22 agosto 2006

Alimentos

Fomos viajar para a fazenda de uns amigos no interior de Minas. Broa de milho, pão de queijo, café com leite, silêncio e pássaros. Demos um pulinho em Tiradentes (gracinha), comi pato com molho de manga e cuscuz marroquino - não sei dizer se foi bem isso, mas a ave eu garanto.

Comi de um tudo. Até paçoca.

Com o fim dos enjôos, tenho me empolgado um pouco nas questões alimentícias. Outro dia, levantei de uma soneca à tardinha e me comportei assim: mandei ver um punhado de batata chips, cookie de café integral e uma fatia de pudim de leite. Pode?

Mas li no blog de uma (outra) grávida que ela teria comido um pudim in-tei-ro sozinha, então estou relativamente tranqüila. Por enquanto, estou fracionando os absurdos.


Bônus

Dia desses, juro que não tenho feito isso, mas cometi alguma indelicadeza da ordem das... indelicadezas, mesmo.

- Vai brigar comigo? – me arrependi no ato.
- (Bufada clássica). E eu vou brigar com mulher grávida??

Me senti na categoria Advanced Plus Exclusive Ultra Gold Premium. Mas é bom que tome logo jeito, porque essa mamata vence no próximo carnaval.
Provérbio

"Quem não sabe dançar vive reclamando que o chão é torto".

A-do-rei isso. Volto mais tarde para outro post, beijos.

17 agosto 2006

Tácio Oliveira

Dedico este post ao Tácio, um rapaz inteligente e extremamente divertido que me lia na revista Época e agora me achou no blog - leiam, no post anterior (abaixo), o comentário dele e comprovem o que estou dizendo. Vai longe!

Segundo o bem humorado Tácio, seu objetivo sempre fora "tirar o lugar da Bíbi". Queria, de todo jeito, fazer tudo que eu faço - porém, claro, muito melhor.

Quando achou meu nome no Google, ficou feliz e decepcionado ao mesmo tempo. Feliz porque me achou. Decepcionado porque, ao digitar seu próprio nome lá, não encontrou nadica. Pois bem, Tácio, ao menos um problema eu resolvi para você: meu blog vai aparecer no Google para quem digitar Tácio Oliveira! Repito: Tácio Oliveira! Tácio Oliveira!

Mas o maior problema do mundo eu criei (juro, foi sem querer!) para o Tácio, aquele que quer tirar meu lugar em tudo... diacho, engravidei. Como diz ele, Bíbi vai ser mãe. E agora?

Tácio, que está até fazendo aulas de canto para me superar, tem um desafio biológico injusto pela frente. E, pelo que entendi em seu comentário, já entregou os pontos. Rendeu-se.

Compreensível, amigo Tácio. Mas, se serve de consolo, não fiz o que fiz sozinha. Para ser sincera, contei com parceria irreparável.

Portanto, não se exija tanto. Vamos combinar que, para fins de competição, valem só as obras de carreira solo. E muito boa sorte.

13 agosto 2006

De bandeja

Vi uma mulher tão grávida, mas tão grávida, que a parte de cima da barriga dela era quase uma bandeja – dava para servir o café da manhã ali, com conforto, e até um vasinho de flores caberia na borda como enfeite. Ela ia atravessando a rua, correta, pela faixa de pedestres. Fico pensando em quando eu estiver assim, “quase tendo”. Deus me ajude, estabanada como sou, a calcular minhas dimensões de modo a não sair atropelando criancinhas e/ou idosos com a minha bandeja implacável.

P.S. Não era daquelas bandejinhas de avião, não... Primeira classe!

Roupas

Fui às compras. Confesso, vai: encarar os espelhos frios dos provadores das lojas não foi exatamente uma alegria. Tudo em mim está arredondando, lenta e consistentemente. Estou naquela fase em que ainda não pareço grávida, mas já não pareço uma mulher em forma. As pessoas em volta (que sabem do meu estado) percebem, mas não sabem direito em que tom comentar. Eu também não sei em que tom ouvir. Às vezes, ouço em tom maior (com alegria); outras vezes, rola um blues em ré menor. Esses hormônios formam uma banda de baile: tocam mesmo de tudo.


Ultra

Futilidades à parte, o melhor lado segue sendo o de dentro. Gravamos o ultrasom em VHS e trouxemos o primeiro filme do nosso filho para casa. A sensação é indescritível. Tenho vontade de gritar que é um astro, uma estrela, que o rostinho é lindo, que o formato da cabeça é único, que as perninhas são de arrasar, que os olhos doces sairão aos do pai, que as orelhas são iguais às minhas, miúdas, que o pezinho, que os dedinhos, que... Está certo, por enquanto é um precário chuvisco em preto e branco boiando em partes minhas com as quais não tenho a menor intimidade, mas vá lá, nota-se que é um bebê.

Mesmo assim, já é ultrafantástico.


Paparico


Se continuarem me paparicando desse jeito nos próximos seis meses, vou virar uma criatura insuportável. Não levante, deixe que eu faça, deixe que eu pegue, quantas colheres? Quer que esquente mais um pouco? Te busco em casa, o sol está muito quente, te levo ao salão, precisa de algo do supermercado? Tem frutas em casa?

Quando saio sozinha, faço questão de carregar algumas sacolas. Só para me lembrar de não ficar tão besta.

03 agosto 2006

12 semanas

Estou no final do terceiro mês. Meu médico liberou o Pilates, ando eufórica para voltar. Entre as professoras, soube que rolou o seguinte comentário: oba, teremos uma mascote! Euzinha, no caso.


Não se manifesta

Dizem os sites especializados que, a essa altura, meu filhote (ou minha filhota) já dá saltos e cambalhotas lá dentro do útero – aventuras que, infelizmente, ainda não posso sentir. Outro dia eu me confessei preocupada:

- Estou ansiosa pela próxima ultra, ver como nosso filho está. Sei lá, rola sempre uma preocupação, afinal, ele não se manifesta...

E ele, ostentando know how:

- Você vai sentir saudades dessa época!

Hoho.


Instável

Estou começando a aprender, a duras penas, a ficar calma diante do inesperado. Para quem gosta de tudo sempre muito combinado, na ponta do lápis e sob controle, não poder prever como o corpo vai se comportar no dia seguinte – pior, nas próximas horas! - é um belo exercício de paciência.

Sabe aquela comidinha que caiu tão bem? Daqui a 40 minutos, sem avisar, parece pesar como uma laje. Já parei de procurar a azeitona da empadinha, porque o negócio é tão maluco que, às vezes, aquilo que me faz mal hoje deixa de fazer amanhã. E vice-versa. Sem motivo algum.

O negócio é relaxar e seguir as dicas do médico, o resto é loteria. Tenho sido bastante razoável, isso ajuda.


Celestial exceção

Mas, outro dia, vi numa vitrine um pedaço de bolo de laranja com calda de açúcar que tinha mais ou menos o tamanho do meu monitor. Namorido prevê o desastre e me oferece ajuda:

- Se você quiser dividir...

- Já estou dividindo!!! – Arregalei os olhos e mandei ver; derrubei o tijolo num só fôlego, sobrou nem farelo.

Pedimos a conta e fomos embora logo, eu ainda lambendo os cheiros daquele bolo que, inexplicavelmente, tinha gosto de... céu (?!). Ele, meio admirado, decerto torcia para que não me desse um treco.

Treco não me deu, mas a sensação, 20 minutos depois, era de ter tomado um porre de céu – e, claro, fui parar direto no inferno. Doía meu estômago, ardiam minhas nuvens, ai, meus sóis, céus, nunca mais! NUN-CA-MAIS!

Aliás, nunca mais eu iria comer nada. Plano modesto para quem recém devorara o firmamento. Meia horinha mais tarde, no entanto, me deu uma vontade de comer pizza de tomate seco com manjericão...

Pisei no chão, fui de pão light e frutas.

27 julho 2006

Expo Bebê & Gestante

Lá fomos nós ao Rio Centro, a fim de conferir as últimas novidades e os anunciados descontos na parafernália que envolve, cobre, diverte, balança, enfeita, limpa e seca a pirralhada. Um show.

Adorei!

Nunca vi tanta mulher grávida num só ambiente. Fiquei imaginando como serei daqui a alguns meses, com barrigão. Para não falar nos bebezinhos, de todos os tipos, cores e sabores; dos dorminhocos aos ligados em 220V; dos arrastados pelas mães aos que as arrastam, apressados, de olho na próxima fantasia de Homem Aranha. Enfim, uma feira realmente variada.

Os descontos eram, sim, convidativos. Mas não compramos nada, preferimos esperar a próxima edição – que deve ser em novembro, e aí já saberemos se o pimpolho é pimpolho ou pimpolha.


Aliás, compramos

Mamãe aqui, entretanto, saiu abraçada numa sacola de calças jeans com elásticos na cintura, preços camaradas, que não sou boba e já me previno. Claro que tive de insistir para que me atendessem na loja, e não entendia muito bem por que a discriminação, até que uma vendedora paulista não se agüentou e mandou na lata:

- Desculpe, mêêu, mas você está grávida??

Aí foram só elogios, aos quais agradeci, falsamente acanhada e quase pedindo que me pusessem também alguns na sacola – eu pago, eu pago! Afinal, sabe-se lá quando é que vão me chamar de “muito magrinha” outra vez nos próximos meses, é bom aproveitar.


Próximos capítulos

Daqui a pouco, já estou vendo, virão aqueles elogios genéricos:

“Como ela está bem!”

“Está com uma cara ótima, hein?”

E assim por diante, além de uma infinidade de perguntas sobre como “temos” passado – sempre no plural, novidade que eu, meu ego e eu mesma não teremos dificuldade alguma em absorver. Ao contrário, vamos nos divertir horrores respondendo a tudo como fazem os políticos e os jogadores de futebol: nós isso, nós aquilo, fizemos, pintamos, bordamos, etc etc.

Se eu me empolgo de verdade, sou capaz de aproveitar a licença-maternidade-poética e começar a variar também na terceira pessoa, como faz o Pelé:

“A Bíbi hoje está passando muito bem, acordou disposta, está com uma cara ótima, blá blá blá...”

O que acham?

21 julho 2006

Uma mãe portuguesa, com certeza

A internet tem dessas coisas. Estou me deliciando, desde ontem, com este blog
que descobri por completo acaso, nem lembro mais como, e nem importa.

Chama-se “Mãe Galinha”. É de uma moça portuguesa, 34 anos (acho), mãe de três meninas – a caçula tem uns cinco meses, a do meio tem dois anos e a mais velha(?), cinco. Os posts são quase todos dedicados às “miúdas”, ou à arte de ser mãe e equilibrar a rotina de mulher que trabalha fora, etc etc.

O humor dela é peculiar, cheio de ironia e ótimas tiradas – muitas vezes, devidamente creditadas às próprias filhas; pelo jeito, uma mais sapeca que a outra. Tem o charme do português de Portugal, que é um atrativo à parte, e uma doçura que, muitas vezes, chega a ser comovente.

Passei horas tentando escolher um trechinho para colar aqui para vocês, como aperitivo, mas é muito difícil!

Acabei pinçando este aqui, que é fofo e tem aquela tristeza infantil de nos fazer perder o rebolado:

A NOSSA CASA

Dia de semana; o pai em Lisboa. Em casa, apenas a mãe e as filhas. Nem sequer por lá andava a avó São. Só nós.

E diz a Inês, de mão na anca e pé ao lado:

- Já não estou a gostar desta casa!...
- Porquê? - Pergunto eu
- Estão por aqui tantas pessoas que eu já não estou a gostar.
- Mas porquê?
- Olha.... - E virou-me as costas - Porque não...

(Ai estas crises de irmã do meio...)

Leia outros.

20 julho 2006

Meia barriga / susto inteiro

É divertido, embora muito incômodo, estar grávida assim, no início. Quando estou bem, estou ótima. Quando estou mal, estou péssima. O diacho é que não sei se essa tendência aos extremos é universal – coisa de grávida mesmo - ou se é fruto da minha singular incapacidade de lidar com meias barrigas.

Está certo que, hoje em dia, a vasta literatura disponível on line ajuda a gente a sentir – sintomas! sintomas! - as mais diversas e improváveis tolices. E eu leio muito, faço questão. É muita coisa séria, mas também muita bobagem. Faço questão, tudinho.

Não sei se vou querer ficar grávida outra vez na vida, e isso me dá uma estranha sensação de querer engolir a gravidez de um só gole, para não deixar escapar nada. Sei lá se vou viver isso de novo, né? E o tempo segue.

Imaginem vocês que eu, quando recebi o resultado do hemograma que fazia parte do pré-natal, grudei os olhos e quase desmaiei quando vi lá um número altíssimo associado à rubéola. Conferi dez vezes. Eu tinha rubéola, estava tudo perdido.

Liguei para o médico, já segurando o pranto e as pernas bambas.

- Tudo bem?
- Não, doutor. Eu tenho rubéola. (A voz dramática de barriga inteira).
- Qual o tipo?
- Rubéola, ora, tipo rubéola!
- Mas é a IgG ou a IgM?
- Deixa ver... é a IgG!
- Então não tem problema. Isso só indica que você já teve rubéola um dia, ou que tomou a vacina.
...

É mesmo, eu tinha tomado a vacina.

Por Deus, que susto!!! Essas crianças ainda me deixam de cabelos brancos...

14 julho 2006

Chata

A novela está muito chata. Ontem só tinha gente se semi-despindo e longos silêncios com musiquinha de fundo. De lascar. A. P. Arósio, sempre linda, não pegou o jeito ainda - parece fazer teatro na telinha (nessa novela, eu digo, porque já a vi fazendo bons papéis na TV). Além da química zero com Edson Celulari.

Não entendi o papel da Daniele W., outra moça muito bonita, mas um pouco madura para aquelas atitudes pré-adolescentes e uma obsessão inverossímil pelo Thiago Lacerda. Quantos anos tem a personagem dela? 14, 15? 20? Difícil...

Mas o pior mesmo é o insistente apelo sensual, digamos, gastando metade do tempo com gente tomando banho ou se beijando numa espécie de preliminares das preliminares. E R. Duarte sofrendo em frente ao espelho. Aff! Arósio, dizem, vai propor sexo a três ao maridão militar. Tá bem.

Gosto mais quando eles põem cenas divertidas, porque esse mostra-e-esconde à meia luz com musiquinha hipnótica, vamos combinar, estimula só o sono da gente!

Aliás, garanto que o casal Celulari/Arósio poderia muito bem enveredar para a pura comédia, e ganharíamos todos. São bons atores que já se mostraram ótimos quando desafiados a fazer rir, simplesmente. Mas eles têm essa mania teimosa de despir os bonitos a qualquer custo, e os coitados ficam engessados em caras e bocas que garantem os postos de galã e bela mocinha, em detrimento da boa atuação.

O resultado é insosso, bonecos de cera, bah.
Balcão de padaria

- Eu queria um pedaço desse queijo Minas aqui, ó. Ele é novinho?

O rapaz me olhava, mudo. Tentei de outra forma.

- É velho?

Mudo.

- O queijo... é antigo?

Olhei fixo e fiquei esperando, parecia pegadinha. Ele me olhando, eu olhando a cara dele, e o queijo no meio de nós. Até que ele ressuscitou.

- Ó, dona, tem esse outro aqui que chegou hoje... Mas aí só posso vender o queijo inteiro.

Tudo bem que estou grávida, mas o queijo era para trigêmeos.

- É muito. Mas esse aqui, que está cortado, é de quando? Qual é a validade dele? – insisti.

- Deixa ver... É dia 21 de juio.

- Hein?

- 21 de juio.

- Junho ou julho?

- Ju-iô! (Decerto pensando: mulher surda!).

- Querido, então já está vencido, é isso?

- Não, senhora. Ainda vai vencer. Dia 21 deste mês.

Levei o queijo. Venceu-me o balconista, de lavada.

12 julho 2006

Novela das 8h

Assisti a dois capítulos da nova novela do Manoel Carlos. Ainda gosto de ver o Rio de Janeiro nas novelas dele e achar tudo bonito, engraçado... Mesmo morando aqui há oito anos, ainda não me acostumei – de fato, é lindo demais. Ponto, parágrafo.

Tem uma atriz ali, não vou citar nomes, mas é uma que sempre faz papel de neurótica. Nesta nova novela, sabem qual é o papel dela? Bingo, neurótica. Se me chamassem para fazer sempre papéis de neurótica, sei não, mas acho que eu ia ficar meio ressabiada.

Ou será neurose minha?


Mais futebol – quem agüenta?

Tem sido um pouco difícil dormir aqui, porque uma turma permanece jogando futebol até altas horas na praça que fica em frente ao meu prédio. Melhor dizendo, em frente à janela do meu quarto (detalhe: primeiro andar). Vocês acreditam que eles só param lá pelas 2h da manhã?

Fico me virando na cama e torcendo para não sair mais um gol, que aí o barulho é insuportável. E se xingam mutuamente o tempo todo, claro.

Estou com vontade de sair na rua de chinelos e dar uma cabeçada no primeiro perna-de-pau que encontrar, por Deus do céu, e que zidane!
Estou com o Zidane e não abro!

Se for mesmo verdade que o italiano xingou a irmã dele (vejam bem: irmã!), eu dou força ao movimento, digamos, meio brusco do craque Zidane. Piadinha maldosa: quando o jogador de futebol tenta agir com a cabeça, olha aí no que dá... hoho.

Pois fez até pouco. Como irmã – única e caçula - que sou, defendo o direito que os irmãos devem ter de cabecear os estúpidos agressores da maninha alheia. Falta de compostura.

E tem mais, do meu irmão também ninguém fala. Não vou de cabeça, que meu buraco é mais em cima, mas saio ofendendo a parentada toda de volta, sem dó. Quem quer medalha de prata?

“E se alguém me desafia
e bota a mãe no meio
Dou pernada a três por quatro
e nem me despenteio.”


Aos fatos (?)

Observação do presidente Lula, hoje, quando perguntado se a violência em São Paulo não poderia virar questão eleitoral:

“O dado concreto é que os fatos estão existindo. Os bandidos não estão preocupados se vai ou não vai ter eleição. Os bandidos estão aterrorizando São Paulo, e nós temos que tomar atitudes.”

Bom, se o dado concreto é que os fatos estão existindo, o que seria do dado abstrato em relação aos fatos enquanto existentes, ou mesmo inexistentes, do ponto de vista concreto, já que os dedos estão exigindo, e os dados confirmam que os credos, abstratos, de fatos secretos já estão fartos...?

De que estávamos mesmo falando?

Ô, tristeza. Alguma coisa acontece no meu (no nosso!) coração...

11 julho 2006

Agora essa: tô grávida!

É verdade verdadeira. Não se trata de mais uma gaiatice literária, não. Pegou-nos (a mim e ao namorido) de surpresa, o danadinho. Ou a danadinha.

Quando dei por mim, estava habitada por uma figurinha (desculpem o exagero nos diminutivos, mas como dizer?) do tamanho de um grão de feijão. Pode?

- Não é do tamanho de um grão de feijão, boba... 6mm é bem menor que isso! Talvez um grão de arroz.

Bueno, não importa; de mais a mais, a criança (!) já cresceu um bocado. Isso foi na sexta semana. Primeira ultra, você sabe, não dá para ver praticamente nada. Aliás, eu não sabia. Sou grávida de primeira viagem. O médico mostrou duas manchinhas brancas e disse:

- Olha lá, são as perninhas!

Espichei o pescoço e apertei os olhos. Rá, meu filhote tem perninhas! E o coração já bate a milhão. Vi num gráfico – que, aliás, me lembrou os programas de gravação/edição de áudio no computador. Loucura.

Hoje estou no início da nona semana. Eles contam em semanas, não em meses. Nada ainda de barriga, claro – embora eu já me sinta meio rechonchuda perto daquela esbelteza que havia conquistado a duras penas. Tudo que ouço é: “relaxa, depois volta!”. Espero que Deus também esteja ouvindo.


E o blog com isso?

Ok, será inviável passar os próximos sete meses sem falar no assunto. Muito! Prometo, entretanto, que não vou pintar este blog com paredes de tons pastéis, nem pipocar bolinhas coloridas enquanto vocês arrastam o mouse.

Outra coisa que não vou fazer (não me peçam, please!) é colocar fotos minhas de barrigão aqui. Tudo muito bom, tudo muito bem, mulher grávida é linda porque ostenta a delicadeza da vida e blá blá blá, mas vamos com muita calma nessa hora. Nunca dei para modelo, não irá essa condição esférica me tornar uma top nos flashes, assim, de uma hora para outra.

De resto, o blog continuará sendo o que sempre foi, apenas com mais novidades. Afinal, o pimpolho deve sacudir a minha vida (a começar pela barriga mesmo) em ritmo frenético, e não vou ser doida de deixar passar essa bagunça sem registro on line.

Me aguardem!

28 junho 2006

Clic! Baixe meu conto


Foi publicado um conto meu nesta edição do site Webwritersbrasil. Chama-se “Clic! Biquinho” - é a história de uma moça cujo namorado é ótimo, exceto por um pequeno detalhe: em todas as fotografias, o sujeito aparece fazendo um biquinho ridículo.

Prestes a se casar com o cara do biquinho, a pobre noiva está desesperada com a certeza daquele anexo desastroso em cada retrato do seu álbum de casamento. Não sabendo mais o que fazer para se livrar do biquinho, ela enveredará por caminhos inimagináveis (e cômicos, claro).

Se você quiser saber o resto da história, clique no link do site Webwritersbrasil – ao lado, na lista dos meus favoritos.
Percalços

Queridos, obrigada pelas visitas de sempre! Tenho tido uns percalços por aqui, por isso a demora em novos posts. Aos que perguntam e se interessam: o exame de sangue que eu fiz foi apenas um check up habitual, e passei no teste, estou ótima, pronta para driblar percalços e correr para o abraço.

Volto logo – mas é logo mesmo, hein?
:o)
Beijos.

16 junho 2006

Querem meu sangue

Coisinha curiosa: mosquito acaba de me picar no braço, bem ao lado do furinho que a moça fez hoje de manhã com a agulha. Maria vai com as outras, né?

Decerto pensou: oba, o petróleo é nosso! Hunf.
Sangue, bunda e adjacências

A vampira que me furou nem mostrava os dentes.

Fico nervosa nessas horas, olho pela janela, respiro fundo e nada adianta. Quando elas amarram aquele elástico no braço da gente e começam a procurar a veia, cruz credo, que sensação horrorosa. Algodão com álcool. “Olha, é descartável” – ela me mostra a seringa, e quem disse que eu quero olhar?

Se é descartável ou não, veja bem, se você diz que é eu acredito piamente. Tô em condições de questionar? Fura logo e acaba com isso, bandida!

Começou a puxar tubos e mais tubos do meu sangue, não queria mais parar. Perguntei se ia sobrar alguma coisa para mim. Ela riu, mas nem mostrou os dentes. Graças a Deus. Minha mãe observava com cara de dó.

Sim, eu levei a mãe, confesso. Sempre levo, sobretudo nestas duas ocasiões: hemograma e quando vou posar pelada. Mães ficam nervosas pela gente, é ótimo, terceirizamos o pânico e fica tudo bem. Minha mãe até bufa por mim (eu gosto muito de bufar, me acalma).

A última vez em que posei pelada eu tinha um ano e meio. Agora estou dando um pequeno intervalo, devo posar outra vez aos, sei lá, 40. Chiquérrima.

Até lá eu tenho algum tempo – se bem que passa rápido, é o que dizem -, posso malhar muito, fazer todos aqueles tratamentos em que a bunda esquenta, depois a bunda esfria, depois gela, depois amassam a bunda, depois dão choque, depois alisam, depois passam alguma coisa bem cheirosa e a gente sai de lá com uma bunda que, vou te contar, é praticamente outra bunda! Sem falar nas coxas e adjacências.

Você sabe, mulher é cheia de adjacências.

Não que adiante alguma coisa, pois os homens só olham mesmo é para a bunda.

15 junho 2006

Cortaram o meu cabelo


É sempre assim: saio de casa dizendo que “vou cortar” o cabelo e volto conjugando o verbo diferente. Cortaram. Não fui eu que fiz isso. Cortaram, cortaram!

Eu disse qua-tro-de-dos, mas ela entendeu um palmo, e meu cabelo ficou pela altura dos ombros. Está bem, um dedinho abaixo. Mesmo assim, quanta diferença... E ela ainda queria fazer escova! Claro que não deixei, tenho horror à escova - meu cabelo é fininho e fico com cara de Mortiça Addams, com tudo escorrido pela cara, parece que as olheiras saltam para fora dos olhos. E tem uma creche bem em frente ao salão, não ia ficar nem bem.

Insistiu, queria secar e espichar meus cachos, mas fui firme: não e não. Você acredita que ela até fez beicinho?

Loira oxigenada, de calça com cintura alta e apertada com um cinto fino. Sapato pontudo, blusinha justa que depois vem afofando cá em cima. Olhando assim, nem precisava empunhar uma tesoura para se prever logo o perigo. Ah, se eu tivesse juízo.

Claro que saquei a tramóia dela: queria me alisar as madeixas para que eu não percebesse como ficaram curtas! Sou boba?

- Deixa assim que eu já vou me acostumando ao novo visual – eu repetia para ela e para mim mesma, com um olho no espelho e outro na consciência, Deus do céu, o que é que eu fui inventar?

Mas assim somos nós, mulheres. Nós inventamos o tempo todo, e ainda achamos bonito dizer que inventamos. Como somos criativas, blá, blá, blá.

Tudo muito bom, tudo muito bem. Mas CADÊ O MEU CABELO, PEDRO BÓ???

14 junho 2006

O Rei

Você sabe qual é o rei que nunca morre e que é vitalício? É o reinício. (De uma música do Luiz Tatit, simplesmente adoro essa idéia).
**
Então eu estou me divertindo, porque vou tocar/cantar no sábado. Se alguém quiser assistir me avisa, que eu dou as devidas coordenadas.


O Orkut é pop

Olha que coisa inusitada. Fui levar meu violão para dar uma regulada, e o cara da loja (que também conserta instrumentos) perguntou meu nome. Quando eu disse, ele perguntou: “Ué! Não tem uma comunidade com o seu nome no Orkut?”.

Caramba! Ele reconheceu porque, ainda outro dia, um amigo dele (músico) tinha enviado um convite para entrar lá. Me disse o nome do amigo, mas eu acho que não conheço, ou devo conhecer por outro nome. Achei muito engraçado, as pessoas agora se reconhecem a partir do Orkut!

13 junho 2006

Brasil X Croácia - Copa / Cozinha

COPA
Então o jogo foi aquilo que todos nós vimos. Muitos dizem que o Kaká vai ser a verdadeira boa dessa Copa. O gol dele foi mesmo lindão.

COZINHA
Agora... Essa euforia em torno da sua beleza (do Kaká, não a sua!), well, questão de gosto; eu acho o rapaz muito do sem graça. Sabem quem eu acho mais engraçadinho? Robinho. Já viram o jeito como ele ri? Isso conta, oras.

O Kaká ri muito certinho.

COPA
O futebol, para quem não entende nada (como eu), tem uma penca de coisas engraçadas. Frases estranhas. Fulano não estava impedido porque o zagueiro beltrano de tal, número tal, lhe dava condição. Acho tão antigo, dar condição.

Sem falar no termo “enfiada de bola”. Desculpem, mas o que é isso?

De modo geral, observo que o jogador bate com o pé na bola e ela vai para algum lugar, cai nalgum canto, quica, rola, enfim – tudo isso não é enfiada de bola? Não. Enfiada de bola parece ser alguma coisa mais específica, talvez quando é feito um passe para, sei lá, um daqueles caras que ficam na frente, para mó di tentar um gol. “Enfiada de bola”, eles dizem, com aquela voz de Galvão Bueno e bem amigos da Rede Globo. Eu fico boiando, mas acho bacana e tal.

COZINHA
Durante o jogo aconteceu uma coisa muito estranha. Uma família vizinha, segundos antes do gol, gritou: GOOOOOOOLLLL!

Pensei que eram videntes. Mas aí me explicaram que eles tinham antena parabólica.

Ai, que sem graça. Ia bem lá fazer uma consultinha básica.

COPA
Um jogador disse que faltam ainda seis ‘degrais’. E então eu já acho que faltam mais!

COZINHA
A camisa da Croácia não parecia toalha de mesa de pizzaria de quinta?

COPA
Desisto, desisto mesmo de tentar adivinhar quando o jogador está impedido. Não sei como os homens saem acusando “tá impedido! tá impedido!”, e quando vê está mesmo. Me dá uma raiva, porque eu sei o que é o impedimento, mas fico emocionada com a jogada e me esqueço de olhar para o diacho do infeliz do zagueiro no momento do lançamento.

COZINHA
Aliás, hoje o bandeira demorou para sinalizar o impedimento, e alguém disse: melhor levantar (a bandeira) atrasado do que não levantar.

Bom, enfim alguém diz alguma coisa que eu já sabia!!

09 junho 2006

Genérico

Quando acordei (aliás, enquanto ainda tentava dormir), tinha um infeliz cortando a grama da pracinha aqui em frente. Não sei se vocês conhecem esses prédios feitos de paredes que parecem de papel. Aqui é assim. Você ouve até a vizinha escovando os dentes, imagine o "resto". É constrangedor.

Pois agora imagine o cortador de gramas na pracinha, sendo que o meu quarto tem janela que dá para ela. (Fim de frase desastroso, mas vocês me entendem).

Bom, aí eu me levanto e sigo a vida. Às 11:30 (agora), quando estou começando a me concentrar de verdade no trabalho, aparece aquele pastor – que chega num carrão, abre o porta-malas e liga um microfone nos alto-falantes enormes. Começa a pregar na praça; volta e meia ele “canta”. Muitas aspas.

Aliás, acho que nem pastor ele é. Deve ser um genérico...

Sendo que esse genérico incomoda incomoda muito mais.

08 junho 2006

Sobressalto


A gente pega umas manias (fazendo o favor: diga que não é só comigo). Lia sempre o jornal de trás para diante. Agora inverti. É outro jornal! Iniciar com as notícias locais e a previsão do tempo estava estreitando minha visão de mundo.

Gostaram, “visão de mundo”? Esta coisa de ler muito jornal, se não cuidar, vai deixando a gente assim, meio clichê, e o pior: sem direito à errata no dia seguinte.

Ia do regional ao geral – e, quando chegava lá, já estava meio cansada. Café acabado. Labuta esperando, a cobrança. Sofá até essa hora? Tomasse vergonha!

Dava uma olhadela rápida nos artigos e nas colunas das primeiras páginas, e me enfiava na vida de qualquer jeito.

Agora, não. Agora leio primeiro as primeiras páginas (que devem estar nesta ordem por algum motivo, oras!), depois vou averiguar se chove, se venta, quantos foram atropelados, quantas balas perdidas foram achadas, etc, etc.

Tem um probleminha. Em vez de entrar pela vida de qualquer jeito, agora entro francamente sobressaltada.

07 junho 2006

Realidade virtual


Estava navegando nesse site lindo
(dicas de Marina W
, sempre ótimas); lá você escolhe um ponto do Rio, clica e vê a imagem em 360°. Deslumbrante!

Aliás, as imagens da web (e os monitores, e as câmeras) estão cada vez melhores – dá impressão que a gente está mesmo lá. Fico pensando, daqui a pouco vai ser possível clicar, por exemplo, na praia do Leblon, depois escolher entre um chope e uma água-de-coco, basta um clique (e um cartão de crédito, claro) e eles trazem em casa, 10 minutos ou o seu dinheiro de volta, e o entregador manda um torpedo quando estiver na portaria (interfone, o quê!), e você abre o portão com um clique, ou pelo celular mesmo, e recebe o pedido, e bebe com os pés para cima jurando que está no Leblon.

Se você quiser, também pode mandar vir uns caras de sunga correndo em volta. Tá, é só uma idéia.

Se bem que isso já é possível hoje em dia... Hoho.

06 junho 2006

TPósM


Uma amiga nossa, que entrou na menopausa há poucos anos, garante que ainda sofre de TPM. Mas diz isso assim: com certo orgulho.

- Não pode!
- Ah, posso, sim! Disso não abro mão!! Quero ver quem vai me tirar esse direito!

Uma vez por mês, portanto, descarrega seus nervos em quem passar por perto – pondo a culpa no falecido ciclo.

- E cólica? Ainda tem?

Ao que ela retruca, com típica delicadeza TPMística:

- CÓLICA? TÁ ME ACHANDO COM CARA DE TROUXA???

Ops. Melhor esperar passar...


Atirei o pau no pobrezinho do gato


Essa onda politicamente correta é um pé no saco, com perdão do saco – além de nos prestar desserviços, muitas vezes. Outro dia estava vendo na TV uma reportagem sobre as versões politicamente corretas das canções infantis.

Muitas creches adotam as mudanças, alegando que os pais reclamam. Não duvido. Na verdade, todos sabem (ou deveriam saber) que os elementos agressivos, assustadores ou “cruéis” presentes nas letras das canções infantis estão ali para cumprir funções específicas: ajudam os pimpolhos a entender as adversidades da vida, ou lidar com as emoções complexas (medo, raiva...) a partir de conceitos que lhes são familiares.

Aí vêm os bonzinhos do mundo nos dizer que atirar o pau no gato é uma violência, e não pode. Quando, na verdade, a própria criança não entende assim.

Eu pergunto: onde está, então, a violência?

Deus que me perdoe (Ele é bonzinho, há de perdoar), mas esses pais bonzinhos de mentalidade estreita podem ser os mesmos que vão invadir a Câmara dos Deputados a pontapés e paus – em nome das causas boazinhas.

A gente tem que ter um cuidado imenso com essas pessoas que parecem guardar o “bem” nos bolsos das calças - porque o bem deixa de ser bem assim que ameaça pertencer.

05 junho 2006

Alvo

É engraçado, a gente vai envelhecendo e...

[pausa para explicação: muitos irão pensar, como assim? Uma mulher de 28 anos não pode dizer que está envelhecendo, e blá blá blá. Pode sim, meus caros. Todos nós estamos. Dá licença. Envelheço desde os nove, precisamente. Sei disso porque tomei nota num diário – que, aliás, ostenta páginas amarelas, sebosas, pegajosas e dolorosamente confessionais. Aos nove eu já ganhava idade, portanto.]

Bom, mas eu ia dizendo. É engraçado como a gente vai envelhecendo e perdendo certas coisas pelo caminho. Uma delas é a delicadeza.

Não, acho que me expressei mal. Quis dizer: delicadeza irrestrita.

Preservo gestos, atitudes e palavras delicadas, é claro. Não meço o tamanho das minhas gentilezas. Adoro agradar, acarinhar, bendizer. Mas ando mirando bem melhor; alguns alvos não valem sequer a bala desperdiçada.

Concordam?

***

Tristeza


Que coisa mais triste a morte do guitarrista dos Detonautas (baleado ao reagir a uma tentativa de roubo, ontem, no Rio). Abrir o jornal nesta segunda-feira foi, mais uma vez, uma grande dor. Mais uma brutalidade, uma covardia, uma aberração. Coisas com as quais somos obrigados a conviver diariamente, nos fazendo vítimas generalizadas – se não física, com certeza emocionalmente: pois agora vivemos em estado crônico de medo; e o otimismo é que nos assalta, volta e meia. Infelizmente, sem muito sucesso.

Quando deveria ser o inverso.

02 junho 2006

Mistérios da informática


Quando acordei, o micro não ligava. Ligar, ligava. Mas não carregava. Algo assim.

Liguei para o meu personal, sou chique, tenho meu próprio técnico em informática. Ele resolve simplesmente tudo. É batata. Mas deu celular desligado ou fora de área.

Dali a pouco, recebo um torpedo: “Tô numa palestra, não posso falar”.

Xiii, personal indisponível. Mando torpedo: “Problemas no micro. HELP!”.

E ele devolve: “Eu já vi e não consegui consertar. Chama um técnico!”.

Meu Deus, era gravíssimo. Se meu irmão não consegue consertar alguma coisa, é sabido que seu único destino será o lixo. Não o do meu irmão; o da coisa. Quando ele pede para chamar um técnico é que o gato subiu no telhado. E estou com arquivos importantes aqui. Gelei.

Chamei o tal técnico, que ficou de me telefonar assim que estivesse pronto para a visita. Pelo sim, pelo não, fiquei brincando de desligar e ligar de novo a geringonça...

Adivinha?

Quando o técnico ligou de volta, o micro estava funcionando normalmente. Por obra misteriosa desses fantasmas da informática. Depois do susto, sempre fico me perguntando por que raios eu não tomo vergonha na cara e faço um back up. Mas é aquela coisa, só Jesus salva...

01 junho 2006

Apta à boléia


Fui lá fazer a tal prova de atualização do Detran. Foi fácil. Errei apenas duas questões (de 30), levei 11 minutos para completar tudo.

Mas atenção, motoristas: é fácil, mas nem todas são perguntas óbvias. Algumas coisinhas, é claro, a gente vai no bom senso. Mas também caem questões relativas, por exemplo, ao tipo de penalidade aplicada a essa ou aquela infração. O código de trânsito é enorme, impossível decorar tudo! Lá pelas tantas, você não sabe mais o que dá multa e apreensão da carteira, ou remoção do veículo, ou apenas multa, enfim.

Também cai muita coisa de primeiros socorros – basta dar uma estudada na própria cartilha do Detran, que não tem erro. Aliás, caem várias outras questões que estão presentes na cartilha, inclusive com as mesmas palavras, tudo bem mastigadinho.

Um homem que saiu junto comigo acertou as 30, e confessou que havia chutado uma. A da quantidade de álcool permitida por litro de sangue.

O funcionário: “Essa tinha na cartilha.”

E o exibido: “Ah... nem olhei a cartilha...”

Hunf.

31 maio 2006

Terapia

Acabo de arrumar uma boa gaveta de criado-mudo, dessas que a gente deixa acumular coisas que até Deus duvida... Ai, ai. É praticamente um Prozac (sem contra-indicações).

***

Recebo o e-mail informativo:

BIBI, A BRUXINHA

Gênero: Infantil / Aventura
Classificação: Livre
Sinopse: Só quando completam 15 anos é que as bruxas ganham as suas tão esperadas bolas de cristal. A bruxinha Bibi, filha de mãe bruxa e de pai mortal, ainda nem fez 13 anos, mas, ao que parece, vai ganhar a bola de cristal mais cedo. Mas, ao ganhar a bola, os problemas de Bibi se multiplicam e atingem todos a sua volta.

Bom. Eu não sou Bibi. Sou Bíbi (com o primeiro Bi mais forte). Mas vou aceitar a tal bola de cristal, sim, desde que não me venha com verruga no nariz.

Tem delivery?

30 maio 2006

Bom de concha


Outro dia comentei aqui que não sei por que os cantores e as cantoras insistem em preencher suas músicas com excessivos ooooouuuiiiééé, huuuummm num num, néééu réu réu, etc – quando, é evidente, há fartura de bons letristas dando sopa por aí.

Depois fiquei me perguntando: sopa de letristas? Onde mesmo? Às vezes a gente esquece, mas depois lembra. Tem, sim.

Ontem eu fui assistir a um show de um carioca maneiríssimo (como dizem os próprios), o Cláudio Henrique
, que está lançando seu segundo CD – Número Dois, pela Universal. Trouxe para casa boas colheradas da tal sopa.

Aliás, no caso dele, boa e farta sopa. É o máximo quando a gente topa com um letrista que não fica de frescuras e enche logo a concha: assim é o Cláudio, do tipo que faz crônica musicada. Conta (e canta) histórias cômicas e dramáticas, com desfechos inusitados; refrões com ponto de interrogação e melodias sortidas que respondem – e deixam no ar ao mesmo tempo. Bom de concha, bom de verso.

Olha só o “Nego Besta” dele:

“...
Mas o tempo passou
E quando era moço foi soldado
Saiu do quartel revoltado
Trocou o penteado
Por trancinhas Djavan”

Perguntou se gostei do show. Digo que foi das melhores coisas que ouvi ultimamente, ele dá um riso e agora segura a concha: “Tá, não exagera”.

É sopa??!
Bom e barato

Se você dirigir bebum (mais de 6 decigramas de álcool por litro de sangue), vai pagar multa de 900 Ufirs. Seu veículo será retido, a carteira será recolhida, e o seu direito de dirigir será suspenso. É infração considerada gravíssima.

Já “ultrapassar veículo em movimento que integre cortejo” só dói 50 Ufirs (R$ 53,20) no bolso, e mais nada acontece. É falta leve. Três pontos na carteira. Três pontinhos...

Não sei você, mas eu não penso duas vezes: furar procissão é MUITO mais legal!

(Como vêem, sigo estudando para a prova de atualização do Detran...).


Primeiros socorros

Agora falando sério, aprendi algumas coisas que eu não sabia sobre primeiros socorros nesta cartilha do Detran. Pequeno probleminha: só de ler sobre sangue, pulso, parada cardíaca, desobstrução das vias aéreas (enfiando o dedo na boca dos outros para arrancar dentes quebrados, por exemplo) eu quase tive um treco. Gelei e fui dar uma respirada na varanda, juro.

E eu sempre achei que fosse macha (portadora de macheza, coisa que independe de gênero) para dedéu...

Estou me aboiolando, e nem para me dar conta!
Sentido obrigatório

E como se não tivesse mais nada para fazer, enfio a cara na cartilha do Detran e estudo para a prova de atualização da CNH.

Ai, meus sais.

26 maio 2006

Saliência


Ó: eu não aceito como amigo no Orkut quem esteja (na foto) sem camisa. Aliás, melhor dizendo, aceito só as moças - desde que estejam de biquíni, top, o que valha.

Ora, o que é que há? Estou tirando a roupa na sua casa, por acaso??

Pode conferir lá nos meus amigos. Todo mundo vestido. O primeiro que tirar a camisa eu deleto da lista. Acho uma falta de compostura entrar no Orkut dos outros com os mamilos de fora.

As pessoas estão achando que a internet é a casa da sogra. Em muitos casos, é mesmo. Pois o conceito está errado; não sei da sogra de vocês, mas a minha é muito direita e até está no Orkut: vestidinha da Silva.

Cheguei a pensar em deletar também quem estivesse de chinelos, mas aí ponderei, faz calor em muitos estados, às vezes calha de a pessoa estar munida de câmera só em momentos de lazer, vá lá: chinelo pode.

Desde que não solte as tiras!!!

25 maio 2006

Baby


Ela chega para mim (via Orkut, mora no Pantanal) e diz, na maior:

“Tô grávida. Acredita?”

Meu Deus, como assim?? Alguém tem que avisar essa criança que a mãe dela tem OITO ANOS!

Pois ainda outro dia estávamos jogando água uma na outra, fazendo guerrinha de canecas, cantando no coral do colégio, viajando pelo interiorzão para os encontros de corais, torneios de basquete...

Como assim, grávida? Temo noção?

“Passa aqui em dezembro para ver as fotos do baby”.

Assim, na maior intimidade com o assunto. Virou mãe cibernética em dois cliques. Pode?

Esse negócio de morar no Pantanal é mesmo só para gente porreta.

:o)
São João

Ontem, vimos pinhão pela primeira vez no ano. E não é que já estamos quase em junho mesmo?

Com esse negócio de Copa e eleições, coitadinho do São João ficou até para escanteio!


Santa Rita

Falar nisso, dia 22 foi o dia de Santa Rita: a das causas impossíveis. Com esse negócio de Copa e eleições, talvez fosse bom... xá pra lá.


São Pedro

Dizem que o pior já passou. Foi embora a frente fria que encharcou o Rio de Janeiro, e agora vamos enfrentar, segundo a meteorologia do jornal, apenas “frio extremo”.

As mínimas anunciadas beiram 13 graus. As máximas irão a 30 no final de semana. “É possível que dê praia”, ainda dizem.

Hã. E cadê o frio extremo???


Santa Paciência

Meu pai recém tinha comprado o ar condicionado, e ambos não se entendiam muito bem, de modo que ele foi recorrer ao suporte, digo, atendimento ao consumidor.

- Um minutinho, senhor, que estaremos transferindo a ligação para o setor...

Blá, blá, blá, musiquinha de meditação, enfim, o ritual conhecido. Meu pai mofava do outro lado da linha, arrependido e acalorado.

Enfim, conseguiu falar com uma atendente especializada - portadora de gerundismo crônico, claro. Explicou a ela o problema. O ar não gelava.

- Não o quê, senhor?
- Não gela. Não refresca. Não refrigera!!

Ela deu meia-dúzia de sugestões óbvias, que ele já tinha tentado, e não era nada daquilo. O ar simplesmente não gelava. Quando acabaram as alternativas cadastradas (decerto, nas “perguntas mais freqüentes” do seu computador), a moça se desvencilhou de formalidades e atacou de improviso:

- Desculpe... o senhor é de onde?
- Do RS, por quê?
- Ah, logo identifiquei o sotaque. He he... O senhor não me leve a mal, mas, sabe como é... He he... O seu ar condicionado é de 8.500 BTUs, está bem, mas aquele friozinho do Rio Grande ele não vai dar não, viu?

!!!

24 maio 2006

Família

Meu pai fazia comidinha em casa, nós duas fazíamos ginástica e eu comentava, que coisa mais magnífica, que coisa sensacional isso de se ter um pai fazendo comidinha em casa e nós duas ali, fazendo ginástica... Sensacional, sem palavras.

- Até porque não se consegue falar aqui, fazendo força, né?
- É... BUFF! BUFF! (Eu bufava).

Que alegria, quem me conhece sabe.


Anos

Meu irmão fez anos, mas inverteu as velinhas do bolo bem na hora da foto.

Vale roubar, é?

Ficava mais simpático, ele achou. Não vou contar aqui quantas primaveras, senão ele me mata.

Em vão, porque eu nasço tudo de novo. Quem me conhece sabe.
Com classe


Já contei a vocês daquela senhora do Pilates - a que é toda elástica e mata a turma de inveja com tamanha flexibilidade. Pois ontem ela ia fazendo um alongamento mais ousado, coitada, não se espichou demais e embolotou inteira no chão?

Contam, contam. Essa eu não vi. Virou assunto na aula de hoje.

“Mas como é que foi? Caiu mesmo?”

“Virou de costas ou caiu de barriga?”

“Juuura? Detalhes, please.”

A professora ia acalmando os ânimos, narrando o ocorrido como se sorvesse um doce.

“Não, não... Escuta. Foi assim, ó. Ela estava nesse aparelho, e eu disse, deita e joga o corpo para frente COM CUIDADO. Ela jogou o corpo, eu disse, peraí que já vou segurar suas pernas, um segundinho só que já estou indo, eu cuidava da outra aluna, já estou indo aí, cuidava da outra, ela foi espichando, espichando para frente, cuidado aí, não vai mais, não, já te acudo, fica parada, fica... Quem disse? A mulher é teimosa!”

“Acabou se estabacando no chão??”

“Nããão... Também não é assim, né? Virou uma cambalhota linda, e ploft!, caiu com a maior classe.”

“Como assim, caiu com classe???”

“Em câmera lenta. Tô dizendo. Foi ou não foi, fulana?”

A fulana concordou, e todas aplaudimos a queda cinematográfica que, puxa vida, afinal perdemos.

Mas, pela descrição, mais um pouquinho e eu estava comprando o DVD. (Essa mulher é, de fato, tão chique que deve mesmo embolotar em som surround!).

23 maio 2006

Mais de Miriam

Outra boa nova da internet: foi lançado o ambiente virtual da jornalista Miriam Leitão
– um empreendimento modernoso com direito a blog, áudio e vídeo, naturalmente recheado com informação e análise de primeira.

Incrível, mas vamos nos pegar dizendo: não se fazem mais blogs como antigamente!

22 maio 2006

Check Up

Fui ao clínico geral fazer um check up geral das minhas condições físicas gerais enquanto pessoa humana.

- Ponha este avental verde, com a abertura virada para frente.

Ponha verde naquilo. E ponha abertura naquilo!

- Posso amarrar aqui? (Dei nó cego na cordinha que fica em volta da cintura. Querendo manter a compostura, achei que era o mínimo a ser feito).

- Pode, pode. Respire pela boca. Solte o ar. De novo. E de novo.

Apalpa daqui, aperta dali, o homem não estica o braço e puxa do armário um martelo?

- Estou em obras, é o que o senhor quer dizer?

- Não. Só vou bater no seu joelho.

Ah, bom, bater no meu joelho.

Pergunte se eu paguei barato pela consulta. Mais: pergunte se, no final, eu tive direito a bater no joelho dele. Hunf.

19 maio 2006

De novo

Socorro. Gripe horrorosa me puxou pelo colarinho (melhor dizendo, pelo decote) e me levou para a cama sem direito a preliminares. Estou me sentindo verde, e devo estar mesmo - verde ou azul, de tão pálida e sem graça. Olheiras, calafrios. Comendo sem gosto e respirando em falso.


Engano

- Alô, aí é do salão de beleza?
- Dão, senhora.
- Como?
- Dão! Dão!!

Pelo aboooor de Deus, dão be faça falar ao telefone com essa gripe!!!


Vende-se lenço

Acabei de fazer um pedido na farmácia. Vitaminas e aspirinas. “E lenços de papel, aquela caixa maiorzinha...”.

Chegou. É do tamanho de uma caixa de ferramentas. Isso aqui dá para uns 30 narizes!

Vendo lenços. É um real o punhado.


Tem febre, por acaso?

Quando era criança, por mais que me gripasse, mal tinha febre. 38 era pico de audiência. Corria a família toda, ela está com 38, chama o doutor, cobre a guria, põe mais uma mantinha que o negócio é sério.

Minha mãe vinha, alisava e beijava a minha testa, um beijo geladinho – era bom negócio estar com 38 graus.

Já meu irmão, o primogênito, aquele que já nascera adulto (do meu ponto de vista – o de pirralha da casa), pois o desgraçado ostentava febrões de 40 graus vááárias vezes por ano. Era um inferno. Sofria de bronquite, de inflamações na garganta, das mais variadas alergias possíveis e imagináveis (até hoje, não pode com poeira), e ainda por cima era portador de um talento raríssimo que o fazia naturalmente premiado enquanto são, imagine enfermo: o filho da mãe era meigo.

Doente, ficava mais meigo ainda.

E era uma criança bonita, o danado. Tinha farta cabeleira negra, levemente ondulada e brilhosa como em propaganda de xampu. O rosto era lisinho e claro; os olhos, enormes e espertos, os cílios alongados, as sobrancelhas caprichadas, a boca cor-de-rosa e carnuda, carro-chefe daquela fisionomia freqüentemente elogiada. Argh.

Com febre, mantinha o semblante sereno. Era a meiguice em pessoa.

De modo que eu bem que tentava, mas não conseguia um Ibope de 40 graus por nada neste mundo. Sempre era a segunda (e última!) colocada – coisas de caçula.

Fiquei com essa incompetência febril, qualquer aspirina sossega minhas crises, vibro quando o termômetro espeta algumas linhas acima do 38, cubro-me até o pescoço e faço “brrrrrr!!!” sozinha para ver se minha mãe aparece e me beija a testa – ou, sei lá, faz alguma coisa que me cure e traga paz de espírito...

Por exemplo, põe algum defeitinho no meu irmão.

15 maio 2006

Dia das mães

Ninguém tinha tempo de sair para comprar um presentinho para ela. Que vergonha. Meu pai se prontificou.

- Eu vou. Compro um presente em nome dos filhos.

Oba! Ele compra - em nome dos filhos, dos espíritos santos, amém. E foi na quinta-feira anterior ao domingo em questão. Mas ela foi junto. (A mãe em questão).

- Não tem graça ela ir junto! – protestamos.
- Claro que tem. Xá comigo. Ponho ela sentadinha numa praça de alimentação e vou às compras. Tem erro, não. Xá comigo.

Na volta, ela me ligou:

- Acabo de chegar do shopping. Ganhei de vocês um perfume ma-ra-vi-lho-so!
- Pô, mãe! Sacanagem! Era para ser surpresa!
- Ah, minha filha, não resisti. Fui lá e escolhi junto. Perfume é tão pessoal, né? Experimentei uns cinco, e escolhi o melhor de todos.
- E qual foi o eleito?
- Sabe que eu não sei? Esqueci.

Provou tantos que esqueceu o escolhido. Mandou embrulhar para presente, e saiu da loja balançando a sacolinha do perfume cuja marca não lembrava mais.

“Só vou abrir no domingo.”

Domingo ela abriu o pacotinho e se perfumou toda. Cheguei para o almoço e comentei que o cheiro era maravilhoso. E, de fato, era.

Até agora não sei o nome do perfume que meu pai comprou em nome dos filhos, ela própria escolheu, mandou embrulhar, esperou até domingo, abriu e ganhou de surpresa.

Não é verdade que só muda o endereço. A minha é modelo exclusivo.

11 maio 2006

Classificados

MÁQUINA
Vndo máquina d scrvr faltando uma tcla.

CAMISINHA
Troco caixas de preservativos vagabundos por roupas de bebê.

PRÓTESES
Troco lindo Pitbull muito bravo por mão ortopédica e perna mecânica.
Acontece mil vezes, aconteceu agora

- Boa tarde, eu gostaria de fazer um pedido.

Dei meu telefone, ele achou lá o cadastro. Pausa.

- Desculpe, senhora. É Bibiana??
- Sim.

Reticências do outro lado.

- Desculpe... É Bibiana mesmo?
- Aham...
- Por Deus que eu achei que estivesse escrito errado! Então... O que vai querer, dona Viviane?
...

A sua cabeça... parcelada, por favor.

10 maio 2006

Permissão

“Vossa senhoria me permita, está querendo fazer a gente de besta.”
(Senador Efraim Moraes – PMBD-PB - Presidente da CPI)


Urgente

Marquei com o corretor, depois de muitas ligações em vão. Amanhã ele virá. Finalmente ele virá. Afastem as cadeiras. Preparem os canapés. Que alívio, o corretor virá.

No entanto, telefonou na véspera:

- Não poderei ir, senhora, sinto muito. É que fui chamado de última hora para ser padrinho de casamento.

???

Vossa senhoria me permita...
CPI sem fôlego


Coloquei os fones e saí para dar minha caminhada ouvindo, acreditem, Silvinho Pereira na CPI.

É estarrecedor. Essa gente é muito burra; nós estamos representados por gente muito despreparada. São burros demais, repito, burros. Escandalosamente burros. O interrogado é burro, mas os que formulam as perguntas são igualmente burros. Alguns podem até ser espertos, mas não são inteligentes. São burros, são vulgarmente burros. É triste. Burrice assim é triste demais.

Dei a minha caminhada, ida e volta, e ninguém disse coisa alguma que valesse a pena escutar.

Ou meus ouvidos não têm a menor capacidade aeróbica, ou essa CPI está completamente sem fôlego – de tanta burrice que deve ter fumado.

09 maio 2006

Chico e o sexo

Chico Buarque, no seu DVD “À Flor da Pele”, constrangido:

- É engraçado dizer isso, né... mas as moças, nos anos 60, pretendiam se casar virgens.

E depois:

- Claro, tinha sempre uma ou outra, mas era exceção: a fulana, que estuda no colégio tal, dá. Ela dá. Mas era exceção.

E conclui, sobre hoje em dia:

- Hoje é muito difícil um rapaz de 16 anos não se deitar com sua namorada de 15. 14 anos.

**

Mãe

É engraçado como, nesta época, todo mundo acha que conhece a minha mãe.
“Sua mãe vai amar!”
“É a cara dela!”
“Cuide bem de quem cuidou de você!”

E outras pérolas divididas em 10X sem juros. Hunf.

**

Mas fiquei babando por um presente: tal de “Day Spa”, na Barra da Tijuca (claro).

Minha mãe passaria um dia inteirinho recebendo banhos cheirosérrimos, massagens relaxantes e tratamentos moderníssimos num espaço desses de estética-holística-zen-chique-no-último.

Caríssimo, of course.

Já disse: nesse ano não dá, mas ano que vem vai rolar – ah, se vai! E, para não ficar uma coisa assim tão enfadonha para a pobrezinha, tchan-nan!... Eu vou junto com ela. Eu me submeto. Encaro.

Bah, sou uma filha supimpa.

**

Pilates

As professoras resolveram fazer um alongamento em grupo (geralmente é individual). Colchonetes no chão, e mandamos ver.

Estica daqui, estica dali, conta até 20 e depois volta devagar. Estou observando uma senhora de quase 70 anos que está ao meu lado. A desgraçada tem um alongamento de pôr inveja a nós outras, porque fez dança e yôga a vida inteira. Um escândalo. A mulher se estica e nem geme, como as pobres mortais. Raiva. E a professora segue:

“Troca a perna!”

Interfiro:
“Eu tinha uma perguntinha...”

“Que foi?”

“Pode trocar a perna com a Suely?”

Quá quá quá geral. Desconcentrei a turma toda, levei bronca mesmo.
Sério - quem tem peito?


Hoje eu fiquei absolutamente chocada, e vou contar por quê.

Minha afilhada tem 12 anos. Há pouco tempo ela entrou no Orkut, e eu recebi um recadinho fofo: “oi, madrinha! Vc tem MSN?”, essas coisas. Como moramos em cidades distantes, o contato é raro. Fiquei toda feliz por reencontrar aquela gracinha de menina – que, infelizmente, e para desgosto da madrinha escritora, usa uma ortografia que beira o indecifrável (axim escritu comu nem sei imitar direito!), mas isso hoje não vem ao caso.

Vamos ao que vem ao caso – sério.

Quando fui acessar o perfil dela no Orkut, havia embaixo alguns “depoimentos” (em geral, elogios que os amigos escrevem sobre a gente, e que servem para fazer uma espécie de média - terceirizada, o que só agrega valor! – com os possíveis visitantes). Num desses depoimentos, encontrei uma coisa que me chamou a atenção: a amiguinha em questão se apresenta no Orkut com uma foto onde aparece só enrolada numa toalha. A menina tem 12 anos. Olhei de perto, e era isso mesmo. Não aparece nada além de um pedaço da toalha, os ombros, o rosto infantil e o cabelo molhado.

Aquilo me deixou espantada. Como não tenho nenhuma amiga de 12 anos, não costumo visitar perfis dessa faixa etária no Orkut. Não sei dizer, portanto, se é comum as meninas tirarem esse tipo de foto e colocarem à disposição do mundo virtual.

Não sei dizer, também, o que os pais e as mães (reais) dessas meninas pensam disso. Se é que sabem que as filhas exibem seus colos nus, rostos infantis e cabelos molhados na rede.

Para mim, já era bastante desconcertante ver aquela menininha, enrolada na toalha, fazendo cara de sensual para a câmera. Cliquei nela. Curiosidade mesmo. Quis ver o sobrenome, a origem, se havia pai ou mãe no perfil, enfim, acho que eu queria mesmo era ver a assinatura do pai ou responsável. Claro que não havia nada disso. Mas havia coisa bem pior.

Na página de recados dela, tinha lá um sujeito adulto, certamente com mais de 30 anos, que dizia: “Não sei... posso ser, quem sabe, seu novo amigo...”.

Achei o tom daquele recado muito esquisito, e fui clicar no perfil do cara. Não deu outra. Na página de recados dele, várias (e ponha várias nisso!) meninas aparecem perguntando: “Desculpe, eu conheço você?”.

Para quem não é familiarizado ao Orkut talvez isso não esteja muito claro, então eu explico: o sujeito visita muitas meninas menores de idade e manda recados “puxando um papo”.

Quem cair na rede, caiu.

Voltei à página de recados da menina de toalha e fui pesquisar qual havia sido o primeiro recado dele a ela. Como teria iniciado o papo?

Não apareceu nada. No Orkut, a pessoa que envia um recado pode perfeitamente apagá-lo quando bem entender. Ele deve apagar todos.

Eu sei que vocês estão pensando em pedofilia. Mas eu não estou (não só nisso).

Estou é pensando no Dia das Mães. E no Dia dos Pais, e no Dia dos Avós. E no dia em que alguém vai ensinar à amiga da minha afilhada noções básicas de valor, comportamento e perigo - sem temer ser rejeitado pela adolescente, ser taxado de “careta” ou “corta-barato”. Alguém que não queira ser mais um amiguinho “qui escreve axim”. Porque aquela menina, que mal tem peito para segurar a toalha enrolada ao corpo, certamente está enchendo a cabeça de abobrinhas que poderão lhe custar mais caro do que ela tem discernimento e maturidade para imaginar hoje.

E, àqueles que têm discernimento e maturidade, eu pergunto: cadê peito para ensinar???

05 maio 2006

Salão de beleza

A moça grávida contava que, ontem, quase morreu de desejo por uma sopa de cenoura.

- Não adianta dizer que é mito. A vontade que a gente tem não é igual, sabe? É exagerada mesmo. Eu ficava aguando, desesperada pela sopa!

A mulher era uma simpatia, todo mundo ficou ouvindo as histórias de grávida e adorando. Dali a pouco, gemeu e reclamou de azia. A mulherada ficou sensibilizada, mas ela nem se abalou:

- Não façam essa cara de pena, não. Essa azia não é do bebê. É da carne seca com cebola que eu acabei de comer, nossa como eu comi! E depois ainda tracei um bolo de aipim com coco que estava uma delícia! Vou tomar um Luftal e logo passa. Esquenta não.

Aaahh, bom.

***

Outro assunto que imperava era a plástica.

Chegou uma mulher de uns 40 e poucos, loira, cara de inteligente (ora, óculos de séria), e com um decote que exibia um contorno meio suspeito. Primeiro achei que era preconceito meu, quis pensar noutra coisa. Mas não conseguia, aquelas duas bolotas saltando pelo colo da mulher, sabe como é, a gente quer ser delicada, mas a curiosidade.

Vou fazer o quê? Ler a Caras?

Graças a Deus ela encontrou uma amiga, e as duas começaram a falar. A amiga era gordinha (gordinha é gentileza, tá?), mal cumprimentou a outra e foi logo dizendo:

- Eu já avisei meu marido: vá se preparando! Daqui a dois ou três meses eu vou entrar de novo.

(Fiquei pensando: entrar? Onde?)

- É, minha filha, vou entrar na faca!

(Jesus...)

- Quando fiz a primeira, ele me chamava de maluca. Mas pagou, né. Tem que pagar, é o que eu digo: você também usufrui, nego! Tem que comparecer. E ele comparece mesmo, tadinho, nem estou reclamando... Agora quero colocar silicone, porque da outra vez eu não coloquei, só diminuí e subi um pouco. Tola. Está certo que não cai nada, quando eu tiro o sutiã fica tudo no lugar, não despenca e tal. Mas eu sinto falta desse seu desenho do colo, sabe? (E fazia as bolotas da outra com as mãos dela, cá em cima).

- Sei, isso aqui (cá em cima) só com silicone mesmo. Minha médica disse. Tem jeito, não.

Lá do outro lado, uma manicure pedia uma pausa à cliente.

- Preciso tomar meu Dorflex. Menina, tô à base de Dorflex, desde que fiz a manutenção.

- Que manutenção?

- Da minha cabeça. Aliás, do cabelo. Implante!

- E dói?

- Dói um absuuuurdo!

Perua de cabelo cor de telha, até agora calada, abriu a boca para censurar:

- Você é doida! Fazer implante, depois ficar com a cabeça dolorida! Tá maluca!!!

- Ué! Estavam falando até agora de plástica! Pois essa aqui é a plástica que eu posso, tá???

Ficaram todas quietinhas.

04 maio 2006

Péssima hora

Essa greve de fome do Garotinho até teria graça (o cara é gordo, e tal), mas numa hora dessas...

Francamente, não tem a menor.

03 maio 2006

FOTO é apelido!

Quando eu fui chamada para escrever uma coluna para a revista Época, um dia ela me ligou:

- Alô, aqui é a Mirian, estou ligando para marcarmos a foto.

Na primeira frase, identificamos o sotaque uma da outra. Mas continuamos marcando a data e o local da foto - que serviria para me apresentar aos leitores. Até que uma de nós (não lembro qual) disse:

- Vem cá, tu é gaúcha de onde??

Caímos na risada. É muito bom encontrar conterrâneos longe dos pampas.

Mirian Fichtner, a gaúcha em questão, já mora no Rio há pelo menos 20 anos (se bem me lembro), é uma das fotógrafas mais brilhantes do Brasil, premiada internacionalmente, talentosíssima, perspicaz, sensível e dona de uma simpatia capaz de deixar qualquer ser fotografado à vontade. Aliás, acho que ela deixa à vontade até as pedras da calçada - que vão, gentilmente, lhe servir de cenário.

Vocês podem dizer se estou exagerando – pois a Mirian acaba de lançar o seu e-book fotográfico. Quem quiser ver o escândalo (no bom sentido) que essa mulher produz, clique aqui.

Ah, e cuidado com o relâmpago!

02 maio 2006

Crash! – No Limite

Finalmente eu assisti ao vencedor do Oscar de melhor filme. “Crash – No Limite” não tem nada de mais, e é simplesmente bom demais. O melhor que eu vi nos últimos tempos.

Não sei como bateu (sem trocadilho!) em vocês, mas, para mim, o filme não fala de raças, tampouco de violência – duas questões centrais que permeiam o roteiro do início ao fim. Nada disso. Ele não está falando das coisas que grifa; está, sim, usando os grifos para falar de coisas que estão nas entrelinhas.

Crash é sobre as complexidades humanas. E esse assunto - que é tão delicado - é belamente tratado por contraste: com a violência das cenas chocantes, muitíssimo bem dirigidas, interpretadas por atores em momentos raros, com paixão, com comoção, com fúria, com intensidade, com exagero (sim!), com inverossimilhança (sim! É cinema!!), com todos os termos ditos – que, no fim das contas, servem para nos conduzir aos indizíveis.

Para não ser apenas uma desconcertante obra das entrelinhas, Crash também é bom de linhas: traz um roteiro impecável, bem amarrado, que lida com ironia e faz o que poucos têm feito ultimamente – conta histórias. Sem frescuras. Pá-pum. Recomendo.


Fuxiqueira, eeeeeeu?

Levei um baita susto ao entrar no Orkut. Dizia lá: “veja quem visualizou o seu perfil recentemente: fulano, fulano, fulano, fulano e fulano.”

??

Ou seja, o Google criou uma ferramenta que permite a identificação da fuxicagem.

Sim. Qual o nexo?

Tô fora. Não quero nem saber o nome dos fulanos que me visitam, tampouco desejo que os meus fuxicados saibam que eu andei bisbilhotando a vida deles. Eu, hein? Troço mais antiético!

Fuxico é fuxico; tem que ser pelo buraquinho da fechadura, ou deixa de ser fuxico.

Fui lá e desabilitei o (des)serviço. Pelo menos eles dão esta opção: você aperta num botão, e tudo volta a ser como antes.
...

Mentira, vai. Todo mundo quer saber quem anda visitando o seu perfil. Mas não quer ser identificado quando visita o dos outros. (No Orkut dos outros, você sabe...).

Como o serviço só permite que você flagre o visitante se também se colocar na reta, o negócio é escolher: ou mantém a privacidade (mas também não mata a curiosidade), ou sai logo da moita (e fica sabendo quem teve interesse em fuxicar na sua vida).

Óóó, dúvida relevante.

Claro que eu escolhi ficar na moita, como me convém. Sou uma curiosa confessa - mas assim, no genérico. Não me leve para o lado pessoal, que eu negarei até a morte. Hoho.

28 abril 2006

Telas

Tinha lá um caminhão com um escrito enorme:

“Telas Santo Antônio. Há 20 anos cercando com qualidade.”

Tem a ver... Santo Antônio. Casamento. Cerca.
Hoho.

(Duas coisas a que não resisto: torta de limão e piadinha infame. Sorry.)


Ai, Jesus

Tem um cara (aquele) gritando na pracinha aqui em frente. Toda sexta-feira ele estaciona o seu carrão ali e fica pregando em nome de Jesus. Neste momento, está berrando:

EU VIM TRAZER CONFORTO A VOCÊS! CON-FOR-TO!!! EU SEI QUE VOCÊS TÊM MEDO NO CORAÇÃO, É POR ISSO QUE EU VENHO TRAZER CON-FOR-TO!!!

Tá, eu não tinha medo algum. Agora estou com medo é dele.


Coletar I

A lavanderia me mandou um e-mail com promoção, e termina assim: “coletamos e entregamos de graça”. Dá pra entender, mas, sinceramente, não consigo achar adequado esse verbo coletar. E estão usando muito. Todo mundo coleta e entrega em domicílio, cada vez mais.

O problema é que esse negócio de coletar me lembra exame de laboratório. Você sabe, cocô, etc. Não consigo deixar de associar.

Por que é que não usam “buscamos”, “apanhamos”, “retiramos”? Tem que coletar?

Não consigo imaginar a lavanderia coletando o meu edredom, não há jeito. Sou capaz de levar lá, só para não ter ninguém coletando aqui na minha casa. Ora, vão coletar noutras bandas!


Coletar II

Falar nisso: por que é que ninguém vem coletar (agora sim!) esse sujeito aí da praça, hein?

Eu pago, eu pago!!

26 abril 2006

Não há vagas não há vagas não há vagas


Agora, para renovar a carteira de habilitação, temos que fazer a tal prova de atualização do DETRAN. Cadê que eu consigo marcar a tal prova?

Simplesmente não há vagas. Nunca.

Eu disse nunca!


Perua

A perua é o único ser vivente que só sabe fazer uma cara: cara de perua.

Pois a perua (a madama, não o carro) estacionou na contramão, e na contramão quis sair daquela rua estreita como seu senso de civilidade. Eu vinha de uma avenida maior, dei o sinal e virei. Perua imóvel no meio da rua. Assim permaneceu. Parei também.

Fiz uma cara de paciente.

A perua fez cara de perua, e ali ficou.

Fiz outra cara, achei graça.

A perua fez a mesma cara outra vez.

Fiz ainda uma terceira cara – agora, irritada!

Perua não alterava o semblante, tampouco fazia menção de se mexer, manobrar, corrigir, dar meia volta, pedir desculpas, só agora eu vi a placa, foi péssimo, estou atrasada, meu marido me espera, sei lá, dar uma escusa qualquer, sorrir amarelo, levantar o polegar, nada.

Em vez disso, levantou uma só sobrancelha. E fez aquela cara de perua aguda com sobrancelha circunflexa.

Não sou de fazer isso, mas levei o dedo na buzina, e não adiantou foi nada. Tive, sim senhores, de me recolher à ingrata condição de reles integrante da classe média – aquela que sempre paga o pato, pois é isto que sou: nem tão moça, nem tão velha; nem tão rica, nem tão pobre; nem tão gorda, nem tão magra; nem tão feliz, nem tão triste; nem tão lá, nem tão cá, o que é que me resta? Recuar.

Recuei e pus minha bunda a perigo (digo: a bunda do meu carro, claro), empacada no meio de uma avenida movimentada, a esperar que a perua ruim de braço desembestasse e fosse levar sua falta de talento a passear noutras bandas. Ela e sua sobrancelha - que já era quase um Y.

Saiu, com aquela mesma cara de perua, e pude seguir meu destino em paz.

Perguntinha ilustrativa: qual era a 'marca' do cachorrinho dela?

21 abril 2006

Budapeste

É daqueles livros que você não lê rindo, mas sempre mantém uma curvinha nos lábios. Porque o texto flui com ironia e graça - e 90% da graça está na ameaça de rir, né? Adoro isso. Quando você pensa que vai, enfim, despencar no alívio de uma gargalhada sonora, ele dá o inesperado: põe lirismo no final do parágrafo, puxando lindamente o tapete do leitor. Leva-se um belo tombo - que é o primeiro passo do próximo vôo, e a gente embarca sem nem conferir o assento.

Salve Chico Buarque!


Contém GLÚTEN

Você viu essa do glúten?

O que é: uma proteína presente no trigo, aveia, centeio, cevada e malte.

O que causa: o excesso de glúten pode provocar (lá vai) gases, dores articulares, dores de cabeça e aumento no volume abdominal. Segundo especialistas, a substância forma uma espécie de “cola” que acaba estagnando as funções intestinais e minando o sistema imunológico. Daí vêm alergias de pele, artrites e doenças auto-imunes. Por dificultar a absorção normal de serotonina, pode acabar causando depressão. Como costuma vir aliado ao açúcar (que “rouba” o cálcio do organismo), aumenta o risco de osteoporose, ranger dos dentes, insônia, cáries e colesterol alto.

Como evitar: parece que o perigo maior está no abuso do trigo na alimentação. A sugestão é consumirmos, em vez dele, produtos derivados do aipim, milho, fubá e arroz. Além de, é claro, frutas e saladas.

Em sites destinados aos portadores da doença celíaca (intolerância ao glúten), é possível encontrar listas de produtos livres da substância.

--

- Você viu essa onda anti-glúten? Sabia que faz tanto mal assim?
- Eu não. Vou tomar uma providência!
- Banir o glúten?
- Não. Esperar até que eles descubram que ele faz bem.

20 abril 2006

Chico

Esse Globo Online deu uma reformulada total e está muito chique. Veja lá um teaser da entrevista com o Chico Buarque, que eles fizeram para a Revista de Domingo e vai ao ar, no site, a partir de segunda-feira.


Sai da linha

Quebraram o sigilo telefônico da mansão do Lago Sul. Ui.


Dá em nada

Lá vem mais um depoimento com habeas – agora, do compadre do Lula. O sujeito pode não responder o que bem entender.

Já sabemos no que isso dá: em habeas com açúcar.

19 abril 2006

Dois de paus


Adoro caminhar na praia nessa época do ano. Sol mais ameno, cores mais vivas. Casais namorando. Poucos. E hoje eu vi dois salva-vidas, concentradíssimos.

Jogando cartas.

14 abril 2006

Papo de mãe


Minha mãe contando estórias. Patati, patatá, quando nós nos casamos, quando fomos morar em Pelotas, etc etc.

"Aí, quando vocês começaram a nascer..."

Somos só meu irmão e eu. Sente o drama: "quando vocês começaram a nascer". E ela logo se tocou, começou a rir.

"Sim! Sim! Porque era uma lou-cu-ra! Vocês nasciam, em seguida nasciam de novo, e outra vez, e iam nascendo, meu Deus, como vocês nasciam naquela época! Tinha que ver, minha filha."

Que pena, essa parte eu perdi.


Viciados em IBOPE

- Lembra, querido, aquele atum que eu comi no restaurante francês...
- Não era atum. Era salmão.
- Atum, lógico!
- Salmão! Lembro, porque eu até provei!
- Você está enganado. Salmão foi no japonês.
- Rá! Imagina se eu ia confundir francês com japonês. Me respeita!
- Sinto muito, mas era atum.
- Pensa bem...
- Não precisa. Estou vendo o atum na minha frente!
- Salmão!
- Atum! Atum! Atum!
- Salmãããããooo!

Silêncio.

- Olha. Tenho 49% de certeza que era atum.
- HA HA HA! 49% de certeza? Essa é boa! Significa que você tem 51% de dúvida! Então tem mais dúvida do que certeza! Ou seja: certeza nenhuma! HA HA!
- Não, senhor. É que, de tanto você falar em salmão, confesso que fiquei confusa. Mas continuo tendo mais certeza do atum. 49% de certeza. E somente 40% de dúvida.
- Ué! E os outros 11%???
- NÃO SOUBERAM OU NÃO QUISERAM OPINAR.

13 abril 2006

Jack Johnson

Aqui no Rio, está rolando uma gripe horrorosa que deixa todo mundo com muito sono e dor de cabeça. Maldade: estão chamando de “gripe Jack Johnson”...


Dona Micose, quem diria

- Alô, é da farmácia? Eu gostaria de pedir um esmalte, por favor. Chama-se XXX.
- Sim, senhora. São R$ 100,00.
- Hehe. Cem reais por um esmalte?
- É isso mesmo, senhora. É que é para micose.

Eeeeeu, hein? Dona Micose está com um prestígio filho da...! Quisera eu.

07 abril 2006

Beije!


Digitando rapidinho, escondida de mim mesma – não devia, tendinite na mão esquerda. Dói. Mas essa é muito boa...

Vizinho vende uma lista de coisas (deixou um papel aqui debaixo da minha porta).

Entre elas: “Vendo tapete. Pouco uso. Medidas xx X xx. Cor predominante: beije.”

Isso mesmo. Beije!

É o corretor ortográfico do Word, na certa, ajudando os não-praticantes da nossa língua escrita a praticar traquinagens literárias. Vizinho queria escrever “bege”, mas escreveu com jota. "Beje"? Não dá outra: o corretor sugere “beije”.

E ele, na dúvida, beija mesmo.
Hihi.

05 abril 2006

Mais uma do cacet(inho)

Ainda vou escrever um livro – ou, pelo menos, um capítulo – sobre os micos que paguei na vida por causa do cacetinho. Você sabe: cacetinho é como nós, gaúchos, chamamos o pão francês.


CENA
Recreio dos Bandeirantes - Rio

Minha mãe e eu, cansadas, às 10h da noite, vamos ao supermercado. Começo a procurar a marca do pão de forma light que eu gosto, mas não encontro.

Minha mãe, paciente, espera. Olha para os lados. Distrai-se com os iogurtes.

- Tão caros...

Continuo procurando, e nada. Minha mãe - cuja paciência é ponto forte, mas não se pode querer milagre! – resolve ajudar. Lá dos iogurtes, enche os pulmões de ar e brada:

- FILHAAAAA!!! SE NÃO TEM A MARCA QUE TU GOSTAS, NÃO QUERES LEVAR UM CACETINHO???

Ecos no supermercado: “cacetinho... inho... inho...”

A filha aqui, em vez de se tocar logo da gafe cometida, reflete dois segundos e pondera (em voz bem alta, claro):

- POIS É... O PROBLEMA DO CACETINHO É QUE AMANHÃ ELE JÁ NÃO ESTARÁ TÃO BOM!

Um senhorzinho passa e estoura um riso breve, nervoso. Decerto pensou no triste envelhecimento do cacetinho.

“Desculpe, senhor. Não é nada pessoal. Muito pelo contrário. O seu, amanhã, é capaz de estar até...”

Melhor não dizer nada.

04 abril 2006

Sesta

Dia lindo, café, jornal, almoço em família, risadas, planos, supermercado, contas, word, google, pilates, caminhada na praia, banho, word, google, correspondência, word, google, google, telefone, word, word, google, google, jornal nacional, crise, eleições, blogs, google, google, google.

Se não existisse o google, daria tempo até... sei lá, de fazer a sesta!

31 março 2006

Lei de Murphy

"Há dois tipos de esparadrapo: o que não gruda e o que não sai."

Hoho.


Agora essa

A tal modelo Naomi Campbell, arroz-de-festa aqui no Brasil, deu porradas (usando um aparelho de telefone) na sua empregada, em Nova York, e poderá pegar até sete anos de prisão. Consta que, há seis anos, Naomi já tinha utilizado a mesma arma (o telefone) para dar na cabeça de uma secretária.

E, para completar o mico do dia: a fofa da maneca não aparece nas fotos com um boné escrito BRASIL??

Como se não fôssemos suficientemente bons em produzir nossos próprios fiascos... Carecia de ajuda externa, não.

30 março 2006

Túnel do tempo

Este blog está entrando na puberdade. Cinco anos, para um blog (ou para um dog?) é post para dedéu!

Meu blog e eu temos latido muito. Para não dizer que ladramos – mas não mordemos -, confira aqui trechos de marços passados:


MARÇO/2003


Buenas, macacada! Cá estou de volta, medicada, recuperada, equilibrada, equalizada, normalizada, mixada e masterizada. Perdoem meu vocabulário fonográfico; é que me sinto, uma vez recauchutada, mais próxima aos prazeres (musicais) da vida.

Por outro lado – o de cima? -, chove que Deus manda aqui na cidade maravilhosa. Falta muito pouco para que a pracinha aqui em frente se transforme num modesto parque aquático, coisa que me daria muito gosto, aliás, pois há tempo venho medindo o tamanho daqueles balanços com minha utilíssima capacidade de abstração espacial, e, não raro, chego à mesma enfadonha – porém honesta - conclusão de sempre: ou diminuo a bunda, ou alguém aumenta o balanço. Caso contrário, minha possibilidade de lazer se mantém zerada.

E não é justo, pois pago os impostos.

***

OLHA O PASSARINHO

Hoje eu vi um passarinho que era o passarinho mais lindo do mundo. E não era verde.
Era um bichinho pequeno, talvez pouco maior que um beija-flor - não que eu entenda de pássaros, mas imagino. Branco e preto, design perfeito, bico delicado, asinhas apressadas, vôo preciso, pouso certeiro. Uma poesia de ave, eu diria. Com métrica e tudo.

Eu vinha andando pela rua, entretida com cálculos mentais de vencimentos, juros e dívidas, quando aquela preciosidade cruzou meu caminho. E estacionou sua beleza incalculável numa folha comprida que se deitava pela calçada.

“Olha o passarinho” – pensei, mudando de assunto com meus botões financeiros. “Olha o passarinho”, repeti a eles.

Minha testa finalmente soltou um pouquinho a ruga do meio, mas nem durou muito. Logo aquele versinho alado alçou vôo rumo a outra endividada qualquer, decerto para lhe dar o mesmo recado que deu a mim.
Que a beleza existe para quem está disposto a dispensar, por uns segundos, os seus próprios botões e umbigos.

***

SONHAR COM O CAVALO

Noite dessas eu sonhei que tinha um cavalo. Fiquei pensando.
Sonhar com o cavalo.
Seria porque cansei de sonhar com o príncipe?
Espaço

Cheguei em casa bem a tempo de ver o foguete subir. Deu frrrrrriio na barriga!


Tempo

- Tô velha.
- Quê?
- Tô velha. Não tem mais jeito. Hoje eu percebi.
- E por quê?
- Já estão me chamando de senhora até pelo telefone!


Vistoria

Uma amiga foi à academia (primeiro dia). Voltou, é claro, arrasada.

- Aquela vistoria que fazem na gente é um afronto!!

- É avaliação...

- Avaliação??? Só se for em você. Em mim, ninguém fez avaliação nenhuma. Fizeram inspeção. Vistoria. Acharam defeito em tudo! Cheguei lá ótima. Saí 15 anos mais velha, com dores nas costas e um diagnóstico de sair procurando rampinha para ver se vou poder passar com a cadeira de rodas - que não tarda, isso é certo.

- O que foi que a mulher disse, afinal?

- Mulher? Que mulher? Aquela muralha de piercing no umbigo? Vem cá, que barriga era aquela? Quem é o arquiteto que aprova um projeto daqueles?

- Se você malhar como ela, é capaz de ficar igual...

- Deus me livre e guarde! Lá eu não volto. Depois da vistoria, nem pensar. E o pior de tudo é a falta de sigilo. Pois aquela muralha loira não se vira e diz, em alto e bom som, o relato completo da minha situação? Assim, para quem quisesse ouvir:

VOCÊ TEM OS OMBROS UM POUCO CURVADOS PARA FRENTE. ALÉM DISSO, O ESQUERDO ESTÁ UM POUCO MAIS ALTO QUE O DIREITO (e fazia os gestos, como um fantoche desengonçado). TEM UMA LORDOSE ACENTUADA, ESCOLIOSE LEVE, E OS JOELHOS SÃO VIRADOS PARA DENTRO (gesto! gesto!), O QUE FAZ COM QUE AS PERNAS ESTEJAM UM POUCO TORTAS (gesto!!!), PREJUDICANDO A PISADA E COMPROMETENDO A ESTRUTURA.

MAS, NO TODO, ESTÁ MUITO BEM.

- Ok. Só tenho uma perguntinha: QUEM É O TODO, Ô ¨&#!@$%!???!!!!!

24 março 2006

Passa ou não passa?


A rua era estreita. Está bem, nem tanto. Meio estreita. Estreitinha, vai. Eu vinha dirigindo, tranqüila, quando encontrei dois carros estacionados: um de cada lado da rua.

Quem disse que eu passava?

Fiquei ali, parada. Mirei bem, concluí que não dava. Vou arranhar um deles - no mínimo. E o meu. Não dava mesmo. Gente estúpida, estacionar em lugar proibido! Tomara que não apareça ninguém atrás de mim.

“BIIIP BIIIIIIIIIIP!!!”

Foi só pensar, que apareceu um sem-mãe querendo passar. E outro atrás dele. E outro. Eu, empacada.

“BIIIIP! BIIIIP! BIIIIIIP!”

Era uma orquestra, maestro! Regida pela minha placa traseira, imóvel, bem no meio da rua. Cristo! O que eu faço agora???

Dei uma avançadinha, e suspendi o coro. Ficaram todos em silêncio, de repente. Rufaram os tambores. Calculei o carro que sairia mais barato estragar, e me arrastei na direção dele. É nesse que eu vou. Se der m*, descasco o Gol. Raspo na trave!

Nessa altura, nenhum pedestre gentil aparecia para me dar uma força. Engraçado como os pedestres se escondem justo na hora em que mais precisamos deles. Rezei por um flanelinha. Nada.

Azar do goleiro – pensei -, vou me enfiar aqui de qualquer meio jeito. Se não houver meio jeito, um quarto de jeito já me serve. Importante é passar. Tem que passar. Tem que passar. Tem que pass...

- Eeeeeei, dona!!!

Benzadeus! Um porteiro saía da toca.

- Seu Geraldo vai puxar o Gol agorinha. Aí não passa, não!

Rá. Eu disse que não passava.

23 março 2006

Rio

Esclarecendo: tô em Buenos Aires, não. Estou no Rio mesmo. E faz calor.
:o)

As fotos que estão aí embaixo foram tiradas há um ano, quando estive lá. Não são ótimas?
---

Conta outra

Então a Caixa Econômica poderia descobrir em poucos minutos quem foi o autor da quebra de sigilo do caseiro Francenildo, mas pediu à CPI o arrastado prazo de 15 dias? Hum.

Engraçado como o jornal vem recheado de novidades que já estamos carecas de saber.

22 março 2006

Buenos Aires








21 março 2006

Tem escolha?

Eu tomava meu tradicional cafezinho, depois de ter feito as compras no supermercado, quando ouvi a seguinte pérola de um homem na fila do caixa:

- Não posso viver sem carro. Sem carro não dá. Me deixe sem mulher, mas não me deixe sem carro!

Olhei bem para a carinha dele...
Teria mesmo escolha?


Arrependidos

Comprou uma coisa e se arrependeu? Ficou p*** com os serviços prestados a você, cliente, que supostamente precisaria ser atendido – e não ficar ouvindo musiquinhas e gerúndios intermináveis?

Reclame aqui.


PS: Só não vale pôr o cônjuge. Em caso de casamento que azeda, todos sabem, a reclamação é direto com o Papa.


Ligeiramente virgem

Não é meio estranho um filme se intitular “Meu primeiro amor 2”???
Como dizia meu saudoso tio-avô: algos há...
E sempre havia mesmo.


Piadinha muito boa

An american said:
"We have George Bush, Stevie Wonder, Bob Hope, and Johnny Cash."

A Brazilian said:
"We have Lula da Silva, no wonder, no hope, and no cash."

17 março 2006

Delivery de Deus



Só vendo para crer.

O maluco aí da foto está, pela terceira sexta-feira consecutiva, plantado na pracinha que tem aqui em frente. Ele chega, abre o porta-malas do carrão, saca um microfone e começa a falar de Deus. Claro, com fundo musical adequado (?).

Diz que não pertence a nenhuma igreja, mas que veio “trazer Deus”.

Era o que nos faltava, ou não era? Tele-entrega de Deus. Resta saber quem foi o engraçadinho que fez o pedido.

Mas, falando sério. Essas pessoas que falam em nome de Deus só contribuem para a desmoralização do Cara. Aliás, eu já resolvi: não me dirijo mais a elas. Não é preconceito, não. É uma questão de gentileza. Se elas vivem falando com Deus, que Deus isso, Deus aquilo (uma intimidade!!), não sou eu quem vai interromper a conversa.

Todas as sextas-feiras, agora, sou obrigada a almoçar com uma barulhenta pregação nos meus ouvidos, porque um ambulante de Deus resolveu fazer a feira na minha praça.

Sei não, mas acho que Jesus deve estar indignado: estão pirateando a Palavra.

16 março 2006

Gaúcha

Sábado vai fazer oito anos que eu moro no Rio.

Quando dizem "ah, mas então você já está carioca!" - claro, fico furiosa. Adoro os cariocas (cariocas são alegres, cariocas são atentos, cariocas são tão sexys), mas sou e sempre serei gaúcha de nascimento e coração.

Não se preocupe, não vou engatar agora um discurso tradicionalista, tchê! Hoho.

Mas uma coisa é verdade: quando ouço alguma palavra que termina em "sul" (nome de empresa, condomínio, companhia, o raio que for), dou um suspiro satisfeito e já me sinto em casa.

Deus queira que eu não tenha um filho tão cedo. Pobrezinho ia sofrer com os apelidos.

15 março 2006

Sites confusos


Francamente: a internet já não está meio crescidinha para ficar brincando de Onde Está o Wally???

Sites confusos deveriam ir para o diabo que os carregasse – lá, sim, desfrutariam da eternidade que merecem, porque nem mesmo o diabo se encarregaria de carregá-los por completo, acredito. Ficariam, ad eternum:

“Carregando...”
“Carregando...”
“Carregando...”

Muito bem feito. Não se faz isso com o vivente apressado que precisa dar (informação) de comer ao seu afoito mouse. Esconder, camuflar, enfiar nas entrelinhas virtuais o que era para ser destaque real. Bolinhas coloridas. Lantejoulas, musiquinhas, POP UPS!

Ditado velho que acaba de ganhar upgrade: não faça na web aquilo que você não gostaria que fizessem com você na vida real!

Imagine a cena. Você pede uma torta de maçã de sobremesa. O garçom vem, todo sorridente, e põe uma bacia cheia de farinha na sua mesa.

- Cadê a minha torta de maçã??
- Caaaalma! Primeiro, vou cantar uma musiquinha!

Aí ele demora, porque está carregando a musiquinha na cabeça. E começa a cantar.

- Trá-lá-lá...
- Garçom! Ei! Eu só queria uma torta de maçã!
- Trá-lá-lá...

Engasga. Você pensa que ele travou. Mas ele continua.

- Trá-lá-lá...
- Acabou?
- Sim! Agradecemos pela sua visita!
- Tá, e a torta?
- Está vendo essa bacia de farinha na sua frente? He he! Você vai ter de achar a maçã com a boca!!
- Tá doido???
- Não sem antes, é claro, preencher o cadastro, responder à nossa enquete da semana, indicar o restaurante a um amigo...

É de matar, né?
Eleições


Eu ainda não acreditei que o PSDB desistiu do Serra (aliás, o inverso!) para colocar Geraldo Alckmin no páreo contra Lula. Choquei.

Pode ter sido instinto de autopreservação de Serra - alguns dizem -, ou esperteza mesmo (perder São Paulo e ficar chupando o dedo no caso de dar Lula II?). A Alckmin, ninguém pode dizer que faltou persistência.

Muito bem, o PSDB chega a um consenso, ainda que não se saiba exatamente até que ponto vai haver coesão dentro do partido em relação à própria candidatura de Alckmin.

Eu acho é uma coisa: perigosos esses jogos tucanos, muito perigosos. Pense comigo. Até outubro, muita água pode rolar. E se estourar mais uma bomba desmoralizante no PT? E se, dessa vez, Lula sair chamuscado?

Povo vai cair de boca no primeiro salvacionista que pintar. Deus nos livre de uma zebra, sobretudo daquela que fala em Seu nome.

--

Obs.: Não tenho partido político. Não sou tucana, não sou lulista, muito antes pelo contrário. Só estou de olho.

14 março 2006

Vamos fazer...


- Vamos fazer um blog? No caderno de economia do Globo diz que um cara ficou milionário nos EUA!
- Eu já tenho um blog. Vai fazer cinco anos.
- Hum... Então, já sei!
- Sabe??
- Sei. Vamos fazer outra coisa.
- Isso.

13 março 2006

Kramer X Kramer - lembra?


Passei a semana enfiada na web (com todo o respeito), pesquisando e fazendo um trabalho no clima "what's new?". Bom. No domingão, assisti ao filme "Kramer X Kramer", de 1979. Que, aliás, eu nunca tinha visto - apesar de saber que era um filmão imperdível, ganhou 5 Oscars, Dustin Hoffman, Meryl Streep, sem maiores comentários.

Filmaço.

A história eu resumo assim: pai (D. Hoffman) se vê obrigado a cuidar sozinho do filho de 7 anos, de uma hora para outra. Muda a vida e encara a briga.

A história não tem nada de excepcional - embora o assunto tenha dado pano para manga naquela época, conforme comentam os próprios atores nos extras do DVD -, mas as atuações são comoventes, brilhantes. O texto tem momentos ótimos, o filme é realmente bonito.


Mil e uma folhas


Chegamos, por acaso, à patisserie Kurt no Leblon. Das melhores do Rio - dizem as gulosas más línguas. Eu não conhecia, aliás, não conheço lojas de doces: julgo anti-ético. Pronto, soy contra.

Mas, assim, levada pela mão... a gente sofre, mas vai, né?

Logo na entrada, já não se tem muita saída. O lugar é pequeno, as mesas são pequenas e poucas, as vendedoras são baixinhas e sorriem curto... Não se escapa dos doces.

Decidimos dividir uma mil-folhas - 500 para cada um! -, e também a culpa. É muito bom ter alguém com quem dividir as 500 culpas.

"A gente nem exagerou, né?"

"É... foi bom, porque a gente comeu pouquinho..."

"Isso, isso... Assim que se faz, né?"

"É... Assim que se faz!"

Quando já estávamos quase auto-perdoados, um afagando a meia culpa do outro, saímos pela porta e demos de cara com uma academia ENORME do outro lado da rua. Moças malhavam. Homens suavam. Corriam. Bufavam. Emagreciam. Secavam.

Malditos desfolhados.

11 março 2006

Versos versus...

Não sei por que motivo os cantores (e as cantoras), cada vez mais, insistem em cantar coisas como “nou nou nou”, “tchu-ru-ru”, “néu réu réu” – e equivalentes. Tsc!, com tanta poesia bonita disponível...
Se beber...


Houve um acidente feio aqui no Recreio, dias atrás. Contam que o motorista ouviu atentamente as informações sobre o caminho de saída da praia – “na primeira ponte de madeira, vire à esquerda”. Só que, antes da ponte referida, havia uma para pedestres – também de madeira.

E ele foi nela.

Consta que estava alcoolizado. Pelo amor de Deus: se beber, não dirija.


Tempo

Quem, porventura, estiver ocioso: me empresta um ttttttempo aê?
Motivo: trabalho.

(Para namorar eu uso o meu mesmo, tá? Tô terceirizando o bofe, não. Xô!!)

07 março 2006

Se ele fosse eu (mas não é)


“Fui assistir a uma comédia recomendada por um blog aí, mas, francamente... tssss!”.

Francamente e tsssss significam que meu irmão não gostou, mas não gostou mesmo do filme do Daniel Filho – “Se eu fosse você” –, que eu recomendei aqui. Bom, acontece. Sempre. Sobretudo com gente que saiu da mesma barriga, hoho.


Oscar

Por falar nisso, assisti à cerimônia do Oscar, e achei tudo muito sem graça. Agora, você também reparou que as mulheres estão usando aqueles decotes(ões) com o colo nu? Digo, sem colar?

Dessa moda eu gostei muito. Valoriza o colo. Privilegia a forma feminina. E evita assalto. (Digo: se eu quisesse andar por aí com um colar su-pim-pa-mes-mo, teria de assaltar alguém.) Melhor assim.


Rapidinha


“Vou escrever rapidinho, que estou correndo”.

“Fala rápido, que estou no trânsito”.

“Ligeiro, que meu chefe tá chegando...”

Cá pra nós: a única coisa que vamos conseguir com essa correria desenfrada é criar uma sociedade absolutamente ruim de cama.

23 fevereiro 2006

Comédia – “Se eu fosse você”


É puro entretenimento. Tony Ramos e Glória Pires - que já não precisam provar coisa alguma a ninguém - dão show de atuação, ritmo, carisma. São donos do filme.

É de dobrar de rir. Eu, que adoro um cinema despretensioso e divertido-sem-compromisso, recomendo. Muito!

22 fevereiro 2006

Transgênico Vox

Se eu pudesse, separava só a Bona Voz do Bono Vox, mais um punhado de músicas que eles compuseram nos anos 80, e plantava de novo noutro vocalista, outra banda, sei lá. Porque esse sujeito que veio almoçar com o Lula e posar de estrela afetada no Morumbi, francamente. Blargh.


No táxi, em Salvador

- Aqui, doutor, passava o trio elétrico às 7h da manhã...
- Caramba! E tem gente para correr atrás do trio às 7h da matina???
- Ô, doutor, que pergunta! Pergunte se tem alguém para trabalhar... para lhe prestar um socorro na hora em que o senhor precisar... pergunte! Pergunte!!

Hoho, maldade...


No restaurante

- Garçom, por favor, de que é feito este bolinho?
- É... é doce. Coma, que é bom.

E era mesmo.

21 fevereiro 2006

E eu, que ainda não conhecia Salvador?


Sabem do que eu mais gostei? Salvador sorri com covinhas!

Explico: a orla da cidade é alegre como um riso – escancarado, solto, sensual, maroto, molhado e quente. Tudo é exposto; sujeitos, verbos e predicados dançam ao som de algum batuque que não se sabe direito identificar de onde vem, se é que vem mesmo. Mas o certo é que Salvador é estéreo, porque a gente ouve muito e o tempo todo.

Aí você parte para as ladeiras, onde a história se guarda nas construções, nos becos coloridos, nos furinhos das rendas, no silêncio das preces... enfim, nas doces sombras das covinhas de uma cidade que sorri suas carnes salgadas, suas curvas ousadas, sua alegria que embasbaca, deslumbra, comove, desconcerta, e até assusta um pouco, mas – sobretudo! – estimula a gente a sorrir também.

:o)

17 fevereiro 2006

Vista

Aqui na minha frente, em ordem de proximidade:

1. Parede de vidro
2. Homem lendo à beira da piscina
3. Avenida Beira-Mar
4. Coqueiros, coqueiros
5. O mar de Aracaju

Agora, as minhas conhecidas pílulas anti-inveja:

1. Aqui faz um calor DO CÃO. Às 7h da manhã, o termômetro marcava massacrantes 37 graus. Creia-me.
2. Nosso quarto fica praticamente à beira da piscina. Pois, ontem à noite, teve "festa" na piscina. Um sujeito empunhava uma guitarra desafinada e cantava "pois diga que irá, Irajá, Irajá" a noite toda. IRA: JÁ!!!
3. Não dormi quase nada. Se aparecer num jornal de Sergipe que um fantasma de longos cabelos, olheiras profundas e sotaque gaúcho rondava a cidade, já sabem.

Céus, vou ali beber uma coca light e já volto. Daqui a duas horas, vamos para Salvador. Na volta eu conto. Se não me derreter no meio do caminho, claro.