23 fevereiro 2006

Comédia – “Se eu fosse você”


É puro entretenimento. Tony Ramos e Glória Pires - que já não precisam provar coisa alguma a ninguém - dão show de atuação, ritmo, carisma. São donos do filme.

É de dobrar de rir. Eu, que adoro um cinema despretensioso e divertido-sem-compromisso, recomendo. Muito!

22 fevereiro 2006

Transgênico Vox

Se eu pudesse, separava só a Bona Voz do Bono Vox, mais um punhado de músicas que eles compuseram nos anos 80, e plantava de novo noutro vocalista, outra banda, sei lá. Porque esse sujeito que veio almoçar com o Lula e posar de estrela afetada no Morumbi, francamente. Blargh.


No táxi, em Salvador

- Aqui, doutor, passava o trio elétrico às 7h da manhã...
- Caramba! E tem gente para correr atrás do trio às 7h da matina???
- Ô, doutor, que pergunta! Pergunte se tem alguém para trabalhar... para lhe prestar um socorro na hora em que o senhor precisar... pergunte! Pergunte!!

Hoho, maldade...


No restaurante

- Garçom, por favor, de que é feito este bolinho?
- É... é doce. Coma, que é bom.

E era mesmo.

21 fevereiro 2006

E eu, que ainda não conhecia Salvador?


Sabem do que eu mais gostei? Salvador sorri com covinhas!

Explico: a orla da cidade é alegre como um riso – escancarado, solto, sensual, maroto, molhado e quente. Tudo é exposto; sujeitos, verbos e predicados dançam ao som de algum batuque que não se sabe direito identificar de onde vem, se é que vem mesmo. Mas o certo é que Salvador é estéreo, porque a gente ouve muito e o tempo todo.

Aí você parte para as ladeiras, onde a história se guarda nas construções, nos becos coloridos, nos furinhos das rendas, no silêncio das preces... enfim, nas doces sombras das covinhas de uma cidade que sorri suas carnes salgadas, suas curvas ousadas, sua alegria que embasbaca, deslumbra, comove, desconcerta, e até assusta um pouco, mas – sobretudo! – estimula a gente a sorrir também.

:o)

17 fevereiro 2006

Vista

Aqui na minha frente, em ordem de proximidade:

1. Parede de vidro
2. Homem lendo à beira da piscina
3. Avenida Beira-Mar
4. Coqueiros, coqueiros
5. O mar de Aracaju

Agora, as minhas conhecidas pílulas anti-inveja:

1. Aqui faz um calor DO CÃO. Às 7h da manhã, o termômetro marcava massacrantes 37 graus. Creia-me.
2. Nosso quarto fica praticamente à beira da piscina. Pois, ontem à noite, teve "festa" na piscina. Um sujeito empunhava uma guitarra desafinada e cantava "pois diga que irá, Irajá, Irajá" a noite toda. IRA: JÁ!!!
3. Não dormi quase nada. Se aparecer num jornal de Sergipe que um fantasma de longos cabelos, olheiras profundas e sotaque gaúcho rondava a cidade, já sabem.

Céus, vou ali beber uma coca light e já volto. Daqui a duas horas, vamos para Salvador. Na volta eu conto. Se não me derreter no meio do caminho, claro.

15 fevereiro 2006

Ficava imaginando


O táxi pára no sinal, escuto um “toc!” no capô. Motorista me olha pelo retrovisor:

- É frutinha.
- Hein?
- Frutinha. Cai sempre dessa árvore.
- Ahm...
- Todo santo dia. Impressionante.
- Sei.
- Fico imaginando se fosse uma jaca!
- Ô!
- A senhora não sabe. Na minha rua, quase em frente à minha casa, um inteligente plantou uma jaqueira.
- Que idéia!
- Pois é. O inteligente é assim, a senhora deve conhecer algum. Só tem idéia boa.
- Alguns...
- Então. Passa uma pessoa ali, já pensou se cai uma jaca na cabeça?
- Bah!
- Pior: fico imaginando se é com uma criança! Mata a coitadinha!!

Tudo que acontecia (ou que poderia acontecer) ele ficava imaginando pior, muito pior. Se era uma frutinha, imaginava jaca. Se era jaca, imaginava criança. Não me agüentei, disse:

- Mas a jaca nem caiu, e você já está imaginando uma criança morta!
- Não é isso, dona, é que pode acontecer...
- Tudo pode acontecer. Mas também pode não acontecer.
- Sim, mas já imaginou se acontece?
- Não! E nem quero imaginar!
- A senhora acha que chama??
- Sei lá se chama. Só acho que imaginar assim parece que a gente quer que aconteça.
- Não diz isso, moça! Eu sou de Jesus!!!

"Ainda bem! Já imaginou se fosse do diabo???"

Quase falei. Mas não disse mais nada, não. Fiquei com um medo danado da jaca...

13 fevereiro 2006

Feliz Ano Eleitoral


Graças a Deus, é ano eleitoral. Não sei se você também notou, mas o país não parou – como de praxe – entre o Natal e o carnaval. Seguimos direto.

As praças estão floridas, as ruas estão quase limpas, o trânsito está fluindo. A não ser quando chove, claro (também, já seria pedir demais!). De minha parte, entrei no clima. Estou, como se diz, correndo atrás do prejuízo. Mas não fica muito bem falar em prejuízo nesses tempos de campanha (ops!) – então, abafa aí.

E vamos ao que interessa, que o resto é mera perseguição da imprensa. Me prometo crescimento econômico, melhoria na habitação, mais recursos para educação e cultura. Vou baixar umas medidas, aprovar uns orçamentos, liberar verbas.

Vou reduzir os juros; mas, primeiro, vou aumentar as juras.

Todo mundo vai ver como eu sei jurar bonito e eterno. Juro, não nego, pago quando puder. Jurar não é de graça? Então, dá licença. Não estou roubando, não estou matando. Estou só jurando, me deixa aqui no meu cantinho.

Juro que esse ano enriqueço, juro que me compro um carrão zero, juro que me meto num daqueles tubos de estética e só saio de lá com o corpão da Ivete Sangalo. Juro que leio os clássicos duas vezes, juro que viajo meio mundo, aprendo cinco línguas, escrevo para dez jornais, publico três livros, lanço um disco só de sucessos, faço uma turnê pelo país de modo a não saber mais, de manhã cedo, em que lado da cama está o abajur.

Aliás, melhor jurando: juro não me acordar – e não me acordarem - de manhã cedo!

Juro de morte minha preguiça, minhas desculpas esfarrapadas para não aparar antigas arestas – que, de velhas, já se arredondam e me confundem o tato para detectá-las. Juro de vida minha astúcia, minha persistência, minha coragem.

Juro, na maior cara-de-pau, e juro mesmo; é ano eleitoral. É bom para brincar de Mulher Maravilha, faz um bem danado para o ego. Jurar em público é divertidíssimo!

Se eu fosse você, aproveitava e jurava também. Na pior das hipóteses, o material servirá à oposição no futuro.

Que belo exercício da democracia!!!

10 fevereiro 2006

1986 – o ano em que eu não conseguia ler Zoológico


Andávamos pela rua, quando minha mãe avistou uma placa enorme: “ZOOLÓGICO”. Resolveu brincar comigo:

- Filha, o que é que diz naquela placa?
- Que placa?
- Aquela, lá na frente!
- Ah... não sei.
- Claro que sabe! O que é que está escrito lá, minha filha, bem grande? ZOO...???
- Não sei. Não tenho a menor idéia. Não enxergo!

Levou-me ao oculista (naquela época, não se dizia oftalmo). Eu lia muito bem, mas não era capaz de enxergar “zoológico” a uma distância banal.

Então, conheci dois bichos novos: hipermetropia e astigmatismo. Duas palavras que eu nunca tinha lido antes, e que me pareciam horríveis. Tem cura?

- Uma delas tem. E a outra pode diminuir muito. É só usar os óculos direitinho.
- Precisa usar na aula?
- Claro!
- Até na educação física???
- Hum... não, na educação física pode tirar.

Escolhi a armação das vidraças – na base do “menos feio”, porque bonito não achava nada -, e passei a torcer para chegar logo a aula de educação física. Até entrei para o time de basquete do colégio. Jogava mal, é verdade. Será que era porque não enxergava a cestinha?

Não importa. Mesmo no banco, não precisava usar óculos. Mais do que as cestas, isso era o que me fazia feliz.

No resto das aulas, e fora delas, usei os óculos direitinho. Suportei os apelidos (desnecessário citá-los), a piedade das professoras, os primeiros namoros postergados. Ah, tirei o atraso na adolescência!

Apelidei todo mundo, quero dizer.


20 anos depois - a confissão

Livrei-me do primeiro bicho. Agora só tenho astigmatismo, mas aponto zoológicos a quilômetros (uau!), toda orgulhosa. Trato-me com o mesmo oculista, que hoje é oftalmologista e exibe as revistas com as minhas crônicas por aí: “Tá vendo? É minha paciente há 20 anos! Enxerga tudo!!”.

“NE”
“UFVP”
“CDOHRL”

Antes de fazer 30 anos, preciso confessar, senão morro de culpa: já decorei as letrinhas dele!!!

08 fevereiro 2006

Só agora

Só agora eu voltei. Estive saracoteando por aí; minha vida deu uma gostosa bagunçada, estou aprendendo a dançar conforme a (boa, sempre boa) música.

(Nada a ver com carnaval, tá?)

Veio gente ótima para perto – enfim, seguiram-me os bons! -, estou animada com as novas parcerias.


Só agora - II

Cá entre nós, parece que o nosso presidente bebeu Red Bull e ganhou, só agora, um par de asas. Virou arroz de festa. Só dá ele - inaugurando, assinando, determinando, tapando os buracos que não tapou antes...

Hoje, no JN, enquanto anunciava o novo pacote bilionário de medidas para a construção civil, Lula disse que não podia ter feito antes porque as coisas no governo “ainda não estavam arrumadas”.

E agora... estão!?