07 junho 2002

MOMENTO "MEU QUERIDO DIÁRIO"

Meu querido diário: São Pedro, hoje, está com incontinência urinária. Chove que Deus manda, desde a madrugada - se bem me lembro, se bem que durmo. Vim escrever aqui porque estou com uma preguiça homérica de ir para o banho; acordei tarde, tive pesadelos, e tudo em mim anda devagar feito cágado manco.

Meu querido diário: não adianta enrolar, terei mesmo que ir para o banho. Hoje o almoço é na Vovó, aquele peixinho confirmado que a Marisa faz e eu me esbaldo. No último dia, teve até suflê de brócolis. Havia vários brócolis (eu digo sempre no plural, porque não sei dizer o nome desta coisa verde no singular. Mas não faz mal, porque eles vêm sempre todos juntos, mesmo, é difícil separar. Vai ver é por isso, o singular nem existe. Ah, deixa eu pensar assim, pelo menos num rompante adolescente de sexta-feira chuvosa e melancólica...).

Meu querido diário: se eu fosse um pouquinho mais distraída, já teria grudado umas figurinhas coloridas na tela do micro. Estou amando este momento cor-de-rosa num dia cor-de-cinza.

Meu querido diário: quer saber como foi o pesadelo que eu tive? Eu conto. Eu estava fazendo uma faculdade de produção fonográfica, mas o local era o colégio onde eu fiz o segundo grau, e as pessoas eram estranhas. A maioria. Enquanto eu fazia um trabalho no computador, uma moça veio me importunar - queria usar o micro, e "tem que ser agora". Eu me irritei, ela implicou mais ainda, eu me irritei muito mais, e avisei: Pára com isso, ou eu vou bater em ti.

Olha que sonho violento, meu querido diário; eu nem sou assim de verdade.

Continuando. Ela não parou. Mas acabou tudo bem, minhas amigas me acalmaram.
No dia seguinte, porém, a cena se repetiu. Ela piorou a situação, porque começou a me xingar de vários nomes feios.
Aí, meu querido diário, permita-me o termo, mas tenho que ser honesta: fiquei p. da vida com a moça. Meu querido diário, ela estava impossível. Sabe o que eu fiz? Nem posso lembrar, que me irrito. Acordei com dor de cabeça e tudo.

Pois foi assim, diário, eu peguei a moça pela gola e pelo braço, dei-lhe um golpe de judô, e a derrubei no chão. O povo gritou, quis apartar. Nem bola. Continuei. Esperei a ordinária olhar bem na minha cara, fechei a mão e fui direto no nariz dela, que sangrou muito. Não contente, continuei esbofeteando a cara deslavada daquela sonsa, segurando com a outra mão pelos cabelos - para que a cabeça não me escapasse.

Diário, e você não diz nada? Tou contando uma história emocionante, pô! Diário panaca, sem graça.

Bom, foi aí que a filha da mãe ainda tentou se levantar, desaforada, e respirou com uma arrogância providencial. Respirou na hora errada e do jeito errado, diário boboca. Tá me entendendo?
Pensei em chutar-lhe a bunda, mas concluí que seria pouco. Para terminar, então, fui com as duas mãos ao pescoço da vagabunda, estrangulei bem apertado, e disse as palavras mágicas: NUNCA MAIS MEXA COMIGO !!!

Fui expulsa da faculdade no dia seguinte, por conta de um abaixo-assinado que os alunos fizeram, onde afirmavam que "a colega tem reações violentas e pode prejudicar o bom andamento da classe". Todos assinaram, sem exceção.

Escuta aqui, diariozinho mixuruca, você não acha que foi uma injustiça tremenda? Acha, sim! Alguém aqui não acha? Quem é que está a favor daquela sem-vergonha implicante? Agora eu quero saber. Alguém? Alguém? Pois não descanso enquanto não souber.

Alguém vai querer encarar???
MINHA LISTA DE PRESENTES PARA O DIA DOS NAMORADOS:

- 1 bolsa marrom;
- 1 par de botas marrom (para combinar com a bolsa);
- 1 batom marrom (para combinar com as botas);
- 1 blusinha marrom (para combinar com o batom);
- 1 relógio marrom (para combinar com a blusinha);
- 1 jaqueta de couro marrom (caso faça frio - haha, te peguei!);
- 1 namorado inteligente, sensível, carinhoso, compreensivo, charmosérrimo, criativo, bem humorado, espirituoso, divertido, gente boa, trabalhador, meigo, doce, educado, surpreendente, brilhante, fascinante. E com um furinho no queixo.
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Pensando bem, melhor mudar a lista de presentes:

- 1 bolsa verde;
- 1 par de botas verde;
- 1 batom verde;
- 1 blusinha verde;
- 1 relógio verde;
- 1 jaqueta de couro verde.

Tudo isso para combinar com o novo namorado. Marciano, com toda certeza.


05 junho 2002

COMPRO MÁQUINA DE ESCREVER - MOTIVO: INDIGNAÇÃO.

Minha gente, não pode ser tão difícil assim. Não está correto. Eu só quero escrever, pegar um papelzinho e bater as teclas, registrar os meus pensamentos, as minhas cartas, meus versos, minha... indignação!!

Chegou o tal do Kit Terra, com a graça de Nosso Senhor Jesus Cristo. Fiz todo um ritual místico, coloquei Enya no CD player ali da sala, acendi um incenso, tomei um bom banho, passei óleo "Paixão" no corpo todo, enrolei uma toalha no cabelo, sentei-me em frente ao micro. (Já tinha feito as unhas ontem). Abri a embalagem do Kit. Li as instruções. Abri o drive do CD, que ejetou-se, simpático e receptivo. Dei-lhe o CD ROM, e pressionei o botãozinho recomendado; cheirosa e iludida da vida.

Nada. Absolutamente nada.

"Caso o CD não abra automaticamente...", patati patatá - diziam as instruções.

Mas, como assim? Estamos em 2002, somos praticamente obrigados a comprar um computador, e ainda estamos sujeitos a "caso não abra"?? Como assim, caso não abra? Mas o negócio aqui não está ligado na tomada?

Está, mas tem "caso não abra". E não abriu.

Lá fui eu executar o plano B do manual de instruções. Casualmente, não abriu de novo.

Liguei para o suporte técnico do provedor, para ouvir a moça me dizer: "É melhor chamar um técnico de sua confiança..."

Não existe técnico. Como assim, técnico? A senhorita sabe quanto é que custou esse computador? Pelo preço, deveria ter um técnico aqui dentro, encolhidinho, 24 horas por dia, esperando as minhas ordens. E o "caso não abra" seria sempre culpa dele.

Na falta de um técnico - coisa absurda, técnicos não existem -, liguei para o meu irmão. Interurbano para o Rio de Janeiro. Mais de meia hora de tentativas frustradas: clique aqui, clique ali, desligue, ligue de novo, tecle isso, tecle aquilo. Funcionou?

Não. A conclusão foi a seguinte: o programa não pode ser instalado, porque o meu Windows é 95.

Uma pessoa, com 7 anos, é criança. Um cachorro, é adulto. Pois o tal do Windows, com 7 anos, é praticamente um inválido. Acreditem, o mundo da informática é o mais preconceituoso de todos.

E nós estamos todos nas mãos dessa tecnocracia deslavada e sem-vergonha!!

Estou indignada, como podem perceber. Vou comprar uma boa e velha máquina de escrever, daquelas bem duras e barulhentas - que assim eu exercito os dedos também, faz bem para o contrabaixo. Quem quiser me vender uma, por favor, entre em contato.

MAS PELO CORREIO CONVENCIONAL!! Estou de mal com a informática.

04 junho 2002

-- "Trem-Bala" É LIVRO DE SEGURAR O XIXI --

Declaro, em blog internacional, minha admiração pela escritora gaúcha Martha Medeiros - que coluna (do verbo "colunar") no jornal Zero Hora e no site Almas Gêmeas, do Terra.

Ontem à noite eu li o livro que a Martha publicou em 99 pela L&PM Editores, chamado "Trem-Bala". 259 páginas de uma literatura que derrete na boca, dessas que fazem a gente segurar o xixi até o último parágrafo, e ainda se perguntar: já acabou?

Acaba, mas é bom demais enquanto dura. São crônicas e mais crônicas que nos fazem entrar numa viagem intensa e ágil, sem querer parar no sinal, sem querer desviar a atenção um minuto sequer, e, principalmente, sem querer parar para aquele xixi - que, afinal, pode esperar.

Se vale um conselho: por via das dúvidas, não beba muita água antes de entrar no trem.

A Martha é uma escritora de palavras certeiras. A crônica vem sem rodeios e sem gorduras; é praticamente um texto desnatado, recomendável a qualquer vivente que queira cuidar da saúde - sobretudo a mental.

Sim, porque o Trem-Bala cutuca e faz pensar. Trata de assuntos corriqueiros, do interior ou das capitais, da alma ou da unha encravada, tanto faz: são particularidades universais, e você também está ali. Todos nós estamos.

O pensamento da autora é curioso e intrigante, como o dos melhores escritores que conheço. Aquele estranhamento diante da vida é traço fundamental do bom cronista, e a Martha sai cronicando com um pé nas costas, bem como deve ser. Quem quiser que corra atrás.

E a danada ainda dispõe de todo talento da poesia que Deus lhe deu (os primeiros livros publicados foram de poesia), conferindo ao texto aquele algo-mais, adoçando as idéias, quase que transoformando em música o que já soaria muito bem só no preto-e-branco literário.

Ok, chega. Para quem gosta de literatura, faz bem. Para quem não gosta, faz melhor ainda.

02 junho 2002

Destranca, blog maluco.

01 junho 2002

Entrei numa lojinha de produtos naturais, e fui dar uma olhada nas novidades. Duas moças, jovens atendentes do único caixa do estabelecimento, fofocavam, entre risadinhas e expressões animadas.

Achei aquilo bonitinho. Não era vulgar, nem nada. Não era alto demais. Era apenas uma conversa entre amigas, um inocente bate-papo que conferia ao ambiente um arzinho despretensioso, informal, gostoso.

Peguei as minhas barrinhas de fibra, e fui em direção a elas; já sorrindo, também. O clima era bom.

Para a minha surpresa, bastou eu colocar os produtos em cima do balcão, para que as duas fechassem a cara e me olhassem com expressões sisudas, quase militares:

- Pois não, senhora?!

Cheguei a ouvir o barulho da corneta.

Desfiz meu frustrado sorriso, paguei o que devia, e fui-me embora pisando duro, numa marcha involuntária. Fazer o quê?

Ah, o mundo anda mesmo muito protocolar e sem graça. Vivemos consultando os manuais de como viver em sociedade, lendo bula de remédio e livro de auto-ajuda - a corrida em busca da "felicidade".

E perdemos o senso de humor, a capacidade de improvisação, o natural, o simples. Nós estamos em algum canto, por aí, rindo de nós mesmos - por termos nos perdido em meio a personalidade das máquinas.

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Querem um exemplo? Pois eu dou.
Leiam, logo abaixo, o e-mail que eu mandei para o suporte do meu novo provedor. Em seguida, leiam a resposta que eu recebi:

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Caríssimos,

faz mais de UM MÊS que eu assinei o Terra. No dia da assinatura, me
disseram, ao telefone, que eu receberia dentro de alguns dias o Kit
Terra para atualização dos meus programas. E eu acreditei.

Tenho o Oulook 4.0, e não posso usá-lo, como sabem, porque o Terra
não funciona com ele.

Já refiz o pedido do Kit umas três vezes, usando de todos os meios
possíveis e imagináveis - por telefone, suporte on line, e-mail...

Venho, por meio deste, pedir a vocês, pelo amor que têm ao Grande
Patrão dos Céus, que ME ENVIEM O TAL KIT o mais breve possível. Estou
apelando a todos os santos, rezando noite após noite, acendendo velas
e incensos ininterruptamente. Tenho fé que, desta vez, o Kit há de
chegar antes que eu incendeie a minha própria casa - ou mate uma
galinha bem preta e me ponha, de cócoras, numa encruzilhada dessas
bem escuras, a implorar aos espíritos (do bem ou do mal, já não
importa) que consigam a façanha de me arrumar um Kit Terra.

Por favor, peço providências. Sei que vocês devem dispor de vários
Kits aí, um só não deve fazer falta.

Agradecida e munida de fé, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo,

Bibi Da Pieve

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Prezada sra. Bibi,

Estamos direcionando a sua mensagem ao departamento competente para que
possamos lhe enviar o Kit de Acesso o mais breve possivel.

Atenciosamente,
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Theo Zelanis
Suporte E-mail
SAN - Servico de Atendimento Nacional
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Viram?
"Prezada senhora, estamos direcionando" - com aquele gerúndio inconfundível do pessoal do telemarketing.

Então eu me esmero, uso de toda minha boa vontade e senso de humor, e escrevo uma carta amalucada ameaçando fazer macumba para que apareça aquilo que já deveria estar na minha casa há mais de um mês, e o que recebo em troca é... um tratamento formal e um gerúndio vago, desnecessário e pobrezinho que só.

Assim, não há jeito. Nenhuma referência à minha galinha preta, nenhum comentário sobre as almas penadas, nem mesmo um recado para Jesus Cristo! Nada.

Prezados senhores: se continuarmos neste caminho extremamente sóbrio e formal, muito em breve as relações humanas ESTARÃO SENDO tão profundas quanto o sentimento que une um teclado ao seu monitor - ou a outro qualquer, afinal, é tudo igual mesmo.

E reduziremos o nosso raciocínio ao sistema binário, tal como nossos irmãos quadrados - tão úteis quanto descartáveis.
Atenciosamente,
Bibi Da Pieve

31 maio 2002

Eu acho MODA um assunto interessante, mas sempre encontro alguma coisa mais atrativa para comprar, e acabo me acoMODAndo.

Essa calça marrom, por exemplo. Eu sei que deveria ter uma bolsa da mesma cor para combinar. Vejo os programas de TV, leio as revistas, e todos são unânimes em afimar: calça e sapato marrom, bolsa marrom.

E cadê que eu compro?

Sou uma mulher - talvez a única - que não tem bolsa marrom. "Acessórios dão aquele toque final no visual" , eles dizem. Pronto. O meu é sem toque final.

Essas pequenas coisas me fazem sentir marginalizada no mundo "fashion". Tenho medo de cometer crimes, de modo que me recolho à minha ignorância no assunto, e assumo uma postura quase monocromática nas peças que visto. Elegi o preto, o vermelho e o marrom - e raramente saio disso.

Em dias ousados, estou de azul. Mas tudo com bolsa preta - ou tipo mochila, ou aquela atravessada (do ombro direito ao quadril esquedo), pequenininha.

Entretanto, confesso, admiro e até invejo aquelas mulheres coloridas e impecáveis, um modelito para cada dia da semana, sem reservas nem receios. E as bolsas, então?

Há quem troque de bolsa como quem troca de roupa, e saia exibindo a ousadia de uma combinação imprevisível: tudo cor de vinho, e uma bolsa... bege!

E ficam lindas, cheias de classe. Que raiva.

Se eu me vestisse toda de vinho, não passaria do portão sem rezar uma Ave Maria e um Pai Nosso. De culpa. E seria capaz de me esquecer da bolsa, tamanha angústia, e enfiar o carro no primeiro poste.

É por isso que nem arrisco.

Ah, se eu tivesse talento... seria daquelas bem peruas. Usaria saia de oncinha, blusa de zebrinha e duas argolas verdes do tamanho de bambolês. Sairia por aí, bem faceira, de sapato bico fino e bolsa com alça de chifre, só pra dar um tchan.

Pink! Abusaria do pink, com direito a variações em roxo e rosa-bebê, conforme a ocasião pedisse. Ousaria na cor do esmalte, nos detalhes das meias e até nos saltos inusitados. Arriscaria sobreposições com tecidos nunca antes combinados; rendas, sedas, paetês e jeans...

Se eu tivesse talento, faria da minha vestimenta uma verdadeira obra móvel da minha criatividade inesgotável, criando meu próprio estilo inconfundível de expressão.

Pensando bem, Deus é sábio.





29 maio 2002

Alguém anda visitando o meu Blog, porque, cada vez que eu chego aqui, o contador denuncia várias visitas.

Alguém anda me lendo.

Ou será que é o contador?

Seja como for, agradeço. Voltem sempre - leitores, contadores, parentes e amigos.

Por falar em amigos, estou revendo os meus. Ontem, por exemplo, foi o dia de ver o Duda tocando no Koloss (Independência, número...? - na sinaleira! Ou sinal, como queiram. Ou semáforo, ou farol - para os paulistas que vierem a São Leopoldo fazer turismo.)

Recomendo Duda e seu parceiro (de PALCO, ô!) chamado... Fininho. Ou algo assim. O moço canta muito bonito, coisas que vão de João Bosco a Djavan, passando por Caetano e Gil, algumas baladas do tipo You’ve got a friend - incluindo a própria -, e outras coisas bem escolhidas e bem executadas.

Tudo isso, ali, pertinho da sinaleira. E vão reinaugurar a pista de dança. Se eu fosse você, não perdia.

E atenção para aquela voz doce e super afinadinha, que parece vir do Além. Não é o Além; é o "back" vocal do Duda, descendo certeiro e justo, como se fosse mesmo um anjo da guarda para a canção.

Aliás, toda "segunda voz" (bem feita) tem algo de Além, não tem? Trata-se de uma voz que não canta: PAIRA. É uma sobre-linha vocal, um Comfort para o refrão. Amacia, suaviza; e, ao mesmo tempo, fortifica.

Isso não vale para os sertanejos, claro. Os sertanejos não usam Comfort - eles "amaciam" no grito. Lá do jeito deles.

Nada contra, gente. (Agora eu ia fazer uma piada de mau gosto sobre algumas duplas que têm a voz do Além - literalmente -, mas aí já seria muito humor negro... hoho.)

Preste atenção, você que nunca reparou nos (nas) vocalistas das bandas.

Agora me ocorreu uma dúvida, que vergonha: "Backing vocal" é a PESSOA que faz a segunda voz, ou é A PRÓPRIA segunda voz?

Alguém me socorra no inglês, please.

Que o meu inglês - não é de hoje - is going to the brejo.

27 maio 2002

Este texto é do meu irmão, achei hilário e resolvi postar aqui:


"Taha falando ca Creonice esses dias, sobre o pobrema desse menino, o Tóxico.

Ninguém segura mais esse menino, não! Ninguém segura!

E os pessoal daqui não sabe nem de quem é o menino, não. Dizem que é do Cleisson, da rua ali de
cima, mas o Cleisson diz que não, que é do Adelmir. Adelmir, sabe como é, não fala com os pessoal daqui da rua: diz que os pessoal é bem mais ou menos, coisa que ele aprendeu com os grão-fino lá de baixo.

Taha doida pra ver eles fazerem um teste desses de DNA, que tem aí, pra ver de quem é o menino. Danado... já não chega o que tá fazendo com a Mel, do Crone, tem visto o Crone?

Pelo menos, que dizem né, que lá no Projac, onde é o Crone, anda tudo perfumado porque a Mel aquela anda peidando cherôso, tanto de perfume que ela toma. Pelo menos isso, né vizinha?"

25 maio 2002

Faz um dia azulão aqui em São Leopoldo, um sábado cinematográfico.

Coisas dos pampas.

O vizinho da esquerda ouve Zélia Duncan; o da direita, Gaúcho da Fronteira. E eu acordei com o Nei Lisboa. No rádio.
Na Maternal Santa Margarida, ali em frente, eles dão aulas de dança do ventre, violão, teclado, yoga e recreação para a terceira idade. Além das crianças, claro.
Também tem massagem, segundas e quintas.

Coisas do Brasil.

Daqui a pouco, nós vamos comer um peixinho ali na casa da Vó. Esperando a mãe voltar da caminhada, só.
Não fui com ela, porque ontem nós fomos fazer os pés numa moça que é "calista", e ela cutucou fundo no meu dedão - tirou uns 20% dele, e botou fora, sem perguntar se eu ainda ia precisar. Eu achei que era assim mesmo, de tirar coisinhas, mas não imaginei que a moça fosse tão... calista.
Resultado: tenho um buraco considerável, bem ali, no cantinho do dedão, onde a carnezinha ficou vermelha como cereja. E me dói tanto.

Coisas de calista.

Meu dedão sempre foi bom de bola; ia muito bem, obrigada. Nunca precisei de ninguém cutucando ali. Mas tinha uma enorme placa, aqui pertinho de casa, escrito assim: "CALISTA". Quem é que resiste?
Fui lá.
O que é a publicidade. Paguei (caro) para uma mulher me arrancar o couro, literalmente. A gente pode não perceber, mas tem um pouco de masoquismo. Lá no fundo, tem.

Não que isso tenha alguma importância, mas quis postar aqui.

Coisas de Blog.

Pensamento do fim de semana: Em dedão que está ganhando, não se mexe.

Beijos.

22 maio 2002

MANO'S DAY

Hoje é o aniversário de um dos homens da minha vida - meu irmão: guitarrista, cabeludo, e (pior!) geminiano. Aliás, o mapa dele tem gêmeos para tudo que é lado. Uma confusão organizada; a cara dele, por sinal.

Mantenho um respeito considerável pelos geminianos - nativos de um signo que é complementar ao meu (sagitário), e, portanto, oposto. Dizem que os opostos se atraem. No nosso caso, foi acidente mesmo. Coisa de berço, literalmente. Calhou.

O geminiano do meu irmão é irritantemente inteligente. Lê todas as publicações do universo, e pouco se importa com o assunto. É o de menos. O bacana é ler, e depois sair comentando. Como comentam, os geminianos!

Ele também é muito convicto. Em tudo (o assunto é o de menos, já disse). E o mais curioso, no caso, é a convicção contraditória - oriunda da dupla personalidade, característica marcante dos geminianos. Eles são dois em um. Portanto, num dia, odeiam palmito. São alérgicos, inclusive. E, no dia seguinte, são capazes de devorar um vidro inteiro de palmitos, afirmando, enfaticamente: "Eu? Alérgico? Nunca! Sempre adorei palmito! A vida toda!"

Se você pensa em conviver com um geminiano, o palmito é um problema a ser discutido. Minha sugestão: faça-o assinar um documento, com data e tudo, no qual ele se declare apaixonado (ou não) pelo palmito. Guarde uma via, numa pasta lacrada. Quando surgir o primeiro sinal de dupla personalidade em relação ao palmito, abra a pastinha e prove ao geminiano que ele está "variando". Pra variar.

Naturalmente, você será acusado de falsificação de assinatura - até porque, a essa altura, o geminiano já assina o próprio nome de modo totalmente diferente. Se é que já não mudou de nome.

Palmito à parte, outra peculiaridade aparece nas horas de lazer - é praticamente impossível manter um geminiano parado, por exemplo, em frente à televisão. Parado e quieto. Imóvel, eu digo.

Meu irmão tem compulsão por apertar, freneticamente, os botões do controle remoto. Quando não está mudando de canal, está pressionando os botõezinhos com o controle apontado para baixo - só para exercitar a compulsão, mesmo. Sentado, com as pernas cruzadas, balançando o pé. O tempo todo.

Já perdemos alguns controles assim; ele afunda os botões em poucos meses. Pensei em comprar-lhe uma bolinha de silicone, mas ele diz que "não tem a mesma graça". Pensei num chocalho, mas aí o barulho vai ser infernal. Cheguei a olhar com carinho para um osso de borracha quando passei em frente a uma pet-shop, mas fiquei com medo da reação dele. Podia me morder, sei lá. Nunca se sabe.

Contudo, o geminiano é super indicado para quem deseja sair da rotina. Se você acha a sua vida monótona, case com um geminiano. Mas depois não diga que eu não avisei.

Reações adversas: muito cuidado; se você não tiver uma cabeça cem por cento lúcida, há grandes chances de se deparar com questões do tipo: será que o doido aqui sou eu??

Não entre nessa. É ele, garanto.

Jamais espere que um geminiano repare que você cortou o cabelo, ou que está usando um vestido diferente. A não ser que você raspe a cabeça, ou apareça de batina na frente dele, os "detalhes" do seu visual jamais serão percebidos espontaneamente. Acostume-se.

Pensando bem, ele pode achar que a batina é um "pretinho básico", e nem ligar. Melhor ousar mais.

Quando o geminiano está "no mundo da lua", esqueça. Ele costuma se demorar por lá. Meses, às vezes. O bom é que, não raro, costuma trazer de lá alguma idéia genial, que pode inclusive mudar a sua vida. São idéias "de outro mundo", realmente. Mas não se assuste, e não fuja da raia. À primeira vista, parece loucura completa. Não descarte; aprenda a expandir seus limites - abra a sua cabeça.

Se já tem uma cabeça aberta, ótimo. Você vai precisar dela para acompanhar um geminiano. Só cuide para não perdê-la no meio do caminho.

Conviver com o geminiano é um risco constante. Praticamente uma gincana, eu diria. Vai ver é por isso que o sagitariano (aventureiro) topa o desafio. Outra característica do sagitariano é o senso de humor: esqueça o batom, mas não esqueça o senso de humor.

É fundamental, por exemplo, para conseguir assistir a um documentário inteiro sobre os parafusos das rodas dos carros de corrida de mil novecentos e guaraná de rolha, sem querer voar no pescoço do agitado e concentrado (ao mesmo tempo!) sujeito que está ao seu lado, exclamando "que interessante!" a cada dois minutos.

PARABÉNS, MANO!!!
Beijos da
Bíbi
p.s.: ele ganhou uma camiseta do Internacional. Pena que nenhum dos dois lados da dupla personalidade é gremista.
Ele responderia: "Sou louco mas não sou burro!!!".










19 maio 2002

Pequenas doses (homeopáticas) de VENENO:

-> Antes da novelinha Malhação, na Globo, vem outra novelinha: Malhação da Goela. Lá, alguns artistas - que não entraram na casa do Sílvio Santos porque foram considerados "muito talentosos" - passam todo o tempo do mundo malhando as suas ricas goelas potentes. Tal como o Fat Family (e tantos outros adeptos da goelização da música), os artistas praticam o "canto" como se estivessem condenados à forca: os três minutos da canção são os últimos de suas vidas; portanto, praticamente não respiram. Fazem da linha melódica uma montanha russa, entram dentro dela e se contorcem em gritos e gemidos, malhando a goela e mostrando todos os músculos, ininterruptamente, sobretudo na hora das (saudosas) pausas.

-> Ouvir uma música goelizada equivale, mais ou menos, a olhar para o corpo da Feiticeira. Você sabe que tem alguma coisa inchada ali, mas não sabe precisar onde. É que a coisa é generalizada; para qualquer canto que se olhe (ouça), ali está o exagero.

-> Deus que livre meus ouvidos de estarem sobre esta Terra quando inventarem os anabolizantes para goela. Já pensou?

-> É por essas e outras que, no próximo fim de semana, estarei assistindo ao Carijo - festival de música gaúcha, em Palmeira das Missões. Vou me lembrar dos bons tempos em que a arte não tínha músculos, e, sobretudo, não era apresentada pela Angélica e pelo Toni Garrido. Meu pai até comprou uma roupa campeira.

-> Acho que os participantes do Carijo não devem interpretar suas canções como se fossem a última oração antes da morte. Assim, evitarão que também nós, ouvintes, sintamos uma proximidade desconfortável com o chifrudo. (Sim, porque o paraíso é que não deve ser feito de frenéticos grunhidos vocais, e assustadoras reviravoltas melódicas que assassinam a composição. Isso deve ser até pecado.)

-> Agora eu entendo por que é que a cordeona (sanfona) chora há tantos anos.

-> Aliás, mais um belo título de livro: "A profecia da cordeona - goelização da música brasileira". Ainda escrevo. Se os anabolizantes não chegarem antes, claro.

17 maio 2002

Fórmula Um

Vão me desculpar, mas eu não entendo coisas do tipo "se fosse eu, não deixava passar", ou chamar o cara de bobalhão porque segurou a taça de primeiro lugar sem ter ganho os tais pontos. A Fernanda Young, no programa Saia Justa (GNT), dizendo: "Pra mim, para praticar esse esporte o cara tem que ser WILD."

Selvagem, a Fernada quis dizer (mas disse em inglês, porque - de certo - é mais "wild"...)

Selvagem?

Ser selvagem não é para quem quer correr - e ganhar a vida, aliás - na F1, não. WILD MESMO é correr de táxi ou de ônibus, e estar sujeito a receber um passageiro torto das idéias que, sem mais nem menos, enfia um cano frio na sua cabeça e estoura os seus miolos por dinheiro.

Bem pior que a Ferrari, não é?

Ora, pneus. Então o Rubinho, o Zezinho ou o Luisinho (tanto faz) não assinaram lá um contrato com o Tio Patinhas? Não fizeram uma boa corrida? Não estavam em primeiro?

Não... tinham que mostrar que são raçudos, ir contra o contrato, e receber a primeira bandeirada, só para mostrar para o povo brasileiro que nós somos... nós quem, cara-pálida?? Nós, torcedores verde-e-amarelos daquele carrinho vermelho??

Desculpem, mais uma vez. Mas eu não entendo, e não vou entender.

12 maio 2002

A primeira cena da minha manhã foi o alemão cedendo o lugar no pódium.

Não sou dada a assistir às corridas - de nenhuma espécie -, sempre fico com a impressão de que estão perdendo alguma coisa no meio do caminho... essa ânsia de chegar logo não me seduz. Até porque sou demorada; não sei se por falta de talento ou excesso de zelo com as circunstâncias - não sei, fato é que não sou de fazer o cabelo voar.

Isto posto, a cena do pódium foi triste e cheia de beleza - cá na minha ótica sentimentalóide e ignorante do esporte. Paciência.

Hoje foi o dia das mães, e eu tive o privilégio de curtir a minha. Depois de quatro anos de abstinência, tomando apenas doses homeopáticas de mãe, digamos que o domingo foi tão precioso quanto preciso. E ainda não sei como é que ela cabe ali dentro.

Pensando bem, deve ser de família. Minha Vó Maria, mãe dela, também é de miúdas medidas, e meio que se transborda toda - tamanho encanto.

Acho que foi isso que sempre me surpreendeu naquelas mulheres da família; uma delicadeza de traços e dimensões, uma doçura espontânea e incansável - unhas feitinhas, pés macios, carinhos, carinhos... e, por outro lado, a força exuberante que transcende a forma, explodindo e jogando para o alto qualquer semelhança com a meiga e frágil mocinha que o espelho teimasse em refletir diante de seus olhos.

Desde pequenininha, eu sempre vivi entre um afago e um susto. O afago da doçura, do conforto e do aconchego do abraço; o susto da ruptura, do gesto brusco, da (quem sabe?) loucura. Era o susto da evolução.

Hoje eles dizem - vai passear, vó, curtir a vida!

E ela vai mesmo. Mas não é que esteja paradinha, não. Ela já está passeando, porque nasceu passeando - ora intuitiva, ora inteligentemente - por entre os caminhos malucos da transformação. De ter nascido numa época, ter crescido noutra, ter parido noutra, ter criado noutra, e noutra, e noutra, e noutra. E passeou, colhendo flores e pedras de todos esses tempos, sorvendo as décadas, os filhos, os netos. Absorvendo a vida.

Todas elas têm nos olhos a ternura e a luta, todas se derretem e se solidificam conforme a mais absoluta necessidade. Nunca vi nenhum sentimento fútil, nenhuma dor gratuita, nenhum carinho vazio. São mulheres de motivos concretos, de atitudes certeiras e de corações convictos.

Assim são as mulheres da família, assim é a Vó Maria. Doce feito um afago. E doida de pedra.




04 maio 2002

O YAHOO tem umas salas de bate-papo com voz. O Mano foi quem me deu a dica, ontem - "experimenta, não custa".

O interessante, a meu ver, é quando você tem um parente ou amigo que mora longe (pais com filhos no exterior); pode criar uma sala só para vocês, e ficar matando a saudade quase de graça, quanto tempo quiser, ou a conexão permitir.

Aqui em casa não funcionou lá essas maravilhas. Ficou tipo rádio amador, meio precário. Mas dá.

Você entra, clica no "viva voz", e fica ouvindo os diferentes sotaques discutindo sobre os mais diversos assuntos. É curioso. Também dá para compartilhar uma musiquinha: tem gente que põe o MP3 pra tocar, e fica curtindo com os demais.

Tinha uma moça baiana, mais animada, que cantava junto e tudo. Tascou Ivete Sangalo a mil por hora, e, volta e meia, gritava: "TIRA O PÉ DO CHÃÃÃÃO!!!!!!!". Isso às 2h da madrugada, de sexta para sábado. Garanto que ainda molhava o bico, lá do outro lado, e chacoalhava os gelinhos do copo, dando risada. Diversão a pulso único - sem consumação ou couvert.

(É "pulso" ou "impulso" que se diz? Já vi dos dois jeitos.)

"Impulso único" é bonito, não? Bom nome para... para... sei lá, filme, livro, qualquer coisa - menos filho, claro.

Livro de suspense: Impulso único. Nas melhores casas do ramo.

Hein?

02 maio 2002

RAIOS!!!
As cifras ficaram todas grudadinhas no início das frases...
Desculpe a minha falha. Faz assim: vai na intuição, tá? Vai por mim, que rola.
Se não rolar, também não tem problema. O que vale, nesses casos, é o lá menor. Um bom lá menor diz tudo; e, se bobear, canta também.

Um - e - dois - e...
Tem coisa, my dear, que só um lá menor e uma melodia arrastada, mesmo. Puxa aí:

VERDADE CHINESA (Emílio Santiago)

Tom: Am

Am A7
Era só isso que eu queria da vida
Dm Bm E7
Uma cerveja, uma ilusão atrevida
Am C7
Que me dissesse uma verdade chinesa
B7 E7
Com uma intenção de um doce beijo na boca
Am A7
A tarde cai, noite levanta a magia
Dm Bm E7
Quem sabe a gente vai se ver outro dia
Am C7
Quem sabe o sonho vai ficar na conversa
B7 E7 Am
Quem sabe até a vida pague essa promessa
Dm
Muita coisa a gente faz
G7 C
Seguindo o caminho que o mundo traçou
F Bm
Seguindo a cartilha que alguém ensinou
E7 Am
Seguindo a receita da vida normal
Dm
Mas o que é vida afinal?
G7 C
Será que é fazer o que o mestre mandou?
Am F#m
É comer o pão que o diabo amassou
B7 E7 A7
Perdendo da vida o que tem de melhor

Dm G7 C
Senta, se acomoda, à vontade, tá em casa
Dm E7 Em A7
Toma um copo, dá um tempo, que a tristeza vai passar
Dm G7 C
Deixa, pra amanhã tem muito tempo
F Bm
O que vale é o sentimento,
E7 Am
E o amor que a gente tem no coração

01 maio 2002

Foi a primeira vez, em toda vida, que eu joguei tinta no telhado.

Cortei minhas longas madeixas, revoltadas e pós-adolescentes que só. E pintei de uma cor que a moça chamou de "rubino" - ou algo assim, porque recordo que era parecido com "rabino", mas acho que mudava uma ou duas letras. E vários tons, em direção ao roxo-avermelhado... coisa assim.

Existe cor rubino, mesmo? (Respostas por e-mail, please. E muito cuidado, porque disso depende toda a parte externa da minha cabeça.)

Enfim, aquela cabeleira cor-de-burro-quando-foge era muito do meu agrado, mas devo confessar que o rabino (?) da moça me caiu, modestamente, muito bem. E o corte, idem.

Sabe o que ela fez? Puxou meu cabelão todo para a frente, fez um só rabo, e tascou uma tesourada certeira: morte súbita. Eu, com o pescoço inclinado, alheia ao golpe. O primeiro sinal da coisa foi a queda brusca de um naco de cabelo, molhado e ainda quase vivo, na ardósia verde daquilo que elas chamam de salão de beleza. A partir daí, eu entreguei para Deus.

Quando dei por mim, já era tarde. O repicado armou um reboliço nos fios, de modo que há uma espécie de franja - ou sei lá o quê - aqui na frente, e depois uma camada, e outra, e outra, e mais outra. Até que os fios descem, lisos e modestos, até os ombros. E só.

Já acostumei, mas levei vários sustos, todas as manhãs, até entender que o meu rosto deixou de ter uma moldura reta, marrom e comprida - para ter uma revolta, vermelha e (parcialmente) curta.

As minhas amigas dizem que não é necessário combinar a cor dos sapatos e das bolsas com a do cabelo, mas eu estou animadíssima, de loja em loja, tentando achar um acessório que faça parzinho com o rabino do telhado novo.

E sabe que não tenho achado?

Por favor, se alguém achar uma bolsa de cor "rubino", mande-me o endereço da loja.

Esmalte também, ok?

Obrigadaíssima.

26 abril 2002

Acabei de ler a coluna do Mario Prata no Estadão de hoje; a conferir:

http://www.estado.estadao.com.br/colunistas/prata.html

Eu mato a cobra e mostro o link.

O assunto da coluna sempre me interessou muito: direito autoral na web. Você já deve ter recebido, por e-mail, dezenas de textos "assinados" por escritores famosos, e deve ter ficado se perguntando se realmente aquele texto era do autor citado. Eu, por exemplo, já recebi textos com a "assinatura" do Verissimo que continham um intrigante sotaque, sei lá, carioca. Não pode.

Eu sei que o assunto é sério, mas - que o Lobão e o Mario Prata não me ouçam -, convenhamos, há uma graça em tudo na vida. Confesso que me divirto, há tempos, brincando de adivinhar o autor do texto. (Podem me acusar, que pirataria no dos outros é refresco...)

A história do "sotaque" do Verissimo é pura verdade. Você já reparou no sotaque escrito? Já sacou a "voz" do autor?

Sabe como foi que nós - que éramos obrigados a ler Graciliano Ramos com 12 anos de idade, e pensávamos que leitura era uma atividade enfadonha e sem fundamento - nos demos conta da enorme besteira que estávamos pensando? Quando nos deixamos seduzir pela rede mundial de computadores, embasbacados com a mais moderna das tecnologias - que, ironicamente, foi nos colocar frente a frente com aquilo que já se praticava no pergaminho.

A escrita nos chamou para o tatame. Era escrever ou não se comunicar, e a coisa foi ficando preta para quem não tinha intimidade com as teclas.

As "vozes" da escrita, na minha vida, começaram a aparecer com a Internet. Não que eu tenha orgulho disso; deveria era tê-las ouvido muito antes. Mas foi o jeito.

Comecei ouvindo os sotaques escritos dos meus amigos e parentes próximos, depois passei a compará-los com os breves diálogos dos chats da vida; quando vi, já estava ouvindo crônicas e livros, estabelecendo graves e agudos para qualquer frase que me aparecesse à frente.

Comecei a escrever uns textos, e percebi, pasma, que também ouvia uma vozinha, lá no fundo, ditando as minhas próprias palavras. E, pior: a vozinha ia ficando mais agudinha quando o texto era doce e inocente, e mais grave e profunda quando o texto era filosofante, tenso, crítico ou pessimista.

Nenhuma das minhas vozes escritas corresponde à minha voz falada - a verdade é essa. Eu não sei que voz você acha que eu tenho, mas não se engane: meu tom deve ser bem outro.

Aí é que está a graça da coisa. O Verissimo fala (pouco!) num tom, e escreve (muito!) noutro. Mas é o sotaque escrito dele, e ninguém tem igual. Essa é a verdadeira assinatura do autor.

Portanto, a minha sugestão é que o senhor, delegado dos crimes pela Internet, vá mandar os seus técnicos darem um jeito de inventar um sensor - hoje em dia tudo é sensor, mesmo - que "capte", como num passe de mágica, a voz escrita do autor. Já não existe um que capta a voz falada? Então.

A delegacia não foi criada para isso? Ou o senhor fica o dia inteiro aí jogando paciência? Tenha a santa paciência!!!

25 abril 2002

Acabei de ler a coluna do Mario Prata no Estadão de hoje; a conferir:

http://www.estado.estadao.com.br/colunistas/prata.html

Eu mato a cobra e mostro o link.

O assunto da coluna sempre me interessou muito: direito autoral na web. Você já deve ter recebido, por e-mail, dezenas de textos "assinados" por escritores famosos, e deve ter ficado se perguntando se realmente aquele texto era do autor citado. Eu, por exemplo, já recebi textos com a "assinatura" do Verissimo que continham um intrigante sotaque, sei lá, carioca. Não pode.

Eu sei que o assunto é sério, mas - que o Lobão e o Mario Prata não me ouçam -, convenhamos, há uma graça em tudo na vida. Confesso que me divirto, há tempos, brincando de adivinhar o autor do texto. (Podem me acusar, que pirataria no dos outros é refresco...)

A história do "sotaque" do Verissimo é pura verdade. Você já reparou no sotaque escrito? Já sacou a "voz" do autor?

Sabe como foi que nós - que éramos obrigados a ler Graciliano Ramos com 12 anos de idade, e pensávamos que leitura era uma atividade enfadonha e sem fundamento - nos demos conta da enorme besteira que estávamos pensando? Quando nos deixamos seduzir pela rede mundial de computadores, embasbacados com a mais moderna das tecnologias - que, ironicamente, foi nos colocar frente a frente com aquilo que já se praticava no pergaminho.

A escrita nos chamou para o tatame. Era escrever ou não se comunicar, e a coisa foi ficando feia para quem não tinha intimidade com as teclas.

As "vozes" da escrita, na minha vida, começaram a aparecer com a Internet. Não que eu tenha orgulho disso; deveria era tê-las ouvido muito antes. Mas foi o jeito.

Comecei ouvindo os sotaques escritos dos meus amigos e parentes próximos, depois passei a compará-los com os breves diálogos dos chats da vida; quando vi, já estava ouvindo crônicas e livros, estabelecendo graves e agudos para qualquer frase que me aparecesse à frente.

Comecei a escrever uns textos, e percebi, pasma, que também ouvia uma vozinha, lá no fundo, ditando as minhas próprias palavras. E, pior: a vozinha ia ficando mais agudinha quando o texto era doce e inocente, e mais grave e profunda quando o texto era filosofante, tenso, crítico ou pessimista.

Nenhuma das minhas vozes escritas corresponde à minha voz falada - a verdade é essa. Eu não sei que voz você acha que eu tenho, mas não se engane: meu tom deve ser bem outro.

Aí é que está a graça da coisa. O Verissimo fala (pouco!) num tom, e escreve (muito!) noutro. Mas é o sotaque escrito dele, e ninguém tem igual. Essa é a verdadeira assinatura do autor.

Portanto, a minha sugestão é que o senhor, Sr. Delegado dos crimes pela Internet, vá mandar os seus técnicos darem um jeito de inventar um sensor - hoje em dia tudo é sensor, mesmo - que "capte", como num passe de mágica, a voz escrita do autor. Já não existe um que capta a voz falada? Então.

A delegacia não foi criada para isso? Ou o senhor fica o dia inteiro aí jogando paciência? Tenha a santa paciência!!!