17 novembro 2006

Dura caminhada

Fui caminhar na praia de manhã; saí às 9:20 pensando: “oba, com o horário de verão é sol de 8:20, não há de ser tão quente...”.

Gaúcha branquela, sagitariana (leia-se: otimista crônica), grávida (leia-se: acalorada), empapada de protetor solar fator 50, blusinha que já não cobre a parte de baixo da barriga – vocês imaginam a cena. Andei três minutos e comecei a praguejar, horário de verão o #!@¨#!*&!, ôôô calor dos infernos, onde é que vamos parar???

Mas fui, porque tenho compromisso no final da tarde (único horário realmente suportável). Liguei meu novo MP3 player, concentrei-me no ritmo da música e fui. Coragem.

Funcionou nem dois minutos, parou o som. Essas coisas novas a gente tem que carregar antes de usar, né? Pois eu achei que bastava carregar na cintura, é o que dá ter nascido muito tempo atrás. Segui no silêncio mesmo, frustrada. E o sol na cuca.

Passei diante de uma obra. Aqui no bairro há muitas obras, não há como evitá-las. Honestos trabalhadores martelavam seus tijolos, concentrados, até que me viram e pararam. De repente, começaram a entoar um funk obsceno cujos termos reconheço 30% - porque, vocês sabem, na internet a gente acaba lendo de um tudo. Os outros 70%, valha-me Deus, quero crer que não faziam referência a mim.

Não se respeita nem mais mulher com criança na barriga? – fiquei com vontade de indagar, aos berros, mas achei mais prudente apertar o passo e garantir que a serenata permanecesse fixa naquela cobertura inacabada.

O sol cada vez mais escaldante, eu cada vez mais esbaforida, as obras, o funk, o reflexo do mar estourando nos meus olhos, minha barriga chacoalhando meio desajeitada - apesar de tudo, acabei praticando o tempo necessário para não me tornar uma sedentária e alegrar os médicos.

Na volta, que surpresa, de longe enxerguei minha mãe correndo de bonezinho. Pensei, interrompo ou não interrompo o cooper dela?, interrompo ou não interrompo?, o certo seria não interromper, mas estou tão carente, o sol na moleira, e grávida pode tudo, não pode?

Satisfeita e mimada, decidi interromper e puxar uma conversa. Fiz um estardalhaço, acenei cruzando os dois braços no alto, dei uns pulinhos e sorri. Ela deu uma gargalhada, e só.

Bom, não era a minha mãe.

16 novembro 2006

Ainda bem

Daqui a uma semana (sexta) eu faço 29 anos. Você olha o número 29 e sente que ele pende para o 30, não sente? Parece que o 9 é muito mais “pesado” que o 2, assim: 29.

Ontem ele mesmo confundiu a minha idade.

- Você vai fazer 30 anos!
- Vou, mas só no ano que vem.
- Ah, é, querida... Ainda são 29.

Ainda?

Ele diz ainda porque só quem viveu 29 anos comigo - assim tão de pertinho, sem férias, fim de semana ou feriado - fui eu mesma. Minha sincera expectativa é de que ele siga dizendo ainda, querida, ainda, querida e ainda e querida por mais 30 anos, e ainda confunda os meus noves e os meus zeros quando eu tiver vários trintas. Sinal de que as coisas vão muito bem, afinal – quem não sabe? –, o amor é mesmo ruim de cálculo.

(Calendário e balança agradecem).

15 novembro 2006

Sem culpa

Acabei ficando impossibilitada de ir à Expo Bebê e Gestante comprar o enxoval da minha filha. Motivos de saúde, vocês sabem como é. Minha sorte é que tenho anjos da guarda que fizeram tudo por mim, e está resolvida a parafernália. Aliás, muito bem resolvida!

Ensaiei sentir um pouco de culpa por não ter participado das compras, mas depois resolvi assim: deixa eu relaxar, vou ter muuuuito tempo pela frente para sentir o peso das culpas maternas. E soltei o ar.


Inconveniências

Divertidíssimo um tópico da comunidade de grávidas, no Orkut, onde as minhas colegas de barrigão reclamam das bobagens que são obrigadas a ouvir por aí. Tem cada coisa!

Uma moça reclama que ninguém JAMAIS está satisfeito com o tamanho da barriga dela. Quando era muito pequena, reclamavam que era muito pequena.

- Tem certeza que está grávida? Olha que pode ser mioma, hein?

!!!

Finalmente, a barriga começou a crescer. Quando ela pensou que iria agradar, ledo engano.

- Nooooossa! Tem certeza que é para fevereiro??? Sua barriga parece que vai explodir a qualquer momento!

E as piadinhas óbvias:

- He he he... Jura que é um só? Seu médico olhou direito? Pelo tamanho da sua barriga... he he he...

Muitas reclamam dos abusados – e abusadas - que, sem ter a menor intimidade com a futura mãe, vêm logo botando a mão na barriga. “É como se a minha barriga fosse pública!”, dizem.

Uma moça contou (essa é de doer) que foi a uma festa com o marido; lá pelas tantas, uma conhecida sapecou:

- Cadê o fulano, hein? Se eu fosse você cuidava bem do seu marido, onde será que ele está? A essa altura, minha filha, com você desse jeito, ele não deve mais agüentar ver barriga pela frente, e sempre tem um bando de magrinhas querendo dar em cima do homem das outras...

Pode???

---

Portanto, nem tenho podido reclamar. Comigo acontece, claro, mas até que é light. Há quem sempre goste de comentar um ou outro caso de aborto, uma tia que sofreu de um negócio raro assim e assado (coisas cabeludas), o parto da fulana – imagine que o médico era praticamente um a-çou-guei-ro! Freqüentemente, terminam as histórias com: “... mas, imagina, com você vai dar tudo certo!”.

Ah, bom! – Faço aquela sobrancelha de quem se alivia e agradece pela solidariedade, termino a lista de compras que vinha mentalmente fazendo enquanto a doida contava causos que não me interessam e vou à luta.

A propósito, ontem comentei que estava completando seis meses de gravidez e tive que ouvir, no ato:

- Ah, então te prepara, porque os últimos três é que são os PIORES!!!

Não diga, meu bem.

Detalhe: a autora do comentário jamais esteve grávida.

09 novembro 2006

Mais feira

Amanhã vamos à Expo Bebê e Gestante(última do ano), e dessa vez faremos compras de roupinhas de bebê baratas. Estou com a planilha de custos afiadíssima. Já sabemos que Lara é Lara mesmo, então que venham os babados e bordados cor-de-rosa, com bolinha ou sem bolinha, lacinho, pompom, fita, frufru, casinha de abelha, purpurina, lantejoula e gloss.


Ops, menos!

Nunca fui de peruagem, ora, eu que não invente de brincar de Barbie-over com a pobrezinha que ainda nem pode berrar para se defender. Neca. Minha filha vai ser chique, meu bem, mas chique do tipo básica, bom gosto evidente, adequada, ponderada, tudo no esquema. Fina, sabe como?

Claro, gostará de uma extravagância aqui e ali, que ninguém é de ferro. Um chapéu cor de abóbora, um pingente do tamanho de uma caneca, botas de onça ou zebra ou penas de galinha-d’angola – vez em quando, que mal tem?
...

E uma voz interna me arranca bruscamente do delírio, avisando:

“Vá fantasiando, mãezinha. Até que ela faça 13 anos e saia arrastando coturnos pelos seus tapetes, vá sonhando...”

08 novembro 2006

Cããããibra!

Hoje está um dia ótimo para não fazer absolutamente nada, mas eu acordei querendo fazer tudo, porque é uma data importante para mim (fiquem curiosos). Acabei não fazendo nada. Vamos ao estúpido motivo.

Acreditem, na segunda-feira de manhã tive uma cãibra ultra-mega-power-violentíssima, como eu nem sabia que existia. Na panturrilha direita. Depois que passou, ficou aquela coisa meio dolorida, como se eu tivesse feito musculação demais (não faço demais nem de menos; faço Pilates).

Pois bem, a tal dorzinha foi crescendo e crescendo, e hoje estou virada numa grávida manca. Dói toda a extensão da panturrilha até o dedão do pé. É só mexer que dói. Uuuui!

Agora eu estou aguardando o retorno da ligação do meu obstetra para saber o que devo fazer com esta perna ordinária. E de repouso. I hate repouso.

Cãibras aparecem entre os possíveis incômodos da gestação. Minha mãe conta que teve muitas – aliás, foi o principal inconveniente da gravidez para ela. Perguntinha: tinha que me incomodar justamente no meu dia importante??

Acho que meu texto hoje está sem graça, por isso vou parando por aqui. Não sei como vocês agüentam queixume de grávida. Beijos.

Atualização
O médico acaba de ligar. "É falta de potássio, comum na gestação. Coma banana e beba muita água-de-coco e suco de laranja".

07 novembro 2006

Barriga X Ego

Barrashopping. Mulher classuda, 40 e poucos anos, passa por nós com as duas filhas – entre 8 e 10 anos – abraçadas. Uma das meninas, discretíssima, comenta:

- Olha ali outra grávida, mãe!
- Aham.
- De quantos meses ela está?

Ouço-a responder, muito convicta, depois de breve reflexão:

- Um mês.

???

Minha barriga se sentiu ofendidíssima, diminuída e tal, mas eu até que gostei. Tudo bem que a mulher é sem noção, porque UM MÊS de gravidez não dá nem sombra de barriga! Mesmo assim, foi ótimo para a parte do meu ego que não está gestante.

Além do mais, como diz o Millôr, não se deve contrariar a oftalmologia alheia.

**

Tour

Não valho nada mesmo. Mal cheguei no Rio e já estou morrendo de vontade de passear de novo, mas já me prometi: nada de viagens até a Lara nascer. Muda muito a rotina. Come-se fora, faz-se pouco exercício, hooooras sentada (aeroportos, carros, longas esperas), a coluna reclama, o organismo bagunça todo, e já aprendi que gravidez requer muita disciplina. Como quase tudo nesta vida, aliás. Deus me sossegue aqui até fevereiro, portanto.

Depois que eu me recuperar do parto, ponho a Lara no bolso e - que venham as turnês! Do jeito que ela anda pulando dentro da minha barriga, disposição não há de faltar.

**

Preferencial

Foi a nossa primeira vez. Resolvemos ir ao cinema, escolhemos a sessão e começamos a andar em ziguezague pelas intermináveis cordinhas organizadoras daquela fila homérica. Distraídos, mas irritados, dialogávamos economicamente: cada um entrava com um travessão e uma bufada. Só.

Até que ele, de súbito (eu adoro quando o homem tem um ataque súbito, confesso), puxou-me pela mão e saiu(ímos) pulando cordinhas até o primeiro guichê. Aquele. O do atendimento preferencial.

- Pois não, qual o filme?

Furamos a fila, numa boa. E ninguém questionou minha conduta, nem esboçou protesto, nada, nenhum pio.

Resultado: a partir de agora, estou me sentindo uma poderosa portadora de credenciais abdominais. Rá, metam-se a besta!

01 novembro 2006

Quilos

Já estou naquela fase em que ficam dizendo “você está ótima”. Depois dessa, vem a “você está COM UMA CARA ótima”. E ainda tem a fase final, sofrível, quando comentam: “você está COM UMA ENERGIA ótima!”.

Quanto mais espiritual é a categoria do elogio, menos fisicamente interessante você está. Como diria o (re-)presidente, VEJA, O DADO CONCRETO É QUE eu já engordei além da conta. Blérgh.

Não vou entrar em números (ja-mais!), até porque os números é que já não estão entrando mais em mim. Se é que me entendem. Digamos apenas que extrapolei – um pouquinho, vá lá - o ideal sugerido pelo médico para a progressão dos quilos.

Filhos porque quilos!!


Filhos

E nem adianta pôr a culpa na Lara – como alguns, gentilmente, têm me sugerido -, porque a barriga ainda não está nenhuma Brastemp. Para cinco meses e meio de gravidez, há quem não acredite. Chovem vizinhas, primas, enteadas e até atrizes conhecidas (dos outros, não minhas) que, segundo consta, vão ter bebê na mesma época que eu, mas já ostentam barrigão de respeito. E eu nessa aqui, devagar e sempre.

“Sorte sua, que é alta e então distribui” – dizem.

A imagem até que é bacana. Fico imaginando a minha Lara bem distribuída em mim, as mãozinhas entrelaçadas na nuca, os pezinhos cruzados à frente (estilo “dê férias para os seus pés”), óculos de sol, viseira, suco de maracujá no canudinho em espiral, tranqüila da Silva, bordando miçangas coloridas para a fantasia da estréia.

Sim, porque eu não sei se vocês sabem, mas Lara deve chegar no carnaval.

27 outubro 2006

Enxoval

Sabe quando vai caindo a ficha?

Chegando a hora de começar o enxoval da Lara. Vocês não têm noção. Ou vai ver que têm; eu é que não tenho a mínima.

Baixei listas e mais listas de sites especializados. Cada qual tem uns dez itens cujo nome da coisa me sugere logo a própria coisa, ou seja, soa algo familiar. O resto é mistério. Objetos dos quais nunca ouvi falar, tampouco palpito alguma finalidade. Meu Deus, pânico. Sem contar com os falsos cognatos.

Recomendam, por exemplo, que eu compre culotes. (!!!)

É para dar risada, né? Já que a celulite e as estrias vêm de graça, não custa nada a gente abrir a mão e... Francamente.

Quando começaram com essa coisa de culote, fui atrás de um glossário. E achei. Culote (atenção para o apelido: mijão) é calça comprida de bebê. Pode ser com pé ou sem pé.

E cueiro, você sabe? É para enrolar o bebê. Ops, mas isso não era manta? Sim, e manta tem lá também. Até agora, a diferença que encontrei é que a manta é mais... bonita. Mas tem de comprar de ambos. Vááários.

Outra figura fácil da lista: pinça. Minha filha nem nasceu ainda e já devo me preocupar com o seu buço???

Calma, mamãe. É pinça de plástico, para manusear mamadeira esterilizada...

Tem fralda de boca, fralda de ombro e fralda de mão (?). Além das descartáveis, claro.

Outro que achei curioso foi um tal de porta-bebê. Assim como porta-jóias, agora temos o porta-bebê. Dá uma estranha impressão de ser um recipiente qualquer onde se guarda o filho (ora, tivemos um dia estressante no trabalho!), e deve vir com tampa ornamentada em tons pastéis com dizeres do tipo “não perturbe”, ou ainda “cuidado com o bebê”, dependendo do gênio da criaturinha.

Ficará muito belo em cima da cômoda ou da penteadeira da mamãe.

25 outubro 2006

Cachorro reflexivo

Voltava da praia e vi uma mulher caminhando com seu cachorro. Fiquei olhando para o bicho. Parecia mesmo que pensava. O preço da ração, novo namorado da dona, colesterol, cadelinhas da vizinhança, segundo turno...

Cheguei, finalmente, à conclusão do que me atrai nos cachorros: não a raça, o pêlo, o design do fucinho, nada disso. Gosto é do cão que reflete.

Ou, se não reflete, finge muitíssimo bem.


Rótulo auto-explicativo

Acreditem, comprei um produto cujo rótulo ostentava a seguinte pérola: “CONSERVAR DE MODO ADEQUADO”.

Ah, tá.

18 outubro 2006

Ultrasom – 22 semanas

- É uma menina.

Estranhamente, eu não quis acreditar. Tem certeza? Checa bem esse negócio aí, alô, alô, tá funcionando o aparelhinho que mede? Olha, o senhor desculpe, mas eu já passei por isso antes, cheguei aqui e o bebê me apareceu sentado e...

- Estou dizendo, é uma menina.

Vai por mim, doutor, essas coisas às vezes enganam, estou calejada, imagine que minha primeira experiência deu segundo turno, Deus me livre de empatar um jogo desses, esse gelzinho é de boa qualidade? Gruda bem o, como chama isso, enfim, o scanner que você passa na minha barriga, está bem grudado? Digo, aderindo? Olha, a imagem na tela não está lá essas coisas, não. Quero dizer nada. Muito chuvisco. Tem risco de haver interferência com os bebês das outras?

- A sua filha é uma me-ni-na! Está muito claro, olha lá o sexo!!

Não havia Cristo que me fizesse engolir a ficha. Eu seria mãe de uma menina. Que alegria doce; um suspiro bem ensaiava, mas não me acontecia. Continuei tentando me certificar, e apertava a mão do pai cada vez mais forte, como quem pedia que me dissesse que era isso mesmo, soprasse no meu ouvido sem que o médico estivesse olhando: psiiiu, ele está falando sério!

A verdade é que só acreditei quando olhei para ele.

Dizem que as mulheres são mais sensíveis às formas não verbais de comunicação, um franzir de testa, um jeito, acento de sobrancelha. Na tela eram pedacinhos de pés, braços, boquinha, mão, ossos e feições confusas. Na voz do médico eram palavras.

Mas o pai fez lá um ar, e foi no lá e no ar que eu enxerguei inteira a minha Lara.

16 outubro 2006

Cadê?

Hoje me disseram que eu “já perdi a cintura”. Deus queira que eu a encontre de novo, algum dia (depois do carnaval, claro).

PS: Completei cinco meses de gravidez, cruuuzes, como passa rápido!


Argentina

Se você quer fazer uma viagem maravilhosa e barata, voe para Buenos Aires. Já. Sem preconceito, né? Afinal, se os argentinos têm um monte de defeitos, quem não os “temos”?

Falando sério, os preços lá são convidativos – sobretudo comida e transporte. Os táxis são velhos e poucos têm ar condicionado, mas a corrida sai quase de graça se compararmos com os preços daqui. Tem um transporte ainda mais barato e divertido: andar a pé! A cidade é linda, vale gastar as panturrilhas e depois repor as calorias em algum café daqueles bem tradicionais, cheios de delícias amanteigadas e açucaradas. Hummm.


Como resistir a (quase) tudo

Como gravidez é coisa séria, controlei-me diante das barbaridades calóricas portenhas. Não foi fácil recusar as medialunas (espécie de croissant em forma de meia-lua, doce ou salgada, sempre um escândalo) e as empanadas (pastel de forno) tradicionais. Provei uma de cada, e só. À noite, ficava só na saladinha. Claro, vários lanches com barrinhas de cereal para segurar a onda. Graças a Deus, não como carne vermelha mesmo – seria uma tentação atrás da outra!

Todo esse esforço é porque - já percebi - ganhar peso na gravidez é muito fácil. E, dizem, perder depois é difícil demais.

Quando não se está “embaraçada”, se você quiser enfiar o pé na jaca hoje, pode perfeitamente compensar malhando três horas amanhã, ou ficando só no suquinho com salada o dia todo. Esperando um filhote, no entanto, não me arrisco nessas imprudências. Se enfiar o pé na jaca agora, engulo a jaca. E a jaca conta pontos na balança. Gravidez é ao vivo e não tem ensaio.


O bebê mexeu – e abriu para o público

Não sei se ele quis fazer uma exibição futebolística em terras argentinas, para estimular a rivalidade, mas o fato é que o bebê mexeu em plena Buenos Aires. Claro que eu já vinha sentindo antes, havia algumas semanas, mas não sabia que o evento seria aberto ao público tão cedo!

Estávamos no apartamento, descansando e batendo papo. Volta e meia falávamos nele – nosso principal assunto, disparado! -, o pai com a mão na minha barriga, mas sem nenhuma intenção de estimular resposta.

Será que é menino ou menina?

Como será a carinha dele ou dela?

Enfim, esses assuntos bobos de pai e mãe. Dali a pouco, sem esperar o som do apito, a criaturinha bate: tum!

O pai deu um pulo:

- Mexeu!!!
- Jura que dá para sentir daí?? – Levei um susto.
- Claro que dá! Olha, de novo! E de novo! Chutou! Chutou!!!

Agora sim, virou um evento interessante. Não podem mais dizer que estou inventando. Ou que é pum.

14 outubro 2006

De volta

Mil perdões. A grávida aqui esteve ausente nos últimos 10 dias por conta de viagens. Não consegui acesso à internet e tempo suficiente para postar durante, mas prometo que, assim que desfizer as malas, volto com novidades.

PS: adorando os diálogos de vocês, Tácio e Batz!
:o)

04 outubro 2006

Gravidez em camadas – da primeira metade


Ninguém comenta nada a respeito, mas a verdade é que a gente fica grávida em camadas. Por etapas, quero dizer. Fui me dar conta agorinha.

Primeiro tem aquela camada que, você sabe, é a melhor de todas. Não vou me ater aos detalhes porque fica feio; sou quase uma mãe de família. (Ocorreu-me agora: semi-mãe?).

Segundo, a fase em que não vem aquilo que deveria vir mensalmente. Sustinho. Apreensão? Torcida? Cada caso é um caso.

Enfim, o exame positivo, que é a resposta para os seus problemas – ou o início deles, ou uma mistura de tudo isso e mais uma pá de emoções diversas, a granel, a gosto da freguesa. O choro é cortesia da casa. Chora-se um bocado, cruzes.

Uma vez consumado o fato (quase disse o feto!), começa o período enjoado. No meu caso, até que foi leve. Não tinha vontade de ver ninguém, disposição zero, comida embolava todinha no estômago; num dia odiava café, noutro adorava – um samba do crioulo doido. Mas tem gente que vomita!

Próxima camada: com a náusea vencida, volta-se a ter gosto pela vida. E tudo fica muito divertido, porque vão achar que você é extremamente magra, basta dizer a senha:

- Estou grávida!

Gravidez é sinônimo de formas redondas, mas o bacana é que a cintura demora a fugir sobre as calças. Vão dizer:

- Nossa, você está ótima!
- Nãããão creiooooo!
- Mas então você engravidou on-tem!!!

E tudo isso é muito agradável enquanto dura.

Até que vem a fase atual (no meu caso); aquela em que você, de tão mal acostumada que está, custa a acreditar que as pessoas já estão acreditando que você está grávida. Ora, nem você acreditou direto ainda! Em vez da surpresa, o silêncio.

- Estou grávida!
- ...
- Grávida! Eu disse que estou grávida!!
- Ãh-hãm.

A senha antiga já não faz efeito algum. Ninguém vai dizer “UAAAU!”, “nem parece!”, “juuuuura”? É um baque, requer preparo.

Bom, só posso falar da primeira metade. Por enquanto, estou recém passando para a segunda (4 meses e meio). Ainda há dias em que não me acordo tão grávida. Noutros, gravidíssima. Varia legal.

02 outubro 2006

Deu segundo turno. Vou dormir feliz.

29 setembro 2006

Diagnóstico e tratamento

Fui à ortopedista. Dra. Célia ouviu minhas queixas, depois começou a me esticar aos pedaços.

- Dói?
- Não.
- E agora?
- Não.
- Dói assim?
- Nada...
- E assim?

Pelamordedeus, parece que eles fazem de propósito! E fazem mesmo. Não sossegam enquanto não ouvem um gemido.

- Ui... Dó-óóói.

Só então ficou satisfeita.

- Arrá. Negócio é o seguinte: isso nada tem a ver com a sua hérnia de disco. É da gravidez mesmo. Lá pela metade da gestação, seu caso, os ossos da bacia começam a se afastar, porque entendem que o bebê vai ter de... você sabe... passar... ali no meio.

- Tô sabendo.

- Então. Isso causa um (esqueci o nome) que pode ocasionar uma (tampouco me interessa), gerando (blá blá blá, será que aqui tem banheiro?), é por isso que você sente essas dores.

- Ahm. E a solucionática da problemática? Tens ou não tens?

Tinha, claro. Remédio e RPG. Lá vou eu...

27 setembro 2006

O sexo do bebê – deu segundo turno

Não foi dessa vez. Passei uma noite sem dormir (curiosa) e fui fazer, ontem, a ultra para saber o sexo do bebê. Bueno. Como tudo que vive em mim, também esta criaturinha derrama ironia pelas beiradas: me apareceu sentado(a), de ladinho, e ainda com as duas mãozinhas cobrindo o, digamos, objeto (ou a objeta!) que deveria nos ser útil.

Implicante!

Está bem, pode ser timidez. Mamãe perdoa.

A médica me esfregava o aparelho na barriga e fazia uma cara de três pontinhos. Percebi logo, desse mato não sai coelho é tão cedo. Coitada, ficou numa situação.

- Hum... Hum... É, sinto muito, mas não vou poder arriscar, não... A margem de erro é muito grande, e...

Já sei, Dra. Três Pontinhos, a margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos – o que, em termos de sexo de um bebê de 20cm, é voto para mais de metro! Ela ficou nos indecisos. Deu segundo turno.

Já disse, mamãe perdoa. Mas, assim que nascer, vamos ter uma conversinha séria sobre essa coisa feia de não comparecer aos debates! Pode, não.

22 setembro 2006

Coluna do meio

Naquela fase: quanto mais faço alongamentos achando que vou resolver o problema, mais me dói a coluna. Estou com um nódulo de tensão, na lombar, do tamanho de um ovo. Entre outros ovinhos. Dói. Hérnia de disco. Gravidez. Massagens custam os olhos da cara, e nem sei se adiantam lá isso tudo. Tô com medo de ter de voltar ao RPG (que custa os olhos dos olhos da cara, além de ser um saquinho). Já faço Pilates, religiosamente, e tenho uma postura ótima, à custa de disciplina. Não sei o que mais é preciso.

Por que é que tudo que é “o certo a fazer” custa tão caro?

Por que é que a maioria das coisas boas é “ilegal, imoral ou engorda”? Ou custa caro?

O certo era não estar sentada aqui diante do computador, esta praga moderna, mas alguém poderia me dizer onde mais posso escrever e publicar? Bah!


Vício e desvício

Parece mesmo que a gente vive a compensar os vícios. Alongamentos X horas de computador. Dieta X um pedaço de torta de chocolate vez por outra. Caminhadas X chopinho no fim de semana (que ninguém é de ferro). Etc, etc.

Poderia chamar de “vício e virtude”, mas desvício me parece mais adequado (embora não exista), porque se trata claramente de um movimento de compensação. Como na física, querendo anular fazendo força na direção oposta. Fica tudo zero a zero.

No fim, é um engodo. A gente envelhece igual, engorda igual, entorta igual, fica cheio de manias, perde a censura, enfia o pé na jaca, briga com o cônjuge, sente-se um lixo e ainda vota errado. Poderia dizer que não existe empate no jogo da vida, mas aí já seria o cúmulo do clichê (aliás, outro vício a se evitar sempre que possível).

Cristo, mas o que estou dizendo?

Meu filho, não ligue para as bobagens que a mamãe escreve. Acordei com o pé esquerdo – um dia você saberá o que isso significa, e também acordará com os ovos virad... ops!, com o pezinho errado, e mamãe saberá compreendê-lo. No fundo, no fundo, mamãe é uma otimista crônica, embora nem toda crônica da mamãe seja otimista.

São os vícios e os desvícios do ofício.

21 setembro 2006

Blindado

Deveriam fazer uma pesquisa científica para descobrir de que material é feita a pele do presidente – e, depois, utilizá-lo na blindagem de carros. Daria uma grana preta.

Nada, absolutamente nada pega nele. Incrível. Isso nem é mais uma caso político; é esotérico.


Boneco promocional

Coitadinho, teve que fazer uma cirurgia na mão e está todo entalado (com tala). Sobrou-lhe a mão direita, orgulhosa e ativa, mas visivelmente abalada com a baixa da colega.

- Faz um café pro mano?

Às vezes ele ainda fala na terceira pessoa, como quando éramos crianças, e acho tão bonitinho. Me dá confortável sensação de ser protegida – mimos de caçula são eternos, abafa o caso...

Detalhes cirúrgicos à parte, o médico mandou que ele mantivesse a mão para cima o máximo de tempo possível. Ajudar na cicatrização. Essa é a parte engraçada, porque olho para o lado e ele está aqui, no computador, arrastando o mouse com a mão boa e apontando a ruim para o alto, num aceno eterno, como um bonequinho promocional desses de posto de gasolina. Hihi.

Descolasse um bico, garanto que vendia mais que o tigre da Esso.
(É da Esso?)


Festival da cenoura ralada

Não posso ver uma promoção, comprei um saco de cenoura ralada pelo preço de... sei lá, de meio saco. Fiz mau negócio. Não posso mais ver cenoura ralada.

Meu filho, please não vire um coelho.


O primeiro vestido

Achei uma ponta de estoque de moda gestante, lá fomos nós. Coisas lindas, acredite. Minha mãe me deu de presente um vestidinho: meu primeiro vestido de grávida.

Experimentei e achei o máximo, todo soltinho, suuuuper confortável, além de preto. Contudo, saí de lá já meio ressabiada: vou mesmo poder usar isso na rua? Minha mãe diz que sim, que a gente se sente meio pelada mas é legal. (Como será que é MEIO pelada??)

O que eu mais ouço: “você vai precisar de roupas fresquinhas para o verão”. As pessoas dizem muito isso, estou quase me imaginando uma bola incandescente, suando em bicas e me arrastando, com as duas mãos em concha segurando o barrigão. Mas é verdade, porque o rebento rebenta em fevereiro, imagine o calor do Rio nos meus meses mais críticos. Então, vou me habituando desde já aos vestidos. Nunca fui muito chegada a eles – pior, nem eles a mim -, mas vamos lá.

Quando criança, rejeitei um vestido que me arrumaram e devia mesmo ser muito lindo, ou fofo, ou gracioso ou coisa assim, mas tinha um defeito que arrasava qualquer adjetivo: pinicava. Tanto que o apelidei de “vestido de estátua”, porque tinha para mim que era impossível me mexer enfiada naquele traje.

Mas como as coisas mudam. Aos 14 anos, comprei para mim mesma um vestido (está certo, empurrada por uma colega, mas paguei com o meu dinheiro!) que, esse sim, era um escândalo. Feito de retalhos de cotton (naquele tempo se dizia cotton) e vinil (naquele tempo se usava vinil, tá?), o negócio era tão grudado no meu corpo, mas tão grudado que logo na estréia me acusaram de salsicha. Tinha mesmo feito uma dieta, andava meio magrela, mas me achando.

Gostei tanto que usei umas duas ou três vezes. Para um vestido, era recorde! Está bem, confesso que ainda é.

Não há de ser nada, agora vai ser diferente, eu sinto, estou empolgadíssima. Acho que essa coisa de ser mãe implica, entre outras coisas, em vestidos.

Acho que esse negócio de ser mãe pinica (entre outras coisas, claro).

15 setembro 2006

Literalmente correndo, passando para deixar um oi. Pilates, caminhada na praia, calor de mais de 30 graus, vamos que vamos. Compras, limpeza, banco - fila enorme! (Ainda não tenho coragem de entrar no caixa preferencial, mas deveria).

Fome, muita fome. Comidinhas, frutinhas para ir enganando o estômago nos intervalos. Droga, viciei noutra barrinha de cereal (chocolate, fibras e ameixa). 90 cal. Se eu comesse só uma...

***

- Grávida???
- Siiiim!
- Quantos meses?
- Quatro.
- Nem sabia que vocês estavam tentando! Estavam?
- Que pergunta, é CLA-RO! ... ... Só que também não sabíamos.

Hoho.

***

Meu irmão:

- Quando é que nasce o coloradinho?

Uma ova. Providenciar uniforme tricolor, urgente. Unissex.
No Rio já está decidido: será Flamengo. Influência paterna, mais que justo.

***

Cariucho

Outro dia fiquei sabendo (mui ignorante, abafa): meu filho não será carioca da gema. Da gema é quando pai e mãe são cariocas.

Nosso caso, pai carioca e mãe gaúcha, será um(a) cariúcho(a). Cariúcho. Cariucho. Com ou sem acento? (Socorro, mãããee!).


TIME IS OVER. Fui.