09 fevereiro 2007

Vou dizer e é verdade, está cada vez mais difícil escrever aqui porque me dói a coluna. Minha barriga deu uma franca crescida agora, na reta final. Embora ainda seja tamanho P, já me exige da espinha mais do que o justo (sentiu meu ensaio de mãe dramática? Pobrezinha da Lara).


Ultrasom

Ontem fizemos o último ultrasom, e ela apareceu com a mão na boca. O médico frisou:

- Não está chupando o dedo, não. Está chupando a mão toda!

Realmente, Lara cerrou o punho e enfiou na boquinha o que foi possível. Vez em quando mexia o braço para ver se cabia mais um pouco. Teria puxado a teimosia da mãe?

Fiquei achando que, se não nascer logo, é capaz de comer a mão.

Mas tudo está nos conformes. Ela não apresenta sinais de sofrimento, a quantidade de líquido está ok lá dentro, placenta idem, circulação impecável. Tenho que contar: o médico disse que, se depender da circulação no cérebro dela, será um gênio!

Brincadeirinhas à parte, Deus nos livre de ter uma filha genial. Já pensou a briga eterna para decidir de quem ela puxou o privilégio? Periga dar divórcio, tô fora.


Em 14 dias serei mãe

É bobagem aconselhar mulher grávida a dormir muito: “aproveita agora, porque depois...”.

Sei. Quantas vezes já ouvi isso?, perdi as contas. Quero saber quem é que consegue dormir com a barriga habitada por um ser que desconhece se é dia ou noite, podendo praticar qualquer tipo de exercício quando lhe dá na telha. Pior: indo ao banheiro de uma em uma hora. Pior: arrastando uma contagem regressiva que tem o peso da expectativa da maternidade.

Não é mole. Depois, tem as particularidades de cada uma. Eu, por exemplo. Faz nove meses que estou grávida e ainda me esqueço completamente disso quando vou:

- me virar na cama (aaaai, o que foi que houve no meu abdômen?)
- levantar, de manhã (de repente minhas pernas ficaram fracas... Eeeeu, hein?)
- me olhar no espelho (credo, andei engordando mesmo...)
- bater perna por aí (que cansaço repentino! Preciso fazer um check up.)

Isso para não falar no modo estranho como as pessoas me olham na rua. Penso logo se estou com algum botão aberto, a blusa suja ou um colar que não combina. Só então me dou conta de que os olhares não são para mim: são para a minha superbarriga, essa ladra de atenções.

É mais ou menos como se estivesse carregando um poodle espalhafatoso pela coleira, com a diferença (grave) de que não posso emprestá-lo para outra pessoa dar uma voltinha. Vontade não me falta.

- Com licença. Você, que está aí olhando fixo para a minha barriga, será que se incomodaria de levá-la para passear um pouquinho enquanto eu...

Nem te conto o que eu ia fazer sem o poodle.

05 fevereiro 2007

Maldades de última hora


É desesperador, descobri agora que estou no nono mês de gravidez e ainda não cometi maldades o suficiente para abusar do direito. Grávidas podem tudo! Isso deve significar que entramos no caixa preferencial do perdão, ou seja, temos créditos para pisar na bola à vontade e não dar em nada. Passe livre, meus amores. Lá vou eu, pulando a roleta.

***
Gente muito feia devia ser proibida de fazer careta. Não é por mal, não. É que gera uma expectativa (no outro) difícil de ser atendida. Quando se desfaz a careta, o quadro seguinte é tão quanto ou pior, se é que me entendem. Quem olha fica meio sem chão, judiaria.

***
O mesmo ocorre com o burro que diz tolices “de propósito”. Ora, se o idiota é mesmo naturalmente freguês da imbecilidade – todos são -, não fica bem sair dizendo asneira por esporte, sob pena de confundir o interlocutor.

Será que agora ele está dizendo isso porque pensa isso mesmo ou é para fazer graça?

E, pior ainda, fica-se esperando que o coitado vá se redimir logo adiante, pelo amor de Cristo, dizendo alguma coisa melhorzinha. Só que, a exemplo da pessoa feia desfazendo a careta, também o burro não sairá com frase alguma meramente compatível com a inteligência média. Aí, o azarado que topou a conversa pode até se arrepender, mas será tarde demais.

Geralmente, o burro metido a engraçado não sabe ser breve – e, por ser burro legítimo e militante, jamais aprenderá.

***
Ainda sobre o burro. Toda pessoa curta de pensamento, ao contrário do ladrão, retorna freqüentemente ao local do crime, por motivos óbvios: conhece três ou quatro caminhos, todos infrutíferos, mas julga saber tirar leite de pedra.

Funciona assim: o burro diz uma sandice (crime), e o povo gentilmente disfarça, mas o desgraçado não sabe silenciar e aproveitar a boa oportunidade. Dá voltas e depois cai em redundância, fazendo ecoar sua bobagem pelo resto do dia ou da noite como um refrão desafinado.

Pior, freqüentemente se envaidece do dito e nem sequer disfarça a autoria.

***
O que fazem alguns homens com seus corpos é algo digno de intervenção judicial. Dizem que são as mulheres as maiores vítimas da obsessão pela estética, mas há homens que malham exageradamente e saem por aí inflados - braçudos, pernudos, peitudos e até bochechudos -, dando impressão de que basta um espetar de guarda-chuva no pescoço deles e se ouvirá um “PUFFFFF!!!!” (esvaziamento instantâneo capaz de nos levar à calvície só pela ventania).

Não dá, francamente. Esses meninos (de 15 a 65 anos) estão perdendo um pouco a noção do ridículo. Outro dia eu vi um moço no shopping que andava feito João-Bobo, pendendo para um lado e outro, pois o rapaz tinha os braços em meia-lua em relação ao corpo e formava uma bolota ambulante que dava gosto...

Gosto por fugir dali o quanto antes (não sabia quando ia tropeçar e sair quicando, daí a atropelar os outros é um pulo e um prejuízo).

***
Para não falar naquela coisa da orelha, valha-me Deus.

***
Bom, por hoje chega de maldades. Vou ali me sentar numa nuvem e tocar harpa, amanhã vai ver que volto absolvida e restaurada.

04 fevereiro 2007

Dedinhos

Mais uma consulta com o obstetra. O tal exame de toque é algo a que já estou acostumada desde o início da gravidez, ora pois, coisinha de rotina e sem importância. De mais a mais, ele sempre vem com o mesmo texto:

- O colo (do útero) está loooongo e fechado, tudo certinho por aqui. Pode se vestir.

Só que, dessa vez, veio com novidades.

- É, mamãe. Já temos um dedinho de dilatação.

Temos – quanta gentileza. Dedinho! – quanta delicadeza.

- DILATAÇÃO??? – quis saber a supermãe dilatada.

- Sim, mas não se assuste. Pode não significar muita coisa. Tem mulher que passa semanas com esse dedinho e nada.

Ou seja, a natureza é mesmo um troço estranho que vem cheio de dedinhos – e, quando menos se espera, ataca de punho cheio. Ou não, vá saber.


38 semanas

Tecnicamente, faltam apenas duas semanas para a Lara nascer. Mas continuamos mantendo a previsão para o dia 22, por conta de um cálculo baseado no ultrasom (detalhes que não vêm ao caso).

Ou a qualquer momento, em edição extraordinária.

27 janeiro 2007

Quase

- Agora estamos na reta final!

O obstetra me olhava arregalado como quem espera qualquer reação. E eu, péssima em providenciar reações – bem como outros embrulhos para presente -, apenas empacotei o susto da iminência do parto numa vogal redonda como a minha barriga:

- Ô!

Estou com 37 semanas completas. Para os leigos: faltam só três. Como a Lara está ótima e não demonstra sinais de incômodo com o seu (meu? já não sei mais) habitat, diz o bom senso que ela deve nos brindar com o primeiro choro só lá pelo dia 22.02, quinta-feira após o carnaval. Veremos.

Se estou assustada? Imagina. Preocupada? Tampouco. Dizem que estou até com cara de mãe. Sorrio muito, no fundo me agrada. E só.

Mentira, de madrugada eu entro em pânico.


Gula

Outra observação do obstetra (aliás, você sabia que o termo obstetra vem de observar?): engordei só o mínimo. Elogios mil. Mas subi na balança e tinha engordado, só em janeiro, 1.8kg.

- Ainda assim é pouco, no geral, porque você pesava pouco para a sua altura antes de engravidar.

Deus sabe como isso entra doce nos ouvidos de uma mulher. E emendou, como um papo-de-anjo:

- Agora você até poderia comer um pouco mais!

Pra quê? Saí de lá cheia de desejos. Só ontem comi pastel de queijo e camarão, depois salmão marinado e baguete quentinha com manteiga. Sobremesa explosiva: bomba de chocolate!

Trouxemos para casa um farto naco de patê de pato com laranja (minha perdição) e outros pãezinhos. Mas isso vou deixar para beliscar quando a consciência parar de me cutucar as culpas.


São tantas contrações (como diria o Rei)

A partir de agora, as consultas serão semanais até a Lara nascer. Folgo em saber. De vez em quando tenho contrações, ainda que leves e curtas, e sinto uma dorzinha na parte baixa do útero. O médico disse que é normalíssimo - o corpo está esquentando os tamborins para o grande dia. Huuum.

Mas a gente, que é grávida de primeira viagem, nunca sabe quando é que a princesa vai inventar de abrir alas, né? Fico nervosa se tenho três ou quatro contrações. Aliso a barriga, bufo, bufo e converso com ela.

- Filhota, assusta não... Estamos só aquecendo os tamborins, viu?

A barriga endurece ainda mais, mudo de posição e bufo outra vez.

- Querida, queridinha, a mamãe está calma, ok? A mamãe está absolutamente calma, pode ficar tranqüila também. Ninguém com pressa aqui. Temos todo o tempo do mundo.

Sinto a pele esticar numa espécie de Pão de Açúcar abdominal.

- Epa, segura esse bondinho aê!! Dá para acalmar, dá? Já falei uma vez, já falei duas vezes. Era para aquecer os tam-bo-rins! Tam-bo-rins!

E termino com a frase típica do desabafo maternal:

“Avemaria, não sei o que teu pai tinha na cabeça quando inventou de te comprar essa tuba!!!!!!!!”

22 janeiro 2007

Tudo muito lindo com a tal convergência das mídias, está bem, mas haja saco (analógico) para tanta tralha digital! É só comigo, ou acontece com todo mundo?

Outro dia fomos fazer uma compra no shopping – numa loja de verdade, palpável, física, até robusta. Questionamos o preço da mercadoria; o mesmo produto, no site da própria loja, estava mais barato! O vendedor admitiu:

- É verdade. Perdemos muitas vendas para o site.

!!!

O fenômeno é explicável pela ausência, na loja virtual, de despesas próprias do mundo físico. Mesmo assim, acho esquisito.

Para não falar na confusão dos sites das empresas multifuncionais (vamos dizer assim). Telefonia móvel que também vende linha fixa, internet por banda larga, jogos, músicas, horóscopo, notícias, e, procurando bem, dá até um descontinho nos sutiãs para amamentação.

Você digita www-ponto-o-nome-da-loja-ponto-com, jurando que vai encontrar simplesmente a informação que procura, e ponto. Acaba saindo cheio de vírgulas ponto sem.

Saquinho, né?

11 janeiro 2007

Curso de bebê


Fomos ao tal curso para casais grávidos (é assim mesmo que chamam). Fiquem calmos, ainda não afoguei a boneca na banheira porque o capítulo do banho é só no próximo sábado. Ando ansiosa.

No geral, foi ótimo. Aprendi coisas fantásticas sobre parto, amamentação e cuidados com o bebê. Mil exemplos, mas aqui vai um ponto alto: se o bebê chorar – e vai chorar -, não se deve começar oferecendo o peito (que se chama “mama” nos ambientes respeitáveis, fui aprender agora, antes tarde do que nunca).

Se o pequeno chorão der com a mama diante da sua boca, irá sugá-la por puro instinto. Mesmo sem estar com fome. A confusão estará instalada: desregula-se o ritmo da mamada e, depois, para arrumar tudo de novo, vai ser um parto (ops!).

Então eles sugerem uma seqüência de checagem do choro. Cocô? Xixi? Calor? Frio? Cólica? Dor de ouvido? Etc. Já me esqueci da ordem correta, mas trouxe a apostila em CD ROM e vou estudar direitinho em casa. Assim, na hora do nervosismo-pega-pra-capar, estarei totalmente apta a esquecer tudo de novo e gritar bem alto, chamando pelo pai dela – que virá correndo me atender e começará a checar, agora em mim: cocô, xixi, calor, frio... E é capaz de encontrar tudo isso, no desespero a gente nunca sabe.

Se nenhuma das alternativas anteriores e malcheirosas for a correta, o pimpolho faz cara feia é de fome mesmo. Aí, segundo consta, é só com a mãe e sua mama (não me refiro a avó, mas ao peito, com todo o respeito). Parece simples.

Além disso, para verificar incômodos como dor de ouvido ou cólica, a medida não poderia ser mais elementar: aperte o ouvido. Se piorar, era dor de ouvido. Ora, isso eu sei fazer!

Na hora da cólica, o médico/professor veio desafiando os alunos: alguém sabe como se faz para ver se é cólica?

Bom, eu não quis dizer a verdade. Que minha filha e eu já desenvolvemos um fino sistema de placas, cada qual com letras coloridas e desenhos da Minnie, em que ela levantará o cartaz “CÓLICA” se estiver com cólica, assim por diante. Não tive coragem de confessar. E, como o método usado pelo médico - lançar perguntas desafiadoras e ficar esperando hooooras até que um tímido se manifestasse – já estava cansando a nossa beleza, resolvi fazer uma graça.

- Aperta o bebê!... Estica! (E sorri amarelo, estimulando outras risadinhas tímidas dos colegas).

Me dei mal: quis fazer piada, mas acertei sem saber. Era isso mesmo. Pressionando um pouco a barriguinha – se o choro piorar, é cólica – ou espichando as duas perninhas do baby, resolve-se a parada. Isso porque tendência dele é ficar encolhidinho quando sente esse tipo de dor.

Resumindo: se o bebê chorar, é melhor – para ele - que esteja bem sujo de cocô ou urina. Caso contrário, é tarefa da mãe sair judiando da criança (beliscando, apertando, puxando, esticando) até que alguma dessas ações produza o efeito esperado: piorar o choro. Aí, conclui-se o motivo e liga-se para o pediatra:

- Doutor, socorro! Não sei o que deu nessa criança! Está chorando e agora berra cada vez mais alto, parece até que alguém apertou o bichinho...

Hoho.

03 janeiro 2007

2006... 2007!


Meu irmão, no final da tarde de 31/12, veio com um plano sobre a virada:

- Tô com a maior preguiça. Vamos deixar para amanhã?

***

Lara, por outro lado, esteve agitada. Minha barriga faz ondinhas. Ela saracoteia como se estivesse sob lençóis – e a parentada boba, olhando (mamãe aqui, então...). Não preguei o olho a noite toda. Ansiedade pura.

***

Hoje é dia 03 e ainda não parou de chover. Preciso resolver coisas – buscar a calça que mandei reformar, comprar fita adesiva, manicure; isso fora as caminhadas diárias que, se interrompo, me sinto uma criminosa da pior espécie. Podendo fazer nada disso, encaixoto minhas dúvidas e dívidas, dentro de casa mesmo, e jogo fora o que já era para ter ido há muito tempo.

Muita mudança. Como diria o rei: são tantas contrações...

***

Esconde-esconde

Outro dia, na depilação, a mulher começou o serviço e não se tocou que eu estou grávida. Tudo bem que a minha barriga é tamanho P, mas, francamente.

Pior foi que eu não me dei conta de que ela não havia se dado conta. E fui fazer uma brincadeirinha (sou ótima em querer espantar o silêncio constrangedor com brincadeirinhas tipo Chandler, do Friends, que finalizo com um sorriso amarelo e quase pedindo perdão pelo ocorrido – minhas piadinhas infames, sou conhecida por elas).

Então, esperei justamente a mulher se virar de costas para mexer com a cera e saí com esta:

- Caaaalma, minha filha... (esfreguei a barriga, mas ela não viu, óbvio: estava de costas).

Num segundo percebi: a moça achou que eu me dirigia a ela. “Calma, minha filha!”, como quem diz “pega leve aê, sua depiladora abrutalhada!”. E reagiu:

- HEIN??

E eu:

- Estou falando com a minha filha!

E ela (decerto pensando: mulher maluca, acha que trouxe a filha, mas deve ter esquecido dentro do carro, porque aqui não tem criança nenhuma):

- Falando com quem???

- Aqui, ó. Dentro da minha barriga (sorriso amarelo-ovo).

- Ah! Você está grávida?

Não, minha filha é que tem o hábito de brincar de esconde-esconde quando a mãe começa a pagar mico!

***

Gogó aceita

No horóscopo só dá que eu vou ficar rica, ficar rica, ficar rica. E nada.

Hoje veio uma dica: “aceite colaborações”.

Finalmente, uma luz! Primeiro passo: comprar um chapéu. Que o violão e o gogó eu já tenho. Hoho.

29 dezembro 2006

FELIZ ANO NOVO!!!

Caso eu não volte aqui até a virada.

27 dezembro 2006

Feliz Natal (atrasado)

Queria agradecer aos recadinhos carinhosos de feliz Natal... Para vocês também! Que 2007 seja realmente um ano de expansão para todos nós.

***

Histeria


Vamos fazer um curso de bebês. Dois sábados seguidos, na maternidade onde vou ter a Lara. Ai, meu Deus. Um curso de bebês.

- O segundo sábado será sobre os cuidados com o bebê, até ele completar um aninho – a moça me explicava por telefone.

Ai, meu Santo Cristo. Um aninho.

- Vamos ensinar como dar banho... Será usada uma boneca como modelo.

Ai, Jesus. Uma boneca como modelo. Já estou me vendo afogando a tal boneca na banheira - e as outras futuras mamães me lançando olhares de reprovação, olha lá a falta de jeito em pessoa, coitada, desastrada, estabanada, mal consegue dar banho na boneca-modelo, o que será da filha? E eu confundindo o bebê com o sabonete, esfregando o maior no menor, a água espirrando, a criança pulando para fora da banheira enquanto eu tento pescá-la no ar pelo pescoço, inutilmente, entre risadas espasmódicas e franco desespero.

- Rá!! Te peguei!

Peguei nada. Agora a boneca-modelo, ainda mais contrariada, já foi parar no colo do marido alheio, um bigodudo de bermudas floridas e unhas mal cortadas que veio do Panamá tocar percussão numa banda chinfrim e se encantou pela loira rebolativa que bebia cerveja quente na primeira mesa, ela piscava porque tinha cacoete mesmo, mas ele achou que era paquera e lhe pagou uma casquinha de siri – pronto, deu no que deu.

Povo engravida pelos mais variados motivos, impressionante.

Está bem, dá para perceber que estou me sentindo um pouco ansiosa. É verdade. Hoje liguei para a minha mãe.

- Tô ficando histérica.
- Calma, filha. Uma coisa de cada vez. É só organizar os pensamentos.
- Tá.

Pausa.

- Mãe... Agora estou histérica em ordem alfabética. Resolveu muito, não.

21 dezembro 2006

Primeiro mundo


Em família ou entre amigos

- Você está linda! Você está linda! Você está linda! Você está linda! (Ad infinitum).


Nos lugares onde ele se apresenta

- Minha mulher está grávida!

(“Óóóóóóhhh!” geral, dezenas de olhinhos comovidos na minha direção, e meu sorriso-cabide-falsa-modéstia a despistar: “que é isso, nem foi nada... He he... Mas vou aceitar os presentes e as homenagens, sim, viu? Humildemente, claro...”)


Na rua, na chuva ou na fazenda, a qualquer hora

- Você está com vontade de comer alguma coisa em especial? Diz, vai, qualquer coisa!

(Sorvete de chocolate amargo. Pizza de atum. Bolo de abacaxi. Sanduíche de salmão defumado. O prato que o casal da mesa ao lado pediu, mesmo que eu não saiba o que é. E mais sorvete de chocolate amargo).


No laboratório (lotado)

- Bom dia. É para pegar uma senha ali, né?
- Não! A senhora tem preferência, imagina. Aguarde naquela cadeira que logo será chamada.

E sou mesmo!


Em casa, depois das refeições

- Você nem ouse se mexer dessa cadeira. Deixa que a gente tira os pratos.

E tiram mesmo!


Na loja de sapatos

- O que é isso, não vá se abaixar para amarrar a sandália, não! Deixa que eu faço...

E faz mesmo!

**

Ou seja, a gestação é a experiência mais primeiro-mundista que uma pessoa pode ter. Estou me sentindo num lugar onde tudo funciona; sou atendida de pronto, não carrego nem sacolinha de farmácia, não me abaixo para absolutamente nada e só me levanto se for para resolver alguma urgência pessoal e intransferível (xixi, por exemplo).

Uma pena ainda não termos a capacidade de terceirizar a urina. Mas chegaremos lá, não deve faltar muito.

Minha filha, por exemplo. Quando ela engravidar, não precisará mais ir ao banheiro de 15 em 15 minutos - como lhe contava a mãe antiquada, coitada. Irá apenas uma vez, pela manhã, e programará numa tela praticamente invisível:

"Urina - 15 em 15 minutos - até 23:00 - Enter!"

Pronto. A cada 15 minutos, uma mensagem de texto vai chegar no seu celular de dedo (será como um anel, mas terá a opção de projetar o conteúdo em qualquer superfície plana), contendo os seguintes dizeres:

"Parabéns! Sua urina foi expelida com sucesso! Se estiver satisfeita, digite 1. Se não, digite 2 para..."

Você sabe, número 2.

20 dezembro 2006

Ira

O dia inteiro foi de um calor insuportável. À tardinha, combinamos de dar aquela caminhada.

Assim que troquei de roupa – calça de ginástica, top, tênis, boné – e me besuntei toda de protetor solar (30 para o rosto, 15 para as partes do corpo que ficam de fora, além do protetor labial), adivinha? Chuva.

Eu tenho vontade de pegar o primeiro que me aparecer na frente e torcer o pescoço. Ah, não brinque com a ira de uma mulher bem grávida. GRRRRRR!!!


Planos

Não faço mais planos de fim de ano, pronto, está decidido.

Imaginem que hoje, por acaso, acaso, acaso, estou mexendo numas gavetas e separando coisas para pôr fora quando encontro um papelzinho lá no fundo. O que diz: “Planos para 2006”. Aaaai, eu me prestei.

Pior não foi ter me prestado a fazer planos. Pior foi hoje, a 12 dias do ano que vem, ter me disposto a ler o papel! Claro que não deu certo.

Vou dizer bem claro: eram 10 metas, das quais não atingi nenhuma. Mentira, vai. Uma que outra bateu na trave, e uma (em particular, aquela que vou chamar de mais “fofa” de todas) deu certinho. O resto foi um fiasco exemplar.

Queria comprar um carro (“à vista”, está lá escrito); comprei nem patins. Queria ter passado dois meses em Paris escrevendo um livro (você foi? Pois é, nem eu). E segue por aí.

Óbvio que minhas metas não eram metinhas... Eram metidas, assim como eu. Mas eu podia ter chegado lá. Podia ter dado mais de mim. Podia ter me esmerado, concentrado, esforçado, gritado, tido chilique, ido ao Sílvio Santos (ainda tem gente que pede coisas no Sílvio Santos? Aliás, ainda tem Sílvio Santos??). Estão vendo?, eu podia ter ao menos me informado!

Bueno, são águas passadas. Uma coisa aprendi: não se mete as metas no fundo de uma gaveta para só olhar de novo quando a gente já se esqueceu completamente delas.

A propósito, por que diabos eu queria tanto um carro? Com esse trânsito... Eu, hein?


Classificados – vendo pé de pato

Não comprei carro, mas estou vendendo um par de pés de pato para bodyboard, da excelente marca Kpaloa. Novíssimo, usei só três ou quatro vezes! Tamanho P (35 – 36). Cem paus (precinho de Papai Noel).

18 dezembro 2006

Campeões do mundo, fazer o quê?

Sou gremista, embora meu blog seja vermelho. Desde que o Internacional venceu o bendito jogo contra o Barcelona, não tenho tido sossego. Em pleno Flamengo (o bairro), desço para dar uma caminhada e dou de cara com um sujeito vestido de colorado dos pés à cabeça. Mas não estou no Rio de Janeiro??? Faço o sinal da cruz e sigo.

Os jornais entram por baixo da porta com a festança colorada estampada nas primeiras páginas. Bufo, tomo um gole de água-de-coco e vou ler sobre outras partidas.

Meu irmão manda torpedos provocativos pelo celular ameaçando transformar minha filha numa torcedora do Inter, “o número 1 do Rio Grande”. Relevo.

Não bastasse, ele aproveitou minha ausência para decorar o apartamento com bandeiras vermelhas improvisadas (camisetas, toalhas, fronhas, lençóis, lenços etc). A área de trabalho do computador virou um quadro de mau gosto – nem preciso dizer com que figura. Quando entrei no meu quarto, que surpresa: meu abajur havia sido transformado em Chapeuzinho Vermelho.

Mas uma mulher grávida não deve se estressar. Por isso, vou encarar essa m* toda com bom humor e fazer de conta que são motivos natalinos... Ho ho ho.

***

Transporte coletivo

Todo ano, perto do Natal, venho aqui e escrevo que estive no Barrashopping e ele estava lotado. Está ficando meio chato dizer sempre a mesma coisa.

Então, esse ano vou dizer diferente: estive no Barrashopping hoje, grávida de sete meses, e EU estava lotada.

Minha filha pesa quase 1.5kg e mede 41cm.

“Não é um bebê grande”, disse o médico.

“Ah, claro que não. A propósito, quantos o senhor já carregou nessa sua flácida barriguinha?”, tenho ganas de questioná-lo.

Não importa se minha filha é grande ou miúda. Nunca houve alguém maior que ela dentro do meu ventre, e isso é suficiente para eu me perceber incrivelmente esticada, pesada e até um pouco empinada para frente. Se hoje sou uma van em horário de rush, amanhã serei um microônibus, e assim por diante. E a pobrezinha vai de classe econômica mesmo.

O fato de não haver mais leito executivo me faz sentir, de certa forma, negociando espaço com ela. Na hora de dormir, por exemplo. Minha filha, o negócio é o seguinte, a mamãe vai virar para cá, mas você promete não fazer aquele treme-treme infinito da noite passada, ok? Olha, ponho até um travesseiro para apoiar a barriga, veja que macio, é feito de penas, e...

- TUM! TUM! TUM!

Ela protesta veementemente, nem quer saber das minhas penas.

Filha, filhota, filhotinha, não foi isso que nós combinamos. (Eu saio com pérolas dessa espécie, como se a criatura já fosse vítima da minha ladainha desde os tempos da concepção... ah, Cristo, ela terá tanto tempo para isso – me ouvir, ouvir, ouvir! A coitadinha.).

Em tempo: o Barrashopping estava lo-ta-do! Você sabe se eles deixam entrar cegonha?

16 dezembro 2006

Natalinas

- Eu queria ver aquela sandália vermelha... 36.

A moça traz a sandália, experimento e gosto muito.

- Gostou? Ficou linda, né? Tem também essa amarela que é show...
- Hum. Mas adorei a vermelha mesmo.
- Tem essa azul-marinho, que está saindo muito, olha que linda!
- Sei. Mas eu queria a vermelha, porque a minha roupa...
- Aaaai, desculpa! Na verdade eu não sei se ainda tem algum par da azul, ou se já foi tudo. Peraí. Berenicêêêê!

Vem a Berenice, afoita.

- Tem ainda a sandália azul? – insiste a maluca de sombra verde.
- Tem, sim. (Berenice me olha bem nos olhos). Qual o seu número, amor?

“Amor” é demais.

- Eu pretendo levar a sandália VER-ME-LHA. Não quero ver nenhuma outra!!!
- Tá. As bolsas em couro estão em promoção.

P*** que me P****! Quem é que dá conta da fúria natalina dessas moças???

07 dezembro 2006

Stones

Dormi como uma pedra. Não sei como Lara deixou; incrível, ficou quietinha e não reclamou quase nada das minhas posições na cama (coisa que tem acontecido com incômoda freqüência).

Dormir como uma pedra é maravilhoso. O problema é levantar também como uma pedra. E hoje me senti assim.

A memória me diz que minhas pernas são fortes e que sou levinha, levinha. A realidade me impõe outros quinhentos, e me surpreendo com o peso adquirido, ainda meio tonta de sono. Força, pernocas!

Daqui a 10 dias eu completo sete meses de gravidez. Falta pouco mais que dois meses, portanto, para o dia mais rock’n roll da minha vida – e por falar em pedras, haja pernas para que te quero nessa reta final.

Às vezes eu apelo. Outro dia fui mudar de posição no sofá e me peguei usando os dois braços como alavancas. Alguém flagrou e perguntou: “já está sentindo o peso da barriga?”.

É tão instintivo que nem havia ligado uma coisa à outra.

Ah, nem me importa a sensação de ser/parecer/carregar pedras. Quero mais é ver a minha pedrinha babando embolada no colo do pai dela. I know, it’s only rock’n roll but i like it!

06 dezembro 2006

Liga/não liga

A máquina de lavar me deu outro susto – dessa vez, simplesmente não ligou. E não ligou de novo. E de novo. Até que tive uma loooonga conversa com ela, e combinei que a deixaria refletindo um pouco sobre o que estava (não) fazendo.

Voltei em meia hora, puxei o botão. Ligou.
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Sentiram que estão pintando, aos poucos, os sinais da minha autoridade materna? Já funciona com as máquinas...
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Ventilação

Saiu do banho, esse meu irmão, e andou pelo corredor até a cozinha arrastando os chinelos como se mancasse das duas pernas. Enrolado numa toalha verde musgo, refletiu baixinho (mas eu ouvi):

- Puxa, como é difícil andar de saia...

Isso não é nada, mano. Basta aprender a entrar e sair do carro sem abrir ao público o que é de ser reservado.

Ou não, como mostram as páginas de revista com quadradinho preto em cima para não mostrar nada. Vocês viram na Época dessa semana? Britney está lá, com as pernocas distraídas abertas, e aquela tarja recatada nos aliviando o espanto.

Aliás, é muito boa a idéia desse tipo de lingerie digital; deviam pôr nas lojas. Ia vender um horror, sobretudo agora no verão. Ventila, né.

01 dezembro 2006

Deus, dai-me paciência para aturar...

- As musas do samba (nessa época, começam a brigar em público pelos destaques nas escolas);

- Os musos da política (nessa época, começam a brigar em público pelos cargos do segundo governo mais do mesmo – com a única diferença de que não mostram a bunda, mas, muitas vezes, mostram partes bem piores);

- As pessoas ultra-sensíveis que PRECISAM me contar histórias terríveis de parto e amamentação, nunca esquecendo da dificuldade em recuperar o peso anterior à gravidez;

- As pessoas do estilo POST-IT (parece que nasceram para lembrar você de fazer as coisas): “Já fez o enxoval?”, “Já escolheu o pediatra?”, “Já comprou a farmacinha do bebê? Olha que tem muito produto por aí que dá alergia, hein?”. Não, não fiz nada disso. Vou esperar a Lara nascer e mandá-la fazer tudo sozinha. De ônibus!! E me trazer uma caixa de Bohemia na volta. Não é para isso que filho serve? Não diga.

- O calor e as chuvas do Rio de Janeiro, o trânsito, as calçadas esburacadas e as pessoas sem o menor senso de direção espetando sombrinhas e cotovelos na barriga das outras;

- Está bem, está bem, minha barriga também não está com muito senso de direção;

- Os comerciais natalinos das lojas de departamentos (tudo em tantas vezes sem juros, com o primeiro pagamento só lá no dia em que você não sabe se vai ter dinheiro e o último no dia em que o seu dinheiro, se houvesse, já teria sido gasto com coisa mais relevante);

- Os comerciais natalinos das empresas de celulares – que dão bônus com direito a falar, falar, falar! Cruzes, quem quer falar tanto? Pior, será que alguém ouve?? Duvido.

- A programação da TV por assinatura, cada vez me fazendo entender menos por que eu insisto em assinar aquela nhaca;

- O gerúndio crônico das pessoas do telemarketing, que estão ligando para estar informando que estarão enviando... PQP, já não deram o que tinham que estar dando?

A lista continua. Ai, como é bom desabafar. Hoho.

30 novembro 2006

Cassandra

Estou lendo Meu reino por um cashmere
, da Ana Cristina Reis, e me divertindo. Até agora, a crônica de que mais gostei se chama “Cassandra”.

Sente o drama. Ela conta que estava tentando selecionar uma empregada, até que achou uma tal de Sandra, ótima. Tudo combinadinho, a mulher ia saindo e comentou que estava com saudades do filho, puxando da bolsa um punhado de fotos. “São as primeiras desde que ele se mudou para a Suíça”.

Ana Cristina foi olhar, e o filho era um travesti. E a mãe Sandra, orgulhosa:

- Ele diz que quer mudar o nome para Cassandra, que é para estar sempre com a mãe.

Pegaram? Sandra. Cassandra, Ca-Sandra. HAHAHAHAHA! Muito bom.


Chuvarada

O Rio está encharcado (que frase). Hoje tive de sair a pé, e foi um suplício, porque ventava muito.

Vem cá, é só comigo que o guarda-chuva vira do avesso O TEMPO TODO??

Minha mãe me reconheceu de longe e ficou acenando, mas eu, entretida em lutar contra aquele morcego rebelde que mais me molhava do que protegia, não retribuía. Até que ela chegou mais perto e eu abanei de volta, mesmo meio cabreira, vai que é outra moça se fazendo passar por Aninha...

Mas era ela mesma, inconfundível.

- Oi. Fiquei te fazendo sinal de longe, mas tu nem viu, né?
- Vi não.
- Pois eu te reconheci de loooonge. Muito fácil.
- É? (Lá vem).
- É. Tinha uma coisinha branquinha (meu rosto), a roupa preta, e mais duas coisinhas branquinhas (minhas canelas, abaixo da calça de ginástica).

Hum.


Drenagem linfática

Da série: coisas boas que a gente faz porque todo mundo diz que é bom, mas fica com aquela impressão de que está jogando dinheiro fora.

Drenagem linfática. Lá fui eu. Dizem que é muito bom na gestação, e eu comecei foi tarde. Morria de preguiça. Ainda morro. Mas fui assim mesmo, até para ver como era.

Primeiro, cheguei lá e a moça foi logo escrevendo na ficha: “pós-parto”.

- Você é que teve o bebê, né?
- Hein?
- Você que é a moça que ligou dizendo que recém teve um filho, né?
- Bom... na verdade eu ainda vou ter. Uma filha.
- Ué! Mas você está grávida?
- De seis meses.
- E cadê a barriga??

Muito bem, considerei-me elogiada e segui em frente. A fisioterapeuta, muito simpática, fez umas perguntas e pediu que eu tirasse a roupa e ficasse só de calcinha e sutiã. Na frente de um espelho enorme. Que ela ia tirar minhas medidas. Ai.

- Vai tirar minhas medidas? Mas justo agora, que estou grávida???

Disse que era bom para acompanhar a evolução do tratamento. Sei. Quero dizer nada, não, mas até fevereiro a tendência é que eu “cresça” mais um bocado. Haja fita métrica.

Começou, enfim, a me fazer aquela espécie de massagem (muito levinha, quase um alisamento) – que, segundo ela, estimularia minhas glândulas do sistema linfático, favorecendo a eliminação dos líquidos retidos.

- Ajuda a eliminar celulite?
- A do grau um, sim.
- E qual é a do grau um?
- É aquela que só aparece se você apertar o tecido, assim (beliscando).

Fiquei pensando, mas não disse: se a drenagem ajuda a eliminar uma coisa que só aparece apertando, também tem outra coisa que ajuda muito. É não apertar. E isso é de graça!

Quase dormi, porque o tratamento realmente é muito suave e dura uma hora. Acho que voltarei na semana que vem. Não sei bem por quê.

Minha mãe quis saber:

- E aí?? O que é que achou?
- Achei caro!!

29 novembro 2006

Transtorno bipolar

Ontem fui ao Shopping da Gávea e comprei Não sou uma só – Diário de uma bipolar
, o novo livro da Marina W.


Teria ficado para a noite de autógrafos, mas vim para casa por motivos técnicos. Também por motivos técnicos (cansaço), joguei-me no sofá e comecei a ler. Varei noite e madrugada, o livro realmente é muito bom! Marina usa linguagem leve para tratar de um assunto tão barra pesada, e nos leva na conversa (no bom sentido!) pelas suas aventuras entre euforia e depressão – sem soar piegas ou dramalhão em nenhum momento.

É humano demais. Mesmo quem não tem o menor interesse na doença vai se identificar. E para quem sofre, já sofreu ou conhece alguém que tem o transtorno bipolar, é também uma ótima fonte de informação, já que o livro é escrito com a consultoria de um psiquiatra especializado no assunto.


Aniversário

É muito bom fazer anos na sexta-feira, porque o fim de semana todo acaba sendo comemorativo. Assim fizemos.

Ganhei presentes e mimos, coisas lindíssimas. Na sexta, minha mãe e eu organizamos uma festinha com salgados típicos da tradição culinária familiar, ou seja: comprados prontos.

Aliás, aquele dia foi uma loucura. Duas doidas pela rua equilibrando bandejas, e eu pagando mico em tudo quanto era loja:

- Tem desconto para aniversariante grávida? (Sorisso amarelo e mão na barriga, em círculos).

Minha mãe se escondia atrás das sacolas, “não diz que eu sou tua mãe, pleeeeease”. Bem ou mal, acabei descolando um casaquinho para a Lara (free!) e um sabonete líquido numa loja de lençóis – que também nos deu 20% (!!!) de desconto nas compras. Quem comprou os lençóis foi ela, mas faz de conta que fui eu...

No sábado, foi ele quem fez um almoço que rendeu suspiros gerais da família, e eu ainda arrematei as sobras no fim de semana! Um espetáculo que nem ouso descrever aqui. Só sei que Lara vai comer muito bem nesta vida, e não será por mérito da mãe – o único prato que cozinho chama-se gororoba. Integral, claro.

Depois teve torta (surpresa, de limão, minha preferida) com velinhas e parabéns a você.

Eu estava tão feliz que, na hora de fazer o pedido, acabei fazendo um agradecimento.


Porque é bem melhor

A astróloga explicava, na tevê, para que servem as fases da lua. Não entendi muito. Alguém perguntou:

- Mas a senhora não acredita que determinadas coisas acontecem porque tinham mesmo que acontecer?

Resposta:

“Não.”

“E por quê?”

“Porque é bem melhor você saber que determinada estrada não está boa, e então desviar, do que se estrepar todo num acidente e depois dizer – foi assim porque tinha que ser.”

Bom... Que é bem melhor, é bem melhor mesmo. Só não sei se foi esse o ponto de quem fez a pergunta...

24 novembro 2006

Obrigada, obrigada!

Passando rapidinho, escrevendo sem editor de texto, só para dar o ar da minha graça em dia de envelhecimento. Aos que me dão parabéns: obrigada! Depois agradeço pessoal-virtualmente no Orkut e aos e-mails recebidos.

É muito bom receber parabéns duplos; é muito bom ter uma guriazinha saracoteando dentro da minha barriga e pensar que ela vai me atrapalhar o cooper para o resto da minha vida.
:o)

Beijos emocionados a todos vocês.

23 novembro 2006

Novembro

Comprinhas básicas no shopping. Susto: não entro em mais nada P ou M.

- Você não está gorda. Está grávida.

Meu senso crítico (que, aliás, sofre de falta de senso) está escrevendo isso 300 vezes num caderno. Que é para ver se fixa. Do jeito que é lerdo, capaz de fixar só quando a Lara fizer 15 anos.

Espertinha, comprei um boné. Está lá escrito: “Tamanho ÚNICO”. Rá rá rá!, não tem preço.

As pessoas estão dizendo muito que eu não engordei “por exemplo, nos braços”. E os exemplos param por aí. Fica todo mundo com cara de três pontinhos, sabe quando quer achar palavra e não vem? Faço graça:

- Você pode falar das minhas orelhas também. E dos dentes...

Vamos rir, é novembro.
:o)


Filme: Os Infiltrados

Fomos assistir ao novo do M. Scorsese – Os Infiltrados, com Jack Nicholson, DiCaprio, Matt Damon, Alec Baldwin (que, um dia, foi um homem bonito), etc. Elenco de primeira, só craque.

Realmente é um filme ótimo, dos melhores que vi nos últimos tempos. O roteiro tem um nó que provoca uma sensação constante de suspense misturado com quero-ver-como-acaba, misturado ainda com tomara-que-não-acabe-logo. Adoro isso.

O gênero é drama (está na ficha), mas se trata de um complexo caso policial – então tem muito tiro e sangue, mistério, ação e algum humor inteligente. Desses elementos que citei, gosto só do mistério e do humor; não gosto de policial, tiro e sangue me cansam, cenas de ação me dão muuuuiito sono. E, mesmo assim, adorei o filme.

Nos primeiros 15 minutos, é verdade, fiquei um pouco sonolenta. Cheguei a pensar que pudesse ser um daqueles filmes de roteiro embolado e muitos homens “fodões” se agredindo e dizendo frases de efeito, mas a sensação passou rápido e a coisa engatou. Recomendo!


Chiclete bola

Chegamos na praça de alimentação e começamos a rezar para vagar uma mesinha. Assim que vagou, eu me sentei para guardar o lugar (e para bufar um pouco, porque grávida cansa e bufa!), enquanto minha mãe foi se servir no buffet.

Mal dei minhas primeiras bufadas, apareceu um casal – ele tinha cara de bobalhão de bermudas, e ela era um show à parte: calça jeans dessas que embalam a bunda a vácuo (será que conserva?), sandália com saltão de acrílico, cabelo colorido e chapado, blusinha cor de chiclete bola.

Ainda se diz chiclete bola? Enfim.

- Você está sozinha na mesa? – Perguntou a toda-boa.

Pensei que eles queriam arrastar alguma cadeira dali, óbvio, respondi:

- Estou esperando só uma pessoa. (Como quem diz: sobram duas cadeiras, podem levar para a mesa de vocês).

E a moça se vira para o companheiro mudo:

- Viu, fulano? Só está esperando mais UMA pessoa. Vamos sentar aqui?

!!!

A mesinha não acomoda nem quatro bandejas da mesma família, que dirá um bobalhão de bermudas e uma perua embrulhada a vácuo! Ah, não.

- Escuta, moça, estou esperando SÓ UMA PESSOA, mas nós vamos usar A MESA INTEIRA. Tendeu??

Bobalhão puxa a dama pelo braço, e ambos saem quicando pelos corredores. Para a sorte deles. Se ficam mais um pouco, pego logo um palito de dentes e furo os peitos dela.

Iam todos ver o que é chiclete bola.