29 maio 2005

Pingo


Contando os passos
intuiu
que a vida não caminha
galopa.

Soltando os laços
concluiu
se a vida não espera
espora.

23 maio 2005

Valsa (3 poemas)

Estava me doendo muito a
razão não encontrei
cabeça, fazia frio, vento e
procurei um sentido
sol, embora pouco,
eterno que me explicasse
entrava um raio pela janela
alguma luz que me aliviasse
as cortinas brancas balançavam
o coração
ouvi uma valsa
foi quando alguma estranha sensação
quis me levantar
me descompassou o pensamento
não achei as sapatilhas
então esqueci a dor e a solidão
e nem precisei delas
era ternura.
aquela valsa já me voava inteira.

19 maio 2005

Saia


Estou escrevendo por compulsão mesmo. Cappuccino à meia-noite, ventilador ligado, pênaltis na Globo. Assisti à reestréia do Saia Justa (GNT) e não gostei. A impressão é que juntaram muita mulher que fala com nenhuma que ouve. Aliás, minto: Mônica ouve. Mas fala muito pouco. E, de longe, é a que mais tem a dizer.

__

Nomes


A moça caminhava na praia, com uma menina (uns dois anos) e uma cadelinha. Ambas se afastaram dela.

- Tatiana!! Volta aqui, Tatiana!!

Quem se virou? A cadelinha. E era com ela mesma.

Apressei o passo. Quero nem saber o nome da menina...

__

Exibida



Alguém comentou, na academia, que estava voltando para as aulas de italiano. A outra, lá de longe, lançou o seguinte:

- Nossa! Italiano é maravilhoso. E os italianos, então, são tuuuuudo de bom!!

Outras concordaram. E a exibida (sabe cara de exibida?) seguiu:

- Meu italiano já foi ótimo, mas hoje estou sem praticar... Meu alemão, coitado, já está quase zerado. Meu francês, ih, hoje em dia eu só leio! Meu espanhol está muito meia-boca. Salvou-se só o meu inglês mesmo, que, graças a Deus, ainda é show de bola.

Meu italiano, meu alemão, meu isso, meu aquilo. Sei. Conheço o tipo.
100 paus como ela fala menas.

18 maio 2005

CÂNCER


Eu sei que ninguém gosta nem de ler essa palavrinha: câncer. Mas vou fazer um apelo, mesmo correndo o risco de parecer coisa de programa matinal de TV aberta, porque eu sei que muitas meninas, moças e mulheres vêm aqui me ler de vez em quando.

Quero crer que TODAS as mulheres que visitam este blog façam, regularmente, o exame preventivo de câncer no útero (Papanicolau). Uma vez por ano. Nem dói.

Uma mulher da minha família não fazia o exame. Ela está com 35 anos, e descobriu há poucos dias que tem câncer no útero – já num estado muito avançado. Passou por uma cirurgia complicadíssima, e agora está se recuperando num quarto de hospital, aguardando para saber como vai ser o tratamento daqui para frente.

A única coisa que a gente pode fazer por ela, neste momento, é torcer. Rezar para que ela fique boa.

A única coisa que a gente pode fazer PELA GENTE é o tal exame. Sempre!

17 maio 2005

Maio


Maio é o mês da luz indireta, quando tudo fica mais bonito. Fui andar na praia à tardinha. Um grupo de surfistas, lá longe, deslizava em espuma branca enquanto meu pensamento duro ia virando farelo de sal e brisa.

Na volta, flagrei o sol se pondo, espremendo laranjada nas nuvens que passavam. Cheguei em casa até meio embriagada.

Desconfio que era Hi Fi.


Cupuaçu


Pela primeira vez na vida, provei um suco de cupuaçu. Paixão ao primeiro gole. Amei! Fazia tempo que não me empolgava tanto com o sabor de uma fruta.

Fui pesquisar a respeito. O cupuaçu é aparentado do cacau, e nasce do cupuaçuzeiro (!). A produção, no Brasil, é concentrada na região amazônica. O estado do Pará é o principal produtor, seguido por Amazonas, Rondônia e Acre.

O nome vem do Tupy, onde “Kupu” = que parece com o cacau, e “uasu” = grande. Gostei de como se chama no México: cacau blanco. Charme, não?

Agora, note a seguinte descrição:

“O fruto é uma baga capsulácea de 12 cm a 25cm de comprimento e 10 cm a 12 cm de diâmetro, pesando em média 1,2 kg. O epicarpo é lenhoso, de coloração marrom, coberto com pêlos ferrugíneos, que quando raspado, expõe outra camada clorofilada; o mesocarpo é esponjoso, pouco resistente e levemente mais duro que o endocarpo, que é macio, fino e claro, limitado internamente por uma película. As sementes, em média 36 por fruto, apresentam 2,5 cm de comprimento por 0,9 cm de espessura, superpostas em cinco colunas em torno de um eixo central.”

Eu sei, eu sei, depois disso fica difícil acreditar. Mas, vai por mim: é uma DELÍCIA!


Uma árvore no apartamento


Meu irmão ganhou de presente uma árvore.

Veio num vasinho de barro. Mentira, claro que não é uma árvore; a verdade é que ninguém aqui sabe o que é. E o problema é justamente este: ter, dentro de casa, um vegetal incógnito, aparentemente inofensivo, mas potencialmente ninguém-sabe-dizer-o-quê.

Ui, que meda.

Mas vamos às características científicas. Trata-se de uma planta verde – com perdão da redundância -, de cujo galho central brotavam, dois meses atrás, folhinhas semelhantes ao nosso conhecido tempero verde. Aquele mesmo, parente da salsa-e-cebolinha.

Ameacei dar um fim naquilo, logo que chegou.

- Oba! Vou fazer um risoto! – Salivei.

Meu irmão deu um pulo para frente:

- Te mato! Na minha planta, ninguém mexe!

Prometi, fingindo sensibilidade, que não carnearia a árvore, nalgum possível acesso sanguinário de madrugada qualquer. E cumpri.

Confesso que começo a me arrepender. Imaginem que o galho central, aquele, que já fora um mero fiozinho verde, hoje exibe fortes intenções de se tornar – de fato – um tronco. Começa a ficar marrom, inclusive. E engrossou um tanto.

Do tronco, nasceram galhos. Dos galhos, sub-galhos. E, dos sub-galhos, sub-outros-galhinhos, para os quais já não acho denominação científica plausível – de modo que não vejo saída a não ser juntar tudo isso, mais as folhas, a terra e até o vaso de barro e chamar de uma palavra só: árvore. É o que temos no apartamento.

O robusto vegetal ostenta hoje mais de meio metro de altura, e suas folhas são verdes, sim; mas não verde claras, tampouco verde escuras, verde oliva, verde limão, verde, verde... são “verde alegre”, pronto. Não saberia descrever o tom de outro jeito. A planta está feliz.

Por enquanto, não dá frutos. Estamos no aguardo.

Meu irmão segue tranqüilo. Eu, contudo, confesso que tenho certo nervoso quando acordo e percebo que a árvore vem se espichando dia após dia. E não é uma questão de falta de consciência ambiental, não.

É que não suporto hóspede espaçoso.

10 maio 2005

Comentários


Como podem notar, o espaço para comentários voltou a funcionar. A Carolzinha me deu um socorro virtual, e acomodou o serviço noutro lugar. Portanto, adoraria que vocês voltassem a me escrever por aqui!

A autora é toda gratidão.


O dia delas – sem falsa modéstia


Como foram de dia das mães?

O meu foi legal. Pena que a minha Aninha – aquela nos braços de quem meu pai se aninha - mora noutro estado. Mas nos falamos por telefone mesmo, e trocamos os seguintes elogios-sem-falsa-modéstia:

- Tu é a melhor mãe do mundo!
- Eu sei! E tu é a melhor filha do mundo!
- Eu sei!!!

Havia, tempos atrás, aquela falsa modéstia de praxe. Você sabe como é. “Que isso!” pra cá, “imagina...” pra lá, “nem precisava!”, “estou te dando trabalho!” etc etc.

Mas deixamos disso - desde que um valor muito grande começou a operar sobre a nossa família.

O do interurbano.
Hoho.


A Queda! – As Últimas Horas de Hitler



Eu não sou chegada a filmes de guerra. Mas este não é um filme de guerra qualquer, né? Acho que é um filme obrigatório.

Gostei muitíssimo. É frio, cruel, chocante, e sem anestesia. Recomendo enfaticamente.


Vício e desvício

Acordo e bebo café preto. Ao longo do dia, me entupo de Coca Cola. Light, claro – porque a única coisa que me interessa e não contém aspartame é o meu namorado.

Lá pelas 8h da noite, começo a perceber que estou, talvez, um pouco agitada demais. Desando a beber chá de camomila misturada com erva-doce, que é para sossegar o diabo do meu facho.

Bebo uma chaleira inteira, até a hora de dormir. E vou para a cama, achando que – oba! – vou tirar um soninho tranqüilo.

Que nada. Levanto, de 20 em 20 minutos, para fazer xixi. Ou seja, acabo dormindo mal. Dia seguinte, café e coca... (ad infinitum).
___


Como resolver esse problema?

Primeira hipótese. Se eu parasse com o café e com a coca, talvez dormisse bem durante a noite – porque não precisaria também do chá para me acalmar, e o xixi não me viria, então, perturbar o sono. E outra: não precisaria mais do café e da coca no dia seguinte para me manter acordada. Problema resolvido? Negativo.

Acompanhe meu raciocínio. Se eu paro com o café e com a coca durante o dia, durmo no ato. Aí, não consigo dormir naquela noite. E sigo trocando a noite pelo dia. Não dá.

Outra hipótese. Beber o café e a coca durante o dia, como de costume, mas não beber o chá (para não urinar desvairadamente). Tampouco resolve. Sem o chá, fico agitada noite adentro, ou seja: não faço xixi, mas também não durmo. Adianta é nada.

Ainda outra. Não beber coisa alguma; nem estimulante, nem relaxante. Podia ser uma boa opção, mas temo dormir eternamente, e isso me impede de experimentar a abstinência – até porque vou estar dormindo. Opção vetada.

De modo que concluo: a única solução é comprar um penico. Só que vou perder o namorado, claro, porque ninguém quer uma mulher de penico. Diacho de vício.

Aí eu vou namorar - sei lá, o Aspartame!

05 maio 2005

Meu blog-de-ventos


Tenho uma coisa com datas. Adoro lembrar eventos – e qualquer coisa que tenha data é um evento. Eu sei que é besteira, mas eu acho.

Evento sem data é vento.

Tinha mania de agenda, desde criança. Lá pelos 10 anos, comecei a notar que o tempo passava muito rápido (!), e resolvi que ia anotar os eventos mais importantes num diário. Gostei da brincadeira, tive vários. Vários diários e vários eventos. Além, é claro, de vários ventos.

Um dia eu fui a um show de um cantor argentino e me apaixonei pelo som dele. Cheguei em casa e registrei tudo no diário. Aí não queria dormir, para “prender” o que eu tinha ouvido na minha cabeça por mais tempo. Quanto mais forte eu conseguisse prender a música do cara na minha cachola, mais acessível (eu pensava que) ela ficaria na minha memória dali a 20, 30, 40 anos...

Eu tinha uma preocupação louca com esse negócio de futuro. Freud explica.

Agora eu me pego fuçando meu passado recente nesta bolha virtual que é a internet, e caio do cavalo. Sempre achei estranha essa definição de blog: “diário virtual”. O meu não era – eu pensava. O meu é de brincadeira. O meu são pílulas do dia-a-dia, coloridas. O meu é de mentirinha (nem tudo aqui é verdade).

De mentirinha, nada. Este blog é de verdadinha. E, no próximo mês, faz quatro anos.

Claro que eu não registro aqui nem 1% do que acontece na minha vida. Fantasio, camuflo, galhofo. Depois ainda edito. Deleto. Capricho. Conto meio conto, e aumento um ponto-e-vírgula. Faz parte da brincadeira.

Mas, quer saber?, eu tropeço e caio nas minhas próprias entrelinhas. Sei muito bem quem eu fui nesses quatro anos – evento a evento, post a post, conto a mim mesma o meu subtexto... diacho!

Tem coisa que a gente preferia nem lembrar. Também, quem manda ter essa mania de datas?

Por outro lado, outras coisas me dão puro prazer – reler, reler... até nunca mais acabar.

É muito bom, anyway, ter esses registros todos. Ainda que meio tortos, ainda que difusos, confusos, hilários, dramáticos, até surreais – mas sempre com datas. Datas são balcões que a gente cria no tempo, para a memória ter onde apoiar os cotovelos.

E para mantermos a doce ilusão de que os eventos da vida não são é ventos.

04 maio 2005

Me mande um e-mail

Passei horas tentando arrumar o espaço para comentários do meu blog.
A única coisa que consegui foi adicionar o acento no meu primeiro “i” – ali em cima, no título.
É brabo.



Artigo


Um dia ainda vou escrever um artigo.
Acho muito chiques essas palavras que terminam em igo.
Tem nada, não.

Um dia eu consigo.



Outra de criança


Yasmim (4 anos):

- Vó, sabia que a minha mãe tá com um bebê dentro da barriga?
- Sabia, sim, Yasmim. É o seu irmãozinho! Legal, né?
- É... Se ele chorar eu vou bater nele.

A vó, toda delicada, fez um discurso comovente. Que não podia bater no irmãozinho, imagina, toda criança chora. Quando você era pequena, também chorava, e ninguém bateu em você por causa disso. A criança chora não é por querer, não. É porque está com fome, ou porque está com cólica, coitadinha... não é, Yasmim?

- É... mas se ele chorar eu vou bater nele.



Que filme você é?


Você já fez este teste?

Deu pra mim: Você é "Imensidão Azul" de Luc Besson. Você é sonhador, único. Muito sublime e encantador(a).

Ao que acrescento, com uma ponta de excitação: Uau! Isso que ainda nem “me” assisti!
Hoho.

03 maio 2005

Bons dias


Ainda friozinho no Rio. Benzadeus. Levantei da cama e fui direto ao armário pegar algo para vestir. No que eu olho aquela pilha de roupas - a minoria em uso, a maioria em coma absoluto há meses (anos, talvez!) -, começo a tirar tudo prateleira abaixo. Chega de roupa doente. Vincos de dobras feitas há séculos. Pretos desbotados, brancos encardidos, beges deprimidos, amarelos anêmicos. Mangas sem pulso, golas asfixiadas. No pasaran!

Lenços guardados choram sozinhos.

***

Confessando bem
todo mundo faz pecado
logo assim que a missa termina.
(Chico)

***

Sonho


Eu entrava num táxi, o motorista me dizia:

- Desculpe, senhora, mas eu não trabalho assim.
- Assim como?
- Levando as pessoas aos lugares.
- Não? E o que é que você faz dirigindo um táxi, então?
- Eu só comprei o carro, não tenho culpa se ele veio pintado assim.
- Ah, tem sim! Pensei que era um táxi, acenei e você parou!
- Parei para explicar à senhora. A senhora entrou porque quis.
- Entrei porque preciso ir para casa! E estou cheia de sacolas! Agora você vai me levar.
- Não posso, senhora. Tenho um compromisso.
- Onde fica o seu compromisso?
- No Recreio, senhora. (O engraçado é que ele falava como motorista de táxi, tinha cara e jeito de motorista de táxi, e se vestia como motorista de táxi.)
- Mas é lá que eu moro também! Você pode me levar, então.

Como ele percebeu que eu – como diria o presidente – não ia tirar o meu traseiro do carro dele, resolveu me levar. Chegamos na minha casa, eu pedi que ele encostasse. No que estou procurando dinheiro na bolsa, bate no vidro dele um cara muito mal encarado. Ele faz que vai abrir o vidro, eu grito:

- Não!! Não abre, que é ladrão!! Arranca o carro, rápido! Sai daqui!!!

Ele arranca. Eu peço que dê umas voltinhas antes de retornar à minha casa – vai que o ladrão ainda está lá esperando...

Ele começa a dar umas voltas. Estaciona em frente a uma casa que não conheço. Me convida para descer. Desço.

- Onde é que nós estamos? – Pergunto.
- Na casa de uma amiga minha.

Entramos. Tem uma festa, ele começa a cumprimentar todo mundo. Fico morrendo de vergonha, não conheço ninguém. Era o tal compromisso que ele tinha.

Olho num canto, tem alguns homens ao redor de uma churrasqueira. Fico indignada.

- Vem cá, isso aqui é um churrasco?
- É, sim senhora – ele responde, tranqüilo.
- Mas eu não como carne!!!
E ele, vingativo:

- Não tem problema, senhora. EU TAMBÉM NÃO SOU MOTORISTA DE TÁXI!!!!!!

30 abril 2005

Quando a gente pensa que já viu de tudo...


Olha essa. Deu hoje no Globo:

Com o objetivo de chamar a atenção da sociedade para os “preconceitos nossos de cada dia”, a Secretaria especial dos Direitos Humanos elaborou e está distribuindo a cartilha “Politicamente correto”. A publicação reúne 96 palavras, expressões e piadas consideradas pejorativas e que revelam discriminações contra pessoas ou grupos sociais, como negros, mulheres, homossexuais, religiosos, pessoas portadoras de deficiência e prostitutas.

E por aí vai. Mais adiante, a matéria apresenta uma série de expressões “condenadas” pela tal cartilha. Selecionei algumas, e ia comentar cada uma delas, mas acho que as “explicações” falam por si próprias. Veja:


A COISA FICOU PRETA: forte conotação racista contra os negros, pois associa o preto a uma situação ruim.

BAITOLA: utilizada para depreciar os homossexuais, assim como bicha e boiola. Sugeridos como corretos: gay e entendido (a).

FARINHA DO MESMO SACO: junto com expressões como todo político é ladrão, todo jornalista é mentiroso, os muçulmanos são terroristas, ilustra a falsidade e leviandade das generalizações apressadas, base de todos os preconceitos. O fato de haver políticos corruptos, jornalistas imprecisos e muçulmanos extremistas não significa que a totalidade desses segmentos mereça aquelas respectivas acusações.

GILETE: o termo adequado é bissexual.

NEGRO: a maioria dos militantes do movimento negro prefere este termo a preto. Mas em certas situações as duas expressões podem ser ofensivas. Em outras, podem denotar carinho nos diminutivos neguinho ou minha preta.

PALHAÇO: o profissional que vive de fazer as pessoas rirem pode se ofender quando alguém chama de palhaço uma terceira pessoa a quem se atribui pouca seriedade.

SAPATÃO: usada para discriminar lésbicas,mulheres homossexuais. Entendidas e lésbicas são termos mais adequados.

VEADO: uma das referências mais comuns e preconceituosas aos homossexuais masculinos. Expressões adequadas são gay, entendido e homossexual.

Clique aqui para ler a matéria na íntegra.
Sábado bom


Sábado amanheceu com chuva e árvores dançando aqui em frente.

“Venta / ali se vê / aonde o arvoredo inventa um ballet”
(Nei Lisboa)


Americanas.sem


Meu irmão fez uma compra pela Americanas.com, que não chegou dentro do prazo prometido. Mandou e-mail cobrando. Ninguém respondeu. Mandou outro. E nada.

Ligou para a central de atendimento (você é quem paga a ligação). Hoooooras e horas para ser atendido.

- Eu queria saber do meu pedido, número tal.
- Um momentinho que eu estarei verificando, senhor...
Um momentão se passou.
- Realmente, senhor, consta aqui que a sua compra não chegou.
- Sim, isso eu sei. Queria saber onde foi parar, então.
- Consta aqui que o produto estará voltando à loja, senhor.
- Voltando? Mas por quê??
- Não tenho essa informação, senhor, desculpe...
- Tá bom. E eu vou receber quando, afinal?
- Depois que o produto retornar à loja, teremos um prazo de seis dias úteis para a nova entrega.
- E quando é que chega na loja?
- Não temos essa informação.
- Sei. Então eu quero cancelar o pedido.
- O pedido só poderá ser cancelado depois que o produto chegar à loja, senhor.

Aí ele armou uma quizumba, e a moça “abriu uma exceção”: cancelou o pedido na hora mesmo.

29 abril 2005

Lembrete


O computador vive emoldurado por dezenas de post-it - que eu grudo, compulsivamente, para me lembrar dos compromissos. Até para tomar comprimido tem post-it. Acabou o sabão em pó. Post-it. Médico. Post-it. Filme que vai estrear no cinema. Post-it. Assunto para coluna na revista. Post-it. E eles estavam acabando.

Cheguei em casa, toda animada.

- Olha! Comprei mais um moooonte de post-it!

Meu irmão, balde-d’água:

- Bah, Bíbi. Abre essa mão e compra logo um Palm.

Homem, para gostar dessas engenhocas, nunca vi. Graça nenhuma. Se o post-it é tão mais coloridinho...

***

Não sei se vocês já perceberam, mas eu estou postando pra caramba durante a semana. É para distrair vocês - já que, como têm notado, nos fins de semana é mais raro eu escrever aqui. Tem fundamento. Este blog está se profissionalizando. Passo a passo.

Primeiro passo: a folga.
Hoho.

***

Faço frete


Sem entrega
dá mais barato
- ponderou.

Montou-se
Instalou-se
Ligou-se
Divertiu-se
Brigou-se
Desculpou-se
Voltou-se
Amou-se.

Entregou-se, enfim.

Deu foi um barato
maior ainda.
Papo no salão


Mãe da Gabriela (7 anos) contando:

- A Gabi inventa cada uma! Outro dia, voltávamos de Angra quando ela anunciou: “Mãe, temos que correr!” Tinha festa de um amiguinho, no play, dali a uma hora.

Chegamos em casa, ela numa euforia só. Tomou banho, enfeitou-se toda e saiu, mandando beijinhos no ar.

Lá pelas tantas, voltou, com uma sacolinha cheia de doces. Chapeuzinho, língua-de-sogra etc.

Dia seguinte, chega em casa o Vítor, irmão mais velho, contando: corria no prédio o boato de que a Gabi tinha sido expulsa da festa no play.

“Que história é essa, minha filha??”

“Mentira, mãe! Tudo mentira. Eu não fui expulsa, nada. A tia lá (mãe do aniversariante) uma hora olhou pra mim e disse que não me conhecia, o que é que eu tava fazendo lá, e tal. Eu falei a verdade. Quem me convidou foi o filho dela!!”

Detalhe crucial: o garoto fazia um ano.

“Gabriela!! Você entrou de penetra na festa, que coisa mais feia!! Que vergonha, minha filha, ser expulsa...”

“Já disse que não fui expulsa, mãe! A mulher só pediu para eu me retirar. Só que eu ainda tava com fome, daí enchi uma sacola com os docinhos e vim embora, foi isso. A festa tava meio chata, mesmo. Uma pirralhada, não tinha ninguém da minha idade. Mas o brigadeiro tava show...”

***

As outras mulheres no salão ficaram indignadas com a tal mãe do aniversariante, que coisa feia fazer isso com uma menina de sete anos, tadinha! Aí a mãe da Gabriela contou outra.

***

Um dia, fui levar a Gabi para brincar na piscina do prédio. Cheguei lá, e, como de costume, esparramei os brinquedos dela pela água. Foram chegando outras crianças, outros brinquedos – é sempre assim, acaba todo mundo partilhando, mistura tudo, depois cada um cata os seus e vai embora, né?

Pois bem. A Gabi, lá pelas tantas, brincava com a boneca de outra menina. Foi quando a mãe dessa menina chegou para mim e disse, com o maior jeito de antipática:

- Você poderia pedir à sua filha que devolvesse a boneca da MINHA filha, por favor?

Não tive dúvida.

- Pois não. Gabi, querida, devolve a boneca da sua amiguinha.
- Ah, mãe, mas ela me emprestou... (realmente, a amiguinha não estava nem aí para a boneca).
- Eu sei, filhinha, que ela te emprestou. Mas a mãe dela é sem educação, e não quer que você brinque com a boneca dela.

Falei bem alto, todo mundo viu. A mulher ficou a-zul.

28 abril 2005

D’eu no Globo


Meu sonho era o meu blog sair numa coluna de algum caderno de informática. Tenho alguns amigos blogueiros que já saíram. Chiquérrimo. A gente se sente meio assim, sabe como é, ego-ponto-com.

Pois o Gravatá, do caderno de Informática do Globo, deu-me esta honra no dia 18/04.

E a indicação ainda foi parar no blog dele. Confira o texto:


Bibi que barbaridá

Quando se fala em movimento messiânico no Brasil, logo nos lembramos de Canudos e Contestado. Pouca gente se lembra dos Mucker, dizimados pelas tropas de San Tiago Dantas no século 19 em São Leopoldo, Rio Grande do Sul. Pois foi lá que nasceu Bibi Da Pieve, a cronista-revelação da revista “Época” que hoje divide o tempo entre a pena, o teclado e sua banda de rock (é baixista e vocalista). Apesar de ser da terra de macho e da brava líder messiânica Jacobina Maurer, Bibi não agüenta mais receber propostas para aumentar o pênis. “E o trabalho que vai dar para erguer esse monstro do prazer? Haja comprimido-guindaste!” protesta a bem-humorada escritora. Clique aqui para acessar o site de Bibi.
Corja de incompetentes

Comprei a calça jeans. Não foi barata. Usei poucas vezes. Começou a descosturar o bolso, do nada. E o cós também. Eu bufo, tu bufas, ele bufa, nós bufamos.

Bufando, fui ao lugar onde eles supostamente concertam roupas. Mostrei – aqui e ali, assim e assado -, expliquei o ocorrido, com a maior calma. Dá para arrumar isso? Sim, dava. Que eu fosse buscar dali a três dias. Combinado. E pago, inclusive.

Volto lá hoje, a moça demora a achar, mas acha. E a calça vem parar nas minhas mãos. Um pedaço do cós está arrumado. O bolso, do mesmo jeito. Ali adiante, ainda no cós, um trecho permanece descosturado. Eu bufo, tu bufas...

- Olha só... (inspiro)... aqui ficou um pedaço aberto, aqui ficou outro... (expiro)...

A moça olha bem para a minha cara, com jeito de quem pensa: “Ô, perua nojenta! Nunca está satisfeita, não??”. E vai lá para os fundos, consultar a costureira-com-cara-de-jabuti-lesado. Costureira olha por cima dos óculos, com desdém. Examina a calça. Mexe, remexe, faz um biquinho de insatisfação.

A moça volta e me diz:

- Ela disse que só tinha visto aquela parte... tem como cê buscar amanhã??

Eu sei. Eu sei que devia ter acertado a sombrinha no meio da testa da costureira, criando assim o primeiro jabuti unicorne da Terra – ia dar no Globo Repórter e tudo, eu sei, perdi essa.

Mas meu dia foi difícil. Fui dormir lá pelas tantas da madrugada, e me acordei às 8h da matina com um megafone estourando meus tímpanos - o sujeito anunciando/ameaçando que ia ter feira, de hoje em diante ia ter feira, legumes e verduras pelo melhor preço... e os fiadasputa vão escolher logo a praça em frente à minha janela para fazer isso! Tá bem.

Aí a minha disposição não vai até as 3h da tarde, sobretudo para golpes mais bruscos, como o da sombrinha na testa do jabuti. Ocorre que resolvi aceitar, volto lá amanhã, ou depois, ou qualquer dia desses, e pego a maldita calça que nem sei se eu quero mais.

- Mas só depois das 20h, tá?

Dá vontade de morrer... Só para voltar à meia-noite e puxar o pé dela, eu digo.
O Papa é pop

E o pop não poupa ninguém. Essa eu não vou perder. Meu irmão, outro dia:

- Tô com medo desse novo Papa...
- Por quê?
- Mó cara de Hannibal!

Desculpe a malcriação católica. Mas, bah, tem a ver...

27 abril 2005

Pegadinha virtual


Recebi hoje a mensagem abaixo, e logo fiquei desconfiada:

Esta é uma mensagem automática. Não responda!
Olá, Você está recebendo um cartão virtual VOXCARD remetido por:

Otavio - otaviol@hotmail.com.br

clique aqui para ver seu cartão

Caso não consiga visualizá-lo, digite o código 93E76B4YF68A3RF326GT392876DF62 no campo existente em nossa página principal.

Este cartão ficará disponível por 3 dias.



Ã-hãm, sei. Primeiro, que não conheço nenhum Otavio. Assim, sem acento, pior ainda. Desconfio muito de Otavios sem acento.

Como o site VOXCARDS (de cartões virtuais) realmente existe, resolvi ir direto à home page deles, em vez de clicar nos caminhos sugeridos pelo e-mail que eu recebi. Cheguei lá, coloquei o (suposto) código no campo existente para “ler cartão”. Não deu outra.

“Esse cartão não foi enviado pelo Voxcards, foi um spam direcionando para outro site.
Já estamos tomando as devidas providências contra o remetente desse cartão.
Pedimos desculpas pelo transtorno (...)”

Esse povo desocupado inventa de tudo.

Você aí, portanto, desconfie dos Otavios sem acento. E dos com acento também (nunca se sabe)...

***


Frente fria


A frente fria demorou, mas chegou ao Rio. Ontem à noite, saímos do teatro e chovia de verdade.

Não penso que seja inadequado isso de os cariocas odiarem chuva, porque a cidade realmente não combina com tempo feio – embora eu ache que a cor do mar, e até as praias, fiquem muito mais bonitas quando está nublado. Mas isso só eu acho... ou quase só.

Enfim, eu gosto do Rio com “frio” (entre aspas, vamos combinar que 18 graus não é frio).

Jantamos. Na saída do restaurante, o manobrista buscou o carro e embicou na calçada, só faltou entrar pela porta do restaurante para que não nos molhássemos. E ainda explicou:

“Senão, pisa na água!”

Taí, vai bem uma gentileza exagerada. Vez em quando, né?

***

Arma


No centro da cidade, de dentro do táxi (parado no engarrafamento, claro), vimos a cena. 3:30 da tarde. Um PM apontava o cano para um homem, suposto ladrão flagrado, e gritava. Até onde vi, não encontrou nada.

Mas eu tenho um pânico danado de arma. Vontade de sumir quando vejo um negócio desses de perto.

***

Blog maluco


Não sei o que há com este blog – sumiram os espaços para comentários. Espero que se arrume sozinho, porque eu não sei arrumar. Blargh, blog!

26 abril 2005

Auto-ajuda: Teoria 3D

Um dia eu vou escrever um livro de auto-ajuda, já disse. Estou criando uma tese para quem quer mudar de vida, dar a volta por cima, sacudir a poeira – e outras pieguices brônquio-fatais. Vocês sabem.

Trata-se da Teoria 3D. A saber:

D-1: Desejo.
D-2: Determinação.
D-3: Disciplina.

Sem esses três pilares, nada feito. Vou explicar, até porque não sei desenhar.

Desejo é quando você aprecia tanto alguma coisa, que instantaneamente se imagina a possuindo. Não, não vale sacanagem, estou falando sério. É quando você, ao vislumbrar uma situação, agarra-se à idéia de vivenciá-la – como diria meu tio – tal qual merda em tamanco. Não desgruda da sua cabeça. Pronto, você deseja.

Determinação é quando você se convence do desejo que tem. Aí está. Não adianta desejar uma coisa agora, amanhã outra, depois esquecer tudo. Esse desejo é desprovido de determinação, ou seja, vai dar em nada. É pura fantasia – e a gente vive disso também, eu sei, eu sei, mas é material para um segundo livro, e não me desconcentraaaaaa!!

Como se vê, estou determinada.

Terceiro e último. Disciplina. Uma vez desejada a coisa, e outra vez desejada a mesma coisa, e outra vez desejada a mesma coisa – ou seja, uma vez determinado o desejo, é hora de ter disciplina. Isso, diacho, é uma praga necessária.

Toda vez que eu penso nessa palavra – disciplina –, minha memória enfadonha vai parar numa sala de aula de mil novecentos e sei lá quantos, com uma professora de educação artística, feia como um raio e chata com um trovão engasgado, a rugir entredentes (não sei como ela conseguia):

- DISCIPLINAAAAAAAAAAA, TURMA!!!!!!!

Aquilo marcou a minha vida. Disciplina era sobrenome de bruxa, ou apelido do cão que aquela senhora acolhia, carinhosamente, no ventre.

Mas hoje eu sei que não é nada disso. É bem pior.

Brincadeirinha. Good news: disciplina é um monstro que se adestra.

No início, o bicho corcoveia e te olha feio. É assim mesmo, não adianta. Mas a origem está num ato de amor: o Sr. Desejo comeu a Srta. Determinação (ops!, perdão da sacanagem), e da barriga dela saiu uma gosma que vai te perturbar a vida. Ou você encara e amansa a fera (com disciplina), ou vai sair dessa frustrado e mal pago.

Eu sei que “ou vai sair dessa frustrado e mal pago” não é frase adequada para se terminar um tratado de auto-ajuda, e que eu deveria procurar imagens mais inspiradoras e coloridas, como purpurinas ao vento - ou outras pieguices brônquio-fatais. Mas penso que a ameaça da frustração pode ser positiva, sim, sobretudo se vier acompanhada de infortúnio financeiro.

A minha intenção, juro, é incentivar o leitor a largar a preguiça de mão e tomar para si a responsabilidade de domar os bichos que o desejo vai parindo pela vida afora.

A menos, é claro, que ache mais confortável terminar os dias choramingando e apelando para o quarto “D”, que não consta na minha teoria, mas se sabe que é o melhor ouvinte para as ladainhas dos acomodados de plantão.

Deus.

21 abril 2005

Uma chorumela


Vem cá, por acaso vocês recomendam este blog por aí?

Bem que podiam começar a recomendar, né? Puxa, eu podia estar roubando, podia estar matando, mas não: estou aqui, escrevendo honestamente (mais ou menos)... pensa bem, pensa bem!


Outra chorumela


A TV está uma porcaria. Não há nada de interessante para ser visto. E as notícias não animam.

Ah, deu no rádio: subiu o cacetinho.

Calma, nem te acende. A gaúcha aqui chama pão francês de cacetinho. E o que subiu foi o preço dele.

Êêê, mente suja...

20 abril 2005

Enquanto ele lia o jornal eu espiei, de soslaio, e vi alguma coisa sobre o conclave. Na hora:

- É hoje a reeleição do Papa, né?

Dá um desconto, please, eu recém tinha acordado...

***

Pensando bem, reeleição do papa não está de todo errado. Imagina. O papa é uma entidade católica, não é? Quem morreu foi o jota pê. Agora entra aquele alemão, que segue sendo - o quê? - papa. Logo, houve nova eleição do papa. Eleição de novo. Do papa. O prefixo “re” significa... senão, vejamos...

(Fiéis em coro: Cala a boooooca, Bíbi!!!)

Amém, pronto.