22 fevereiro 2004

Quase 20 mil motivos


Estou muito emocionada porque agora você tem quase vinte mil motivos para visitar o meu modesto blog. Isso mesmo, quase vinte mil visitas! Não que seja muito, sei que sou lida por poucos e bons, mas vale uma comemoração com... saquê? (Idéia fixa, liga não).

Para quem ainda não notou: dei uma recauchutada básica na minha listinha de links, ao lado. Ainda estou me lembrando de outros para colocar ali, mas esses são os primeiros que me vieram à mente, os meus links quase diários mesmo.

Em Música, o primeiro deles é o da minha banda (ordem alfabética, o que vou fazer?). Lá você encontra Fernanda Lima pelada mulheres bundas peitos Daniela Cicarelli Juliana Paes Débora Secco nuas gostosas, calma, caaaaaaaalma!!! Nada disso, hehe. Apenas coloquei aqui algumas palavrinhas-chave para ver se pego algum desavisado nos sites de busca – a propaganda é a alma do negócio.

Senhores desavisados que procuram moças peladas na internet (tsc, tsc, que feio...), eu tenho uma banda que se chama Analógica. Clique aqui e saiba mais.

Ainda em Música, links de duas rádios do RS – uma é a Pop Rock, rádio universitária que começou super underground e foi ganhando espaço ao longo dos anos, trajetória louvável. A outra é a Unisnios FM, que está se preparando para traçar o mesmo caminho, rádio da minha adorada ex-universidade.

Tem também o site da banda Vide Bula, que está passando por uma reforma (o site, não a banda), mas não deixem de visitar. Eu me derramo em elogios sempre que falo deles mesmo, porque é uma galera talentosa que batalha muito e faz um som super honesto, além de competente. Dentre as bandas gaúchas atuais, eu fico com eles, que ainda não têm projeção nacional nem gravadora, mas daqui a pouco vão estar nas paradas. Vocês vão ver.

No site Samba & Choro eu só vou bisbilhotar sobre quem está tocando onde, na noite carioca, sobretudo Lapa e adjacências. De vez em quando, dou um pulo em alguma casa dessas e rebolo um pouco, que ninguém é de ferro.

Tem também um site de cifras, onde eu me esbaldo quando ninguém está vendo e toco uma modinha dessas do Tribalistas, tipo “você é assim um sonho pra mim”, e viro a Bibizinha romântica-melosa-derretida. Mas só quando ninguém está vendo. Outro xodó do momento é a gostosíssima “Vou deixar”, do Skank, que já tocava a mil por hora nas rádios do RS antes de virar abertura de novela. É uma delícia!

Tá, não vou comentar todos, senão algum engraçadinho ainda vai argumentar que tem 20 mil motivos para não ler os meus posts enormes... é que estou meio tagarela hoje.

21 fevereiro 2004

Eu fiz o teste:



Eu sou o Matthew Perry


Assim como o Chandler , sou sarcástico mas também
sou fofo e preferido das mulheres ! Apesar dos problemas eu ainda estou a
procura de um grande amor !



Faça você também: Que ator de Friends eu sou ?



Da arte de morar com o irmão

(Hierarquia)

Bilhete grudado no armário do banheiro, depois de uma faxina:

“Favor colocar o fio-dental babado DENTRO da lixeira.
A gerência.”


Bilhete dele, na manhã seguinte (escrito no verso do meu):

“Favor ir à merda.
A superintendência.”



Das coisas que eu nunca fiz

Estou encasquetada: nunca bebi o famoso saquê.
Ando atrás de receitas de drinques - agora que finalmente superei o medo do barulho do liquidificador, pois achei que já estava bem grandinha – que contenham saquê. De preferência com suco de abacaxi, que é a minha paixão, e tenho polpas congeladas aos montes no freezer.
Será que saquê combina com abacaxi?

E que não engorde muito. Leite condensado, estou fora!


Das coisas inusitadas da vida

Onze e meia da noite, toca a campainha: minha vizinha, nervosa, que a gatinha dela se atirou da sacada – isso não é novidade, ela tem por hábito. Mas, o pior: enfiou-se dentro do motor do meu carro. E não saía de lá por nada do mundo.

“É que deve estar quentinho lá dentro...” – explicou.

Descemos. Fui abrir o capô, e paguei o mico do ano: a não ser puxar aquela alavanca que fica dentro do carro, eu não sabia fazer mais nada. Não sabia abrir o capô completamente. Aliás, o nome daquilo é capô? Ou é tampa do motor? Sei lá.

Sim, eu sei que é de meter a mão ali por baixo e achar um negocinho que destranca, mas, no nervosismo, a gata miando asfixiada, a vizinha afobada, cadê que eu achava?

E o superintendente não estava em casa.

Fiquei pensando em como seria se o carro escangalhasse na Linha Amarela, uma noite em que eu estivesse voltando da Lapa, no meio da madrugada, e eu tivesse que abrir aquela tampa, a fumaça saindo pelos cantos, a ventoinha desarmada, eu também... bom, mas voltemos à gata.

Demorou uns minutos – que felizmente não foram fatais -, e consegui abrir o capô. A gata tinha se enfiado sei lá onde. E continuo sem saber, apesar de ter visto, porque não sei diferenciar um parafuso de uma porca, que dirá distinguir algum objeto naquele emaranhado de parafernália mecânica. Bem, dizem que ali tem um motor, e já me basta. Havia também uma gata, que, por sorte, era branca feito neve, e ainda miava.

Minha vizinha, com aquela propriedade que só quem tem gatos pode ter, não tardou em puxar a bichana por meio de uma fresta – por onde nós, leigos, jamais poderíamos imaginar que a gatinha fosse capaz de passar. Mas os gatos têm disso, pulam de sacadas, reduzem de volume, escondem-se no motor dos outros, etc.

Enfim, tudo acabou bem, e pude continuar vendo o Big Brother (ooops, contei!).
Carnavaleco


Tempinho enjoado para os cariocas: chuvinha. De minha parte, um pouco irritada, como sempre, com essa época em que todo mundo simplesmente pára de fazer tudo - e o que antes já não funcionava direito, agora, então, nem pensar.

Está certo, ninguém pode pensar em trabalho ininterruptamente (meu “bico” de voz-e-violão num barzinho foi cancelado hoje... por que mesmo?), ainda que se esteja com as calças na mão, como estou, como estamos todos nós, ou quase todos. Mas, cá entre nós, não venha Domenico Di Masi querer incluir a gandaia desenfreada e a manguaça pré-quarta-feira-de-cinzas no rol das (não-)atividades carinhosamente por ele apelidadas de “ócio criativo”. Sem querer ofender, já não vejo muita coisa de criativo nos carnavais há vááários anos.

A propósito, noite dessas a TVE exibiu um belo programa sobre samba – o verdadeiro -, mas garanto que ninguém viu, porque a cadência era um pouquinho mais lenta do que os frenéticos rebolados pré-carnavalescos que as outras emissoras mostravam no mesmo horário, por sinal, nobre. Pois ali, na TVE, personalidades do samba, estudiosos e fiéis observadores (são sempre os mais interessantes) discorriam sobre o tema dois-por-quatro, sem pudores e sem jargões, como se contassem a história de uma vizinha de porta.

Entre outras coisas, eles lembraram que a “vizinha”, quando desfilava na avenida há alguns anos – nem muitos! -, rebolava muito mais gostoso, mais swingado. Até que resolveram atropelar a vizinha.

É isso mesmo. Aceleraram o andamento do samba-enredo até não mais poder, e hoje ele é o único que não desfila: corre. Uma judiaria, como dizia minha avó.

Parece que o balanço, outrora um pré-requisito para se falar em samba de qualquer espécie, agora perdeu o sentido. Pelo menos o sentido auditivo; que, no visual, tudo balança cada vez mais.

20 fevereiro 2004

Aula de Garotinho e Rosinha

A natureza da mulher, tal como Deus a criou, é ser conduzida, ser dependente. Ela não é verdadeiramente feliz quando, casada, rejeita a liderança do marido e assume a própria vida, sem compartilhá-la com ele e sem ouvi-lo. Pior fica quando tenta dominar o marido. Em um congresso mundial de mulheres, realizado recentemente no Brasil, algumas “feministas” famosas repensaram esse movimento, confessando que as mulheres “liberadas” estão muito frustradas e infelizes...

Sem comentários. Clique aqui e veja você mesmo. Se tiver estômago, claro.

18 fevereiro 2004

15 fevereiro 2004

Por um fio


Fui tocar num barzinho cujo ponto “forte” seria um punhado de mesinhas do lado de fora. O dia estava lindo. Foi eu chegar e plugar meu violão, desandou a chover e não parou mais.

Pelo menos o palco era na parte de dentro.

Quer mais? Meu violão deu pau. Acho que é Osmar (os-mar-contato: termo técnico que designa o mau contato de um fio com o... com ele próprio, digamos. Um fio que não se dá com ele mesmo, imagine.)

Quando o Osmar entra em cena, o jeito é você achar uma posição onde ele se comporte, e dali não sair nem por decreto. No meu caso, depois de uns tapas desesperados no violão, consegui aquietar o Osmar. E ali criei raízes, para não alertar os gansos. Funcionou. Só que me custou uma dor incalculável na coluna e uma fama de cantora-estátua.

Não se pode ter tudo.

Depois de horas a fio (sem trocadilho), finalmente desci do palco, e pus fim ao sofrimento. Havia quem perguntasse por que motivo eu não fazia um ou dois intervalos, já que o tempo de cantoria era extenso. Meu irmão, orgulhoso e mentiroso, respondia com uma piscadela:

- Ela gosta assim. É pra não perder o pique...

Mané pique. Só dava eu e o Osmar no palco, a evitar música mais animada para não cair na tentação da sacudida fatal – que poria fim ao musical, brindando a platéia (?) com um sonoro BRRRRRRRRRRRR! ad infinitum, e terminando por me avacalhar a estréia.

Quase que chamo o Osmar para uma contradança, mas receio que ele se ofenda e seguro a minha onda.

Concluo: entre roncos e ruídos, salvaram-se todos.

14 fevereiro 2004

Tocando

Estarei tocando hoje, sábado, no Barra World Shopping – Recreio dos Bandeirantes, Rio de Janeiro. Quem quiser chegar, não há couvert artístico. E fazem uns crepes (no Sul, chamamos de panquecas) deliciosos. Procurem pelo cartaz: Bibi Da Pieve. Não tem outra. Não tem erro.

Engraçado é eu dizer meu nome aqui no Rio. Por telefone. Tele-pizza, por exemplo:

- Eu gostaria de fazer um pedido, por favor.
- Pois não. Qual o seu nome?
- Bibiana.
- Hein? (rindo)
- Bibiana.
- Viviane?
- Não. Com “b” de Brasil. Bibiana.
- Bibiane?
- Não. Bibianaaaaaa. Com “a” no final.
- Aaah, sim. Bibiana de quê?

Respiro fundo.

- Da Pieve.
- De onde?
- É o meu sobrenome: Da Pieve.
- Dábliu-érre (W R)??? (rindo)
- Vou soletrar, tá?
- W R ou Soletrar?

Respiro duas vezes. Fundo.

- Eu vou soletrar, dizer letra por letra, o meu sobrenome. Pode ser?
- Claro, senhora Babiane.
- Ok. “D” de dado, “A”, “P” de pato, “I”, “E”, “V” de vela, “E” de novo.
- De novo é com “D”, senhora. Termina com “D”?
- Não. Meu nome é Bibiana Da Pieve.
- Aaaah! A senhora é parente daquele colunista do O Globo?

Respiro aliviada. Mais ou menos.

- Isso!!! O Arthur Dapieve!
- Arthur de onde?

Doce ilusão.

- Querida, somos parentes distantes. O Dapieve dele é tudo junto, o meu Da Pieve é separado. Mas é tudo italiano, mão-de-vaca, gringo, branquela, Vamos ao que interessa – no caso, a pizza.

- Aaah, me desculpe, senhora Babiane WR. Nosso serviço delivery funciona só até as 22h.

- Mas eu liguei há 20 minutos !!!

- Sim, mas até que eu anotasse o seu nome... sinto muito, senhora WR. Fica para uma próxima oportunidade.

09 fevereiro 2004

Que vontade de ser a Laura

06 fevereiro 2004

Tenho impressão que ninguém me lê, com esse raio de blog estragado – ninguém pode conversar comigo aqui, nem se meter nos meus escritos... coisa triste.

Chegou uma frente fria e voltou a chover no Rio. Sabe que eu gostei? O calor estava insuportável, desumano, chegava a ser obsceno. Não que agora esteja frio – doce ilusão! -, mas deu uma amenizada básica.

Vi um homem mais que maravilhoso no supermercado, mas ele deu tanta atenção a mim quanto a uma lata amassada de atum sólido. Empoeirada. Esquecida na prateleira.

Nem quis saber meu preço. Nem minha validade, minhas calorias por metro cúbico, meu colesterol, meu teor de sal. Nem se tivesse uma promoção estampada na minha testa, leve duas, pague uma, acho que nem assim ele me notaria.

Inconformada, dei a volta na prateleira e passei por ele outra vez, mas de frente. Empinei o nariz como quem não quer nada com nada, mas, na verdade, quer tudo com tudo. Nada. Ele só queria saber da mostarda escura – mais intensa, mais apimentada, mais... tchan. E mais escura.

Acho que preciso pegar um bronze.

04 fevereiro 2004

Meu vizinho e seu gato


Vocês não vão acreditar, mas é real: hoje meu irmão abriu a porta do nosso apartamento, e me mostrou um capacho. Um capacho normal, formato meia-lua, cor meio verde. Só que nós não temos um capacho em frente à porta. Nunca tivemos. E o capacho apareceu ali.

Fiquei olhando sem entender direito, e logo reconheci: era o capacho do vizinho do 104, aqui do lado. Aquele mesmo vizinho que, há alguns meses, tinha o péssimo hábito de roubar o meu jornal de manhã cedo, ler tudinho, e depois devolvê-lo, meio despetalado. Até que armei um esquema com o porteiro – que passou a arremessar o jornal direto para a minha varanda, evitando escalas indesejadas.

Mas, voltando ao capacho, observamos que o vizinho estava sem; óbvio, o capacho dele viera parar na nossa porta. Por que seria?

O mistério não durou dois segundos: imaginem que, sob o capacho, escondia-se uma extensão que saía por debaixo da porta do vizinho em questão, e terminava atrevidamente conectada à tomada do corredor do prédio.

Meu vizinho está fazendo um gato.

Deve estar deixando o ar refrigerado ligado o dia todo (não sem razão, aqui tem feito um calor do cão!), e atravessa a sala com um fio branco que abocanha a energia do condomínio – que, diga-se de passagem, anda mesmo um absurdo de caro. Reconheçamos, não foi má idéia.

O que mais gostei foi do cuidado com o gato: não que bastasse para esconder o fio (enorme, por sinal!); mas, gentilmente, o vizinho nos emprestou o seu capacho para evitar que tropeçássemos no rabo do bichano.

É ou não é uma gentileza?

24 janeiro 2004

Lendo

Quem gosta de leitura, boa leitura, clique aqui e se divirta.

É nada de mais, não. Apenas um site que eu achei por acaso, procurando crônicas, contos e pequenas poesias de escritores nacionais. Ali tem gotas de Veríssimo (pai e filho), Adélia Prado, Millôr, Clarice Lispector, Olavo Bilac, João Ubaldo, Mário (Quintana e Prata) e muitos outros bons, divertidos, talentosos, brasileiros.

***

Filmes

Ontem eu assisti ao delicioso “O barato de Grace” (em inglês, Saving Grace). Uma comédia inglesa despretensiosa, com um roteiro inusitado e atores carismáticos, desses do tipo gente-como-a-gente. Sem aquele ritmo alucinante-explosivo-verborrágico, característico de 99% das comédias americanas, sem sexy-girls, sexy-boys e outros artifícios para manter o sujeito vidrado na tela – na falta de coisa melhor.

Tudo ao contrário. Em “O barato de Grace”, a protagonista é uma senhora de cinqüenta e poucos, cujo marido morre na primeira cena do filme. A pobre viúva herda, assim, de surpresa, uma quantidade absurda de dívidas, e nenhum consolo.

Falando assim, poderia ser o mais comum dos roteiros. O barato começa quando ela se vê diante da única possibilidade de salvar a própria casa: transformar o seu belíssimo jardim numa rentável – e perigosa - plantação de maconha.

Então você imagina a confusão daí por diante. E pode preparar a pipoca, que o divertimento é garantido.

***

Outro filme que eu peguei, confesso, por pura curiosidade, foi o tal Harry Potter e a Pedra Filosofal. Desse eu não gostei.

Talvez eu estivesse esperando uma aventura infanto-juvenil tal qual o belíssimo “A história sem fim” (1984), e acabei me decepcionando. Achei vazio, sem ritmo; muitos elementos fantásticos para pouco conteúdo. Um filme sem alma, mesmo.

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Música

Alguém ainda agüenta ouvir “Amor e Sexo”, da Rita Lee?

Eu soube que ela havia feito uma música a partir de um artigo do Arnaldo Jabor, sobre amor e sexo, antes de conhecer a dita canção. Fiquei curiosa, claro.

Acho a música boa, é uma crônica musicada, pronto. Mas implico um pouco com esse tipo de artifício, a não ser quando é desenvolvido a partir de um trabalho quase artesanal, manufaturado mesmo, tão bem acabadinho que você, no final, não sabe ver a letra sem a música e vice-versa. Aí é gol! (Vide Luiz Tatit, para quem conhece, e quem não conhece deveria conhecer).

Eu fico ouvindo essa “Amor e Sexo” e quase enxergo o texto escrito num papel enquanto ela vai pondo as palavras na melodia repetitiva e meio infantilóide, do tipo que gruda descaradamente nos nossos ouvidos sem pedir licença.

É claro que é um bom trabalho. É claro que é Rita Lee, afinal de contas. Mas é só. Pra mim, o tema é tão bacana, tão sublime e tão sem-vergonha (no bom sentido!) ao mesmo tempo, que mereceria um calorzinho a mais, talvez uma... alma. De novo.

21 janeiro 2004

Mercado fonográfico

O ano de 2003 foi o fundo do poço na longa crise que assola o mercado fonográfico. Mas as gravadoras, que muitos já condenaram à morte, finalmente começam a se adaptar aos novos tempos e apostam numa retomada.

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20 janeiro 2004

Tão sonhado cocô no shopping

Mal sabem eles, mas o verdadeiro prazer de uma mulher, ao evacuar – nos pampas, diz-se “ir aos pés” -, é justamente o de se sentir subitamente mais magra. Com a barriga chupadinha.

Irei ao shopping comprar roupas. Dizendo assim, parece um ato corriqueiro, sem importância. Não é. Trata-se de um verdadeiro ritual, para o qual me preparo com cerca de quinze dias de antecedência – física e psicologicamente, claro.

Vou beber mais líquidos, ingerir frutinhas, iogurtes e demais alimentos sem graça depois das seis da tarde. Vou meditar, à noite, usando mantras que eu mesma criei; são mantras temáticos, por exemplo: “Ooooooommmmmeu-corpo-é-oooooommmmmmmais-magro-dooooooommmmmundoooooo...”

Isto feito com assiduidade impecável, estou finalmente pronta para provar micro-saias, tops ousados e calças de cintura baixa. Chego ao shopping escolhido, e vou me dar ao luxo de almoçar. Afinal, mereço. Alface, tomate, agrião, rúcula, cenoura e repolho. Beterraba, no máximo. Bebo um cafezinho, em seguida, para fazer a digestão.

E saio a bater perna, no intuito de que meu intestino se encarregue de eliminar, tão breve quanto possível, o material recém armazenado. O momento em que a barriga começa a ensaiar movimentos de trabalho é, sem dúvida, o início do alívio. O processo está se iniciando. Estou olhando vitrines, em paz comigo mesma, muito grata ao meu aparelho digestivo. Estou tranqüila.

Disfarçadamente, com um sorrisinho maroto nos lábios, localizo o banheiro mais próximo. Entro, assobiando e balançando a bolsa nos quadris. E vou direto ao que interessa.

Serviço concluso, lavo minhas mãos. E que venham os espelhos, sempre injustos, mas necessários. Que venha o jeans 42, que vai fazer saltar um pneuzinho aqui e ali; vou xingar a confecção pequena da loja, em silêncio, abrir a cortina, e a vendedora assim dirá:

- Nossa, ficou lindo! Valorizou o seu corpão, hein!?

Mulheres não querem ter corpão. Mulheres querem fechar a calça 42, e ela cair lá no pé. Querem que seus namorados as descrevam para um amigo: “ela é alta e magra”, porque corpão tem a mãe da moça da loja, e violão era a sua avó. Admitimos o peito, tudo bem. Corpão, aí já são outros quinhentos. Corpão é eufemismo para termos menos polidos, como balofa, gorducha, cheinha e o pejorativo “gostosona” – que, para mim, também não passa de: “você é gorda, de fato, mas eu quero levá-la para a cama mesmo assim”.

Portanto, o merecido cocô no shopping é um elemento tão importante quanto o próprio ato de provar roupas, ou quanto as roupas, ou mesmo quanto o shopping inteiro e suas redondezas. Fazer cocô no shopping é renovar o organismo, aprontar-se para mais uma missão quase impossível - a de se sentir linda e maravilhosa num espelho ordinário de provador de loja.

É que, na verdade, quando provamos as roupas, estamos colocando nós mesmas à prova. De minha parte, o nível de aprovação sobe muito quando aplico o truque do cocô prévio. Recomendo enfaticamente, e me escrevam se não der certo – que eu ensino outro truque; o do encolhimento permanente da barriga.

Mas o do cocô é melhor, que não deixa a gente azul.


18 janeiro 2004

Domingão

Sonhei que um avião caía, mas depois não caía mais. Perdia altitude pra caramba, mas acabava por fazer um pouso forçado - muito bem sucedido, de modo que os passageiros até começaram a estourar champanhes (ops! espumantes!) quando a nave finalmente deslizava em solo firme.

Achei simbólico. Mas não saquei o símbolo ainda.

***

Hoje o dia está muito bonito no Rio, finalmente. Limpei a casa, lavei roupas, e estou com TPM. Abafa.


17 janeiro 2004

Nem precisava dos onze: com Brad Pitt, George Clooney e Andy Garcia eu já me dava (ops!) por satisteita...



Fora de brincadeira, adorei o filme. Três locações para este fim de semana. Por enquanto, o páreo está duríssimo: Onze Homens e Um Segredo e Procurando Nemo.

Quem não se encanta com aquela peixinha azul desmiolada??

16 janeiro 2004



BACK IN RIO

Alou, macacada! Finalmente, estou de volta ao Rio. Depois de dois meses perambulando pelos pampas, matando saudades, revendo lugares, pessoas e sonhos (realizados e esquecidos), cá estou, serena na proteção ilusória das barbas do Cristo. Menos mal.

Infelizmente, o céu carioca só faz chover. Devo confessar que o calor insuportável dos últimos dias no RS não deixaram saudade alguma; pelo menos, aqui está bem mais fresquinho.


MINHA MINI RETROSPECTIVA 2003

O ano passado foi muito fértil, em todos os sentidos. Plantei algumas sementes que, antes mesmo da virada, tornaram-se simpáticas mudinhas. Bem que eu havia falado muito em flores, lembram?
Algo me diz que elas virão.


MEUS PENSAMENTOS

Ando pensando em fazer de tudo um pouco, tudo ao mesmo tempo, e acho que, a isso, dá-se o nome de disposição. Ou vai ver que é maluquice e desorganização. Mas aqui se deve lembrar que o sagitariano, sujeito privilegiado, jamais carece de responsabilidade e/ou senso de organização. Antes, é apenas otimista, bem humorado, aventureiro, autêntico, sincero, comunicativo e dotado de um carisma cuja amplitude não conhece limites.

Contudo, se mal interpretado, pode ser confundido com um falastrão, enrolador, 171, arrogante, mandão, metido a sábio, fábrica de lorotas, filósofo de almanaque, irresponsável, inconveniente, grosso, nômade e caloteiro.

E essa história de carisma, segundo más línguas, é galinhagem mesmo.

20 dezembro 2003

O espaço


Vivemos falando em falta de tempo, que os anos estão voando, que a vida mais parece um atropelo crônico e que não há jeito: 24 horas por dia são um insulto às práticas saudáveis de trabalho, família, saúde e lazer. Mas e o espaço nosso de cada dia, mês, semana... o espaço da vida?

Ninguém fala muito no espaço (a não ser naquele espaço físico que anda escasso nos grandes centros urbanos, claro). Mas eu me refiro às portas e janelas internas, à brisa que deixamos entrar – ou não – no nosso imbróglio emocional cotidiano, nas relações, enfim, nas instalações do sentimento humano. Não vou falar no “espaço do coração”, que já seria brega demais. Mas é mais ou menos isso que eu quero dizer.

Esse espaço também anda em falta. Andamos nos ocupando demais em preencher coisas, e, de dez anos pra cá, convencionou-se chamar o velho e bom “vazio” de depressão. Pronto, jogaram no lixo o último resquício de arejamento interior. Urbanizamos a alma.

Agora, o bom é deixar tudo bem fechadinho, de preferência a vácuo – que é para não escapar nada de dentro. Está faltando lembrar que a mesma janela que libera o gato também recebe a brisa, e lacrar todas as aberturas é terminar com as possibilidades, enclausurar, sufocar. Vale a pena?

Nunca antes ouvi falar tanto em “medo de se entregar”. Como se conviver com um parceiro ou assumir um “compromisso” – outro termo de efeito duvidoso, parece algo chato e com hora marcada! – fosse entregar a ele ou a ela um braço, e ficar sem. Conceitos que a gente leva pela vida afora, mesmo sem trazer à consciência, e se esquece de arejar, abrir espaço para questionamentos ou experiências que parecem inconvenientes à primeira vista.

Trancamos tudo, e ainda dizemos que é autopreservação.

Um pouquinho de brisa, mesmo que a maresia venha corroer alguns eletrodomésticos das nossas entranhas, deve ainda ser de boa valia. Deixar as minhocas da cachola respirarem; circular as idéias, desafogar as vias de uma consciência tão exigida e confinada pela culpa e pelos medos - sempre os mesmos!

Uma vozinha apita no meu ouvido há alguns meses, dizendo assim: “renovação”.

Ou estou muito enganada, ou a primeira coisa a ser renovada deve ser mesmo o ar que respiramos, em todos os sentidos. Para isso, haja espaço.

Espaço!


PS: Ouvindo Clara Nunes

18 dezembro 2003

Mudanças... NO AR!

Visitem o novíssimo site da Analógica.

Em breve estarei com o blog somente lá, aguardem!

Beijos da
Bíbi

17 dezembro 2003

Coisas do pago

No Rio Grande nosso de cada verão, as chuvaradas deram uma trégua, e amanhecemos com um céu de brigadeiro sobre nossas cabeças - ainda úmidas dos últimos dias. A temperatura, no entanto, chegou a três graus (isso mesmo, 3 GRAUS!) na serra. Em pleno dezembro.

Aqui no Vale dos Sinos, puxamos o cobertor e viramos para o outro lado, tranqüilos e serenos (sem trocadilho, please!): dias melhores virão.

Esta que vos fala, já há seis anos desacostumada ao temperamento confuso e até meio geminiano – perdão da palavra – do clima gaúcho, não hesitou em curtir um belo resfriado, desses de assar o nariz (se estivessem me ouvindo, seria “dariz”). Acho que São Pedro estava com TPM nos últimos dias, e, solícita ao conhecido período crítico, até lhe concedo meu amoroso perdão.

Desde que não se habitue, claro.

Como estive ausente da vida social nos últimos dias, fui informada ainda agorinha de que, logo mais, à noitinha, dar-se-á um churrasco daqueles bem buenos, e que minha parte da carne já fora gentilmente encomendada por um grupo de amigos que conta com minha humilde presença no festejo. E vou mesmo.

Apenas me esqueci de avisá-los sobre minhas restrições alimentares: sou adepta do quase-vegetarianismo (um dia chego lá!), não como carne nem por decreto. Coisa que, aqui no Sul, o churrasqueiro já leva pro lado pessoal.

Não há de ser nada. Como boa sagitariana diplomata que sou, tratarei de solicitar um naco de cadáv..., digo, de carne bovina ao assador, e passarei parte da noite remexendo com aquilo dentro do meu prato, lá e cá, enquanto mordisco uma saladinha qualquer. Até que acharei um cãozinho guaipeca, desses bem gente-boa, doido para devorar parte de um semelhante. Eu lhe derrubarei a carne, silenciosamente, a tempo de suas presas estraçalharem com minha reprovável conduta de gaúcha em dia de festa, e ninguém haverá de dizer nada a respeito.

A menos que esse vira-lata ordinário me denuncie.