16 novembro 2005

Milho verde, jacaré e moita


Cariocas cansaram das chuvas (eu estava adorando, confesso), e chegou o sol. De brinde, deu dia lindão no feriado ontem.

Gaúcha aqui teve a idéia de jerico (sou mestra) de ir caminhar na praia BEM na hora do regresso dos banhistas, à tardinha, quando o sol está indo embora e o povo idem – menos a gaúcha branquela, claro, que sai às 6h da tarde com protetor 30 e ainda espreme os olhinhos.

Pois bem. A praia era a sucursal do inferno, e as adjacências estavam absurdamente engarrafadas. Não havia para onde fugir. No calçadão era criança de patins, mãe irritada, pai bêbado, milho-verde rolando no chão e servindo de bola para o futebol atrapalhado dos adolescentes – ah, quantos gambitos tive vontade de chutar!

A ciclovia era invadida por motos, claro.

Nos carros parados, funk no último. (Popozudas não fariam falta alguma, não sei por que escolhem o fofo do urso panda em vez delas...)

Falar em extinção, no canal da lagoa (aquela imundície, como fede!), sobre a pontezinha de madeira apodrecida, uma dúzia de curiosos “admiravam” um banhista tímido: jacaré. Ai, meus sais, aonde vim parar??

Ainda na beira da praia, cansei de desviar dos cocos e dos milhos, e atravessei a rua. Quando pensei que tinha me dado bem, a cena me surpreende: um filho da mãe mijando na árvore. Me deu um susto imenso – embora, a bem da verdade, o “susto” dele nem fosse para tanto.

- Por uma mera questão de proporção, se eu fosse você, mijava numa moita. Ficava menos feio.

(Por que essas coisas não me ocorrem na hora?)

10 novembro 2005

Retrospectiva


Passou finados,
é isto:

outubro
setembro
agosto
julho
junho
maio
abril
março
fevereiro
janeiro

O cotidiano
visto assim,
pelo avesso,
é muito mais
espesso.
Poesia


Ao abrirem as cortinas, o público estava eufórico: ávido pela doce fumaça que lamberia as luzes coloridas piscantes que enfeitariam o chão do palco que abrigaria premiados atores-cantores que entoariam canções lendárias cujos finais parecessem ter sido feitos – e foram mesmo – para provocar um ataque de choro compulsivo coletivo capaz de lavar as almas dos mortais presentes, bem como de seus parentes, e dos ausentes, e (aproveitando) também dos parentes dos ausentes.

Bem, deu-se nada disso.

Veio só o preto no branco: texto dito por um poeta desconhecido, calvo, de estatura mediana, sapato meio gasto, oriundo (o poeta, não o sapato) não se sabia do interior de que parte, importado (o sapato, não o poeta) certamente do raio que o partisse.

Ninguém chorou um pingo. Mas, naquela noite, foram todos (mais ou menos) até a lua – e, olha, alguns até voltaram.

Ou seja: a poesia é uma espécie de “atalho” que a gente cria para andar mais. Daí o sapato gasto.

08 novembro 2005

Papo no Pilates


- Minha filha foi convidada para a festa de aniversário de uma amiguinha, e eu estou chocada.
- Por quê?
- A festa é na suíte de um motel. Precisava ver o convite. Cada pessoa paga R$ 40,00. Vão passar a noite num motel. Meu Deus! Motel!

Os comentários que se seguiram foram os mais variados:

- É, tua filha foi escalada para um bacanal. Como são as coisas. A gente cria os bichinhos com todo carinho...

- É nada! Isso é supernormal hoje em dia. Tá na moda! Vocês estão sendo preconceituosas. Saiu até reportagem no Globo.

- E daí?? Sair no Globo é garantia que não tem sacanagem?? Pois eu acho que é muito pelo contrário!

- “Hoje é festa lá no meu apê...” Hihi, essa garotada...

- Se eu fosse você, não deixava ir. Quanto anos ela tem? 21 é muito novinha! Tranca em casa.

- Eu não me abaixava para pegar guardanapo que caísse no chão...

- Acho que eles nem dão guardanapo nessa festa. Vai fazer o que com guardanapo?

- Será que tem comida, pelo menos?

- Você diz, comida, de comer? Ou...

- Brigadeiro, cajuzinho, risólis!

- Cachorro-quente...

- Salsicha, vai ter! Quá quá quá!!!


E a pobre mãe, que entrou na aula apavorada, saiu de lá em perfeito pânico.

04 novembro 2005

Barco


Hoje eu acordei um pouco melhorzinha e fui, saltitante, ler o horóscopo no jornal. Sim, eu leio horóscopo. Mas só acredito no que me convém.

Pois ali dizia, creia você se quiser, que é melhor a sagitariana estar atenta: “às vezes, só se percebe que o barco está afundando quando já está entrando muita água”. Assim, na lata.

P***quepariu. Só pode ser perseguição.

Não dava para me rogar uma praguinha menos resfriada, não? Água?

AAAATCHIM!!!

***

Vozes de família


É interessante como, nas famílias, algumas pessoas têm um timbre de voz semelhante – às vezes, confunde-se ao telefone.

Na minha, por exemplo. Minha mãe e eu temos vozes parecidas. Outro dia, quando estava no RS, tive uma longa conversa por telefone com meu tio. Marcamos um churrasco. E ele ia se despedindo:

- Então tá, Aninha, nos vemos no sábado...

Achou que tinha combinado tudo com a minha mãe.

Como tenho um timbre mais grave, muitas vezes também me confundem com o meu irmão. Tem uma casa de sanduíches aqui perto, onde fazemos pedidos freqüentes – a atendente acha que é sempre a mesma pessoa.

Eu: Boa tarde, eu queria fazer um pedido.
Ela: Oi, Seu Adalberto! Tudo bem? Vai o de frango ou o de tomate seco, hoje?
Eu: O de tomate seco.

Eu sempre peço o de tomate seco. Meu irmão sempre pede o de frango. E a moça jura que o Seu Adalberto alterna.

Quando a confusão é com o meu irmão, é ainda mais divertido. As pessoas ficam sem jeito.

Um dia ligou um amigo dele, e já atacou com essas brincadeiras que homem faz. Atendi:

- Alô?
- Faaaaaaaaala, bundão!!!!
- ...
- Que é, não tá reconhecendo a minha voz??
- Bom... na verdade eu...
- Vai ficar de viadagem, é?
- Viadagem, não... É que eu sou a irmã dele.

Longo silêncio constrangido do outro lado. Confundi a moça com homem, chamei de bundão e viado, e ainda dei um atestado de babaca.

- Não te preocupa, isso acontece toda hora...
- Ai, me perdoa...

Como é bom ver um rapaz constrangido, hoho.

Também já atendi namorada que me chamou de apelidos... fofos. Colegas de trabalho. Músicos, produtores, contratantes. A filha dele!

- Alô?
- Oooooi, paaai!!
- Pai é a #!*@()$¨)_#!@#¨&*(()*!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Ah, não. Pai já é demais, concorda?

03 novembro 2005

Me pegou


Agora eu tenho certeza que estou gripada. Porque minha voz soa como um violoncelo desafinado, tocado por um sujeito sem talento que sofre de tendinite crônica. Ah, cuja mãe chega tarde da noite em casa... sem razoável explicação.

Bom, tô p***.

02 novembro 2005

Gripe

Acho que estou gripada, mas não tenho certeza. Aliás, nunca tenho certeza da gripe, a não ser que ela esteja explodindo. Por isso, fico meio assim de tomar antigripais: estaria assumindo que estou com gripe. Tudo vai do psicológico.

Esses antigripais, a propósito, deixam a gente derrubada e imprestável. E eu prefiro ficar derrubada e imprestável na saúde, se é que me entende. Você não prestar para nada por opção é muito melhor do que não prestar para nada por falta de. O ócio é maravilhoso, mas a gente tem que poder puxar a cordinha e saltar na rua, se der na telha.

Eu gosto muito de enxergar a cordinha, nem que seja só para esnobá-la e continuar aboletada na poltrona. Dando tchauzinho pro vento.


Tato de terapeuta

E ela me tranqüilizou:

- Não, querida, claro que não. Nesse caso, você seria uma esquizofrênica completa. Mas posso te tranqüilizar: és apenas uma neurótica supercomum, desse tipo mais vagabundo que existe aos montes por aí.
- Desculpe, mas vagabunda é a senhora.
- Olha aí, não tô dizendo?


e-volução (por falar nisso)

Antes, tínhamos que guardar as coisas na cabeça. Hoje, guardamos tudo nos arquivos, e perdemos a cabeça quando eles dão pau – ou seja, toda hora.

Antes, éramos apenas neuróticos. Hoje, graças à tecnologia, temos fortes motivos.


Constrangedor

Eu estava caminhando e passou uma van cheia de estudantes. Um menino na janela fez BÚÚÚ!!!, e me deu o maior susto. Botei a língua para ele e fiz “nhéééé, seu retardado sem mãe!” (disse bem baixinho, claro).

Mas um sujeito vinha de bicicleta atrás de mim e viu/ouviu meu papelão. Afff! Pior coisa de falar sozinha é quando você está acompanhada e não sabe.

20 outubro 2005

Colo


Os filmes na estante em desordem alfabética, a janela sem cortinas filtrando raios intensos do dia que já se acabou, os cabelos esparramados em lisos cachos de um louro meio azul, meio carvão, a televisão chiando (em silêncio) repetições inéditas e velhos anúncios de lançamentos sem previsão de estréia – todo caos é uma questão de ângulo.

Um giro de 90 graus à direita - as orelhas paralelas ao teto, o horizonte perpendicular à razão. Bochecha esmagada em jeans.

Deitada no colo dele: foi assim que ela corrigiu o mundo.

11 outubro 2005

Futuro


Ameaça chover. Jantarzinho de última hora com uns amigos. Ei, essas pessoas que inventam de um tudo: quando é que vão inventar uma pílula que você toma, espera uns 20 minutinhos, e as unhas aparecem feitas?

Comprimidinho vermelho para unhas vermelhas. Comprimidinho café para unhas café. Comprimidinho chocolate para unhas chocolate...

Esse último podia vir com gostinho.

E diet, please.


Dia dos fedelhos

Amanhã é feriado - as ruas, as praias e os shoppings estarão lotados de diabinhos cheios de vontades esperneando gritando batendo pé exigindo sorvetes balas doces Mac’comidas sintéticas cama-elástica pula-pula escorregador laptop da Barbie e do Homem-Aranha mamãe eu quero eu quero eu quero eu quero ficar em casa Deus me livre sair na rua ou almoçar em algum restaurante e levar de brinde um nugget com maionese no meio da testa tô fora.

06 outubro 2005

Erro de gênero


Quando pequena, eu imaginava que meu sobrenome continha um erro de gênero. Em vez de Da Pieve, deveria ser Do Pieve – afinal, Pieve é como todo mundo chama meu pai, que é muito homem. Não entendia o Da. E mais: achava, por conclusão infantil, simplista e doce, que os sobrenomes de todas as pessoas serviam para isto - dizer de quem elas eram.

Assim, um Maurício que fosse filho de um Lopes se chamaria Maurício Do Lopes, e uma Beatriz que fosse filha de um Antunes, Beatriz Do Antunes.

Mas e as mães? Não seriam igualmente proprietárias?

Minha mãe se chama Aninha. E não é que ficaria interessante – Bíbi D’aninha?


Deutschland


E me vem à memória um episódio de infância. Tinha 10 anos, fiz uma viagem à Alemanha com um grupo de 30 colegas e uma professora de música. Minha melhor amiga foi junto, e passamos o primeiro semestre (que precedeu a viagem) fazendo planos - que delícia ia ser aquilo, viver um mês longe dos pais, morando juntas, como faziam as americanas superadultas que iam para a faculdade.

Já no vôo de ida, quebramos o pau. Terminamos aquela amizade de uma vida inteira, ou seja, dois anos. (Dois anos, naquele tempo, valiam muito mais do que valem hoje. O câmbio do tempo é implacável).

Cheguei na Alemanha com dor de cabeça, confusa do fuso, enjoada do estômago, exausta do vôo e da briga com minha ex-melhor-amiga. Pior de tudo: ia ter que dividir o quarto com aquela inimiga mortal por longos 30 dias, já que tudo estava marcado e não tinha volta. Troço desgastante.

No primeiro dia, fomos dar um lindo passeio pela cidade. Impliquei com ela o quanto pude, e ela não revidava, ou porque era mais sensata, ou vai ver que tinha poderes para prever o que eu não conseguia. Lá pelas tantas, não se agüentou e veio me arrancar os cabelos, isso em pleno solo europeu.

A maioria da turma incentivava, outra parte tentava apartar, e a professora se viu desesperada. Os alemães comportados se horrorizavam com a algazarra brasileira, Deus que me perdoe, só de lembrar me arrepio. Gritaria, balbúrdia, gargalhadas altas. Coitada da tia Fulana, uma senhora tão boazinha.

Depois de nos embolarmos no chão – a Alemanha é ótima para isso, porque os carros param na faixa de pedestres -, aos puxões das tranças e bofetões nas orelhas, além das mordidas em casos extremos (há alguma ética nisso tudo, tá pensando o quê?), por final respingamos, uma para cada lado, não sei se por cansaço ou porque o momento implorava uma pausa. Artisticamente, eu digo.

Era a deixa para a única pessoa adulta impor alguma ordem, usando de princípio mais sóbrio, afinal. Deu nem cinco segundos, senti a sóbria mão da tia Fulana pinçando minha orelha esquerda e puxando como quem vai pendurar num varal. O mesmo ela fez com aquela traíra mirim - que me insultava ainda mais, agora ferida e humilhada gravemente diante das outras crianças.

E fomos nos arrastando, conforme as orelhas apontassem o caminho, sei lá por quantas esquinas daquele velho mundo cruel.

Claro que fizemos as pazes em dois tempos, mas aí já era tarde: sofremos as devidas punições. Passamos o dia seguinte enfurnadas numa saleta de fundos, concentradas na árdua tarefa de escolher duas enormes bacias de feijão. No próximo almoço, sairia uma típica feijoada brasileira, para apreciação dos simpáticos alemães que nos hospedavam.

Acho que eles nunca comeram tanta pedra na vida.

05 outubro 2005

Estiagem


Adoro o “almoço executivo” de um restaurante japonês aqui perto. Baratinho, rápido e caprichado. Faço uma cara de cão sem dono (no caso, cã), e ainda faturo uma entrada de sashimi com salsinha e gergelim – afinal, não se deixa uma moça sozinha esperando comida. Hoho, eu e minhas tranças.

- Aqui, dona, um passatempo pr’ocê...

Outra coisa valiosa é ouvir conversa de garçom. Sai cada uma.

- Mulher só dá trabalho. E tem mais, começa já na primeira olhada. Se a beleza resolve olhar pra você, sei lá por que diabo, sendo que está acompanhada pelo namorado, é encrenca. Pode escrever que o corno é forte e vem tomar satisfação.

E o outro:

- É por isso que eu já começo a selecionar na olhada. Não é qualquer mulher que pode me olhar, não.

Olhei pra ele (curiosa).

- Só deixo me olhar se for bonita e rica.

Olhei de novo. Baixinho, atarracado, meio sem queixo, cabelo espetado. Como é?

- Só se for as duas coisas: bonita E rica. Só uma não serve.

É, vai bem chover na horta dele. Galã desse jeito.

04 outubro 2005

Estímulo


- Que coisa. Não é estranho receber um cartão com validade de 06/2008? Parece tão longe...

E meu irmão:

- Não é. 2008 chega rápido.
- Pensa bem! Dois mil e OI-TO!
- Chega rápido.
- Tá, pode ser... mesmo assim, será que até lá esse cartão não vai estar todo escangalhado?
- Nada, esse troço é resistente (dando uns petelecos no cartão).
Pausa. Refletiu um pouco.
- Tu vais chegar mais escangalhada que ele... hihi.

Botoques, rápido.

03 outubro 2005

Tecla “mute”

Tô te volta à terra dos merrmão. Gostei. Fui recebida com um lindo dia de sol. No táxi (Band News FM), já fiquei sabendo que o Garotinho vai fazer uma cirurgia nas cordas vocais e vai ter que ficar 10 dias calado.

Oba, cheguei em boa hora.


Não sei puxar assunto com taxista

Falar em calado, muda eu estava quando entrei no carro, muda permaneci o trajeto inteiro. Não adianta, não sei puxar assunto com motorista de táxi. E olha que adoraria. Fico imaginando palavras, inventando frases e deletando mentalmente em seguida. Fiasco. Direita, esquerda, atrás daquele Corsa - isso não conta, né? Zero a zero.


Pizza

Essa nem eu acreditei, mas é verdade. Uma noite, estávamos cansados e resolvemos pedir a melhor pizza da cidade (que eu já conhecia, mas não tinha o número da tele-entrega). Pedimos uma ajuda ao rapaz do hotel. Não sabia. Ligamos 102. Não havia. Achamos um catálogo telefônico na mesinha de cabeceira, oba!

Procuramos em “pizzarias” – mas cadê a página? Tinha sido arrancada.

Pensamos que algum hóspede mal educado tinha arrancado a página de pizzarias do catálogo. Por sorte, havia outro. Qual não foi nossa surpresa quando verificamos que também a outra lista tinha sido desfalcada da página das pizzarias!

Moral da história: como o hotel também fornece pizzas, deu-se ao trabalho de arrancar as páginas de pizzarias de todos os catálogos telefônicos de todos os apartamentos. Para que nenhum hóspede faminto caísse na tentação da melhor pizza da cidade (que certamente não é a deles).

Que barbaridade!

24 setembro 2005

Fôlego

Ando de saco cheio dessas pessoas. Que falam assim. Muito pausadamente. De duas, uma. Ou elas acham. Que a gente vai entender melhor. O que elas dizem. Ou lhes anda faltando. É fôlego mesmo.

Yoga nelas.


Gerações

Ele me pediu uma mãozinha no micro.

- Pai, já desinstalei o Yahoo Messenger...
- Beleza, filha! Assim que puder, desatarraxa o resto.


Ciber-cão de guarda

Sem noção esse cachorrinho vigiando a gente aqui no Word, né?
Vai me ensinar a escrever, Totó?

“Ocultar”, please.

(E Totó finge de morto).


XIS coração

Acho que eu devo registrar aqui que acabo de comer um XIS coração maravilhoso, como nos meus sonhos. (Quem acompanha o blog vai entender).

Agora, sim, sinto que cheguei nos pampas.


e-fofoca

Nunca vi terra mais fértil que a Internet para uma boa fofoca.

As pessoas “esbarram”, acidentalmente, no perfil dos outros no Orkut, e vão deslizando pelos recadinhos alheios, e derrapam nos álbuns de fotos, e comentam, sem querer, e dão uma espiadinha aqui e ali, por engano, e já que estão ali, fuçam mais um pouquinho, abrem um arquivo, por via das dúvidas, quem sabe, de repente, ops!

O mouse é a nova versão da mão-boba. Cuidado, você.

22 setembro 2005

Vim ver minha família na minha cidade. Morreu uma tia superjovem. Mencionei o caso aqui há um tempo, quando ela ainda estava doente: câncer no útero. Lutou o que conseguiu.

Pensei se escrevia aqui sobre isso, ou não...

Ninguém sabe o que dizer numa hora dessas. E nem adianta, porque a morte é uma mão muda e surda que simplesmente leva embora; não negocia. Olhando a morte assim de perto, fica uma certa impressão de que as coisas da vida (TODAS) são muito mais negociáveis do que supõe a nossa pobre consciência. Questões de jogo, equilíbrio, balanço, adaptação: são coisas da vida. Vai-e-vem. Ondas.

E ela foi cremada e quis ser jogada no mar.

15 setembro 2005

Enfim, alguém que me entende
(ah, colegas de zodíaco...)


“E porque eu não posso comer nada* minha geladeira só tem frutas e legumes. E as crianças sofrendo por um chocolate.

*Sou um pouco rebelde porque sou sagitariana. Então sábado eu tomei quatro chopes e comi um monte de pedaços de uma pizza que chegou navegando na gordura. Tudo tem um limite, afinal. Morri? Não. Então pronto.”



Comentário Geral - TVE


Para quem quiser me ver na telinha: dia 29 próximo, às 21h, vai ao ar o Comentário Geral, na TVE.

Gravei um depoimento sobre o livro da Lya Luft “Reunião de Família”. Depois eu lembro vocês de novo.


Propaganda

Quero
sua risada mais gostosa
esse seu jeito de achar
que a vida pode ser maravilhosa

(Tem uma propaganda com essa música na TV. Alguns clichês, quando bem posicionados, têm a capacidade de nos dar nós na garganta. Water, please.)

13 setembro 2005

Amnésia




Você já viu Amnésia?
(Não vale dizer que viu, mas esqueceu...)

O filme é de 2001, mas eu só assisti agora. Depois do assassinato da sua mulher, Leonard (Guy Pearce) passa a sofrer de amnésia recente, e vai tatuando o corpo com anotações – referências que o ajudam a se situar no presente.

O roteiro é muito bem construído, os atores estão ótimos, o suspense é intrigante e mantém o espectador de olhos grudados do início ao fim. Filmaço.
Bronca de pai


- Tu não vais mais atualizar aquele teu blog?
- Pô, pai, tô na maior correria, e...
- Só tem aquele do detergente econômico, já faz um tempão!
- Eu sei, desculpe, é que estou escrevendo outras coisas... Imagina que...
- Tá, tá. Mas escreve no blog também. Assim não dá. Passo lá todo santo dia, várias vezes por dia, e o texto não muda!

Engraçado ele dizendo “passo lá todo santo dia”, como se fosse mesmo um lugar – físico.

Pouco tempo atrás, por mais que mirasse, não acertava uma @ no alvo.

01 setembro 2005

Econômico MESMO!


Comprei um detergente em gel, desses cujo rótulo promete: “muito mais econômico!”

Comecei a usar. Hoje vi que, no fundo do frasco, diz assim: “Usar até: 07/2008”.

Nossa. Põe econômico nisso.
Hoho.


Publicidade na internet


Um site de vendas inventou uma mega-ultra-hiper-liquidação para o mês de agosto, e chamou de “Cachorro Louco”.

Até aí, tudo bem. Nada além de falta de originalidade.

Acabando o mês, eles mandam para os clientes um e-mail com o título: “quem perde o Cachorro Louco fica com raiva”.

Pára, aí já é mau gosto mesmo.


Sabedoria da Radical Chic


"Adoro quando os feirantes, os porteiros e os pedreiros do meu bairro me
chamam de gostosa. É a comunidade solidária!"
Quando eu estive em PQP


Eu tive um sonho assim esquisito: estava indo para Nova York quando, de repente, a minha parte do avião (?) se perdeu do resto (?). E foi parar num lugar para lá de estranho, que eu não tinha a mínima idéia de onde era.

Chegando a esse destino inusitado – que, para fins didáticos, passarei a chamar de “PQP” -, descubro que ninguém lá fala a minha língua. Tampouco inglês. Tampouco alemão. Tampouco espanhol. Tampouco francês. Espanhol já disse? Enfim, ninguém em PQP fala língua alguma que se possa, digamos, tirar de ouvido.

Apavorada, entro num restaurante (a comida PQPnesa eu nem tive chance de provar, sinto muito), e começo a perguntar a todo mundo:

- Do you speak english? Do you speak english?

Necas. Ninguém speak english em PQP. Resolvo reclamar em bom português:

- Puta que me pariu, ninguém fala inglês nesta bodega??!!

Foi quando uma senhora portuguesa me ouviu, entendeu e acudiu. Explicou que eu estava mesmo muuuuuito longe de Nova York, e me indicou o caminho até o aeroporto mais próximo. Que, aliás, também era longe para dedéu. (Como eu havia chegado a PQP a bordo de um “pedaço” de avião - que se despencara do resto do bicho original -, não tinha nem pousado em aeroporto algum. Aterrissei foi no meio da rua mesmo. Em PQP, você sabe, rola de tudo.)

Com dificuldade, andei até o aeroporto. Cheguei esbaforida, e expliquei (?), com gestos (?), a minha triste história. Que eu tinha porque tinha que ir a Nova York, e que me arrumassem um vôo, era tudo que eu pedia, pelo amor de Deus.

PQP, enfim consegui!

Voei até NY (de avião inteiro, que sucesso).

Quando entro no saguão do aeroporto, surpresinha: PQP, esqueci TODOS os meus dólares em PQP! Não tinha dinheiro nem para uma bolacha. Nem uma coca light. Nem o táxi.

7:30 da matina, o porteiro me acorda aqui com o interfone. Levanto meio tonta, assustada, e atendo.

- PQP, alouuuu!!!
- Dona Bíbi, seu táxi chegou.
- PQP! Não pedi táxi nenhum!!!
- Ah, desculpe, então foi engano.

Então é isto. O problema de ir a PQP é que chegar é fácil - qualquer pedaço de avião voa até lá.

Agora, vá tentar sair.