilates

Minha (ex) professora de Pilates, Kamila, deixou um recadinho aqui (um beijo, querida! Saudades.) Não nos vimos desde que parei de pilatar e mudei de bairro, no oitavo mês de gravidez.

Lara já está com um mês e meio, e ainda não retomei os exercícios. O médico liberou, mas, como diria o Veríssimo – cadê tempo??

Minha coluna está cada dia pior. Faço uns alongamentos em casa, enquanto ela dorme, mas nunca é a mesma coisa. Sou militante do Pilates; é o que me permite conviver na boa com uma hérnia de disco e trabalhando no computador direto.

Agora, com uma filha que engorda 30gr. por dia, ou malho, ou me quebro!

Deveriam vender colunas novas nessas lojas infantis...

30 março 2007

Amementação

É muito divertido: às vezes o bico do seio lhe escapa da boca e ela, afobada, procura encontrar, mas acaba achando a própria mãozinha fechada – e segue sugando, decerto indignada porque não sai leite.

Reponho o devido bico na devida boca, e ela resmunga, inconformada (“grrrrrrrrsssshhhhmmmm!!!!”), como se eu estivesse atrapalhando seu trabalho. Quando finalmente percebe que ali tem leite, sossega e manda um olhar esnobe de canto de olho, tipo:

“Apesar de você, achei o que eu queria.”

Isso que ainda nem comecei a dar palpite na vida dela...

29 março 2007

Estou cheia de idéias para escrever aqui, mas o tempo é cuuuuurto!
Serei breve.

**

Visita


Pois vieram vê-la as tias. Pão-de-queijo, historinhas. Saímos com pacotões de fraldas tamanho “M” e um macaquinho que ainda vai dar muito nela.

Romance

Aí ele voltou à loja da blusa que eu elogiei na vitrine e comprou para mim. Sempre sonhei!

Choro

Chorou muito e depois chorou mais, eu quis morrer. Ave Maria, rezei e tudo. Mais tarde passou (beeeeem mais tarde), pôs as mãozinhas daquele jeito e adormeceu como um anjo – não morri, mas fui dormir no céu.

Básica

Aí eu voltei à loja (tive que trocar a blusa, olha que desagradável, não me serviu e jamais serviria). A menina que me atendeu tinha lá os seus 19 anos. E pensei: daqui já não enxergo muito bem, mas lá se vão os meus. Peguei três regatinhas básicas, tamanho único, e saí com a maior cara de básica e única.

Romance

Aí ele me disse: tem importância não, depois te compro outra bem bonita. Sempre sonhei!

News

Estou tramando mudanças para este blog. Muito em breve, agurdem!

26 março 2007

Recém-nascidas



É como se o mundo ficasse numa bandeja à parte, e a gente fosse se servindo de uma beliscada aqui, outra ali – mas o prato que está na nossa frente, aquele do sustento do dia-a-dia, é mesmo o bebê. Ou a maternidade.

Dizem sempre: “dá um trabalho danado, mas é maravilhoso”. Não é um trabalho “danado”. É um aluguel desmedido, coisa que exige total entrega. Digo isso sem a menor culpa porque é a mais pura verdade. Trabalho danado é escrever um livro. Amamentar e cuidar de um bebê é entrega. Tudo que há em você é derramado num copo, e o conteúdo é bebido (sugado) por aquela criaturazinha. Então você quer ser esperta, ou supermulher, ou seja lá o diabo da sua fantasia, e resolve se espremer um pouco para fazer sair mais algumas gotinhas – na esperança de “sobrar” um pouco.

Nada, não sobra nada. É 100% aproveitado pelo bebê, 24 horas por dia. Quanto maior você se achar, mais entrega haverá. Não sei mais o que é desperdício (de tempo ou de amor) e também não guardo nada: tudo é utilizado. E é freqüente a sensação de que preciso abastecer a despensa, senão me esvaio.

De outro lado, “maravilhoso” é um adjetivo que cabe, mas não preenche. Maravilhoso a gente usa até para um pato assado!

Quando olho para a minha filha, perco os caminhos lineares. Não existe olhar/sentir/pensar/formular/dizer. Não existe ordem, nem mesmo o processo de ordenar. É uma experiência tão direta – a mais direta que já conheci – que até me pergunto se posso chamar de experiência. Talvez seja um tipo de oxigênio ou uma canção.

Um bocejo dela me boceja inteira, um choro me chora, um sorriso involuntário me transforma em alegria da cabeça aos pés. Como é que o budismo classificaria?

Não sei se vem dela ou de mim. Vai ver que vai de cada uma, somos recém-nascidas – a pequena, experimentando as primeiras sensações; a grande, desarticulando idéias. Não me sinto andando com as pernas, é como se alguma coisa lá pela garganta me guiasse.

Em vez de tropeçar, engasgo.

21 março 2007

Total flex

Hoje eu a vesti inteira de verde. Pistache. Camiseta e bermuda, uma coisa. Pus no berço – ela já estava grogue e quase entregue – e fiquei ali fazendo “shhhh... shhhh...”, olhando aquela bolinha verde que saiu de mim. A cada “shhhh” ela fecha mais os olhinhos, geme qualquer coisa lá e enfia o nariz no travesseiro que deixamos ao lado para que não “entorte” o corpinho.

Afasto um pouco o travesseiro. Ela enfia mais o nariz. Afasto um pouco. Enfia outra vez. Afasto. Enfia. Afasto. Enfia.

Agora eu me afasto e – desisto! – fico só observando como ela vai proceder. Ela esborracha de vez o nariz no travesseiro (decerto gera sensação de aconchego) e, quando percebe que não vai dar para respirar, vira meio de ladinho e libera uma só narina.

Esperta e econômica, respira satisfeita com 50% da capacidade. Ou seja, sobrevive lindamente com um pouco de aconchego e um pouco de ar: um bebê total flex!

Demoro um pouco a compreender isso e me dói a coluna de ficar inclinada no berço: uma mãe Maria Fumaça.

16 março 2007

Spa

Tenho ido pouco à rua. Como disse o médico, ainda estou “quase” de alta. Recém fez quatro semanas da cesariana, e alta mesmo só recebo na quinta. Mal posso esperar.

Mas, enfim, outro dia fui à rua. Saí pela portaria do prédio e fui à rua. Sozinha.

Andei pelas calçadas e me vi saltitando por dois motivos. Um, a euforia. Dois, a incrível sensação de pesar pouco mais que uma pluma – Cristo, quanta diferença! Parir é o melhor spa que já inventaram. Perde-se peso com tanta eficácia e rapidez que as próprias pernas custam a crer no pouco esforço que lhes é exigido para carregar o corpo.

Para não falar no risco quase nulo de cair no efeito sanfona. Sim, recuperar o peso perdido no parto é até possível, mas requer planejamento cuidadoso e a escolha de um novo nome, ou seja, dá muito trabalho.

E o melhor de tudo: na maternidade eles na só tiram a sua barriga como também empacotam para viagem!

Eu recomendo veementemente.

12 março 2007

Teste do pezinho

Ainda agora entrei no quarto e ela dorme, serena, empacotada numa manta. Um pezinho ficou de fora.

Aí começa o dilema. Você não sabe se mexe e empurra o pezinho para dentro, ou se ficou assim porque estava mesmo quente dentro da manta. Põe a mão para sentir a temperatura – não está frio nem quente, parece temperatura de bebê. Mexo ou não mexo? Dorme tão linda; vou desmontar o sono?

Pior: desmanchar os sonhos?

E o pezinho cá embaixo, sozinho. Uma sobra no meu cuidado – cinco dedinhos zombando da minha arrogância de querer ser 100%. Embrulhei tudo, mas esqueci o pé?

Que mãe sou eu???

E ela dorme, intacta. Filha, filhota, filha minha. Perdoa a tua mãe relapsa, vai ser assim mesmo, sempre vou querer empacotar tudo certinho, mas aqui e ali vai me escapar um pé. Tentei, mas não coube. Me perdoa.

Que eu te perdôo por crescer tão rápido.

10 março 2007

Primeira vez no shopping


Primeiro passeio no shopping. Colocamos o vestidinho branco que o papai comprou – lindo! lindo! – e nos armamos dos apetrechos necessários: carrinho, bebê-conforto, canguru, fraldas, chupetas, roupinha extra, pomada contra assaduras... Lá fomos nós.

Mamãe aqui estava eufórica. Adoro um shopping e fazia exatamente um mês que não pisava num. Aliás, minhas idas à rua têm sido assim: raras. Pediatra, obstetra e pediatra. Ainda estou, como diz o médico, “quase de alta”.

Então, fomos ao Shopping Leblon (amplo e tranqüilo, seguindo as recomendações do pediatra). Dormiu no percurso. Chegando lá, acordou. Resmungou. Choramingou. Estava na hora de mamar.

O tal fraldário é coisa de primeiro mundo. Tem poltrona de amamentação, trocadores e todos os equipamentos necessários, além de duas mocinhas simpáticas, vestidas de branco, sempre prontas para ajudar (confesso, tive vontade de trazer uma delas para casa, hoho). Enfim, amamentei no shopping.

A gente faz cada coisa que nunca imaginou.

Ela fez cocô e xixi, arrotou, foi trocada, resmungou mais um pouco e dormiu de novo.

Quis mostrar algumas vitrines – filha, isso se chama li-qui-da-ção e é coisa fundamental na vida de uma mulher! -, mas ela nem tchuns. Babava, indiferente. Não deixei por menos: já que não quis comprar roupas, comprei-lhe fraldas.

E assim foi o primeiro passeio: papai e mamãe completamente bobos, exibidos, apaixonados. Alguns passantes viravam o pescoço, admirados. A alegria e o orgulho nos escorriam pelas babas, que coisinha mais linda a nossa filha, como é fofa, como é rica, como é graciosa, olha o pezinho, olha a mãozinha, olha o vestidinho, olha a orelhinha...

E ela nem bola.

Quem sabe na liquidação de inverno.

08 março 2007

Mar Morto

Acabo de ler no jornal que, sendo hoje Dia Internacional da Mulher (em coro: óóó!), devemos aproveitar para “cuidar de nós mesmas”. E a primeira sugestão é fazer uma esfoliação à base de sal do Mar Morto.

Sal do Mar Morto. É mole?

Essa cultura do “cuidar de si mesma” está enchendo um pouco o meu – perdão pelo termo masculino - saquinho. Não sei se é porque, no momento, estou muito dedicada a cuidar de um pedacinho de “mim mesma” que, há pouco mais de 20 dias, habitava a mim-mesma-barriga. De qualquer modo, me parece enfadonha a idéia de que ficar melecando a cara com as novas tendências da cosmética seja assim, uau!, um presente tão supimpa a mim-mesma TODAS AS VEZES em que pretendo me sentir homenageada.

Não sei do mim-mesma de vocês, mas a mim-mesma soa mesmice pura. Será que não há nada mais inteligente ou interessante para sugerir como mimo para myself? Pomba.

Sal do Mar Morto!

Mim-mesma agradece, mas eu gostaria de receber a minha parte em $$$. Mim-mesma pode não ter lá uma pele de oceano (!!??), mas garante que sabe direitinho onde gastar. Hoho.

07 março 2007

Impotente

A vida está muito corrida, desculpem a falta de organização no texto, escrevo enquanto ela finge que dorme (eu também finjo que escrevo), daqui a pouco vai resmungar de lá, calma que mamãe já vai, resmungará mais, calma! calma!, fará um silêncio tão doce quanto breve, escrevo mais um pouco, fico me iludindo – agora ela dormiu de vez, benzadeus! –, que nada, resmunga e agora chora, chora curtinho, depois chora médio, depois chora alto e compriiiiiido, deixo o que estou fazendo e vou ver se faz careta e puxa as perninhas (cólica, gases), se está só agitada, se é calor, se é frio, se balança os braços no ar e se assusta com os próprios movimentos, se...

Enfim. Muitas vezes ela faz tudo isso ao mesmo tempo.

Eu balanço, consolo, acarinho, aliso, massageio, abraço, beijo, ajeito, troco, visto, enrolo, sacudo, embalo e já estou quase carimbando e enviando por Sedex à minha mãe quando ela, enfim, silencia e cai exausta, entregue à mais invejável paz.

Mas deixa bem claro que foi porque ELA quis.

06 março 2007

Batendo papo



Reparem no brinquinho. Uma coisa.

04 março 2007

Queda de cabelo pós-parto

Cruz credo! Era verdade.

01 março 2007

Mitos e verdades - cesariana

A cesárea não é exatamente uma festa, mas também não chega a arrancar pedaço. (Só o pedacinho que vem ao mundo, claro). Eu tinha muito medo da tal anestesia com agulha grossa, mas nem senti. O médico era craque.

A primeira noite no hospital foi uma m***, pior do que eu imaginava. Você fica com uma sonda na bexiga e um soro espetado na veia, não tem posição para dormir, é um inferno. Nada chega a doer, mas incomoda bastante. Fui valente.

O segundo dia no hospital é bem melhor, embora seja a hora da verdade: levantar da cama e tomar o banho com a ajuda da enfermeira é doloroso – e, no caso da paciente ser metida a besta como eu, um pouco humilhante. Dá licença, minha bunda lavo eu.

A verdade é que eu não estava preparada psicologicamente, aliás, nunca estou. Caiu a ficha: caramba, fiz uma cirurgia! Meteram a faca mesmo!

No terceiro dia, já muuuuito melhor das dores e podendo tomar meu banho sozinha, comecei a ver o mundo com outros olhos. Afinal, nem foi tão ruim. E passou rápido.

O pior de tudo: a maldita sonda e as dores na barriga no segundo dia (gases! Eles avisam para a gente não falar nada depois da cirurgia, porque se acaba engolindo muito ar e a dor é certa, mas, que diacho!, você acabou de ter uma filha e as pessoas querem saber de tudo!).

O melhor de tudo: claro, a Lara e o pai dela. Afora isso, o tempo – que é o melhor remédio e, nesse caso, age impressionantemente a favor. A cada dia que passa, desde o parto, a recuperação avança quilômetros. Hoje faz 16 dias, já tirei os pontos e raramente lembro que tenho um corte na barriga. É realmente animador.

***

Terceirizando


Essa eu me esqueci de contar antes, mas é ótima. O médico que fazia as ultra-sonografias da Lara era do tipo conversador, simpaticão. Foi com ele que descobrimos que era uma menina. Pois quando eu estava na última semana de gravidez, ele encostou o aparelho na minha barriga e veio com esta:

- E o garotão já tem nome?

Não dei pelota, apenas disse: “Lara”. E ele:

- Rárárá, esse é o teste que eu faço para avaliar o nível de estresse da mãe! Você passou com louvor!

Hum, não diga.

O mais engraçado foi quando, não sei por que motivo, caímos no assunto futebol (isso durante o exame, é mole?). E ele, querendo contar que fez as ultras dos filhos do Romário, disse assim:

- Fui eu que fiz os filhos do Romário!

E nem se deu conta da gafe. Minha porção de gentileza eu gasto silenciando nessas horas, mas minha vontade quase incontrolável era dizer:

- Que ótimo. Mas, lá em casa, fazemos nós mesmos os nossos...
Comentários

Confesso que estou adorando os comentários de vocês sobre a foto da minha filha, por isso nem tenho mais escrito no blog, hoho. Agradecemos pela preferência!

Mais tarde volto com novidades. O tempo, no mundo das mães, passa muito rápido!
Beijos.

26 fevereiro 2007

Paz



Com vocês, minha filha Lara...

23 fevereiro 2007

Os 10 dias de Lara

Ela é morena e nasceu cabeluda. Faz caretas divertidíssimas, tem o bocejo mais lindo do mundo e enruga a testa quando abocanha o bico do seio para depois sugar. Dedos compriiiidos. Narizinho arrebitado, pernas longas, olhos doces amendoados.

Improvisa sorrisos que nem ela sabe e deixa todo mundo babando - imagina só quando ela souber que sabe sorrir!

Chora só quando se sente incomodada - uma cólica aqui e ali, nada de mais, logo passa. No resto do tempo mantém o rosto sereno, mesmo acordada; olha para os lados e parece refletir sobre coisas sérias como o papel da filosofia no mundo contemporâneo, a cotação do dólar, a previsão do tempo, a vida dos outros...

Ontem fomos ao pediatra, primeira vez que ela saiu de casa. Foi calada daqui até lá. Volta e meia abria bem os olhos e me mandava a seguinte mensagem subliminar:

"Estou colaborando, mas não abusa."

Durante a consulta o médico apertou a barriguinha, examinou o ouvido, a boca, o nariz, o diabo a quatro. Ela chorava, inconsolável. Mandava a seguinte mensagem subliminar:

"Estou avisando para não abusar!!!" (Agora com exclamações lacrimejantes).

Quando o doutor a levantou e testou os reflexos fazendo-a "caminhar" sobre a mesa, esgotou-se a paciência:

Lara, minha filha, fez cocô no final do percurso e batizou a bancada do médico.

E foi ótimo, porque ali mesmo ele pôde fazer a análise visual do material: "o cocô dela está muito bom, viu?".

Eu sabia, eu sabia. Mamãe abriu um sorriso amarelo e saiu toda orgulhosa. Não quero dizer nada, mas o cocô da minha filha é um sucesso.

18 fevereiro 2007

13/02/2007 - Lara nasceu!!!

Só hoje tive tempo (modo de dizer, estou correndo) de passar aqui e contar a novidade: já sou mãe. Fazíamos previsões e mais previsões, mas a verdade é que Lara chegou correndo por fora!

Ela é linda. Não sei o que dizer. É pequena e linda, linda, linda. Estou sem dormir desde terça-feira, os dias mais felizes da minha vida. Me dá um nó na garganta escrever aqui, sorry. Queria passar e contar a vocês que deu tudo certo no parto, aqui estamos todos ótimos.

Detalhes no decorrer dos períodos entre as mamadas.

Beijos maternais.

12 fevereiro 2007

Careca pós-parto


Fui cortar o cabelo (preparativos para o grande dia). A moça que me atendia tem três filhos e uma cara ótima.

- Menina, engordei 21kg na última gravidez!

Diga-se de passagem, a moça tem um corpo ótimo. Esbelta mesmo.

- Mas, quando minha filha fez três meses, eu já havia voltado ao peso inicial. Você não engordou foi nada, né?

Digo, entre constrangida e orgulhosa, que engordei pouco menos de 9kg.

- Uau! Você tem muita sorte! Vai sair da maternidade de jeans. É para poucas.

Quando eu já estava toda boba-alegre, ela veio com esta:

- Agora se prepare, vá dando adeusinho aos seus lindos cabelos. Cai tudinho. É de ficar desesperada. Assim que a neném nascer, mamãe ficará careca. Anota aí.

- Sei. Mas dizem que volta rapidinho, né?

- Onde foi que você ouviu isso? É nada!!! Demora horrores. Sua filha já vai estar bem gordinha e você ainda estará perdendo os fios pelo ralo.

- Hum.

- E a amamentação?

Cristo, ela engatou.

- Que é que tem?

- Ave Maria, quanta dor! Dói quando o peito enche, depois dói quando o bebê suga. Quando ele não suga, dói porque racha o bico. Você tem bico?

Nem respondi.

- Quem não tem bico dói mais, porque até fazer... Mas quem tem bico dói também. Quem fala que não dói é, como se diz? Romantismo! Está bom esse comprimento aqui na frente?

- Tá ótimo. Vai cair tudo mesmo.

“Rárárárá!!!”... (Ela ria, como se a doida fosse eu).