14 junho 2002

NOSSO "DÉCIMO-TERCEIRO"


Outro dia eu escrevi que músico não tira férias, mas "férias" - entre aspas, porque não recebe por elas, e também porque, na verdade, nunca consegue parar de tocar ou cantar.

Hoje eu vim falar a respeito do nosso "décimo-terceiro". Claro que também entre aspas, e bota entre aspas nisso. Décimo-terceiro de músico, meu amigo, funciona assim: se quiser uma graninha extra, que vá arrumar trabalho extra. E não reclame.

Certa feita, resolvemos arrumar um décimo-terceiro lá pelas bandas do interior rio-grandense. Era Natal. E chovia.

Show marcado, depois de muita negociação, lá fomos nós. Sete horas de viagem, mais ou menos. Pegamos de tudo: neblina, garoa, chuvarada, aguaceiro na pista, lama, vento, árvore caída, buraco e vaca distraída. Mas chegamos.

O dono do estabelecimento, muito simpático, recepcionou a banda com abraços e sorrisos de orelha a orelha. Já desconfiei: aí tem.

Proprietários de casas noturnas e crianças levadas, quando sorriem de graça, é que boa coisa não fizeram. Pé atrás com eles.

Vamos direto ao assunto: o problema era o hotel. O combinado era um três estrelas, o melhor que havia na cidade. Mas "estava lotado" - entre aspas, é claro. Desculpa esfarrapada.

Resolveram colocar a banda, então, num "alojamento". Entre aspas. Na verdade, era o quartel da cidade.

O "camarim" - também entre aspas - era, imagine, o próprio quartel. E o "restaurante" onde faríamos a nossa "ceia de Natal" era, adivinhe? O refeitório do quartel.

Para chegarmos ao "camarim", deveríamos atravessar um campo de futebol, pular um muro de um metrinho, virar à esquerda e pronto. Ali, era o portão de entrada do quartel. Mais uma estradinha de chão batido, e chegávamos ao quarto dos meninos. Soldados simpáticos e prestativos nos acompanhavam. Cerca de meia-dúzia.

Eu, única menina da banda, tinha justamente o quarto mais distante ainda. Era escuro, chovia, e aquilo mais parecia um labirinto de filme de terror. Mas eu ia tomar banho, trocar de roupa e me maquiar (sem espelho), acompanhada por seis doces milicos que, entre risadinhas e comentários que preferi nem ouvir, levavam-me até o quarto e esperavam, de prontidão, do lado de fora da porta. Ainda bem.

A "ceia de Natal", acredite, era um churrasco tão duro e queimado, que até hoje não sei dizer se aquilo era vaca, porco, galinha, ovelha ou... nem quero pensar nisso.

O show, nem preciso dizer, foi um fiasco absoluto. Eu queria muito cantar, mas estava engasgada, com pedaços de sei-lá-o-quê entalados nos mais diversos cantos da minha garganta. Era impossível.

Sem contar que o palco era ao ar livre, e a chuvarada tratou de invadir a tímida lona que cobria nossas cabeças. Meu irmão - guitarrista - saiu com fama de drogado, por causa da performance estranha: mas era apenas choque elétrico, o povo não entendeu.

Minha maquiagem, então, era algo entre Bozo e "mulher da vida" - entre aspas, porque a delas é bem melhor.

Foi assim que, a duras penas, embolsamos nosso décimo-terceiro daquele ano. E voltamos para casa, no outro dia, embarrados, humilhados, famintos, exaustos, quebrados. E cantando:

- Noite feliz... Noite feliz...
UBA CORRENTE BELO FIM DA GRIBE

Nunca pedi nada a vocês, mas sempre há uma primeira necessidade. Pois hoje eu peço uma corrente pelo fim da gripe. (Ali, no título, meu nariz estava um pouco congestionado).

Anoiteci com aqueles sintomas típicos - dor de cabeça, coceira na garganta, calafrios, etc -, e amanheci completamente gripada. O problema, queridos, é que eu simplesmente ODEIO estar gripada. Não existe coisa mais horrível do que estar assim. Respeitem a minha dor. Ajudem-me.

Além do mal-estar, há o problema da voz. A voz da gente fica simplesmente horrível, e, como sabem, para quem trabalha com a voz (mesmo estando em "férias"), isso é o fim da picada. É um transtorno, é uma ameaça à vida, é um incômodo quase insuportável. Acreditem, não estou exagerando - mesmo sendo sagitariana e descendente de italianos.

Imaginem, por exemplo, um maratonista. Ele vai dormir com uma coceirinha na garganta, uma dorzinha de cabeça, e, na manhã seguinte, acorda... PARALÍTICO!! Mesmo que ele fique paralítico só por uma semana, já é o suficiente para que entre em desepero, não é?

Uma modelo, manequim, linda-e-maravilhosa, dessas que desfilam em Paris e Milão. Ela vai deitar com uma febrezinha quase de nada, e acorda... PESANDO 120 QUILOS!!

Mesmo que ela emagreça tudo de novo em poucos dias, e mesmo que nem dê estrias, ainda assim é de pensar em suicídio antes da gripe ir embora. Vai que algum jornalista metido acaba descobrindo, fotografa a beldade com as formas francamente arredondadas, e - babau carreira, dólares e mocinhos do Titanic.

Pois bem, acho que já me fiz entender. Estou me sentindo uma Gisele com 120kg, um corredor paralítico, um pianista maneta. Já os comovi?

Aqueles que não tiverem um coração de pedra, portanto, que me façam a gentileza de rezar uma Ave Maria ou duas, pode ser no horário do cafezinho mesmo, pedindo aos céus que eu saia desse estado deprimente o mais rápido possível. Por "mais rápido possível", expliquem lá à Santa Maria Mãe de Deus, eu quero dizer qualquer coisa milagrosa, eficaz, surpreendente. Esteja bem entendido.

Sim, porque, em cinco ou seis dias, eu saio dessa sem reza mesmo. De nada me adianta. Quero coisa inacreditável, de exclamar "óóóóóhhh!!!!".

Quem não souber rezar, não faz mal. Façam um pensamento positivo, acendam uma vela, mandem-me boas vibrações, o que for.

O importante é eu sair dessa cadeira de rodas, entrar correndo no meu biquíni vermelho, e depois tocar um Mozart emocionado para vocês.

13 junho 2002

MÁ FAMA

E-mail que recebi do meu irmão hoje, referente àquela história do cara da farmácia (ler abaixo):

****
"Se eu não aparecer mais por aqui, já sabem: o moço se ofendeu.
Desejem-me sorte." AHAHAHAHAHA!!
Pra quem te conhece, convenhamos, o certo seria:
"Se a farmácia não abrir amanhã, já sabem: o moço me ofendeu.
Desejem-lhe sorte."
****

Viram?
Estou com uma fama... tudo mentira, gente.
PARA OS RECÉM-CHEGADOS

Tenho recebido e-mails de gente que eu não conhecia, dizendo que achou link para o meu blog aqui e ali, que anda me visitando regularmente, e tal. Há quem pergunte quem eu sou, de onde vim, para onde vou, e coisas mais importantes - como a cor do cabelo, por exemplo.

Sendo assim, resolvi postar (acho postar muito feio, posso usar publicar?), digo, publicar aqui algumas coisas que sirvam para me identificar, no caso do sujeito não saber a que se destina estes escritos, os versinhos, as besteirinhas, e o raio da minha vida.

Pois bem. Meu nome é Bíbi Da Pieve, com o primeiro Bi mais forte que o segundo; por isso, adotei o acento (desde pequenininho, que me veio ainda berrando e envolto em fraldas gráficas. Eduquei e tudo, de modo que não sai mais de cima do meu Bi, nem por um decreto.) Incomodo-me quando me chamam de Bibiiiiii, como a buzina de um carro, por exemplo. Sou Bíbi.

Tenho 24 anos (mas isso é coisa que muda com o tempo). Sou sagitariana, com ascendente em câncer e a lua em touro. Moro no Rio de Janeiro há quatro anos. No presente momento, entretanto, acho-me tirando "férias" na minha cidade natal, São Leopoldo, que fica a uns 30 km de Porto Alegre, mais ou menos.

E por que é que ela tira "férias" entre aspas, se todo mundo tira sem aspas?

Explico: é que trabalho com música - sou baixista e vocalista de uma banda chamada Ana Lógica, e músico não tira férias (sem aspas) nunca, porque o diacho da atividade vicia, e a pessoa pode até tentar, mas não pára de tocar nunca. Pode não ser em público, mas continua tocando.

E outra coisa: não recebemos nas nossas "férias". Convenceram-se, agora, das aspas?

Não escrevo profissionalmente; minha profissão é a música, desde meus 13 anos, quando tive a idéia de me meter numa banda de rock. Por isso eu escrevo aqui; porque adoro escrever, e me divirto demais.

Vocês podem perceber que não tenho personalidade como escritora, por exemplo, porque hoje eu ando exagerando no tamanho das frases, enchendo de vírgulas, deixando o ponto para bem longe, transferindo o final. Sabem por quê? Ando lendo João Ubaldo.

Outro dia, aqui mesmo, usei termos regionalistas exageradamente - estava lendo Verissimo. E, assim, sigo pegando o sotaque os escritores, inspirando-me em quem sabe fazer a coisa de verdade, e mentindo pra vocês que também faço. Sei, sei que não convenço ninguém, mas o brinquedo é meu, dá licença?

Findo aqui a minha breve autodescrição, certa de que ajudei uns e outros a saberem onde é que andam pisando, para que, então, possam ter, quem sabe, um surto de lucidez, e decidam se arrepender amargamente do momento insensato em que lhes veio à veneta a idéia torta de estacionar o mouse por aqui. Ou não, vai saber.

Tenho dito.

12 junho 2002

DIA DOS NAMORADOS

Parabéns aos pombinhos, aos beijinhos e aos abracinhos; parabéns aos casais felizes, aos nem-tanto e aos tristinhos; muita alegria aos princepezinhos delas, muito amor às princezinhas deles, muito respeito, muita amizade, muita compreensão e muito carinho.
Aproveitem o friozinho, façam um foguinho,
e passem a noite bem juntinhos, bebendo um bom vinho.
Meus parabéns, também, a todos os sozinhos.
Eu só peço um favorzinho: deixem os diminuitivos, tão lindinhos, para eu escrever meus versinhos.
Vocês, que já são bem grandinhos, vão rimar as suas vidas com adjetivos melhores, superlativos - os maiores -, e aumentativos grandalhões.
Parabéns a vocês. Um abraço apertado, e vários beijões.


FOI MAU

BatZ, Hully, Denisinha e cia: desculpem por ontem, no chat. Caí, e não pude mais voltar. Obrigada pelas visitas ao meu Blog, e pelo carinho todo. :o)

VENCEU O TAMPAX

Queria comunicar que, no "causo" da farmácia, venceu a opção do Tampax. Por unanimidade!! Quem leu, sabe do que estou falando. Se eu não aparecer mais por aqui, já sabem: o moço se ofendeu.

Desejem-me sorte.

11 junho 2002

SEU ZEQUINHA E SEUS PROBLEMAS


O seu Zequinha é o senhor que corta a grama aqui de casa. Volta e meia ele aparece, com sua carrocinha e seu cavalinho, e pergunta se quer que corte a grama, vizinha? Quero, sim.
Então ele entra, liga a máquina barulhenta na tomada, e faz barulho e cheiro bom no pátio todo. Mas não pode estar chovendo, como agora.
Entretando, seu Zequinha me apareceu hoje, com chuva e tudo. Não quis fazer barulho nem cheiro bom, a vizinha entende, olha o mau tempo, e parece que a coisa ainda vai longe, tem visto a previsão? Quis foi um dinheirinho adiantado, que lhe falta para comprar o remédio da perna.
A perna do seu Zequinha sofre de um inchume crônico, por conta de uma mordida - segundo ele - de aranha. Já quiseram operar, mas ele não deixou ninguém meter a mão ali, com medo de que dê alguma zebra e acabem decidindo arrancar a perna fora, imagina, como é que ele vai cortar a grama? Não confia.
Então, o jeito é passar um remedinho cada vez que a perna ameaça explodir de tão inchada.
Se bem que a perna nem vale muito, ele comenta, porque já falta um dos dedos do pé. Que a máquina barulhenta pensou que fosse grama, passou em cima, e levou embora junto.
O filho dele, o mais moço, Juquinha, também tem problemas de saúde. Asma, o doutor disse. A Mariana, filha do meio, volta e meia fica anêmica, pobrezinha. E trem problemas de estômago, seu Zequinha acha, porque não pára comida nenhuma lá dentro. Só o filho mais velho, cujo nome nem sei, é que goza de plena saúde. Vai preso de vez em quando, mas, quando solto, é um bom moço. Até prenderem de novo, e aí o coitadinho fica obrigado a pensar besteiras, lá na cela, junto de maus elementos.
Este último, que costuma se hospedar nesses lugares não convencionais, tem até uma filha. Mas a mulher morreu, e o seu Zequinha cuida também da netinha, que ainda precisa de fraldas, muito leite e cuidados especiais. Imagina cuidar de tudo isso, vizinha, só com o dinheirinho que vem da grama?
Seu Zequinha nem sabe, mas acaba fazendo uma bela e utópica metáfora, afirmando que o dinheiro vem da grama.
Na verdade, na verdade, eu nunca via a perna dele, nem o dedo que não tem, nem o Juquinha, nem a asma, nem a Mariana, nem a anemia, nem o estômago, nem o moço que vai preso, nem a netinha, nem o leite, nem as fraldas: nada. Mas contribuo, mesmo assim. Pode ser que ele esteja sendo sincero.
Ou tudo isso é verdade, ou o seu Zequinha acha que o meu dinheiro também dá em grama!!

INSÔNIA DAS BRABAS

São duas e meia da manhã. Eu estava lá, na cama, tentando dormir, desde pouco antes da meia-noite. Rolava, e rolava. Rolei tanto, que caí da cama e vim parar aqui no Blog. Paciência, vamos brincar de contar "causo".

Sabe o que me aconteceu hoje? Fui à farmácia, e havia lá um atendente - desses que ajudam a gente a escolher o remédio. Moço simpático, e tudo. Sorriu, perguntou o que eu queria.

- Tem sabonete Sastid? - perguntei.
- Não, senhora.
- Tem algum outro, para acne?
- Temos só esses dois aqui... (mostrando)
- Ah... não conheço nenhum deles, nunca usei. Você tem alguma sugestão sobre qual seria o melhor?

Sabe o que ele me respondeu? "Não, senhora. Eu também nunca usei nenhum deles."
É mole???

Fiz uma cara de "ah, claro...", peguei o primeiro que eu vi, paguei e saí correndo de lá. Sei lá, já pensou se ele resolve me dar outra opinião forte com essa? Não sei se meu coração agüentaria. O pior é que ele deve ter ficando pensando "credo, que mulher tapada, será que ela não viu que eu não tenho problema de acne?"

Depois, fiquei rindo da situação. E estou decidindo o que fazer amanhã. Vocês me ajudam? Vamos lá: o que vocês acham que eu devo fazer?

a) Voltar lá amanhã, e sugerir que o moço dê uma estudadinha nos produtos que vende, para poder opinar mesmo sem ter tido 1.234.563.698 doenças diferentes;

b) Voltar lá, meter o dedo indicador no umbigo do moço, dar uma risadinha, e comentar: "arrá, você me pegou direitinho, hein!?" (Podia ser que ele estivesse brincando, eu que não entendi);

c) Sugerir que ele nunca trabalhe numa casa que venda bebidas alcoólicas (vai que ele resolve experimentar tudo, e é demitido no segundo dia);

d) Levar o meu sabonete lá e fazê-lo lavar o rosto com ele, para evitar que a cena se repita com outro cliente;

e) Pegar na prateleira um OB e um TAMPAX, e perguntar se ele sabe qual é o melhor. (Estou inclinada a decidir por esta opção, o que acham?)

E por falar em besteira, vamos ao segundo assunto. Ando encafifada com a mania que as pessoas têm de acentuar palavras como "nu", "tu", e - principalmente - aquela outra.
Gente, nu não tem acento. Tu não tem acento. Pode-se concluir, então, que aquela outra também não tenha! Por que insistir num acento inexistente? - pensei.
Eu tenho uma hipótese, não sei se procede; acho que deve ser para efeito psicológico. O xingamento seria mais enfático, por exemplo: "Ora, vá....ú!!!!"
Pois a idéia é equivocada, minha gente, porque acento é sinal gráfico, e nada tem com o tamanho do desaforo. Vamos nos desprender dessas dependências; vocês conseguem xingar mesmo sem acento, e fica forte. Querem uma dica? Eu dou: quando pronunciarem a palavra em questão, aumentem meio tom. Pronto, o seu nu (cansei de escrever "aquela palavra", vou substituir por "nu") vai ficar lá em cima, e vai se destacar. Esqueça o acento do nu. Libere o seu nu!
Um nu acentuado fica, além de incorreto, deselegante. Ora, aquele canudo pendurado no seu nu, que coisa mais feia. Um nuzinho puro, sem canudo, se basta. Vamos respeitar.
Desculpe tocar (sem trocadilho) nesse assunto do seu nu, mas é que me preocupo de verdade com ele. Andam cuidando mal do nu, alguém tem que fazer a defesa.
Tá entendido?
E outra: se quiser acentuar alguma coisa, use o ânus - que é muito mais fino, está presente na literatura científica, e é quase um protagonista da anatomia humana, uma vez que é insubstituível para fins... para fins, justamente.
Entretanto, se me permite, uma sugestão: para fins agressivos, prefira o nu. Nada como um nu bem empregado, certeiro, praticamente um nu artístico.
Exceto, é claro, no caso de querer xingar o patrão. Aí, prefira a suavidade do ânus - que o nu dá demissão por justa causa; já com o ânus, acredito eu, ainda é possível uma negociação. Acho eu, acho eu.
---
Quanta besteira. Viram o que acontece quando estou com insônia? Azar de vocês. Se eu tivesse um maridão do lado, maridão companheiro de todas as horas, compreensivo e tal, então teria com quem debater - alta madrugada - sobre a acentuação indevida do nu. Comigo é assim: alto nível.
Chega. Tchau. Zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz.........

10 junho 2002

VAMOS FICAR NUMA BOA, GURIAS.

Hoje o papo é sério. Mas não é sisudo. Muito pelo contrário; vim aqui escrever uma carta contra os impecilhos criados pela nossa razão, essas pequenas impurezas que resolvemos, por algum motivo, colocar na vida. São pedrinhas que não enfeitam. Acumulam-se, com o tempo, e vão se tornando rochas capazes de esmagar boa parte do tempo que temos por aqui.

Rapazes, sintam-se à vontade, mas eu quero me dirigir especialmente às gurias - prometo que é só por hoje, ok? No entanto, o assunto é unissex, e serve a todos.

Meninas, moças, mulheres, senhoras, eu vos imploro: não percam mais tempo. Esqueçam exatamente TUDO que as faz sentir mal. É bobagem. Não existe motivo algum para que vocês se sintam mal. É tudo coisa inventada.

Da celulite ao mal-estar gerado pelo estresse no trabalho, do trânsito engarrafado à chuva na escova recém feita no cabelo: tudo balela. Eu garanto que não existe nada disso. São pedras criadas por nós mesmas, e, exatamente por isso, não podem nos destruir. Mas é preciso estar muito atenta para não levar uma tijolada na testa a qualquer momento.

Há uma campanha mundial contra a auto-estima. Querem que você se sinta feia e gorda. Querem que você pense que não deveria ter o cabelo tão enrolado assim, que compre chapinhas, que pinte, que esfregue, que dance, que pule, que arrume, que vista, que use... que vida???

Querem que você não seja você. Não entre nessa roubada, deixando que lhe tirem a capacidade de se gostar inteira, completa, mesmo sem anexos de silicone ou sorrisos sedutores. Amor próprio não é direito nenhum - é básico, é pré-requisito para qualquer vida que se preze.

Queridas, ninguém vai fazer por vocês. Saiam do ovo, estourem as cascas, rompam barreiras, pensem, critiquem, olhem-se no espelho de manhã cedo, sorriam, e digam: eu sou a pessoa mais linda que eu tenho. Porque é a única, e vai continuar sendo.

Tratem-se com a exclusividade que merecem. Vocês são de vocês, são belíssimas, e está decidido. Virem-se! Do avesso, se for preciso; mas chega de perder tempo com pedras invisíveis.

Não entrem na campanha anti-vocês. É fria. Freqüentem as academias por saúde mental e física, cortem o cabelo por vontade ou para fazer uma graça. Não digam "hoje à tarde eu tenho que fazer as unhas", porque ninguém TEM que fazer as unhas. Elas já estão feitas; vocês as enfeitam se quiserem.

Cuidem-se muito, sintam-se, estejam presentes de todo coração nas suas próprias vidas. Respirem, e percebam que o único movimento vital que os seus corpos fazem, que os liga ao mundo externo, é absolutamente involuntário. E ele não cobra nada por isso. Agradeçam, acarinhando-se.

Queiram qualquer coisa com muita força, esforecem-se, batalhem, rezem muito; mas é proibido fazer da vida uma espera, porque toda vitória é filha de uma vitória, neta de outra, bisneta de outra, e assim sucessivamente. Portanto, a vitória de HOJE é fundamental para o nascimento das seguintes. Engravidem de seus sonhos, façam a melhor cara que puderem, e saiam exibindo o barrigão - porque eles nascerão a cara da mãe, isso é certo.

Vamos ficar numa boas, gurias. Temos gerado a humanidade há milênios; suamos dentro das nossas casas, fomos às ruas, trabalhamos duro. Até hoje, lutamos contra preconceito e febre de criança, fazemos reuniões complicadas e leite morno, falamos no telefone com uma mão e seguramos a barra com a outra. Todo esse parto constante não pode ter outra finalidade que não a nossa felicidade.

Vocês sabem dar à luz um pimpolho melecado e gritante, e transformá-lo num advogado comportado e limpinho. De gravata e tudo! Não vão saber, então, transformar vocês próprias em seres humanos felizes, livres de pedras autodestrutivas? Deixem de frescura. Relaxem, mas não para evitar rugas.

Estamos combinadas?

08 junho 2002

SALVE, SALVE, MARINHEIROS!

Sabadão friozinho aqui no sul, gente. Coisa buena.

Seguinte: vou passar o dia desconectada, hoje, mas não resisti: tive que passar aqui para deixar um recadinho a vocês todos. Tenho recebido vários e-mails carinhosos - de velhos e novíssimos amigos -, coisa de gente à toa que resolve passar aqui e acaba pegando amizade por este modesto Blog. E voltam sempre. Coisa buena!

Agradeço, de coração esquentado e satisfeito barbaridade. Assim, vale a pena arriscar uns dedos de prosa, realmente meio sozinha, mas virtualmente pra lá de bem acompanhada.

Beto Muniz, um escritor de Sampa, tem andado por estas bandas - e se diz mui agradado por minhas traquinagens literário-cibernéticas. Fico honrada e agradecida, moço. Beijo grandão pra ti. (Quem quiser passar no Blog dele, tem link ali do lado).

Lello, querido, diz que virou freguês. És guitarrista, né? Tudo bem, ninguém é perfeito... (hehe, brincadeirinha de baixista arrogante). Beijo, e um lá maior bem alegrinho pra começar o fim de semana de bem com a vida.

Charles Pilger, velho amigo dos tempos da faculdade - que eu não completei, mas ele sim -, apareceu-me, de sopetão, no meio dessa poeira virtual. Comentou sobre a injustiça de eu ter sido expulsa da faculdade (NO SONHO, GENTE, NO SONHO...), e me deu total apoio. Valeu, Charles! Vamos marcar aquele café? Ainda não fui àquela cafeteria do lado do Mc, não. E me apetece.

Luis Saguar, obrigadíssima pelos elogios e pela assiduidade. O Luis é "designer" - mas as coisas que ele faz são imensamente mais bonitas do que essa palavra, te garanto. Beijo, beijo!

Os demais - manifestados ou ocultos do outro lado da tela -, por favor, sintam-se acarinhados e bem-vindos do mesmo modo. Tem erva-mate de sobra nesse bolicho; economizemos em tudo - menos na poesia e na prosa.

Abração de quebrar costela,
Bíbi Da Pieve

07 junho 2002

MOMENTO "MEU QUERIDO DIÁRIO"

Meu querido diário: São Pedro, hoje, está com incontinência urinária. Chove que Deus manda, desde a madrugada - se bem me lembro, se bem que durmo. Vim escrever aqui porque estou com uma preguiça homérica de ir para o banho; acordei tarde, tive pesadelos, e tudo em mim anda devagar feito cágado manco.

Meu querido diário: não adianta enrolar, terei mesmo que ir para o banho. Hoje o almoço é na Vovó, aquele peixinho confirmado que a Marisa faz e eu me esbaldo. No último dia, teve até suflê de brócolis. Havia vários brócolis (eu digo sempre no plural, porque não sei dizer o nome desta coisa verde no singular. Mas não faz mal, porque eles vêm sempre todos juntos, mesmo, é difícil separar. Vai ver é por isso, o singular nem existe. Ah, deixa eu pensar assim, pelo menos num rompante adolescente de sexta-feira chuvosa e melancólica...).

Meu querido diário: se eu fosse um pouquinho mais distraída, já teria grudado umas figurinhas coloridas na tela do micro. Estou amando este momento cor-de-rosa num dia cor-de-cinza.

Meu querido diário: quer saber como foi o pesadelo que eu tive? Eu conto. Eu estava fazendo uma faculdade de produção fonográfica, mas o local era o colégio onde eu fiz o segundo grau, e as pessoas eram estranhas. A maioria. Enquanto eu fazia um trabalho no computador, uma moça veio me importunar - queria usar o micro, e "tem que ser agora". Eu me irritei, ela implicou mais ainda, eu me irritei muito mais, e avisei: Pára com isso, ou eu vou bater em ti.

Olha que sonho violento, meu querido diário; eu nem sou assim de verdade.

Continuando. Ela não parou. Mas acabou tudo bem, minhas amigas me acalmaram.
No dia seguinte, porém, a cena se repetiu. Ela piorou a situação, porque começou a me xingar de vários nomes feios.
Aí, meu querido diário, permita-me o termo, mas tenho que ser honesta: fiquei p. da vida com a moça. Meu querido diário, ela estava impossível. Sabe o que eu fiz? Nem posso lembrar, que me irrito. Acordei com dor de cabeça e tudo.

Pois foi assim, diário, eu peguei a moça pela gola e pelo braço, dei-lhe um golpe de judô, e a derrubei no chão. O povo gritou, quis apartar. Nem bola. Continuei. Esperei a ordinária olhar bem na minha cara, fechei a mão e fui direto no nariz dela, que sangrou muito. Não contente, continuei esbofeteando a cara deslavada daquela sonsa, segurando com a outra mão pelos cabelos - para que a cabeça não me escapasse.

Diário, e você não diz nada? Tou contando uma história emocionante, pô! Diário panaca, sem graça.

Bom, foi aí que a filha da mãe ainda tentou se levantar, desaforada, e respirou com uma arrogância providencial. Respirou na hora errada e do jeito errado, diário boboca. Tá me entendendo?
Pensei em chutar-lhe a bunda, mas concluí que seria pouco. Para terminar, então, fui com as duas mãos ao pescoço da vagabunda, estrangulei bem apertado, e disse as palavras mágicas: NUNCA MAIS MEXA COMIGO !!!

Fui expulsa da faculdade no dia seguinte, por conta de um abaixo-assinado que os alunos fizeram, onde afirmavam que "a colega tem reações violentas e pode prejudicar o bom andamento da classe". Todos assinaram, sem exceção.

Escuta aqui, diariozinho mixuruca, você não acha que foi uma injustiça tremenda? Acha, sim! Alguém aqui não acha? Quem é que está a favor daquela sem-vergonha implicante? Agora eu quero saber. Alguém? Alguém? Pois não descanso enquanto não souber.

Alguém vai querer encarar???
MINHA LISTA DE PRESENTES PARA O DIA DOS NAMORADOS:

- 1 bolsa marrom;
- 1 par de botas marrom (para combinar com a bolsa);
- 1 batom marrom (para combinar com as botas);
- 1 blusinha marrom (para combinar com o batom);
- 1 relógio marrom (para combinar com a blusinha);
- 1 jaqueta de couro marrom (caso faça frio - haha, te peguei!);
- 1 namorado inteligente, sensível, carinhoso, compreensivo, charmosérrimo, criativo, bem humorado, espirituoso, divertido, gente boa, trabalhador, meigo, doce, educado, surpreendente, brilhante, fascinante. E com um furinho no queixo.
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Pensando bem, melhor mudar a lista de presentes:

- 1 bolsa verde;
- 1 par de botas verde;
- 1 batom verde;
- 1 blusinha verde;
- 1 relógio verde;
- 1 jaqueta de couro verde.

Tudo isso para combinar com o novo namorado. Marciano, com toda certeza.


05 junho 2002

COMPRO MÁQUINA DE ESCREVER - MOTIVO: INDIGNAÇÃO.

Minha gente, não pode ser tão difícil assim. Não está correto. Eu só quero escrever, pegar um papelzinho e bater as teclas, registrar os meus pensamentos, as minhas cartas, meus versos, minha... indignação!!

Chegou o tal do Kit Terra, com a graça de Nosso Senhor Jesus Cristo. Fiz todo um ritual místico, coloquei Enya no CD player ali da sala, acendi um incenso, tomei um bom banho, passei óleo "Paixão" no corpo todo, enrolei uma toalha no cabelo, sentei-me em frente ao micro. (Já tinha feito as unhas ontem). Abri a embalagem do Kit. Li as instruções. Abri o drive do CD, que ejetou-se, simpático e receptivo. Dei-lhe o CD ROM, e pressionei o botãozinho recomendado; cheirosa e iludida da vida.

Nada. Absolutamente nada.

"Caso o CD não abra automaticamente...", patati patatá - diziam as instruções.

Mas, como assim? Estamos em 2002, somos praticamente obrigados a comprar um computador, e ainda estamos sujeitos a "caso não abra"?? Como assim, caso não abra? Mas o negócio aqui não está ligado na tomada?

Está, mas tem "caso não abra". E não abriu.

Lá fui eu executar o plano B do manual de instruções. Casualmente, não abriu de novo.

Liguei para o suporte técnico do provedor, para ouvir a moça me dizer: "É melhor chamar um técnico de sua confiança..."

Não existe técnico. Como assim, técnico? A senhorita sabe quanto é que custou esse computador? Pelo preço, deveria ter um técnico aqui dentro, encolhidinho, 24 horas por dia, esperando as minhas ordens. E o "caso não abra" seria sempre culpa dele.

Na falta de um técnico - coisa absurda, técnicos não existem -, liguei para o meu irmão. Interurbano para o Rio de Janeiro. Mais de meia hora de tentativas frustradas: clique aqui, clique ali, desligue, ligue de novo, tecle isso, tecle aquilo. Funcionou?

Não. A conclusão foi a seguinte: o programa não pode ser instalado, porque o meu Windows é 95.

Uma pessoa, com 7 anos, é criança. Um cachorro, é adulto. Pois o tal do Windows, com 7 anos, é praticamente um inválido. Acreditem, o mundo da informática é o mais preconceituoso de todos.

E nós estamos todos nas mãos dessa tecnocracia deslavada e sem-vergonha!!

Estou indignada, como podem perceber. Vou comprar uma boa e velha máquina de escrever, daquelas bem duras e barulhentas - que assim eu exercito os dedos também, faz bem para o contrabaixo. Quem quiser me vender uma, por favor, entre em contato.

MAS PELO CORREIO CONVENCIONAL!! Estou de mal com a informática.

04 junho 2002

-- "Trem-Bala" É LIVRO DE SEGURAR O XIXI --

Declaro, em blog internacional, minha admiração pela escritora gaúcha Martha Medeiros - que coluna (do verbo "colunar") no jornal Zero Hora e no site Almas Gêmeas, do Terra.

Ontem à noite eu li o livro que a Martha publicou em 99 pela L&PM Editores, chamado "Trem-Bala". 259 páginas de uma literatura que derrete na boca, dessas que fazem a gente segurar o xixi até o último parágrafo, e ainda se perguntar: já acabou?

Acaba, mas é bom demais enquanto dura. São crônicas e mais crônicas que nos fazem entrar numa viagem intensa e ágil, sem querer parar no sinal, sem querer desviar a atenção um minuto sequer, e, principalmente, sem querer parar para aquele xixi - que, afinal, pode esperar.

Se vale um conselho: por via das dúvidas, não beba muita água antes de entrar no trem.

A Martha é uma escritora de palavras certeiras. A crônica vem sem rodeios e sem gorduras; é praticamente um texto desnatado, recomendável a qualquer vivente que queira cuidar da saúde - sobretudo a mental.

Sim, porque o Trem-Bala cutuca e faz pensar. Trata de assuntos corriqueiros, do interior ou das capitais, da alma ou da unha encravada, tanto faz: são particularidades universais, e você também está ali. Todos nós estamos.

O pensamento da autora é curioso e intrigante, como o dos melhores escritores que conheço. Aquele estranhamento diante da vida é traço fundamental do bom cronista, e a Martha sai cronicando com um pé nas costas, bem como deve ser. Quem quiser que corra atrás.

E a danada ainda dispõe de todo talento da poesia que Deus lhe deu (os primeiros livros publicados foram de poesia), conferindo ao texto aquele algo-mais, adoçando as idéias, quase que transoformando em música o que já soaria muito bem só no preto-e-branco literário.

Ok, chega. Para quem gosta de literatura, faz bem. Para quem não gosta, faz melhor ainda.

02 junho 2002

Destranca, blog maluco.

01 junho 2002

Entrei numa lojinha de produtos naturais, e fui dar uma olhada nas novidades. Duas moças, jovens atendentes do único caixa do estabelecimento, fofocavam, entre risadinhas e expressões animadas.

Achei aquilo bonitinho. Não era vulgar, nem nada. Não era alto demais. Era apenas uma conversa entre amigas, um inocente bate-papo que conferia ao ambiente um arzinho despretensioso, informal, gostoso.

Peguei as minhas barrinhas de fibra, e fui em direção a elas; já sorrindo, também. O clima era bom.

Para a minha surpresa, bastou eu colocar os produtos em cima do balcão, para que as duas fechassem a cara e me olhassem com expressões sisudas, quase militares:

- Pois não, senhora?!

Cheguei a ouvir o barulho da corneta.

Desfiz meu frustrado sorriso, paguei o que devia, e fui-me embora pisando duro, numa marcha involuntária. Fazer o quê?

Ah, o mundo anda mesmo muito protocolar e sem graça. Vivemos consultando os manuais de como viver em sociedade, lendo bula de remédio e livro de auto-ajuda - a corrida em busca da "felicidade".

E perdemos o senso de humor, a capacidade de improvisação, o natural, o simples. Nós estamos em algum canto, por aí, rindo de nós mesmos - por termos nos perdido em meio a personalidade das máquinas.

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Querem um exemplo? Pois eu dou.
Leiam, logo abaixo, o e-mail que eu mandei para o suporte do meu novo provedor. Em seguida, leiam a resposta que eu recebi:

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Caríssimos,

faz mais de UM MÊS que eu assinei o Terra. No dia da assinatura, me
disseram, ao telefone, que eu receberia dentro de alguns dias o Kit
Terra para atualização dos meus programas. E eu acreditei.

Tenho o Oulook 4.0, e não posso usá-lo, como sabem, porque o Terra
não funciona com ele.

Já refiz o pedido do Kit umas três vezes, usando de todos os meios
possíveis e imagináveis - por telefone, suporte on line, e-mail...

Venho, por meio deste, pedir a vocês, pelo amor que têm ao Grande
Patrão dos Céus, que ME ENVIEM O TAL KIT o mais breve possível. Estou
apelando a todos os santos, rezando noite após noite, acendendo velas
e incensos ininterruptamente. Tenho fé que, desta vez, o Kit há de
chegar antes que eu incendeie a minha própria casa - ou mate uma
galinha bem preta e me ponha, de cócoras, numa encruzilhada dessas
bem escuras, a implorar aos espíritos (do bem ou do mal, já não
importa) que consigam a façanha de me arrumar um Kit Terra.

Por favor, peço providências. Sei que vocês devem dispor de vários
Kits aí, um só não deve fazer falta.

Agradecida e munida de fé, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo,

Bibi Da Pieve

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Prezada sra. Bibi,

Estamos direcionando a sua mensagem ao departamento competente para que
possamos lhe enviar o Kit de Acesso o mais breve possivel.

Atenciosamente,
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Theo Zelanis
Suporte E-mail
SAN - Servico de Atendimento Nacional
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Viram?
"Prezada senhora, estamos direcionando" - com aquele gerúndio inconfundível do pessoal do telemarketing.

Então eu me esmero, uso de toda minha boa vontade e senso de humor, e escrevo uma carta amalucada ameaçando fazer macumba para que apareça aquilo que já deveria estar na minha casa há mais de um mês, e o que recebo em troca é... um tratamento formal e um gerúndio vago, desnecessário e pobrezinho que só.

Assim, não há jeito. Nenhuma referência à minha galinha preta, nenhum comentário sobre as almas penadas, nem mesmo um recado para Jesus Cristo! Nada.

Prezados senhores: se continuarmos neste caminho extremamente sóbrio e formal, muito em breve as relações humanas ESTARÃO SENDO tão profundas quanto o sentimento que une um teclado ao seu monitor - ou a outro qualquer, afinal, é tudo igual mesmo.

E reduziremos o nosso raciocínio ao sistema binário, tal como nossos irmãos quadrados - tão úteis quanto descartáveis.
Atenciosamente,
Bibi Da Pieve

31 maio 2002

Eu acho MODA um assunto interessante, mas sempre encontro alguma coisa mais atrativa para comprar, e acabo me acoMODAndo.

Essa calça marrom, por exemplo. Eu sei que deveria ter uma bolsa da mesma cor para combinar. Vejo os programas de TV, leio as revistas, e todos são unânimes em afimar: calça e sapato marrom, bolsa marrom.

E cadê que eu compro?

Sou uma mulher - talvez a única - que não tem bolsa marrom. "Acessórios dão aquele toque final no visual" , eles dizem. Pronto. O meu é sem toque final.

Essas pequenas coisas me fazem sentir marginalizada no mundo "fashion". Tenho medo de cometer crimes, de modo que me recolho à minha ignorância no assunto, e assumo uma postura quase monocromática nas peças que visto. Elegi o preto, o vermelho e o marrom - e raramente saio disso.

Em dias ousados, estou de azul. Mas tudo com bolsa preta - ou tipo mochila, ou aquela atravessada (do ombro direito ao quadril esquedo), pequenininha.

Entretanto, confesso, admiro e até invejo aquelas mulheres coloridas e impecáveis, um modelito para cada dia da semana, sem reservas nem receios. E as bolsas, então?

Há quem troque de bolsa como quem troca de roupa, e saia exibindo a ousadia de uma combinação imprevisível: tudo cor de vinho, e uma bolsa... bege!

E ficam lindas, cheias de classe. Que raiva.

Se eu me vestisse toda de vinho, não passaria do portão sem rezar uma Ave Maria e um Pai Nosso. De culpa. E seria capaz de me esquecer da bolsa, tamanha angústia, e enfiar o carro no primeiro poste.

É por isso que nem arrisco.

Ah, se eu tivesse talento... seria daquelas bem peruas. Usaria saia de oncinha, blusa de zebrinha e duas argolas verdes do tamanho de bambolês. Sairia por aí, bem faceira, de sapato bico fino e bolsa com alça de chifre, só pra dar um tchan.

Pink! Abusaria do pink, com direito a variações em roxo e rosa-bebê, conforme a ocasião pedisse. Ousaria na cor do esmalte, nos detalhes das meias e até nos saltos inusitados. Arriscaria sobreposições com tecidos nunca antes combinados; rendas, sedas, paetês e jeans...

Se eu tivesse talento, faria da minha vestimenta uma verdadeira obra móvel da minha criatividade inesgotável, criando meu próprio estilo inconfundível de expressão.

Pensando bem, Deus é sábio.





29 maio 2002

Alguém anda visitando o meu Blog, porque, cada vez que eu chego aqui, o contador denuncia várias visitas.

Alguém anda me lendo.

Ou será que é o contador?

Seja como for, agradeço. Voltem sempre - leitores, contadores, parentes e amigos.

Por falar em amigos, estou revendo os meus. Ontem, por exemplo, foi o dia de ver o Duda tocando no Koloss (Independência, número...? - na sinaleira! Ou sinal, como queiram. Ou semáforo, ou farol - para os paulistas que vierem a São Leopoldo fazer turismo.)

Recomendo Duda e seu parceiro (de PALCO, ô!) chamado... Fininho. Ou algo assim. O moço canta muito bonito, coisas que vão de João Bosco a Djavan, passando por Caetano e Gil, algumas baladas do tipo You’ve got a friend - incluindo a própria -, e outras coisas bem escolhidas e bem executadas.

Tudo isso, ali, pertinho da sinaleira. E vão reinaugurar a pista de dança. Se eu fosse você, não perdia.

E atenção para aquela voz doce e super afinadinha, que parece vir do Além. Não é o Além; é o "back" vocal do Duda, descendo certeiro e justo, como se fosse mesmo um anjo da guarda para a canção.

Aliás, toda "segunda voz" (bem feita) tem algo de Além, não tem? Trata-se de uma voz que não canta: PAIRA. É uma sobre-linha vocal, um Comfort para o refrão. Amacia, suaviza; e, ao mesmo tempo, fortifica.

Isso não vale para os sertanejos, claro. Os sertanejos não usam Comfort - eles "amaciam" no grito. Lá do jeito deles.

Nada contra, gente. (Agora eu ia fazer uma piada de mau gosto sobre algumas duplas que têm a voz do Além - literalmente -, mas aí já seria muito humor negro... hoho.)

Preste atenção, você que nunca reparou nos (nas) vocalistas das bandas.

Agora me ocorreu uma dúvida, que vergonha: "Backing vocal" é a PESSOA que faz a segunda voz, ou é A PRÓPRIA segunda voz?

Alguém me socorra no inglês, please.

Que o meu inglês - não é de hoje - is going to the brejo.

27 maio 2002

Este texto é do meu irmão, achei hilário e resolvi postar aqui:


"Taha falando ca Creonice esses dias, sobre o pobrema desse menino, o Tóxico.

Ninguém segura mais esse menino, não! Ninguém segura!

E os pessoal daqui não sabe nem de quem é o menino, não. Dizem que é do Cleisson, da rua ali de
cima, mas o Cleisson diz que não, que é do Adelmir. Adelmir, sabe como é, não fala com os pessoal daqui da rua: diz que os pessoal é bem mais ou menos, coisa que ele aprendeu com os grão-fino lá de baixo.

Taha doida pra ver eles fazerem um teste desses de DNA, que tem aí, pra ver de quem é o menino. Danado... já não chega o que tá fazendo com a Mel, do Crone, tem visto o Crone?

Pelo menos, que dizem né, que lá no Projac, onde é o Crone, anda tudo perfumado porque a Mel aquela anda peidando cherôso, tanto de perfume que ela toma. Pelo menos isso, né vizinha?"

25 maio 2002

Faz um dia azulão aqui em São Leopoldo, um sábado cinematográfico.

Coisas dos pampas.

O vizinho da esquerda ouve Zélia Duncan; o da direita, Gaúcho da Fronteira. E eu acordei com o Nei Lisboa. No rádio.
Na Maternal Santa Margarida, ali em frente, eles dão aulas de dança do ventre, violão, teclado, yoga e recreação para a terceira idade. Além das crianças, claro.
Também tem massagem, segundas e quintas.

Coisas do Brasil.

Daqui a pouco, nós vamos comer um peixinho ali na casa da Vó. Esperando a mãe voltar da caminhada, só.
Não fui com ela, porque ontem nós fomos fazer os pés numa moça que é "calista", e ela cutucou fundo no meu dedão - tirou uns 20% dele, e botou fora, sem perguntar se eu ainda ia precisar. Eu achei que era assim mesmo, de tirar coisinhas, mas não imaginei que a moça fosse tão... calista.
Resultado: tenho um buraco considerável, bem ali, no cantinho do dedão, onde a carnezinha ficou vermelha como cereja. E me dói tanto.

Coisas de calista.

Meu dedão sempre foi bom de bola; ia muito bem, obrigada. Nunca precisei de ninguém cutucando ali. Mas tinha uma enorme placa, aqui pertinho de casa, escrito assim: "CALISTA". Quem é que resiste?
Fui lá.
O que é a publicidade. Paguei (caro) para uma mulher me arrancar o couro, literalmente. A gente pode não perceber, mas tem um pouco de masoquismo. Lá no fundo, tem.

Não que isso tenha alguma importância, mas quis postar aqui.

Coisas de Blog.

Pensamento do fim de semana: Em dedão que está ganhando, não se mexe.

Beijos.

22 maio 2002

MANO'S DAY

Hoje é o aniversário de um dos homens da minha vida - meu irmão: guitarrista, cabeludo, e (pior!) geminiano. Aliás, o mapa dele tem gêmeos para tudo que é lado. Uma confusão organizada; a cara dele, por sinal.

Mantenho um respeito considerável pelos geminianos - nativos de um signo que é complementar ao meu (sagitário), e, portanto, oposto. Dizem que os opostos se atraem. No nosso caso, foi acidente mesmo. Coisa de berço, literalmente. Calhou.

O geminiano do meu irmão é irritantemente inteligente. Lê todas as publicações do universo, e pouco se importa com o assunto. É o de menos. O bacana é ler, e depois sair comentando. Como comentam, os geminianos!

Ele também é muito convicto. Em tudo (o assunto é o de menos, já disse). E o mais curioso, no caso, é a convicção contraditória - oriunda da dupla personalidade, característica marcante dos geminianos. Eles são dois em um. Portanto, num dia, odeiam palmito. São alérgicos, inclusive. E, no dia seguinte, são capazes de devorar um vidro inteiro de palmitos, afirmando, enfaticamente: "Eu? Alérgico? Nunca! Sempre adorei palmito! A vida toda!"

Se você pensa em conviver com um geminiano, o palmito é um problema a ser discutido. Minha sugestão: faça-o assinar um documento, com data e tudo, no qual ele se declare apaixonado (ou não) pelo palmito. Guarde uma via, numa pasta lacrada. Quando surgir o primeiro sinal de dupla personalidade em relação ao palmito, abra a pastinha e prove ao geminiano que ele está "variando". Pra variar.

Naturalmente, você será acusado de falsificação de assinatura - até porque, a essa altura, o geminiano já assina o próprio nome de modo totalmente diferente. Se é que já não mudou de nome.

Palmito à parte, outra peculiaridade aparece nas horas de lazer - é praticamente impossível manter um geminiano parado, por exemplo, em frente à televisão. Parado e quieto. Imóvel, eu digo.

Meu irmão tem compulsão por apertar, freneticamente, os botões do controle remoto. Quando não está mudando de canal, está pressionando os botõezinhos com o controle apontado para baixo - só para exercitar a compulsão, mesmo. Sentado, com as pernas cruzadas, balançando o pé. O tempo todo.

Já perdemos alguns controles assim; ele afunda os botões em poucos meses. Pensei em comprar-lhe uma bolinha de silicone, mas ele diz que "não tem a mesma graça". Pensei num chocalho, mas aí o barulho vai ser infernal. Cheguei a olhar com carinho para um osso de borracha quando passei em frente a uma pet-shop, mas fiquei com medo da reação dele. Podia me morder, sei lá. Nunca se sabe.

Contudo, o geminiano é super indicado para quem deseja sair da rotina. Se você acha a sua vida monótona, case com um geminiano. Mas depois não diga que eu não avisei.

Reações adversas: muito cuidado; se você não tiver uma cabeça cem por cento lúcida, há grandes chances de se deparar com questões do tipo: será que o doido aqui sou eu??

Não entre nessa. É ele, garanto.

Jamais espere que um geminiano repare que você cortou o cabelo, ou que está usando um vestido diferente. A não ser que você raspe a cabeça, ou apareça de batina na frente dele, os "detalhes" do seu visual jamais serão percebidos espontaneamente. Acostume-se.

Pensando bem, ele pode achar que a batina é um "pretinho básico", e nem ligar. Melhor ousar mais.

Quando o geminiano está "no mundo da lua", esqueça. Ele costuma se demorar por lá. Meses, às vezes. O bom é que, não raro, costuma trazer de lá alguma idéia genial, que pode inclusive mudar a sua vida. São idéias "de outro mundo", realmente. Mas não se assuste, e não fuja da raia. À primeira vista, parece loucura completa. Não descarte; aprenda a expandir seus limites - abra a sua cabeça.

Se já tem uma cabeça aberta, ótimo. Você vai precisar dela para acompanhar um geminiano. Só cuide para não perdê-la no meio do caminho.

Conviver com o geminiano é um risco constante. Praticamente uma gincana, eu diria. Vai ver é por isso que o sagitariano (aventureiro) topa o desafio. Outra característica do sagitariano é o senso de humor: esqueça o batom, mas não esqueça o senso de humor.

É fundamental, por exemplo, para conseguir assistir a um documentário inteiro sobre os parafusos das rodas dos carros de corrida de mil novecentos e guaraná de rolha, sem querer voar no pescoço do agitado e concentrado (ao mesmo tempo!) sujeito que está ao seu lado, exclamando "que interessante!" a cada dois minutos.

PARABÉNS, MANO!!!
Beijos da
Bíbi
p.s.: ele ganhou uma camiseta do Internacional. Pena que nenhum dos dois lados da dupla personalidade é gremista.
Ele responderia: "Sou louco mas não sou burro!!!".