11 maio 2004

Arrumei minha antena


Não a minha, claro. A da TV. Dei uma de “meu-irmão-quando-tinha-mais-tempo”, e fui de canivete: desmontei a coisa, desencapei parte de um fio que me parecia meio acabadinho, fiz nascer um robusto pedaço dele, que enrosquei numa espécie de parafuso com a finalidade de conduzir qualquer coisa a não sei onde, depois ainda finalizei com fita isolante (por quê?, não me perguntem!), tudo muito intuitivamente, mas com delicadeza e propriedade que só vendo. Virei a antena de cabeça para cima outra vez, dei-lhe três amigáveis tapinhas nas costas, acendi uma vela e um incenso, improvisei alguma reza, e, finalmente, tive uma conversa muito séria com ela.

Não sei se foi a cirurgia ou a conversa, mas o fato é que a antena voltou a ter, se não o corpinho de antes, ao menos o prazer que me proporcionava.


Falar nisso...

No DVD da quinta temporada de Sex And The City que peguei outro dia, o impagável diálogo descrito (mais ou menos) a seguir, entre Samantha e um vendedor:

- Boa tarde. Eu vim devolver o meu vibrador, está com defeito. (Ela, com um sorriso no rosto, e o negócio na mão).
- Desculpe, senhora. Deve haver um engano. Aqui não vendemos vibradores.

Estava claro que o local não era um sex shop, mas uma loja de eletrodomésticos. Mas ela insistia:

- É claro que vendem vibradores! Eu comprei o meu aqui outro dia, tenho certeza. E vim devolvê-lo. Está com defeito.
- Desculpe, senhora. Tenho certeza, aqui não vendemos nenhum tipo de vibrador.
- Ah, não? Então, o que é isso aqui?
- É um massageador de pescoço, senhora.

Ela, desapontada:
- As pessoas usam isso aqui para massagear o pescoço?
- Isso é um massageador de pescoço, senhora.

Ela, já irritada:
- Está bem. Está bem. Vim devolver o meu massageador de pescoço. Está com defeito.
- E qual o defeito, senhora?
ELE NÃO ME FAZ GOZAR.

10 maio 2004

Estou com a estranha impressão de que ninguém anda me lendo, estou com dificuldades na configuração do meu aparelho celular novo, estou meio triste por não saber cozinhar direito, estou precisando de uma cadeira nova, estou chocada com essa história de tanques de guerra nas vias cariocas, estou puta com as pessoas que ficam telefonando compulsivamente e desligam na cara da minha secretária eletrônica em vez de deixar recado, estou com saudades de viajar, estou precisando de cordas novas para o meu baixo, estou sem paciência de fazer as unhas, estou...

... na TPM.

E, como eu já dizia, odeio TPM.

09 maio 2004

Praia do Recreio




***

O jogo da velha


“Estou me achando um pouco medíocre. Você também acorda assim, às vezes?
Medíocre de cabelo e pele, medíocre de texto, medíocre de arrastar chinelos e lavar a louça de ontem à noite. Pensando nas compras da semana, no sabão em pó que acabou, no absurdo chamado Maluf, nas mudanças da Lei Rouanet. E me dói o lombo. Tudo isso, assim, superficialmente, claro. Passando um paninho na mesa, sabe como é? Medíocre.”


Tenho vontade de pegar minha autocrítica - sempre tão pontual e implacável - e pendurá-la um pouquinho na varanda para pegar um vento. Sim, porque uma coisa é ter senso crítico consigo próprio. Outra, bem diferente, é carregar uma velha ranzinza no ombro esquerdo, a resmungar ininterruptamente, cutucando o ouvido da gente com uma bengala como quem quer chamar atenção. Velha mais chata.

Depois de deixar a velha na varanda, corro lá e trago de volta, porque não vivo sem ela mesmo. Converso com a velha, dou-lhe atenção, chego até a mimá-la um pouco. E me dói o lombo outra vez. E desconfio que seja o peso da velha.

Ouvir da velha que sou medíocre, isso é de lei. Eu tenho um texto que data de 1987, eu tinha uns dez anos, e dizia assim: “eu queria ser delicada como essa bailarina (de um porta-jóias musical que acabara de ganhar da minha avó). A bailarina não fala palavrão e não bate nos outros.” E segue, por uma página de caderno grande, a velha me soprando indelicadezas por eu ser tão indelicada.

No dia anterior, eu tinha esfolado um coleguinha de turma que vinha me importunando havia meses, acusando-me de babaquices infundadas. Investi uma vez só, de mão fechada, e o pobrezinho se foi ao chão, de forma que até me assustei - não seria pra tanto.

Mas já estava feita a merda (não perdi o hábito do palavrão), e só me restou, além da repreensão dos professores e dos poucos amigos daquele canalha em miniatura, a crítica feroz da minha velha de estimação. Que eu não era delicada como a bailarina, veja só.
Ralhava a velha, e ainda ralha, quando acha que fui longe demais em alguma coisa. Mas, ainda mais, ralha quando pensa que fui de menos. E me cutuca o ouvido com a bengala: corre, infeliz! Corre, que a vida é uma só!

E saio, bem pateta, tropeçando e querendo me aprofundar nalguma bobagem que me daria o título de “eu aproveitei 100%”. Para, finalmente, a velha me criticar outra vez: caiu? Bem feito! Não olha por onde anda?

Agora eu pergunto: como é que a pessoa pode andar, olhar por onde anda, ouvir a própria razão, sentir a própria emoção, carregar uma velha gagá no ombro esquerdo e ainda ser feliz nas horas vagas?

Sai pra lá, eu não sou essa velha. Por isso coloquei o primeiro parágrafo entre aspas: credito à velha. E estou saindo agora mesmo para lhe comprar uma cadeira de balanço.

Se ela não sai, pelo menos que se distraia. Vá fazer um tricô, sei lá.

07 maio 2004

Eu gosto da TPM


É como se alguém pegasse o amplificador do mundo e torcesse todos os botões para a direita: graves, agudos, médios, volumes em geral. Tudo no máximo. Se chove um pouquinho, é dilúvio. Se alguém chega sozinho, é uma multidão invasora armada de facas. Se me fazem um agrado; ou é muito - e eu não mereço -, ou é pouco - e tenho vontade de xingar-lhe a mãe.

Sei que estou na TPM quando um comercial de margarina me faz lacrimejar, e, trinta segundos depois, estou profundamente revoltada com a propaganda e o marketing, os compositores de jingle, os redatores de publicidade, os diretores e toda essa corja mercenária que nos impele a cometer rombos no orçamento doméstico em nome do prometido colesterol zero. Abutres!

Trinta segundos depois, estou lacrimejando de culpa.

Nesse período que nos visita a todas, mensal e pontualmente como uma velha tia-avó ácida, estamos sem medidas. Perdemos os meios-termos, as meias-palavras e os meios-de-campo. Estamos, ou no ataque, ou na defesa (isso quando não nos pegamos com as unhas e os dentes cravados na bola, a rolar no gramado, indiferentes ao jogo).

O adversário da peleja é o de menos. Se Deus nos deu a graça de nascermos femininas, foi justamente para que não perdêssemos tempo com esses pormenores: atira-se no primeiro que se mover, e pronto.

Perder as estribeiras, a compostura, o sono e a paciência. Tudo isso parece ser um estrondo comportamental capaz de nos reduzir – e aos que nos cercam – a pó. Mas, e se, em vez de nos entupirmos de antidepressivos ou enfiarmos a cabeça debaixo do travesseiro enquanto a “coisa” não passa, resolvêssemos converter essa energia vulcânica em “poder de fogo”?

Há uns cinqüenta anos, no tempo em que a nossa tia-avó ácida era apenas uma debutante angelical, talvez não pegasse bem a falta de medidas numa dama da sociedade. As únicas que perdiam as medidas eram tachadas de... uma palavra bem pior que “desmedidas”, enfim.

Hoje, entretanto, uma mulher desmedida pode viver tranqüilamente. Pode sair na rua usando jeans e corpete de renda, não pode? Pode xingar a mãe de quem quiser, pode pedir vodca pura no balcão de um boteco, pode entornar quantas doses quiser e ainda assediar o garçom. Pode ou não pode?

Portanto, podemos também gostar da – tão mal falada – TPM. Ora, bolotas! Faz parte de nós!

Eu gosto da TPM, se você quer saber. Gosto de não ser tão linear. Gosto de me curvar ao sabor dos ciclos, alternando hormônios, sensibilidade, ponto de vista, paixão e ódio. Gosto de cometer loucuras, ou cogitar cometê-las – só para brincar de ser eu mesma, porém amplificada.

Como eu seria se fosse “100% TPM”? (Dá uma boa estampa de camiseta, vão roubar minha idéia, se é que não fui eu a ladra). Seria insuportável; mas será que já não sou? Seria intensa? Seria ousada? Seria sexy? Seria agressiva?

Talvez esta seja mais uma das vantagens de ser mulher: uma vez por mês, você tem uma amostra grátis do que seria você-mesma-em-versão-turbinada. Mesmo que algumas coisas ultrapassem os limites do bom senso (e por que não?), mesmo que você pise na jaca, chute o balde etc.

Tomando o devido cuidado para não transformar esse período num inferno para os pobres coadjuvantes do seu ciclo menstrual, acredite, esta pode ser uma experiência das mais criativas: rabisque suas impressões sobre o que quer que seja, e depois volte a ler dali a quinze dias.

E me diga se não somos um divertido “chope com as amigas” dentro de nós mesmas.

06 maio 2004

Das coisas estranhas que cultivo, construo ou cultuo


- Uma garrafa (vazia) de saquê que virou castiçal

Decoradores devem repudiar tal improviso, mas eu nem ligo: no gargalo, enfio uma vela e deixo queimá-la até o final. Com sorte, escorre um fiozinho de cera e enriquece a peça, artisticamente falando.

Sonho com o dia em que meu castiçal estará quase que completamente desenhado, em alto relevo, pelas linhas tortas dos meus falecidos pedidos, minhas meditações e transes, meus desejos descabidos – realizados ou não -, além de, é claro, o útil socorro nas noites de apagão.

Quando não der mais para encontrar sentido nas linhas – aí, sim, a peça fará todo sentido do mundo.


- Filomena, a ressuscitada

Quando era pequena, tinha uma enorme boneca de pano que arrastava por todo lado: a Filomena, que viria a falecer anos mais tarde, numa dessas faxinas da vida.

Pois, há pouco tempo, li em algum livro de psicologia que era interessante investir certo tempo na construção de alguma coisa de valor afetivo; mas que fosse palpável, e confeccionada só pelas nossas mãos. Que faria um bem danado à auto-estima.

Foi quando, sem pestanejar, ressuscitei a Filomena.

Está certo que ela hoje padece pela minha visível falta de habilidades manuais, posto que é pouco maior que uma caneta, tem cabelos de barbante, sorriso de um traço só (de esmalte rosa) e mais parece um bonequinho de vodu. Não importa. É a minha Filomena de sempre, companheira irretocável nas horas mais sinistras, de corpo e alma em riste, paciente e ótima ouvinte. É o que basta.


- A esteira esquizofrênica

Essa esteira elétrica eu mantenho em casa por pura compaixão, uma vez que, claramente, já deveria ter sido encaminhada a um manicômio de geringonças. O resumo do surto é simples: ela pensa que é um cabide. Vive, age e se porta como tal.

Como herdei o objeto de meu pai – que também não é lá muito adepto dos esportes -, desconfio seriamente de que a educação tenha contribuído para o agravamento do quadro. Uma camisa pendurada aqui, uma toalha molhada ali, e está feito o imbróglio: a bichinha jamais voltará a si.

E não serei eu maluca de querer contrariá-la.


Vou pensar ainda em outras coisas, e adicioná-las à lista.
Acreditem, são muitas.

05 maio 2004

Te falei da TV?

Vocês não vão crer: a antena interna da nossa TV se escangalhou de vez, e agora só pega a Band. Parece até castigo. Não que houvesse muita opção na TV aberta antes disso, mas, convenhamos, assistir ao Gilberto Barros chega a ser um prenúncio de pesadelo, na certa.

Valei-me, Gilberto Braga! Como vou viver sem acompanhar os próximos capítulos de “Gritos Histéricos de Beatriz Vasconcelos”? Será que eu vou morrer sem saber quem matou Lineu??

Como poderei dormir sem a luz dos holofotes azuis que Renato Mendes exibe, na maior, como se fosse apenas um par de olhos? Como poderei me aconchegar virtualmente naquele latifúndio labial que pronuncia as maiores maldades, não conseguindo, no entanto, deixar de ser docemente encantador?

Estou perdida e mal paga, tendo que ir para a cama com Gilberto Barros e perdendo as últimas do Espaço Fama. Nem sei o que é pior. (E também não estou perguntando).

O pior é não dispor de nenhuma vizinha camarada, para assistir à boa e velha televizinha – aparelho tão antigo quanto a televisão, vocês sabem. Meus vizinhos...



Te falei do vizinho?


Outro dia, no apartamento em frente, teve uma rave. Rave, sim: música eletrônica NO ÚLTIMO VOLUME , um entra e sai de gente, portas batendo, gritos empolgados de “uh-huuuu!!!”, latas e mais latas de cerveja, e uma fumacinha mais que suspeita.

Do lado de cá, dor de cabeça e sede de vingança.

Estávamos preparados para solicitar intervenção da polícia, já com o dedo no telefone, quando, às 22h em ponto, cessou-se o fuzuê. Nada havia a ser reclamado, afinal, começaram a bagunça às 2h e terminaram pontualmente às 22h, respeitando o horário de silêncio. Uma pena.

No dia seguinte, fizemos a “nossa rave”, ou seja: um fandango beeeem gaúcho, também NO ÚLTIMO VOLUME, regado a Gaúcho da Fronteira, Teixeirinha, Tchê Barbaridade, Tchê Guri, Tchê Bagual e... outros tchês que estivessem disponíveis.

Quem ouvia, pensava estar rolando o maior bate-coxa aqui dentro. Os gaúchos gastando o solado da bota, as prendas rodando vestidos e tranças, chimarrão e churrasco. Que nada.

Fechamos tudo e fomos para o lado de fora, na varanda, olhar a praça. Bem sossegados.

Bem coisa de gaúcho.



Te falei do Pilates?


Estou fazendo Pilates. Estou enamorada! O Pilates é uma maravilha.

Sobretudo para quem quer alongar e fortalecer a musculatura, mas não agüenta aqueles ambientes de academia - com cheiro de ferro e suor, música alta, aula disso num lado, aula daquilo noutro, carteirinha, fichinha com séries pré-concebidas muito suspeitas, cheias de íceps, íceps, íceps que não acabam mais. Sem falar no papo-aranha e na solidão que te deixa, invariavelmente, com cara de boba, a se perguntar: mas que diabos eu estou fazendo aqui?

Bem, o Pilates é diferente. As aulas são dadas por fisioterapeutas, e acontecem num estúdio próprio para a atividade. Bem silencioso. Bem aconchegante. Um Santana no rádio (música ambiente), no máximo.

A regra é ter, no máximo, um fisioterapeuta para cada três alunos. Isso torna as aulas menos solitárias; dá a impressão de ter um personal trainer só para você. Os exercícios são feitos em aparelhos próprios, que geralmente usam molas como regulador da tensão (nível de dificuldade) nas atividades. Faz-se tudo muito devagar – o que, naturalmente, é um pouco mais difícil. Experimente fazer abdominais beeeeem de-va-ga-ri-nho e sem dar o famoso impulso no início do movimento, e entenderá do que estou falando.

Tem o lance da respiração, que requer uma certa concentração e te faz estar mais “presente” no momento. E, o mais legal: em muitos movimentos, você alonga praticamente ao mesmo tempo em que faz o esforço muscular. Achei isso fantástico, pois na musculação é o contrário: você “bomba” o músculo por repetidas vezes, e só no final da aula dá uma esticadela para aliviá-lo. No Pilates, alongar é tão importante quanto o esforço.

Devo dizer que, para quem pretende ficar com o corpo malhado em questão de poucas semanas, não deve ser a atividade apropriada. Nesse caso, acho melhor ir puxar ferro mesmo.

Para quem, como eu, sofreu com dores horrendas causadas por uma inoportuna hérnia de disco na lombar, tem problemas de postura, ou fica muito tempo sentado no escritório, ou apenas quer uma atividade física que dê muito prazer e alivie o estresse; a esses eu indico o Pilates veementemente.

Só que é bom estar informado: como já virou modinha, há pencas de picaretas se dizendo instrutores de Pilates por aí. Tem que ver o diploma de fisioterapeuta, saber da experiência, da história do local etc.
Elisabete não interage


Peguei um busum maneiro hoje. Isso para entrar na linguagem dos cariocas, ou de parte deles. O busum era igual a todos os outros, mas o motorista era a particularidade daquele coletivo.

- Motorista! Você me deixa no início da praia do Leblon? – Perguntava uma dama, esticada sobre a roleta que já tinha passado.

O motorista fez sinal com o polegar em riste. Positivo, madame.

E logo perguntou a quem quisesse ouvir:

- Qual é a praia do Leblon, afinal??

Achei que ele estivesse de brincadeira. Estávamos na Av. Niemeyer, e qualquer gaúcha como eu sabe que o Leblon é a primeira praia depois dela. A cobradora (Elisabete, descobri depois) resolveu ajudar:

- É a próxima que você vai ver.

- Aaah, positivo.


Alguns metros depois:

- Elisabete, tá vendo aquele cara ali na praia, com a camisa cor-sim-cor-não? Repara, Elisabete. Tá discutindo com a própria sombra, coitado. Eu conheço ele. É lá de Cascardura, Elisabete. Doido, doido.

(Elisabete nem ouvia, tamanho era o barulho do motor do ônibus. Mas ele continuava o discurso, como fosse um palestrante sem se importar com o feedback).

- Dia desses, Elisabete, estava o doido discutindo com a sombra, foi quando um “poliça” cismou que era com ele. Os poliça, você sabe, quase nunca aparecem. Quando aparece, Elisabete, pode escrever que é pra dar uns tiros pra cima e levar meia-dúzia de pobre-coitado, ou dar uma sova. E foi o que ocorreu nesse dia, foi quando deram uma sova, mas uma sova nesse maluco, que eu não sei como ele ainda tá vivo, o pobre.

E mudava de assunto, subitamente:

- Tá dando pra ver a lua daí, Elisabete? Ainda não tá cheia. Amanhã fica cheia. Amanhã vou cortar o cabelo.

Elisabete arrumava o casaco, contava os trocados, controlava a roleta. Tinha um cabelo crespo sem volume, empapado de gel, e um sorriso difícil.

Talvez, se Elisabete interagisse mais...

02 maio 2004

DVD

Testemunhas contra a máfia
Com Mira Sorvino, Mariah Carey e Melora Walters
Drama. EUA, fevereiro/2004

Eu gostei! Filme que une o lado violento/criminoso dos filmes de máfia com o emocional/sensível dos filmes de amizade entre mulheres. Com pitadas de suspense e alguns bons momentos cômicos, a história é envolvente e se desenrola de modo a prender a atenção.

Comentário fútil: impressionante como Mariah Carey, que todos sabemos ser linda de corpo, parece até gordinha no filme – culpa de uma involuntária comparação com suas colegas-atrizes-esqueléticas de Hollywood, e também do efeito inegável das câmeras sobre a nossa tão batalhada silhueta. Meninas, fujam das câmeras!!


Caminho das Nuvens
Com Cláudia Abreu e Wagner Moura
Drama. Brasil, 2003.

Gosto muito dos atores principais, e a atuação deles foi o único grande barato do filme. De resto, infelizmente, é mais um filme nacional “de estrada” (a exemplo de Central do Brasil, mas bem pior) que você pode assistir lendo uma revista, tomando café e verificando se chegou e-mail a cada cinco minutos. É a história de uma família que sai do sertão da Paraíba rumo ao Rio de Janeiro de bicicleta: o pai (Wagner Moura) encafifou que quer achar um emprego de “mil real” na cidade maravilhosa. O resultado é lento e aborrecido, apesar de sensível. Aliás, em termos: por sensibilidade, entenda uma mãe sofrendo por ver os filhos passarem necessidade, e a ambição comovente e utópica de um pai que quer dar sustento a uma família numerosa. Só.

Comentário fútil: Bom, pelo menos a gente vê a malvada Laura, enfiada num vestidinho surrado e com sandálias rasteiras, totalmente desglamourizada e sofrendo o diabo... hohoho, Maria Clara devia estar na primeira fila!


LIVRO

Caiu na minha mão um livro (emprestado do emprestado do emprestado) sobre economia doméstica: “Sobrou Dinheiro! – Lições de Economia Doméstica”, do economista Luís Carlos Ewald.

Tudo muito bom, tudo muito bem, mas, lá pelas tantas, salta esta pérola: “(...) Para os homens também vale fazer a barba em casa e basta estender o prazo entre os cortes de cabelo, obedecendo inclusive ao ciclo da lua. Corte entre a lua minguante e a lua nova faz com que o cabelo leve mais tempo para crescer...”

Preciso dizer algo, ou você está pensando o que eu estou pensando?


Nosso governo estadual, um exemplo em cultura: cabo eleitoral a um real (rimou!).


Nem vou dizer nada. Basta ler, abaixo, um trecho do artigo do Xexéo no Globo:

“Não é que seja uma má idéia. É até boa, o que é surpreendente vindo do governo de dona Rosângela Matheus. A partir de segunda-feira, o Teatro João Caetano volta a abrigar apresentações de música popular brasileira a ingressos populares em horário compatível com o fim do expediente de quem trabalha no Centro da cidade. É a tentativa de trazer de volta os bons tempos do Projeto Seis e Meia. Só que agora o horário é 18h e o projeto chama-se Fim de Tarde. Outra característica nova: o ingresso popular é exatamente R$ 1, como de hábito nos projetos populistas de dona Rosângela.

Primeiro problema: por que seis da tarde? O Seis e Meia não era às seis e meia por acaso. O trabalhador tinha meia hora para sair do emprego e chegar ao teatro. Para chegar ao teatro às 18h, ou o público vai ter que pedir ao patrão para sair mais cedo ou o João Caetano vai ficar cheio de desocupados.

(...) Mas quem dona Rosângela contratou justamente para abrir o projeto nesta segunda-feira: Elymar Santos, é claro.

Pegou mal. O maior cabo eleitoral da governadora é a primeira atração do projeto com mais visibilidade da até agora invisível Secretaria de Cultura de dona Rosângela. Tem alguma coisa fora de ordem aí. Dona Rosângela e Elymar deveriam vir a público dizer qual é o cachê que o cantor está recebendo para fazer a minitemporada (cada show fica em cartaz por uma semana). Ou será que, seguindo o estilo de sua política predileta, Elymar também está cobrando só R$ 1 de cachê?"


E Elymar respondeu ao artigo, na semana seguinte, revelando que recebeu um cachê de R$ 19 mil pelos shows da semana. E acrescentou que era pouco – pagar banda, equipe etc...

É, deve ter sido pouco para um Elymar, ícone da cultura brasileira, mesmo. É isso aí.

27 abril 2004

O dia da minhoca


Um dia você está se arrastando pelo chão feito uma minhoca descabelada, um tanto perdida da vida, filosofando porcarias e comendo biscoito recheado sabor vazio – aquele que não importa, porque você nem está sentindo o gosto. É o hábito.

Pouco melhor seria se você tivesse um nome a zelar, um trabalho importante a fazer, uma festa à noite. Mas você não tem nada disso; você é apenas uma minhoca fútil, coitada, que acordou e deu com o dedinho no pé da mesa mais próxima e gritou um palavrão bem cabeludo. O dia estava só começando.

Minhoca não tem dedinho, eu sei, mas aqui a minhoca é minha e eu ponho nela o que quiser.

A pobre da minhoca gosmenta se põe a pensar na vida, na dela e na dos outros, que ninguém é de ferro. No quanto são sórdidas as relações humanas, sobretudo quando acabam sem deixar vestígios palpáveis, ou seja, em todos os casos. E, meu Deus, quantas vezes a minhoca já passou por isto: um fim fantasmagórico, um evaporar de fatos, de beijos, de atos corriqueiros que se tornam parte do passado sem passar por nenhuma roleta, sem fazer um “bip” que avise aos mais interessados.

Até mesmo os ruídos em forma de gente – pondera a minhoca, enquanto o biscoito esfarela o vazio -, até essas peças perturbadoras da vida nos fazem falta, sobretudo quando vêm com “delay” embutido, aquele efeito que deixa um eco soando, lembrando, incomodando, ando, ando...

De repente a minhoca passa perto de um espelho, e, involuntariamente, ajeita o cabelo despenteado com as mãos, logo depois achando graça daquele instante de vaidade em meio a suspiros e filosofias pessimistas. Um riso fora de foco aparece refletido em sua frente. Uma sonora risada então tira o lugar dos ecos do passado, e uma alegria infantil toma conta do presente – que, afinal, é o único momento infinito de que a minhoca dispõe.

Você, minhoca rasteira, das atividades vulgares do dia-a-dia, dos pensamentos medíocres, das provocações internas, da autocrítica cruel e devastadora; você se traiu lindamente ao espiar no espelho o que a sua razão autófaga não lhe deixava perceber. Ainda que meio fora de foco ou propósito, minhoquinha ordinária, você tem o riso espontâneo. Uma manifestação que vem à tona nos momentos mais impróprios, e derruba por terra toda sua conspiração contra si própria.

Você descobriu o sabor do biscoito recheado que comia: era doce deleite.

25 abril 2004

Um domingo mais que londrino no Rio


Graças ao bom Deus, o Rio de Janeiro amanheceu com chuva e uma temperatura de agradar gaúchos e troianos. Menos os cariocas, claro.

Acordei inspiradíssima. Não, mais que isso: apaixonada. Abri bem a porta da varanda, deixei o ventinho me balançar os cabelos borgonha, foi quando me ocorreu: sou uma cidadã feliz!

Pensei em sair e aproveitar o dia lindo – afinal, não é sempre que São Pedro nos proporciona um ar de Londres no Rio -, e assim fiz: peguei o carro e fui dar umas voltas. Quanta inocência.

Já na primeira esquina, água por cima e por baixo. O meu “clima londrino” era mais que uma paisagem romântica, conforme minha espiada (otimista e abobalhada) pela sacada diagnosticara. Era um toró, mesmo. E dos piores.

As ruas estavam alagadas, e nisso minha inocência acertou, mesmo errando: parecia a Europa. Mais precisamente, Veneza.

Desprovida de remos, e com um pânico absurdo de aquaplanar – que trago desde a infância, sob forma de trauma -, resolvi encarar a Av. das Américas a 40km/h. Mas os demais motoristas, certamente pilotos de anfíbios-blindados-importados-impecáveis, não curtiram muito o meu, digamos, passeio. E fez-se uma sinfonia de buzinas, constituindo um rastro sonoro atrás de mim, como se eu fosse presidente da república, ou ainda mais célebre: um big brother.

Muito bem, eu estava atravancando o trânsito numa das maiores avenidas do Rio de Janeiro. Havia dezenas de motoristas atrás de mim, lançando ruídos de protesto, indignados. O último deles, provavelmente, temia ser encaixotado por um desavisado que viesse a 80km. Os que passavam pela minha esquerda, não raro, convidavam-me para momentos íntimos em suas companhias – ou assim interpretei.

Neste momento, fiz o que qualquer cidadã consciente de suas fraquezas faria: liguei o rádio no último volume. E segui.

Quando, a muito custo, consegui chegar ao hipermercado mais próximo, sofri um misto de alívio e desespero: enfim, havia encontrado uma vaga. No entanto, um outro sujeito tinha a pretensão descabida de enfiar sua lata velha no mesmo espaço que eu avistava. E com a vantagem de ter chegado antes – afinal, eu viera a 40km/h.

Cavalheirismo, nessas horas, é coisa da vovó. Mas eu tentei. Abri meu vidro insul-filmado, joguei um sorriso meio Rachel - do Friends -, passei a mão no cabelo borgonha, suspirei. Levantei a sobrancelha, como quem diz, foi tão difícil arrumar essa vaga, que azar, ela já estava “reservada”, mas será que você não poderia...?

Não. O elemento me brindou com um esguicho de água empoçada, e, antes que eu percebesse, já estava balançando o chaveirinho na cintura, rumo à porta de entrada.

Fiquei dando mais umas voltas, até que consegui uma vaga longínqua que me fez chegar às dependências do supermercado com aparência e bufadas de quem viera a nado. Fora a raiva, que era de morder o cabo do guarda-chuva que eu não tinha.

Feitas as compras e pagas as contas, voltei para casa, sempre seguida pelo coro fiel dos anfíbios automotivos. E me pus a contabilizar as perdas de uma linda tarde de outono no Rio de Janeiro, quando obtive um consolo quase filosófico: quando perdemos, nunca estamos sozinhos.

Consolo esse que me veio da observação de um singelo rótulo: comprei um queijo vencido.

22 abril 2004

Rio

Coisas engraçadas estão mais raras na cidade onde os criminosos dispõem de arsenais bélicos muito bem escondidos, mas que vieram de algum lugar, sim. E ninguém sabe, ninguém viu. Aliás, cada vez mais: não se vê, não se ouve e mal se fala no Rio de Janeiro.

Hoje eu fui andar na rua, fez um dia lindo, e o Recreio é mesmo um privilégio. Não em segurança, que eu mesma já fui assaltada aqui em frente ao prédio. Isso foi em outubro de 98; levaram nosso carro. Mas o Recreio é um privilégio em praia, paisagem, verde, brisa. Dá vontade de comprar logo uma casa enorme com piscina, construir um estúdio na garagem e começar tudo de novo, do primeiro acorde.

Mas, como todo privilégio que se preze, o Recreio é caro. E como.


Moto

Sonhei que tinha uma moto, e olha, eu jamais teria. Não confio em nada com duas rodas e um motor. Mas, no sonho – que é lugar onde tudo pode -, sabe que foi bem legal? Eu aprendia a pilotar aquela tralha em menos de meia hora – sonho é sonho! -, e depois saía deslizando pelas ruas, subia calçadas etc. Levei uma trouxa de roupas para lavar numa lavanderia, e vibrei quando estacionei na calçada, sem ter que brigar por vaga.

Talvez eu esteja querendo ser mais ágil, e não ter que brigar por vagas.


Dica

Quem quiser visitar um fotolog recheado de imagens dos anos 80 clique aqui.

Brinquedos da época, artistas em evidência, novelas, costumes, moda... quem teve infância ou adolescência nos 80 não vai se arrepender de dar uma boa espiada!

21 abril 2004

Absurdo (substantivo masculino)
Contrário à razão e ao bom senso


Me apaixonei por um padre
Fugi da missa aos prantos
Pedi que Deus me absolvesse
Pela absurdez que era eu.

Deus ouviu minhas preces
Veio um anjo me consolar
Me apaixonei pelo anjo
Pela absurdez que era ele.

O anjo virou gente boa
Perdeu a metade do encanto
Desapaixonei em dois dias
Pela absurdez que era aquilo.

Virou uma bela geléia
Do sentimento à magia
Me apaixonei por um bruxo
Ou pela absurdez que sentia.

O bruxo fazia absurdos
Mas não me dava alegria
Desapaixonei de novo
Pela absurdez que não vinha.

Passou um louco na rua
Dizendo só porcaria
Me apaixonei pelo bobo
Pela absurdez que ele tinha.

E assim pela vida eu seguia
Contrária à razão e ao bom senso
Me apaixonava e casava
Desapaixonava e fugia.

Absurdo
(substantivo masculino)

O padre
O anjo
O bruxo
O louco.

Graças a todos eles
E ao artigo bem definido
Trago comigo a certeza:
A culpa nunca foi minha.

18 abril 2004

Da série “Mulher é Bicho Triste”

I - Atrás da perfeição

No banheiro do Barrashopping, uma mulher se olhava insistentemente no espelho. Uns trinta, trinta e poucos anos. Tipo da mulher caprichosa, alinhada; calça e blusa combinando, tudo muito verdinho. O cabelo-farmácia fazia o telhado cor de barro vermelho. Assim, falando, parece gozado, mas o todo era bem comportado. Magra e baixa, ainda.

Entrei, fiz o que eu tinha que fazer, olhei no espelho. Ela continuava naquela. Pose pra lá, pose pra cá, biquinho, mão no cabelo, sobe a calça, ajeita o decote, e tudo de novo. Estou quase saindo, ela me ataca:

- Tá legal, hein?

(Legal, o quê? Se eu estava legal? Ou ela? Ou a roupa? Ou o batom? Ou o cheiro do banheiro? Na dúvida...)

- Sim, muito legal.

- Mas eu digo a calça...

- Justamente. Muito, muito legal. A calça.

- Mas você nem viu atrás!

- Vira, então.

Virou. Até onde eu entendo de bunda de mulher, tudo certinho.

- Continua legal.

- Tem certeza?

- Tenho.

Acho que ela não se convenceu.

- Você não viu, o... o... problema? (De cantinho, cochichando).

O problema, eu já desconfiava, era de ordem psíquica. Mas não quis contrariar. Paciência:

- Que problema?

- Não viu mesmo?

- Na bunda? - arrisquei.

- Meu Deus, você viu!

- Vi nada! Só perguntei, mas não vi problema nenhum. Tem?

- Então, como é que sabia que era na bunda?

Cansei:

- Deus, eu não sabia que era na bunda! Eu não sei da sua bunda, do seu problema, eu não sei de nada! Pra mim, tá tudo jóia: bunda, calça, blusa, tudo! O que há com você, afinal? Tá menstruada? Pode ficar tranqüila que não vazou. É celulite? Imperceptível! Sua bunda me parece uma bunda bacana, normal, uma bunda quase zero km...
- Aí é que está! Você percebeu! Aí é que está!

- Onde? Onde?

- Minha bunda é... eu uso aquelas... comprei ontem, sabe? Aquelas calcinhas que já vêm com a... bunda.

Não é que a bunda era quase zerinho, mesmo? Quase ri.

- Você usa uma bunda falsa. Postiça, é isso? Mas pra quê?

- Porque eu não tenho bunda.

- Ah, não é possível. Bunda, todo mundo tem.

- Menos eu. Minha bunda é reta.

Uma mulher de trinta e poucos, quase chorando na minha frente. A bunda era reta. Eu quis consertar:

- Por outro lado, seus seios não são nada retos, são? Estou vendo que não, hein? Hein? (Risinho de incentivo, como quem elogia criança).

- Eu uso enchimento, também.

Pronto. A mulher era de osso e almofadas! Com sorte, alguma carne. Parei de arriscar; sabe lá o que ainda pode haver de mentirinha nesse corpo. Quis entender:

- Olha, se você usa enchimentos, é porque deve se sentir bem assim. Não?

- Não! Claro que não!

- E por que usa, então?

- Porque sou toda reta. (Me puxou de cantinho de novo) Ninguém em casa!

- Sim, mas agora você tratou de resolver o problema! Não ficou bacana?

- É, acho que sim, mas sinto como se eu estivesse totalmente disfarçada, sabe? Assim, camuflando os erros da natureza.

Sentei. Contou a vida toda. Separou no mês passado. Frágil. Carente. Ainda gosta do ex, que é um canalha. A mãe – uma coroa enxuta, tipo gostosona - vive dizendo que ela é uma tábua, que puxou ao pai: que é uma porta, de burro.

Judiaria. A mulher é super jeitosa! Mas não se gosta.

- Mas você é super bonita, ô...

- Fátima.

- Fátima! Lindo nome. Só tem que se sentir bem, pra ficar mais bonita ainda. E dar um fora nesse canalha de uma vez por todas! Escuta, Fátima, não é possível que você pense mesmo que o seu bem-estar é diretamente proporcional ao tamanho dos glúteos. Não, não é assim que funciona. Funciona você se sentir bem, com ou sem as almofadas - saiu! -, e levar a vida adiante. Pra frente!

Fiquei mais uns minutos, e a convenci a sair dali. Disse-me que já estava há um bom tempo, antes de eu chegar. Senti que melhorou um pouco, mas foi direto ligar pro bundão do ex-marido, com a desculpa porca de pedir que ele fosse trocar uma lâmpada no apartamento que era deles.

- Não é justo, só porque estamos separados, eu ter que trocar as lâmpadas! Não alcanço!

Fiz que concordei, já aproveitando pra me despedir e vir embora.

Divisão de tarefas. Sei.
Queria mesmo era mostrar a bunda nova.

17 abril 2004

Passagem de som no Olimpo - RJ. Setembro/2001



Essa foto foi tirada durante a passagem de som no Olimpo, no dia em que fizemos abertura pro show dos Engenheiros do Hawaii.

Resolvi postar aqui porque foi um momento super legal para mim e para a Analógica, e também para quem não me conhece poder ver como eu sou quando estou feliz.

Em tempo: esse microfone é um Sure Head Set, que eu já usava muito antes da Sandy pensar em ser popstar. Portanto, o primeiro que disser que eu "uso microfone da Sandy" estará sujeito a me ver com menos, bem menos sorriso no rosto. É um risco que se corre.
Hehe.

Outra coisa: essa "pulseira azul" que eu uso na mão direita não é uma pulseira de mal gosto, tá? É só a credencial...

Quem tirou essa foto foi o Master, com câmera de Denise Mieko Insoletrável Yamassake. Beijos!




11 abril 2004

Tive problemas com o blogger nos últimos dias... sorry.

Meus DVDs desse feriado:

Carandiru
(já foi comentado)

Como perder um homem em 10 dias
Título Original: How to Lose a Guy in 10 Days
Gênero: Comédia
Tempo de Duração: 110 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2003
Obs: Comédia romântica com Kate Hudson e Matthew McConaughey. Beeeem bonitinha e engraçadinha, vale o saco de pipoca!

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As confissões de Schmidt
Título Original: About Schmidt
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 124 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2002
Obs: Filme cuja única parte boa é a atuação de Jack Nicholson no papel principal. A idéia também é válida, mas o roteiro podia ter sido apresentada em 30 minutos.

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A última profecia
Título Original: The Mothman Prophecies
Gênero: Suspense
Tempo de Duração: 119 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2002
Obs: De todos, o que mais gostei. Ok, não chega a ser um filmão, mas vale o tempo passado. Estrelado por Richard Gere, trata-se de um daqueles filmes em que “fatos estranhos ocorrem numa cidadezinha lá não sei onde”. Pessoas vêem coisas estranhas, e têm premonições sinistras... você sabe.

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Flashdance
Título Original: Flashdance
Gênero: Musical
Tempo de Duração: 94 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 1983
Obs: Eu sei que você já viu, e eu também já vi mil vezes, afinal, o filme é um clássico dos anos 80! Mas deu vontade de ver de novo e ouvir aquela trilha sonora... para quem (por acaso) não viu: um filmezinho ingênuo e doce, musical sobre uma menina apaixonada pela dança.

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09 abril 2004

Sexta-feira da Paixão Solitária


Acordei com o tiroteio na Rocinha – calma, lendo n’O Globo! O dia foi cinzento no Rio, talvez em todos os sentidos.

Ontem eu fui à praia, estava insuperável: vazia, lá perto da pedra. Está certo, cheguei às 16h, e carioca não vai à praia em horário recomendado pelos dermatologistas... eu vou! Até porque sou gaúcha e branquela, com muito orgulho.

Uma dupla de adolescentes não me deixou ler em paz a minha revista, e assim foi ainda melhor. Duas meninas de 14, 15 anos, com aquele sotaque que só as jovens cariocas têm – salvo patéticas exceções – me divertiram por 40 minutos, enquanto eu tomava o solzinho tímido do fim da tarde.

Fiquei sabendo que uma gosta do Guto, outra treme só de pensar no Dado. Ambas vão ao show do Jota Quest – ninguém é perfeito –, e querem comprar os ingressos na área onde se pode ficar de pé.

- Porque ver o show do Jota Quest sentada, ninguém merece!!! - Concordavam.

Hoje, conforme foi dito, não deu praia. Sabe aqueles dias em que você olha pela sacada e parece que vai chover dali a cinco minutos, mas nunca chove? Foi assim.

Me deixei enganar. Nem doeu, sabe? Fiquei o dia todo atirada no sofá, assistindo DVD e alguma novela....

Enfim, uma sexta-feira da paixão solitária.

08 abril 2004

DVD: Carandiru


Vão me desculpar. Eu sei que é politicamente incorreto falar mal do cinema nacional, mas não posso deixar de expressar minha leiga, humilde e despretensiosa opinião: que abacaxi!

Peguei alguns filmes para o feriado. Um deles foi Carandiru, porque gosto de cinema nacional, apesar de tudo. Gosto, me interesso, observo, futrico, sou curiosa e cheia de boa vontade. Não saio metendo o pau de graça, não. E, de mais a mais, não tenho o olhar dos críticos.

Não saco nada de cinema. Sou movida pelo “gostômetro” – gosto mais, gosto menos, e só. Sou também, como qualquer mulher, provida de marés emocionais – o que torna qualquer afirmação minha passível de discordância, mais dia, menos dia, por parte de meus próprios botões.

Isto posto, vou lhes dizer: que abacaxi! (De novo).

Uma hora e meia de filme, o que tínhamos? Uma adaptação grosseira do livro do Dráuzio – esse, sim, vale a pena! -, feita como se fosse às pressas, para gerar logo um filme.

Sabe aqueles discos que o artista grava em cima da hora, por pressão da gravadora? O esquema de marketing já está todo pronto, a mídia devidamente engatilhada, os entrevistadores já têm suas perguntas formuladas – aquelas, que saem da assessoria de imprensa do próprio “artista”.

Ou seja: com essa mesa toda posta, o prato principal acaba sendo um mero detalhe. O que vier é lucro, chuta-se para qualquer lado e o gol é certo. E assim foi.

No caso de Carandiru, pela relevância social do tema e pelo brilhantismo do médico-autor do livro, só por isso, no mínimo, deveria ter sido dada maior atenção à obra cinematográfica. Um roteirozinho, por exemplo, não ia mal.

Sim, porque a espinha dorsal do filme simplesmente não há. Parece mais uma colcha de retalhos, com fatos e frases pinçadas do livro, numa exposição de histórias completamente sem ritmo, sem o mínimo feeling, sem nada. O que salva é, vez por outra, uma atuação satisfatória do elenco – bem escolhido, embora desperdiçado nessa aventura quase non sense, meio denúncia social, meio documentário vestido para festa.

Eu sei, ainda vou enfrentar muitos amigos me dizendo que eu não entendi nada do filme, que estou fazendo um comentário leviano e equivocado. Que venham.

Vai ser difícil entrar na minha cabeça que um filme possa ser realmente bom quando, em vez de nos questionarmos sobre o tema abordado - ou em vez de darmos boas risadas, ou de nos emocionarmos, ou de apreciarmos a arte, que seja! -, de 15 em 15 minutos nos questionamos sobre que diabos estamos fazendo parados em frente a uma tela, com cara de idiotas.

Enfim, eu diria que Carandiru- O Filme daria um ótimo livro. E deu.

07 abril 2004

Sarta um borgonha em camadas aê!


Como seria maravilhoso se assim fosse. Ao meter os cotovelos no balcão de um boteco qualquer, eu pediria:

- Sarta um borgonha em camadas aê!

E, como num passe de mágica, meu cabelo apareceria como está agora: a cor, borgonha. O corte, em camadas.

Tudo bem, nada é perfeito; o processo é um tantinho assim mais demorado. Mas nem doeu, vai. E valeu a pena, muitíssimo.

Um palmo (ou mais) da minha vida ficou na mão da generosa Márcia, que ainda perguntou se eu queria levar aquele rabo-de-cavalo – ok, de pônei! – para casa. De jeito nenhum. E o rico dinheirinho que gastei em terapia, vale o quê? Se eu não souber deixar para trás um naco de cabelo velho, pelo amor de Deus.

Dado o devido sumiço àquele punhado de fios falecidos, permiti que a Márcia deitasse e rolasse com sua tesoura em minha crina: foi aí que o visual reto/simétrico que sempre cultivei em (quase) tudo caiu do cavalo. E ganhei um cabelo em camadas, sem juros, no cartão.

Por fim, aplicaram um tonalizante borgonha no que restou. Pra quem não sabe, borgonha é um vermelho escuro, levemente puxado para o roxo. Quando bate sol, o roxo se assanha mais um pouco. É bacana.

Mas a versão do cotovelo no boteco seria imbatível, admita.
Cinema: alguém tem que ceder


Você já viu? Eu vi ontem. Comédia romântica bem legal, rende boas risadas e admiração aos atores principais – Jack Nicholson e Diane Keaton -, impagáveis nas cenas de comédia, honestos nas emotivas, sem cair na canastrice. Taí, gostei do filme.

Ok, a cena em que Erica (personagem principal) envereda numa crise de choro que acaba se transformando numa espécie de transe é, no mínimo, dispensável. Soa como “pelo amor de Deus, riam!!!”. E já estávamos rindo antes disso. Whatever.

No cinema, comigo, meia-dúzia de casais. E a solteirona aqui, única cabecinha que não aparecia com o respectivo par ao lado.

Quando saí, um consolo: uma dupla de cabecinhas que estava logo atrás de mim não era um casal, mas uma dupla de duas. Mulheres.

Se bem que, hoje em dia, não quer dizer que não fossem.


Estética e paciência

Hoje eu vou cortar o meu cabelão, que já está abaixo da cintura, e seja o que Deus quiser. Claro que não farei um corte estilo (new look) Giovana Antonelli, que tenho pavor de imaginar meu cabelo um dedinho acima dos ombros, jamais ousaria. Vamos devagar com isso.

Cortar o cabelo é coisa delicada. Ir a um salão de beleza já é complicado. Um mal necessário, eu diria.

Não sei de você, mas eu jamais me senti à vontade em meio àqueles espelhos todos, mulheres falantes, ruídos suspeitos – como o do secador de cabelos, por exemplo -, cadeiras esquisitas e velhas Caras revistas (em todos os sentidos).

O assunto geral vai de Giseles a Lumas, passando pelas vicissitudes diárias – um marido preguiçoso aqui, uma filha saliente ali, uns quilos a mais, uns reais a menos. E hoje, mais do que nunca: a babá Gecilda, que ganhou o Big Brother.

Além do básico, o acontecimento mais repetido na minha vida desde que me mudei para esta cidade maravilhosa:

- Oi, eu marquei uma horinha para cortar o...
- Seu nome?
- Não, o cabelo.
- Seu nome?
- Bibiana.
- Hein?
- Com “B” de bola. Bibiana.
- Gozado, não tô achando aqui...
- Tenta Viviana ou Viviane. Soletrei ao telefone, mas, às vezes... (sempre)
- Nadinha.
- Já sei: Fabiana. Deve ter aí, marquei para as 16h.
- Ah, correto. Achei. Desculpe, Fabiana, eu...
- Bibiana.
- Hein?
- Com “B” de bola. Bibiana.

E então vem a clássica:

- Seu nome é esse mesmo?

Minha resposta de sempre, com um sorrisinho: “Sim”.
Comentário dela: “Nossa, que diferente...”.
Minha vontade de responder:

a) Não. Bibiana é o nome do meu marido, eu me chamo João.

b) Nada! Estou fazendo uma pesquisa para melhorar o áudio na telefonia, por isso soletro esse nome e depois venho conferir se ouviram certo. Raramente conseguem ouvir. Não é um absurdo? Prazer, eu sou Maria, melhorando o áudio na telefonia.

c) Não, Bibiana é um nome falso, porque sou procurada pelo FBI, tal como nos filmes. Meu crime? Chacinas em salões de beleza. Acertou: o que eu tenho aqui dentro não é um violão.

Escolha a sua preferida, ainda dá tempo.

06 abril 2004

As sobras


Viva a intensidade de cada momento. Viva cada dia como se fosse o último. Viva agora, já.

Se me permitem a ousadia: um pouco a gente vive no ato, outro pouco deixa pra depois. É assim, assim sempre foi, e assim será. E que nos perdoem os livros de auto-ajuda e os consultores de felicidade.

Ninguém sabe dar de si a quantia exata do que seria o “ideal” para aquele momento. Do contrário não haveria os nadadores – que, não podendo encurtar o caminho a percorrer, tentam espremer o instante, e insistem nessa auto-superação ad infinitum.

É o jeito. Fazer planos, criar expectativas, esperar. A última que morre vem daí; esperança tem quem espera. Embora se saiba que a única certeza é a morte, a verdade é esta: ninguém sequer cogita o próprio fim – porque somos humanos, falíveis e, graças a Deus, bastante tolos.

Todas as vezes que estive num momento importante, apenas me virei como pude. Para conter as lágrimas, para não querer engolir alguém de alegria, ou mesmo tentando “aproveitar ao máximo”: tão somente me virei, dei meu jeito. E passou.

Depois fiquei revivendo o recém-ocorrido, com a quantia que sobrou de mim naquele ato. E digo mais: às vezes o que sobra na panela, remexido, requentado, é ainda melhor que o próprio almoço servido ao meio-dia. Tem o gostinho do nosso aprendizado, o tempero de alguma fantasia, uma ou outra frase acrescida de última hora – mesmo que não a tenhamos dito antes, mas caberia muito bem ali, que mal há? Pode vir com alguma saudade (condimento capaz de transformar o trivial em banquete).

Tudo isso é graças à capacidade que temos de burlar o instante, e levar pela vida algumas sobras de nós mesmos. Aquilo que não foi totalmente usado naquele momento, e que, apertando um pouquinho ali perto da tampa, ainda sai.

Ou alguém pode dizer que não sentiu o mesmo arrepio quando ouviu no rádio a música de ontem à noite?

Sem querer fazer um elogio ao ficar-esperando-sentado, ou ao famoso “quando eu me aposentar, serei feliz”, nada disso. Apenas poderíamos nos livrar um pouco dessa obrigação de ir a todas as festas, estar em todos os lugares, ler todos os cadernos de todos os jornais de todos os dias, seguir todas as tendências, e ainda meditar para ficar (acredite!) zen.

Sei que é difícil; que a roda não pára e, às vezes, ameaça passar por cima. Ainda assim, insisto nas sobras. São aquelas respiradas, as pausas, uma ou outra bobeada: os momentos em que “saímos” do momento. Ali, nos guardamos um bocadinho para depois. São elas, as sobras, que nos permitem passar pela vida e observar, refletir, contemplar. Não só correr, fazer, passar.

E, se nada disso lhe parecer convincente: são elas que nos permitem ser jovem aos 80.

04 abril 2004

Rapidinho, enquanto o frango termina de descongelar

Estou melhorando da coluna. Também, já fiz cinco sessões de RPG! Quando parecia que o inferno nunca ia terminar, enfim, saí animada da última sessão. Parece que as dores estão mesmo diminuindo. Não tá morto quem peleja.

DVD

Sex and the City – Divertidíssimo! Assisti aos episódios com a participação da Sônia Braga. Só não entendi por que ela fala português de Portugal, se a personagem é uma artista plástica brasileira.

A isca perfeita (“Birthday Girl”, com Nicole Kidman e Ben Chaplin) – a história se arrasta durante os primeiros 40 minutos, depois melhora e acaba. Filmezinho para passar o tempo, só.

Chocolate com Pimenta

Quando é que os produtores de elenco da Globo vão se dignar a colocar a (lindíssima) Mariana Ximenez no único papel em que ela realmente arrebenta - o papel fotográfico?

Da cor do Pecado

Impressão minha, ou eles estão mesmo queimando cartuchos valiosíssimos – como Vanessa Gerbelli, Francisco Cuoco e Matheus Nachtergaele numa caricata fórmula de sobrenaturalice pastelão, batida e sem graça nenhuma?

Pai Helinho, quanta criatividade...

Celebridade

Enfim, uma novela que dá para assistir do início ao fim. Com escorregadas, claro, que ninguém é de ferro.

Volta e meia, parece que a trama dá uma rebolada e sai dos eixos. Depois volta, mas esquece alguns pedaços.

A Laura, por exemplo, não tinha decidido conquistar o Fernando? Nunca mais falou no assunto... e olha que não se pode dizer que é uma moça que desiste fácil das coisas!

01 abril 2004

Reprise


Dirty Dancing




Quando o Patrick Swayze me olhou com aqueles olhos de quem sabe alguma coisa que a gente não sabe, achei que nunca mais seria a mesma. Enganei-me: estava era começando a descobrir a pontinha do topete das anteninhas do iceberg daquilo que, ora bolas, já nasci sendo: uma mulher comum, fruto da flor que me pariu na primavera de 77.

Uma guria que usou Havaianas no tempo em que ainda não era moda. Uma fedelha que jogava futebol de botão e brincava de Playmobil com o irmão, enfim, uma seja-lá-quem-fosse, apenas e orgulhosamente qualquer mulher, como você e as outras – e até aquelas, ainda outras.

Patrick foi um amor fugaz, admito. Nem cheguei a colecionar meia-dúzia de fotos da revista Capricho. O que mais me abalou naquele verão que não era meu, com aquelas danças que não eram minhas, foi o sopro que veio junto com She’s like the wind.

Aaaah! Esse, sim, era de todas nós.

Dirty Dancing, um filme bobinho e comercial - com uma trilha sonora, ora melosa, ora dançante, com atores tecendo a história munidos de expressão corporal, coreografias e algum carisma. Só.

Não para nós, quaisquer meninas da época. Para nós era o clima: um sopro entorpecente que nos tirava de onde quer que estivéssemos e nos punha dentro de um lago, nos braços de Mr. Swayze, ao primeiro acorde de She’s like the wind.

Outros Patricks vieram, noutros lagos mergulhamos – em muitos, nos afogamos. Tivemos que endurecer um tanto, em respeito aos sutiãs que nossas mães queimaram, ou por necessidade mesmo.

Algumas de nós estão por aí, cravejadas de piercings e com o cabelo vermelho espetado para assustar o Patrick mais ortodoxo. Outras, mais contidas, enfiadas em suas teses de mestrado ou num chat de namoro. Somos meio antenadas, meio fashion, meio siliconadas. Algumas estão casadas com eles; outras, com elas – aquelas, que também somos nós.

Muitas de nós estão atarefadas demais para pensar no Patrick de suas vidas. Preferem o sexo sem compromisso, doses de caipiroska e anos de análise.

Mesmo assim eu duvido que, na calada da noite, alguma de nós ainda não tenha sido atropelada pelo furacão em que aquele humilde sopro é capaz de se transformar – passados 15, 20 anos.

Bobagem de amor romântico, dirão as mais céticas. Tanto faz. Eu prefiro chamar de sopro – ou vento, ou furacão. Um bocadinho de ar que assume a dimensão que damos a ele, mas se movimenta à nossa revelia.

E te digo mais: sou do time que ainda acha que um sopro a mais não faz mal.

28 março 2004

Curtas de um domingo longo


New links

Por acaso as minhas leitoras já conferiram as novidades da lista de links (ao lado)? Para quem não tem absolutamente NADA a fazer, vale o link “plástico de bolha”. Inventam de um tudo, não? Ligue as caixinhas de som e brinque de estourar as bolhas virtuais – ploc! ploc! -, além de se divertir com as mensagens inusitadas (em inglês) que aparecem na tela vez por outra.

Outra pérola anti-tédio é a “bonequinha de papel”. Lembram? Quem foi guria nos anos 80 não deixou escapar uma revistinha dessas, que vinham com a bonequinha de papel para recortar e as roupinhas para ir trocando indefinidamente. Pois, agora, eis a moçoila peladona e suas vestes virtuais – em vez da tesoura, use o mouse. Ainda bem que eu avisei, né?

Na lista de blogs, o primeiro da fila é o da minha cunhada – está atualizadíssimo e de roupinha nova! Beleza Mundana, lindo, lindo.


Ídolo

Meu ídolo da hora (como se vê, mudei pouco desde os 16 anos) é o escritor gaúcho Sérgio Faraco. Comprei um livro de bolso no aeroporto de Florianópolis há dois anos – Melissa: favor não reavivar o episódio, não vamos começar tudo outra vez! -, chama-se “Viva o Alegrete – Histórias da Fronteira”. São contos impecáveis e impagáveis, escritos com classe, humor gaúcho-irônico e muita propriedade.

Agora ando atrás dos outros livros dele – que, aliás, eu já deveria ter lido há muito tempo. Deve ser um melhor que o outro.


Prato do dia: lasanha da cunhada ao molho misterioso.

Estupenda. Magnífica. Suculenta. Picante e suave no ponto certo. Macia, belíssima, enfim: um atentado à boa forma que vem em camadas - e vai em comidas.

Nunca fiz uma lasanha na minha vida. Mal sei do que é feita essa iguaria tentadora, e nem quero saber, Deus me livre de entrar em contato com essas coisas perigosas. As poucas que comi (sem ser de microondas) foram de minha vó Maria, meu pai ou alguma cunhada. Lasanha de cunhada é o que há, devo admitir.

Das poucas qualidades que uma cunhada pode ter (hahahahahahahah!!), fazer lasanha é, sem dúvida, a principal. Lavando a louça depois, então, é quase para abençoar o casório. Eu disse quase.

Acordei com meu irmão cara-de-pau anunciando que fizera uma lasanha. Sei. Obviamente, tratava-se de uma pré-comunhão de bens culinários: meu irmão não faz mais que um churrasco delicioso, obrigação de qualquer gaúcho que se preze, e talvez um miojo com ovo nas horas de desespero. Tinha sido ela, que se calava, num momento de modéstia repentina.

Fingindo acreditar naquela lorota de quinta, fui provar o grude. Qual não foi minha surpresa ao constatar: a lasanha era um escândalo de boa.

Ainda falsamente crédula, fiz o que qualquer leigo faria: perguntei ao suposto autor da obra de que era feito aquele molho vermelho.

- Isso aí? Isso aí é simples. Pega a galinha, taca no liquidificador com uma lata de Pomarola e bate tudo junto.

- Galinha crua??? – duvidei.

- Calma! Bateu tudo? Então põe na panela e ferve. Tudo tem de ferver, pra tirar as bactérias.

- Sei. E o molho branco?

- Branco? É requeijão com maionese light. Põe no liquidificador, bate tudo e depois...

- Depois joga na panela e ferve.

- Isso! Ferve bem.


Depois da receita apurada e detalhada, convido a todos vocês para experimentarem a minha primeira lasanha, no próximo fim de semana.

Quem vem?

27 março 2004

Faz 10 anos, eu tinha um Uno vermelho...


Hoje me dei conta: já faz dez anos. Que absurdo as coisas fazerem dez anos na vida da gente. Faz dez anos que eu tinha um Uno vermelho, e entrava para a faculdade (que ainda não terminei, diga-se de passagem). Uma década.

São Leopoldo, minha eterna paixão em forma de cidade, era muito maior. Pra mim, claro - que estava no meio de uma adolescência tão cheia de buscas, tão sonhadora, tão arrasadora e tão alegre ao mesmo tempo. Parecia que era o começo de tudo: faculdade de jornalismo, viajar com uma banda pelo interior do estado, aulas de baixo.

Nunca me esqueço de algumas fichas que caíram há dez anos. Comprei a Zero Hora, entrei na Unisinos com meu Uno vermelho, fui até uma cantina e pedi um café preto. Coloquei os óculos (que usava raramente, mas era uma necessidade, naquele momento, mais estética que oftalmológica), abri o jornal e, ploft!, caiu: Sou uma universitária.

Outra ficha caiu no dia em que meu Uno estava ausente (emprestei a alguém, ou estragou, não lembro), e eu tinha ensaio marcado num estúdio no centro da cidade. Fui a pé, levando o baixo na mão. Ploft! Sou musicista, quero viver disso aqui.

Impressionante como, com 16 anos, temos certeza absoluta de tudo. Somos amigos de infância de pessoas que conhecemos ontem. Somos fãs de carteirinha de um artista que fez um único show na vida – e não vimos, só ouvimos falar. Queremos ficar junto de alguém até que a morte nos separe – e morremos de 15 em 15 dias, mais ou menos. Que ninguém é de ferro, nem mesmo no alto de seus 16 anos.

Nossas certezas são como rojões na virada do ano – fortes, vibrantes, ai de quem ousar questioná-las. Passada aquela noite, porém, podemos virar a casaca tranqüilamente, como se nada tivesse acontecido. E ainda dizemos: sou gremista desde criancinha!

Por falar nisso, também há dez anos eu fiz um show com uma camiseta do Grêmio (meu irmão/guitarrista vestiu a do Internacional, combinamos a brincadeira). Desci do palco e um colega de escola me puxou o cabelo: “Tá doida? Vai tirar isso! O show está ótimo, mas tá na hora de você se vestir de mulher nos shows!”.

Ploft! Sou mulher.

E foi como recém-mulher que comecei a namorar um guitarrista cabeludo, sensível, um tanto maluco. Segundo meus pais, feio que era um raio. Segundo minhas amigas, tinha lá seu estilo. Segundo eu? Nada disso importava: parecia que ele tinha saído de um filme dos anos 70, calça jeans desbotada, cabelão de samambaia, magro de parecer que ia quebrar, e pronto. Meu ídolo.

Idolatria definitiva, dessas que duram pouco mais de dois meses. Rompi com o sujeito, que se encarregou de se tornar inesquecível: armou um barraco, jurou ser menos ciumento, e mandou flores no dia seguinte, com um pedido de desculpas.

Tudo em vão, claro. Eu já estava sofria pelo próximo homem da minha vida – cujo nome não lembro; esse devia ser avesso a barracos e flores.

Tudo ia muito bem, dez anos atrás, até que dez anos se passaram. Rápida e cruelmente, assim, do nada.

Ploft! Sou uma pré-balzaquiana solteira no Rio de Janeiro, sem Uno vermelho, sem rojões e sem flores. Minha voz ficou mais grave, meu baixo ganhou uma corda a mais; no mais, tudo igual.

Exceto pelo tempo, que passa mais rápido à medida que passamos por ele. Uma sacanagem cronológica, com toda certeza, que nos obriga a armar uns barracos vez por outra – pra mó di pontuar a vida com algum sabor que não seja o trivial.

26 março 2004

Diagnóstico: hérnia de disco. E só!


Logo eu, que mal tenho um disco gravado – ainda não lançado -, agora arrumei uma hérnia no disco. Acreditem, deu no resultado da ressonância.

Querem saber? Estou é de saco cheio dessa minha coluna mal projetada (teria sido obra do nosso amigo Sérgio Naya?). Faz um mês que estou nesta condição ingrata, dói, senta, dói, levanta, estende, comprime, respira... estou quase solicitando às autoridades minha auto-implosão. Quem sabe, reduzindo minhas vértebras a pó, eu possa me livrar mais rápido desse tormento fisioterápico.

(Cara de choro).

Falar em saco cheio, descobri finalmente que tenho um. Saco, sim senhoras. Diz no laudo da ressonância: “Pequena protrusão discal focal póstero-mediana de L5-S1, provocando leve endentação na face ventral do saco dural.”

Meu irmão e eu, dois ignorantes completos, tentando decifrar o laudo – antes de mostrá-lo ao médico, claro:

Eu: Olha aqui... rapáááiz, olha isso...

Ele: Saco? Que saco?

Eu (orgulhosa): Tá aqui, ué. Saco, sim senhor. E mais: saco dural! Tá pensando o quê? É mole não! Saco du-ral! Te mete!

Ele (invejoso): Não pode. Isso tá errado.

Eu: Errado, nada! Saiu na ressonância, é fato.

Ele: Quem diria...

Eu: É, Freud que se morda na tumba... eu também tenho o meu! E, se eu tenho, todas nós temos!!!

Ele: Tu vê...

Eu: Só não entendi isso aqui: “...provocando leve endentação na face ventral do saco dural.” Como assim?

Ele (solícito): Xiiii... não sei. Mas, vai por mim: qualquer coisa esmagando o saco - ainda mais esse teu aí, que é dural! - deve doer pra cacete! Sem trocadilho.

Eu: Agora você entende a minha dor! Finalmente!

Ele (respeitoso): Ô!


Pena que o mistério não durou dois dias.

Minha fisioterapeuta: Aah! Isso é só o nome que se dá à membrana que envolve a medula...

Alarme falso.

Eu, com isso, suspendo as buscas . Afinal, onde não há saco, não há... você sabe.

20 março 2004

Guapo Loko

Fui conhecer o restaurante mexicano Guapo Loko da Barra. Afora o taco (espécie de pastel crocante, aberto, bem recheado, delicioso) e a decoração (doida e legal), o resto difere pouco de um restaurante/boate desses que pululam pela zona sul e quejandos.

Está certo, havia aquelas moças malucas, as “tequileiras”, jogando tequila pura na boca dos viventes que se atrevessem, munidas de um apito estridente - que sopravam, a plenos pulmões, enquanto sacudiam a cabeça da vítima. Divertido, embora um pouco assustador e barulhento.

Para quem não é de tequila e apitos, a long neck (só Miller ou Sol) custa atrevidos R$ 4,00.

Comemos, e fugimos logo. Das moças e dos preços.


Pérola

De um amigo que trabalha numa dessas entidades de serviço social, ao comentar sobre a parte mais chata do trabalho: as reuniões com os políticos locais.

- Impressionante como eles conseguem gastar horas do (meu!) tempo discorrendo sobre inutilidades, considerações que nos servirão para absolutamente nada. Generalidades desconexas, discursos vazios sobre relacionamentos ótimos com fulanos e mais fulanos, e tome cafezinho tarde adentro!

Quando perguntei, afinal, para que serviam as tais reuniões, resumiu bem:

- No fim, é para o seguinte: eles mandam cortar as árvores da nossa fachada, e nós lhes damos convites cortesia para os shows e teatros. Ponto.

Fosse ele o condutor dessas reuniões, na certa não levariam cinco minutos.


Gerando gerúndios

Ouvindo Kleiton & Kledir, aproveitando a trégua do calorão carioca, revendo antigos sonhos, deletando umas convicções, aprimorando outras, esquecendo de me sentir triste (faz tempo), recuperando a coluna e a aura, alimentando alguns planos, desnutrindo outros, rabiscando os versos, arranhando as cordas, tocando e cantando e seguindo as canções, e, sobretudo e incessantemente, procurando a pá do lixo - que a faxineira escondeu não sei onde.

17 março 2004

Pelos tubos!


Ressonância magnética da coluna vertebral.
Segmento: lombar.
Data: 16/03, às 21h.


- Senhora Fab... Bab... Bibiana, por gentileza. Por aqui, senhora.
- Pois não (desconfiada. Era a terceira ou quarta pessoa que gaguejava e chamava o meu nome em menos de vinte minutos. Tudo em vão.)
- Seu vestiário, senhora. É por aqui.
- Sei.
- Um minuto. Pode esperar aí dentro, que eu já vou trazer sua roupinha.

Roupinha? Quem esse médico pensa que é? Olha o meu tamanho! Roupinha?

- Aqui está. Pode vestir o roupão, a abertura é para frente. Fique de calcinha, mas sem sutiã. E tire os metais que tiver pelo corpo. O médico já virá falar com a senhora.

O médico virá? E quem é esse cara de branco, então?

Ah, claro: nas clínicas médicas, os médicos são sempre os últimos a falar conosco. É como no mundo do showbiz, sendo que, aqui, o médico é o artista.

Antes dele, há dúzias de pessoas fingindo ajudar, mas que, na verdade, estão é escoltando – ainda que elegantemente – o “artista”. “Posso ajudar?” “Pois não, senhora?” “Por aqui, por favor.” “Tire a roupa.” “Fique só de calcinha.” – tudo são subterfúgios utilizados para que não perturbemos o doutor-artista antes da hora certa: a última.

- Boa noite, moça!

Aquele era o médico. Só pela cara de quem tinha recém saído do camarim. Roupinha enxuta, engomada, sorriso de cabide.
Eu, em desvantagem: só de calcinha, sim, mas com um envelope branco – que eles chamam de roupão – por cima. E só de meias. (Eles fazem a gente se sentir a última das mulheres, acho que é de propósito).

- Oi, doutor.
- Então, o que houve?

Explico o problema. Em 30 segundos, ele se vai. Para todo o sempre – como os artistas. Fica só o perfume.
Volta o moço que me orientou sobre a calcinha:

- Senhora, tranque seu vestiário e traga a chave.

Lá vou eu, devidamente envelopada.

- Deite-se aqui, de barriga para cima. Vou te dar uma campainha na mão. Se você precisar, é só apertar que eu tiro.
- Tira o quê??? De onde?? (Apavorada).
- Tiro você. Do tubo. Você tem fobia?
- Não sei, vamos descobrir juntos. (Ele ri amarelo).
- Olha só. Vou apertar um botãozinho, e você vai entrar naquele tubo.
- Ali eu não caibo...
- Cabe, sim (impaciente). É melhor que não se mexa. Respire calmamente, sim?
- Quanto tempo eu vou ficar entubada?
- Uns 25 minutos, isso se a senhora me ajudar.
- Vin-te-e-cin-co-mi-nu-tos?
- Sim. Não se preocupe, tudo vai correr bem. Qualquer coisa de que precisar...

Nisso, eu já ia adentrando o tubo do moço, sem muito poder de argumentação. Suspirei.

- Evite suspirar.
- Desculpe, não está mais aqui quem...
- A partir de agora, não se mova, não fale, não suspire. Apenas respire calmamente.

Essa gente é engraçada. Primeiro, testam a paciência da pessoa, chamando para mil perguntas, fichas e assinaturas. Depois, humilham, ordenando: “por aqui”, “por ali”, “só de calcinha” etc. Envelope branco. Médico relâmpago. Finalmente, colocam a pessoa num tubo estreito, ouvindo estalos e ruídos mil, e proíbem qualquer movimento ou atitude característica de um ser vivo.

E tome meia hora lá dentro, fazendo e refazendo mentalmente a lista de compras da semana, contando os estalos, imaginando que se está numa rave ouvindo música eletrônica – tomando o devido cuidado para não xingar o DJ, senão a respiração se altera!

(Meia hora depois)

- Prontinho, senhora!
- Graças a Deus...
- Foi muito ruim?
- Por quê? Foi bom pra você?
- Bom, o exame ficou ótimo. A senhora se manteve calma, o tempo que utilizamos foi o mínimo necessário, e...

- Eu sei, já me disseram: eu fotografo muito bem.

15 março 2004

Estou absolutamente com ela:

“Não gosto muito de homens que pagam uma nota pra cortar o cabelo. Gosto de homens que pagam 5 reais, acho muito masculino e tal.”


DVD



Deixe-me viver (título original: White oleander)

Baseado num romance de Janet Fitch. Drama americano de 2002. Com Michelle Pfeiffer, Alison Lohman e outros.

Sinceramente? Era para ser um drama daqueles de mãe-e-filha, com relações doentias, competição e muito lixo emocional. Na minha opinião é fraco, e carece da síndrome do “baseado-em-livro-que-perdeu-uma-boa-oportunidade-de-ficar-quieto”.

Não sei o que esses produtores e diretores de cinema têm na cabeça, de achar que contratar uma estrela para o papel principal vai lhes salvar de todo ridículo que é forçar uma história que nasceu para ser contada de outra forma. Ou, pelo menos, de forma melhor que a que lhes ocorre na veneta.

Pra mim, ficou apenas o lixo emocional e algumas boas cenas (contadas nos dedos).

Mas eu sou suspeita. Não suporto filme em que um personagem atira em outro só porque não vai com a cara dele, ou porque desconfia de alguma coisa, ou porque está de pileque. Acho que a gente merece um pouco mais do que acordar com o barulho do tiro, e pensar:

- Ué! Será que eu perdi alguma coisa?

A resposta é sempre a mesma: perdeu. Tempo.

12 março 2004

Pingos d’euzinha


Saquê: fim do mistério

Tanto fiz, que consegui. Meu irmão e minha cunhada, leitores assíduos deste blog, não resistiram aos meus apelos (in)diretos: numa passadinha pelo supermercado, passaram a mão numa garrafinha de saquê e me deram de presente. Está certo que tinha pouco mais de 200ml (sagitariana gosta de tudo exagerado, hehe!), mas matou minha curiosidade: até que é bom, tem um gostinho suave. Um pouco enjoativo, talvez.
Pensando bem, que bom que eram só 200ml!

Saúde “como um todo”

Ando almoçando bife de soja, arroz com brócolis, espinafre, peixe grelhado, grão-de-bico, feijão branco... essas delícias naturebas de que gosto. É que arrumei uma empresa de comida congelada que entrega em casa – claro que eu não faço todo esse cardápio, digamos, sozinha comigo mesma! Tem quebrado o maior galho, sobretudo nesses dias em que a coluna não ajuda. Com tanto exercício fisioterápico, correção postural e outras atitudes, digamos, politicamente corretas, a gente acaba pensando um pouco em saúde “como um todo”. Deve ser o tal lado bom da cousa.

TVzeira

É claro que eu ando acompanhando, diariamente, toda a vasta programação que a nossa riquíssima TV aberta nos proporciona. Virei uma TVzeira assumida. Quer saber quem está pegando quem no BBB, quais são os entrevistados do Sem Censura, quantos tostões faltam para a Maria Clara ter que ir vender sanduíches na praia? Pergunte à tia Bíbi. Sem falar no caso Luma, claro!

Baranga, não!

Acreditem. Semana passada, mal podendo me levantar da cama de tanta dor, inventei de passar autobronzeador neste corpitcho desbotado. Quando dei por mim, estava me contorcendo na cama, mais parecia um polvo cheio de braços, no afã de espalhar bem o produto pelas costas (senão fica manchado). Pasmem: obtive êxito! Tanto foi, que já fiz uso desse cosmético milagroso outras vezes – o que tem me permitido manter a peruice, ainda que debilitada fisicamente. Hoje foi a vez da máscara de pepino (Avon, cheirosérrima!) no rosto. Quebrada, sim. Baranga, não!
P.s.: Minha mãe diria: “Filhota, autobronzeador a gente até usa, mas jamais confessa! Que graça?”. Mas eu sou muito confessional, acho mais graça no contar que no fazer. Hoho.


Pessoas que sofrem

Gianechinni sofre de beleza indestrutível (por mais que queira se enfeiar, não consegue).

Clodovil sofre de não dizer nada com nada, em tempo integral, ainda que pareça se esforçar e acreditar – inacreditavelmente! – no que (não?) diz.

Cauã Raymond (o eterno Mau-Mau de Malhação) sofre de ter escolhido a profissão errada, e corre sério risco de ser um eterno um mau-mau-ator – aqui, sofro eu de trocadilho infame!

Gilberto Barros (o “Leão”) sofre de ser o sujeito mais canastrão do horário nobre.

Malu Mader sofre de ser a perfeição em forma de mulher. O interessante é que conheço mais mulheres que concordam com esta sentença do que homens, o que confirma a minha tese: homens não entendem nada de mulheres inteiras; apenas amam esquartejadamente suas “deusas”: picanha de uma, maminha de outra, coxão de dentro, e assim por diante.

Marcos Palmeira sofre de não ser nem um pouco bonito, mas, inexplicavelmente, exalar sensualidade. Deveriam lhe colar um adesivo na testa: “150% Charme”.

Luís Fernando Verissimo sofre de ser o único escritor brasileiro com cara de jazz: você olha a cara dele, e não entende absolutamente nada. É a coisa mais fofa que há. E ainda toca sax (jazz, é claro!).


Reflexão do dia: não há o que não haja...

11 março 2004

COLUNA DO MEIO


Oi, pessoas. Sim, ainda estou lutando contra esse problema na coluna que me surpreendeu há algumas semanas, e tem me deixado num tédio sem tamanho. Hoje é o primeiro dia em que consigo ficar alguns minutos sentada em frente ao micro. Os exercícios de RPG têm me ajudado muito.

Para quem não sabe, RPG (Reeducação Postural Global) é uma fisioterapia feita em cima de uma maca – ou num banquinho, às vezes -, em que você fica alongando e buscando fortalecer a musculatura nas partes mais críticas, digamos assim, que é onde se concentra o problema. O meu problema é na lombar, ou seja, tenho achatamento de disco na base da coluna. Mais do que isso: o meu disco da base simplesmente não existe mais. Desidratou, escafedeu-se.

O tal disco é uma rodinha gelatinosa que temos entre as vértebras. Em não havendo disco, uma vértebra fica encostando-se à outra, o que provoca uma compressão no nervo ciático, causando uma dor absurda que se estende pela perna – no meu caso, a esquerda.

Agora eu tenho que esticar, esticar e esticar a coluna vertebral, além de criar uma musculatura que sustente esse “esticamento”. Só assim, segundo a fisioterapeuta, o nervo vai se sentir mais à vontade e parar de doer.

Todos dizem que eu tenho que ter muita paciência, e só agora me dou conta do quanto sou afobada, logo eu, que criticava os afobados do mundo. Não agüento mais essa situação. E também não agüento mais ouvir amigos, parentes e médicos dizerem que eu sou muito nova para ter esse tipo de problema – portanto, se alguém for comentar o post, poupe-me dessa pérola. Só faz a pessoa se sentir mais acabada, derrubada (e a auto-estima de alguém debilitado fisicamente já não é lá essas coisas, lembrem-se disso).

Agora vou me deitar (mais) um pouco, que não posso abusar da cadeira. Beijos.

P.S.: Se quiserem me enviar livros velhos, catálogos de cosméticos, gibis da Mônica, revistas de fofocas de 1990 com fotos do Humberto Martins (para verem como estou topando tudo mes-mo!), vou adorar. Ler na cama é dos meus principais passatempos.

03 março 2004

LESÃO

01 escoliose +
01 lordose +
horas a fio em frente ao micro +
má postura...

= 01 lesão por "achatamento" (sumiço) de disco na base da coluna vertebral +
01 dor insuportável no nervo ciático +
01 impossibilidade de andar/sentar/levantar/abaixar +
R.P.G e remédios.

:o(

Sorry, leitores... estou dodói.
Até breve.

29 fevereiro 2004

Da série “nunca vi, nem comi, eu só ouço falar”:

1. Homem de corpo super-hiper-malhado, cujo papo não dê vontade de SUMIR em dois minutos.

2. O tal “nhoque da fortuna”. (???)

3. Magro bebendo refrigerante diet.

4. Saquê.

5. Pobre dizendo que se deu conta de que “dinheiro não é tudo na vida”.

6. Porteiro “carioca” que não seja nordestino.

7. Gaúcho que não seja bairrista.

8. Homossexual careca, rico e quarentão que não seja arrogante.

9. Evangélico, Flamenguista e Beatlemaníaco que não seja fanático.

10. Caviar.
Como gaúcha e admiradora – mais: apaixonada! – dos homens gaúchos, devo admitir que reafirmei minha antipatia pelo carnavalesco Milton Cunha (São Clemente, para quem não sabe) quando ele quis criar uma ala chamada “os viadinhos de Pelotas” no seu desfile.

Hoje, no Globo, ele diz que “deve ter sido praga de Pelotas” (o fato da escola dele ter sido rebaixada neste carnaval). Quer saber?
BEM-FEI-TO.
Um broto zelando pelos seus...



... que maravilha seria viver!

26 fevereiro 2004

CD “Para Sempre Clara” – Clara Nunes, na Saraiva: R$ 13,90.

CD “Diamond Life” – Sade, na Saraiva: R$ 12,90.

Tomar café com leite no meu home-office, pleno Rio de Janeiro em fevereiro, chuvinha lá fora e as pessoas vestindo moletom: não tem preço.

Existem coisas que o dinheiro não compra. Para todas as outras, existem planilhas orçamentárias, apresentação de projetos, cálculos de borderô, planos de comunicação e marketing, assessoria de imprensa, e o mais difícil (sem o qual não adianta Mastercard): o patrocinador.

Pena que o Lineu morreu.

25 fevereiro 2004

Nem Freud, nem Prozac


Defensor da "medicina integral" ("mind-body medicine"), a "nova medicina emocional", Servan-Schreiber baseou suas pesquisas nas teorias de Damásio sobre a divisão do cérebro em duas partes: a cognitiva —relacionada à linguagem— e a emocional —responsável pelo controle da fisiologia do corpo (ritmo cardíaco, tensão arterial, apetite, sono, libido e sistema imunológico).

Para combater de forma mais eficaz o estresse, a depressão e a ansiedade, três conhecidos males dos tempos modernos, ele descarta os ensinamentos de Freud ou Jung e as proezas químicas do celebrado Prozac e de seus sucessores. Seu receituário propõe sete métodos testados por cinco anos no Centro de Medicina Complementar. Os métodos naturais que sugere, a maioria conhecida há muito tempo, não podem ser definidos como revolucionários, como ele mesmo admite. Na sua opinião, o repentino sucesso obtido pela sua "cartilha" se deve ao fato de as técnicas propostas terem, cada vez mais, sua eficácia comprovada de forma científica.

Saiba muito mais.

24 fevereiro 2004

Caí na folia


Eu me rendi e caí na folia, é isso mesmo. Fui ao baile de carnaval do Scala, um dos tradicionais do Rio, e agora vem o pior: a-do-rei.

Tem alguns momentos em que a gente precisa esquecer as coisas sérias da vida, não tem jeito. Entrar naquele salão e dar de cara com uma decoração coloridérrima já é um bom começo. Depois tem o samba, muito bem feito por uma banda enorme e animada, que também colabora na sensação de que se está em algum outro lugar que não a realidade nossa de cada dia. É legal, sim.

As fantasias são um atrativo à parte. Não só as vestimentas, mas sobretudo as “sentimentas”. É a gente se sentir uma outra coisa, diferente do que a gente é. Uns se esforçam mais, é claro.

Tinha mulheres de 50 anos que se sentiam (e vestiam) de 15. Tinha homens maquiados, gringos mascarados, turistas branquelos esforçados, coroas babões, garotões bêbados desequilibrados (em todos os sentidos), mulatas rebolativas provocantes, loiras popozudas, magricelas vestidas de enfermeiras, e o melhor de tudo: travestis de dois metros de altura tecendo filosofias sexuais no banheiro feminino. E pedindo opinião a cada uma que entrasse!

- VIVA AS LOIRAAAAAA !!! – Gritava um(a), enquanto ajeitava o decote (para aparecer mais, não menos.)

- VIVA AS MORENAAAAAAAA!!! – Provocava outro(a), às gargalhadas. E completava:

“Ih, bicha, cê tá por fora... tá mais que provado: é c’as loira que eles saem pra zoar, mas é c’as morena que eles casam, tá bom??”.

E a loura ria de se escabelar, na certa preocupadíssima com a tese da outra... medo de ficar pra titio(a)?

Minha cunhada foi fantasiada de ZEN novamente, ou seja, “zen nada”. Que injustiça eu estou fazendo: havia purpurina!

Nos meus primeiros momentos de folia, veio um rapaz me fazer a corte. Ele, por sua vez, já devia estar há muitos momentos na farra, pois mal tinha coordenação para segurar o copo. Mirou-me à distância, e percorreu o trajeto como pôde:

- Oi, gata! Posso levar uma idéia contigo???

Não pensei duas vezes, mandei a idéia:

- Excuse me!? Are you American?

- Hein? Ô, gata, será que a gente podia...

- Sorry, man! I don’t... do you speak English?

- Não, não... no! No! Eu sou BRASILEIRO! BRA-SIL! (Como quem trata gringo como se fosse surdo, gesticulando e falando cada vez mais alto, apavorado).

E minha cunhada sentiu o pepino, deu um corridão nele, mas veio me perguntar se o cara era gringo (me ouviu falando inglês)... contei a ela que a “gringa” era eu, hehe.

É ou não é uma boa dica para se livrar dos chatos? Aqui no Rio, pelo menos, cola certinho. Sou mais branca que a maioria, e a cidade vive cheia de turistas mesmo. O cara deve ter saído chateado: “que gringa maluca, depois o bêbado sou eu...”.

Bom, hoje é terça-feira gorda, mas eu vou ficar em casa me recuperando. Que um baile já está mais que bom para uma foliã iniciante, ainda por cima americana como eu.

23 fevereiro 2004

Carnabalito e coisas de perua


Hoje encarei um momento perua, e pintei as unhas de vermelho escuro. Vai uma dica pras comadres duras como eu: Colorama Water Shine (Brilho Noite). Por R$ 3,00 você compra um produto que colabora em todos os sentidos, é fácil para qualquer desajeitada pintar as unhas, cobre bem a superfície, e tem realmente um brilho ótimo.

Outra maravilha de dica (essa é da minha cunhada) é a base 4 em 1 do Avon. Passe uma camadinha antes para proteger, e uma depois do esmalte – para dar mais brilho e duração.

E por falar em vermelho, estou de olho naquele cabelo da Fernanda Lima. Acho que a franjinha eu não vou encarar, mas o vermelho pica-pau estou a fim de experimentar, sim. Alguém é contra? Fale enquanto é tempo.

Quanto à folia, resolvi relaxar e aproveitar. Não pulei noite alguma, mas ainda tenho duas chances. Depois, só no ano que vem!

Estou aqui ouvindo a reprise dos desfiles de ontem (como eu queria uma TV a cabo nessas horas!), vou ver se me animo e tiro o pé do chão. Ou não.

22 fevereiro 2004

Quase 20 mil motivos


Estou muito emocionada porque agora você tem quase vinte mil motivos para visitar o meu modesto blog. Isso mesmo, quase vinte mil visitas! Não que seja muito, sei que sou lida por poucos e bons, mas vale uma comemoração com... saquê? (Idéia fixa, liga não).

Para quem ainda não notou: dei uma recauchutada básica na minha listinha de links, ao lado. Ainda estou me lembrando de outros para colocar ali, mas esses são os primeiros que me vieram à mente, os meus links quase diários mesmo.

Em Música, o primeiro deles é o da minha banda (ordem alfabética, o que vou fazer?). Lá você encontra Fernanda Lima pelada mulheres bundas peitos Daniela Cicarelli Juliana Paes Débora Secco nuas gostosas, calma, caaaaaaaalma!!! Nada disso, hehe. Apenas coloquei aqui algumas palavrinhas-chave para ver se pego algum desavisado nos sites de busca – a propaganda é a alma do negócio.

Senhores desavisados que procuram moças peladas na internet (tsc, tsc, que feio...), eu tenho uma banda que se chama Analógica. Clique aqui e saiba mais.

Ainda em Música, links de duas rádios do RS – uma é a Pop Rock, rádio universitária que começou super underground e foi ganhando espaço ao longo dos anos, trajetória louvável. A outra é a Unisnios FM, que está se preparando para traçar o mesmo caminho, rádio da minha adorada ex-universidade.

Tem também o site da banda Vide Bula, que está passando por uma reforma (o site, não a banda), mas não deixem de visitar. Eu me derramo em elogios sempre que falo deles mesmo, porque é uma galera talentosa que batalha muito e faz um som super honesto, além de competente. Dentre as bandas gaúchas atuais, eu fico com eles, que ainda não têm projeção nacional nem gravadora, mas daqui a pouco vão estar nas paradas. Vocês vão ver.

No site Samba & Choro eu só vou bisbilhotar sobre quem está tocando onde, na noite carioca, sobretudo Lapa e adjacências. De vez em quando, dou um pulo em alguma casa dessas e rebolo um pouco, que ninguém é de ferro.

Tem também um site de cifras, onde eu me esbaldo quando ninguém está vendo e toco uma modinha dessas do Tribalistas, tipo “você é assim um sonho pra mim”, e viro a Bibizinha romântica-melosa-derretida. Mas só quando ninguém está vendo. Outro xodó do momento é a gostosíssima “Vou deixar”, do Skank, que já tocava a mil por hora nas rádios do RS antes de virar abertura de novela. É uma delícia!

Tá, não vou comentar todos, senão algum engraçadinho ainda vai argumentar que tem 20 mil motivos para não ler os meus posts enormes... é que estou meio tagarela hoje.

21 fevereiro 2004

Eu fiz o teste:



Eu sou o Matthew Perry


Assim como o Chandler , sou sarcástico mas também
sou fofo e preferido das mulheres ! Apesar dos problemas eu ainda estou a
procura de um grande amor !



Faça você também: Que ator de Friends eu sou ?



Da arte de morar com o irmão

(Hierarquia)

Bilhete grudado no armário do banheiro, depois de uma faxina:

“Favor colocar o fio-dental babado DENTRO da lixeira.
A gerência.”


Bilhete dele, na manhã seguinte (escrito no verso do meu):

“Favor ir à merda.
A superintendência.”



Das coisas que eu nunca fiz

Estou encasquetada: nunca bebi o famoso saquê.
Ando atrás de receitas de drinques - agora que finalmente superei o medo do barulho do liquidificador, pois achei que já estava bem grandinha – que contenham saquê. De preferência com suco de abacaxi, que é a minha paixão, e tenho polpas congeladas aos montes no freezer.
Será que saquê combina com abacaxi?

E que não engorde muito. Leite condensado, estou fora!


Das coisas inusitadas da vida

Onze e meia da noite, toca a campainha: minha vizinha, nervosa, que a gatinha dela se atirou da sacada – isso não é novidade, ela tem por hábito. Mas, o pior: enfiou-se dentro do motor do meu carro. E não saía de lá por nada do mundo.

“É que deve estar quentinho lá dentro...” – explicou.

Descemos. Fui abrir o capô, e paguei o mico do ano: a não ser puxar aquela alavanca que fica dentro do carro, eu não sabia fazer mais nada. Não sabia abrir o capô completamente. Aliás, o nome daquilo é capô? Ou é tampa do motor? Sei lá.

Sim, eu sei que é de meter a mão ali por baixo e achar um negocinho que destranca, mas, no nervosismo, a gata miando asfixiada, a vizinha afobada, cadê que eu achava?

E o superintendente não estava em casa.

Fiquei pensando em como seria se o carro escangalhasse na Linha Amarela, uma noite em que eu estivesse voltando da Lapa, no meio da madrugada, e eu tivesse que abrir aquela tampa, a fumaça saindo pelos cantos, a ventoinha desarmada, eu também... bom, mas voltemos à gata.

Demorou uns minutos – que felizmente não foram fatais -, e consegui abrir o capô. A gata tinha se enfiado sei lá onde. E continuo sem saber, apesar de ter visto, porque não sei diferenciar um parafuso de uma porca, que dirá distinguir algum objeto naquele emaranhado de parafernália mecânica. Bem, dizem que ali tem um motor, e já me basta. Havia também uma gata, que, por sorte, era branca feito neve, e ainda miava.

Minha vizinha, com aquela propriedade que só quem tem gatos pode ter, não tardou em puxar a bichana por meio de uma fresta – por onde nós, leigos, jamais poderíamos imaginar que a gatinha fosse capaz de passar. Mas os gatos têm disso, pulam de sacadas, reduzem de volume, escondem-se no motor dos outros, etc.

Enfim, tudo acabou bem, e pude continuar vendo o Big Brother (ooops, contei!).
Carnavaleco


Tempinho enjoado para os cariocas: chuvinha. De minha parte, um pouco irritada, como sempre, com essa época em que todo mundo simplesmente pára de fazer tudo - e o que antes já não funcionava direito, agora, então, nem pensar.

Está certo, ninguém pode pensar em trabalho ininterruptamente (meu “bico” de voz-e-violão num barzinho foi cancelado hoje... por que mesmo?), ainda que se esteja com as calças na mão, como estou, como estamos todos nós, ou quase todos. Mas, cá entre nós, não venha Domenico Di Masi querer incluir a gandaia desenfreada e a manguaça pré-quarta-feira-de-cinzas no rol das (não-)atividades carinhosamente por ele apelidadas de “ócio criativo”. Sem querer ofender, já não vejo muita coisa de criativo nos carnavais há vááários anos.

A propósito, noite dessas a TVE exibiu um belo programa sobre samba – o verdadeiro -, mas garanto que ninguém viu, porque a cadência era um pouquinho mais lenta do que os frenéticos rebolados pré-carnavalescos que as outras emissoras mostravam no mesmo horário, por sinal, nobre. Pois ali, na TVE, personalidades do samba, estudiosos e fiéis observadores (são sempre os mais interessantes) discorriam sobre o tema dois-por-quatro, sem pudores e sem jargões, como se contassem a história de uma vizinha de porta.

Entre outras coisas, eles lembraram que a “vizinha”, quando desfilava na avenida há alguns anos – nem muitos! -, rebolava muito mais gostoso, mais swingado. Até que resolveram atropelar a vizinha.

É isso mesmo. Aceleraram o andamento do samba-enredo até não mais poder, e hoje ele é o único que não desfila: corre. Uma judiaria, como dizia minha avó.

Parece que o balanço, outrora um pré-requisito para se falar em samba de qualquer espécie, agora perdeu o sentido. Pelo menos o sentido auditivo; que, no visual, tudo balança cada vez mais.

20 fevereiro 2004

Aula de Garotinho e Rosinha

A natureza da mulher, tal como Deus a criou, é ser conduzida, ser dependente. Ela não é verdadeiramente feliz quando, casada, rejeita a liderança do marido e assume a própria vida, sem compartilhá-la com ele e sem ouvi-lo. Pior fica quando tenta dominar o marido. Em um congresso mundial de mulheres, realizado recentemente no Brasil, algumas “feministas” famosas repensaram esse movimento, confessando que as mulheres “liberadas” estão muito frustradas e infelizes...

Sem comentários. Clique aqui e veja você mesmo. Se tiver estômago, claro.

18 fevereiro 2004

15 fevereiro 2004

Por um fio


Fui tocar num barzinho cujo ponto “forte” seria um punhado de mesinhas do lado de fora. O dia estava lindo. Foi eu chegar e plugar meu violão, desandou a chover e não parou mais.

Pelo menos o palco era na parte de dentro.

Quer mais? Meu violão deu pau. Acho que é Osmar (os-mar-contato: termo técnico que designa o mau contato de um fio com o... com ele próprio, digamos. Um fio que não se dá com ele mesmo, imagine.)

Quando o Osmar entra em cena, o jeito é você achar uma posição onde ele se comporte, e dali não sair nem por decreto. No meu caso, depois de uns tapas desesperados no violão, consegui aquietar o Osmar. E ali criei raízes, para não alertar os gansos. Funcionou. Só que me custou uma dor incalculável na coluna e uma fama de cantora-estátua.

Não se pode ter tudo.

Depois de horas a fio (sem trocadilho), finalmente desci do palco, e pus fim ao sofrimento. Havia quem perguntasse por que motivo eu não fazia um ou dois intervalos, já que o tempo de cantoria era extenso. Meu irmão, orgulhoso e mentiroso, respondia com uma piscadela:

- Ela gosta assim. É pra não perder o pique...

Mané pique. Só dava eu e o Osmar no palco, a evitar música mais animada para não cair na tentação da sacudida fatal – que poria fim ao musical, brindando a platéia (?) com um sonoro BRRRRRRRRRRRR! ad infinitum, e terminando por me avacalhar a estréia.

Quase que chamo o Osmar para uma contradança, mas receio que ele se ofenda e seguro a minha onda.

Concluo: entre roncos e ruídos, salvaram-se todos.

14 fevereiro 2004

Tocando

Estarei tocando hoje, sábado, no Barra World Shopping – Recreio dos Bandeirantes, Rio de Janeiro. Quem quiser chegar, não há couvert artístico. E fazem uns crepes (no Sul, chamamos de panquecas) deliciosos. Procurem pelo cartaz: Bibi Da Pieve. Não tem outra. Não tem erro.

Engraçado é eu dizer meu nome aqui no Rio. Por telefone. Tele-pizza, por exemplo:

- Eu gostaria de fazer um pedido, por favor.
- Pois não. Qual o seu nome?
- Bibiana.
- Hein? (rindo)
- Bibiana.
- Viviane?
- Não. Com “b” de Brasil. Bibiana.
- Bibiane?
- Não. Bibianaaaaaa. Com “a” no final.
- Aaah, sim. Bibiana de quê?

Respiro fundo.

- Da Pieve.
- De onde?
- É o meu sobrenome: Da Pieve.
- Dábliu-érre (W R)??? (rindo)
- Vou soletrar, tá?
- W R ou Soletrar?

Respiro duas vezes. Fundo.

- Eu vou soletrar, dizer letra por letra, o meu sobrenome. Pode ser?
- Claro, senhora Babiane.
- Ok. “D” de dado, “A”, “P” de pato, “I”, “E”, “V” de vela, “E” de novo.
- De novo é com “D”, senhora. Termina com “D”?
- Não. Meu nome é Bibiana Da Pieve.
- Aaaah! A senhora é parente daquele colunista do O Globo?

Respiro aliviada. Mais ou menos.

- Isso!!! O Arthur Dapieve!
- Arthur de onde?

Doce ilusão.

- Querida, somos parentes distantes. O Dapieve dele é tudo junto, o meu Da Pieve é separado. Mas é tudo italiano, mão-de-vaca, gringo, branquela, Vamos ao que interessa – no caso, a pizza.

- Aaah, me desculpe, senhora Babiane WR. Nosso serviço delivery funciona só até as 22h.

- Mas eu liguei há 20 minutos !!!

- Sim, mas até que eu anotasse o seu nome... sinto muito, senhora WR. Fica para uma próxima oportunidade.

09 fevereiro 2004

Que vontade de ser a Laura