20 abril 2007

Três palavras





THANK YOU, CEGONHA!!!!!!!!!!!!!!!!

19 abril 2007

Sorriu

Outro dia ela sorriu de verdade.
E não era pum!
Sorriu – e, desde então, vem sorrindo diariamente.

Brincamos com o queixinho – sorri.
Apertamos as bochechinhas – sorri.
Pegamos o narizinho – sorri.
Sorrimos – sorri.

Querendo mamar, não. Fazendo cocô, nem pensar.
Morrendo de sono, jamais!

No mais,
sorri quando está em paz.
Pensamos mesmo em comprar um apartamento por lá.

17 abril 2007

Reflexão

Se não víssemos as impossibilidades, será que elas existiriam?

2 meses

Fomos levá-la ao pediatra. Está ótima – cresceu e engordou um bocado, aliás, o dobro do esperado. Do pediatra, animadíssimo:

- Noooooossa! Mas esse leite é holandês, hein??!!

Sei, quis elogiar. Mas eu me sinto assim, meio... muuu.

Leite paterno?

Existe uma coisa chamada ordenha manual do leite materno. Primeira vez que ouvi falar, ainda grávida, levei um susto. Ordenhar-me? Jura? Mas, com o passar do tempo, os filhos vão crescendo (a minha já está com dois meses e quase 5kg,ainda ontem era uma garotinha!) e a gente vai perdendo as frescuras. Dia desses tomei coragem.

A mamadeira me olhava, vazia. Eu olhava de volta, cheia de leite e dúvida. Não há de ser complicado, é só mirar bem certinho e espremer daqui, nem vai doer – eu me dizia, mas não me acreditava muito.

Não vou descrever o processo, claro, mas o fato é que não tem nada de mais. Basta dizer que funciona; demora um bocado, mas dá certo.

Congelamos o meu leite – olha que moderno! – e deixamos, dias depois, a pequena e seus pertences com a vovó. Iríamos passear, e demoraríamos. Vovó daria a mamadeira.

Jantamos fora e tudo. Melhor dizendo: jantamos fora e foi tudo. Voltei correndo a tempo de amamentar sem intermediários.

Mas o papai foi mais esperto e pegou primeiro o lugar na poltrona de amamentação. Deu-lhe a mamadeira – que ela traçou em dois tempos, sem a menor dificuldade -, fez arrotar, trocou as fraldas, embrulhou na manta e pôs para dormir.

Quando dei por mim, o gol já estava mais que consumado. Esse mundo está virado mesmo. Mamãe, outrora insubstituível, dessa vez dormiu no banco.

Lipo

Saiu uma notinha no jornal sobre a tal “lipo sem dor”. Que a Xuxa e a Deborah Secco teriam feito. Hum.

E a nós, pobres mortais, cabe que tipo de providência mesmo?

06 abril 2007

Meus arquivos

A Cláudia e a Anlene perguntam onde podem ler meus escritos mais antigos... Envergonhada, respondo: não sei onde foram parar meus arquivos!

Desde que fiz a transição do meu blog para o "Novo Blogger", eles sumiram. Por favor, blogueiros de plantão: me ajudem!

Obrigada, beijos.

05 abril 2007

Todo mundo tem problemas (só a bailarina que não tem)

Agora que sou mãe, tenho pensado muito na seguinte solução: um problema de cada vez.

Problemas entram na nossa vida todos os dias. Se a gente não puser uma certa ordem, eles mesmos tratam de organizar a fila. Como não se respeitam, não escutam e têm pavio curto, o que se dá é um festival de cotovelos problemáticos espetando-se uns aos outros na ânsia por atendimento (farinha pouca, meu pirão primeiro).

Tô fora. Meus problemas, a partir de agora, vão ter que tirar fichinha no balcão. Ser mãe é estabelecer prioridades e agir com bom senso. Se um deles se julgar de caráter urgente urgentíssimo, sinto muito. O problema é do problema.

E tem mais, não estou com tempo para choramingo de problema. O primeiro que fizer manha vai para o fim da fila! (Não se dá colo a problema; eles viciam e depois acabam com a coluna da gente). Deixa berrando.

Idosos, é claro, têm atendimento preferencial: ora, problema antigo é caso para analista, e com isso não se brinca. Problemas gestantes também podem passar na frente - se demorar muito, correm o risco de parir outro probleminha ali mesmo.

E já imaginou se forem gêmeos??

Afora as exceções mencionadas, os demais problemas vão se acostumando: enquanto estiverem morando dentro da minha casa, VAI SER DO MEU JEITO! E aqueles que fizerem birra vão ficar um mês sem solução.

Acreditem, vai doer mais em mim.

02 abril 2007

Dieta da lactante

Vim bufar on line, reclamar da vida. Imaginem que passei os nove meses da gestação controlando a alimentação para engordar o mínimo necessário – e consegui, só 8,7kg! Depois que a Lara nasceu, quando pensei que poderia voltar à vida normal, veio o pediatra com a bendita dieta da amamentação...

Não posso comer:

- leite
- derivados do leite
- CHOCOLATE
- café
- chá preto
- gordura
- fritura
- comida japonesa
- camarão
- condimentos
- adoçante dietético (só libera o stevia)
- álcool

Olhando assim, parece até fácil. Mas não é mesmo!

Primeira dificuldade: como não como carne vermelha, sempre usei os derivados do leite como boa fonte de proteína. E a vida sem queijo é um projeto insosso, ou não é?

Pizza leva queijo. Biscoitos, bolos e sorvetes levam leite. Qualquer saladinha mais incrementada, hoje em dia, tem lá um queijinho. Sanduíche sem queijo? Impossível. Massas de salgados gostosos levam manteiga.

Pior de tudo: chocolate leva... chocolate. E não é que eu não possa comer chocolate puro. Não posso comer nada que leve chocolate! Se bobear, nem “aroma de chocolate” pode...

Qualquer sobremesa (que não seja fruta em calda, mas, convenhamos) leva leite ou algum derivado. Só escapam os doces à base de ovos. E paçoca de amendoim. É para matar. Não sei como vivem as pessoas com intolerância à lactose. As opções são realmente muito poucas!

Só levando com muito bom humor. Outro dia combinamos aqui em casa, achei ótima a opção: vamos dividir um belo queijo suíço.

Sendo que ele come o queijo e eu, os furos.

31 março 2007

Céus!!!
E os caras pararam mesmo o país.
**

Aqui no Rio está um calor in-su-por-tá-vel. Para quem gosta é o bicho. Para quem não gosta, morde.

Falar nisso, vocês viram o filme do Al Gore? Vi e gostei. Mas assusta.
**

Pilates

Minha (ex) professora de Pilates, Kamila, deixou um recadinho aqui (um beijo, querida! Saudades.) Não nos vimos desde que parei de pilatar e mudei de bairro, no oitavo mês de gravidez.

Lara já está com um mês e meio, e ainda não retomei os exercícios. O médico liberou, mas, como diria o Veríssimo – cadê tempo??

Minha coluna está cada dia pior. Faço uns alongamentos em casa, enquanto ela dorme, mas nunca é a mesma coisa. Sou militante do Pilates; é o que me permite conviver na boa com uma hérnia de disco e trabalhando no computador direto.

Agora, com uma filha que engorda 30gr. por dia, ou malho, ou me quebro!

Deveriam vender colunas novas nessas lojas infantis...

30 março 2007

Amementação

É muito divertido: às vezes o bico do seio lhe escapa da boca e ela, afobada, procura encontrar, mas acaba achando a própria mãozinha fechada – e segue sugando, decerto indignada porque não sai leite.

Reponho o devido bico na devida boca, e ela resmunga, inconformada (“grrrrrrrrsssshhhhmmmm!!!!”), como se eu estivesse atrapalhando seu trabalho. Quando finalmente percebe que ali tem leite, sossega e manda um olhar esnobe de canto de olho, tipo:

“Apesar de você, achei o que eu queria.”

Isso que ainda nem comecei a dar palpite na vida dela...

29 março 2007

Estou cheia de idéias para escrever aqui, mas o tempo é cuuuuurto!
Serei breve.

**

Visita


Pois vieram vê-la as tias. Pão-de-queijo, historinhas. Saímos com pacotões de fraldas tamanho “M” e um macaquinho que ainda vai dar muito nela.

Romance

Aí ele voltou à loja da blusa que eu elogiei na vitrine e comprou para mim. Sempre sonhei!

Choro

Chorou muito e depois chorou mais, eu quis morrer. Ave Maria, rezei e tudo. Mais tarde passou (beeeeem mais tarde), pôs as mãozinhas daquele jeito e adormeceu como um anjo – não morri, mas fui dormir no céu.

Básica

Aí eu voltei à loja (tive que trocar a blusa, olha que desagradável, não me serviu e jamais serviria). A menina que me atendeu tinha lá os seus 19 anos. E pensei: daqui já não enxergo muito bem, mas lá se vão os meus. Peguei três regatinhas básicas, tamanho único, e saí com a maior cara de básica e única.

Romance

Aí ele me disse: tem importância não, depois te compro outra bem bonita. Sempre sonhei!

News

Estou tramando mudanças para este blog. Muito em breve, agurdem!

26 março 2007

Recém-nascidas



É como se o mundo ficasse numa bandeja à parte, e a gente fosse se servindo de uma beliscada aqui, outra ali – mas o prato que está na nossa frente, aquele do sustento do dia-a-dia, é mesmo o bebê. Ou a maternidade.

Dizem sempre: “dá um trabalho danado, mas é maravilhoso”. Não é um trabalho “danado”. É um aluguel desmedido, coisa que exige total entrega. Digo isso sem a menor culpa porque é a mais pura verdade. Trabalho danado é escrever um livro. Amamentar e cuidar de um bebê é entrega. Tudo que há em você é derramado num copo, e o conteúdo é bebido (sugado) por aquela criaturazinha. Então você quer ser esperta, ou supermulher, ou seja lá o diabo da sua fantasia, e resolve se espremer um pouco para fazer sair mais algumas gotinhas – na esperança de “sobrar” um pouco.

Nada, não sobra nada. É 100% aproveitado pelo bebê, 24 horas por dia. Quanto maior você se achar, mais entrega haverá. Não sei mais o que é desperdício (de tempo ou de amor) e também não guardo nada: tudo é utilizado. E é freqüente a sensação de que preciso abastecer a despensa, senão me esvaio.

De outro lado, “maravilhoso” é um adjetivo que cabe, mas não preenche. Maravilhoso a gente usa até para um pato assado!

Quando olho para a minha filha, perco os caminhos lineares. Não existe olhar/sentir/pensar/formular/dizer. Não existe ordem, nem mesmo o processo de ordenar. É uma experiência tão direta – a mais direta que já conheci – que até me pergunto se posso chamar de experiência. Talvez seja um tipo de oxigênio ou uma canção.

Um bocejo dela me boceja inteira, um choro me chora, um sorriso involuntário me transforma em alegria da cabeça aos pés. Como é que o budismo classificaria?

Não sei se vem dela ou de mim. Vai ver que vai de cada uma, somos recém-nascidas – a pequena, experimentando as primeiras sensações; a grande, desarticulando idéias. Não me sinto andando com as pernas, é como se alguma coisa lá pela garganta me guiasse.

Em vez de tropeçar, engasgo.

21 março 2007

Total flex

Hoje eu a vesti inteira de verde. Pistache. Camiseta e bermuda, uma coisa. Pus no berço – ela já estava grogue e quase entregue – e fiquei ali fazendo “shhhh... shhhh...”, olhando aquela bolinha verde que saiu de mim. A cada “shhhh” ela fecha mais os olhinhos, geme qualquer coisa lá e enfia o nariz no travesseiro que deixamos ao lado para que não “entorte” o corpinho.

Afasto um pouco o travesseiro. Ela enfia mais o nariz. Afasto um pouco. Enfia outra vez. Afasto. Enfia. Afasto. Enfia.

Agora eu me afasto e – desisto! – fico só observando como ela vai proceder. Ela esborracha de vez o nariz no travesseiro (decerto gera sensação de aconchego) e, quando percebe que não vai dar para respirar, vira meio de ladinho e libera uma só narina.

Esperta e econômica, respira satisfeita com 50% da capacidade. Ou seja, sobrevive lindamente com um pouco de aconchego e um pouco de ar: um bebê total flex!

Demoro um pouco a compreender isso e me dói a coluna de ficar inclinada no berço: uma mãe Maria Fumaça.

16 março 2007

Spa

Tenho ido pouco à rua. Como disse o médico, ainda estou “quase” de alta. Recém fez quatro semanas da cesariana, e alta mesmo só recebo na quinta. Mal posso esperar.

Mas, enfim, outro dia fui à rua. Saí pela portaria do prédio e fui à rua. Sozinha.

Andei pelas calçadas e me vi saltitando por dois motivos. Um, a euforia. Dois, a incrível sensação de pesar pouco mais que uma pluma – Cristo, quanta diferença! Parir é o melhor spa que já inventaram. Perde-se peso com tanta eficácia e rapidez que as próprias pernas custam a crer no pouco esforço que lhes é exigido para carregar o corpo.

Para não falar no risco quase nulo de cair no efeito sanfona. Sim, recuperar o peso perdido no parto é até possível, mas requer planejamento cuidadoso e a escolha de um novo nome, ou seja, dá muito trabalho.

E o melhor de tudo: na maternidade eles na só tiram a sua barriga como também empacotam para viagem!

Eu recomendo veementemente.

12 março 2007

Teste do pezinho

Ainda agora entrei no quarto e ela dorme, serena, empacotada numa manta. Um pezinho ficou de fora.

Aí começa o dilema. Você não sabe se mexe e empurra o pezinho para dentro, ou se ficou assim porque estava mesmo quente dentro da manta. Põe a mão para sentir a temperatura – não está frio nem quente, parece temperatura de bebê. Mexo ou não mexo? Dorme tão linda; vou desmontar o sono?

Pior: desmanchar os sonhos?

E o pezinho cá embaixo, sozinho. Uma sobra no meu cuidado – cinco dedinhos zombando da minha arrogância de querer ser 100%. Embrulhei tudo, mas esqueci o pé?

Que mãe sou eu???

E ela dorme, intacta. Filha, filhota, filha minha. Perdoa a tua mãe relapsa, vai ser assim mesmo, sempre vou querer empacotar tudo certinho, mas aqui e ali vai me escapar um pé. Tentei, mas não coube. Me perdoa.

Que eu te perdôo por crescer tão rápido.

10 março 2007

Primeira vez no shopping


Primeiro passeio no shopping. Colocamos o vestidinho branco que o papai comprou – lindo! lindo! – e nos armamos dos apetrechos necessários: carrinho, bebê-conforto, canguru, fraldas, chupetas, roupinha extra, pomada contra assaduras... Lá fomos nós.

Mamãe aqui estava eufórica. Adoro um shopping e fazia exatamente um mês que não pisava num. Aliás, minhas idas à rua têm sido assim: raras. Pediatra, obstetra e pediatra. Ainda estou, como diz o médico, “quase de alta”.

Então, fomos ao Shopping Leblon (amplo e tranqüilo, seguindo as recomendações do pediatra). Dormiu no percurso. Chegando lá, acordou. Resmungou. Choramingou. Estava na hora de mamar.

O tal fraldário é coisa de primeiro mundo. Tem poltrona de amamentação, trocadores e todos os equipamentos necessários, além de duas mocinhas simpáticas, vestidas de branco, sempre prontas para ajudar (confesso, tive vontade de trazer uma delas para casa, hoho). Enfim, amamentei no shopping.

A gente faz cada coisa que nunca imaginou.

Ela fez cocô e xixi, arrotou, foi trocada, resmungou mais um pouco e dormiu de novo.

Quis mostrar algumas vitrines – filha, isso se chama li-qui-da-ção e é coisa fundamental na vida de uma mulher! -, mas ela nem tchuns. Babava, indiferente. Não deixei por menos: já que não quis comprar roupas, comprei-lhe fraldas.

E assim foi o primeiro passeio: papai e mamãe completamente bobos, exibidos, apaixonados. Alguns passantes viravam o pescoço, admirados. A alegria e o orgulho nos escorriam pelas babas, que coisinha mais linda a nossa filha, como é fofa, como é rica, como é graciosa, olha o pezinho, olha a mãozinha, olha o vestidinho, olha a orelhinha...

E ela nem bola.

Quem sabe na liquidação de inverno.

08 março 2007

Mar Morto

Acabo de ler no jornal que, sendo hoje Dia Internacional da Mulher (em coro: óóó!), devemos aproveitar para “cuidar de nós mesmas”. E a primeira sugestão é fazer uma esfoliação à base de sal do Mar Morto.

Sal do Mar Morto. É mole?

Essa cultura do “cuidar de si mesma” está enchendo um pouco o meu – perdão pelo termo masculino - saquinho. Não sei se é porque, no momento, estou muito dedicada a cuidar de um pedacinho de “mim mesma” que, há pouco mais de 20 dias, habitava a mim-mesma-barriga. De qualquer modo, me parece enfadonha a idéia de que ficar melecando a cara com as novas tendências da cosmética seja assim, uau!, um presente tão supimpa a mim-mesma TODAS AS VEZES em que pretendo me sentir homenageada.

Não sei do mim-mesma de vocês, mas a mim-mesma soa mesmice pura. Será que não há nada mais inteligente ou interessante para sugerir como mimo para myself? Pomba.

Sal do Mar Morto!

Mim-mesma agradece, mas eu gostaria de receber a minha parte em $$$. Mim-mesma pode não ter lá uma pele de oceano (!!??), mas garante que sabe direitinho onde gastar. Hoho.

07 março 2007

Impotente

A vida está muito corrida, desculpem a falta de organização no texto, escrevo enquanto ela finge que dorme (eu também finjo que escrevo), daqui a pouco vai resmungar de lá, calma que mamãe já vai, resmungará mais, calma! calma!, fará um silêncio tão doce quanto breve, escrevo mais um pouco, fico me iludindo – agora ela dormiu de vez, benzadeus! –, que nada, resmunga e agora chora, chora curtinho, depois chora médio, depois chora alto e compriiiiiido, deixo o que estou fazendo e vou ver se faz careta e puxa as perninhas (cólica, gases), se está só agitada, se é calor, se é frio, se balança os braços no ar e se assusta com os próprios movimentos, se...

Enfim. Muitas vezes ela faz tudo isso ao mesmo tempo.

Eu balanço, consolo, acarinho, aliso, massageio, abraço, beijo, ajeito, troco, visto, enrolo, sacudo, embalo e já estou quase carimbando e enviando por Sedex à minha mãe quando ela, enfim, silencia e cai exausta, entregue à mais invejável paz.

Mas deixa bem claro que foi porque ELA quis.

06 março 2007

Batendo papo



Reparem no brinquinho. Uma coisa.

04 março 2007

Queda de cabelo pós-parto

Cruz credo! Era verdade.

01 março 2007

Mitos e verdades - cesariana

A cesárea não é exatamente uma festa, mas também não chega a arrancar pedaço. (Só o pedacinho que vem ao mundo, claro). Eu tinha muito medo da tal anestesia com agulha grossa, mas nem senti. O médico era craque.

A primeira noite no hospital foi uma m***, pior do que eu imaginava. Você fica com uma sonda na bexiga e um soro espetado na veia, não tem posição para dormir, é um inferno. Nada chega a doer, mas incomoda bastante. Fui valente.

O segundo dia no hospital é bem melhor, embora seja a hora da verdade: levantar da cama e tomar o banho com a ajuda da enfermeira é doloroso – e, no caso da paciente ser metida a besta como eu, um pouco humilhante. Dá licença, minha bunda lavo eu.

A verdade é que eu não estava preparada psicologicamente, aliás, nunca estou. Caiu a ficha: caramba, fiz uma cirurgia! Meteram a faca mesmo!

No terceiro dia, já muuuuito melhor das dores e podendo tomar meu banho sozinha, comecei a ver o mundo com outros olhos. Afinal, nem foi tão ruim. E passou rápido.

O pior de tudo: a maldita sonda e as dores na barriga no segundo dia (gases! Eles avisam para a gente não falar nada depois da cirurgia, porque se acaba engolindo muito ar e a dor é certa, mas, que diacho!, você acabou de ter uma filha e as pessoas querem saber de tudo!).

O melhor de tudo: claro, a Lara e o pai dela. Afora isso, o tempo – que é o melhor remédio e, nesse caso, age impressionantemente a favor. A cada dia que passa, desde o parto, a recuperação avança quilômetros. Hoje faz 16 dias, já tirei os pontos e raramente lembro que tenho um corte na barriga. É realmente animador.

***

Terceirizando


Essa eu me esqueci de contar antes, mas é ótima. O médico que fazia as ultra-sonografias da Lara era do tipo conversador, simpaticão. Foi com ele que descobrimos que era uma menina. Pois quando eu estava na última semana de gravidez, ele encostou o aparelho na minha barriga e veio com esta:

- E o garotão já tem nome?

Não dei pelota, apenas disse: “Lara”. E ele:

- Rárárá, esse é o teste que eu faço para avaliar o nível de estresse da mãe! Você passou com louvor!

Hum, não diga.

O mais engraçado foi quando, não sei por que motivo, caímos no assunto futebol (isso durante o exame, é mole?). E ele, querendo contar que fez as ultras dos filhos do Romário, disse assim:

- Fui eu que fiz os filhos do Romário!

E nem se deu conta da gafe. Minha porção de gentileza eu gasto silenciando nessas horas, mas minha vontade quase incontrolável era dizer:

- Que ótimo. Mas, lá em casa, fazemos nós mesmos os nossos...
Comentários

Confesso que estou adorando os comentários de vocês sobre a foto da minha filha, por isso nem tenho mais escrito no blog, hoho. Agradecemos pela preferência!

Mais tarde volto com novidades. O tempo, no mundo das mães, passa muito rápido!
Beijos.

26 fevereiro 2007

Paz



Com vocês, minha filha Lara...

23 fevereiro 2007

Os 10 dias de Lara

Ela é morena e nasceu cabeluda. Faz caretas divertidíssimas, tem o bocejo mais lindo do mundo e enruga a testa quando abocanha o bico do seio para depois sugar. Dedos compriiiidos. Narizinho arrebitado, pernas longas, olhos doces amendoados.

Improvisa sorrisos que nem ela sabe e deixa todo mundo babando - imagina só quando ela souber que sabe sorrir!

Chora só quando se sente incomodada - uma cólica aqui e ali, nada de mais, logo passa. No resto do tempo mantém o rosto sereno, mesmo acordada; olha para os lados e parece refletir sobre coisas sérias como o papel da filosofia no mundo contemporâneo, a cotação do dólar, a previsão do tempo, a vida dos outros...

Ontem fomos ao pediatra, primeira vez que ela saiu de casa. Foi calada daqui até lá. Volta e meia abria bem os olhos e me mandava a seguinte mensagem subliminar:

"Estou colaborando, mas não abusa."

Durante a consulta o médico apertou a barriguinha, examinou o ouvido, a boca, o nariz, o diabo a quatro. Ela chorava, inconsolável. Mandava a seguinte mensagem subliminar:

"Estou avisando para não abusar!!!" (Agora com exclamações lacrimejantes).

Quando o doutor a levantou e testou os reflexos fazendo-a "caminhar" sobre a mesa, esgotou-se a paciência:

Lara, minha filha, fez cocô no final do percurso e batizou a bancada do médico.

E foi ótimo, porque ali mesmo ele pôde fazer a análise visual do material: "o cocô dela está muito bom, viu?".

Eu sabia, eu sabia. Mamãe abriu um sorriso amarelo e saiu toda orgulhosa. Não quero dizer nada, mas o cocô da minha filha é um sucesso.

18 fevereiro 2007

13/02/2007 - Lara nasceu!!!

Só hoje tive tempo (modo de dizer, estou correndo) de passar aqui e contar a novidade: já sou mãe. Fazíamos previsões e mais previsões, mas a verdade é que Lara chegou correndo por fora!

Ela é linda. Não sei o que dizer. É pequena e linda, linda, linda. Estou sem dormir desde terça-feira, os dias mais felizes da minha vida. Me dá um nó na garganta escrever aqui, sorry. Queria passar e contar a vocês que deu tudo certo no parto, aqui estamos todos ótimos.

Detalhes no decorrer dos períodos entre as mamadas.

Beijos maternais.

12 fevereiro 2007

Careca pós-parto


Fui cortar o cabelo (preparativos para o grande dia). A moça que me atendia tem três filhos e uma cara ótima.

- Menina, engordei 21kg na última gravidez!

Diga-se de passagem, a moça tem um corpo ótimo. Esbelta mesmo.

- Mas, quando minha filha fez três meses, eu já havia voltado ao peso inicial. Você não engordou foi nada, né?

Digo, entre constrangida e orgulhosa, que engordei pouco menos de 9kg.

- Uau! Você tem muita sorte! Vai sair da maternidade de jeans. É para poucas.

Quando eu já estava toda boba-alegre, ela veio com esta:

- Agora se prepare, vá dando adeusinho aos seus lindos cabelos. Cai tudinho. É de ficar desesperada. Assim que a neném nascer, mamãe ficará careca. Anota aí.

- Sei. Mas dizem que volta rapidinho, né?

- Onde foi que você ouviu isso? É nada!!! Demora horrores. Sua filha já vai estar bem gordinha e você ainda estará perdendo os fios pelo ralo.

- Hum.

- E a amamentação?

Cristo, ela engatou.

- Que é que tem?

- Ave Maria, quanta dor! Dói quando o peito enche, depois dói quando o bebê suga. Quando ele não suga, dói porque racha o bico. Você tem bico?

Nem respondi.

- Quem não tem bico dói mais, porque até fazer... Mas quem tem bico dói também. Quem fala que não dói é, como se diz? Romantismo! Está bom esse comprimento aqui na frente?

- Tá ótimo. Vai cair tudo mesmo.

“Rárárárá!!!”... (Ela ria, como se a doida fosse eu).

11 fevereiro 2007

Das novidades

Estou apenas um pouco mais redonda, dilatada e ansiosa. Achamos que vamos atravessar o carnaval sem parto, mas tudo são reles previsões – desde que caí na malha médica, aliás, nunca estive tão próxima dos termos do esoterismo. Que ironia!

Pode ser que sim, pode ser que não, quem sabe, talvez, é possível, provavelmente... Meu médico repete, como um mantra:

- Veja bem, a medicina ainda não é uma ciência exata!

Exatamente. E paga-se caro (em todos os sentidos) por isso.

Como a Lara ainda não tem a chave de casa, o jeito é acender uma vela e ficar acordada esperando. Aaaai, meus úteros!!!

09 fevereiro 2007

Vou dizer e é verdade, está cada vez mais difícil escrever aqui porque me dói a coluna. Minha barriga deu uma franca crescida agora, na reta final. Embora ainda seja tamanho P, já me exige da espinha mais do que o justo (sentiu meu ensaio de mãe dramática? Pobrezinha da Lara).


Ultrasom

Ontem fizemos o último ultrasom, e ela apareceu com a mão na boca. O médico frisou:

- Não está chupando o dedo, não. Está chupando a mão toda!

Realmente, Lara cerrou o punho e enfiou na boquinha o que foi possível. Vez em quando mexia o braço para ver se cabia mais um pouco. Teria puxado a teimosia da mãe?

Fiquei achando que, se não nascer logo, é capaz de comer a mão.

Mas tudo está nos conformes. Ela não apresenta sinais de sofrimento, a quantidade de líquido está ok lá dentro, placenta idem, circulação impecável. Tenho que contar: o médico disse que, se depender da circulação no cérebro dela, será um gênio!

Brincadeirinhas à parte, Deus nos livre de ter uma filha genial. Já pensou a briga eterna para decidir de quem ela puxou o privilégio? Periga dar divórcio, tô fora.


Em 14 dias serei mãe

É bobagem aconselhar mulher grávida a dormir muito: “aproveita agora, porque depois...”.

Sei. Quantas vezes já ouvi isso?, perdi as contas. Quero saber quem é que consegue dormir com a barriga habitada por um ser que desconhece se é dia ou noite, podendo praticar qualquer tipo de exercício quando lhe dá na telha. Pior: indo ao banheiro de uma em uma hora. Pior: arrastando uma contagem regressiva que tem o peso da expectativa da maternidade.

Não é mole. Depois, tem as particularidades de cada uma. Eu, por exemplo. Faz nove meses que estou grávida e ainda me esqueço completamente disso quando vou:

- me virar na cama (aaaai, o que foi que houve no meu abdômen?)
- levantar, de manhã (de repente minhas pernas ficaram fracas... Eeeeu, hein?)
- me olhar no espelho (credo, andei engordando mesmo...)
- bater perna por aí (que cansaço repentino! Preciso fazer um check up.)

Isso para não falar no modo estranho como as pessoas me olham na rua. Penso logo se estou com algum botão aberto, a blusa suja ou um colar que não combina. Só então me dou conta de que os olhares não são para mim: são para a minha superbarriga, essa ladra de atenções.

É mais ou menos como se estivesse carregando um poodle espalhafatoso pela coleira, com a diferença (grave) de que não posso emprestá-lo para outra pessoa dar uma voltinha. Vontade não me falta.

- Com licença. Você, que está aí olhando fixo para a minha barriga, será que se incomodaria de levá-la para passear um pouquinho enquanto eu...

Nem te conto o que eu ia fazer sem o poodle.

05 fevereiro 2007

Maldades de última hora


É desesperador, descobri agora que estou no nono mês de gravidez e ainda não cometi maldades o suficiente para abusar do direito. Grávidas podem tudo! Isso deve significar que entramos no caixa preferencial do perdão, ou seja, temos créditos para pisar na bola à vontade e não dar em nada. Passe livre, meus amores. Lá vou eu, pulando a roleta.

***
Gente muito feia devia ser proibida de fazer careta. Não é por mal, não. É que gera uma expectativa (no outro) difícil de ser atendida. Quando se desfaz a careta, o quadro seguinte é tão quanto ou pior, se é que me entendem. Quem olha fica meio sem chão, judiaria.

***
O mesmo ocorre com o burro que diz tolices “de propósito”. Ora, se o idiota é mesmo naturalmente freguês da imbecilidade – todos são -, não fica bem sair dizendo asneira por esporte, sob pena de confundir o interlocutor.

Será que agora ele está dizendo isso porque pensa isso mesmo ou é para fazer graça?

E, pior ainda, fica-se esperando que o coitado vá se redimir logo adiante, pelo amor de Cristo, dizendo alguma coisa melhorzinha. Só que, a exemplo da pessoa feia desfazendo a careta, também o burro não sairá com frase alguma meramente compatível com a inteligência média. Aí, o azarado que topou a conversa pode até se arrepender, mas será tarde demais.

Geralmente, o burro metido a engraçado não sabe ser breve – e, por ser burro legítimo e militante, jamais aprenderá.

***
Ainda sobre o burro. Toda pessoa curta de pensamento, ao contrário do ladrão, retorna freqüentemente ao local do crime, por motivos óbvios: conhece três ou quatro caminhos, todos infrutíferos, mas julga saber tirar leite de pedra.

Funciona assim: o burro diz uma sandice (crime), e o povo gentilmente disfarça, mas o desgraçado não sabe silenciar e aproveitar a boa oportunidade. Dá voltas e depois cai em redundância, fazendo ecoar sua bobagem pelo resto do dia ou da noite como um refrão desafinado.

Pior, freqüentemente se envaidece do dito e nem sequer disfarça a autoria.

***
O que fazem alguns homens com seus corpos é algo digno de intervenção judicial. Dizem que são as mulheres as maiores vítimas da obsessão pela estética, mas há homens que malham exageradamente e saem por aí inflados - braçudos, pernudos, peitudos e até bochechudos -, dando impressão de que basta um espetar de guarda-chuva no pescoço deles e se ouvirá um “PUFFFFF!!!!” (esvaziamento instantâneo capaz de nos levar à calvície só pela ventania).

Não dá, francamente. Esses meninos (de 15 a 65 anos) estão perdendo um pouco a noção do ridículo. Outro dia eu vi um moço no shopping que andava feito João-Bobo, pendendo para um lado e outro, pois o rapaz tinha os braços em meia-lua em relação ao corpo e formava uma bolota ambulante que dava gosto...

Gosto por fugir dali o quanto antes (não sabia quando ia tropeçar e sair quicando, daí a atropelar os outros é um pulo e um prejuízo).

***
Para não falar naquela coisa da orelha, valha-me Deus.

***
Bom, por hoje chega de maldades. Vou ali me sentar numa nuvem e tocar harpa, amanhã vai ver que volto absolvida e restaurada.

04 fevereiro 2007

Dedinhos

Mais uma consulta com o obstetra. O tal exame de toque é algo a que já estou acostumada desde o início da gravidez, ora pois, coisinha de rotina e sem importância. De mais a mais, ele sempre vem com o mesmo texto:

- O colo (do útero) está loooongo e fechado, tudo certinho por aqui. Pode se vestir.

Só que, dessa vez, veio com novidades.

- É, mamãe. Já temos um dedinho de dilatação.

Temos – quanta gentileza. Dedinho! – quanta delicadeza.

- DILATAÇÃO??? – quis saber a supermãe dilatada.

- Sim, mas não se assuste. Pode não significar muita coisa. Tem mulher que passa semanas com esse dedinho e nada.

Ou seja, a natureza é mesmo um troço estranho que vem cheio de dedinhos – e, quando menos se espera, ataca de punho cheio. Ou não, vá saber.


38 semanas

Tecnicamente, faltam apenas duas semanas para a Lara nascer. Mas continuamos mantendo a previsão para o dia 22, por conta de um cálculo baseado no ultrasom (detalhes que não vêm ao caso).

Ou a qualquer momento, em edição extraordinária.

27 janeiro 2007

Quase

- Agora estamos na reta final!

O obstetra me olhava arregalado como quem espera qualquer reação. E eu, péssima em providenciar reações – bem como outros embrulhos para presente -, apenas empacotei o susto da iminência do parto numa vogal redonda como a minha barriga:

- Ô!

Estou com 37 semanas completas. Para os leigos: faltam só três. Como a Lara está ótima e não demonstra sinais de incômodo com o seu (meu? já não sei mais) habitat, diz o bom senso que ela deve nos brindar com o primeiro choro só lá pelo dia 22.02, quinta-feira após o carnaval. Veremos.

Se estou assustada? Imagina. Preocupada? Tampouco. Dizem que estou até com cara de mãe. Sorrio muito, no fundo me agrada. E só.

Mentira, de madrugada eu entro em pânico.


Gula

Outra observação do obstetra (aliás, você sabia que o termo obstetra vem de observar?): engordei só o mínimo. Elogios mil. Mas subi na balança e tinha engordado, só em janeiro, 1.8kg.

- Ainda assim é pouco, no geral, porque você pesava pouco para a sua altura antes de engravidar.

Deus sabe como isso entra doce nos ouvidos de uma mulher. E emendou, como um papo-de-anjo:

- Agora você até poderia comer um pouco mais!

Pra quê? Saí de lá cheia de desejos. Só ontem comi pastel de queijo e camarão, depois salmão marinado e baguete quentinha com manteiga. Sobremesa explosiva: bomba de chocolate!

Trouxemos para casa um farto naco de patê de pato com laranja (minha perdição) e outros pãezinhos. Mas isso vou deixar para beliscar quando a consciência parar de me cutucar as culpas.


São tantas contrações (como diria o Rei)

A partir de agora, as consultas serão semanais até a Lara nascer. Folgo em saber. De vez em quando tenho contrações, ainda que leves e curtas, e sinto uma dorzinha na parte baixa do útero. O médico disse que é normalíssimo - o corpo está esquentando os tamborins para o grande dia. Huuum.

Mas a gente, que é grávida de primeira viagem, nunca sabe quando é que a princesa vai inventar de abrir alas, né? Fico nervosa se tenho três ou quatro contrações. Aliso a barriga, bufo, bufo e converso com ela.

- Filhota, assusta não... Estamos só aquecendo os tamborins, viu?

A barriga endurece ainda mais, mudo de posição e bufo outra vez.

- Querida, queridinha, a mamãe está calma, ok? A mamãe está absolutamente calma, pode ficar tranqüila também. Ninguém com pressa aqui. Temos todo o tempo do mundo.

Sinto a pele esticar numa espécie de Pão de Açúcar abdominal.

- Epa, segura esse bondinho aê!! Dá para acalmar, dá? Já falei uma vez, já falei duas vezes. Era para aquecer os tam-bo-rins! Tam-bo-rins!

E termino com a frase típica do desabafo maternal:

“Avemaria, não sei o que teu pai tinha na cabeça quando inventou de te comprar essa tuba!!!!!!!!”

22 janeiro 2007

Tudo muito lindo com a tal convergência das mídias, está bem, mas haja saco (analógico) para tanta tralha digital! É só comigo, ou acontece com todo mundo?

Outro dia fomos fazer uma compra no shopping – numa loja de verdade, palpável, física, até robusta. Questionamos o preço da mercadoria; o mesmo produto, no site da própria loja, estava mais barato! O vendedor admitiu:

- É verdade. Perdemos muitas vendas para o site.

!!!

O fenômeno é explicável pela ausência, na loja virtual, de despesas próprias do mundo físico. Mesmo assim, acho esquisito.

Para não falar na confusão dos sites das empresas multifuncionais (vamos dizer assim). Telefonia móvel que também vende linha fixa, internet por banda larga, jogos, músicas, horóscopo, notícias, e, procurando bem, dá até um descontinho nos sutiãs para amamentação.

Você digita www-ponto-o-nome-da-loja-ponto-com, jurando que vai encontrar simplesmente a informação que procura, e ponto. Acaba saindo cheio de vírgulas ponto sem.

Saquinho, né?

11 janeiro 2007

Curso de bebê


Fomos ao tal curso para casais grávidos (é assim mesmo que chamam). Fiquem calmos, ainda não afoguei a boneca na banheira porque o capítulo do banho é só no próximo sábado. Ando ansiosa.

No geral, foi ótimo. Aprendi coisas fantásticas sobre parto, amamentação e cuidados com o bebê. Mil exemplos, mas aqui vai um ponto alto: se o bebê chorar – e vai chorar -, não se deve começar oferecendo o peito (que se chama “mama” nos ambientes respeitáveis, fui aprender agora, antes tarde do que nunca).

Se o pequeno chorão der com a mama diante da sua boca, irá sugá-la por puro instinto. Mesmo sem estar com fome. A confusão estará instalada: desregula-se o ritmo da mamada e, depois, para arrumar tudo de novo, vai ser um parto (ops!).

Então eles sugerem uma seqüência de checagem do choro. Cocô? Xixi? Calor? Frio? Cólica? Dor de ouvido? Etc. Já me esqueci da ordem correta, mas trouxe a apostila em CD ROM e vou estudar direitinho em casa. Assim, na hora do nervosismo-pega-pra-capar, estarei totalmente apta a esquecer tudo de novo e gritar bem alto, chamando pelo pai dela – que virá correndo me atender e começará a checar, agora em mim: cocô, xixi, calor, frio... E é capaz de encontrar tudo isso, no desespero a gente nunca sabe.

Se nenhuma das alternativas anteriores e malcheirosas for a correta, o pimpolho faz cara feia é de fome mesmo. Aí, segundo consta, é só com a mãe e sua mama (não me refiro a avó, mas ao peito, com todo o respeito). Parece simples.

Além disso, para verificar incômodos como dor de ouvido ou cólica, a medida não poderia ser mais elementar: aperte o ouvido. Se piorar, era dor de ouvido. Ora, isso eu sei fazer!

Na hora da cólica, o médico/professor veio desafiando os alunos: alguém sabe como se faz para ver se é cólica?

Bom, eu não quis dizer a verdade. Que minha filha e eu já desenvolvemos um fino sistema de placas, cada qual com letras coloridas e desenhos da Minnie, em que ela levantará o cartaz “CÓLICA” se estiver com cólica, assim por diante. Não tive coragem de confessar. E, como o método usado pelo médico - lançar perguntas desafiadoras e ficar esperando hooooras até que um tímido se manifestasse – já estava cansando a nossa beleza, resolvi fazer uma graça.

- Aperta o bebê!... Estica! (E sorri amarelo, estimulando outras risadinhas tímidas dos colegas).

Me dei mal: quis fazer piada, mas acertei sem saber. Era isso mesmo. Pressionando um pouco a barriguinha – se o choro piorar, é cólica – ou espichando as duas perninhas do baby, resolve-se a parada. Isso porque tendência dele é ficar encolhidinho quando sente esse tipo de dor.

Resumindo: se o bebê chorar, é melhor – para ele - que esteja bem sujo de cocô ou urina. Caso contrário, é tarefa da mãe sair judiando da criança (beliscando, apertando, puxando, esticando) até que alguma dessas ações produza o efeito esperado: piorar o choro. Aí, conclui-se o motivo e liga-se para o pediatra:

- Doutor, socorro! Não sei o que deu nessa criança! Está chorando e agora berra cada vez mais alto, parece até que alguém apertou o bichinho...

Hoho.

03 janeiro 2007

2006... 2007!


Meu irmão, no final da tarde de 31/12, veio com um plano sobre a virada:

- Tô com a maior preguiça. Vamos deixar para amanhã?

***

Lara, por outro lado, esteve agitada. Minha barriga faz ondinhas. Ela saracoteia como se estivesse sob lençóis – e a parentada boba, olhando (mamãe aqui, então...). Não preguei o olho a noite toda. Ansiedade pura.

***

Hoje é dia 03 e ainda não parou de chover. Preciso resolver coisas – buscar a calça que mandei reformar, comprar fita adesiva, manicure; isso fora as caminhadas diárias que, se interrompo, me sinto uma criminosa da pior espécie. Podendo fazer nada disso, encaixoto minhas dúvidas e dívidas, dentro de casa mesmo, e jogo fora o que já era para ter ido há muito tempo.

Muita mudança. Como diria o rei: são tantas contrações...

***

Esconde-esconde

Outro dia, na depilação, a mulher começou o serviço e não se tocou que eu estou grávida. Tudo bem que a minha barriga é tamanho P, mas, francamente.

Pior foi que eu não me dei conta de que ela não havia se dado conta. E fui fazer uma brincadeirinha (sou ótima em querer espantar o silêncio constrangedor com brincadeirinhas tipo Chandler, do Friends, que finalizo com um sorriso amarelo e quase pedindo perdão pelo ocorrido – minhas piadinhas infames, sou conhecida por elas).

Então, esperei justamente a mulher se virar de costas para mexer com a cera e saí com esta:

- Caaaalma, minha filha... (esfreguei a barriga, mas ela não viu, óbvio: estava de costas).

Num segundo percebi: a moça achou que eu me dirigia a ela. “Calma, minha filha!”, como quem diz “pega leve aê, sua depiladora abrutalhada!”. E reagiu:

- HEIN??

E eu:

- Estou falando com a minha filha!

E ela (decerto pensando: mulher maluca, acha que trouxe a filha, mas deve ter esquecido dentro do carro, porque aqui não tem criança nenhuma):

- Falando com quem???

- Aqui, ó. Dentro da minha barriga (sorriso amarelo-ovo).

- Ah! Você está grávida?

Não, minha filha é que tem o hábito de brincar de esconde-esconde quando a mãe começa a pagar mico!

***

Gogó aceita

No horóscopo só dá que eu vou ficar rica, ficar rica, ficar rica. E nada.

Hoje veio uma dica: “aceite colaborações”.

Finalmente, uma luz! Primeiro passo: comprar um chapéu. Que o violão e o gogó eu já tenho. Hoho.

29 dezembro 2006

FELIZ ANO NOVO!!!

Caso eu não volte aqui até a virada.

27 dezembro 2006

Feliz Natal (atrasado)

Queria agradecer aos recadinhos carinhosos de feliz Natal... Para vocês também! Que 2007 seja realmente um ano de expansão para todos nós.

***

Histeria


Vamos fazer um curso de bebês. Dois sábados seguidos, na maternidade onde vou ter a Lara. Ai, meu Deus. Um curso de bebês.

- O segundo sábado será sobre os cuidados com o bebê, até ele completar um aninho – a moça me explicava por telefone.

Ai, meu Santo Cristo. Um aninho.

- Vamos ensinar como dar banho... Será usada uma boneca como modelo.

Ai, Jesus. Uma boneca como modelo. Já estou me vendo afogando a tal boneca na banheira - e as outras futuras mamães me lançando olhares de reprovação, olha lá a falta de jeito em pessoa, coitada, desastrada, estabanada, mal consegue dar banho na boneca-modelo, o que será da filha? E eu confundindo o bebê com o sabonete, esfregando o maior no menor, a água espirrando, a criança pulando para fora da banheira enquanto eu tento pescá-la no ar pelo pescoço, inutilmente, entre risadas espasmódicas e franco desespero.

- Rá!! Te peguei!

Peguei nada. Agora a boneca-modelo, ainda mais contrariada, já foi parar no colo do marido alheio, um bigodudo de bermudas floridas e unhas mal cortadas que veio do Panamá tocar percussão numa banda chinfrim e se encantou pela loira rebolativa que bebia cerveja quente na primeira mesa, ela piscava porque tinha cacoete mesmo, mas ele achou que era paquera e lhe pagou uma casquinha de siri – pronto, deu no que deu.

Povo engravida pelos mais variados motivos, impressionante.

Está bem, dá para perceber que estou me sentindo um pouco ansiosa. É verdade. Hoje liguei para a minha mãe.

- Tô ficando histérica.
- Calma, filha. Uma coisa de cada vez. É só organizar os pensamentos.
- Tá.

Pausa.

- Mãe... Agora estou histérica em ordem alfabética. Resolveu muito, não.

21 dezembro 2006

Primeiro mundo


Em família ou entre amigos

- Você está linda! Você está linda! Você está linda! Você está linda! (Ad infinitum).


Nos lugares onde ele se apresenta

- Minha mulher está grávida!

(“Óóóóóóhhh!” geral, dezenas de olhinhos comovidos na minha direção, e meu sorriso-cabide-falsa-modéstia a despistar: “que é isso, nem foi nada... He he... Mas vou aceitar os presentes e as homenagens, sim, viu? Humildemente, claro...”)


Na rua, na chuva ou na fazenda, a qualquer hora

- Você está com vontade de comer alguma coisa em especial? Diz, vai, qualquer coisa!

(Sorvete de chocolate amargo. Pizza de atum. Bolo de abacaxi. Sanduíche de salmão defumado. O prato que o casal da mesa ao lado pediu, mesmo que eu não saiba o que é. E mais sorvete de chocolate amargo).


No laboratório (lotado)

- Bom dia. É para pegar uma senha ali, né?
- Não! A senhora tem preferência, imagina. Aguarde naquela cadeira que logo será chamada.

E sou mesmo!


Em casa, depois das refeições

- Você nem ouse se mexer dessa cadeira. Deixa que a gente tira os pratos.

E tiram mesmo!


Na loja de sapatos

- O que é isso, não vá se abaixar para amarrar a sandália, não! Deixa que eu faço...

E faz mesmo!

**

Ou seja, a gestação é a experiência mais primeiro-mundista que uma pessoa pode ter. Estou me sentindo num lugar onde tudo funciona; sou atendida de pronto, não carrego nem sacolinha de farmácia, não me abaixo para absolutamente nada e só me levanto se for para resolver alguma urgência pessoal e intransferível (xixi, por exemplo).

Uma pena ainda não termos a capacidade de terceirizar a urina. Mas chegaremos lá, não deve faltar muito.

Minha filha, por exemplo. Quando ela engravidar, não precisará mais ir ao banheiro de 15 em 15 minutos - como lhe contava a mãe antiquada, coitada. Irá apenas uma vez, pela manhã, e programará numa tela praticamente invisível:

"Urina - 15 em 15 minutos - até 23:00 - Enter!"

Pronto. A cada 15 minutos, uma mensagem de texto vai chegar no seu celular de dedo (será como um anel, mas terá a opção de projetar o conteúdo em qualquer superfície plana), contendo os seguintes dizeres:

"Parabéns! Sua urina foi expelida com sucesso! Se estiver satisfeita, digite 1. Se não, digite 2 para..."

Você sabe, número 2.

20 dezembro 2006

Ira

O dia inteiro foi de um calor insuportável. À tardinha, combinamos de dar aquela caminhada.

Assim que troquei de roupa – calça de ginástica, top, tênis, boné – e me besuntei toda de protetor solar (30 para o rosto, 15 para as partes do corpo que ficam de fora, além do protetor labial), adivinha? Chuva.

Eu tenho vontade de pegar o primeiro que me aparecer na frente e torcer o pescoço. Ah, não brinque com a ira de uma mulher bem grávida. GRRRRRR!!!


Planos

Não faço mais planos de fim de ano, pronto, está decidido.

Imaginem que hoje, por acaso, acaso, acaso, estou mexendo numas gavetas e separando coisas para pôr fora quando encontro um papelzinho lá no fundo. O que diz: “Planos para 2006”. Aaaai, eu me prestei.

Pior não foi ter me prestado a fazer planos. Pior foi hoje, a 12 dias do ano que vem, ter me disposto a ler o papel! Claro que não deu certo.

Vou dizer bem claro: eram 10 metas, das quais não atingi nenhuma. Mentira, vai. Uma que outra bateu na trave, e uma (em particular, aquela que vou chamar de mais “fofa” de todas) deu certinho. O resto foi um fiasco exemplar.

Queria comprar um carro (“à vista”, está lá escrito); comprei nem patins. Queria ter passado dois meses em Paris escrevendo um livro (você foi? Pois é, nem eu). E segue por aí.

Óbvio que minhas metas não eram metinhas... Eram metidas, assim como eu. Mas eu podia ter chegado lá. Podia ter dado mais de mim. Podia ter me esmerado, concentrado, esforçado, gritado, tido chilique, ido ao Sílvio Santos (ainda tem gente que pede coisas no Sílvio Santos? Aliás, ainda tem Sílvio Santos??). Estão vendo?, eu podia ter ao menos me informado!

Bueno, são águas passadas. Uma coisa aprendi: não se mete as metas no fundo de uma gaveta para só olhar de novo quando a gente já se esqueceu completamente delas.

A propósito, por que diabos eu queria tanto um carro? Com esse trânsito... Eu, hein?


Classificados – vendo pé de pato

Não comprei carro, mas estou vendendo um par de pés de pato para bodyboard, da excelente marca Kpaloa. Novíssimo, usei só três ou quatro vezes! Tamanho P (35 – 36). Cem paus (precinho de Papai Noel).

18 dezembro 2006

Campeões do mundo, fazer o quê?

Sou gremista, embora meu blog seja vermelho. Desde que o Internacional venceu o bendito jogo contra o Barcelona, não tenho tido sossego. Em pleno Flamengo (o bairro), desço para dar uma caminhada e dou de cara com um sujeito vestido de colorado dos pés à cabeça. Mas não estou no Rio de Janeiro??? Faço o sinal da cruz e sigo.

Os jornais entram por baixo da porta com a festança colorada estampada nas primeiras páginas. Bufo, tomo um gole de água-de-coco e vou ler sobre outras partidas.

Meu irmão manda torpedos provocativos pelo celular ameaçando transformar minha filha numa torcedora do Inter, “o número 1 do Rio Grande”. Relevo.

Não bastasse, ele aproveitou minha ausência para decorar o apartamento com bandeiras vermelhas improvisadas (camisetas, toalhas, fronhas, lençóis, lenços etc). A área de trabalho do computador virou um quadro de mau gosto – nem preciso dizer com que figura. Quando entrei no meu quarto, que surpresa: meu abajur havia sido transformado em Chapeuzinho Vermelho.

Mas uma mulher grávida não deve se estressar. Por isso, vou encarar essa m* toda com bom humor e fazer de conta que são motivos natalinos... Ho ho ho.

***

Transporte coletivo

Todo ano, perto do Natal, venho aqui e escrevo que estive no Barrashopping e ele estava lotado. Está ficando meio chato dizer sempre a mesma coisa.

Então, esse ano vou dizer diferente: estive no Barrashopping hoje, grávida de sete meses, e EU estava lotada.

Minha filha pesa quase 1.5kg e mede 41cm.

“Não é um bebê grande”, disse o médico.

“Ah, claro que não. A propósito, quantos o senhor já carregou nessa sua flácida barriguinha?”, tenho ganas de questioná-lo.

Não importa se minha filha é grande ou miúda. Nunca houve alguém maior que ela dentro do meu ventre, e isso é suficiente para eu me perceber incrivelmente esticada, pesada e até um pouco empinada para frente. Se hoje sou uma van em horário de rush, amanhã serei um microônibus, e assim por diante. E a pobrezinha vai de classe econômica mesmo.

O fato de não haver mais leito executivo me faz sentir, de certa forma, negociando espaço com ela. Na hora de dormir, por exemplo. Minha filha, o negócio é o seguinte, a mamãe vai virar para cá, mas você promete não fazer aquele treme-treme infinito da noite passada, ok? Olha, ponho até um travesseiro para apoiar a barriga, veja que macio, é feito de penas, e...

- TUM! TUM! TUM!

Ela protesta veementemente, nem quer saber das minhas penas.

Filha, filhota, filhotinha, não foi isso que nós combinamos. (Eu saio com pérolas dessa espécie, como se a criatura já fosse vítima da minha ladainha desde os tempos da concepção... ah, Cristo, ela terá tanto tempo para isso – me ouvir, ouvir, ouvir! A coitadinha.).

Em tempo: o Barrashopping estava lo-ta-do! Você sabe se eles deixam entrar cegonha?

16 dezembro 2006

Natalinas

- Eu queria ver aquela sandália vermelha... 36.

A moça traz a sandália, experimento e gosto muito.

- Gostou? Ficou linda, né? Tem também essa amarela que é show...
- Hum. Mas adorei a vermelha mesmo.
- Tem essa azul-marinho, que está saindo muito, olha que linda!
- Sei. Mas eu queria a vermelha, porque a minha roupa...
- Aaaai, desculpa! Na verdade eu não sei se ainda tem algum par da azul, ou se já foi tudo. Peraí. Berenicêêêê!

Vem a Berenice, afoita.

- Tem ainda a sandália azul? – insiste a maluca de sombra verde.
- Tem, sim. (Berenice me olha bem nos olhos). Qual o seu número, amor?

“Amor” é demais.

- Eu pretendo levar a sandália VER-ME-LHA. Não quero ver nenhuma outra!!!
- Tá. As bolsas em couro estão em promoção.

P*** que me P****! Quem é que dá conta da fúria natalina dessas moças???

07 dezembro 2006

Stones

Dormi como uma pedra. Não sei como Lara deixou; incrível, ficou quietinha e não reclamou quase nada das minhas posições na cama (coisa que tem acontecido com incômoda freqüência).

Dormir como uma pedra é maravilhoso. O problema é levantar também como uma pedra. E hoje me senti assim.

A memória me diz que minhas pernas são fortes e que sou levinha, levinha. A realidade me impõe outros quinhentos, e me surpreendo com o peso adquirido, ainda meio tonta de sono. Força, pernocas!

Daqui a 10 dias eu completo sete meses de gravidez. Falta pouco mais que dois meses, portanto, para o dia mais rock’n roll da minha vida – e por falar em pedras, haja pernas para que te quero nessa reta final.

Às vezes eu apelo. Outro dia fui mudar de posição no sofá e me peguei usando os dois braços como alavancas. Alguém flagrou e perguntou: “já está sentindo o peso da barriga?”.

É tão instintivo que nem havia ligado uma coisa à outra.

Ah, nem me importa a sensação de ser/parecer/carregar pedras. Quero mais é ver a minha pedrinha babando embolada no colo do pai dela. I know, it’s only rock’n roll but i like it!

06 dezembro 2006

Liga/não liga

A máquina de lavar me deu outro susto – dessa vez, simplesmente não ligou. E não ligou de novo. E de novo. Até que tive uma loooonga conversa com ela, e combinei que a deixaria refletindo um pouco sobre o que estava (não) fazendo.

Voltei em meia hora, puxei o botão. Ligou.
--

Sentiram que estão pintando, aos poucos, os sinais da minha autoridade materna? Já funciona com as máquinas...
--

Ventilação

Saiu do banho, esse meu irmão, e andou pelo corredor até a cozinha arrastando os chinelos como se mancasse das duas pernas. Enrolado numa toalha verde musgo, refletiu baixinho (mas eu ouvi):

- Puxa, como é difícil andar de saia...

Isso não é nada, mano. Basta aprender a entrar e sair do carro sem abrir ao público o que é de ser reservado.

Ou não, como mostram as páginas de revista com quadradinho preto em cima para não mostrar nada. Vocês viram na Época dessa semana? Britney está lá, com as pernocas distraídas abertas, e aquela tarja recatada nos aliviando o espanto.

Aliás, é muito boa a idéia desse tipo de lingerie digital; deviam pôr nas lojas. Ia vender um horror, sobretudo agora no verão. Ventila, né.

01 dezembro 2006

Deus, dai-me paciência para aturar...

- As musas do samba (nessa época, começam a brigar em público pelos destaques nas escolas);

- Os musos da política (nessa época, começam a brigar em público pelos cargos do segundo governo mais do mesmo – com a única diferença de que não mostram a bunda, mas, muitas vezes, mostram partes bem piores);

- As pessoas ultra-sensíveis que PRECISAM me contar histórias terríveis de parto e amamentação, nunca esquecendo da dificuldade em recuperar o peso anterior à gravidez;

- As pessoas do estilo POST-IT (parece que nasceram para lembrar você de fazer as coisas): “Já fez o enxoval?”, “Já escolheu o pediatra?”, “Já comprou a farmacinha do bebê? Olha que tem muito produto por aí que dá alergia, hein?”. Não, não fiz nada disso. Vou esperar a Lara nascer e mandá-la fazer tudo sozinha. De ônibus!! E me trazer uma caixa de Bohemia na volta. Não é para isso que filho serve? Não diga.

- O calor e as chuvas do Rio de Janeiro, o trânsito, as calçadas esburacadas e as pessoas sem o menor senso de direção espetando sombrinhas e cotovelos na barriga das outras;

- Está bem, está bem, minha barriga também não está com muito senso de direção;

- Os comerciais natalinos das lojas de departamentos (tudo em tantas vezes sem juros, com o primeiro pagamento só lá no dia em que você não sabe se vai ter dinheiro e o último no dia em que o seu dinheiro, se houvesse, já teria sido gasto com coisa mais relevante);

- Os comerciais natalinos das empresas de celulares – que dão bônus com direito a falar, falar, falar! Cruzes, quem quer falar tanto? Pior, será que alguém ouve?? Duvido.

- A programação da TV por assinatura, cada vez me fazendo entender menos por que eu insisto em assinar aquela nhaca;

- O gerúndio crônico das pessoas do telemarketing, que estão ligando para estar informando que estarão enviando... PQP, já não deram o que tinham que estar dando?

A lista continua. Ai, como é bom desabafar. Hoho.

30 novembro 2006

Cassandra

Estou lendo Meu reino por um cashmere
, da Ana Cristina Reis, e me divertindo. Até agora, a crônica de que mais gostei se chama “Cassandra”.

Sente o drama. Ela conta que estava tentando selecionar uma empregada, até que achou uma tal de Sandra, ótima. Tudo combinadinho, a mulher ia saindo e comentou que estava com saudades do filho, puxando da bolsa um punhado de fotos. “São as primeiras desde que ele se mudou para a Suíça”.

Ana Cristina foi olhar, e o filho era um travesti. E a mãe Sandra, orgulhosa:

- Ele diz que quer mudar o nome para Cassandra, que é para estar sempre com a mãe.

Pegaram? Sandra. Cassandra, Ca-Sandra. HAHAHAHAHA! Muito bom.


Chuvarada

O Rio está encharcado (que frase). Hoje tive de sair a pé, e foi um suplício, porque ventava muito.

Vem cá, é só comigo que o guarda-chuva vira do avesso O TEMPO TODO??

Minha mãe me reconheceu de longe e ficou acenando, mas eu, entretida em lutar contra aquele morcego rebelde que mais me molhava do que protegia, não retribuía. Até que ela chegou mais perto e eu abanei de volta, mesmo meio cabreira, vai que é outra moça se fazendo passar por Aninha...

Mas era ela mesma, inconfundível.

- Oi. Fiquei te fazendo sinal de longe, mas tu nem viu, né?
- Vi não.
- Pois eu te reconheci de loooonge. Muito fácil.
- É? (Lá vem).
- É. Tinha uma coisinha branquinha (meu rosto), a roupa preta, e mais duas coisinhas branquinhas (minhas canelas, abaixo da calça de ginástica).

Hum.


Drenagem linfática

Da série: coisas boas que a gente faz porque todo mundo diz que é bom, mas fica com aquela impressão de que está jogando dinheiro fora.

Drenagem linfática. Lá fui eu. Dizem que é muito bom na gestação, e eu comecei foi tarde. Morria de preguiça. Ainda morro. Mas fui assim mesmo, até para ver como era.

Primeiro, cheguei lá e a moça foi logo escrevendo na ficha: “pós-parto”.

- Você é que teve o bebê, né?
- Hein?
- Você que é a moça que ligou dizendo que recém teve um filho, né?
- Bom... na verdade eu ainda vou ter. Uma filha.
- Ué! Mas você está grávida?
- De seis meses.
- E cadê a barriga??

Muito bem, considerei-me elogiada e segui em frente. A fisioterapeuta, muito simpática, fez umas perguntas e pediu que eu tirasse a roupa e ficasse só de calcinha e sutiã. Na frente de um espelho enorme. Que ela ia tirar minhas medidas. Ai.

- Vai tirar minhas medidas? Mas justo agora, que estou grávida???

Disse que era bom para acompanhar a evolução do tratamento. Sei. Quero dizer nada, não, mas até fevereiro a tendência é que eu “cresça” mais um bocado. Haja fita métrica.

Começou, enfim, a me fazer aquela espécie de massagem (muito levinha, quase um alisamento) – que, segundo ela, estimularia minhas glândulas do sistema linfático, favorecendo a eliminação dos líquidos retidos.

- Ajuda a eliminar celulite?
- A do grau um, sim.
- E qual é a do grau um?
- É aquela que só aparece se você apertar o tecido, assim (beliscando).

Fiquei pensando, mas não disse: se a drenagem ajuda a eliminar uma coisa que só aparece apertando, também tem outra coisa que ajuda muito. É não apertar. E isso é de graça!

Quase dormi, porque o tratamento realmente é muito suave e dura uma hora. Acho que voltarei na semana que vem. Não sei bem por quê.

Minha mãe quis saber:

- E aí?? O que é que achou?
- Achei caro!!

29 novembro 2006

Transtorno bipolar

Ontem fui ao Shopping da Gávea e comprei Não sou uma só – Diário de uma bipolar
, o novo livro da Marina W.


Teria ficado para a noite de autógrafos, mas vim para casa por motivos técnicos. Também por motivos técnicos (cansaço), joguei-me no sofá e comecei a ler. Varei noite e madrugada, o livro realmente é muito bom! Marina usa linguagem leve para tratar de um assunto tão barra pesada, e nos leva na conversa (no bom sentido!) pelas suas aventuras entre euforia e depressão – sem soar piegas ou dramalhão em nenhum momento.

É humano demais. Mesmo quem não tem o menor interesse na doença vai se identificar. E para quem sofre, já sofreu ou conhece alguém que tem o transtorno bipolar, é também uma ótima fonte de informação, já que o livro é escrito com a consultoria de um psiquiatra especializado no assunto.


Aniversário

É muito bom fazer anos na sexta-feira, porque o fim de semana todo acaba sendo comemorativo. Assim fizemos.

Ganhei presentes e mimos, coisas lindíssimas. Na sexta, minha mãe e eu organizamos uma festinha com salgados típicos da tradição culinária familiar, ou seja: comprados prontos.

Aliás, aquele dia foi uma loucura. Duas doidas pela rua equilibrando bandejas, e eu pagando mico em tudo quanto era loja:

- Tem desconto para aniversariante grávida? (Sorisso amarelo e mão na barriga, em círculos).

Minha mãe se escondia atrás das sacolas, “não diz que eu sou tua mãe, pleeeeease”. Bem ou mal, acabei descolando um casaquinho para a Lara (free!) e um sabonete líquido numa loja de lençóis – que também nos deu 20% (!!!) de desconto nas compras. Quem comprou os lençóis foi ela, mas faz de conta que fui eu...

No sábado, foi ele quem fez um almoço que rendeu suspiros gerais da família, e eu ainda arrematei as sobras no fim de semana! Um espetáculo que nem ouso descrever aqui. Só sei que Lara vai comer muito bem nesta vida, e não será por mérito da mãe – o único prato que cozinho chama-se gororoba. Integral, claro.

Depois teve torta (surpresa, de limão, minha preferida) com velinhas e parabéns a você.

Eu estava tão feliz que, na hora de fazer o pedido, acabei fazendo um agradecimento.


Porque é bem melhor

A astróloga explicava, na tevê, para que servem as fases da lua. Não entendi muito. Alguém perguntou:

- Mas a senhora não acredita que determinadas coisas acontecem porque tinham mesmo que acontecer?

Resposta:

“Não.”

“E por quê?”

“Porque é bem melhor você saber que determinada estrada não está boa, e então desviar, do que se estrepar todo num acidente e depois dizer – foi assim porque tinha que ser.”

Bom... Que é bem melhor, é bem melhor mesmo. Só não sei se foi esse o ponto de quem fez a pergunta...

24 novembro 2006

Obrigada, obrigada!

Passando rapidinho, escrevendo sem editor de texto, só para dar o ar da minha graça em dia de envelhecimento. Aos que me dão parabéns: obrigada! Depois agradeço pessoal-virtualmente no Orkut e aos e-mails recebidos.

É muito bom receber parabéns duplos; é muito bom ter uma guriazinha saracoteando dentro da minha barriga e pensar que ela vai me atrapalhar o cooper para o resto da minha vida.
:o)

Beijos emocionados a todos vocês.

23 novembro 2006

Novembro

Comprinhas básicas no shopping. Susto: não entro em mais nada P ou M.

- Você não está gorda. Está grávida.

Meu senso crítico (que, aliás, sofre de falta de senso) está escrevendo isso 300 vezes num caderno. Que é para ver se fixa. Do jeito que é lerdo, capaz de fixar só quando a Lara fizer 15 anos.

Espertinha, comprei um boné. Está lá escrito: “Tamanho ÚNICO”. Rá rá rá!, não tem preço.

As pessoas estão dizendo muito que eu não engordei “por exemplo, nos braços”. E os exemplos param por aí. Fica todo mundo com cara de três pontinhos, sabe quando quer achar palavra e não vem? Faço graça:

- Você pode falar das minhas orelhas também. E dos dentes...

Vamos rir, é novembro.
:o)


Filme: Os Infiltrados

Fomos assistir ao novo do M. Scorsese – Os Infiltrados, com Jack Nicholson, DiCaprio, Matt Damon, Alec Baldwin (que, um dia, foi um homem bonito), etc. Elenco de primeira, só craque.

Realmente é um filme ótimo, dos melhores que vi nos últimos tempos. O roteiro tem um nó que provoca uma sensação constante de suspense misturado com quero-ver-como-acaba, misturado ainda com tomara-que-não-acabe-logo. Adoro isso.

O gênero é drama (está na ficha), mas se trata de um complexo caso policial – então tem muito tiro e sangue, mistério, ação e algum humor inteligente. Desses elementos que citei, gosto só do mistério e do humor; não gosto de policial, tiro e sangue me cansam, cenas de ação me dão muuuuiito sono. E, mesmo assim, adorei o filme.

Nos primeiros 15 minutos, é verdade, fiquei um pouco sonolenta. Cheguei a pensar que pudesse ser um daqueles filmes de roteiro embolado e muitos homens “fodões” se agredindo e dizendo frases de efeito, mas a sensação passou rápido e a coisa engatou. Recomendo!


Chiclete bola

Chegamos na praça de alimentação e começamos a rezar para vagar uma mesinha. Assim que vagou, eu me sentei para guardar o lugar (e para bufar um pouco, porque grávida cansa e bufa!), enquanto minha mãe foi se servir no buffet.

Mal dei minhas primeiras bufadas, apareceu um casal – ele tinha cara de bobalhão de bermudas, e ela era um show à parte: calça jeans dessas que embalam a bunda a vácuo (será que conserva?), sandália com saltão de acrílico, cabelo colorido e chapado, blusinha cor de chiclete bola.

Ainda se diz chiclete bola? Enfim.

- Você está sozinha na mesa? – Perguntou a toda-boa.

Pensei que eles queriam arrastar alguma cadeira dali, óbvio, respondi:

- Estou esperando só uma pessoa. (Como quem diz: sobram duas cadeiras, podem levar para a mesa de vocês).

E a moça se vira para o companheiro mudo:

- Viu, fulano? Só está esperando mais UMA pessoa. Vamos sentar aqui?

!!!

A mesinha não acomoda nem quatro bandejas da mesma família, que dirá um bobalhão de bermudas e uma perua embrulhada a vácuo! Ah, não.

- Escuta, moça, estou esperando SÓ UMA PESSOA, mas nós vamos usar A MESA INTEIRA. Tendeu??

Bobalhão puxa a dama pelo braço, e ambos saem quicando pelos corredores. Para a sorte deles. Se ficam mais um pouco, pego logo um palito de dentes e furo os peitos dela.

Iam todos ver o que é chiclete bola.

22 novembro 2006

Sonho doido

Estou numa loja que não conheço e comento com alguém que não conheço:

- Eu odeio psicólogos!

Nisso a vendedora dá uma risada e aponta para um homem que está assinando alguma coisa no balcão:

- Xiiii... Ele é psicólogo.

Mas ele corrige:

- Sou psiquiatra.

Quando todo mundo espera que eu vá sair com uma piadinha (a meu estilo), olho para o homem e faço uma cara de nada.

- Grande coisa. Aliás, pior ainda.

!!!

Freud explica? A propósito: não odeio psicólogos; muito pelo contrário, sou adepta da psicoterapia!

**

Abandono

Estou ficando com medo da minha máquina de lavar. Depois de algum tempo, elas começam a achar que são gente e querem sair andando pela área de serviço, já viu? A minha rebola e faz um barulhão enquanto centrifuga.

Acho que já entendi por que se chama centri fuga.

Não devo estranhar se aparecer um bilhete grudado na geladeira: “Briguei com o microondas, motivo: essa mania que ele tem de esquentar muito rápido! Fui.”

Vai embora não, maquininha... Sou uma ótima conselheira sentimental.

**

Clic

Fomos fazer uma primeira visita ao pediatra. Achei maravilhoso, sobretudo porque ele não quis ver nada dentro de mim (meio cansada desse pré-natal, todo mês tem um senhor muito gentil investigando minhas áreas de acesso restrito, saquinho)...

O pediatra, também muito gentil, apenas perguntava o que eu queria perguntar. Cheguei lá meio despreparada, não tinha uma listinha de perguntas.

- Qualquer coisa que o senhor me disser eu vou considerar relevante. Não tenho a menor idéia de como tratar um bebê.

- Não se preocupe. Na hora vai dar um “clic” e você saberá o que fazer.

Já gostei. Um clic na minha cabeça é tudo de que eu preciso, afinal. Com tanta novidade, ando me sentindo um pouco sem clic. E como faz falta.

17 novembro 2006

Dura caminhada

Fui caminhar na praia de manhã; saí às 9:20 pensando: “oba, com o horário de verão é sol de 8:20, não há de ser tão quente...”.

Gaúcha branquela, sagitariana (leia-se: otimista crônica), grávida (leia-se: acalorada), empapada de protetor solar fator 50, blusinha que já não cobre a parte de baixo da barriga – vocês imaginam a cena. Andei três minutos e comecei a praguejar, horário de verão o #!@¨#!*&!, ôôô calor dos infernos, onde é que vamos parar???

Mas fui, porque tenho compromisso no final da tarde (único horário realmente suportável). Liguei meu novo MP3 player, concentrei-me no ritmo da música e fui. Coragem.

Funcionou nem dois minutos, parou o som. Essas coisas novas a gente tem que carregar antes de usar, né? Pois eu achei que bastava carregar na cintura, é o que dá ter nascido muito tempo atrás. Segui no silêncio mesmo, frustrada. E o sol na cuca.

Passei diante de uma obra. Aqui no bairro há muitas obras, não há como evitá-las. Honestos trabalhadores martelavam seus tijolos, concentrados, até que me viram e pararam. De repente, começaram a entoar um funk obsceno cujos termos reconheço 30% - porque, vocês sabem, na internet a gente acaba lendo de um tudo. Os outros 70%, valha-me Deus, quero crer que não faziam referência a mim.

Não se respeita nem mais mulher com criança na barriga? – fiquei com vontade de indagar, aos berros, mas achei mais prudente apertar o passo e garantir que a serenata permanecesse fixa naquela cobertura inacabada.

O sol cada vez mais escaldante, eu cada vez mais esbaforida, as obras, o funk, o reflexo do mar estourando nos meus olhos, minha barriga chacoalhando meio desajeitada - apesar de tudo, acabei praticando o tempo necessário para não me tornar uma sedentária e alegrar os médicos.

Na volta, que surpresa, de longe enxerguei minha mãe correndo de bonezinho. Pensei, interrompo ou não interrompo o cooper dela?, interrompo ou não interrompo?, o certo seria não interromper, mas estou tão carente, o sol na moleira, e grávida pode tudo, não pode?

Satisfeita e mimada, decidi interromper e puxar uma conversa. Fiz um estardalhaço, acenei cruzando os dois braços no alto, dei uns pulinhos e sorri. Ela deu uma gargalhada, e só.

Bom, não era a minha mãe.

16 novembro 2006

Ainda bem

Daqui a uma semana (sexta) eu faço 29 anos. Você olha o número 29 e sente que ele pende para o 30, não sente? Parece que o 9 é muito mais “pesado” que o 2, assim: 29.

Ontem ele mesmo confundiu a minha idade.

- Você vai fazer 30 anos!
- Vou, mas só no ano que vem.
- Ah, é, querida... Ainda são 29.

Ainda?

Ele diz ainda porque só quem viveu 29 anos comigo - assim tão de pertinho, sem férias, fim de semana ou feriado - fui eu mesma. Minha sincera expectativa é de que ele siga dizendo ainda, querida, ainda, querida e ainda e querida por mais 30 anos, e ainda confunda os meus noves e os meus zeros quando eu tiver vários trintas. Sinal de que as coisas vão muito bem, afinal – quem não sabe? –, o amor é mesmo ruim de cálculo.

(Calendário e balança agradecem).

15 novembro 2006

Sem culpa

Acabei ficando impossibilitada de ir à Expo Bebê e Gestante comprar o enxoval da minha filha. Motivos de saúde, vocês sabem como é. Minha sorte é que tenho anjos da guarda que fizeram tudo por mim, e está resolvida a parafernália. Aliás, muito bem resolvida!

Ensaiei sentir um pouco de culpa por não ter participado das compras, mas depois resolvi assim: deixa eu relaxar, vou ter muuuuito tempo pela frente para sentir o peso das culpas maternas. E soltei o ar.


Inconveniências

Divertidíssimo um tópico da comunidade de grávidas, no Orkut, onde as minhas colegas de barrigão reclamam das bobagens que são obrigadas a ouvir por aí. Tem cada coisa!

Uma moça reclama que ninguém JAMAIS está satisfeito com o tamanho da barriga dela. Quando era muito pequena, reclamavam que era muito pequena.

- Tem certeza que está grávida? Olha que pode ser mioma, hein?

!!!

Finalmente, a barriga começou a crescer. Quando ela pensou que iria agradar, ledo engano.

- Nooooossa! Tem certeza que é para fevereiro??? Sua barriga parece que vai explodir a qualquer momento!

E as piadinhas óbvias:

- He he he... Jura que é um só? Seu médico olhou direito? Pelo tamanho da sua barriga... he he he...

Muitas reclamam dos abusados – e abusadas - que, sem ter a menor intimidade com a futura mãe, vêm logo botando a mão na barriga. “É como se a minha barriga fosse pública!”, dizem.

Uma moça contou (essa é de doer) que foi a uma festa com o marido; lá pelas tantas, uma conhecida sapecou:

- Cadê o fulano, hein? Se eu fosse você cuidava bem do seu marido, onde será que ele está? A essa altura, minha filha, com você desse jeito, ele não deve mais agüentar ver barriga pela frente, e sempre tem um bando de magrinhas querendo dar em cima do homem das outras...

Pode???

---

Portanto, nem tenho podido reclamar. Comigo acontece, claro, mas até que é light. Há quem sempre goste de comentar um ou outro caso de aborto, uma tia que sofreu de um negócio raro assim e assado (coisas cabeludas), o parto da fulana – imagine que o médico era praticamente um a-çou-guei-ro! Freqüentemente, terminam as histórias com: “... mas, imagina, com você vai dar tudo certo!”.

Ah, bom! – Faço aquela sobrancelha de quem se alivia e agradece pela solidariedade, termino a lista de compras que vinha mentalmente fazendo enquanto a doida contava causos que não me interessam e vou à luta.

A propósito, ontem comentei que estava completando seis meses de gravidez e tive que ouvir, no ato:

- Ah, então te prepara, porque os últimos três é que são os PIORES!!!

Não diga, meu bem.

Detalhe: a autora do comentário jamais esteve grávida.

09 novembro 2006

Mais feira

Amanhã vamos à Expo Bebê e Gestante(última do ano), e dessa vez faremos compras de roupinhas de bebê baratas. Estou com a planilha de custos afiadíssima. Já sabemos que Lara é Lara mesmo, então que venham os babados e bordados cor-de-rosa, com bolinha ou sem bolinha, lacinho, pompom, fita, frufru, casinha de abelha, purpurina, lantejoula e gloss.


Ops, menos!

Nunca fui de peruagem, ora, eu que não invente de brincar de Barbie-over com a pobrezinha que ainda nem pode berrar para se defender. Neca. Minha filha vai ser chique, meu bem, mas chique do tipo básica, bom gosto evidente, adequada, ponderada, tudo no esquema. Fina, sabe como?

Claro, gostará de uma extravagância aqui e ali, que ninguém é de ferro. Um chapéu cor de abóbora, um pingente do tamanho de uma caneca, botas de onça ou zebra ou penas de galinha-d’angola – vez em quando, que mal tem?
...

E uma voz interna me arranca bruscamente do delírio, avisando:

“Vá fantasiando, mãezinha. Até que ela faça 13 anos e saia arrastando coturnos pelos seus tapetes, vá sonhando...”

08 novembro 2006

Cããããibra!

Hoje está um dia ótimo para não fazer absolutamente nada, mas eu acordei querendo fazer tudo, porque é uma data importante para mim (fiquem curiosos). Acabei não fazendo nada. Vamos ao estúpido motivo.

Acreditem, na segunda-feira de manhã tive uma cãibra ultra-mega-power-violentíssima, como eu nem sabia que existia. Na panturrilha direita. Depois que passou, ficou aquela coisa meio dolorida, como se eu tivesse feito musculação demais (não faço demais nem de menos; faço Pilates).

Pois bem, a tal dorzinha foi crescendo e crescendo, e hoje estou virada numa grávida manca. Dói toda a extensão da panturrilha até o dedão do pé. É só mexer que dói. Uuuui!

Agora eu estou aguardando o retorno da ligação do meu obstetra para saber o que devo fazer com esta perna ordinária. E de repouso. I hate repouso.

Cãibras aparecem entre os possíveis incômodos da gestação. Minha mãe conta que teve muitas – aliás, foi o principal inconveniente da gravidez para ela. Perguntinha: tinha que me incomodar justamente no meu dia importante??

Acho que meu texto hoje está sem graça, por isso vou parando por aqui. Não sei como vocês agüentam queixume de grávida. Beijos.

Atualização
O médico acaba de ligar. "É falta de potássio, comum na gestação. Coma banana e beba muita água-de-coco e suco de laranja".

07 novembro 2006

Barriga X Ego

Barrashopping. Mulher classuda, 40 e poucos anos, passa por nós com as duas filhas – entre 8 e 10 anos – abraçadas. Uma das meninas, discretíssima, comenta:

- Olha ali outra grávida, mãe!
- Aham.
- De quantos meses ela está?

Ouço-a responder, muito convicta, depois de breve reflexão:

- Um mês.

???

Minha barriga se sentiu ofendidíssima, diminuída e tal, mas eu até que gostei. Tudo bem que a mulher é sem noção, porque UM MÊS de gravidez não dá nem sombra de barriga! Mesmo assim, foi ótimo para a parte do meu ego que não está gestante.

Além do mais, como diz o Millôr, não se deve contrariar a oftalmologia alheia.

**

Tour

Não valho nada mesmo. Mal cheguei no Rio e já estou morrendo de vontade de passear de novo, mas já me prometi: nada de viagens até a Lara nascer. Muda muito a rotina. Come-se fora, faz-se pouco exercício, hooooras sentada (aeroportos, carros, longas esperas), a coluna reclama, o organismo bagunça todo, e já aprendi que gravidez requer muita disciplina. Como quase tudo nesta vida, aliás. Deus me sossegue aqui até fevereiro, portanto.

Depois que eu me recuperar do parto, ponho a Lara no bolso e - que venham as turnês! Do jeito que ela anda pulando dentro da minha barriga, disposição não há de faltar.

**

Preferencial

Foi a nossa primeira vez. Resolvemos ir ao cinema, escolhemos a sessão e começamos a andar em ziguezague pelas intermináveis cordinhas organizadoras daquela fila homérica. Distraídos, mas irritados, dialogávamos economicamente: cada um entrava com um travessão e uma bufada. Só.

Até que ele, de súbito (eu adoro quando o homem tem um ataque súbito, confesso), puxou-me pela mão e saiu(ímos) pulando cordinhas até o primeiro guichê. Aquele. O do atendimento preferencial.

- Pois não, qual o filme?

Furamos a fila, numa boa. E ninguém questionou minha conduta, nem esboçou protesto, nada, nenhum pio.

Resultado: a partir de agora, estou me sentindo uma poderosa portadora de credenciais abdominais. Rá, metam-se a besta!

01 novembro 2006

Quilos

Já estou naquela fase em que ficam dizendo “você está ótima”. Depois dessa, vem a “você está COM UMA CARA ótima”. E ainda tem a fase final, sofrível, quando comentam: “você está COM UMA ENERGIA ótima!”.

Quanto mais espiritual é a categoria do elogio, menos fisicamente interessante você está. Como diria o (re-)presidente, VEJA, O DADO CONCRETO É QUE eu já engordei além da conta. Blérgh.

Não vou entrar em números (ja-mais!), até porque os números é que já não estão entrando mais em mim. Se é que me entendem. Digamos apenas que extrapolei – um pouquinho, vá lá - o ideal sugerido pelo médico para a progressão dos quilos.

Filhos porque quilos!!


Filhos

E nem adianta pôr a culpa na Lara – como alguns, gentilmente, têm me sugerido -, porque a barriga ainda não está nenhuma Brastemp. Para cinco meses e meio de gravidez, há quem não acredite. Chovem vizinhas, primas, enteadas e até atrizes conhecidas (dos outros, não minhas) que, segundo consta, vão ter bebê na mesma época que eu, mas já ostentam barrigão de respeito. E eu nessa aqui, devagar e sempre.

“Sorte sua, que é alta e então distribui” – dizem.

A imagem até que é bacana. Fico imaginando a minha Lara bem distribuída em mim, as mãozinhas entrelaçadas na nuca, os pezinhos cruzados à frente (estilo “dê férias para os seus pés”), óculos de sol, viseira, suco de maracujá no canudinho em espiral, tranqüila da Silva, bordando miçangas coloridas para a fantasia da estréia.

Sim, porque eu não sei se vocês sabem, mas Lara deve chegar no carnaval.

27 outubro 2006

Enxoval

Sabe quando vai caindo a ficha?

Chegando a hora de começar o enxoval da Lara. Vocês não têm noção. Ou vai ver que têm; eu é que não tenho a mínima.

Baixei listas e mais listas de sites especializados. Cada qual tem uns dez itens cujo nome da coisa me sugere logo a própria coisa, ou seja, soa algo familiar. O resto é mistério. Objetos dos quais nunca ouvi falar, tampouco palpito alguma finalidade. Meu Deus, pânico. Sem contar com os falsos cognatos.

Recomendam, por exemplo, que eu compre culotes. (!!!)

É para dar risada, né? Já que a celulite e as estrias vêm de graça, não custa nada a gente abrir a mão e... Francamente.

Quando começaram com essa coisa de culote, fui atrás de um glossário. E achei. Culote (atenção para o apelido: mijão) é calça comprida de bebê. Pode ser com pé ou sem pé.

E cueiro, você sabe? É para enrolar o bebê. Ops, mas isso não era manta? Sim, e manta tem lá também. Até agora, a diferença que encontrei é que a manta é mais... bonita. Mas tem de comprar de ambos. Vááários.

Outra figura fácil da lista: pinça. Minha filha nem nasceu ainda e já devo me preocupar com o seu buço???

Calma, mamãe. É pinça de plástico, para manusear mamadeira esterilizada...

Tem fralda de boca, fralda de ombro e fralda de mão (?). Além das descartáveis, claro.

Outro que achei curioso foi um tal de porta-bebê. Assim como porta-jóias, agora temos o porta-bebê. Dá uma estranha impressão de ser um recipiente qualquer onde se guarda o filho (ora, tivemos um dia estressante no trabalho!), e deve vir com tampa ornamentada em tons pastéis com dizeres do tipo “não perturbe”, ou ainda “cuidado com o bebê”, dependendo do gênio da criaturinha.

Ficará muito belo em cima da cômoda ou da penteadeira da mamãe.

25 outubro 2006

Cachorro reflexivo

Voltava da praia e vi uma mulher caminhando com seu cachorro. Fiquei olhando para o bicho. Parecia mesmo que pensava. O preço da ração, novo namorado da dona, colesterol, cadelinhas da vizinhança, segundo turno...

Cheguei, finalmente, à conclusão do que me atrai nos cachorros: não a raça, o pêlo, o design do fucinho, nada disso. Gosto é do cão que reflete.

Ou, se não reflete, finge muitíssimo bem.


Rótulo auto-explicativo

Acreditem, comprei um produto cujo rótulo ostentava a seguinte pérola: “CONSERVAR DE MODO ADEQUADO”.

Ah, tá.

18 outubro 2006

Ultrasom – 22 semanas

- É uma menina.

Estranhamente, eu não quis acreditar. Tem certeza? Checa bem esse negócio aí, alô, alô, tá funcionando o aparelhinho que mede? Olha, o senhor desculpe, mas eu já passei por isso antes, cheguei aqui e o bebê me apareceu sentado e...

- Estou dizendo, é uma menina.

Vai por mim, doutor, essas coisas às vezes enganam, estou calejada, imagine que minha primeira experiência deu segundo turno, Deus me livre de empatar um jogo desses, esse gelzinho é de boa qualidade? Gruda bem o, como chama isso, enfim, o scanner que você passa na minha barriga, está bem grudado? Digo, aderindo? Olha, a imagem na tela não está lá essas coisas, não. Quero dizer nada. Muito chuvisco. Tem risco de haver interferência com os bebês das outras?

- A sua filha é uma me-ni-na! Está muito claro, olha lá o sexo!!

Não havia Cristo que me fizesse engolir a ficha. Eu seria mãe de uma menina. Que alegria doce; um suspiro bem ensaiava, mas não me acontecia. Continuei tentando me certificar, e apertava a mão do pai cada vez mais forte, como quem pedia que me dissesse que era isso mesmo, soprasse no meu ouvido sem que o médico estivesse olhando: psiiiu, ele está falando sério!

A verdade é que só acreditei quando olhei para ele.

Dizem que as mulheres são mais sensíveis às formas não verbais de comunicação, um franzir de testa, um jeito, acento de sobrancelha. Na tela eram pedacinhos de pés, braços, boquinha, mão, ossos e feições confusas. Na voz do médico eram palavras.

Mas o pai fez lá um ar, e foi no lá e no ar que eu enxerguei inteira a minha Lara.

16 outubro 2006

Cadê?

Hoje me disseram que eu “já perdi a cintura”. Deus queira que eu a encontre de novo, algum dia (depois do carnaval, claro).

PS: Completei cinco meses de gravidez, cruuuzes, como passa rápido!


Argentina

Se você quer fazer uma viagem maravilhosa e barata, voe para Buenos Aires. Já. Sem preconceito, né? Afinal, se os argentinos têm um monte de defeitos, quem não os “temos”?

Falando sério, os preços lá são convidativos – sobretudo comida e transporte. Os táxis são velhos e poucos têm ar condicionado, mas a corrida sai quase de graça se compararmos com os preços daqui. Tem um transporte ainda mais barato e divertido: andar a pé! A cidade é linda, vale gastar as panturrilhas e depois repor as calorias em algum café daqueles bem tradicionais, cheios de delícias amanteigadas e açucaradas. Hummm.


Como resistir a (quase) tudo

Como gravidez é coisa séria, controlei-me diante das barbaridades calóricas portenhas. Não foi fácil recusar as medialunas (espécie de croissant em forma de meia-lua, doce ou salgada, sempre um escândalo) e as empanadas (pastel de forno) tradicionais. Provei uma de cada, e só. À noite, ficava só na saladinha. Claro, vários lanches com barrinhas de cereal para segurar a onda. Graças a Deus, não como carne vermelha mesmo – seria uma tentação atrás da outra!

Todo esse esforço é porque - já percebi - ganhar peso na gravidez é muito fácil. E, dizem, perder depois é difícil demais.

Quando não se está “embaraçada”, se você quiser enfiar o pé na jaca hoje, pode perfeitamente compensar malhando três horas amanhã, ou ficando só no suquinho com salada o dia todo. Esperando um filhote, no entanto, não me arrisco nessas imprudências. Se enfiar o pé na jaca agora, engulo a jaca. E a jaca conta pontos na balança. Gravidez é ao vivo e não tem ensaio.


O bebê mexeu – e abriu para o público

Não sei se ele quis fazer uma exibição futebolística em terras argentinas, para estimular a rivalidade, mas o fato é que o bebê mexeu em plena Buenos Aires. Claro que eu já vinha sentindo antes, havia algumas semanas, mas não sabia que o evento seria aberto ao público tão cedo!

Estávamos no apartamento, descansando e batendo papo. Volta e meia falávamos nele – nosso principal assunto, disparado! -, o pai com a mão na minha barriga, mas sem nenhuma intenção de estimular resposta.

Será que é menino ou menina?

Como será a carinha dele ou dela?

Enfim, esses assuntos bobos de pai e mãe. Dali a pouco, sem esperar o som do apito, a criaturinha bate: tum!

O pai deu um pulo:

- Mexeu!!!
- Jura que dá para sentir daí?? – Levei um susto.
- Claro que dá! Olha, de novo! E de novo! Chutou! Chutou!!!

Agora sim, virou um evento interessante. Não podem mais dizer que estou inventando. Ou que é pum.

14 outubro 2006

De volta

Mil perdões. A grávida aqui esteve ausente nos últimos 10 dias por conta de viagens. Não consegui acesso à internet e tempo suficiente para postar durante, mas prometo que, assim que desfizer as malas, volto com novidades.

PS: adorando os diálogos de vocês, Tácio e Batz!
:o)

04 outubro 2006

Gravidez em camadas – da primeira metade


Ninguém comenta nada a respeito, mas a verdade é que a gente fica grávida em camadas. Por etapas, quero dizer. Fui me dar conta agorinha.

Primeiro tem aquela camada que, você sabe, é a melhor de todas. Não vou me ater aos detalhes porque fica feio; sou quase uma mãe de família. (Ocorreu-me agora: semi-mãe?).

Segundo, a fase em que não vem aquilo que deveria vir mensalmente. Sustinho. Apreensão? Torcida? Cada caso é um caso.

Enfim, o exame positivo, que é a resposta para os seus problemas – ou o início deles, ou uma mistura de tudo isso e mais uma pá de emoções diversas, a granel, a gosto da freguesa. O choro é cortesia da casa. Chora-se um bocado, cruzes.

Uma vez consumado o fato (quase disse o feto!), começa o período enjoado. No meu caso, até que foi leve. Não tinha vontade de ver ninguém, disposição zero, comida embolava todinha no estômago; num dia odiava café, noutro adorava – um samba do crioulo doido. Mas tem gente que vomita!

Próxima camada: com a náusea vencida, volta-se a ter gosto pela vida. E tudo fica muito divertido, porque vão achar que você é extremamente magra, basta dizer a senha:

- Estou grávida!

Gravidez é sinônimo de formas redondas, mas o bacana é que a cintura demora a fugir sobre as calças. Vão dizer:

- Nossa, você está ótima!
- Nãããão creiooooo!
- Mas então você engravidou on-tem!!!

E tudo isso é muito agradável enquanto dura.

Até que vem a fase atual (no meu caso); aquela em que você, de tão mal acostumada que está, custa a acreditar que as pessoas já estão acreditando que você está grávida. Ora, nem você acreditou direto ainda! Em vez da surpresa, o silêncio.

- Estou grávida!
- ...
- Grávida! Eu disse que estou grávida!!
- Ãh-hãm.

A senha antiga já não faz efeito algum. Ninguém vai dizer “UAAAU!”, “nem parece!”, “juuuuura”? É um baque, requer preparo.

Bom, só posso falar da primeira metade. Por enquanto, estou recém passando para a segunda (4 meses e meio). Ainda há dias em que não me acordo tão grávida. Noutros, gravidíssima. Varia legal.

02 outubro 2006

Deu segundo turno. Vou dormir feliz.

29 setembro 2006

Diagnóstico e tratamento

Fui à ortopedista. Dra. Célia ouviu minhas queixas, depois começou a me esticar aos pedaços.

- Dói?
- Não.
- E agora?
- Não.
- Dói assim?
- Nada...
- E assim?

Pelamordedeus, parece que eles fazem de propósito! E fazem mesmo. Não sossegam enquanto não ouvem um gemido.

- Ui... Dó-óóói.

Só então ficou satisfeita.

- Arrá. Negócio é o seguinte: isso nada tem a ver com a sua hérnia de disco. É da gravidez mesmo. Lá pela metade da gestação, seu caso, os ossos da bacia começam a se afastar, porque entendem que o bebê vai ter de... você sabe... passar... ali no meio.

- Tô sabendo.

- Então. Isso causa um (esqueci o nome) que pode ocasionar uma (tampouco me interessa), gerando (blá blá blá, será que aqui tem banheiro?), é por isso que você sente essas dores.

- Ahm. E a solucionática da problemática? Tens ou não tens?

Tinha, claro. Remédio e RPG. Lá vou eu...

27 setembro 2006

O sexo do bebê – deu segundo turno

Não foi dessa vez. Passei uma noite sem dormir (curiosa) e fui fazer, ontem, a ultra para saber o sexo do bebê. Bueno. Como tudo que vive em mim, também esta criaturinha derrama ironia pelas beiradas: me apareceu sentado(a), de ladinho, e ainda com as duas mãozinhas cobrindo o, digamos, objeto (ou a objeta!) que deveria nos ser útil.

Implicante!

Está bem, pode ser timidez. Mamãe perdoa.

A médica me esfregava o aparelho na barriga e fazia uma cara de três pontinhos. Percebi logo, desse mato não sai coelho é tão cedo. Coitada, ficou numa situação.

- Hum... Hum... É, sinto muito, mas não vou poder arriscar, não... A margem de erro é muito grande, e...

Já sei, Dra. Três Pontinhos, a margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos – o que, em termos de sexo de um bebê de 20cm, é voto para mais de metro! Ela ficou nos indecisos. Deu segundo turno.

Já disse, mamãe perdoa. Mas, assim que nascer, vamos ter uma conversinha séria sobre essa coisa feia de não comparecer aos debates! Pode, não.

22 setembro 2006

Coluna do meio

Naquela fase: quanto mais faço alongamentos achando que vou resolver o problema, mais me dói a coluna. Estou com um nódulo de tensão, na lombar, do tamanho de um ovo. Entre outros ovinhos. Dói. Hérnia de disco. Gravidez. Massagens custam os olhos da cara, e nem sei se adiantam lá isso tudo. Tô com medo de ter de voltar ao RPG (que custa os olhos dos olhos da cara, além de ser um saquinho). Já faço Pilates, religiosamente, e tenho uma postura ótima, à custa de disciplina. Não sei o que mais é preciso.

Por que é que tudo que é “o certo a fazer” custa tão caro?

Por que é que a maioria das coisas boas é “ilegal, imoral ou engorda”? Ou custa caro?

O certo era não estar sentada aqui diante do computador, esta praga moderna, mas alguém poderia me dizer onde mais posso escrever e publicar? Bah!


Vício e desvício

Parece mesmo que a gente vive a compensar os vícios. Alongamentos X horas de computador. Dieta X um pedaço de torta de chocolate vez por outra. Caminhadas X chopinho no fim de semana (que ninguém é de ferro). Etc, etc.

Poderia chamar de “vício e virtude”, mas desvício me parece mais adequado (embora não exista), porque se trata claramente de um movimento de compensação. Como na física, querendo anular fazendo força na direção oposta. Fica tudo zero a zero.

No fim, é um engodo. A gente envelhece igual, engorda igual, entorta igual, fica cheio de manias, perde a censura, enfia o pé na jaca, briga com o cônjuge, sente-se um lixo e ainda vota errado. Poderia dizer que não existe empate no jogo da vida, mas aí já seria o cúmulo do clichê (aliás, outro vício a se evitar sempre que possível).

Cristo, mas o que estou dizendo?

Meu filho, não ligue para as bobagens que a mamãe escreve. Acordei com o pé esquerdo – um dia você saberá o que isso significa, e também acordará com os ovos virad... ops!, com o pezinho errado, e mamãe saberá compreendê-lo. No fundo, no fundo, mamãe é uma otimista crônica, embora nem toda crônica da mamãe seja otimista.

São os vícios e os desvícios do ofício.