15 setembro 2006

Literalmente correndo, passando para deixar um oi. Pilates, caminhada na praia, calor de mais de 30 graus, vamos que vamos. Compras, limpeza, banco - fila enorme! (Ainda não tenho coragem de entrar no caixa preferencial, mas deveria).

Fome, muita fome. Comidinhas, frutinhas para ir enganando o estômago nos intervalos. Droga, viciei noutra barrinha de cereal (chocolate, fibras e ameixa). 90 cal. Se eu comesse só uma...

***

- Grávida???
- Siiiim!
- Quantos meses?
- Quatro.
- Nem sabia que vocês estavam tentando! Estavam?
- Que pergunta, é CLA-RO! ... ... Só que também não sabíamos.

Hoho.

***

Meu irmão:

- Quando é que nasce o coloradinho?

Uma ova. Providenciar uniforme tricolor, urgente. Unissex.
No Rio já está decidido: será Flamengo. Influência paterna, mais que justo.

***

Cariucho

Outro dia fiquei sabendo (mui ignorante, abafa): meu filho não será carioca da gema. Da gema é quando pai e mãe são cariocas.

Nosso caso, pai carioca e mãe gaúcha, será um(a) cariúcho(a). Cariúcho. Cariucho. Com ou sem acento? (Socorro, mãããee!).


TIME IS OVER. Fui.

13 setembro 2006

Como bem lembrou a Pati, estou há quase uma semana sem postar. Uma vergonha. Não me deixem mais fazer isso!

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Não que esteja sem assunto. Pelo contrário; são muitos. E também algum trabalho – ninguém é de ferro.

A futura mamãe aqui ainda não sabe o sexo do bebê. Segunda fui ao shopping da Gávea e tomei um susto: o segundo andar simplesmente foi invadido por lojas de bebês e crianças! (Claro que já estavam lá, mas eu não me ligava nesse assunto). É muito legal olhar roupinhas e sapatinhos e ficar imaginando uma criatura “made in minha barriga” desfilando por aí com aquelas estampas. Vestidinho? Bermudão? Ainda não sei. Ai, curiosidade...
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Todos querem minha barriga

Agora já está mais difícil disfarçar a gravidez. Quem não sabe, dependendo da roupa que eu esteja usando, ainda não desconfia. Mas quem sabe já percebe a protuberância do – perdão da palavra – útero. E eles vêm com tudo. Já mal me cumprimentam e logo partem ao que interessa:

- Oi-como-vai-blá-blá-blá, E A BARRIGA??? (Olhos curiosos na direção do meu – perdão da palavra - útero).

Gentilmente, abro o ventre à visitação pública. E nem cobro ingresso.

Os visitantes ficam com cara de quem observa arte abstrata; ainda não entendi direito o que vêem – se é um bebê pronto, uma criança já empacotada em fraldas, um reles embrião meio sujinho, ou, simplesmente, uma barriga. Branca.

- Aaahhmm... tomando forma!
- Olhaaaa! Crescendo, hein?
- Uaaau!
- Hummmm!

E por aí vai. Na dúvida, eu concordo com tudo. Não sei o que estão pensando, mas concordo. E sorrio muito.

- Não estou dizendo? – faço uma cara de mãe orgulhosa que exibe um boletim tudo 10.

Estou pensando em, daqui a alguns meses, organizar melhor esse negócio da visitação à minha barriga. Sabe como é, para não estressar a pobrezinha. Providenciar uma roleta, uns cones, estabelecer horários, controlar o fluxo... Claro, as pessoas mais “especiais” (parentes, etc) poderão ter um cartão VIP que dará direito à freqüência 24 horas por dia, sem restrições, free ticket, open bar...

Mas custará uma baba.

06 setembro 2006

Botando barriga

Disseram hoje, no Pilates:

“Você é o tipo da grávida que só vai botar barriga.”

Com isso, querem dizer que devo engordar mais é na barriga mesmo (algo assim). Mas que a expressão é gozada, lá isso é. Por mais que me esforce, não consigo me imaginar “botando barriga”.

E, quando consigo, a cena certamente é proibida para menores.

De mais a mais, o corpo da gente só a gente mesmo é que conhece. Cá entre nós, saibam que já ando, imaginem... Botando pernas.

E se o negócio é assim, de botar coisas, eu bem gostaria de fazer meu pedido como na pizzaria:

- Me vê uma bunda aí; meia Juliana Paes, meia Globeleza. Pra viagem, tá?

Ia botar a maior banca se pudesse botar essa superbunda. Hoho.


Do contra

História ótima que ouvi num programa de TV sobre o desenvolvimento dos bebês (só se fala nisso, é incrível!). A família andava doida para ouvir o pimpolho dizer a primeira palavra. Cada um apostava, vai dizer papai, não, vai dizer mamãe, vovó, titia, Totó, etc. Moleque, um dia, abre a boca e cala os babões:

“Água!”

Água???

Pois afogaram o pentelho na banheira, e foi bem feito. (MENTIRA! MENTIRA! Um pouquinho de humor negro, só para dar um clima...).

04 setembro 2006

Doce

Olhar o nariz da Heloísa Helena me dá uma vontade danada de comer cajuzinho.
...
Meu caso é sério?


Mulher que estamos no plural

Nós estamos temporariamente no plural, porque estou grávida.

Sendo assim, expandimos o útero e flexionamos os verbos – que, depois, voltarei ao tamanho natural singular.

Mas é bom que exageremos nos emos, imos, e sobretudo nos amos, enquanto assim ficamos.

Nossos benefícios são imediatos, porque é evidente que esperamos.

Temos permissão simbiótica para discordar da gramática, afinal, dentro de mim ovulamos, concebemos, crescemos, um dia nascemos.

Enquanto isso, tenho licença poética para estar toda prosa.

E como estamos!

31 agosto 2006

Piadinha maldosa

Bastou um brasileiro ir ao espaço, já sumiu um planeta. Dizem que a preocupação, agora, é com os anéis de Saturno...


Bem treinado

Essa não é piada. Liguei para a farmácia.

- Tem carvão vegetal?
Silêncio do outro lado. E o rapaz desembucha:
- Isso é para fazer churrasco, dona?

É, sim. Vou tacar fogo num comprimido e assar carne para o condomínio todo. Faz favor...

29 agosto 2006

Chuva torrencial

Acordei com o barulho da chuva, mas que chuva! Abri a janela do quarto e fiquei olhando para ela, com cara de pasma. As árvores se curvam, e as nuvens viajam rapidamente.

Não sei por que a pressa. É tão bonito assim.


Vai dar tudo certo

Dei bom dia à minha barriga, digo, ao meu filho ou filha: “bom dia, filhote-ota. Güenta firme aí, que a mamãe aqui está tratando das suas coisinhas. Vai dar tudo certo, viu?”.

Gosto de dizer que vai dar tudo certo. Foi a primeira “frase de mãe” que me veio à cabeça, então adotei como refrão pré-natal. Não era bem a minha praia – sempre muito desconfiada, ponho vírgula até em ditado consagrado, afinal, pode ser que sim, pode ser que não, talvez, quem sabe, quem foi que disse? Mas uma barriga crescendo, além de engordar, também nos vai inchando de alguma estranha confiança. Deve ser coisa dos hormônios, hoje em dia tudo são hormônios...

E Deus é justo: veja que até mesmo a celulite é capaz de apresentar uma contrapartida.

28 agosto 2006

Mais para baixo

Aqui em frente à janela do meu quarto (primeiro andar, lembrem-se) estão alguns rapazes, munidos de marretas, a abrir buracos no solo desde manhã cedinho até o cair da tarde.

(Uma mulher grávida sente muito sono. A tarde tem caído meio de lado ultimamente).

Mais adiante há outros buracos, e outros rapazes, e outras marretas, e muita sinalização em volta – de modo que não se enxerga nada do que há no meio, porque é muito bem cercado. Mas intui-se, pelo áudio. Uma pena que não tenham inventado cercas que isolem o barulho. Isso, sim, levaria meu voto.

Hoje cheguei em casa e perguntei ao meu sempre atento irmão:

- Isso aí é para fazer um bom esgoto?

Ele deu uma espiada e estalou o beiço, cético.

- Duvido. Deve ser apenas para empurrar as merdas mais para baixo.

Empurrar as merdas mais para baixo. Tá parecendo, Deus me perdoe, uma metáfora política do que nos aguarda em outubro – e em 2007, naturalmente.


Mais para cima

Essa minha empolgação alimentícia, superada a fase dos enjôos da gravidez, resultou em histórica disparada no ponteiro da balança rumo a caminhos pouco desejáveis, sobretudo porque ainda estou no (final do) quarto mês de gestação. A criança que me habita o ventre pesa algo em torno de 25gr., e provavelmente é ainda menor que um Playmobil, ou seja, não justifica um aumento do volume interno – vamos dizer assim – do modo como se apresentou, implacável, diante dos olhos do (ai) obstetra.

- É. Vamos controlando isto.

“Isto”, no caso, sou eu. Aliás, nós.

22 agosto 2006

Alimentos

Fomos viajar para a fazenda de uns amigos no interior de Minas. Broa de milho, pão de queijo, café com leite, silêncio e pássaros. Demos um pulinho em Tiradentes (gracinha), comi pato com molho de manga e cuscuz marroquino - não sei dizer se foi bem isso, mas a ave eu garanto.

Comi de um tudo. Até paçoca.

Com o fim dos enjôos, tenho me empolgado um pouco nas questões alimentícias. Outro dia, levantei de uma soneca à tardinha e me comportei assim: mandei ver um punhado de batata chips, cookie de café integral e uma fatia de pudim de leite. Pode?

Mas li no blog de uma (outra) grávida que ela teria comido um pudim in-tei-ro sozinha, então estou relativamente tranqüila. Por enquanto, estou fracionando os absurdos.


Bônus

Dia desses, juro que não tenho feito isso, mas cometi alguma indelicadeza da ordem das... indelicadezas, mesmo.

- Vai brigar comigo? – me arrependi no ato.
- (Bufada clássica). E eu vou brigar com mulher grávida??

Me senti na categoria Advanced Plus Exclusive Ultra Gold Premium. Mas é bom que tome logo jeito, porque essa mamata vence no próximo carnaval.
Provérbio

"Quem não sabe dançar vive reclamando que o chão é torto".

A-do-rei isso. Volto mais tarde para outro post, beijos.

17 agosto 2006

Tácio Oliveira

Dedico este post ao Tácio, um rapaz inteligente e extremamente divertido que me lia na revista Época e agora me achou no blog - leiam, no post anterior (abaixo), o comentário dele e comprovem o que estou dizendo. Vai longe!

Segundo o bem humorado Tácio, seu objetivo sempre fora "tirar o lugar da Bíbi". Queria, de todo jeito, fazer tudo que eu faço - porém, claro, muito melhor.

Quando achou meu nome no Google, ficou feliz e decepcionado ao mesmo tempo. Feliz porque me achou. Decepcionado porque, ao digitar seu próprio nome lá, não encontrou nadica. Pois bem, Tácio, ao menos um problema eu resolvi para você: meu blog vai aparecer no Google para quem digitar Tácio Oliveira! Repito: Tácio Oliveira! Tácio Oliveira!

Mas o maior problema do mundo eu criei (juro, foi sem querer!) para o Tácio, aquele que quer tirar meu lugar em tudo... diacho, engravidei. Como diz ele, Bíbi vai ser mãe. E agora?

Tácio, que está até fazendo aulas de canto para me superar, tem um desafio biológico injusto pela frente. E, pelo que entendi em seu comentário, já entregou os pontos. Rendeu-se.

Compreensível, amigo Tácio. Mas, se serve de consolo, não fiz o que fiz sozinha. Para ser sincera, contei com parceria irreparável.

Portanto, não se exija tanto. Vamos combinar que, para fins de competição, valem só as obras de carreira solo. E muito boa sorte.

13 agosto 2006

De bandeja

Vi uma mulher tão grávida, mas tão grávida, que a parte de cima da barriga dela era quase uma bandeja – dava para servir o café da manhã ali, com conforto, e até um vasinho de flores caberia na borda como enfeite. Ela ia atravessando a rua, correta, pela faixa de pedestres. Fico pensando em quando eu estiver assim, “quase tendo”. Deus me ajude, estabanada como sou, a calcular minhas dimensões de modo a não sair atropelando criancinhas e/ou idosos com a minha bandeja implacável.

P.S. Não era daquelas bandejinhas de avião, não... Primeira classe!

Roupas

Fui às compras. Confesso, vai: encarar os espelhos frios dos provadores das lojas não foi exatamente uma alegria. Tudo em mim está arredondando, lenta e consistentemente. Estou naquela fase em que ainda não pareço grávida, mas já não pareço uma mulher em forma. As pessoas em volta (que sabem do meu estado) percebem, mas não sabem direito em que tom comentar. Eu também não sei em que tom ouvir. Às vezes, ouço em tom maior (com alegria); outras vezes, rola um blues em ré menor. Esses hormônios formam uma banda de baile: tocam mesmo de tudo.


Ultra

Futilidades à parte, o melhor lado segue sendo o de dentro. Gravamos o ultrasom em VHS e trouxemos o primeiro filme do nosso filho para casa. A sensação é indescritível. Tenho vontade de gritar que é um astro, uma estrela, que o rostinho é lindo, que o formato da cabeça é único, que as perninhas são de arrasar, que os olhos doces sairão aos do pai, que as orelhas são iguais às minhas, miúdas, que o pezinho, que os dedinhos, que... Está certo, por enquanto é um precário chuvisco em preto e branco boiando em partes minhas com as quais não tenho a menor intimidade, mas vá lá, nota-se que é um bebê.

Mesmo assim, já é ultrafantástico.


Paparico


Se continuarem me paparicando desse jeito nos próximos seis meses, vou virar uma criatura insuportável. Não levante, deixe que eu faça, deixe que eu pegue, quantas colheres? Quer que esquente mais um pouco? Te busco em casa, o sol está muito quente, te levo ao salão, precisa de algo do supermercado? Tem frutas em casa?

Quando saio sozinha, faço questão de carregar algumas sacolas. Só para me lembrar de não ficar tão besta.

03 agosto 2006

12 semanas

Estou no final do terceiro mês. Meu médico liberou o Pilates, ando eufórica para voltar. Entre as professoras, soube que rolou o seguinte comentário: oba, teremos uma mascote! Euzinha, no caso.


Não se manifesta

Dizem os sites especializados que, a essa altura, meu filhote (ou minha filhota) já dá saltos e cambalhotas lá dentro do útero – aventuras que, infelizmente, ainda não posso sentir. Outro dia eu me confessei preocupada:

- Estou ansiosa pela próxima ultra, ver como nosso filho está. Sei lá, rola sempre uma preocupação, afinal, ele não se manifesta...

E ele, ostentando know how:

- Você vai sentir saudades dessa época!

Hoho.


Instável

Estou começando a aprender, a duras penas, a ficar calma diante do inesperado. Para quem gosta de tudo sempre muito combinado, na ponta do lápis e sob controle, não poder prever como o corpo vai se comportar no dia seguinte – pior, nas próximas horas! - é um belo exercício de paciência.

Sabe aquela comidinha que caiu tão bem? Daqui a 40 minutos, sem avisar, parece pesar como uma laje. Já parei de procurar a azeitona da empadinha, porque o negócio é tão maluco que, às vezes, aquilo que me faz mal hoje deixa de fazer amanhã. E vice-versa. Sem motivo algum.

O negócio é relaxar e seguir as dicas do médico, o resto é loteria. Tenho sido bastante razoável, isso ajuda.


Celestial exceção

Mas, outro dia, vi numa vitrine um pedaço de bolo de laranja com calda de açúcar que tinha mais ou menos o tamanho do meu monitor. Namorido prevê o desastre e me oferece ajuda:

- Se você quiser dividir...

- Já estou dividindo!!! – Arregalei os olhos e mandei ver; derrubei o tijolo num só fôlego, sobrou nem farelo.

Pedimos a conta e fomos embora logo, eu ainda lambendo os cheiros daquele bolo que, inexplicavelmente, tinha gosto de... céu (?!). Ele, meio admirado, decerto torcia para que não me desse um treco.

Treco não me deu, mas a sensação, 20 minutos depois, era de ter tomado um porre de céu – e, claro, fui parar direto no inferno. Doía meu estômago, ardiam minhas nuvens, ai, meus sóis, céus, nunca mais! NUN-CA-MAIS!

Aliás, nunca mais eu iria comer nada. Plano modesto para quem recém devorara o firmamento. Meia horinha mais tarde, no entanto, me deu uma vontade de comer pizza de tomate seco com manjericão...

Pisei no chão, fui de pão light e frutas.

27 julho 2006

Expo Bebê & Gestante

Lá fomos nós ao Rio Centro, a fim de conferir as últimas novidades e os anunciados descontos na parafernália que envolve, cobre, diverte, balança, enfeita, limpa e seca a pirralhada. Um show.

Adorei!

Nunca vi tanta mulher grávida num só ambiente. Fiquei imaginando como serei daqui a alguns meses, com barrigão. Para não falar nos bebezinhos, de todos os tipos, cores e sabores; dos dorminhocos aos ligados em 220V; dos arrastados pelas mães aos que as arrastam, apressados, de olho na próxima fantasia de Homem Aranha. Enfim, uma feira realmente variada.

Os descontos eram, sim, convidativos. Mas não compramos nada, preferimos esperar a próxima edição – que deve ser em novembro, e aí já saberemos se o pimpolho é pimpolho ou pimpolha.


Aliás, compramos

Mamãe aqui, entretanto, saiu abraçada numa sacola de calças jeans com elásticos na cintura, preços camaradas, que não sou boba e já me previno. Claro que tive de insistir para que me atendessem na loja, e não entendia muito bem por que a discriminação, até que uma vendedora paulista não se agüentou e mandou na lata:

- Desculpe, mêêu, mas você está grávida??

Aí foram só elogios, aos quais agradeci, falsamente acanhada e quase pedindo que me pusessem também alguns na sacola – eu pago, eu pago! Afinal, sabe-se lá quando é que vão me chamar de “muito magrinha” outra vez nos próximos meses, é bom aproveitar.


Próximos capítulos

Daqui a pouco, já estou vendo, virão aqueles elogios genéricos:

“Como ela está bem!”

“Está com uma cara ótima, hein?”

E assim por diante, além de uma infinidade de perguntas sobre como “temos” passado – sempre no plural, novidade que eu, meu ego e eu mesma não teremos dificuldade alguma em absorver. Ao contrário, vamos nos divertir horrores respondendo a tudo como fazem os políticos e os jogadores de futebol: nós isso, nós aquilo, fizemos, pintamos, bordamos, etc etc.

Se eu me empolgo de verdade, sou capaz de aproveitar a licença-maternidade-poética e começar a variar também na terceira pessoa, como faz o Pelé:

“A Bíbi hoje está passando muito bem, acordou disposta, está com uma cara ótima, blá blá blá...”

O que acham?

21 julho 2006

Uma mãe portuguesa, com certeza

A internet tem dessas coisas. Estou me deliciando, desde ontem, com este blog
que descobri por completo acaso, nem lembro mais como, e nem importa.

Chama-se “Mãe Galinha”. É de uma moça portuguesa, 34 anos (acho), mãe de três meninas – a caçula tem uns cinco meses, a do meio tem dois anos e a mais velha(?), cinco. Os posts são quase todos dedicados às “miúdas”, ou à arte de ser mãe e equilibrar a rotina de mulher que trabalha fora, etc etc.

O humor dela é peculiar, cheio de ironia e ótimas tiradas – muitas vezes, devidamente creditadas às próprias filhas; pelo jeito, uma mais sapeca que a outra. Tem o charme do português de Portugal, que é um atrativo à parte, e uma doçura que, muitas vezes, chega a ser comovente.

Passei horas tentando escolher um trechinho para colar aqui para vocês, como aperitivo, mas é muito difícil!

Acabei pinçando este aqui, que é fofo e tem aquela tristeza infantil de nos fazer perder o rebolado:

A NOSSA CASA

Dia de semana; o pai em Lisboa. Em casa, apenas a mãe e as filhas. Nem sequer por lá andava a avó São. Só nós.

E diz a Inês, de mão na anca e pé ao lado:

- Já não estou a gostar desta casa!...
- Porquê? - Pergunto eu
- Estão por aqui tantas pessoas que eu já não estou a gostar.
- Mas porquê?
- Olha.... - E virou-me as costas - Porque não...

(Ai estas crises de irmã do meio...)

Leia outros.

20 julho 2006

Meia barriga / susto inteiro

É divertido, embora muito incômodo, estar grávida assim, no início. Quando estou bem, estou ótima. Quando estou mal, estou péssima. O diacho é que não sei se essa tendência aos extremos é universal – coisa de grávida mesmo - ou se é fruto da minha singular incapacidade de lidar com meias barrigas.

Está certo que, hoje em dia, a vasta literatura disponível on line ajuda a gente a sentir – sintomas! sintomas! - as mais diversas e improváveis tolices. E eu leio muito, faço questão. É muita coisa séria, mas também muita bobagem. Faço questão, tudinho.

Não sei se vou querer ficar grávida outra vez na vida, e isso me dá uma estranha sensação de querer engolir a gravidez de um só gole, para não deixar escapar nada. Sei lá se vou viver isso de novo, né? E o tempo segue.

Imaginem vocês que eu, quando recebi o resultado do hemograma que fazia parte do pré-natal, grudei os olhos e quase desmaiei quando vi lá um número altíssimo associado à rubéola. Conferi dez vezes. Eu tinha rubéola, estava tudo perdido.

Liguei para o médico, já segurando o pranto e as pernas bambas.

- Tudo bem?
- Não, doutor. Eu tenho rubéola. (A voz dramática de barriga inteira).
- Qual o tipo?
- Rubéola, ora, tipo rubéola!
- Mas é a IgG ou a IgM?
- Deixa ver... é a IgG!
- Então não tem problema. Isso só indica que você já teve rubéola um dia, ou que tomou a vacina.
...

É mesmo, eu tinha tomado a vacina.

Por Deus, que susto!!! Essas crianças ainda me deixam de cabelos brancos...

14 julho 2006

Chata

A novela está muito chata. Ontem só tinha gente se semi-despindo e longos silêncios com musiquinha de fundo. De lascar. A. P. Arósio, sempre linda, não pegou o jeito ainda - parece fazer teatro na telinha (nessa novela, eu digo, porque já a vi fazendo bons papéis na TV). Além da química zero com Edson Celulari.

Não entendi o papel da Daniele W., outra moça muito bonita, mas um pouco madura para aquelas atitudes pré-adolescentes e uma obsessão inverossímil pelo Thiago Lacerda. Quantos anos tem a personagem dela? 14, 15? 20? Difícil...

Mas o pior mesmo é o insistente apelo sensual, digamos, gastando metade do tempo com gente tomando banho ou se beijando numa espécie de preliminares das preliminares. E R. Duarte sofrendo em frente ao espelho. Aff! Arósio, dizem, vai propor sexo a três ao maridão militar. Tá bem.

Gosto mais quando eles põem cenas divertidas, porque esse mostra-e-esconde à meia luz com musiquinha hipnótica, vamos combinar, estimula só o sono da gente!

Aliás, garanto que o casal Celulari/Arósio poderia muito bem enveredar para a pura comédia, e ganharíamos todos. São bons atores que já se mostraram ótimos quando desafiados a fazer rir, simplesmente. Mas eles têm essa mania teimosa de despir os bonitos a qualquer custo, e os coitados ficam engessados em caras e bocas que garantem os postos de galã e bela mocinha, em detrimento da boa atuação.

O resultado é insosso, bonecos de cera, bah.
Balcão de padaria

- Eu queria um pedaço desse queijo Minas aqui, ó. Ele é novinho?

O rapaz me olhava, mudo. Tentei de outra forma.

- É velho?

Mudo.

- O queijo... é antigo?

Olhei fixo e fiquei esperando, parecia pegadinha. Ele me olhando, eu olhando a cara dele, e o queijo no meio de nós. Até que ele ressuscitou.

- Ó, dona, tem esse outro aqui que chegou hoje... Mas aí só posso vender o queijo inteiro.

Tudo bem que estou grávida, mas o queijo era para trigêmeos.

- É muito. Mas esse aqui, que está cortado, é de quando? Qual é a validade dele? – insisti.

- Deixa ver... É dia 21 de juio.

- Hein?

- 21 de juio.

- Junho ou julho?

- Ju-iô! (Decerto pensando: mulher surda!).

- Querido, então já está vencido, é isso?

- Não, senhora. Ainda vai vencer. Dia 21 deste mês.

Levei o queijo. Venceu-me o balconista, de lavada.

12 julho 2006

Novela das 8h

Assisti a dois capítulos da nova novela do Manoel Carlos. Ainda gosto de ver o Rio de Janeiro nas novelas dele e achar tudo bonito, engraçado... Mesmo morando aqui há oito anos, ainda não me acostumei – de fato, é lindo demais. Ponto, parágrafo.

Tem uma atriz ali, não vou citar nomes, mas é uma que sempre faz papel de neurótica. Nesta nova novela, sabem qual é o papel dela? Bingo, neurótica. Se me chamassem para fazer sempre papéis de neurótica, sei não, mas acho que eu ia ficar meio ressabiada.

Ou será neurose minha?


Mais futebol – quem agüenta?

Tem sido um pouco difícil dormir aqui, porque uma turma permanece jogando futebol até altas horas na praça que fica em frente ao meu prédio. Melhor dizendo, em frente à janela do meu quarto (detalhe: primeiro andar). Vocês acreditam que eles só param lá pelas 2h da manhã?

Fico me virando na cama e torcendo para não sair mais um gol, que aí o barulho é insuportável. E se xingam mutuamente o tempo todo, claro.

Estou com vontade de sair na rua de chinelos e dar uma cabeçada no primeiro perna-de-pau que encontrar, por Deus do céu, e que zidane!
Estou com o Zidane e não abro!

Se for mesmo verdade que o italiano xingou a irmã dele (vejam bem: irmã!), eu dou força ao movimento, digamos, meio brusco do craque Zidane. Piadinha maldosa: quando o jogador de futebol tenta agir com a cabeça, olha aí no que dá... hoho.

Pois fez até pouco. Como irmã – única e caçula - que sou, defendo o direito que os irmãos devem ter de cabecear os estúpidos agressores da maninha alheia. Falta de compostura.

E tem mais, do meu irmão também ninguém fala. Não vou de cabeça, que meu buraco é mais em cima, mas saio ofendendo a parentada toda de volta, sem dó. Quem quer medalha de prata?

“E se alguém me desafia
e bota a mãe no meio
Dou pernada a três por quatro
e nem me despenteio.”


Aos fatos (?)

Observação do presidente Lula, hoje, quando perguntado se a violência em São Paulo não poderia virar questão eleitoral:

“O dado concreto é que os fatos estão existindo. Os bandidos não estão preocupados se vai ou não vai ter eleição. Os bandidos estão aterrorizando São Paulo, e nós temos que tomar atitudes.”

Bom, se o dado concreto é que os fatos estão existindo, o que seria do dado abstrato em relação aos fatos enquanto existentes, ou mesmo inexistentes, do ponto de vista concreto, já que os dedos estão exigindo, e os dados confirmam que os credos, abstratos, de fatos secretos já estão fartos...?

De que estávamos mesmo falando?

Ô, tristeza. Alguma coisa acontece no meu (no nosso!) coração...

11 julho 2006

Agora essa: tô grávida!

É verdade verdadeira. Não se trata de mais uma gaiatice literária, não. Pegou-nos (a mim e ao namorido) de surpresa, o danadinho. Ou a danadinha.

Quando dei por mim, estava habitada por uma figurinha (desculpem o exagero nos diminutivos, mas como dizer?) do tamanho de um grão de feijão. Pode?

- Não é do tamanho de um grão de feijão, boba... 6mm é bem menor que isso! Talvez um grão de arroz.

Bueno, não importa; de mais a mais, a criança (!) já cresceu um bocado. Isso foi na sexta semana. Primeira ultra, você sabe, não dá para ver praticamente nada. Aliás, eu não sabia. Sou grávida de primeira viagem. O médico mostrou duas manchinhas brancas e disse:

- Olha lá, são as perninhas!

Espichei o pescoço e apertei os olhos. Rá, meu filhote tem perninhas! E o coração já bate a milhão. Vi num gráfico – que, aliás, me lembrou os programas de gravação/edição de áudio no computador. Loucura.

Hoje estou no início da nona semana. Eles contam em semanas, não em meses. Nada ainda de barriga, claro – embora eu já me sinta meio rechonchuda perto daquela esbelteza que havia conquistado a duras penas. Tudo que ouço é: “relaxa, depois volta!”. Espero que Deus também esteja ouvindo.


E o blog com isso?

Ok, será inviável passar os próximos sete meses sem falar no assunto. Muito! Prometo, entretanto, que não vou pintar este blog com paredes de tons pastéis, nem pipocar bolinhas coloridas enquanto vocês arrastam o mouse.

Outra coisa que não vou fazer (não me peçam, please!) é colocar fotos minhas de barrigão aqui. Tudo muito bom, tudo muito bem, mulher grávida é linda porque ostenta a delicadeza da vida e blá blá blá, mas vamos com muita calma nessa hora. Nunca dei para modelo, não irá essa condição esférica me tornar uma top nos flashes, assim, de uma hora para outra.

De resto, o blog continuará sendo o que sempre foi, apenas com mais novidades. Afinal, o pimpolho deve sacudir a minha vida (a começar pela barriga mesmo) em ritmo frenético, e não vou ser doida de deixar passar essa bagunça sem registro on line.

Me aguardem!