02 dezembro 2001

testando as fotos:
guggenheim de nova iorque:
Com todo respeito à cutícula


Bíbi Da Pieve


Sabe a cutícula? Eu fico pensando.

Depois dizem que eu penso demais, mas a cutícula da gente é coisa de se
pensar, não é? O nome já diz: cu-tí-cu-la. Veja bem!

Toda proparoxítona tem um quezinho de não-me-toque: prótese. Apêndice.
Mesóclise. Átila (nome próprio, então, chega a ser metido a besta, mesmo).

Úrsula Ávila. Já imaginou o tamanho da perua? E a cutícula dela, então?

Eu acho uma falta de respeito, fora de brincadeira, a pessoa querer mexer
na cutícula alheia. Cutícula é coisa muito pessoal. Não bastasse, ainda
inventaram uma ferramenta de nome insultante: alicate de cutícula. Absurdo.

Alicate, no meu tempo, era para cortar arame, fazer cerca. Vê lá se a mão
do rapaz que lidava com o alicate iria ter tempo de criar intimidades com
cutículas e demais proparoxítonas pedantes?

A cutícula é algo só da gente; não tem de haver uma segunda opinião. As
pessoas estão se perdendo um pouco nos termos, e até nas vias de fato. Não
se pode nem querer privacidade entre a própria unha e a carne, que o
sujeito já é considerado grosso, anti-social.

Onde raios está escrito que eu devo permitir que me cutuquem a cutícula
com um alicate que eu nunca vi mais gordo? Para seu governo, o último
alicate que me invadiu os dedos arrancou sangue, e não estou de brincadeira.

Assim é que a situação vai degringolando. O povo vai permitindo. Depois do
alicate de cutícula, aparece um martelo de sobrancelha, como quem não quer
nada. Quando vê, pregam a sua língua no céu da boca, e não adianta nem
abrir o berreiro - que é tétano na certa.

No afã de evitar uma corrosão generalizada é que eu imploro: cuidem muito
bem das suas cutículas, e tirem o olho da proparoxítona do vizinho.

Úrsula Ávila, por exemplo, se não fosse para ser tão pomposa, teria
nascido Berê, Cacá, ou outra oxítona qualquer. Cutícula, da mesma forma -
se não fosse coisa séria, teria vindo ao mundo com outro nome. Talvez cocô.

No mais, cada qual que se entenda com suas próprias tônicas, acentuando o
que achar que deve, e se identificando com a sílaba que lhe sorrir mais
simpática.

De minha parte - com todo respeito às cutículas dos dedos e às Úrsulas da
vida -, sou muito mais o bom e acessível cocô da Berê.

Eu estava me referindo a www.renatoborghetti.com.br
Ainda não estou me entendendo suficientemente com esta máquina...
É uma sacanagem, mas vá lá:
Tudo muito bonito, mas é a terceira vez que eu me levanto da cadeira num pulo, empolgada, e não consigo sequer concluir o giro da prenda. Fala sério, a introdução da página é bem intencionada, mas passa muito rápido, pô!!!
Quem é o webmaster do gadelhudo?
...
Mas visitem, visitem.
Este é um Blog de varaliedades não vestíveis.
Varaliedades são variedades penduráveis no varal (vide figura acima).
O que difere varaliedade de roupa molhada é que a roupa, quando seca, é vestível.
Varaliedade, não. Quando seca, é feito folha de árvore: cai.
Penduro aqui todas as varaliedades que julgo blogáveis, dizíveis, tragáveis (ou nem tanto assim).
Uma vez que cai no chão, tudo é confundido com esterco mesmo - o que muito me agrada, porque é sinal de renovação. Na natureza, tudo se transforma.
Minhas varaliedades não vestíveis são, como toda cousa deste mundo, totalmente merdáveis.
E viva as leis da natureza, meu rei.