24 fevereiro 2004

Caí na folia


Eu me rendi e caí na folia, é isso mesmo. Fui ao baile de carnaval do Scala, um dos tradicionais do Rio, e agora vem o pior: a-do-rei.

Tem alguns momentos em que a gente precisa esquecer as coisas sérias da vida, não tem jeito. Entrar naquele salão e dar de cara com uma decoração coloridérrima já é um bom começo. Depois tem o samba, muito bem feito por uma banda enorme e animada, que também colabora na sensação de que se está em algum outro lugar que não a realidade nossa de cada dia. É legal, sim.

As fantasias são um atrativo à parte. Não só as vestimentas, mas sobretudo as “sentimentas”. É a gente se sentir uma outra coisa, diferente do que a gente é. Uns se esforçam mais, é claro.

Tinha mulheres de 50 anos que se sentiam (e vestiam) de 15. Tinha homens maquiados, gringos mascarados, turistas branquelos esforçados, coroas babões, garotões bêbados desequilibrados (em todos os sentidos), mulatas rebolativas provocantes, loiras popozudas, magricelas vestidas de enfermeiras, e o melhor de tudo: travestis de dois metros de altura tecendo filosofias sexuais no banheiro feminino. E pedindo opinião a cada uma que entrasse!

- VIVA AS LOIRAAAAAA !!! – Gritava um(a), enquanto ajeitava o decote (para aparecer mais, não menos.)

- VIVA AS MORENAAAAAAAA!!! – Provocava outro(a), às gargalhadas. E completava:

“Ih, bicha, cê tá por fora... tá mais que provado: é c’as loira que eles saem pra zoar, mas é c’as morena que eles casam, tá bom??”.

E a loura ria de se escabelar, na certa preocupadíssima com a tese da outra... medo de ficar pra titio(a)?

Minha cunhada foi fantasiada de ZEN novamente, ou seja, “zen nada”. Que injustiça eu estou fazendo: havia purpurina!

Nos meus primeiros momentos de folia, veio um rapaz me fazer a corte. Ele, por sua vez, já devia estar há muitos momentos na farra, pois mal tinha coordenação para segurar o copo. Mirou-me à distância, e percorreu o trajeto como pôde:

- Oi, gata! Posso levar uma idéia contigo???

Não pensei duas vezes, mandei a idéia:

- Excuse me!? Are you American?

- Hein? Ô, gata, será que a gente podia...

- Sorry, man! I don’t... do you speak English?

- Não, não... no! No! Eu sou BRASILEIRO! BRA-SIL! (Como quem trata gringo como se fosse surdo, gesticulando e falando cada vez mais alto, apavorado).

E minha cunhada sentiu o pepino, deu um corridão nele, mas veio me perguntar se o cara era gringo (me ouviu falando inglês)... contei a ela que a “gringa” era eu, hehe.

É ou não é uma boa dica para se livrar dos chatos? Aqui no Rio, pelo menos, cola certinho. Sou mais branca que a maioria, e a cidade vive cheia de turistas mesmo. O cara deve ter saído chateado: “que gringa maluca, depois o bêbado sou eu...”.

Bom, hoje é terça-feira gorda, mas eu vou ficar em casa me recuperando. Que um baile já está mais que bom para uma foliã iniciante, ainda por cima americana como eu.

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