18 setembro 2002

Oi, meus fofos leitores. Hoje estou bem perua, aqui, de coque, nesta noite calorenta do inverno carioca.

A propósito, ainda estamos no inverno? Perco-me neste imbróglio de estações tropicais, perdoem a minha falha meteorológica.

Ontem um amigo me lembrou, inteligentemente, que o inverno carioca não se dá em julho ou agosto, mas sim em intervalos mais curtos, como: das 4h da manhã às 9h. Depois das 9h, seja inverno, verão, primavera ou outono, é tudo muito quente. O casaco do carioca, portanto, dura muitos invernos mais do que o do gaúcho. Faz sentido.

Meu irmão me interrompe, aqui, enquanto escrevo, para me puxar a orelha. Quer que eu pare de expor a intimidade dele nas minhas traquinagens virtuais; que ele não é personagem, que é muito homem de verdade, e nada tenho eu que ficar aqui fofocando sobre seus hábitos domésticos – como lavar a louça uma vez a cada eclipse solar, por exemplo.

Pois, muito bem, dou-lhe toda a razão. Cada pessoa decide o que é ou não publicável em sua vida. Um beijo, e durma bem.

Agora que ele já se foi deitar (vejam como estou literariamente ortodoxa, hoje), então, retorno ao texto, sempre me lembrando de não invadir privacidade de irmão algum.

Mudando de assunto, hoje ouvi uma frase-pérola, não tenho como privá-los dela. O sujeito estava com uma preguiça homérica, e me saiu com esta:

“Estou com preguiça até de ir dormir, acredita??”

Não dei bola, continuei aqui no micro escrevendo. Dali a pouco, completou:

“E de tomar banho, também. Mas o banho, pelo menos, é opcional.”

Ri um pouco, enquanto ele me explicava que o banho se tratava de um “plus”, algo como vidro elétrico ou direção hidráulica, por exemplo. Dormir, não. Dormir já vem de fábrica, é indispensável. Entendi o raciocínio.

Segui escrevendo. Mais dez minutos, o elemento levantou-se num pulo indignado, e ligou o chuveiro. Perguntei, daqui mesmo, se o banho não era opcional. Respondeu-me, contrariado:

“A porra do banho é, mas a FEDENTINA NÃO!!”

Fedentina original de fábrica, portanto. “Fedentina”, amigos, eu não ouvia desde que li Incidente em Antares, do Erico Veríssimo, há cerca de dez anos. Mas a palavra é ótima, não é?

Uma pérola. Coisa de família, coisa de família.

15 setembro 2002

Alou, macacada, cá estou de volta ao mundo dos vivos, de carne e byte. Pois vejam vocês, caros assinantes do BiBlog, como são as coisas. Estou com 4500 visitas neste site, e o saldo do banco está no vermelho. Ninguém me emprega, ninguém me chama nem para fazer locução do carro das frutas. Convite para escrever, então, nem pensar.

Ninguém sabe quem sou eu, além de vocês e poucos outros.

Nunca fui assalariada, a bem de verdade; sempre obtive meus centavos por meio de meus esforços esporádicos - fosse em tempo de frenéticas turnês pelo interior rio-grandense, fosse em tempo de vacas magras, mas sempre tirei leite das minhas pregas vocais. (Que nome horrível resolveram dar a isto, Deus do céu, esse pessoal das ciências bem que poderia ter um pouquinho mais de senso estético ao batizar pedaços do corpo alheio).

Agora, em meio à tempestada financeira, só me resta pedir ao grande patrão dos céus, como diz meu irmão - que, aliás, é outro duro -, que me dê condições de sobreviver nesta selva civil que atende por São Sebastião (ainda por cima) do Rio de Janeiro (ainda por baixo).

Essa foi terrível, mas não me contive.

Não que estejamos passando fome, mas podia rolar um alfinete ou outro de vez em quando, um supérfluo sempre cai bem, vocês sabem, até o J.C. não podia só com pão e água, tanto que adicionava um vinhozinho à dieta sempre que podia - está escrito no Livro Sagrado, não sou eu quem está dizendo.

Pois minha dieta tem sido desprovida de qualquer frescura a mais, ando comprando esmalte barato, e passo metade da semana retocando a unha, pinto o cabelo em casa mesmo, saio daqui desconfiada dos olhares, minhas cordas do contrabaixo estão vergonhosamente enferrujadas, mas toco assim mesmo, meu irmão reclama, digo que isso é coisa de guitarrista, que as cordas da guitarra são muito mais baratas, mas não convenço muito, vejam como não tenho obtido lucro nem no discurso argumentativo, vocês podem notar que meu texto está virado praticamente numa só frase, porque estou economizando até na pontuação.

Dêem graças a Deus que ainda estou usando as vírgulas.

É isso, caríssimos, escrevo por prazer, toco, canto e respiro por pura necessidade, a situação do músico no Rio de Janeiro está a degringolar-se, sua-se muito, paga-se pouco, gasta-se mais do que se pode, a culpa é inimiga da perfeição, os juros correm tal como cataratas ordinárias encharcando nosso saldo de dívidas, corta-se a vaidade, a auto-estima acende a luzinha da reserva, o celular só recebe, a Rosinha "Garotinho" vai vencer as eleições, os jovens estão enfartando cada vez mais, o trânsito só falta andar para trás, o Chacrinha não continua balançando a pança, e aqui eles têm o hábito de colocar UVA-PASSA dentro do cachorro-quente.

Ah, me desculpem - eu havia prometido não mais falar em apocalipse.

Desconsiderem, portanto, o tópico do cachorro-quente; que, para o resto, ainda há salvação.

09 setembro 2002

BARBA, CABELO E BIGODE


Eu citei aqui, outro dia, que faço depilação no bigode. Com cera.
E houve gente dizendo que "as mulheres não devem confessar esse tipo de coisa", que "perde o encanto", etc. E que o nome da coisa é "buço", ainda por cima.

O QUÊ?? CENSURA NO BiBlog???

Não, senhores!

Ok, vou explicar aos censores desavisados: pisar na jaca, vez por outra, é um ato artístico cuidadosamente planejado, ou acidentalmente muito bem colocado. Minhas linhas não são retas; elas têm calombos. E meu bigode é douradinho e fininho, TÁ? Um luxo de bigode.

Olha, que maravilha, poder compartilhar meus aborrecimentos estéticos com vocês. Não são reles pêlos, caríssimos. Tudo é texto em potencial, e a poesia mora justamente nos seus bigodinhos, caso não saibam - o bom da arte é justamente encontrá-la na inusitada cera quente, num improvável sentimento, ou num desprezível acontecimento.

A olho nu, tudo é completamente sem graça. Cabe a nós a tradução; colocar um batonzinho nos fatos não é crime nenhum.

Portanto, deixem-me em paz com minha barbinha pública (eu disse PÚBLICA, não vão me acusar de estar usando palavras de baixo calão!). Qual é a graça de sentir a dor da cera e não contar a ninguém?

Eu, portanto, ponho o meu bigode no mundo. Meu cavanhaque, idem. Minhas mazelas cutâneas são dignas de prosa e verso, e daí? Sagitariano tem mania de grandeza; é o sotaque de Júpiter - nosso planeta regente é justamente o da EXPANSÃO.

Não venham querer segurar a coisa que em mim se expande, porque eu expando e explodo, hein?! Olha que eu explodo!!

E outra: "buço", artisticamente falando, não chega nem aos pés de um bom "bigode". Leia em voz alta: BIGODE. Sinta os fonemas: BIGODE!

Eu me recuso a usar BUÇO, tendo BIGODE à disposição. Seria muita falta de senso estético; buço é um tremendo desperdício literário, e me fere a ética.

Fiquem vocês com esse tal de buço inconfessável, privadíssimo e sem sal, que eu vou de bigode, um bigode amplo e irrestrito, meu bigodinho muito público, chiquérrimo, feminino e... fashion.

Perco o encanto, mas não perco a piada. E tenho dito.

07 setembro 2002

Tá bom, vou abrir um buraco nas minhas choradeiras eleitorais e falar um pouco de outras coisinhas.
Mas eu VOLTO, hein?
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Estive comentando hoje com meu irmão que está na hora de eu fazer um TÁ, mas ele não entendeu do que se tratava, então eu suponho que vocês também não entenderiam, de modo que já explico: "fazer TÁ" é ir até aquelas moças que enfiam cera morna no seu bigode (elas dizem buço) e depois... TÁ!!! - elas puxam tudo bem rapidinho, e a dor dura o tempo de um TÁ.

Preciso fazer TÁ no queixo e no bigode. Tipo da coisa que eu não entendo, mas faço porque a minha mãe ensinou que é preciso. O pior é que, neste mundo, nem o TÁ é de graça. Pode?

O Rio de Janeiro veio abaixo com a ventania da madrugada de ontem. "Ninguém merece", como dizem os cariocas e os gaúchos que saem repetindo expressões engraçadas.

Graças a Deus, eu já tinha chegado da Lapa quando começou a folia. Vocês viram que bombas de um posto de gasolina foram literalmente ARRANCADAS com o vento?

Quem saía na rua, hoje, via destroços. Fui até a Tijuca e voltei, apavorada. Demos com uma árvore no meio da pista, tivemos que desviar para não engolir galho com cacos de vidro. Ninguém merece.

É, o fim se aproxima.

Mas não quero falar do apocalipse, porque li a Época desta semana e concluí que o apocalipse foi capitalizado até não poder mais (grande novidade). Os livros mais vendidos tratam do fim do mundo, os fiéis gastam horrores, enfim, todo mundo anda lucrando em cima do dia "D", e não sou eu que vou querer audiência no BiBlog apelando para o juízo final.

Mas, que o fim se aproxima, isso é certo.

Pelo menos a gente não vai mais precisar fazer TÁ.

06 setembro 2002

FAAALA, MACACADA!!

Confesso que estou em silêncio proposital, desde o dia 3/9, no intuito de manter a "Campanha Virtual Ana Lógica no Jô" por mais tempo no ar. Precisamos de você, cidadão consciente. Sua ligação é muito importante para nós. Ops!, seu voto.

Amigos e companheiros de todas as querências, reflitam um minutinho sobre a situação dos SEM-GRAVADORA. São anos de estrada, de persistente batalha artística. Vou contar-lhes uma história triste. Sem querer me aproveitar de sua sensibilidade, é claro. Trata-se da verdade.

Puxem um banco e vão sentando, que o depoimento é espaçoso.

Esta baixista que vos escreve, companheiros, ainda era uma fedelha de 13 anos quando começou a se enfiar no mundo da música profissionalmente. Andava tocando na noite, durante horas a fio - naquele tempo, as bandas de bar costumavam tocar até cinco horas por noite. E ganhava-se muito pouco (coisa que não mudou nada até hoje).

Os dedinhos doíam muito, as cordinhas vocais - que ainda não eram denominadas PREGAS VOCAIS, como hoje -, coitadinhas, clamavam por justiça a cada nota aguda meio desafinada. Mas a pirralha insistia, por amor à arte, e para poder faltar às aulas do dia seguinte com a desculpa de que "estava trabalhando".

Companheiros, isso já faz mais de uma década. A fedelha não largou o osso, e envelheceu com o contrabaixo pendurado no pescoço, o que lhe causou uma lesão na coluna - chamada ESCOLIOSE. Pela beleza do nome, imaginem o tamanho da encrenca no esqueleto.

Bíbi Da Pieve abandonou os pampas gaúchos, amigos eleitores, vendeu o que tinha e o que não tinha, e veio cair nesta cidade-purgatório-da-beleza-e-do-caos.

(Sim, Bíbi Da Pieve sou eu mesma; estou discursando na terceira pessoa que é para dar mais veracidade política, se é que me entendem.)

Atualmente, já com um disco gravado - e muito bem gravado, diga-se de passagem -, caminhando e cantando e seguindo a canção, aquela baixista, outrora fedelha, hoje moça feita, dedos mais resistentes, pregas vocais mais maduras, só um momentinho que eu me perdi - não posso com frases longas, vou começar tudo de novo.

Atualmente, já com um disco gravado, Bíbi Da Pieve quer conscientizar a nação de que uma banda como a Ana Lógica, experiente e eticamente correta, tem direito a subsídios básicos como saúde, alimentação, habitação, escolaridade e, sobretudo, um pulinho no SOFÁ DO JÔ.

É por isso que eu vos convoco, colegas trabalhadores: VENHAM FAZER PARTE DESTA CAMPANHA! VOTE ANA LÓGICA NO JÔ!

Meu nome é Bíbi Da Pieve, e meu número é o 28.906 (registro na Ordem dos Músicos do Brasil).

03 setembro 2002

CAMPANHA ELETRÔNICA - VOTE ANA LÓGICA NO JÔ !


Caros leitores do Biblog,


nossa produtora enviou um material muito bem elaborado para
a produção do Programa do Jô. Trata-se de um Kit-Ana-Lógica, cheio
de informações e surpresas diversas.

Estamos fazendo uma "campanha" (já que o momento é
propício) para que a nova empreitada seja bem sucedida. Uma banda
como a Ana Lógica - com 11 anos de estrada, um disco gravado, mas
ainda SEM GRAVADORA - não tem facilidade de conseguir espaço na
mídia, como sabem. Por isso, pedimos a força dos amigos, e contamos
com o apoio dos fãs-eleitores.

Sem mais para o momento: VOTE ANA LÓGICA NO JÔ!!!

Segue abaixo um roteiro explicando como se deve proceder
diante da urna eletrônica que todos vocês têm em casa. E Não se esqueçam, por favor, de repassar o nosso "e-santinho" ao MAIOR NÚMERO DE PESSOAS possível.

Ana Lógica no Programa do Jô: você pode tornar este sonho realidade.
Ana Lógica no Programa do Jô: pela música de qualidade na TV aberta. Ana Lógica no Programa do Jô: DAQUI A POUCO A GENTE VOLTA!

Muito grata,

Bíbi Da Pieve
baixista e vocalista da Ana Lógica.
----------------------------
************************
Vá em

www.globo.com/programadojo

clique em "o programa"

clique em "sugestão de pauta"

Aparecerá alguns campos para preencher. São eles:

Entrevistado - coloque aqui "Ana Lógica"

Assunto - coloque algo como música, banda de rock

Telefone para contato - coloque os telefones "(21)24987141"
"(21)24987142", "(21)96033109" ou "(21) 88133801". Qualquer um
deles ou mais de um.

e-mail - Coloque "aleventos@aleventos.com.br"


OU vá em:

www.globo.com/programadojo

clique em "e-mail"

Preencha seus dados e escreva uma mensagem para o Jô pedindo a
Ana Lógica no programa!!!
SÓ JESUS SALVA

Vocês me desculpem a demora, novamente, mas ontem foi de lascar. Escrevi um big texto aqui, e, quando fui postar no blog, houve uma queda de luz e eu perdi tudinho. Claro, não havia salvo. Só Jesus salva, né?!

Aí eu me tapei de nojo, larguei tudo e fui para a Lapa.


MAS, VOLTANDO AO QUE NÃO FOI SALVO

Eu ia explicando, ontem, à Luka - e demais interessados - que, sim, eu tenho uma banda. Chama-se ANA LÓGICA, é um trio formado por mim e mais dois moçoilos que são minhas caras-metades musicais: Lori Guimarães toca bateria, e Adalberto toca guitarra. Este último, por obra do destino, nasceu da mesma Aninha que me colocou no mundo.

Eu toco baixo e sou a vocalista da ANA LÓGICA (repetindo o nome para fixar, sei tudo de marketing, hoho...).

O estilo da banda é rock; devo dizer que não se parece com nada, infelizmente não sou boa de descrever o que é cantável e tocável, se é que me entendem. Mas posso garantir que é audível, não se assustem. Nada muito pesado, nem muito leve. Bah, acho que não ajudei muito.

Gravamos o primeiro CD no ano passado, mas ainda não o lançamos por falta de gravadora e/ou verba para lançamento independente. Há 11 músicas minhas, e uma regravação do Caetano em versão roqueira - com todo respeito, claro.

Quando houver o próximo show (já tá pintando) eu aviso aqui, e a gente vai se vendo e se ouvindo na estrada, certo? O prazer será todo meu.
Ok, 80%.

Ah, já teve gente me perguntando se eu toco baixo e canto "tudo ao mesmo tempo", então já vou explicando que é isso mesmo, amigo, e nem é tão difícil quanto parece. Decore muito bem a linha do baixo, e depois saia cantando em cima como se não fosse com você. Dá certinho, certinho.

(Eu ia fazer um trocadilho com "tocando - em - baixo e cantando em cima", mas aí seria infame demais, vou me segurar).

Só não recomendo mascar chiclete ao mesmo tempo, porque desconcentra.

E, para as moças, não recomendo salto muito alto - morro de medo de despencar no meio do palco, porque tocar, cantar e respirar ao mesmo tempo já é o suficiente para se atrapalhar; não se pode querer pular de salto altíssimo, né? Isso a gente deixa para a Daniela Mercury, que o nosso instrumento é pesado, e não deve ser legal cantar estabacada no chão com um contrabaixo atravessado no pescoço.


FALANDO EM MÚSICA

Emerson Nogueira, anota aí. Descobri ontem um CD desse cara, lançado pela Sony, só de covers internacionais em versão acústica. Violão e voz, com uma percussãozinha volta e meia.

Meniiiina, vale a pena. Coisas como "Wish you are here", "Every breath tou take", "Smoke on the water" e até "Forever young", muito bem tocadinhas, para ouvir à luz de velas, sabe como é?

R$ 17,90 - na Saraiva tem.


SOBRE O TEMPO, PARA MUDAR DE ASSUNTO

Ontem fazia 18 graus, à tarde, no Rio de Janeiro. Chovia, e tudo. A beleza desta cidade se acentua ainda mais nos dias cinzentos, enquanto o mar se revolta, entra em crise existencial, bate nas pedras e atira a espuma branca para cima.

O mar dança rock'n roll com a maior poesia nos movimentos. É pena que os cariocas não gostem dos dias chuvosos. Eu trocaria uma aglomeração na beira da praia ensolarada por uma solidão em frente ao mar roqueiro, sem dúvida alguma.

Como é que se ouve o mar com tanta gente gritando "Ô, COCA! Ô, ÁGUA! Ô, SKOL! Ô, MATE!" ???

Ah, não. Da última vez em que um moço desses gritou "Ô, MATE!" no meu ouvido, deu vontade de obedecer à ordem dele.

Fui.

30 agosto 2002

SHOUT OUT !

Gente, quantos recadinhos!! Cheguei a me confundir, agora. Vamos lá:

Luka - obrigada pela visita! Volte sempre, tá?
Roberta - fiel BiBlogueira, te agradeço a lembrança das 4 mil visitas! Estamos indo muito bem!
Alessandra - claro que eu me lembro de ti, guria! Valeu por chamar as minhas coisinhas de "dom"!
Denisinha - o ministério da saúde adverte: BIBLOG causa dependência química! Beba com moderação.
Carolzinha - doce de menina! Thanks for all, nós é que temos sorte de ter uma mãe daquelas!


EXPLICANDO

A Aninha, que coloca recadinhos aqui no meu SHOUT OUT regularmente, é aquela nos braços de quem eu me Aninhei durante meus sortudos primeiros anos de vida.
Sorte do meu pai, que ali ainda se Aninha!
Beijos para a minha mãe-menininha!! Saudade! (Não inha!)


DESCULPANDO

Hoje estou meio com pressa. Tenho sido relapsa, eu sei; vou procurar escrever mais regularmente - até para fazer jus às visitas viciadas de vocês.

Só para deixar um pensamento da minha terapeuta freud-lacaniana: às vezes, é mais importante o tom dado à palavra do que o seu próprio significado.

Não é interessante? Existem "nãos" e "nãos", por exemplo. O tom é único e intransferível. A letra é racional e linear; a melodia, no entanto, é vibração pura.

Quem ganha o jogo?

Um "não" indeciso pode ser mais positivo do que um "sim" incerto. Quem dá o tom da palavra? Quem rege a fala?

Já perceberam como as consoantes são percussivas? Percussão é ritmo, amigo, lembre-se dos tambores. TaMB, TaMB, TaMB! Tambores. Consoantes batucam.

As vogais são melódicas e grudentas, ou você acha que o IÊ-IÊ-IÊ foi obra do acaso?

"She loves you / yeah, yeah, yeah!"

Atenção às palavras. Outro dia eu continuo... hoje vou voando, vupt, fui!!

27 agosto 2002

A EDUARDA


Vou contar a vocês tudo que eu sei sobre a Eduarda.

Pouco mais de um metro e setenta, não sai na rua sem salto alto. Vira um mulherão de um e oitenta, morena-cor-de-jambo, os fios de cabelo sempre bem lisos.

- Mas eu espicho em casa - ela explica, mas só para os íntimos.

Espichar os fios, segundo ela, trata-se de um processo tão demorado quanto uma cirurgia complicada. Primeiro, lavar bem os cabelos. Depois, passar uma escova, insistentemente, enquanto segura o secador quente com a outra mão.

Isso feito, é a hora de passar a ferro - chapinha, como dizem. Eu nunca vi de perto, mas dizem que ela demora cerca de duas horas para concluir o ritual todo. Depois, mais meia hora fazendo orações a todos os santos, implorando, de joelhos, não para não ser assaltada na rua - mas para não chover.

- Se chover, enrosca tudo. Do assalto, é mais fácil eu me livrar.

Se perguntarem como, a Eduarda responde que enfia uma agulha no olho do sujeito, sem pensar duas vezes. Anda sempre com uma agulha na bolsa, sobretudo quando vai a shows em praça pública ou na beira da praia.

- Não dá, minha filha, os bofes ficam achando que a bunda da gente é corrimão! Eu furo mesmo!

Não, ela não fura o olho do sujeito na primeira passada de mão. Só na terceira, ou em caso de assalto. A primeira furada é na mão, a segunda é na barriga. A derradeira é cegueira na certa. Também, quem mandou?

A Eduarda é escorpiana, com ascendente em escorpião e a lua em áries. Isto significa, amigo, que é melhor levar uma agulhada dela do que tentar cutucá-la - com o dedo, que seja.

- Você não me conhece! Você não me conhece! - ameaça.

Quando ela diz que você não a conhece, é porque não conhece mesmo. Dizem alguns moradores da Nilópolis, na baixada fluminense, que a Eduarda aparecia, misteriosamente, numa foto semi-nua na página 13 do jornal O Globo, todo dia 13. Mas só em Nilópolis.

Isso aconteceu durante 13 meses, juram. E havia uma legenda embaixo: FUJA DA MINHA PICADA ENQUANTO É TEMPO.

Então, todos já sabiam que, no dia seguinte, haveria um registro de 13 homens nos hospitais da cidade, picados por um animal jamais identificado pelos cientistas. Dali, as vítimas iriam direto para o manicômio, onde ficavam repetindo frases desconexas e falando sobre uma mulher com corpo de moça e cabeça de escorpião. Claro, ninguém acreditava.

Hoje em dia, há versões diferentes sobre o paradeiro da Eduarda. Dizem que ela teria trocado de identidade, inclusive. Nada se pôde provar sobre os crimes do manicômio, até porque a polícia alegava não ter tempo a perder com fantasia de maluco.

Minha cunhada é amiga íntima da Eduarda, e é por isso que eu sei sobre seus hábitos e técnicas. Arrisco-me muito, no entanto, por estar aqui escrevendo sobre isso.

Em noites dos dias 13, jamais durmo.

26 agosto 2002

Buenas!

Venta um bocado aqui no Rio, e o vento me dá uma espécie de alívio misturado com expectaiva - que coisa esquisita. O alívio é porque o vento varre, e a expectativa é porque parece mudança; as folhas mudando de lugar, a poeira levantando, as árvores balançando... parece que alguma coisa está por acontecer, não parece?

Eu gostaria muito de que algumas coisas acontecessem, e outras deixassem de acontecer. Poderiam, por exemplo, parar de me perguntar por que motivo eu não me inscrevi no FAMA. O vento poderia varrer essa pergunta pra mim.

Outra coisa que o vento poderia varrer para bem longe - além dos bombons de uva-passa e dos amplificadores Peavey, claro - seria as pessoas que acham que tudo sabem. Quem nunca ouviu falar em banana, por exemplo, e jura que é nutricionista de macaco. Como tem gente metida a sabida neste mundo! E não há nada mais corta-tesão do que um "sábio" desses. Brad Pitt vira Zé do Caixão na hora.

O vento poderia trazer coisas boas e diferentes. Uma surpresa no fim da tarde: flores. Faz tempo que não recebo, e sempre digo que não gosto lá muito - mas é mentira.

Olhar para o lado, e, quando olhar de volta, encontrar as unhas feitinhas. Plim! Sequer entrei no salão.

Um dia frio, mas beeeem frio, em pleno Rio de Janeiro. E uma casa com lareira, queijo e vinho. E o bofe, que ninguém é de ferro. Mas tem que ser O cara, senão é melhor fofocar com as gurias ou ler um livro.

Uma música nova, prontinha: o vento trouxe a inspiração; eu escrevo tudo de uma vez só, pego o violão, e, ao olhar para o papel de novo, já está tudo cifrado. Plim! Trata-se de um hit em potencial.

Esta teria que ser uma ventania, mas não custa tentar: acordo, olho no espelho, e - plim! - estou a cara da Meg Ryan. Eu pareço um anjo, só que não tenho asas. Vou passar um dia interinho sorrindo docemente, esbanjando meus olhos azuis e comendo sorvete sem engordar uma grama, tal como nas comédias românticas.

São essas coisas inesperadas que eu vejo e ouço no vento. Ele tem um sotaque misterioso, não tem? Parece que está dizendo: "nunca sssse ssssabe... nunca sssse ssssabe..." O vento é todo reticente.

Há quem tenha medo da expectativa do vento, há quem se angustie. Eu acho que, na verdade, daqui a gente enxerga muito pouco. Só sabemos que tem vento porque a poeira levanta, e ter medo da poeira vir nos olhos é a parte mais fácil.

O difícil - e o melhor - do vento é saber confiar no bafo de quem o sopra.





Isso aqui eu achei interessante, olha só:

"Vídeo-games não influenciam crianças. Quer dizer, se o Pac-man tivesse
influenciando uma geração, estaríam todos correndo em salas escuras,
mastigando pílulas mágicas e escutando músicas eletrônicas repetitivas."

Kristian Wilson, Nintendo Inc, 1989.

Poucos anos depois surgiriam
a festa rave,
a música techno
e o famoso ecstasy...

24 agosto 2002

TESTE

Ah, vocês passaram no meu teste. Eu estava certa: ninguém dá bola para as minhas conversas gramaticais, mas, quando escrevo bobagem, vocês estão sempre por aqui. Preferem as minhas bobagens, certo? O BiBlog agradece às visitas e aos comentários no SHOUT OUT, gosto de estar de olho em vocês - assim como vocês estão de olho em mim.

Certo. Vou comprar umas galochas VERDES - já sei que vão ficar verdes, mesmo. Não sei onde vou achar. Acho que tem no Carrefour aqui da Barra.

POR FALAR EM CARREFOUR

Falando nisso, não posso entrar no Carrefour. Não me deixem entrar lá. Chego super bem intencionada, quero só atum light e molho vermelho. Quem disse? Tem muita coisa lá!

Na última vez, saí com uma saia jeans até o joelho, meio rasgada (de propósito, amigo), super linda. Dizem que é feio comprar roupas no Carrefour, mas eu não saco nada de grife mesmo, então me acho naquelas prateleiras grandonas e cheias de descontos irresistíveis. Já viu? Tem coisa de R$ 9,90! A última blusinha que eu comprei descosturou na primeira lavada, mas ficou até fashion com aquele fio puxado. Vermelho.

CALORIAS

Minha amiga sabe tudo de calorias. Ela almoça números. Quando pergunto "o que você comeu hoje?", ela responde: "820".

Se passar de mil, é exagero. Dois mil, já vira caso ilegal. Um crime contra a boa forma. Ontem eu disse que almocei almôndegas de peru, e ela me olhou como se houvesse algo errado comigo. Pedi desculpas, sempre peço. Dei mancada?

Ela me respondeu que sim. Cada bolota daquelas tem 120 calorias, segundo minha amiga. E se dizem LIGHT. Eu como váááárias bolotas, e ela diz que isso não se faz, que é crime, que vou pesar meus pecados todinhos. Isso que eu nem contei que comi arroz integral junto. Ela não me perdoaria.

Um polenguinho light - aquele queijo mole, amigo - tem só 30 calorias. Aquilo pode. Dica da amiga: esmagar um polenguinho light numa fatia de pão light, colocar maionese light na outra fatia e um pedaço de peito de peru light entre as duas. Pode acrescentar catchup, mas só se for light.

Sim, ela achou um mercadinho que vende catchup light - eu nem sabia que existia. Fica meio longe, mas vale a pena. Ela compra todas as coisas num hipermercado, e depois corre até o mercadinho e embolsa uns tubos do condimento vermelho. E dorme sossegada.

E, para terminar: da última vez em que ela teve que tomar soro na veia, chegou em casa, ainda meio grogue, e foi pesquisar na internet as calorias do negócio. Descobriu que havia 450 calorias por tubo. Meu Deus, ela havia tomado dois tubos. Ficou puta:

- EU PODIA TER COMIDO UMA BARRA GRANDE DE CHOCOLATE !!!

E xingava o médico, de anti-ético pra baixo.

23 agosto 2002

Anota aí na tua cibercaderneta:
http://flocgel.blogspot.com/

Gente, sou manca nesse negócio de internet, de modo que não sei nem criar um link para o endereço acima. Mas visitem! Trata-se de um blog muuuuito divertido, de um grupo de meninas ótimas. Não deixem de conferir, tá? (Argh, frase manjadíssima. Acontece.)

Outra coisa. Ontem eu fui até a Lapa, e dei de cara com o Yamandu Costa tomando uma cervejinha num boteco-restaurante muito legal. Esqueci o nome, mas fica em frente ao Carioca da Gema.

Minha amiga estava com fome, queria um cachorro-quente. Mas não tinha ali. Sabe o que o garçom fez? Foi comprar o dog na esquina, e trouxe para ela:

- Não se deve deixar uma dama com vontade alguma.

Aí eu tirei o chapéu. Ganhou cliente e admiração, numa só tacada. Assim é que se faz.

Outra coisa. Eu terminei a faxina da semana ontem (atrasada), e já teve gente que deixou um farelo de não-sei-quê cair no chão. Tou vendo daqui.
Acho que fui eu, mas reclamo só para não perder o hábito.

O piso aqui é de ardósia. Sabe o que é ardósia, né? Lajota verde, amigo.
Pois eu esfrego a sacada, esfrego, esfrego, minha amiga falou que a gente lava com detergente, eu lavo, lavo, depois Optimum, força, força, pano, e tudo. No fim, dou uma espiadela na sacada do vizinho, e... adivinha??

A sacada do vizinho é sempre mais verde.

É mole? Há algo incompreensível nas minhas lajotas. Cera verde, passo também, que é para dar aquele brilho. Inclusive, estava comentando ontem, minha unha do dedo do meio do pé direito está VERDE-ARDÓSIA. Já tomei trocentos banhos, e a porcaria da cera não sai. Estou andando de botas nesse calorão, se alguém pergunta eu largo um papo de roqueira e tudo bem.

Sugestões?

Até o verão, preciso poder usar sandália - embora não seja meu calçado preferido, mas aqui no Rio a coisa pega.

Só uma observação maldosa: se a minha unha está assim, imagina a do vizinho. Hehe, tomara que ele esteja com o pé do Hulk.

Ainda não inventaram luvas de borracha para os pés, né? Seria uma boa. Eu sou tão atrapalhada com aquela cera, qualquer dia caio de bunda no chão, e vão pensar que sou um semáforo-sinal-sinaleira duplo, dizendo: SIGA - SIGA.

Credo, quanta besetira.
Fui.

22 agosto 2002

Buenas, macacada!
Tudo nos conformes?

(Não, não sou doida. É que, pelas visitas de vocês, já saquei que não estou aqui falando sozinha. Então, me permito um diálogo-de-uma-nota-só.)

PRÓCLISE

Aqui entra uma das minhas famosas observações gramaticais. Você sabe o que é PRÓCLISE?
Não, meu amigo, não se trata de uma próclise dentária. Próclise é quando o pronome é usado antes do verbo, sacou?
Exemplo: me permito.
Observe que o pronome (me) vem antes do verbo (permito).

** BiBlog também é cultura **

Ali em cima, quando eu escrevi "então, me permito um...", eu estava errada. Não se usa próclise em início de frase, nem tampouco depois de uma vírgula - a não ser que ela encerre um aposto, mas aí é coisa para outro post.

O correto seria: "então, permito-me um..." - ÊNCLISE (quando o pronome vem depois do verbo.)

Não se inicia frase com pronome. Mas, cá entre nós: que coisinha bem enfadonha.
Há uma penca de escritores que chutam a bunda de próclises, ênclises e mesóclises, e fazem uma salada do jeito que lhes dá na veneta. Com bom gosto - e responsabilidade -, é claro. Nesses casos, acho absolutamente interessante trapacear a gramática. Digo mais: acho charmoso, até.

Me permito, portanto.

Se não houver humor (bom!) na língua, estaremos perdidos. Alguns críticos da arte literária - para não falar das outras artes, digamos, mais sonoras - até parecem policiais procurando pêlo em ovo para multar a galinha. E sempre acham, naturalmente.

Não quero malhar os críticos, nem os gramáticos mais ortodoxos. Quero só colocar uma pitada de erva-mate na tapioca, ou um pouco de acarajé no chimarrão - tanto faz. Um país tão rico, tão colorido, preocupado com picuinhas, obsessões pragmáticas. Tem dó.

Com todo respeito à língua portuguesa, vamos aprender a soltar a franga, deixá-la exceder um pouco o limite de velocidade estabelecido. Sem multa!

Só tem uma coisa: tem que conhecer o certo, para depois saber fazer errado. Errar correto é sempre mais difícil.

E já dizia o Caetano (que eu regravei): "Meu som te cega, careta, quem é você??"

21 agosto 2002

EPA, EPA, EPA!

Estava andando na praia, agora há pouco, quando o moço que vende Biscoito Globo - pronúncia: bixcoito-globo - me parou com a seguinte frase:

- E a loirinha vai levar um doce ou um salgado pro namorado, noivo ou marido?

Levei um susto. Loirinha?? Fiquei olhando para ele com cara de tacho. Ele atacou:

- Está namorando, está solteira ou está casada, loirinha?

Loirinha, de novo. Rebati - "estou dura!!" -, e segui a minha caminhada. Ora, bolas.

Parei na farmácia que fica ali perto do postinho, e fui direto à prateleira dos tonalizantes. Ok, estou precisando de retoques. O último foi o Terra, número 22 da Casting, mas ali não tinha. Tinha só o Noz - um tom mais grave, digo, mais escuro. Vai esse mesmo. Tenho urgência.
Ora, bolas.

Nada contra as lindas loirinhas - sou fã do jeitinho meigo da Meg Ryan, por exemplo. Dou todo meu apoio. Mas, eu? Poxa, vocês não sabem o tempo que eu gasto em frente ao espelho, a tingir minhas madeixas da cor TERRA, empapando cada fio como se fosse o único, louca de medo de fazer mechas sem a mínima intenção.

Aí, vem o tio do bixcoito-globo, e me acusa de LOIRINHA?? Comigo, não.

Sou muito morena, morena tropicana (pelo menos de cabelo): ai, ai, iô, iô.


FUSCA PRATEADO

Hoje eu ia dirigindo pela Av. das Américas, quando avistei à frente um fusca prateado, a coisa mais lindinha do mundo. Todo limpinho, brilhando, cuidadíssimo - coisa rara e bonita de ver.

Quando olho a placa: Porto Alegre. Olha, que bacana! E uma mulher dirigindo. Conterrânea!!

Já fiquei toda faceira. Vou ultrapassar, e buzinar. Vou acenar! O fusca é perfeito!

Ainda outra surpresa: na bundinha do fusca, um adesivo com a bandeira do RS. Vou sorrir, e vou aumentar o volume do Vitor Ramil para ela ouvir! Tem jeito de gente boa, a moça...

Antes de ultrapassar, ainda olhei mais uma vez para a bunda do carro. E vi. Vi o que não poderia ter visto. O terrível, o inoportuno, o descabido: um adesivo do Internacional. Acreditem, a moça era colorada.

Nada pode ser perfeito.

O fusca nem era prateado, pensando bem; era cor-de-cinza. E feio, o coitado. Muito feio.

Ultrapassei reto, e fui-me embora.
Minha gente,
não é que pintou insônia?? Pudera, fui deitar cedo demais... como vão vocês?

Eu vou bem, obrigada.
Um tanto de saudade do Sul - e seus respectivos -, mas tudo bem. Às vezes, bate um banzo melancólico... mas isso é coisa de madrugada insensata.

Aliás, toda madrugada é insensata, desde que me conheço por coruja.

Eu sabia que tinha alguma coisa estranha no ar, mesmo antes de constatar que meu irmão havia lavado a louça que eu deixei na pia, assim que voltou do trabalho, à noite.

(Um parênteses: aqui, mais certinho seria "meu irmão havia lavado a louça que eu DEIXARA na pia...", mas eu fico meio assim de usar o pretérito mais que perfeito, pode soar formal demais. Sabe o que é isso? - Trauma de ter sido obrigada a ler Guimarães Rosa e José de Alencar com 12 anos de idade. Belo incentivo ao hábito literário. 90% da turma saía com a convicção de que ODIAVA ler.

Veja bem - continuando entre parênteses -, nada contra os grandes escritores; o problema é OBRIGAR qualquer adolescente a se concentrar numa literatura lenta e rebuscada, enquanto o coitado mal consegue se concentrar nos artigos coloridos das revistas preferidas.)

Mas, voltando à louça que eu DEIXARA na pia: a surpresa da madrugada foi encontrar tudo limpinho, como num passe de mágica. Eu não disse que toda madrugada é insensata?

Meu irmão lia para mim, quando eu era pequena, uma historinha chamada "Pedrinho vai ao médico". Era de uma coleção de livros azuis que tínhamos em casa. Havia outras histórias, mas eu insistia na do Pedrinho, e, por mais que já soubesse o final, adorava ouvir de novo, e de novo, e de novo.

Se ele mudasse alguma coisa no texto, de improviso, era só para chamar minha atenção. E eu reclamava - não é assim!! Agora o médico vai ouvir o coração do Pedrinho!

Hoje eu adoro quando ele muda alguma coisa de improviso.
Na guitarra ou na pia da cozinha.

18 agosto 2002

Buenas, tchê!!
Dia lindo e ensolarado aqui no Rio. Parece verão; está quente, mas tem uma brisa gostosa.
Estou escrevendo rapidinho, recém acordei, e daqui a pouco tenho que sair para um churrasco de aniversário. Lindo dia para churrasco.
Desejo um domingo tão gostoso quanto o meu para todos os que aqui puserem os olhos, e muitas felicidades aos possíveis aniversariantes leoninos - nunca se sabe.
Estou de bem.
Beijos da
Bíbi

17 agosto 2002

Vou divagar enquanto posso.

Vou divagando enquanto intenso; o principal é o texto, o resto é verso avulso e não importa.

Inspira o teto, inspira o tato e inspira o conto, não interessa o fato. Não estou com pressa - a valsa é vida lenta, o tiro
é morte rápida.

Vamos ficando por aqui, vamos divagar, vamos deixar sair o que não pode mais ficar.

(Vocês acham que eu sou muito complicada?)

16 agosto 2002

INDO EMBORA

Estou me despedindo do solo, do fixo e do colo. Cansei da vida aflita, vida falida, falecida vida. Eu vou sem pés, sem nós; eu e eu, a sós. Vou rumo ao infinito, sem medidas, e parto normal: sempre ganho é no grito.

Deixo para trás os significados; levo só os símbolos, e bolo outras versões. Se escapar um verso, a solução está no ar. Se o cérebro parar, vou flutuar, ar. Se o coração inventar de não bater, escrevo um compasso diferente e engulo tudo.

Bate outra vez.

Estou indo embora, olha o vento. Não quero abraçar as estrelas, quero pairar com elas no espaço. Certas vidas perecem, viram adubo.

A vida ensina sem ser didática, e a dor não conhece matemática. Não tem muito segredo, a gente ganha é no grito.

Tudo aqui é muito alto; o amor é alto, a alegria é uma gritaria. Cansei de me fingir de surda-muda. Se o negócio é brulho, não falto.

Estou indo embora, pulando fora e caindo em mim.

15 agosto 2002

O PREGO


A filha de uma amiga nossa tem doze anos e quer enfiar um prego na testa.

Segundo a menina, o nome daquilo é mesmo piercing, é bonito, está na moda, e é muito... maneiro. Que fura, fura. Mas é maneiro.

No meu tempo, injeção na testa a gente não aceitava nem de graça. Mas pensava no assunto, é claro. Hoje em dia, pelo visto, pensa-se menos; fura-se mais.

Acho até bonito um piercing na sobrancelha, se combinar com o estilo da pessoa ADULTA que quiser inseri-lo acima do seu próprio olho. Mas, com doze anos??

Eu tenho o dobro da idade dessa fedelha, e a única coisa que me enfeita é Jesus Cristo, pendurado na cruz, pendurado numa correntinha pendurada ao meu pescoço. Com todo respeito. E eu passo pela porta do Unibanco, numa boa, sem apitar.

Outra coisa: furaram as minhas orelhas muito cedo, no tempo em que eu não podia me defender, de modo que penduro uns brincos nelas sempre que tenho vontade. Ainda assim, a orelha direita é chique demais para aceitar qualquer coisa que não seja de ouro, e inflama. A outra é mais humilde.

Sim, mas eu não durmo de brinco. Não tomo banho de brinco. Nem me peso de brinco, que pode dar impressão de que engordei.

O brinco a gente manipula, tira e põe na hora que bem entender. O prego, não. O prego é praticamente um anexo metálico. À noite, periga alguém bater achando que é mosquito.

Fora que dói. Muito. Sofrimento curto, na hora de colocar, mas muito intenso. Quem já fez, confirma.

Não sou tão careta assim; aceito o prego (em adultos) numa boa. Reconheço que estamos no século XXI, as pessoas são livres, etc.

E dou graças a Deus porque, por enquanto, ainda estão pendurando só os pregos. Imagine quando começarem a pendurar os quadros.

Não devo viver para tanto.