26 julho 2002

Bueeeenas!

Nove horas da manhã, dia nublado no Rio de Janeiro. Sim, cheguei, estou debaixo de alguma asa do Cristo.
Ainda não vi o mar (de dia), mas consta que ele continua lá.
Mudaram algumas coisas, desde que viajei. A minha cozinha, por exemplo - se é que ainda posso chamar assim.
Houve uma espécie de terremoto, particularmente no piso da cozinha. Dizem que, quem vinha distraído, tropeçava num quebra-molas de lajota, coisa de outro mundo mesmo. Tiveram que mandar trocar o piso todinho.

O seu Zé já arrancou todo o piso velho, e colocou um novo, até mais bonito, branquinho. Mas falta o "rejunte". Hoje, se Deus quiser, ele vem aqui concluir a obra, e as coisas podem começar a voltar para seus devidos lugares.

Meu irmão, no entanto, se afeiçoou pela geladeira no meio da sala. Diz que é prático. Daqui do computador, para se ter uma idéia, é preciso pouco mais que uma esticada de braço, e a jarra d'água vem parar na sua mão. Coisa fina.

Por outro lado, quem vier meio animado do banheiro, é capaz de dar com o dedão do pé na porta da amiga Brastemp. Melhor devolvê-la ao lugar de origem.

Há muita poeira na cozinha, e na sala também. A cada dia que passa, eu dou uma limpadinha, e o seu Zé dá uma sujadinha. Parece estar de implicância comigo.

A pracinha aqui na frente de casa, que era só um projeto quando eu saí daqui, continua sendo só um projeto. Está certo que virou um projeto com cara de projeto de praça - coisa que, antes, não parecia -, mas a obra vai muito com calma. Meia-dúzia de homens uniformizados trabalham, pacientemente, escondidos atrás de uma gigantesca placa da prefeitura - que, julgo eu, pretende ser uma espécie de monumento para a praça, só pode. A bem da verdade, não consigo enxergar daqui se eles trabalham, se comem sanduíches de ricota, se jogam cartas, ou vôlei, ou se estão pulando corda. É que a placa esconde.

Bem, ao menos o monumento já está pronto. Desde o primeiro dia. Diz assim: "ESTA É MAIS UMA OBRA DA PREFEITURA DO RIO". Se é mais uma, significa que há outras por aí. Espero que esses homens não se cansem muito, e que eu viva para sentar num banco da praça. Bem que poderiam vender água-de-coco. Mas, aí, periga demorar mais cinco anos.

O policiamento está intenso aqui para os lados da Barra da Tijuca. Desde a morte do Tim Lopes - segundo comentam -, há mais policiais na Av. das Américas do que peixes mortos na lagoa Rodrigo de Freitas. Tenho percebido.

Minha amiga e eu voltávamos, de madrugada, de um restaurante aqui perto, quando fomos abordadas por um PM. Havia uma confusão na pista, e uns fios de luz atravessados no meio dela. O esclarecedor discurso do policial foi: "Se a senhora quiser arriscar, pode passar por cima e ir adiante, não tem problema nenhum. Mas tá tudo em curto circuito, aí é a senhora que sabe. Se quiser arriscar, pode passar."

Muito confortável. É bom saber que as autoridades respeitam o nosso ponto de vista e o nosso direito de ir e vir, mesmo que isso implique no direito de virarmos torradas de unhas pintadas.

Em todo caso, demos meia-volta, e tomamos outro rumo. Acho que o PM lastimou um pouco, pois queria ter visto alguém se arriscar naqueles fios, para depois poder esclarecer com mais precisão aos outros motoristas: "Olha, é melhor não passar, porque uma senhora resolveu arriscar, e... tá vendo aquele carvão ali??"

Enfim, o Rio de Janeiro continua lindo.

Aquele abraço!











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