25 fevereiro 2009

Publicidade na internet

Sequência de três anúncios na mesma página:

1. "Quer namorar?" (Conheça pessoas, etc)

2. "Separação e Divórcio."

3. "Deus te ama."

Isso é praticamente um conto: o sujeito (a sujeita) conhece pessoas, namora, casa, briga, separa, e acaba obtendo o consolo divino. Final feliz.

Da vida real à literatura - o Google, realmente, oferece de um tudo.

23 fevereiro 2009

Gênio oriental

Outro dia eu tive uma insônia horrorosa que contraria o senso comum; em vez de pensamentos horripilantes e preocupações com direito a previsão de desgraças na família, tive uma ideia genial atrás da outra. Incríveis as minhas ideias. Começaram às duas da manhã e se empilharam pela madrugada adentro, derrubando qualquer chance de um cochilo sequer. Vi nascer o sol no dia mais genial da minha vida.

Tomei o café da manhã, ainda insone, e já meio perturbada com tanta produtividade. E a minha memória ia dando sinais de cansaço – esqueci metade das ideias geniais, mas pensei: que mal há nisso? A fartura é tanta, me viro muito bem com 30% dessa enxurrada criativa. Escrevo dois livros, um filme e uma peça de teatro, e ainda sobra para compor um refrão, vá lá, de boa linha melódica. Um refrão razoável, está bem.

Antes das 8h, contudo, eu já estava zonza e burra outra vez, com agravante: olheiras de urso panda. Faço força, mas não lembro nem meia ideia genial. Saio na rua tipo um zumbi, encho a cara de coca-cola e não me conformo com a estupidez: há um gênio em mim, mas ele dorme em pleno horário de expediente.

Deve ser um gênio oriental, vem me visitar e não liga para o fuso. Grandes coisas.

A outra possibilidade é que, na tontura da insônia, eu tenha ficado generosa comigo mesma e as minhas “ideais geniais”, vistas à luz do dia, sejam mera bobice. Sendo assim, melhor que fiquem no escuro mesmo, ou ainda vão me dar mais trabalho do que já estão dando agora.

Que a burrice nos rouba tempo, é verdade, mas a "genialidade" (entre aspas) é capaz de nos tomar dinheiro grande.

19 fevereiro 2009

Francamente

Meu Deus, acabo de receber um e-mail de seleção de elenco para um longa-metragem de ficção. Meu Deus, eles dividem as personagens/atrizes assim:

- Mulheres jovens.
- Mulheres entre 30 e 45 anos.
...
Ainda bem que é de ficção. Não quero nem pensar se fosse de verdade.
(Uma cerveja e colágeno, please...)
Dia bom

Café com marido. Filha já brincando, outro café com marido. Iniciar uma conversa objetiva e prática sobre as tarefas domésticas, que evolui por considerações - já não tão objetivas - sobre educação. Que, por sua vez, evolui por um longo papo extremamente subjetivo, gostoso e rico sobre literatura.
Olhar a pedra lá fora. Céu azul. Nós.

17 fevereiro 2009

Cala-te, Claro

Meu celular apita uma melodia que interrompe o que estou fazendo para avisar a chegada de “uma nova mensagem”. Aperto o botão “ler” e descubro que tenho 30% de desconto para o show dos bec-strit-bóis.

Quaisquer que sejam os bóis que estejam em turnê pela vizinhança, o fato é que eu não pedi essa informação, jamais demonstrei a ninguém – nem ao Google, que tudo sabe sobre todos – nenhuma ambição ou mera curiosidade em conhecer de perto os tais rapazes, nem por suas músicas, nem suas roupas, géis nos cabelos ou purpurinas, nada, nada. No mundo ideal: eles lá, eu cá. Mas não, não posso, porque o mundo “Claro Ideias” não permite que eu tenha as minhas próprias ideais, sossegada e individualmente, em silêncio.

Perguntinha tola: por que é que meu aparelho (pessoal, que comprei com o meu dinheirinho) produz um ruído jamais solicitado para me informar essa e outras inutilidades? Já imaginaram se, numa sala com 800 pessoas juntas, todos os aparelhos resolvessem avisar a todos os seus clientes sobre os descontos imperdíveis a que cada um tem direito? O que é que me dá o direito de incomodar o direito alheio de não ouvir minhas sobras eletrônicas?

Devo levar a mão à boca e me desculpar?

Eu passo os meus dias lendo, escrevendo e escutando coisas. E não posso ter um aparelho de telefone para (apenas!) falar. Até porque o sinal é péssimo, e raramente consigo fazer ou receber ligações.

PS: Alguém poderia dizer “é só você configurar...”, ao que retruco: por acaso não deveríamos ter que “configurar” a opção contrária – a de solicitar barulhos e mensagens? No meu, começaram a apitar e enviar textos sem a menor cerimônia. E são muitos!

03 fevereiro 2009

Salsa capilar e reza

Meu cabelo e eu fomos parar nas tesouras de um profissional chamado Marcelo, que leva a fama de ser o melhor do salão. Conforme me confirmou a depiladora boa gente. Se esse é mesmo o melhor do salão, suponho que dance um bolero como ninguém. Ou a depiladora é que não é boa gente.

No meu cabelo deu foi uma salsa descompassada, e cheguei em casa nas tamancas, desafinando um miado meio indignado, meio lamentoso, bem como costumo fazer sempre que alguma coisa desanda e foge ao meu alcance. Não estou exagerando. Você olha para o meu rosto e tem vontade de pedir ajuda: orientação vocacional capilar. Um cabelo indeciso, impreciso e inseguro. Diria até, volúvel.

E eu que já não tinha muita coisa reta na cabeça, agora esse baião caribenho, olha, só rezando. Só rezando. Pai.

08 janeiro 2009

Acordo ortográfico

Ninguém vai dizer, então digo eu: não estou em condições de entrar em um acordo ortográfico que tira o acento das ideias e das estreias.

Ideia sem acento não vinga; estreia sem acento não inaugura. O ditongo aberto fecha as portas nas paroxítonas e eu esperneio, gostava mais antes!, gostava bem mais antes...

É injusto com a classe artística. Não bastasse, a porta da saída continua exibindo seu sinal agudo, direcionando o povo ao final sem cerimônia.

Isso para não falar na jiboia sem acento, um perigo.

(Filha minha, repara não: ocorre que a mamãe tá veia).

31 dezembro 2008

Ano Novo

Ficam mandando essas mensagens “que Deus derrame suas bênçãos...”, etc.

Se é assim, que em 2009 nós façamos sólidas coisas boas para receber as líquidas – e espirituais, e amorosas, e gasosas, e brilhantes, e também muito sólidas – bênçãos de Deus. Amém.

22 dezembro 2008

Bronzeado falso

Sei que o bacana seria não comentar, mas, como é assunto de utilidade pública, não resisto: pela primeira vez, estou ostentando um bronzeado 100% cosmético, by Dove Summer Tone. A “loção hidratante com agentes autobronzeadores” promete pele dourada em uma semana de uso diário. No meu caso, branquela e sem disposição/tempo/coragem para dourar ao sol, realmente é um achado. Adotei.

Dei uma pesquisada básica no Google para saber o que andam dizendo sobre o produto, que já é amado e odiado. Tem gente que reclama da “meleca”, o que acho razoável para quem precisa se mexer muito depois da aplicação. Eu fico quieta, sentada diante do computador mesmo, então tudo bem.

Dizem também que pode manchar um pouco as roupas – mas eu só uso preto nessas horas, nem ligo. O cheiro, sim, incomoda um pouco. Segundo li, é o nosso corpo que, ao liberar a melanina, produz esse “odor” tão característico. A mim chateia, mas sinto (vejo) que a recompensa vale a pena.

Ainda preciso achar solução para dois problemas: as mãos e o rosto. Aconselhável é lavar as mãos depois da aplicação, para não correr o risco de amarelar as palmas. Pois bem, tem ocorrido o seguinte: as mãos ficam branquelas e as palmas, amarelas de qualquer jeito. Aí me aconselharam a passar o creme no dorso e “limpar” as palmas com um paninho, o que também não dá certo: dorso branco, palmas amarelas. Socorro.

Quanto ao rosto: no site diz que ele pode ser usado na face, mas quem tem pele oleosa e sofre com acne, como eu, jamais terá coragem! Qualquer coisa que eu passe no rosto me dá espinha, até vento. Recentemente, li uma entrevista com a Anna Hickman – adepta do bronzeado artificial – e ela diz que também não usa nenhum autobronzeador no rosto, pelo mesmo motivo. Resolve com maquiagem mesmo.

De duas, uma: ou encontro logo uma base para pele oleosa que me deixe da cor do resto do corpo, ou vai continuar parecendo que dormi no sol e esqueci o jornal em cima da cara.

Nas mãos, usarei luvas. Agora no verão, será uma delícia.

17 dezembro 2008

Da arte de reclamar em público

Jamais reclamo de coisa alguma em público. No trânsito, nas filas de banco e supermercado, nas calçadas, marquises, escadarias e corredores da rotina implacável - todos passam à minha frente, cortam meu barato e furam minha paciência sem que eu dê a mínima. Sempre fui assim. Passo por santa ou panaca, e não sou nenhuma das duas: sou avoada mesmo. E um bocado tímida.

Espere um pouco, não estou dizendo que sou aquela mala-sem-noção que trava o trânsito dos carrinhos verificando a validade da sardinha, de cócoras. Isso, não! Quando posso ser protagonista das minhas aventuras, deixe comigo, resolvo. Nos momentos em que cabe a mim checar, comparar, escolher, experimentar e até mesmo (me orgulho muito) maquiar, vestir e calçar, sou ágil e certeira. Não fico assim, na cabine da loja: é essa ou essa, ai, ai...? Nunca. Empilho meus ais e levo tudo embora, para o terrível momento do arrependimento, se for o caso. Mas não titubeio em público, nem manifesto descontentamento em frente a desconhecidos. Rabugice é coisa íntima, e só me aturam os valentes.

Entretanto, quando a pendenga não se define e não é minha a chave da saída, mergulho em Deus sabe qual subterrâneo das caraminholas e digo adeus ao mundo real. Reflito, medito, escrevo mentalmente, componho melodias lindíssimas (que depois verifico já existirem há séculos), chego a resolver dramas psíquicos dos quais anos de divã não deram conta – sobretudo os dramas dos outros, claro. E devo ter uma cara de trouxa, porque já chegaram a me questionar, no supermercado:

- Você não vai reclamar porque esse cara está passando as compras na fila dos 10 volumes, aí na sua frente? Ele tem muito mais que 10 volumes! Muito mais, olha lá!

Caríssimo senhor gentil, obrigada por avisar, mas, no dia em que eu me puser a contar os volumes dos carrinhos alheios, pode mandar me internar. Devo estar sofrendo de um terrível tédio interior e já nem me interessa andar solta às compras, comprar para quê? Deixa eu curtir meus plágios imaginários que, com certeza, sou mais feliz assim.

Acontece que há uma primeira vez para tudo, principalmente o que não devia. Estava parada na fila dos frios, tranqüila e “compondo” minhas trilhas sonoras, quando parou atrás de mim um adolescente. Devia ter uns 15 anos, bermudão, a listinha de compras amassada entre os dedos e aquela cara de quem odiou a missão de comprar queijo. Senti solidariedade, ora, já fui uma guria afoita e “ocupada” demais para auxiliar nas tarefas da família. O púbere bufava, a fila empacava, e eu concordei com a sobrancelha: saco.

Lá junto ao balcão, mais afoita que todos nós, atravessa uma perua com óculos de tartaruga e vai direto dando ordens ao atendente. Quer meio quilo disso, meio daquilo, e a búfala, e o peru fatiado bem fininho, mas sem quebrar. Olhei o garoto, que bufou novamente, agora com ironia e um pouco de raiva. Bastou. Espichei o pescoço de tal forma que ouvi um estalo, mas nem liguei. Limpei a garganta com um pigarro dramático e emendei o seguinte discurso:

- Aê! Tem filaaaaa!!!

Silêncio constrangedor. Senti um terrível pressentimento. Minha adversária me olhou tranqüilamente e explicou:

- Querida, estou aqui há séculos. Cheguei muito antes de você. Jamais faria um negócio desses, furar a fila. Está pensando que eu sou o quê?

Quando eu ia levantando a voz para – sei lá, contrariar, dizer que era um abuso, que ela estava mentindo, que eu conheço a família dela e todos são assim, que é uma pegadinha e vai cair um Papai Noel do teto! -, pois a moça que estava entre nós duas fez uma cara de “cala a boca” e completou:

- É verdade. Ela está comprando uma porção de coisas, só tinha saído um segundo para ver uma coisa enquanto o rapaz estava fatiando o presunto.

Na mesma hora, e usando o mesmo tom e o mesmo pescoço de girafa, pedi sonoras desculpas à perua inocente. E segui pedindo. E pedi outra vez. Quando dei por mim, já tinha pedido desculpas umas dez vezes e, na verdade, pedia era para mim mesma. Que vexame, eu não podia me perdoar.

Que o menino adolescente estivesse indignado porque a mulher comprava quilos e mais quilos, isso pude compreender. O que não posso conceber é que, justo na estréia da minha audácia de reivindicar meus direitos em público, eu tenha acabado desmoralizada na sarjeta da injustiça. Acusar uma inocente. Tudo culpa da minha distração de proporções dramatúrgicas. Se ela estava ali quando cheguei, juro que não vi. Se tivesse uma árvore, um gambá, um rinoceronte – teria visto?

Se a estivesse a Madonna cantando Holyday em cima do queijo bola, ainda assim talvez eu olhasse e pensasse: que melodia interessante acabo de inventar, impressão minha ou tem uma loira animadíssima dançando no queijo? Céus!

09 dezembro 2008

Sex and the City

Eu assisti ao filme "Sex and the City" no DVD. Minhas expectativas já eram baixas, mas consegui me surpreender: é péssimo! Praticamente não tem roteiro, é uma coleção de clichês e piadas de mau gosto, as personagens conseguem estar menos interessantes do que no seriado e os seus pares românticos... o que dizer deles?

O ex-charmoso Mr. Big virou um idiota com expressões de boneco de plástico; o Steve (da Miranda) perdeu a graça e se transformou num menino chorão arrependido. O marido judeu-careca-boa-gente aparece pouco, e o astro de cinema que se casou com a Samantha é mais um bonitinho burrão que nada acrescenta. Todos os atores do filme, que já não são grande coisa, ainda por cima estão mal dirigidos.

O figurino, badaladíssimo, é realmente lindo em muitos casos (a única coisa do filme que vale a pena, para quem gosta). Mas tem coisas horrendas, como o inacreditável "pássaro" que a Carrie usa na cabeça junto com o vestido de noiva. Argh! Não dá para se concentrar na cena com aquela ave figurante.

Nunca achei a série genial, mas, pelo menos, rendia algumas risadas. Já o filme, puff.

05 dezembro 2008

Volta ao passado

Ô, Deus meu. Os anos se passam. Mamãe aqui era uma guria e carregava uma guitarra nas costas, fazia shows usando camiseta do Grêmio e tênis de basquete. Era uma garota que, como eu, amava U2 e Guns'n Roses. Taí.

01 dezembro 2008

De auto-estima, groselha e laquê

Está bem, nunca fui a miss auto-estima. Tinha 9 anos e me achava esquisita, mas podia ser que melhorasse. Tinha 11, não melhorava. Tinha 12 anos, de vestido repolhudo (momento que minha mãe julga inesquecível - eu parecia uma princesa), pois não é que fiz parte de um bolo vivo do aniversário de uma amiga muito chique em Porto Alegre?

Dancei a valsa com um milico bastante educado, coisa e tal. Não tiramos nenhuma fotografia para guardar de lembrança, mas a minha memória é implacável: eu me sentia uma velha com aquela roupa e maquiagem, para não falar do cabelo empapado de laquê. Esquisita, dura e desconfiada de uma micro-bolsinha que me obrigaram a carregar e que, vá lá, combinava muito com o vestido. Mas o que eu vou poder levar aqui? Só o dinheiro (pouco) e o batom (mais um item fundamental que a minha autocrítica considerava dispensável). Aquele lilás na boca tipicamente incolor me dava a sensação de parecer que tinha recém chupado um picolé de groselha. Eu era o próprio picolé de groselha, gelado e imóvel, derretendo ao som da valsa e suando a camisa do pobre daquele milico.

Tinha ainda uma coisa com as mãos. Quando eu usava batom, muito raramente e sempre persuadida à exaustão, não sabia onde colocar as minhas mãos. Um inferno. Era como se o tom labial desnorteasse a minha figura como um todo, e o que já era sem jeito descambava de vez. Resultado: as mãos pagavam o pato. Onde enfiá-las? Que gestos eu faria? Mãos de menina, mãos de mulherzinha, mindinho, seu vizinho, pai de todos, fura-bolo...?

Quando a valsa enfim terminou, o rapaz perguntou se eu queria um refrigerante e eu emudeci de pânico. Como assim, refrigerante? Não termina aqui o nosso número? Você está ameaçando continuar me acompanhando neste baile – e, pior, sem valsa para disfarçar? Escuta aqui, você acha que só porque eu pareço um picolé de groselha eu devo me casar com o primeiro militar que me oferecer fanta uva? Respeite o meu laquê!

- Não, obrigada, não bebo.
- Você é engraçada.
- Não, obrigada.
- Você tem um ótimo senso de humor.
- Me arruma uma cadeira?
- Como assim?
- Tá vendo aquela cadeira sobrando lá? Arrasta ela aqui pra mim, por favor?
- Você está se sentindo mal? Precisa sentar?
- Não. Quero botar as mãos na cadeira. Por favor, eu disse.

O guri trouxe a cadeira – era gentil toda vida, o que indica que desperdicei uma amizade promissora -, eu o dispensei e fiquei em pé, empertigada, com as duas mãos apoiadas na guarda da cadeira e um olhar falso que pretendia convencer alguém de que eu não conseguia me decidir, oh!, entre os brigadeiros e os cajuzinhos. Ufa, tudo estava resolvido. Era rezar para ninguém me desmascarar até a hora dos meus pais irem me buscar.

Logicamente eu fantasiava que a paralisia pudesse me tornar invisível, e aproveitava para emendar também um falso dilema bocó (brigadeiro ou cajuzinho?), que era para conferir um maior potencial dramático à situação. Empacada atrás de uma cadeira, as mãos fixas – e, portanto, impedidas de fazer o gesto errado -, e empacotada na indecisão dos doces, àquelas alturas eu já era praticamente uma pintura ou mesmo uma instalação artística em forma de convidada na festa da minha amiga chique. O resto da turma comia, bebia, dançava e conversava muito.

Hoje, quase vinte anos depois, vai ver que alguém olha uma foto que sobrou num canto e se lembra da grande festança da filha caçula dos Dorfmann, até com saudades.

- Escuta... Quem era essa guria que segurava uma cadeira espremida lá no cantinho, meu Deus?

Cada um com seu hobby, meu caro. Não fosse por mim, ninguém hoje estaria sabendo da festa chique que o seu Dorfmann deu à filha em mil novecentos e groselha com laquê.

21 novembro 2008

Segunda-feira eu faço 31 e já vou avisando: a partir de então, farei trinta e uns.
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Hoje eu vi uma cena ótima na rua. Uma senhora levava no colo um poodle que vestia um colete preto e amarelo escrito: POLÍCIA.
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Aviso no site de uma editora: "não avaliamos mais originais de pessoas que não sejam intermediadas por um agente literário."

Pois eu também não avalio mais editoras que não sejam intermediadas por um agente editorial, pronto. Hoho.
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Toda vez que alguém me diz "seu cabelo ficou muito melhor assim" eu, em vez de considerar elogio, sinto que devo ter andado pagando mico e não sabia. É que ninguém interfere para criticar, então a gente não pode confiar. Raras são as pessoas que, honestamente, chegam para você e dizem: olha, seu cabelo está precisando de um novo corte, e não bastará mudar o penteado, é tesoura nele.

Até porque o último que me disse isso está até hoje com a tesoura entalada no pescoço, para aprender a não dizer besteira.

14 outubro 2008

Décimo Terceiro

É quando chega, assim, outubro – e outubro sempre chega assim, do nada. Ninguém percebe, mas a verdade é que outubro começa pelo meio. Você vê, amanhã já é dia do professor de novo e parece que a gente não aprende. Aliás, estive pensando: o que há com setembro que não prenuncia, não insinua e não adverte ninguém de coisa nenhuma?

“Ei, gente, olha eu aqui, com essa cara de setembro! Mais dia, menos dia será Natal e vocês não digam que eu não avisei, hein?”.

Que nada. Setembro só faz chover no molhado, como se ainda estivéssemos num agosto espichado, ou pior: como se o primeiro semestre sequer tivesse terminado. Com essa questão do clima retardando o edredom, ficamos nós também um pouco retardados, e o Ano Novo espeta precocemente quando o Ano Velho ainda parece bem enxutão.

Quando eu era pequena, um dia ouvi uma conversa sobre o décimo terceiro de alguém e pensei: meu Deus, será que eles escondem trinta dias em algum canto e só liberam para usuários cadastrados? Tem que ter CPF limpo? Pode enfiar o décimo terceiro logo depois da Páscoa, e aí a gente fica comendo chocolate ininterruptamente nesse mês-bônus?

Pois o meu eu vou querer justamente em outubro – antes do meu aniversário, só para ter a sensação de trapacear o envelhecimento. Hoho.

12 outubro 2008

Tira o olho!



Totalmente solidária.

09 outubro 2008

Apenas uma vez

Só ontem assisti no DVD ao filme Apenas uma vez (Once – Irlanda, 2006), que foi bastante elogiado e ganhou o Oscar de melhor canção original com Falling Slowly.

Depois de um show do The Frames em Dublin, em 2005, o diretor John Carney (que já tinha sido baixista da banda) pediu a Glen Hansard, cantor e líder do grupo, que compusesse um punhado de canções que serviriam como base para montar um roteiro. O filme acabou sendo feito a partir de 10 músicas inéditas, e o próprio cantor/compositor interpretou o protagonista.

Filmado em apenas 17 dias e com um orçamento de US$ 70 mil, o musical modernoso - que conta a história de um músico de rua e uma vendedora de flores tcheca, também cantora e instrumentista - virou um fenômeno independente muito aplaudido. Sobretudo por questões que têm mais a ver com a sua condição no mundo cinematográfico do que, propriamente, com a “obra” em particular. O surpreendente sucesso de um filme barato e despretensioso, por exemplo, chama atenção e conta pontos. A ousadia do formato, idem.

Eu acho delicado dizer que é bom, mas certamente há ótimos momentos – e não só musicais. O carisma dos dois músicos/atores é inegável e rende belas e comoventes cenas. Já o ritmo se mantém lento do início ao fim, criando possíveis dificuldades soníferas para acompanhar uma história que, por sua vez, também vai andando meio de lado.

Em suma: é meio ruinzinho, mas é ótimo.

Só avisando: passe longe quem não pode com essas canções românticas de melodias tristonhas e refrões grudentos, como Falling Slowly. Abundam!



PS: Muito, muuuuito bonitinho mesmo é assistir à cerimônia de entrega do Oscar e ao breve e fofo discurso do casal – que, segundo consta, começou a namorar durante as filmagens. Em inglês, sem legendas. Aqui.

07 outubro 2008

MODA 2008/2009
A próxima estação pede penas no topo e calças dos maridos


Andei passeando, com minhas pantufas amarelas, pelos sites de moda. Ai!

Primeiro que não entendo do assunto um ovo. Mas acho bem interessante quem entenda e saiba se vestir. Já eu ando esportiva, casual e, às vezes, clássica. Que é para não errar.

Não que tenha um senso estético péssimo; até combino algumas cores com certa habilidade (desde que elas sejam poucas e gentis comigo, e que não fiquem se misturando aos tons menos conhecidos das pessoas em geral).

Bom, mas as novidades são as seguintes – e vou usar sempre a primeira pessoa do plural no afã de me incluir nesse desejado universo fashion: usaremos adornos nos cabelos e nas cabeças. Segundo as fotos que rolam por aí, andaremos com lenços, tiaras, diademas, fitinhas, frufrus e, pelo que daqui pude identificar, inclusive uns enfeites (?) em forma de penas de pato, pombo ou mesmo ganso (vá saber!), e também uma espécie de olho de pavão (juro que vi) no topo da, no topo do, como se diz? Enfim, no topo.

Ah, outra coisa positiva é que usaremos muito o chapéu – imagino que também no topo.

Já sobre as velhas calças jeans, há uma ameaça no ar: o retorno da calça baggy, aquela coisa larga de cintura alta que era moda nos anos 80. Mas, conforme investiguei, essa tal ameaça nasceu de umas fotos do tipo “flagra!” de três ou quatro celebridades estrangeiras, acho que americanas, que andavam pela rua tranqüilamente vestindo as calças dos seus maridos-celebridade.

Pessoalmente, avaliei que o flagrante verdadeiro seria se estivessem usando as jeans do marido alheio. Mas não, foi erro de avaliação (meu, claro).

Uma vez detonado o “movimento” das celebridades-com-as-calças-dos-próprios-maridos, estabeleceu-se que, na próxima estação, deveremos nós também usar calças jeans folgadas, de cintura baixa e corte masculino, reto. Leia-se: fundilhudas. Além disso, “muito lavadas” (tradução: aspecto sujinho, desbotado). E consta que uma das moças fotografadas foi duramente criticada por usar as benditas calças com as barras dobradas, no velho estilo de caçar marrecos na lagoa.

Pensando bem, talvez, se ela usasse ma pena na cabeça...

* Pelo sim, pelo não: dicas de como usar a calça adequada ao seu tipo físico nesta reportagem do Jornal Hoje.

04 outubro 2008

A título de bundas entre parênteses

Um anúncio na revista de domingo oferecia mil maravilhas estéticas, dessas que a gente vive com vontade de fazer, mas cadê “tempo”? Sou péssima para guardar esses nomes - plastias, bio isso, bio aquilo, dermocoisas e coisodermos - que, por si só, já espetam a gente e dão choquezinhos. Mas o fato é que, lá pelas tantas, deparei com a seguinte oferta:

Não-sei-o-que dos glúteos (bumbum).

O bumbum vinha entre parênteses, depois dos glúteos. A essa altura do campeonato, existe alguém que realmente não saiba onde ficam os (seus próprios) glúteos? Pode errar um pouco na mira, está certo, já que os glúteos andam – invariavelmente, para baixo. Mas saber, sabe.

Outra coisa, você conhece o Fio Búlgaro? Pesquisei a respeito: “É um excelente tratamento para levantar o glúteo caído (triste), pois reposiciona o mesmo”.

Achei interessantíssima a abordagem psicológica do caso. O glúteo caído não está sedentário, velho, largado às traças: está triste, oras. Aliás, entre parênteses (triste), outra vez! Estou começando a achar que esse pessoal da estética costuma dizer umas verdades entre parênteses.

Só fiquei com uma dúvida, na parte “pois reposiciona o mesmo” – quem seria o mesmo, mesmo? Acho que eles quiseram enfatizar que o glúteo a ser levantado será o mesmo de quem se submeteu ao tratamento, e não outro. De suma importância. Imagine você pagar pelo tratamento e acabar consertando bumbum alheio. (Prejuízo).

Queridos, vou trabalhar antes que escreva mais trivialidades (besteiras).

26 setembro 2008

Meu vizinho de baixo

Vocês sabem, eu tive uma banda e tocava baixo elétrico. Minha banda durou uns 12 ou 13 anos (meu Deus!), e estou pagando esse tempo com juros e correção monetária auditiva: meu vizinho do apartamento de baixo, isso mesmo, tem uma banda e toca baixo.

Todo santo dia, eu tento trabalhar aqui e ele tenta repetir lá, zilhares de vezes, a mesma frase em seu baixo elétrico: dum-dum-dum, ponto e vírgula, dum-dum-dum outra vez. Ai, minhas exclamações! Quando estou a ponto de desistir, ele também desiste. E o ar que entra pela janela indica que ele está a fumar umas coisas.

Mas eu não estou a fumar nada, e assim seguimos com a nossa impressionante afinidade químico-musical que algum dia, já posso prever, nos levará a parceria nenhuma.

Para não dizer que não vejo as coisas com imparcialidade, ainda ontem, os dois diante do espelho do elevador, descobri um talento em comum: ele disciplinava uns fios de cabelo arrepiados, e eu investigava a ameaça de rugas. Ambos, convicta e inutilmente.