09 maio 2006

Chico e o sexo

Chico Buarque, no seu DVD “À Flor da Pele”, constrangido:

- É engraçado dizer isso, né... mas as moças, nos anos 60, pretendiam se casar virgens.

E depois:

- Claro, tinha sempre uma ou outra, mas era exceção: a fulana, que estuda no colégio tal, dá. Ela dá. Mas era exceção.

E conclui, sobre hoje em dia:

- Hoje é muito difícil um rapaz de 16 anos não se deitar com sua namorada de 15. 14 anos.

**

Mãe

É engraçado como, nesta época, todo mundo acha que conhece a minha mãe.
“Sua mãe vai amar!”
“É a cara dela!”
“Cuide bem de quem cuidou de você!”

E outras pérolas divididas em 10X sem juros. Hunf.

**

Mas fiquei babando por um presente: tal de “Day Spa”, na Barra da Tijuca (claro).

Minha mãe passaria um dia inteirinho recebendo banhos cheirosérrimos, massagens relaxantes e tratamentos moderníssimos num espaço desses de estética-holística-zen-chique-no-último.

Caríssimo, of course.

Já disse: nesse ano não dá, mas ano que vem vai rolar – ah, se vai! E, para não ficar uma coisa assim tão enfadonha para a pobrezinha, tchan-nan!... Eu vou junto com ela. Eu me submeto. Encaro.

Bah, sou uma filha supimpa.

**

Pilates

As professoras resolveram fazer um alongamento em grupo (geralmente é individual). Colchonetes no chão, e mandamos ver.

Estica daqui, estica dali, conta até 20 e depois volta devagar. Estou observando uma senhora de quase 70 anos que está ao meu lado. A desgraçada tem um alongamento de pôr inveja a nós outras, porque fez dança e yôga a vida inteira. Um escândalo. A mulher se estica e nem geme, como as pobres mortais. Raiva. E a professora segue:

“Troca a perna!”

Interfiro:
“Eu tinha uma perguntinha...”

“Que foi?”

“Pode trocar a perna com a Suely?”

Quá quá quá geral. Desconcentrei a turma toda, levei bronca mesmo.
Sério - quem tem peito?


Hoje eu fiquei absolutamente chocada, e vou contar por quê.

Minha afilhada tem 12 anos. Há pouco tempo ela entrou no Orkut, e eu recebi um recadinho fofo: “oi, madrinha! Vc tem MSN?”, essas coisas. Como moramos em cidades distantes, o contato é raro. Fiquei toda feliz por reencontrar aquela gracinha de menina – que, infelizmente, e para desgosto da madrinha escritora, usa uma ortografia que beira o indecifrável (axim escritu comu nem sei imitar direito!), mas isso hoje não vem ao caso.

Vamos ao que vem ao caso – sério.

Quando fui acessar o perfil dela no Orkut, havia embaixo alguns “depoimentos” (em geral, elogios que os amigos escrevem sobre a gente, e que servem para fazer uma espécie de média - terceirizada, o que só agrega valor! – com os possíveis visitantes). Num desses depoimentos, encontrei uma coisa que me chamou a atenção: a amiguinha em questão se apresenta no Orkut com uma foto onde aparece só enrolada numa toalha. A menina tem 12 anos. Olhei de perto, e era isso mesmo. Não aparece nada além de um pedaço da toalha, os ombros, o rosto infantil e o cabelo molhado.

Aquilo me deixou espantada. Como não tenho nenhuma amiga de 12 anos, não costumo visitar perfis dessa faixa etária no Orkut. Não sei dizer, portanto, se é comum as meninas tirarem esse tipo de foto e colocarem à disposição do mundo virtual.

Não sei dizer, também, o que os pais e as mães (reais) dessas meninas pensam disso. Se é que sabem que as filhas exibem seus colos nus, rostos infantis e cabelos molhados na rede.

Para mim, já era bastante desconcertante ver aquela menininha, enrolada na toalha, fazendo cara de sensual para a câmera. Cliquei nela. Curiosidade mesmo. Quis ver o sobrenome, a origem, se havia pai ou mãe no perfil, enfim, acho que eu queria mesmo era ver a assinatura do pai ou responsável. Claro que não havia nada disso. Mas havia coisa bem pior.

Na página de recados dela, tinha lá um sujeito adulto, certamente com mais de 30 anos, que dizia: “Não sei... posso ser, quem sabe, seu novo amigo...”.

Achei o tom daquele recado muito esquisito, e fui clicar no perfil do cara. Não deu outra. Na página de recados dele, várias (e ponha várias nisso!) meninas aparecem perguntando: “Desculpe, eu conheço você?”.

Para quem não é familiarizado ao Orkut talvez isso não esteja muito claro, então eu explico: o sujeito visita muitas meninas menores de idade e manda recados “puxando um papo”.

Quem cair na rede, caiu.

Voltei à página de recados da menina de toalha e fui pesquisar qual havia sido o primeiro recado dele a ela. Como teria iniciado o papo?

Não apareceu nada. No Orkut, a pessoa que envia um recado pode perfeitamente apagá-lo quando bem entender. Ele deve apagar todos.

Eu sei que vocês estão pensando em pedofilia. Mas eu não estou (não só nisso).

Estou é pensando no Dia das Mães. E no Dia dos Pais, e no Dia dos Avós. E no dia em que alguém vai ensinar à amiga da minha afilhada noções básicas de valor, comportamento e perigo - sem temer ser rejeitado pela adolescente, ser taxado de “careta” ou “corta-barato”. Alguém que não queira ser mais um amiguinho “qui escreve axim”. Porque aquela menina, que mal tem peito para segurar a toalha enrolada ao corpo, certamente está enchendo a cabeça de abobrinhas que poderão lhe custar mais caro do que ela tem discernimento e maturidade para imaginar hoje.

E, àqueles que têm discernimento e maturidade, eu pergunto: cadê peito para ensinar???

05 maio 2006

Salão de beleza

A moça grávida contava que, ontem, quase morreu de desejo por uma sopa de cenoura.

- Não adianta dizer que é mito. A vontade que a gente tem não é igual, sabe? É exagerada mesmo. Eu ficava aguando, desesperada pela sopa!

A mulher era uma simpatia, todo mundo ficou ouvindo as histórias de grávida e adorando. Dali a pouco, gemeu e reclamou de azia. A mulherada ficou sensibilizada, mas ela nem se abalou:

- Não façam essa cara de pena, não. Essa azia não é do bebê. É da carne seca com cebola que eu acabei de comer, nossa como eu comi! E depois ainda tracei um bolo de aipim com coco que estava uma delícia! Vou tomar um Luftal e logo passa. Esquenta não.

Aaahh, bom.

***

Outro assunto que imperava era a plástica.

Chegou uma mulher de uns 40 e poucos, loira, cara de inteligente (ora, óculos de séria), e com um decote que exibia um contorno meio suspeito. Primeiro achei que era preconceito meu, quis pensar noutra coisa. Mas não conseguia, aquelas duas bolotas saltando pelo colo da mulher, sabe como é, a gente quer ser delicada, mas a curiosidade.

Vou fazer o quê? Ler a Caras?

Graças a Deus ela encontrou uma amiga, e as duas começaram a falar. A amiga era gordinha (gordinha é gentileza, tá?), mal cumprimentou a outra e foi logo dizendo:

- Eu já avisei meu marido: vá se preparando! Daqui a dois ou três meses eu vou entrar de novo.

(Fiquei pensando: entrar? Onde?)

- É, minha filha, vou entrar na faca!

(Jesus...)

- Quando fiz a primeira, ele me chamava de maluca. Mas pagou, né. Tem que pagar, é o que eu digo: você também usufrui, nego! Tem que comparecer. E ele comparece mesmo, tadinho, nem estou reclamando... Agora quero colocar silicone, porque da outra vez eu não coloquei, só diminuí e subi um pouco. Tola. Está certo que não cai nada, quando eu tiro o sutiã fica tudo no lugar, não despenca e tal. Mas eu sinto falta desse seu desenho do colo, sabe? (E fazia as bolotas da outra com as mãos dela, cá em cima).

- Sei, isso aqui (cá em cima) só com silicone mesmo. Minha médica disse. Tem jeito, não.

Lá do outro lado, uma manicure pedia uma pausa à cliente.

- Preciso tomar meu Dorflex. Menina, tô à base de Dorflex, desde que fiz a manutenção.

- Que manutenção?

- Da minha cabeça. Aliás, do cabelo. Implante!

- E dói?

- Dói um absuuuurdo!

Perua de cabelo cor de telha, até agora calada, abriu a boca para censurar:

- Você é doida! Fazer implante, depois ficar com a cabeça dolorida! Tá maluca!!!

- Ué! Estavam falando até agora de plástica! Pois essa aqui é a plástica que eu posso, tá???

Ficaram todas quietinhas.

04 maio 2006

Péssima hora

Essa greve de fome do Garotinho até teria graça (o cara é gordo, e tal), mas numa hora dessas...

Francamente, não tem a menor.

03 maio 2006

FOTO é apelido!

Quando eu fui chamada para escrever uma coluna para a revista Época, um dia ela me ligou:

- Alô, aqui é a Mirian, estou ligando para marcarmos a foto.

Na primeira frase, identificamos o sotaque uma da outra. Mas continuamos marcando a data e o local da foto - que serviria para me apresentar aos leitores. Até que uma de nós (não lembro qual) disse:

- Vem cá, tu é gaúcha de onde??

Caímos na risada. É muito bom encontrar conterrâneos longe dos pampas.

Mirian Fichtner, a gaúcha em questão, já mora no Rio há pelo menos 20 anos (se bem me lembro), é uma das fotógrafas mais brilhantes do Brasil, premiada internacionalmente, talentosíssima, perspicaz, sensível e dona de uma simpatia capaz de deixar qualquer ser fotografado à vontade. Aliás, acho que ela deixa à vontade até as pedras da calçada - que vão, gentilmente, lhe servir de cenário.

Vocês podem dizer se estou exagerando – pois a Mirian acaba de lançar o seu e-book fotográfico. Quem quiser ver o escândalo (no bom sentido) que essa mulher produz, clique aqui.

Ah, e cuidado com o relâmpago!

02 maio 2006

Crash! – No Limite

Finalmente eu assisti ao vencedor do Oscar de melhor filme. “Crash – No Limite” não tem nada de mais, e é simplesmente bom demais. O melhor que eu vi nos últimos tempos.

Não sei como bateu (sem trocadilho!) em vocês, mas, para mim, o filme não fala de raças, tampouco de violência – duas questões centrais que permeiam o roteiro do início ao fim. Nada disso. Ele não está falando das coisas que grifa; está, sim, usando os grifos para falar de coisas que estão nas entrelinhas.

Crash é sobre as complexidades humanas. E esse assunto - que é tão delicado - é belamente tratado por contraste: com a violência das cenas chocantes, muitíssimo bem dirigidas, interpretadas por atores em momentos raros, com paixão, com comoção, com fúria, com intensidade, com exagero (sim!), com inverossimilhança (sim! É cinema!!), com todos os termos ditos – que, no fim das contas, servem para nos conduzir aos indizíveis.

Para não ser apenas uma desconcertante obra das entrelinhas, Crash também é bom de linhas: traz um roteiro impecável, bem amarrado, que lida com ironia e faz o que poucos têm feito ultimamente – conta histórias. Sem frescuras. Pá-pum. Recomendo.


Fuxiqueira, eeeeeeu?

Levei um baita susto ao entrar no Orkut. Dizia lá: “veja quem visualizou o seu perfil recentemente: fulano, fulano, fulano, fulano e fulano.”

??

Ou seja, o Google criou uma ferramenta que permite a identificação da fuxicagem.

Sim. Qual o nexo?

Tô fora. Não quero nem saber o nome dos fulanos que me visitam, tampouco desejo que os meus fuxicados saibam que eu andei bisbilhotando a vida deles. Eu, hein? Troço mais antiético!

Fuxico é fuxico; tem que ser pelo buraquinho da fechadura, ou deixa de ser fuxico.

Fui lá e desabilitei o (des)serviço. Pelo menos eles dão esta opção: você aperta num botão, e tudo volta a ser como antes.
...

Mentira, vai. Todo mundo quer saber quem anda visitando o seu perfil. Mas não quer ser identificado quando visita o dos outros. (No Orkut dos outros, você sabe...).

Como o serviço só permite que você flagre o visitante se também se colocar na reta, o negócio é escolher: ou mantém a privacidade (mas também não mata a curiosidade), ou sai logo da moita (e fica sabendo quem teve interesse em fuxicar na sua vida).

Óóó, dúvida relevante.

Claro que eu escolhi ficar na moita, como me convém. Sou uma curiosa confessa - mas assim, no genérico. Não me leve para o lado pessoal, que eu negarei até a morte. Hoho.

28 abril 2006

Telas

Tinha lá um caminhão com um escrito enorme:

“Telas Santo Antônio. Há 20 anos cercando com qualidade.”

Tem a ver... Santo Antônio. Casamento. Cerca.
Hoho.

(Duas coisas a que não resisto: torta de limão e piadinha infame. Sorry.)


Ai, Jesus

Tem um cara (aquele) gritando na pracinha aqui em frente. Toda sexta-feira ele estaciona o seu carrão ali e fica pregando em nome de Jesus. Neste momento, está berrando:

EU VIM TRAZER CONFORTO A VOCÊS! CON-FOR-TO!!! EU SEI QUE VOCÊS TÊM MEDO NO CORAÇÃO, É POR ISSO QUE EU VENHO TRAZER CON-FOR-TO!!!

Tá, eu não tinha medo algum. Agora estou com medo é dele.


Coletar I

A lavanderia me mandou um e-mail com promoção, e termina assim: “coletamos e entregamos de graça”. Dá pra entender, mas, sinceramente, não consigo achar adequado esse verbo coletar. E estão usando muito. Todo mundo coleta e entrega em domicílio, cada vez mais.

O problema é que esse negócio de coletar me lembra exame de laboratório. Você sabe, cocô, etc. Não consigo deixar de associar.

Por que é que não usam “buscamos”, “apanhamos”, “retiramos”? Tem que coletar?

Não consigo imaginar a lavanderia coletando o meu edredom, não há jeito. Sou capaz de levar lá, só para não ter ninguém coletando aqui na minha casa. Ora, vão coletar noutras bandas!


Coletar II

Falar nisso: por que é que ninguém vem coletar (agora sim!) esse sujeito aí da praça, hein?

Eu pago, eu pago!!

26 abril 2006

Não há vagas não há vagas não há vagas


Agora, para renovar a carteira de habilitação, temos que fazer a tal prova de atualização do DETRAN. Cadê que eu consigo marcar a tal prova?

Simplesmente não há vagas. Nunca.

Eu disse nunca!


Perua

A perua é o único ser vivente que só sabe fazer uma cara: cara de perua.

Pois a perua (a madama, não o carro) estacionou na contramão, e na contramão quis sair daquela rua estreita como seu senso de civilidade. Eu vinha de uma avenida maior, dei o sinal e virei. Perua imóvel no meio da rua. Assim permaneceu. Parei também.

Fiz uma cara de paciente.

A perua fez cara de perua, e ali ficou.

Fiz outra cara, achei graça.

A perua fez a mesma cara outra vez.

Fiz ainda uma terceira cara – agora, irritada!

Perua não alterava o semblante, tampouco fazia menção de se mexer, manobrar, corrigir, dar meia volta, pedir desculpas, só agora eu vi a placa, foi péssimo, estou atrasada, meu marido me espera, sei lá, dar uma escusa qualquer, sorrir amarelo, levantar o polegar, nada.

Em vez disso, levantou uma só sobrancelha. E fez aquela cara de perua aguda com sobrancelha circunflexa.

Não sou de fazer isso, mas levei o dedo na buzina, e não adiantou foi nada. Tive, sim senhores, de me recolher à ingrata condição de reles integrante da classe média – aquela que sempre paga o pato, pois é isto que sou: nem tão moça, nem tão velha; nem tão rica, nem tão pobre; nem tão gorda, nem tão magra; nem tão feliz, nem tão triste; nem tão lá, nem tão cá, o que é que me resta? Recuar.

Recuei e pus minha bunda a perigo (digo: a bunda do meu carro, claro), empacada no meio de uma avenida movimentada, a esperar que a perua ruim de braço desembestasse e fosse levar sua falta de talento a passear noutras bandas. Ela e sua sobrancelha - que já era quase um Y.

Saiu, com aquela mesma cara de perua, e pude seguir meu destino em paz.

Perguntinha ilustrativa: qual era a 'marca' do cachorrinho dela?

21 abril 2006

Budapeste

É daqueles livros que você não lê rindo, mas sempre mantém uma curvinha nos lábios. Porque o texto flui com ironia e graça - e 90% da graça está na ameaça de rir, né? Adoro isso. Quando você pensa que vai, enfim, despencar no alívio de uma gargalhada sonora, ele dá o inesperado: põe lirismo no final do parágrafo, puxando lindamente o tapete do leitor. Leva-se um belo tombo - que é o primeiro passo do próximo vôo, e a gente embarca sem nem conferir o assento.

Salve Chico Buarque!


Contém GLÚTEN

Você viu essa do glúten?

O que é: uma proteína presente no trigo, aveia, centeio, cevada e malte.

O que causa: o excesso de glúten pode provocar (lá vai) gases, dores articulares, dores de cabeça e aumento no volume abdominal. Segundo especialistas, a substância forma uma espécie de “cola” que acaba estagnando as funções intestinais e minando o sistema imunológico. Daí vêm alergias de pele, artrites e doenças auto-imunes. Por dificultar a absorção normal de serotonina, pode acabar causando depressão. Como costuma vir aliado ao açúcar (que “rouba” o cálcio do organismo), aumenta o risco de osteoporose, ranger dos dentes, insônia, cáries e colesterol alto.

Como evitar: parece que o perigo maior está no abuso do trigo na alimentação. A sugestão é consumirmos, em vez dele, produtos derivados do aipim, milho, fubá e arroz. Além de, é claro, frutas e saladas.

Em sites destinados aos portadores da doença celíaca (intolerância ao glúten), é possível encontrar listas de produtos livres da substância.

--

- Você viu essa onda anti-glúten? Sabia que faz tanto mal assim?
- Eu não. Vou tomar uma providência!
- Banir o glúten?
- Não. Esperar até que eles descubram que ele faz bem.

20 abril 2006

Chico

Esse Globo Online deu uma reformulada total e está muito chique. Veja lá um teaser da entrevista com o Chico Buarque, que eles fizeram para a Revista de Domingo e vai ao ar, no site, a partir de segunda-feira.


Sai da linha

Quebraram o sigilo telefônico da mansão do Lago Sul. Ui.


Dá em nada

Lá vem mais um depoimento com habeas – agora, do compadre do Lula. O sujeito pode não responder o que bem entender.

Já sabemos no que isso dá: em habeas com açúcar.

19 abril 2006

Dois de paus


Adoro caminhar na praia nessa época do ano. Sol mais ameno, cores mais vivas. Casais namorando. Poucos. E hoje eu vi dois salva-vidas, concentradíssimos.

Jogando cartas.

14 abril 2006

Papo de mãe


Minha mãe contando estórias. Patati, patatá, quando nós nos casamos, quando fomos morar em Pelotas, etc etc.

"Aí, quando vocês começaram a nascer..."

Somos só meu irmão e eu. Sente o drama: "quando vocês começaram a nascer". E ela logo se tocou, começou a rir.

"Sim! Sim! Porque era uma lou-cu-ra! Vocês nasciam, em seguida nasciam de novo, e outra vez, e iam nascendo, meu Deus, como vocês nasciam naquela época! Tinha que ver, minha filha."

Que pena, essa parte eu perdi.


Viciados em IBOPE

- Lembra, querido, aquele atum que eu comi no restaurante francês...
- Não era atum. Era salmão.
- Atum, lógico!
- Salmão! Lembro, porque eu até provei!
- Você está enganado. Salmão foi no japonês.
- Rá! Imagina se eu ia confundir francês com japonês. Me respeita!
- Sinto muito, mas era atum.
- Pensa bem...
- Não precisa. Estou vendo o atum na minha frente!
- Salmão!
- Atum! Atum! Atum!
- Salmãããããooo!

Silêncio.

- Olha. Tenho 49% de certeza que era atum.
- HA HA HA! 49% de certeza? Essa é boa! Significa que você tem 51% de dúvida! Então tem mais dúvida do que certeza! Ou seja: certeza nenhuma! HA HA!
- Não, senhor. É que, de tanto você falar em salmão, confesso que fiquei confusa. Mas continuo tendo mais certeza do atum. 49% de certeza. E somente 40% de dúvida.
- Ué! E os outros 11%???
- NÃO SOUBERAM OU NÃO QUISERAM OPINAR.

13 abril 2006

Jack Johnson

Aqui no Rio, está rolando uma gripe horrorosa que deixa todo mundo com muito sono e dor de cabeça. Maldade: estão chamando de “gripe Jack Johnson”...


Dona Micose, quem diria

- Alô, é da farmácia? Eu gostaria de pedir um esmalte, por favor. Chama-se XXX.
- Sim, senhora. São R$ 100,00.
- Hehe. Cem reais por um esmalte?
- É isso mesmo, senhora. É que é para micose.

Eeeeeu, hein? Dona Micose está com um prestígio filho da...! Quisera eu.

07 abril 2006

Beije!


Digitando rapidinho, escondida de mim mesma – não devia, tendinite na mão esquerda. Dói. Mas essa é muito boa...

Vizinho vende uma lista de coisas (deixou um papel aqui debaixo da minha porta).

Entre elas: “Vendo tapete. Pouco uso. Medidas xx X xx. Cor predominante: beije.”

Isso mesmo. Beije!

É o corretor ortográfico do Word, na certa, ajudando os não-praticantes da nossa língua escrita a praticar traquinagens literárias. Vizinho queria escrever “bege”, mas escreveu com jota. "Beje"? Não dá outra: o corretor sugere “beije”.

E ele, na dúvida, beija mesmo.
Hihi.

05 abril 2006

Mais uma do cacet(inho)

Ainda vou escrever um livro – ou, pelo menos, um capítulo – sobre os micos que paguei na vida por causa do cacetinho. Você sabe: cacetinho é como nós, gaúchos, chamamos o pão francês.


CENA
Recreio dos Bandeirantes - Rio

Minha mãe e eu, cansadas, às 10h da noite, vamos ao supermercado. Começo a procurar a marca do pão de forma light que eu gosto, mas não encontro.

Minha mãe, paciente, espera. Olha para os lados. Distrai-se com os iogurtes.

- Tão caros...

Continuo procurando, e nada. Minha mãe - cuja paciência é ponto forte, mas não se pode querer milagre! – resolve ajudar. Lá dos iogurtes, enche os pulmões de ar e brada:

- FILHAAAAA!!! SE NÃO TEM A MARCA QUE TU GOSTAS, NÃO QUERES LEVAR UM CACETINHO???

Ecos no supermercado: “cacetinho... inho... inho...”

A filha aqui, em vez de se tocar logo da gafe cometida, reflete dois segundos e pondera (em voz bem alta, claro):

- POIS É... O PROBLEMA DO CACETINHO É QUE AMANHÃ ELE JÁ NÃO ESTARÁ TÃO BOM!

Um senhorzinho passa e estoura um riso breve, nervoso. Decerto pensou no triste envelhecimento do cacetinho.

“Desculpe, senhor. Não é nada pessoal. Muito pelo contrário. O seu, amanhã, é capaz de estar até...”

Melhor não dizer nada.

04 abril 2006

Sesta

Dia lindo, café, jornal, almoço em família, risadas, planos, supermercado, contas, word, google, pilates, caminhada na praia, banho, word, google, correspondência, word, google, google, telefone, word, word, google, google, jornal nacional, crise, eleições, blogs, google, google, google.

Se não existisse o google, daria tempo até... sei lá, de fazer a sesta!

31 março 2006

Lei de Murphy

"Há dois tipos de esparadrapo: o que não gruda e o que não sai."

Hoho.


Agora essa

A tal modelo Naomi Campbell, arroz-de-festa aqui no Brasil, deu porradas (usando um aparelho de telefone) na sua empregada, em Nova York, e poderá pegar até sete anos de prisão. Consta que, há seis anos, Naomi já tinha utilizado a mesma arma (o telefone) para dar na cabeça de uma secretária.

E, para completar o mico do dia: a fofa da maneca não aparece nas fotos com um boné escrito BRASIL??

Como se não fôssemos suficientemente bons em produzir nossos próprios fiascos... Carecia de ajuda externa, não.

30 março 2006

Túnel do tempo

Este blog está entrando na puberdade. Cinco anos, para um blog (ou para um dog?) é post para dedéu!

Meu blog e eu temos latido muito. Para não dizer que ladramos – mas não mordemos -, confira aqui trechos de marços passados:


MARÇO/2003


Buenas, macacada! Cá estou de volta, medicada, recuperada, equilibrada, equalizada, normalizada, mixada e masterizada. Perdoem meu vocabulário fonográfico; é que me sinto, uma vez recauchutada, mais próxima aos prazeres (musicais) da vida.

Por outro lado – o de cima? -, chove que Deus manda aqui na cidade maravilhosa. Falta muito pouco para que a pracinha aqui em frente se transforme num modesto parque aquático, coisa que me daria muito gosto, aliás, pois há tempo venho medindo o tamanho daqueles balanços com minha utilíssima capacidade de abstração espacial, e, não raro, chego à mesma enfadonha – porém honesta - conclusão de sempre: ou diminuo a bunda, ou alguém aumenta o balanço. Caso contrário, minha possibilidade de lazer se mantém zerada.

E não é justo, pois pago os impostos.

***

OLHA O PASSARINHO

Hoje eu vi um passarinho que era o passarinho mais lindo do mundo. E não era verde.
Era um bichinho pequeno, talvez pouco maior que um beija-flor - não que eu entenda de pássaros, mas imagino. Branco e preto, design perfeito, bico delicado, asinhas apressadas, vôo preciso, pouso certeiro. Uma poesia de ave, eu diria. Com métrica e tudo.

Eu vinha andando pela rua, entretida com cálculos mentais de vencimentos, juros e dívidas, quando aquela preciosidade cruzou meu caminho. E estacionou sua beleza incalculável numa folha comprida que se deitava pela calçada.

“Olha o passarinho” – pensei, mudando de assunto com meus botões financeiros. “Olha o passarinho”, repeti a eles.

Minha testa finalmente soltou um pouquinho a ruga do meio, mas nem durou muito. Logo aquele versinho alado alçou vôo rumo a outra endividada qualquer, decerto para lhe dar o mesmo recado que deu a mim.
Que a beleza existe para quem está disposto a dispensar, por uns segundos, os seus próprios botões e umbigos.

***

SONHAR COM O CAVALO

Noite dessas eu sonhei que tinha um cavalo. Fiquei pensando.
Sonhar com o cavalo.
Seria porque cansei de sonhar com o príncipe?
Espaço

Cheguei em casa bem a tempo de ver o foguete subir. Deu frrrrrriio na barriga!


Tempo

- Tô velha.
- Quê?
- Tô velha. Não tem mais jeito. Hoje eu percebi.
- E por quê?
- Já estão me chamando de senhora até pelo telefone!


Vistoria

Uma amiga foi à academia (primeiro dia). Voltou, é claro, arrasada.

- Aquela vistoria que fazem na gente é um afronto!!

- É avaliação...

- Avaliação??? Só se for em você. Em mim, ninguém fez avaliação nenhuma. Fizeram inspeção. Vistoria. Acharam defeito em tudo! Cheguei lá ótima. Saí 15 anos mais velha, com dores nas costas e um diagnóstico de sair procurando rampinha para ver se vou poder passar com a cadeira de rodas - que não tarda, isso é certo.

- O que foi que a mulher disse, afinal?

- Mulher? Que mulher? Aquela muralha de piercing no umbigo? Vem cá, que barriga era aquela? Quem é o arquiteto que aprova um projeto daqueles?

- Se você malhar como ela, é capaz de ficar igual...

- Deus me livre e guarde! Lá eu não volto. Depois da vistoria, nem pensar. E o pior de tudo é a falta de sigilo. Pois aquela muralha loira não se vira e diz, em alto e bom som, o relato completo da minha situação? Assim, para quem quisesse ouvir:

VOCÊ TEM OS OMBROS UM POUCO CURVADOS PARA FRENTE. ALÉM DISSO, O ESQUERDO ESTÁ UM POUCO MAIS ALTO QUE O DIREITO (e fazia os gestos, como um fantoche desengonçado). TEM UMA LORDOSE ACENTUADA, ESCOLIOSE LEVE, E OS JOELHOS SÃO VIRADOS PARA DENTRO (gesto! gesto!), O QUE FAZ COM QUE AS PERNAS ESTEJAM UM POUCO TORTAS (gesto!!!), PREJUDICANDO A PISADA E COMPROMETENDO A ESTRUTURA.

MAS, NO TODO, ESTÁ MUITO BEM.

- Ok. Só tenho uma perguntinha: QUEM É O TODO, Ô ¨&#!@$%!???!!!!!

24 março 2006

Passa ou não passa?


A rua era estreita. Está bem, nem tanto. Meio estreita. Estreitinha, vai. Eu vinha dirigindo, tranqüila, quando encontrei dois carros estacionados: um de cada lado da rua.

Quem disse que eu passava?

Fiquei ali, parada. Mirei bem, concluí que não dava. Vou arranhar um deles - no mínimo. E o meu. Não dava mesmo. Gente estúpida, estacionar em lugar proibido! Tomara que não apareça ninguém atrás de mim.

“BIIIP BIIIIIIIIIIP!!!”

Foi só pensar, que apareceu um sem-mãe querendo passar. E outro atrás dele. E outro. Eu, empacada.

“BIIIIP! BIIIIP! BIIIIIIP!”

Era uma orquestra, maestro! Regida pela minha placa traseira, imóvel, bem no meio da rua. Cristo! O que eu faço agora???

Dei uma avançadinha, e suspendi o coro. Ficaram todos em silêncio, de repente. Rufaram os tambores. Calculei o carro que sairia mais barato estragar, e me arrastei na direção dele. É nesse que eu vou. Se der m*, descasco o Gol. Raspo na trave!

Nessa altura, nenhum pedestre gentil aparecia para me dar uma força. Engraçado como os pedestres se escondem justo na hora em que mais precisamos deles. Rezei por um flanelinha. Nada.

Azar do goleiro – pensei -, vou me enfiar aqui de qualquer meio jeito. Se não houver meio jeito, um quarto de jeito já me serve. Importante é passar. Tem que passar. Tem que passar. Tem que pass...

- Eeeeeei, dona!!!

Benzadeus! Um porteiro saía da toca.

- Seu Geraldo vai puxar o Gol agorinha. Aí não passa, não!

Rá. Eu disse que não passava.